Notas iniciais
Olá, olá. Olha só quem resolveu aparecer. /seprotegedaspedradas.
Calma, calma. Eu nem demorei tanto né? Quer dizer... Ér... Okay, okay! Eu não demorei nem me adiantei, como sempre. n_n
Então, não sei se vocês repararam ali em cima, que tem mais um nome no lugar de escritora da fic né? Pois é... Minha querida irmãzinha caçula, Nie Bear, agora é a coautora da fic. Isso tudo porque nós somos tipo gêmeas, só que eu fui apressada e nasci um ano antes, ou ela lerda e nasceu um ano depois. - Bem, não importa! O que importa é que eu tenho certeza de que a fic ficará mais interessante agora, já que a ideia de uma complementa a da outra. n_n
Então, chega de blá, blá, blá, porque todo mundo tá querendo esse capítulo aqui a um tempão. E... Acho que devo falar que nós acrescentamos uma coisinha, que não ia rolar na fic, a pedido da nossa querida Pudinzinha.
Então, espero que gostem. Boa leitura. Kisses. n_n

POV Kyu Hyun:


Quando Chul tocou meu rosto, eu fiquei assustado. Quero dizer, é claro que ele não faria nenhuma loucura. Tipo, mesmo que ele quisesse convencer Si Won de que estávamos namorando, ele não iria me beijar, certo? Pelo menos, não de verdade, não é?

Então, enquanto minha cabeça era conduzida a ficar de frente à de Chul, tentei não perder o controle. Ele colocaria discretamente um dedo entre nossos lábios. É claro que colocaria. Mas então ele me lançou um olhar de cachorrinho pidão, o mesmo daquele dia na fila do almoço, bem no início da nossa amizade, quando o vi fazer aegyo pela primeira vez.

“Eu sinto muito, pequeno Kyu, mas preciso fazer isso. Por favor, me ajude”,eu li em seus olhos. Pode parecer uma frase muito grande para ser transmitida apenas com os olhos, mas eu e Chul temos uma sintonia quase que perfeita. Então, para mim, olhar seus olhos é quase como ler sua mente.

“Não se preocupe, Chul. Estou com você”, transmiti de volta, me esquecendo por um segundo de todo o meu nervosismo. E o pior: me esquecendo de que Sung Min estava vendo tudo.

Então seus lábios encontraram os meus. Sem nenhum dedo, nenhum truque, nada; Chul pressionou seus lábios diretamente nos meus. E eu entrei em pânico por alguns instantes. Não era para isso acontecer de fato! Era para ser um beijo forjado!

Mas não tinha nada de falso naquele beijo. Quero dizer, a não ser por nossos sentimentos, claro. Nós não nos amamos como nada mais que amigos-irmãos. E por esse motivo eu tentei não pirar – ele é meu irmão; não de sangue, mas de alma. Só que, mesmo assim, não consegui deixar de pensar que ele é o segundo homem que eu beijo. E, merda, eu não sou gay! Quero dizer, até onde eu sei, não.

De qualquer modo, não é como se eu estivesse de fato participando daquilo. Hee Chul estava me conduzindo, como se dançássemos valsa. Meus olhos se fecharam porque vi que seus olhos estavam fechados, e minha mão pousou em sua nuca porque sua mão estava em meu rosto e achei que deveria fazer algo parecido. Mas o beijo que aconteceu entre eu e o Chul não foi em nada parecido com o meu beijo com o Sung Min. Eu não senti aquela confusão toda que senti quando os lábios macios de Sung Min tocaram os meus. Ou aquela vontade louca de corresponder aos seus movimentos, como aconteceu com Sung Min. E nem de longe me viciei no gosto de sua boca, ainda que ela tenha um gosto de cereja bastante gostoso, do mesmo modo que instantaneamente me viciei no gosto de canela de Sung Min.

De Sung Min, eu quis muito mais. De Hee Chul, não. Admito que não senti nojo, repulsa, nem nada disso. O beijo do Chul não foi desagradável. Eu não senti vontade de me afastar. Mas também não foi agradável, e não senti vontade de estendê-lo ao máximo. Na verdade, foi tranquilo, neutro, algo que não faço questão nem de repetir, nem de desfazer. Ainda que, enquanto Hee Chul movimentava meus lábios junto com os seus, eu não tenha pensado em mais nada. Só existíamos eu e ele.

