New Life. New Love.
10 Uns reconciliam, outros brigam.
Notas iniciais
/seescondeparanãomorrer.
Eu sei que demorei, eu sei. ç_____ç Mas eu e minha beta tivemos uns problemas com a inscrição da faculdade e isso tomou muito do nosso tempo. n___n
Então, aqui está mais um capítulo e posso falar que, em parte, ele foi dedicado para annapaularc e para as pessoas que queriam ver uma relação mais afetiva do Kyu com o Chulla. >.< Ér... Acredito que algumas pessoas vão querer me matar... Mas... Vamos ao que interessa né?
Boa leitura amores. n____n
POV Sung Min:
Domingo, o doce dia em que você acorda tarde e não faz nada além de relaxar. Certo? Errado! Primeiramente porque, nessa instituição, é impossível acordar tarde por causa do horário do desjejum: de 7:00 às 8:00. Além dos meus companheiros de quarto – e com isso eu me refiro a Ye Sung e Ryeo Wook – que são umas gracinhas e, em pleno Domingo, acordam às 6:30 em ponto para aproveitar o dia (que merda eles têm na cabeça?!). E, como se não fosse suficiente quebrar apenas a parte do “acordar tarde”, também precisam quebrar do “não fazer nada”: hoje começamos a analisar apresentações e ensaiar, porque o nosso líder é um paranoico.
Enfim, são exatamente 7:20 da manhã e já estou no refeitório, sentado à mesa com meus membros, tomando leite e comendo cereais enquanto vejo o maldito Hee Chul se agarrar ao meu kingka. De verdade, eu estou me esforçando para gostar dele, mas cacete! Assim não dá! Parece que ele vai morrer se ficar a mais de dez centímetros de distância do Kyu Hyun. Isso realmente me tira do sério. Eu estou me controlando ao máximo para não descontar toda a minha raiva na caixa de leite que tenho na mão.
— E então, Sung Min — escuto a voz do Líder e desvio minha atenção de Kyu Hyun – e Hee Chul, porque eles estão tão próximos que até parecem um só. — Ainda está animado para os ensaios?
— Claro! — respondo, com um sorriso. Se bem que não estou muito entusiasmado com a idéia de ter de aguentar o Hee Chul e o Kyu Hyun grudados a tarde toda.
— Eu também estou animado! — Hyuk diz. Ele sempre dá sua opinião sobre tudo, mesmo que ninguém peça. — Michael Jackson é foda! Eu adoro as coreografias dele!
Quando acaba de falar, seu olhar vaga até outro ponto: Dong Hae. Eu sei que há outra razão para ele estar animado para o ensaio. Se bem que ele realmente curte muito tudo que envolva dança.
— Isso é ótimo. — Lee Teuk diz, sorrindo muito discretamente. Mas então franze o cenho e continua: — Mas espero que vocês não confundam as coisas. Estamos inseridos em um grupo maior agora, e precisamos atuar em equipe. Precisamos de um bom relacionamento entre todos os doze membros. Só que eles não são nossos amigos, e é preciso que vocês saibam o limite entre ser agradável e se tornar íntimo. Nenhum de vocês deve criar laços com aquelas pessoas. Entendem o que quero dizer?
As palavras do Líder parecem afetar todos, até mesmo Si Won. E digo isso porque não tenho certeza se ele gosta do Hee Chul, enquanto já sei que Eun Hyuk gosta de Dong Hae e Ye Sung, de Ryeo Wook.
Eu já criei laços com o Kyu. E é algo que não quero desfazer. Hyuk parece pensar o mesmo, porque diz:
— Por que, Teuk? Por que não podemos nos aproximar deles? Criar novas amizades? Eles podem ser mais legais do que você acha...
— Eun Hyuk. — Teuk interrompe. No mesmo instante, Eun Hyuk se cala. — Não tente argumentar comigo. Você sabe muito bem que Hee Chul não é confiável! E, consequentemente, nenhum dos que andam com ele!
Novamente, o tom educado e ríspido do Líder me surpreende. É muito difícil ele aumentar a voz; Teuk-hyung é muito controlado. Mesmo quando ele está irritado e te dá uma bronca, ele quase nunca grita. Só quando é algo muito, muito ruim mesmo! E, ainda assim, depois que Lee Teuk se acalma, ele pede desculpas por ter gritado.
Algo que eu simplesmente não posso negar é que o Líder é uma pessoa maravilhosa e tem um coração de ouro.
— Como você pode saber?! — Eun Hyuk retruca. Não adianta; quando Hyuk acha que está certo, faz de tudo para convencer aqueles que discordam. — Você nunca conversou com eles, Lee Teuk! Não sabe como eles são! Você está julgando-os de forma errada e tirando conclusões sem fundamentos!
— Chega! — o Líder ordena. Eun Hyuk fica em silêncio outra vez, mas parece insatisfeito. — Estamos em público, Eun Hyuk. Não vamos discutir esse assunto aqui. Agora, coma. Quando todos acabarem, nos reuniremos no meu quarto.
A conversa está claramente acabada. Lee Teuk pôs um belo ponto final no assunto e ninguém ousaria desobedecê-lo. Não por medo, claro, porque o Líder nunca bateria em nenhum de nós. Mas por algo muito mais forte: respeito. Porque, além de ser o mais velho do grupo, Lee Teuk sempre foi como um pai para nós. Sempre nos ajudou quando precisamos. Sempre esteve ao nosso lado, nos apoiando. E isso é algo que não podemos simplesmente ignorar.
Pelos próximos minutos, a mesa fica mergulhada em um silêncio pesado. Mesmo que o Líder não tenha dito nada demais, nem alterado o tom, ficou clara sua seriedade. E, toda vez que ele fica assim, nós ficamos alarmados, dando ainda mais atenção ao que falamos e fazemos.
Finalmente, quando todos acabamos de comer, Lee Teuk se levanta. Nós quatro nos levantamos logo em seguida, Eun Hyuk antes dos outros. Ele está claramente ansioso para resolver as coisas.
Caminhamos até o elevador, que gloriosamente está parado no térreo. As portas se abrem assim que Teuk aperta o botão e, depois de entrarmos, o Líder pressiona o botão 7. Quando as portas se fecham, Hyuk tenta antecipar a conversa:
— Lee Teuk...
— Ainda não. — o Líder lhe corta. Mas Hyuk não dá ouvidos.
— Por que não?! Não estamos mais em público! — ele retruca.
— Tenha paciência! Mais alguns poucos minutos, Eun Hyuk. — Teuk repreende. Hyuk bufa, mas faz silêncio. Não demora mais que dez minutos até que cheguemos à porta de número 734 – o quarto de Lee Teuk e Eun Hyuk.
