New Perspective
8 I Knew You Were Trouble - Taylor Swift
Notas iniciais
Anna pensou que sua cabeça iria explodir com tantas pessoas falando junto. Well e Ju brigando em um canto escondido (Anna fez uma nota mental para perguntar o que significava aquilo), Arthur rindo enquanto João colocava alguma coisa em sua cabeça, Mari e Kell subindo nas escadas para tentar pendurar as fitas no alto, ou pelo menos Kell, já que Mari não conseguia alcançar.
Luan e Jess estavam conversando enquanto faziam os enfeites das mesas, e Renato não pudera vir pelo fato de que, segundo a ele, “não era obrigado a nada”. Bem Renato. Quando Julia a falou pra ir junto, já que a festa seria no dia seguinte e Well havia feito com que todos se sentissem obrigados e intimados a ir para a escola em pleno feriado e ainda por cima serem obrigados a demais fazer tudo o que ele queria. Muito legal. Maravilhoso.
Anna estava enchendo as bolas junto com uma Debs sorridente demais para toda a situação que estavam presenciando e não resistiu em sorrir junto.
— O que aconteceu? — perguntou, achando realmente engraçado Debs está tão sorridente quando tudo em volta estava tecnicamente pegando fogo.
Se bem que era Debs, e ela sempre via felicidade em tudo.
— Ah, quer mesmo saber? — o sorriso dela diminuiu um pouco, porém seus olhos continuavam felizes. Anna ficava tão extremamente feliz quando via as pessoas que ela amava felizes, que teve uma vontade controlável de abraçar Deborah. — Will me convidou pra festa, mas não sei se eu aceito.
— Não seja boba, — Anna rolou os olhos. — você está esperando ele te convidar pra sair mais do que a Mari está esperando o Artur beijá-la.
— Eu sei, mas... — ela não deixaria que sua amiga simplesmente jogasse fora uma das únicas oportunidades que tinha por causa de inseguranças. Por mais que Anna não tivesse ouvido seus motivos, não poderia deixar Debs fazer aquilo.
— Não tem mas, você vai pegar seu celular e mandar uma mensagem maravilhosa pro seu boy dizendo pra ele te buscar ás 18. Falta apenas hoje pra festa, e se você não agir logo, vai rodar. E se reclamar eu mesma faço isso — ela com certeza não faria aquilo. Não tinha coragem nem de dizer não pra Julia, imagina pegar o celular de Debs.
Sua amiga sorriu abertamente e deu uma gargalhada com seus olhos pequenos brilhando, enquanto se levantava deixando mais um saco cheios de bolas pra Anna encher. Suspirou pensando que amar seus amigos e fazer eles agirem de forma certa dava tanto trabalho quanto entrar na escola de calça jeans.
***
Quando Well a puxou pra um canto pra conversar, Julia já sabia que viria um pentateuco falado pra ela. Qualquer coisa, ela iria fazer um belo de um cosplay de Renato e falar que ninguém realmente ligava e que essa cena toda que ele estava fazendo só iria dar motivos para Jess pensar que ele era a última pessoa que ela pensaria em ir pra festa junto.
— Por que mesmo que você sempre tem que ser tão indiscreto? Eu tenho uma reputação a zelar.
— Te garanto que a única parte de reputação que você tem é a da puta, porque o resto...
Ela não segurou o tapa e voou a mão em sua cara. Sentia suas bochechas corando como no primeiro dia de aula, e a raiva se transformando em lágrimas. Ela odiava tanto o fato de que quando ficava com raiva, chorava. Entretanto, faria de tudo para não chorar na frente daquele babaca, já que ela não era tão fraca assim.
O tapa havia sido tão forte que sua mão ardia, e Well tinha a mão no rosto, com a expressão tão fria que ela se encolheu um pouco, porém levantou o queixo e olhou com firmeza pra ele. Ele apenas continuava olhar pra ela, afastado. Deixou sua mão cair, e encurtou a distância que havia entre eles, se aproximando perigosamente dela, que conseguia sentir a sua respiração quente e ver os vários tons de mel que seus olhos possuíam.
Eles eram tão gelados que ela quis se afastar, porém o cheiro dele a rodeava, e tudo o que ela conseguia pensar em fazer era fechar os olhos e bei... O que ela estava pensando? Isso era tão errado quanto ela beijar Artur.
— Essa é a segunda vez que você faz isso esse ano. — sua voz era tão cortante e arrogante quanto o seu olhar. Julia pensou em como ao mesmo tempo ele conseguia parecer encantado e trouxa como um banana. — Na próxima vez, eu juro que você vai se arrepender.
— Se eu não me arrependi na primeira e não me arrependo na segunda, tenho certeza que na terceira você vai fazer tanto por merecer quanto agora. — Ah, como Julia queria ter uma câmera agora. A cara de Well mudou de congelada, pra uma expressão de raiva em segundos, e junto com essa nova, ele sorriu tão venenoso quanto uma cobra.
Eles ainda estavam tão próximos que sua respiração batia em sua bochecha. Ela uma competição de quem se encarava por mais tempo. Well olhava com tanta raiva pra ela, e dentro dos seus olhos que ela estava começando a achar graça da situação.
— É exatamente por isso que você não tem um par pro baile. — ele disse, finalmente cuspindo o veneno e fugindo do assunto.
— Bem, é aí que você se engana. John me convidou ontem...
— Aquele babaca? Você vai com ele? — ela pensara que talvez tivesse um toque de ciúmes em sua voz, mas tinha certeza que fora apenas impressão sua e sacudiu a cabeça.
— Mais babaca que você? Te garanto que não. Acho que essa é a única coisa que você consegue ser mais que ele, porquê ele consegue ser mais que você em muitas outras coisas.
Ju inclinou mais ainda o queixo para tentar ficar encarando ele de um jeito melhor. Ele ainda sorria com um certo desdém nos lábios e a raiva havia suavizado, por mais que ele ainda parecesse uma panela de pressão que ficaram tempo demais no fogo.
— Eu sei exatamente o que você quer fazer, mas não vá achando que isso daqui é algum tipo de Casamento Por Conveniência* e que eu sou seu Nick, porquê eu realmente...
— Mais uma coisa que eu te garanto é que eu com certeza não sou uma Alexa, o meu Nick em hipótese alguma seria você. Agora, se você me der licença... — ela realmente estava cansada daquele joguinho de ofensas que eles estavam jogando.
Se virou e, sem paciência, esqueceu que estavam muitos próximos e tropeçando nos pés de Well, que, infelizmente, estava presente em todos os momentos que ela caia para segurá-la. Segando-a pela cintura, agora seus narizes se tocavam. O lápis que segurava seus cachos loiros caiu no chão e seu cabelo estava todo bagunçado em volta dos seus ombros.
Toda a confusão da organização da festa, os gritos de Artur, as risadas de Rakel e Anna a esperando sumiram naquele instante. Os olhos cor de mel estavam tão brilhantes, o cabelo castanho claro bagunçado e a boca fina avermelhada tão próxima da sua que era só ela inclinar um pouco que acabava a distância. Apenas alguns centímetros e...
— Julia? — a voz delicada de Lay soou tão alta naquele silêncio das respirações próximas dos dois, que Julia só percebeu o quanto estava errada quando Lay disse o seu nome.
Estavam completamente ferrados.
De novo.
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