Mas acordei rapidamente quando ouvi Lee Teuk chamando o nome de Sung Min. Droga! Ele estava assistindo tudo! O que ele pensaria daquilo? Eu tinha acabado de beijar o Chul, e já reparei que ele fica bastante descontrolado com basicamente tudo que tenha a ver com o Hee Chul.

Eu e Chul nos separamos num pulo, assustados. Meus olhos vasculharam a sala, procurando pelo meu ursinho, mas ele não estava em lugar nenhum. Então vi a porta se fechando e soube que ele estava se afastando. Mas por quê? Porque beijei o Chul? Isso não era motivo para um amigo sair correndo.

— Por quê? — o grito irritado de Si Won interrompeu meus pensamentos. Recuperei o foco e visualizei o Cavalo do Mal em pé, de mãos trêmulas e olhos cheios de lágrimas. Hee Chul, ao meu lado, se endireitou no assento, parecendo satisfeito. — Por que faz isso comigo?

Ele estava quase chorando e senti uma pontinha de pena. Ao que pareceu, Chul não sentiu o mínimo de compaixão.

— Porque você merece! — ele respondeu, ríspido. E aquilo fez com que as lágrimas que Si Won lutava para não deixar cair caíssem. Automaticamente, ele secou-as com as costas da mão.

— Mas eu te amo! Você não vê? — Si Won continuou gritando, enquanto mais lágrimas transbordavam de seus olhos. — Tudo o que fiz foi para conseguir uma chance com você! É tão impossível assim?

E aquelas palavras pareceram atingir o Chul. Não sei, talvez ele tenha sentido dó do cavalão. Mas eu não podia continuar ali para saber o que aconteceria depois. Eu precisava falar com o Sung Min. Então fiquei de pé, mas meu movimento foi um pouco brusco demais e acho que Si Won pensou que eu estava desafiando-o, porque seus músculos ficaram tensos. Só que, ao contrário do que ele imaginou, segurei a mão do Chul e fiz com que ele se levantasse também. E eu admito que meu movimento seguinte foi um pouco maldoso, mas era necessário: abracei o Chul. Mas não foi para esfregar na cara do Si Won que estávamos juntos. Foi para conseguir falar com ele sem que o resto percebesse.

— Eu preciso ir atrás do Sung Min — eu sussurrei entre seus cabelos. Escutei uma risadinha e a resposta sussurrada em seguida:

— Eu entendo. Me desculpe.

Foi minha vez de dar uma risada.

— Eu sempre soube que você era louco por mim — brinquei. Ele apertou o abraço e riu discretamente.

— Babo! Está perdendo tempo. — ele disse. Então beijei sua bochecha demoradamente.

— Concerte isso — murmurei contra sua pele. — Acho que pegou pesado demais.

— De jeito nenhum! — ele replicou, irritado, quase arruinando tudo. Já estávamos abraçados há uns trinta segundos. Eu tinha de me separar logo, ou os outros iriam começar a notar. Então o abracei com força e finalizei o assunto:

— Não seja estúpido, Chul! Perdoe-o. Por mim. Por favor. — E me separei. Estava claro na sua expressão que ele queria discutir, mas sabia que não tínhamos tempo. Ele bufou de leve e me olhou contrariado, mas por fim assentiu com um movimento discreto. Eu sorri com os olhos, e comecei a me afastar.

— Saranghaeyo! — ele me disse, depois de três passos. Eu não pude deixar de sorrir. Filho de uma puta! Ainda tentando magoar o Si Won... Ou será que não?

Me virei para olhá-lo e seus olhos sorriam.

— Saranghanda. — retribui. E fui em direção à porta o mais rápido possível. Si Won ficou um pouco chocado quando percebeu que eu não tinha levantado para enfrentá-lo nem nada. Mas ele estava magoado demais para reclamar.

— Kyu Hyun! — a voz grossa de Kang In me chamou quando alcancei a maçaneta. Olhei para trás e ele continuou: — Onde está indo?

Antes de responder, olhei para o Chul. Ele estava falando com o Si Won.

“Me... Desculpe”, li nos lábios do meu melhor amigo. Ele estava claramente se forçando a dizer aquilo, mas não tinha problema. Ainda que fosse a contragosto, Hee Chul estava prestes a perdoar Si Won, e isso me deixou satisfeito, alegre. Acho que essa rixa já foi longe demais. Está mais do que na hora de todo mundo fazer as pazes. Chul e Si Won foram bons amigos, e devem voltar a ser.