Teuk abre a porta e, depois que todos entramos, ele a fecha. Enquanto eu e os outros nos dirigimos às escadas, porque eles dormem no segundo andar, Eun Hyuk atira:
— Você está sendo um idiota, Lee Teuk! — Nós paramos na metade dos degraus. Como ele se atreve a dizer esse tipo de coisa? Tudo bem que o Líder é muito bondoso, mas tudo tem limites, certo?
— Por que acha isso? — Lee Teuk rebate, um pouco mais alto que o normal. Seu tom de voz soa um pouco estranho, como se... — Eu só estou tentando proteger meus amigos!
Eu estou certo: lágrimas surgem nos olhos do Líder. Lee Teuk está se controlando para não deixá-las cair. Vê-lo assim, à beira do choro, me deixa com o coração apertado.
Eu, Ye Sung e Si Won permanecemos parados, no meio da escada, servindo de plateia para os dois no primeiro piso.
— Teukie... — A indignação de Hyuk some e ele dá um passo à frente, na direção do Líder.
Lee Teuk está de cabeça baixa e vejo suas bochechas brilhando: lágrimas. Ele não conseguiu segurá-las. Meu coração dói e me sinto um inútil.
— Você não entende? — a voz do Líder soa fraca e magoada. — Eu não suporto ver as pessoas que amo sofrendo. E Han Kyung sofreu tanto! Eu não aguentaria assistir o sofrimento de um amigo novamente. — Então suas mãos começam a tremer e ele as fecha em punhos. Sua voz é quase um rosnado quando diz: — Ainda mais pelo mesmo motivo! Pessoas que não valem nada!
— Não é bem assim, Lee Teuk. O Hee Chul... — Hyuk tenta argumentar de novo, mas Lee Teuk não quer ouvir. O que quer que tenha acontecido entre eles, deixou cicatrizes profundas no nosso Líder.
— É um traidor! — Lee Teuk grita. A mágoa em suas palavras é transparente. — Uma pessoa desleal e falsa, que não hesitou em ferir os sentimentos do nosso amado Han Kyung! E nós o perdemos por causa dele!
— Nós nunca perdemos o Han Kyung! — Hyuk diz, calmo e firme. — Você não vê, Teuk? Han Kyung voltou para casa porque quis. E já está voltando para nós.
— Ele se afastou porque estava magoado e triste! — Teuk contrapõe, ainda alterado.
— Talvez, sim. — Hyuk concorda. Acho estranho, porque parece que Hyuk está fazendo o papel que o Líder costuma fazer. — Mas nunca, nem ao menos por um segundo, ele se arrependeu. Han Kyung nunca se arrependeu de ter se apaixonado pelo Hee Chul! E certamente nunca se arrependeu de tê-lo namorado e amado, Teuk. Entende? Ele se afastou porque sentiu que estava precisando do aconchego da sua verdadeira casa, mas eu não tenho dúvidas de que ele nem sequer cogitou a idéia de nunca mais voltar. Porque Hee Chul é o amor da sua vida e, por mais que eles fiquem separados por quase um ano, isso não vai mudar. Eu tenho certeza que eles dois ficarão juntos de novo, assim que o Han Kyung retornar. Um não vive sem o outro, Teuk. E isso é inalterável.
Essas palavras afetam Si Won. Eu vejo que ele vira o rosto, desviando os olhos, e tenho a certeza de que ele gosta do ruivo. E, se estou certo, ele está reprimindo lágrimas.
Nosso Líder já não chora mais, ainda que continue magoado, triste e um pouco irritado. Ele enxuga o rosto com as mãos enquanto diz:
— Mas o Hee Chul não é confiável, Hyuk. Se ele realmente se importasse, teria tentado explicar tudo. Falar com o Han Kyung ou conosco. Ele não fez nada! Apenas nos acusou de sermos falsos amigos e se afastou de nós!
A mão de Hyuk toca seu ombro enquanto ele responde:
— Hee Chul estava magoado. E tenho certeza que ainda está. Mas você tem que admitir que nós também não procuramos ouvir o que ele tinha a dizer. Não fizemos questão de qualquer tipo de esclarecimento. — ele faz uma pausa e conclui: — Lee Teuk, nós deixamos Hee Chul se afastar de nós.
Teuk abaixa o olhar durante alguns segundos e, quando volta a olhar o rosto de Hyuk, seus olhos estão perturbados, confusos.
— Então... Eu estive errado? — ele pergunta. — Eu estive errado, esse tempo todo?
Eun Hyuk balança a cabeça e responde:
— Você esteve enganado. Hee Chul não é um monstro. Aposto que ele está triste com tudo o que aconteceu, e tão magoado quanto você, Líder.
— Eu... Tenho de falar com ele. — Lee Teuk diz. — Preciso concertar as coisas... Eu sinto a falta dele.
Hyuk abre um sorriso. Na verdade, “o” sorriso. Aquele gengival e contagiante. Todos nós sorrimos.
— Eu também, Líder. E estou feliz por você finalmente ter percebido isso. Hee Chul faz parte do nosso grupo. E eu não acho que foi uma mera coincidência todos nós termos ficado juntos, em um mesmo grupo, Teuk. Quem sabe, talvez o verdadeiro destino da nossa banda seja ter treze membros. Já pensou nisso?
— Você acha? — ele pergunta. Hyuk assente e o Líder assume uma expressão pensativa. — Talvez... Bem, eu não sei. Mas acho que talvez não seja uma má idéia. Talvez eles de fato mereçam uma chance.
Eun Hyuk se anima e diz:
— Sim, eles merecem! Dong Hae é muito talentoso, e uma pessoa incrível!
Lee Teuk dá uma risada fraca.
— Sei que você gosta dele, mas poderia disfarçar um pouco — ele brinca. Não entendo o motivo, mas Eun Hyuk fica sério.
— Eu não gosto dele. — ele diz. Todos nós fazemos caretas incrédulas, mas isso só dura até ele complementar: — Eu o amo.
Ouvi-lo dizer isso é como um choque. Para todos nós.
— O quê? — Lee Teuk diz. — Você...?
— Sim, eu o amo, Lee Teuk. Com todo o meu coração.
O Líder parece estar chateado, triste, não sei. Mas sua expressão não é alegre. Parece que ele está se sentindo mal. Será que o Teuk ainda sente algo pelo Eun Hyuk? Si Won me contou que eles já foram mais do que bons amigos no passado.
— Tenha cuidado, Eun Hyuk, por favor. Eu não quero ver você chorando. Não quero que se decepcione, nem que se machuque...
— Seu bobo! — Hyuk diz, abraçando-o. Lee Teuk põe os braços ao redor dele no momento em que Eun Hyuk o abraça. — Você não pode controlar tudo, Teuk. Não pode cuidar de todos. O aprendizado é feito através de sorrisos, mas também, de lágrimas. A dor e a tristeza também ensinam. E você não deve tentar nos poupar desses ensinamentos.
— Eu não gosto de vê-los sofrer. É muito doloroso para mim. — o Líder diz. Eu tenho de admitir que meus olhos estão marejados e eu estou emocionado com essa cena toda. Ver o quanto Teuk se preocupa conosco... É tão comovente!
— Pense que vai nos fazer bem depois. — Hyuk comenta, sorrindo. Teuk assente.
— Desculpe. — o Líder diz. Hyuk parece ficar confuso, mas antes que ele possa perguntar algo, Teuk se afasta e nos olha, ainda parados na escada. — Me desculpem, vocês todos. Eu vivo tentando controlar as suas vidas, fazendo de tudo para que nada dê errado. Mas vocês já são crescidos e sabem se cuidar, e eu tenho de deixar vocês se virarem sozinhos... Só que vocês são meus bebês e é um pouco difícil para mim, não interferir...
Enquanto descemos as escadas para lhe dar um abraço, porque esse momento definitivamente pede um abraço coletivo, Hyuk diz:
— Nós somos uma família, Teuk, mas você não é o Appa. Somos todos irmãos. Somos como Os Três Mosqueteiros: um por todos e todos por um. A única diferença é que nós somos seis.
Lee Teuk ri.
— Até onde sei, também não lutamos com espadas. — ele comenta. Todos nós rimos.
— Você entendeu o que eu quis dizer! — Hyuk diz, bagunçando os cabelos do Líder. E então todos nos abraçamos, porque nós três chegamos até onde eles estão. O abraço é forte e carinhoso. E não posso deixar de pensar no quanto eu amo esses caras.
Em alguns instantes, depois de declarações de amizade e afeto de todos, nos separamos. São pouco mais de dez horas da manhã. Isso é bom, porque ainda tenho tempo para descansar até o horário do almoço, e ainda, antes do ensaio.
— Bem, vou procurar pelo Hee Chul. Acho que esse assunto já esperou demais. — o Líder diz e, depois de concordarmos, ele pede licença e deixa o quarto. Nós ficamos juntos mais alguns minutos, conversando, mas logo nos separamos. Eu vou para o meu quarto, descansar; Ye Sung vai para a Biblioteca; Eun Hyuk vai procurar Dong Hae, mesmo que diga que só vai dar uma volta; e Si Won também vai para seu quarto, porque é Domingo e ele precisa fazer suas preces e tal. Se bem que ele ainda parece triste e com cara de choro.
Nos despedimos e seguimos nossos caminhos. Saio do quarto do Hyuk e, como estou indo para o meu, e é só um andar de distância, opto pelas escadas. Não demora muito até que eu chegue ao meu destino. E, quando estou prestes a tocar a maçaneta, ela gira e a porta se abre. Não vou comentar que tomo um susto leve.
A figura que aparece depois da porta ser aberta é Kyu Hyun. Eu sorrio sem perceber assim que me dou conta de que é ele.
— Sung Minnie! — ele exclama, sorrindo, quando me vê. — Eu estava querendo falar com você. Aconteceu alguma coisa? Eu não sei, a cena que assisti lá no refeitório pareceu um pouco estranha...
— Ah, não foi nada. — eu respondo. Fico surpreso por ele ter percebido que algo estava errado. Lee Teuk é muito cuidadoso para não deixar que os outros percebam. Eu quero acrescentar um complemento para explicar melhor o que aconteceu entre nosso grupo, mas não sei bem o que eu poderia dizer, então mudo de assunto: — E você? Aquele ruivo não te larga. Daqui a pouco, vão virar um só.
Não fico muito satisfeito com o que digo, porque eu não deveria tocar nesse assunto. É dar muita pinta de que estou com ciúmes.
— Nós somos só bons amigos. — ele diz. “Era isso que dizíamos ano passado”, as palavras de Dong Hae invadem minha mente. Kyu disse a mesma coisa sobre nós dois. Isso significa que o relacionamento dele com aquele ruivo detestável é igual ao seu relacionamento comigo? E se eles já se beijaram também? E se ele prefere o beijo daquele ser das trevas, ao invés do meu? E se meu kingka se apaixonar pelo Hee Chul, ao invés de mim? E se...
— É difícil para nós, ficarmos separados. Não sei, eu não consigo resistir ao Chul. — Kyu Hyun continua falando. Essas frases só me deixam mais paranoico. E cheio de ciúmes. E magoado. E irritado.
— Ah, que ótimo! Está indo atrás dele agora? Acho que já faz mais de dez minutos que vocês não se tocam! — eu digo, cheio de ironia, enquanto passo por ele e entro no quarto, caminhando pesadamente até a escada. Eu queria soar indiferente, mas é claro que soo puto da vida.
— Ya! — Kyu reclama, depois de agarrar meu punho. Ele correu atrás de mim; é isso mesmo? — Pare com isso, Minnie! Que inferno! É só eu fazer o mínimo comentário sobre o Chul que você começa a agir como um babaca! Merda, quem tocou nesse assunto foi você!
Merda. Ele tem razão. Eu toquei no assunto. Maldita a hora em que fui fazer essa idiotice.
— Desculpe! — eu grito, tão ofensivo quanto se estivesse xingando-o, e puxo meu braço, livrando meu punho de sua mão. Então percebo a besteira que estou fazendo e abaixo o tom, assim como os ombros e os olhos. — Me desculpe. — repito, verdadeiramente arrependido. Não quero brigar com o Kyu Hyun. — Eu só não gosto dele. E acabo descontando em você.
— Por que não gosta dele? O Chul é uma pessoa maravilhosa! Você deveria...
Ouvi-lo argumentar a favor do maldito ruivo me deixa mal-humorado novamente. Por que ele não consegue entender que eu simplesmente odeio quando ele defende o Hee Chul? É mesmo tão difícil para ele perceber que estou amando-o e morro de ciúmes?
“Eu não suporto aquele filho da puta porque ele não desgruda de você!” é o que eu penso em responder. Mas ainda não estou certo de que é seguro mostrar meus verdadeiros sentimentos e, se eu não disser que o amo para tentar justificar meu ciúme estúpido, vou parecer um babaca ainda maior, agindo como um amigo ridiculamente possessivo. Então mordo a língua, respiro fundo e o interrompo, antes que as coisas saiam do controle:
— Você pode, por favor, não falar dele? — pergunto. — Está estragando meu humor.
— Ah! Claro, tudo bem. — ele responde, um pouco nervoso. — Tudo o que eu não quero é te deixar irritado. Você sempre começa a gritar comigo.