Voltei a focar Kang In e respondi:

— Alguém precisa ir atrás do Sung Min, não acha? — Em seguida, saí pela porta. E assim que a fechei atrás de mim, comecei a correr feito um louco. Já tinha perdido tempo demais.

Corri, corri e corri sem parar até chegar ao elevador do Prédio III. Apertei o botão oito e esperei impacientemente. Então corri mais um pouco e finalmente alcancei a porta do 892. Onde estou parado agora, apenas tomando fôlego para girar a maçaneta e entrar no meu quarto. E eu espero de verdade encontrar Sung Min deitado em sua cama. Então respiro fundo e abro a porta, caminhando apressadamente até as escadas.

— Sung Min — eu chamo, antes mesmo de alcançar o último degrau. — Sung Min, eu... — Paro de falar, porque o segundo andar está vazio. Merda! Ele não está aqui!... O banheiro! A porta do banheiro está fechada!

— Sung Min! — Abro a porta – milagrosamente destrancada –, mas tenho outra decepção, porque ele também não está lá dentro. Isso me deixa desolado. Se ele não está aqui, onde pode estar? Um milhão de lugares ao redor da Instituição. Cacete! Eu nunca vou encontrá-lo!

Mas, acima de tudo, saber que ele não está aqui e corri feito um louco por nada me deixa irritado. Irritado comigo mesmo. Eu deveria ter saído de lá antes! Ou talvez eu não devesse ter ignorado o fato do elevador estar parado no térreo, e não no oitavo andar. Era óbvio que ele não estaria aqui, e ainda assim eu vim correndo, como um perfeito babaca, esperando achar meu ursinho de pelúcia deitado de bruços em sua cama. Que belo imbecil que eu sou.

— Maldição — murmuro, me deixando cair no colchão macio de Sung Min. Estou tão cansado que não me preocupo em pensar que isso é falta de educação.

Deitar nessa cama novamente me faz lembrar a manhã que passei com Sung Min, depois de ter sido expulso de sala. Foi tudo tão divertido... E um pouco complicado, também. Quero dizer, estar na presença do Sung Min é sempre complicado para mim. Ele me faz sentir coisas estranhas que, por mais que eu goste e me sinta bem, eu não quero sentir – ou não quero admitir que quero sentir, se é que isso faz algum sentido.

Porque, ainda que seja difícil para eu aceitar isso, eu não posso negar que gostei de beijar Sung Min. E que eu gostaria de beijá-lo de novo. Mas pior do que isso é pensar que talvez eu sinta por ele algo parecido com... Amor.

Balanço a cabeça, tentando afastar esse pensamento, e acabo reparando em algo na estante embutida à cama do Sung Min: uma pasta rosa que me prende a atenção. O que será aquilo?

Me levanto e pego a tal pasta. Sei que isso é errado, mas estou curioso. Tenho de saber o que tem aqui dentro. Volto a sentar na cama e espio o conteúdo da pasta. Folhas... Abro a pasta para ver melhor e me dou conta de que são esboços. Desenhos! Desenhos de roupas.

— Caralho... — arquejo, meio embasbacado com a perfeição do traço de Sung Min. O que ele é? Algum tipo estilista ou algo assim? Porque, porra! Esses desenhos são incríveis! Aliás, essa camisa xadrez... Me parece tão familiar!

Analiso o desenho por mais alguns segundos antes de me dar conta do por que acho que conheço essa camisa. Porque eu conheço mesmo! Já vi Sung Min com ela! Então... Ele desenha e faz as próprias roupas? Isso é... Surpreendente! Há tantas roupas aqui que já vi ao vivo que até me assusto. Eu não sabia que Sung Min era tão talentoso em outras áreas, além do piano, dança e canto. Ele é tipo um prodígio!

Continuo admirando os esboços impecáveis de Sung Min, até reparar em algo que me surpreende ainda mais do que o fato dele ser um estilista quase profissional. Em uma folha eu leio “Para Kyu Hyun”. Ele desenhou roupas para mim? E, nossa! Que roupas lindas! Eu me vestiria assim, com certeza!

Vou passando as folhas e vejo que mais um montão delas tem meu nome escrito. Cacete! Ele desenhou tudo isso pensando em mim. Isso me faz sentir bem, mas, ao mesmo tempo, culpado. Muito culpado.

Sung Min é extremamente carinhoso comigo, e eu aposto que o fiz chorar hoje. Ele saiu correndo porque estava chorando, e o motivo de suas lágrimas era eu. Eu fiz meu ursinho apertável chorar. Tudo bem que eu estava ajudando um amigo, quero dizer, meu melhor amigo. Mas, ainda assim... Eu não pensei que ele ficaria tão mal. Aliás, por que ele ficou magoado daquele jeito? Será que ele... Me ama? Não, isso é impossível.

Mas agora, o que eu faria se visse Sung Min beijando outra pessoa, bem na minha frente, sem se importar o mínimo com isso? Acho que eu ficaria arrasado. Mas por quê? Por que meu coração dói só de pensar no Minnie beijando outro alguém que não seja eu? É possível que... Eu o ame de verdade? Como o Chul ama o Han Geng?

— O que está fazendo aqui? — ouço uma espécie de rosnado num tom gracioso que só pode pertencer a uma pessoa. A pessoa que procurei feito um louco. E que eu definitivamente não queria que aparecesse agora: Sung Min.

Me viro para vê-lo, no topo da escada, com uma expressão bastante furiosa. Merda, estou fodido, eu penso. Sung Min me contou que sabe Artes Marciais. Se ele bem quiser, pode me partir em um milhão de pedacinhos.

— Não sabe que não deve mexer nas coisas dos outros? — ele atira irritado, enquanto caminha na minha direção a passos largos. — Isso é pessoal! Particular! Quem você acha que é para invadir minha privacidade desse jeito?! — Sung Min grita, nervoso, recolhendo seus esboços – começando pela folha em minha mão. Ele junta os desenhos espalhados pela cama mais rápido do que eu poderia imaginar.

— Sung Min, eu... — quero dizer algo, mas ele não me deixa nem ao menos tentar gaguejar alguma coisa. Ele acaba de guardar as folhas na pasta e me olha com raiva.

— Seu estúpido insensível! — ele continua gritando comigo, e me empurra para trás, me fazendo cair de costas na cama. Então pega um travesseiro e começa a me bater. — Como pôde fazer isso comigo?!

Só enquanto diz essa frase, Sung Min me acerta com força três vezes. Não dói, mas saber que ele está me batendo pra valer, sem brincadeira nenhuma, me deixa mal. Eu o magoei tanto assim, vendo seus desenhos?

Você beijou o Hee Chul, idiota. Esqueceu?

Sung Min continua me batendo sem piedade.

— Seu idiota! Desgraçado! Maldito! Canalha! — ele me xinga de todos os nomes que pode. Mas o último confirma que ele não se refere apenas à invasão de privacidade. Ele está chateado, irritado e magoado porque beijei o Chul. E isso é algo que tenho de esclarecer. Só que antes preciso cuidar de outro assunto.

— Sung Min! Pare com isso! — eu peço, mas ele não vacila e continua me punindo por ser um babaca. — Por favor! Eu... — Sung Min ainda não me deixa falar e eu começo a ficar alterado. Merda! Eu quero conversar! Esse idiota não percebe?

Minnie me acerta de novo e eu agarro o travesseiro, e estou tão irritado que consigo arrancá-lo de suas mãos mesmo ele sendo mais forte do que eu. Varejo o travesseiro para longe e seguro o punho de Sung Min. Puxo-o para cima de mim, mas logo o jogo para o lado e ele fica embaixo. A expressão dele é uma mistura de desespero e surpresa, que me faria rir em outra situação.

— Seu idiota — digo, num tom calmo. Eu sou o único errado aqui. Não há motivos para eu gritar com o Sung Min. Fiquei irritado porque ele estava me batendo sem parar e não queria me ouvir, mas a raiva se foi junto com o travesseiro.

— Eu adorei os seus desenhos. — continuo dizendo. Seus olhos ficam turbulentos, como se ele não entendesse o que acabei de dizer. Então tento explicitar as coisas: — Você é um estilista maravilhoso e eu me apaixonei pelas suas roupas. Principalmente pelas que você fez para mim.

Sung Min fica chocado, sem reação por alguns segundos. Então seus olhos adquirem um brilho especial e ele abre um sorriso encantador.

— Está falando sério? — ele pergunta. Sinto meus lábios se esticando o máximo que podem enquanto respondo sinceramente:

— Completamente sério.