Isso me faz sentir mal. Eu o amo e fico dando-lhe patadas só por causa das minhas crises de ciúmes. Eu toco seu rosto e afago sua bochecha com o polegar.
— Kyu, me desculpe. Eu prometo que vou me controlar melhor. — Com a outra mão, aliso seus cabelos e então seguro seu rosto entre as mãos. Olho fundo em seus olhos negros e continuo: — Eu já me esforço muito, mas vou me esforçar mais, está bem? Eu não vou gritar com você de novo.
Vejo suas maçãs do rosto se elevarem enquanto ele abre um sorriso. Seus olhos ficam tão pequenos que parecem estar fechados.
— Minnie, eu estava brincando. Não precisa de tudo isso. — ele diz. Por um breve instante, me perco nas feições encantadoras de Kyu Hyun. Ele é tão bonito! Ainda mais sorrindo... Mas então me dou conta do que ele acabou de fazer e solto seu rosto e dou um passo para trás. Bato de leve em seu braço enquanto digo:
— Babo! — Ele ri, porque meu tapa é estupidamente fraco. — Não me pregue peças!
Ainda rindo, Kyu Hyun responde:
— Não tem graça! Amigos fazem esse tipo de coisa.
Não posso discordar. Hyuk me prega peças o tempo todo.
— Enfim, eu não brinquei quando disse que vou me controlar melhor. Não é justo descontar em você, que não tem nada a ver com o meu mal humor. — eu digo. Sei que toda brincadeira tem um quê de verdade, e não duvido que ele realmente fique chateado comigo quando começo a gritar sem motivo. Ainda que eu tenha motivos. E que ele seja um pouquinho culpado, porque se ele não ficasse tão todo cheio de amores com o Hee Chul, eu não ficaria tão cego de ciúmes.
— Isso é legal. — Kyu diz. — Eu não fico chateado, porque sei que você tem dificuldade de se controlar, mas admito que não gosto quando acabamos discutindo por bobagens.
A frase dele me acerta de uma maneira estranha. Sei que o que ele falou não significa nada demais, mas sinto o coração acelerar mesmo assim. “Não gosto quando acabamos discutindo”. Kyu Hyun não gosta de brigar comigo. Isso é um bom sinal.
Eu me sinto um idiota. Durante esse tempo que estamos sendo amigos, e até mesmo antes disso, venho colecionando atitudes, gestos e frases do Kyu Hyun que possam significar que ele nutre por mim um sentimento mais forte que amizade. E a lista é bem grande. Então porque fico tão grilado imaginando se ele me ama ou não? Eu tenho provas suficientes para acreditar que sim. Então acho que já é hora de eu parar de agir feito um imbecil e, ao invés de ficar remoendo essa questão boba, começar a dar (mais) pistas de que estou gostando dele pra valer.
— Na verdade, não gosto de discutir com você por motivo nenhum — Kyu continua dizendo e eu corto meus pensamentos.
— Eu também não, mesmo que seja o responsável por todas as discussões. — digo, sincero. Ele sorri e acaricia meu rosto.
— Está tudo bem, eu te desculpo. — ele brinca. Finjo uma crise de orgulho e reclamo:
— Quando foi que eu pedi desculpas?!
Ele sorri mais e me puxa para um abraço. Eu me deixo ir.
— Você faria isso mesmo, nos primeiros dias. — ele comenta. Eu rio.
— Com certeza. Quando te conheci, me esforcei muito para parecer rude. — respondo.
— Pode acreditar que conseguiu.
Nós dois rimos e nos separamos. Ele segura minha mão e se aproxima do meu rosto.
— Foi bom te encontrar agora — ele diz, e beija minha bochecha. — Mas eu realmente tenho de ir. Ryeo Wook está me esperando na área de lazer para jogarmos tênis de mesa.
— Claro, tudo bem. — respondo, sorrindo. — Eu estou mesmo afim de descansar.
Beijo seu rosto, perto o suficiente dos lábios para insinuar que queria beijá-los. Kyu se assusta um pouco e eu finjo estar envergonhado.
— Opa, desculpe por isso. — digo, olhando o chão. — Eu não queria...
— Tudo bem, sem problema. — ele responde, rápido. Kyu Hyun soa nervoso, um pouco desconcertado, talvez. — Essas coisas acontecem.
Eu assinto e digo:
— Bem, então é melhor você ir. Legal falar com você.
Kyu abre um sorriso.
— Está certo. Descanse bastante, Minnie. Porque três horas temos um compromisso. — ele diz. Eu sei que ele se refere ao ensaio, mas não posso evitar pensar em outro compromisso. Envolvendo nós dois e uma cama.
— Pois é. — respondo, afastando os maus pensamentos da minha mente. — Nada de atrasos.
— Pode deixar. — Ele sorri e se afasta, em direção à porta aberta. Temos sorte de esse andar não ser muito movimentado.
Eu aceno e sorrio quando ele para no portal e me olha. Ele retribui meus gestos e fecha a porta. Eu sigo para a escada; subo os degraus sem pressa e caminho até minha cama. Antes de me deitar, me aproximo da estante do armário embutido e pego minha pasta rosa. Logo em seguida, desabo no meu colchão super-macio.
Abro a pasta e vejo meus esboços. Alguns outfits para mim, uma coisa ou outra para modelos femininas, e a maioria para o meu kingka. Antes, 99% dos meus desenhos eram para mim mesmo. Agora, acredito que tenha caído para uns 25%. Mas o que eu posso fazer? Kyu Hyun é meu modelo perfeito. Eu gosto muito do corpo dele e – incrivelmente – não há nenhuma malícia em minhas palavras. Gosto de como suas pernas são longas e seus ombros são ideais, nem muito largos, nem muito estreitos. Gosto de sua altura e de seu porte, e acho particularmente interessante seu tipo físico: grande e magro. Desenhar roupas para ele é simplesmente fascinante para mim.
Pego meu lápis e começo outro esboço, porque essa noite sonhei com Kyu Hyun e ele usava roupas lindas! Uma mistura de pirata, príncipe e vampiro, meio difícil de explicar, mas ele estava extraordinariamente bonito!
Passo todo o tempo livre da manhã desenhando e, quando escuto a porta abrir, trato de esconder os desenhos, guardando-os de volta na pasta e recolocando-a na estante. Ye Sung aparece alguns segundos depois.
— Oi, fofura. — ele me cumprimenta, sorrindo. Eu o fuzilo com os olhos, por causa do apelido, mas ele não se incomoda. — Já está pronto para o almoço?
— Sim, eu não vou trocar de roupa. — respondo. Estou vestindo jeans e uma camisa polo vermelha, salvo os acessórios. E um tênis muito charmoso, branco e dourado. Meus planos são almoçar, tirar um cochilo, tomar banho e me aprontar para o ensaio. Então não vou me trocar agora, porque senão vou sujar mais peças e há um limite de roupa suja para cada aluno. E eu não quero estourá-lo.