Seu sorriso se alarga. É totalmente visível o quanto ele fica feliz em ouvir minhas palavras. E isso faz meu cérebro dar lugar ao coração e começo a falar sem pensar.

— Eu quero aquelas roupas. Você vai fazer para mim?

Seus olhos negros brilham e sua mão toca meu rosto de forma carinhosa.

— Nas férias, quem sabe. — ele responde, risonho. Sua mão passeia por meus cabelos curtos. — Vou precisar das suas medidas.

Meu sorriso quer crescer, mas acho que não é fisicamente possível. Só que, ao contrário do meu sorriso, a felicidade em meu peito transborda.

— Você pode tirá-las quando quiser. — respondo, e seus olhos cintilam. Não consigo deixar de pensar no quanto ele é lindo. Mas vê-lo feliz desse jeito me faz pensar que ele não estava assim antes. Eu ainda preciso explicar que cena foi aquela.

— Sung Min — chamo, receoso. Não quero estragar isso. Não quero tirar esse sorriso bonito de seu rosto. Mas é algo que preciso fazer.

Ele me olha tão inocentemente que meu coração até dói quando digo:

— Sobre o meu beijo com o Chul...

Assim que toco no assunto, a expressão de Sung Min endurece. Todos os seus músculos enrijecem. E, como estou completamente desprevenido, ele me tira de cima dele como se eu fosse uma criança. Caio desajeitado no colchão enquanto ele se levanta.

— Não me fale disso. — ele diz, com a voz distorcida. Raiva, mágoa, tristeza; esses sentimentos estão transparentes em suas palavras. Eu sinto um nó na garganta, mas preciso seguir em frente. Eu preciso ser forte.

— Não é o que você pensa, Sung Min. Me deixe explicar tudo. — peço, ficando de pé também. Suas mãos tremem e ele as fecha em punhos.

— Eu não quero saber — Sung Min responde. Agora sua voz deixa claro que ele está à beira do choro. Meu coração aperta. — Não quero saber das suas explicações, nem nada sobre você e o Hee Chul!

Depois que diz isso, aperta as mãos com mais força. Vê-lo assim dói tanto quanto uma punhalada no peito. Mas pior do que assistir sua tristeza é saber que o motivo dela sou eu. Isso me deixa arrasado. Mas também me dá forças para continuar insistindo.

— Mas eu quero te explicar tudo! — rebato. Tomo fôlego para continuar falando, mas Sung Min me interrompe como nunca antes:

— Foda-se!

Eu nunca tinha ouvido Sung Min dizer um palavrão. Cheguei até a pensar que essas palavras, consideradas feias, não estariam no vocabulário de alguém tão fofo. Mas me enganei. Sung Min acaba de me mandar um “Foda-se” bem mandado. E isso só me faz sentir pior, porque mostra quão magoado ele está.

— Foda-se você e o seu amigo! — ele diz, irritado, e se dirige às escadas. Sung Min está se afastando, completamente puto da vida comigo, e eu tenho certeza que devo correr atrás dele e impedi-lo. Mas, por alguns instantes, não consigo me mover. Estou confuso com o que acabou de acontecer. Se Sung Min não me ama, por que está desse jeito? E se eu não o amo, por que quero tanto que ele saiba que não estou namorando o Chul?

Ouço passos no andar de baixo, e isso corta meus pensamentos. E, felizmente, faz meu corpo se mover. Desço os degraus o mais rápido que posso e, quando chego primeiro piso, Sung Min já está com a mão na maçaneta. Corro em sua direção e, graças às minhas pernas compridas, consigo chegar a tempo de impedir que ele vá embora.

Empurro a porta de volta para o seu lugar um pouco forte demais, e Sung Min se assusta com o barulho alto. Ou com a minha chegada brusca, não tenho certeza. Mas eu não me importo. São nulas as chances de ele sair daqui sem que resolvamos tudo.

Mantenho a mão na porta, bem ao lado de sua cabeça, e com a outra faço Minnie se virar de frente para mim. Então coloco a mão do outro lado de sua cabeça. Ele está preso, e só vou deixá-lo ir quando ouvir tudo o que tenho a dizer.

Procuro seu olhar, mas ele não quer me olhar nos olhos. Sung Min se recusa a me encarar. E em pouco tempo descubro o motivo: ele está chorando. E cada lágrima que cai é como um alfinete perfurando meu coração.

— Sung Min, me escute, por favor. — tento convencê-lo mais uma vez. Mas ele bate as costas na porta, como se quisesse derrubá-la para conseguir fugir de mim.

— Eu não quero! — ele grita. E com isso mais lágrimas transbordam de seus olhos. E meu peito dói tanto que parece que meu coração explodiu.

— Eu não ligo! — retruco, e meu tom se eleva um pouco. Instantaneamente, me arrependo e continuo no tom mais calmo que posso: — Quero que você saiba a verdade. Eu e o Chul não temos nada!

Achei que isso iria desarmá-lo, mas é um grande engano.

— Eu pareço um idiota para você?! Vi muito bem o que aconteceu lá! Eu vi sua mão na nuca dele! E aquilo não pareceu “nada”!

— Foi tudo atuação! — eu digo, sincero, aumentando o tom novamente.

— Você não sabe atuar! — ele rebate, irritado.

— Eu não sei criar, mas sei seguir! — respondo. Isso parece acalmá-lo um pouco, então continuo num tom mais baixo: — O Chul quis se vingar do Si Won, porque ele o fez sofrer muitas vezes. E, bem, eu também achei que ele merecia sofrer um pouco. Então, nós fingirmos estar juntos para fazê-lo sentir o gosto azedo das lágrimas que ele fez o Chul derramar.

Sung Min me encara confuso.

— Agora estou achando que foi um golpe duro demais. — revelo. Eu sinceramente não esperava que Si Won fosse chorar. Pensei que ele fosse um grande babaca e que começaria a gritar, enfezado, e tentaria agredir o Chul ou a mim. Mas eu estava errado. Si Won não é tão desprezível quanto pensei e talvez ele realmente ame o Chul. Depois da reação do cavalão, acho que ele merece ser perdoado.

— Confesso que estou um pouco arrependido. — digo. — Mesmo que Chul tenha sofrido bastante por causa do Si Won, acho que não deveríamos ter sido tão insensíveis a ponto de nos satisfazer com as lágrimas dele.

Sung Min permanece me fitando, atento a cada palavra que digo, e eu continuo meu monólogo.

— Sei que provavelmente pareço um completo idiota por só estar pensando nisso agora, só que aconteceu muito rápido. Se fosse algo combinado, eu não teria aceitado. Teria feito o Chul mudar de idéia. Mas foi tudo um grande improviso, porque Chul fez questão de aproveitar aquela chance para dar o troco pelas vezes que o Si Won insistiu em tocar no nome do Han Geng só para fazer o Chul chorar. E, na hora, eu concordei. Achei que um pouquinho de vingança seria justo. Mas agora vejo que não foi a idéia mais brilhante do mundo, e admito que pegamos pesado demais.

Sung Min pisca e espera pacientemente, porque sabe que ainda não terminei.

— Eu sinto muito, Minnie. Eu não sabia que você seria tão afetado por essa atuação. Se eu soubesse, acredite, eu nunca teria beijado o Chul.

Ainda há mais um milhão de coisas para dizer, e perguntar, também. Mas decido que já falei demais e me calo. Os olhos de Sung Min mostram que sua mente continua abalada – e não duvido que seu coração também esteja. Ele me olha nos olhos profundamente por um breve instante e pergunta:

— Você... Deixaria seu amigo na mão?

Sua voz mistura incredulidade, admiração e expectativa. Eu abro um sorriso enorme novamente e, sem me dar conta, digo:

— Por você, eu não pensaria duas vezes. — Mas, quando ouço o que acabo de dizer, fico envergonhado. E muito nervoso. Essa frase não soa mais apaixonada do que deveria? Sem falar que parece que não me importo com o Chul, o que não é verdade. Então trato de tentar consertar o que disse: — Quero dizer, eu não o deixaria na mão exatamente. Acho que... Hã, sei lá, iria atuar? Ou talvez desmaiar fosse uma opção mais viável.

Ele ri do meu comentário, e eu sorrio. Vê-lo assim, feliz, me deixa tão bem!

— Seria engraçado ver você, péssimo ator como é, tentar fingir um desmaio. — Sung Min ri.

— Se você me desse aulas de atuação, as coisas seriam diferentes. — eu digo, depois de uma risada.

— Quer que eu seja seu professor de Teatro? Posso fazer isso. — ele responde. Eu fico um pouco confuso; Sung Min está falando sério? Ele realmente me ensinaria como atuar?