— Certo, nem eu. Só vim até aqui para pôr meu celular para carregar. — ele diz, pegando o carregador em uma das gavetas embaixo da cama. Ye Sung conecta-o na tomada mais próxima e em seguida, no celular. — Mas, já que te encontrei aqui, vamos juntos?
— Claro. — respondo, ficando de pé. Trocamos sorrisos e descemos as escadas. Seguimos o caminho conversando a maior parte do tempo e chegamos ao refeitório em poucos minutos. Assim que atravesso as portas, checo meu relógio: 1:20 da tarde. E, ao que parece, todos os doze membros do meu recentemente-formado grupo estão aqui. Posso ver o gordinho (no diminutivo para ser educado) chamado Dong Hee, com o apelido de Shin Dong – que não é exatamente um apelido, porque o sobrenome dele é Shin –, na ala de comida japonesa. E também o garoto Ki Bum, passeando pela culinária italiana. A maior parte do meu grupo já está sentada, a não ser por Ye Sung e eu. Assim como o grupo do Kyu Hyun, que só falta o rechonchudo do Líder, que já está pegando a bebida e caminhando até a mesa. Eu sei que agora nós somos um grupo só, mas, se essa divisão de fato se desfizer, acredito que vá levar um tempo.
Enquanto pego minha comida, não posso deixar de me torturar um pouquinho, espiando Kyu Hyun. Que, como sempre, está agarrado ao ruivo que eu odeio. Eu gostaria de poder pegar minha bandeja e sentar lá, naquela mesa, bem entre os dois.
“Ah, com licença, posso me sentar aqui?”, eu diria, no ápice da inconveniência, já abrindo espaço sem esperar uma resposta.
“Claro, Minnie, eu adoro a sua companhia”, Kyu Hyun responderia, rindo da minha atitude. Ou estarei sonhando? Será que ele me mandaria sentar em outro lugar e não atrapalhar o momento dos dois? Não, é claro que não. Que bobagem.
Hee Chul, pelo contrário, provavelmente ficaria puto da vida e acredito que ele seria tão desagradável a ponto de me fazer querer sair dali. Ou talvez eu só esteja exagerando. O ruivo, por mais insuportável que seja, não parece ser tão maldoso quanto eu penso.
— Sung Min, o que está fazendo? — escuto Ye Sung perguntar. Pisco algumas vezes e olho para ele, parado atrás de mim.
— Hã? — pergunto, sem saber ao que se refere. Ele me empurra pelas costas.
— Vamos, ande! — ele diz, impaciente. — O que estava fazendo, parado no meio da fila, olhando para sei lá o quê?
Opa. Eu odeio quando faço esse tipo de coisa. Me concentro tanto em pensar que acabo esquecendo de todo o resto.
— Desculpe. — digo rapidamente, me apressando para chegar à ala de culinária coreana, porque, mesmo com todos esses pratos gostosos, não consigo ficar nem um dia sem a comida do meu próprio país.
Não tardamos em terminar nosso tour e logo estamos nos sentando à mesa com os outros. E a primeira coisa que faço é perguntar:
— E então, Líder, como foi com o Hee Chul? — Estou realmente interessado. Acho que a amizade deles foi forte demais para terminar por causa de um mal entendido, e estou torcendo para que eles se resolvam logo.
Lee Teuk balança a cabeça, desapontado. Os outros não parecem interessados como eu, e suponho que eles já saibam da história, porque chegaram mais cedo, mas Ye Sung também se inclina para frente, esperando a resposta do Líder.
— Infelizmente, não consegui achá-lo a tempo. Com certeza será uma conversa demorada e quero realizá-la sem pressa, então optei por esperar até o fim do ensaio. Acho que será melhor assim.
Nós dois balançamos a cabeça em sentido afirmativo e concordamos. Lee Teuk tem razão. Um assunto dessa seriedade e importância tem de ser tratado com calma. É mesmo melhor que seja depois dos compromissos. O ensaio está programado para durar duas horas, ou seja, até as cinco da tarde. A janta é servida às 8 da noite. Os dois terão três horas para conversar.
O almoço segue tranquilo, com uma conversa agradável. Enquanto como, ainda me torturo mais um pouco olhando Kyu e Hee Chul grudados. Mas sempre que meus olhos fogem e encontram essa cena desagradável, voltam rapidamente a focar quem está falando, ou simplesmente meu prato.
Quando dá 1:45 da tarde, nós já estamos atravessando as portas do refeitório, a caminho de nossos quartos. Os planos dos outros não são muito diferentes dos meus: descansar, tomar banho e se aprontar. Lee Teuk é o único que difere um pouco, porque ainda tem de ir à Diretoria, pegar a chave da Sala de Vídeo com o Diretor.
Seguimos todos juntos para o elevador e Eun Hyuk aperta os botões 7 e 8. Não demora muito até que eu já esteja entrando no meu quarto, seguido de Ye Sung. E em poucos instantes já estou caído na cama, decidido a dormir um pouco. Diferentemente de mim, Ye Sung lê um livro para passar o tempo.
Tiro um cochilo de quarenta minutos, o que não é pouco, e, quando acordo, às 2:35 da tarde, Ye Sung já está vestido e de banho tomado. Eu me levanto da cama direto para o banheiro e tomo um banho rápido – dez minutos. Quando saio, com uma toalha na cintura porque me esqueci de levar minhas roupas, Ye Sung já se foi. Caramba, o que ele é? Um ninja?
Me visto rapidamente e estou pronto – isso inclui cabelos penteados e dentes escovados – em dez minutos. São 2:55 e ainda tenho de me deslocar até a Sala de Vídeo. Acho que não me programei tão bem quanto poderia.
Saio do quarto apressado. Kyu Hyun e Ryeo Wook também já se foram, porque não vi ninguém no primeiro andar. Aperto o botão e espero impacientemente pelo elevador. Sei que a culpa é minha, mas agora vou me descabelar (no sentido figurado, claro) para não chegar atrasado ao ensaio. Entro no elevador antes mesmo das portas se abrirem por completo e aperto o botão do Térreo três vezes, ainda que saiba que isso não fará com que eu chegue lá mais rápido.
Ao sair do Prédio I checo meu relógio e vejo que minha guerra está perdida: já são 3:01. Então aperto o passo e reformulo meu objetivo: chegar à Sala de Vídeo o menos atrasado possível. São aproximadamente uns cento e quinze metros, mas consigo, milagrosamente, cruzar a distância em quatro minutos, praticamente voando.
Quando chego lá, todos já estão presentes, exceto o Líder. Estranho, porque ele é extremamente pontual. Será que ele teve alguma complicação com o diretor? Dou de ombros para a questão, porque só vou saber quando ele chegar. Mas, particularmente, eu preferiria que outra coisa estivesse estranha. Porém, para minha infelicidade, Kyu e Hee Chul estão grudados e de mãos dadas, como sempre. E eu não consigo reprimir uma careta desgostosa assim que vejo a cena. Mas, diferentemente do que penso, as coisas melhoram: no instante em que Kyu Hyun bate os olhos em mim, um sorriso ilumina seu rosto. E é um sorriso tão largo e bonito que não posso deixar de pensar que ele me ama.
— Olá. — eu digo, quando me aproximo do grupo. Aparentemente me dirijo a todos, mas mantenho o olhar fixo em Kyu Hyun e espero que ele note que falo diretamente com ele.
— Oi, Sung Minnie-hyung. — ele me cumprimenta, com um sorriso ainda maior, e sei que ele percebeu. Ficamos nos olhando e sorrindo como bobos por alguns segundos antes de eu desviar os olhos para a outra pessoa que me cumprimenta: Ryeo Wook. E depois, Ye Sung, Si Won, Eun Hyuk e basicamente todos os restantes me dizem olá em um coro pouco sincronizado. A única exceção é Hee Chul, que só me dirige um aceno de cabeça. Ruivo miserável.
— Já são três e seis. Onde está aquele chato que ficou reclamando no meu ouvido? Acho que ele está atrasado. — Hee Chul comenta, numa mistura de irritação e sarcasmo. Si Won se aproxima dele e pára na sua frente. O ruivo estranha e dá um passo para trás. Ele franze a testa e abre a boca para dizer algo – provavelmente perguntar “O que diabos você está fazendo?!” – mas Si Won é mais rápido.
— Não fique assim, Chul. O Líder está decidido a te pedir desculpas, só ainda não encontrou o momento certo. — ele diz, alisando os cabelos vermelhos do outro. Hee Chul se esquiva, mas Si Won insiste e o ruivo desiste. — Inclusive, eu também te devo um pedido de desculpas. Por favor, me perdoe. Eu estou verdadeiramente arrependido.
Os dois mantém contato visual por alguns segundos. Hee Chul parece confuso e desconfiado, mas por fim desvia os olhos e diz:
— Está... Está bem.
Espere um pouco. É isso mesmo? Hee Chul está envergonhado? Ou é só impressão minha? Achei que ele odiasse o Si Won... Ou será que é um amor disfarçado?
— Obrigado, Chul. — Si Won diz. — Isso tira um peso do meu coração.
Ele está cheio de ternura e toca o rosto do demônio ruivo, que volta a olhá-lo nos olhos. Qual é a desse súbito clima frufru entre os dois?
— E, quanto ao Teuk, não se preocupe. Tenho certeza de que ele já está chegando.
O contato visual se mantém. Os olhos de Si Won cintilam de tão alegres, enquanto o ruivo parece estar desconfortável. A cena está tão romântica que acho que vai rolar um beijo, mas alguém estraga tudo. E me pergunto por que me surpreendo quando vejo que é Kyu Hyun.
— Ótimo. Obrigado pelo aviso. — ele diz, mal-humorado, enquanto força Si Won a dar dois passos para trás. Então continua: — Acho que você já pode voltar para o seu lugar, agora. — Com a cabeça, Kyu Hyun aponta o espaço vazio entre Eun Hyuk e Ye Sung, onde Si Won estava antes. Parece que Si Won realmente se arrependeu do que fez, porque, ao invés de começar a brigar com o Kyu, ele assente e sorri para o ruivo, que fica nervoso e encara o chão. Enquanto Si Won se afasta, Kyu Hyun diz:
— E, só para constar, Si Won, só eu posso chamá-lo de “Chul”, está bem? — Esse comentário ciumento faz o ruivo demoníaco rir. — Para você e todos os outros, o nome é Hee Chul. Ou melhor, Kim Hee Chul. Sshi.
— Pare com isso, meu pequeno Kyu. — Hee Chul ri. Se eu já estava chateado com as palavras e atitude ciumenta do Kyu, agora estou puto da vida, porque, como se não bastasse roubar o apelido que eu dei para o Kyu Hyun, esse babaca tinha de colocar o pronome possessivo “meu” na frente. Desgraçado! Maldito! Filho de uma...
— Entendeu? — Kyu continua falando com Si Won, como se Hee Chul não tivesse dito nada. O fato de ele estar ignorando o demônio me deixaria alegre se não fosse o contesto em que está inserido. Argh, por que ele não larga esse ruivo infeliz para lá? Deixa ele pro Si Won, merda!
Si Won assente três vezes, mas sua expressão é irônica, como se ele não estivesse nem aí para o que o Kyu Hyun está dizendo. O que não o deixa nem um pouco satisfeito.
— Ora, seu...! — ele começaria algum xingamento, mas Hee Chul aperta sua mão com mais força e Kyu Hyun se cala.
— Kyu Hyun! — o ruivo repreende, mas está rindo. Kyu o olha, irritado, e reclama:
— O que foi?
Hee Chul sorri largamente e alisa os cabelos pretos do meu kingka, fazendo com que ele relaxe um pouco.
— Já chega. — o ruivo diz e Kyu bufa, frustrado. Isso faz Hee Chul voltar a rir e envolver meu Kyu Hyun com seus braços magricelas. — Não precisa ser tão ciumento. — ele continua, e por alguma razão essa frase me parece familiar.
Parece que Kyu Hyun também acha, porque quando Hee Chul diz isso Kyu abre um sorriso, como se lembrasse de algo agradável.
— É, mas eu sou. — Kyu retruca, rindo, enquanto abraça o ruivo. E essa resposta faz a ficha cair: eles fizeram a mesma coisa ontem. Mas agora inverteram os papéis. Ontem, foi o Hee Chul quem deu uma crise de ciúmes. Do Kyu Hyun comigo. E pensar que ontem fiz Hee Chul se sentir da mesma maneira que estou me sentindo agora – se é que ele ficou tão aborrecido quanto estou – me traz uma pontinha de satisfação.
— Humph! — alguém resmunga. Olho para ver quem é e me deparo com o rechonchudinho, Kang In. — Quem diria? Todo cheio de “mimimi” com o horário e agora está atrasado. Dez minutos!
Ele está visivelmente irritado. Volto a me perguntar o que aconteceu entre os dois. Kang In cruza os braços em frente ao peito e bufa antes de dizer:
— Belo líder vocês têm.
— Ele é seu líder também. — Ye Sung contrapõe. Isso parece uma ofensa para o rechonchudo.
— “Meu líder” é o caralho! — ele atira, agressivo. — Para mim, aquele idiota não passa de um egocêntrico, arrogante e mesquinho!
Seu tom de voz é alto o suficiente para ser considerado um grito. Ele é louco? Se Teuk estiver chegando, será capaz de ouvir a uns trinta metros de distância.
— Pelo menos eu não sou um estúpido, mentiroso e insensível, como você. — a voz do Líder me pega de surpresa; ele de fato estava chegando! Todos nós ficamos um pouco sobressaltados, exceto Kang In. Mas, apesar de que, o tom de voz do Teuk não é agressivo. É surpreendentemente calmo.
— Eu não sou nada disso! — Kang In se defende, dando um passo na direção de Lee Teuk. De uma hora para outra, ele já não está mais alterado. Vai entender... — Você não me deu a chance de explicar as coisas.
— Você não me deve explicações. — o Líder diz, ainda calmo, mas sua voz vacila e percebo que ele ainda está irritado. Ou melhor, chateado. Não saber o que aconteceu está me corroendo por dentro.
— Mas eu quero te explicar! — Kang In replica, se aproximando ainda mais de Teuk. — Você entendeu tudo errado!
Parece que isso é a gota d’água. A expressão do Líder se contorce numa mistura de raiva e mágoa, e sua voz é totalmente descontrolada quando diz:
— Diga isso para a sua futura esposa!
Essas palavras chocam todo mundo. E fico mais chocado ainda quando vejo que os olhos do Líder estão cheios de lágrimas. Quer dizer que ele gosta mesmo desse rechonchudo?
Penso que não dá para me chocar mais, mas então Kang In começa a rir.
— Futura esposa! É claro! — ele comenta, ainda risonho, sorrindo largamente, como se tudo fizesse perfeito sentido. Isso só deixa o Líder ainda mais puto.
— Como pode rir disso, seu ogro miserável?! — Lee Teuk aumenta o tom de voz, enquanto gesticula agressivamente. Kang In ainda solta uma risada antes de responder:
— Meu anjo, ela é minha prima! — e a primeira parte mexe com todos. Claro, especialmente com o Líder. Mas, ainda assim, ele não se acalma.
— Até hoje, isso não impediu casamento nenhum! — Lee Teuk rebate. A mágoa em sua voz é quase palpável. Kang In toca o rosto do Líder, que, apesar de tentar se esquivar, acaba deixando a mão dele pousar em seu rosto.
— Não há casamento algum, Teukie! Isso é só uma brincadeira nossa. — o rechonchudo responde, com um sorriso afetuoso. Isso parece desarmar o Líder e seus olhos ficam confusos.
— Você não... Vai se casar? — ele pergunta. O sorriso do outro cresce.
— Claro que não! — Kang In responde. E então os lábios de Lee Teuk se abrem em um sorriso, se esticando tanto quanto podem, e seus olhos brilham. E isso se reflete no rosto do outro.
Eles se entreolham por um momento e então o Líder se vira para o restante do grupo.
— Vamos? Acho que já estamos atrasados o suficiente. — ele diz, radiante, caminhando até a porta da Sala de Vídeo. Põe a chave na fechadura e destranca a porta, abrindo-a em seguida. Todos nós ficamos um pouco desnorteados e simplesmente continuamos parados por alguns segundos antes de seguirmos nosso líder.
No percurso de aproximadamente vinte e cinco metros até a porta, me aproximo de Kyu Hyun, que está milagrosamente afastado do ruivo demoníaco.
— Ei, Kyu — chamo, aos sussurros. Ele me olha e sorri.
— Oi, Minnie. — Eu abro um sorriso enorme quando o ouço me chamar pelo apelido que criou para mim.
— Sabe o que aconteceu entre aqueles dois? De onde saiu aquela futura esposa? — pergunto, ainda sussurrando. Isso está me matando de curiosidade e, como o Kyu anda com o Kang In, talvez ele saiba algo a mais.
Ele balança a cabeça e responde:
— Até onde eu sei, uma garota ligou para o Kang In-hyung e o Lee Teuk-sshi atendeu a ligação, porque ele não estava por perto. Ao que parece, ela deixou um recado dizendo que era a “futura esposa” dele e o Lee Teuk-sshi pirou.
— O quê? Tipo, crise de ciúmes? — eu pergunto. Minha nossa! É possível que eles estejam namorando?
— Uhum — é a resposta dele. Ai-Meu-Deus! O Líder e o rechonchudo estão namorando! Isso é tão...
— Kyu Hyun! — alguém interrompe meus pensamentos – e a minha conversa com meu kingka. Nós dois olhamos para o lado ao mesmo tempo e encontro com a pessoa mais irritante que conheço: Hee Chul. É claro que ele não poderia deixar de estragar meu momento com o Kyu.
— Venha aqui. — o ruivo diz. Eu quase solto uma risada cínica; ele pensa o quê? Que é só ele chamar e Kyu Hyun vai correndo? Ah, pois ele está...
— Desculpe, tenho de ir.
O quê?! Eu observo estupefato enquanto Kyu Hyun corre para o lado de Hee Chul e eles entram na sala juntos. Como assim, ele me larga para ficar com aquele demônio?!
Entro na Sala de Vídeo com passos pesados e me direciono para a primeira fila de assentos, onde o grupo está se reunindo. Na verdade, a Sala de Vídeo parece uma miniatura de sala de cinema: tem dois blocos de seis fileiras, cada um com sete assentos. Acho que só é tão grande porque, às vezes, professores trazem turmas inteiras para ver algum vídeo aqui. Porque, se fosse só para trabalhos, não acredito que teria mais de quinze assentos.
Enfim, caminho até o assento vago ao lado de Si Won e, durante o trajeto, posso ver Kyu e Hee Chul sentados lado a lado (como sempre) e de mãos dadas (como sempre). Mas, para completar, o demônio está com a cabeça apoiada no ombro do meu kingka, enquanto Kyu Hyun alisa seus cabelos detestavelmente vermelhos.
Meu ciúme me enlouquece e sento no assento com tanta força que poderia quebrá-lo.
— Bem, desculpem-me pela demora — Lee Teuk diz. Agora estou tão puto que minha vontade é mandá-lo à merda. — A secretária do Diretor, muito incompetente por sinal, não conseguia achar a chave certa e me tomou mais tempo do que o planejado. Eu sinceramente sinto muito.
Todos assentem, inclusive eu, ainda que de má vontade, e alguns respondem frases como “Sem problema” e “Imprevistos acontecem”. Então o Líder vai colocar o DVD com um mix de apresentações do Michael Jackson, especificamente de Remember The Time, feito por ele mesmo, para rodar. Enquanto isso, Si Won me cutuca.
— Ei, Sung Min — ele chama. — Acha que ele dois estão juntos?
Sei muito bem a quem ele se refere, mas tento me fazer de desentendido:
— Eles quem? — Minha esperança é que ele desista dessa idéia estúpida, mas ele persiste:
— O Hee Chul e aquele calouro ridículo.
“Você quer dizer aquele demônio ruivo e o meu kingka perfeito Kyu Hyun? É claro que não! Kyu me ama” é o que penso em responder. Na verdade, é o que eu gostaria de responder. Mas eu mesmo me tormento com essa mesma pergunta. E, por mais que me mate admitir, a resposta pode muito bem ser sim.
— Não sei, pergunte a eles. — respondo, dando de ombros, fingindo não ligar. Viro minha cabeça para o outro lado, para dar mais veracidade à minha falta de interesse. Mas a verdade é que eu de fato quero perguntar, só que não tenho coragem. Si Won tem?
— Hee Chul-sshi — Merda! Ele tem! E agora? Eu quero saber a resposta... Mas, ao mesmo tempo, não quero. Porque se for sim... Meu coração vai estilhaçar.
O demônio ruivo interrompe sua conversa com Kyu Hyun e olha para Si Won.
— Vocês estão juntos? — ele faz “a” pergunta. Hee Chul dá uma risadinha – uma mistura de indignação e sarcasmo – e responde:
— Desculpe, mas acho que você não tem nada a ver com isso.
A resposta transborda de ironia. E me atinge como um soco no estômago. Como assim? A resposta deveria ser “Não!”, sem margem para qualquer outra coisa!
— Isso significa que estão? — Si Won persiste. Noto que Lee Teuk só está esperando essa conversa acabar para dar início às apresentações.
Hee Chul rola os olhos, entediado, e diz:
— E se estivermos, Si Won? O que vai fazer?
Sua voz combina sarcasmo, tédio e provocação. O que esse demônio está planejando? Por que está fazendo isso? Por favor, que seja só para deixar o Si Won irritado! Eles não estão juntos, eles não têm nada, são só amigos. Por favor, que seja só isso!
— Vou dizer que é mentira! — Si Won diz, alterado. Não sei se o que distorce sua voz é raiva ou tristeza. Provavelmente, os dois.
Um sorriso sarcástico surge no canto dos lábios do ruivo demoníaco e ele responde:
— Pois bem. Nós estamos namorando há exatos cinco dias.
Isso deixa todos os presentes embasbacados e de queixo caído. Mas, a mim e Si Won, é como um soco no maxilar. Ou pior. E quando vejo Hee Chul e Kyu Hyun se entreolhando, num clima completamente romântico, e Kyu Hyun esboçando um sorriso tímido, sinto meu coração partir ao meio. Cinco dias que eles estão juntos! Kyu Hyun não me ama!
Pensar nisso embaça minha visão. Dou tudo de mim para engolir o choro e não deixar as lágrimas caírem.
— Mentiroso! — Si Won praticamente grita, e, por mais que ele insista, sua voz carrega um tom que deixa claro que ele sabe que a guerra está perdida. Ele perdeu o Hee Chul, assim como eu perdi o Kyu Hyun.
O demônio ruivo solta uma risada irônica e diz:
— Acha que estou mentindo, Si Won? Então veja essa mentira.
Eu me desespero quando o vejo tocar o rosto do meu kingka e conduzi-lo a ficar frente a frente com o seu. Por favor, por favor, por favor, não o beije!
Hee Chul fecha os olhos e seus lábios vão em direção à boca perfeita de Kyu Hyun. Meu cérebro grita e eu tenho vontade de impedir o que sei que vem em seguida. Mas eu não me mexo. Sou um maldito covarde. Assisto arrasado e imóvel à cena do beijo entre meu kingka e aquele demônio.
Quando os lábios se tocam, Kyu Hyun se sobressalta, mas, mesmo que relute, ele se entrega: seus olhos se fecham. Seus lábios se movem juntos e a mão de Kyu pousa na nuca de Hee Chul. Eles estão se beijando. Kyu Hyun está retribuindo. E, embora não tenha a ardência do nosso beijo, não duvido que esteja recheado de outro sentimento: amor. E isso é um milhão de vezes mais sério do que um beijo cheio de paixão.
Dois segundos se passam depois de Kyu Hyun ter segurado a nuca de Hee Chul e eu não aguento mais. Fico de pé e caminho apressado para a saída. Em outras palavras, eu fujo, como belo covarde que sou.
— Sung Min! — Lee Teuk me chama, mas eu nem ao menos olho para trás. Lágrimas transbordam dos meus olhos e, assim que atravesso a porta, começo a correr. Não quero saber o que vai acontecer naquela sala depois que os dois se separarem.
Enquanto sigo a passos tortos, porque não consigo enxergar direito, tento me convencer de que aquilo foi só um teatro. Uma brincadeira para arrasar o Si Won. Mas Kyu Hyun é um péssimo ator! E ele não parecia nem um pouco mal. Quero dizer, tudo bem que ele pareceu surpreso quando o demônio disse que eles estavam namorando... Há cinco dias...! Mas ainda assim, ele retribuiu ao beijo! Ele pôs a mão na nuca dele! Ele quis...!
Corro desesperadamente pelos corredores, sem saber ao certo onde estou indo, a ponto de aliviar minha tristeza com o cansaço. Vou ser taxado de ridículo e todo o resto. Acabei de deixar mais do que claro que gosto do Kyu Hyun. Mas, para falar a verdade, não estou me importando nem um pouco.
Paro de correr quando reparo aonde minhas pernas me trouxeram: a Sala de Piano. Meu refúgio preferido, além do meu quarto. Aqui eu me sinto seguro, protegido, distante dos problemas, distante do resto do mundo. Só eu, o piano e minha melodia.
Me sento no banco e toco o piano. Sinto a madeira gelada sob meus dedos e respiro fundo, procurando relaxar. Fecho os olhos e inspiro novamente, tentando esvaziar a mente. Levanto a tampa do piano e começo a tocar. E, antes que me dê conta, já estou tocando a música favorita de Kyu Hyun. Porque não importa o que ele faça, eu o amo, e não consigo deixar de pensar nele. E agora tudo o que eu quero é imaginar que Kyu Hyun está aqui, ao meu lado, sorrindo como um bobo do mesmo jeito que fez quando toquei essa música para ele pela primeira vez.
Notas finais
Então, então... Hee Chul beijou o Kyu Hyun... E agora? E o Minnie fugiu. 'o'
To sentindo que minha morte está próxima. /desviadasfacadas.
Ah! Ah! No próximo capítulo vai ficar tudo bem... ou não. n_n /morre.
Espero que tenham gostado e espero reviews nesse capítulo hein? Apesar de saber que querem me matar, ainda amo vocês. n___n
Kisses. ~♥~
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