— Está falando sério? — não consigo deixar de perguntar.

— Estou, ué. — ele diz, dando de ombros. — Tenho tempo livre no Domingo.

Meus lábios se esticam num sorriso outra vez.

— Perfeito! — digo, animado. — Porque, sinceramente, estou começando a achar que saber atuar é algo essencial!

Sung Min dá uma risada gostosa e me diz:

— Então, está fechado: teremos aulas nos Domingos. Qual é o melhor horário para você?

— De dez às onze da manhã? — proponho. Ele estranha.

— Quer ter uma hora inteira de aula de Teatro? — ele pergunta, incrédulo.

— É tempo demais para você? — rebato, já nervoso com a idéia de estar explorando-o demais. — Porque eu não me importo se você só puder me ensinar durante trinta minutos, ou... — Me interrompo quando Sung Min começa a rir.

— Uma hora está ótimo, Kyu — ele diz, sorrindo, e eu sorrio também. De agora em diante, tenho um encontro marcado com Sung Min às dez da manhã... Oh, espere. Isso ainda não é oficial.

— O horário também está bom? — pergunto.

— De dez às onze? — ele rebate. Eu assinto e ele continua: — Sem problema. É um bom horário, sim.

— Ótimo! — digo. Mas então algo me ocorre e eu pergunto: — Isso é tipo um segredo ou os outros podem saber dos nossos encontros? — Assim que ouço o que digo, morro de vergonha porque parece que estou falando de outra coisa. Tipo, encontros de namorados. Merda! Eu deveria prestar mais atenção ao que eu falo. — Quero dizer, nossas aulas! — tento consertar a besteira que falei, e Sung Min acha graça.

— Nossas aulas não deixam de ser encontros, Kyu. — ele diz, sorrindo, e eu sinto minhas bochechas queimarem. Será que ele não percebe que “encontros” parece coisa de casal e não de amigos? Ninguém diz que tem um encontro com um amigo. Ou diz? Eu usaria a palavra “compromisso” ou “programa”. Nunca “encontro”.

— Mas são encontros secretos ou meus amigos podem saber? — pergunto, porque o fato de ele dizer que nossas aulas são encontros me deixa nervoso, e, por mais que use o plural, me refiro ao Chul. Ele me conhece bem demais para se deixar enganar por uma desculpa qualquer. Ryeo Wook também poderia desconfiar, mas ele anda muito ocupado com o Ye Sung para reparar em mim.

— Não! — ele diz. — Não acho que seja uma boa idéia contar para os outros.

— Por que não? Não estamos fazendo nada demais — tento argumentar. Ele parece ficar balançado com o que digo.

— Bem, você não acha que achariam um pouco estranho?

Sim, eu acho. Mas eu não consigo enganar o Chul de jeito nenhum! E sou um péssimo mentiroso.

— Acho que achariam mais estranho se, depois das nossas mentiras, fôssemos pegos juntos. — digo, sincero. Ele pensa um pouco e, por fim, assente.

— É, acho que tem razão. Se Eun Hyuk soubesse que estávamos mentindo para ficarmos juntos, sozinhos, num quarto, com certeza não pensaria nada de bom.

Eu dou uma risadinha. Esse Eun Hyuk é tão pervertido e tarado que eu chego a ficar assustado. Admito que ficaria completamente desconfortável se estivéssemos os dois sozinhos num lugar fechado.

— Então, não tem problema o Chul ficar sabendo? — pergunto. E, no mesmo instante me repreendo por ter dito tamanha besteira. Merda! Por que eu tinha de tocar no nome do Chul?

A expressão de Sung Min se retorce numa careta desgostosa e ele diz:

— Não, sem problema. Acho que ele precisa saber de tudo o que você faz, não é? — E está claro em sua voz que ele continua magoado. Mas por quê? Essa questão está me matando!

— Por que você ficou tão chateado? — acabo perguntando o que não sai da minha cabeça. Sua expressão se transforma e ele fica surpreso.

— O quê?

Eu tomo fôlego e refaço a pergunta:

— Por que o fato de eu estar falsamente namorando e ter beijado o Chul te deixou tão chateado?

A tristeza volta a refletir em seus olhos e sua expressão se torna magoada.

— Eu fiquei triste, Kyu! — Ele revela algo que já sei. Mas permaneço calado, esperando que ele me diga o motivo. — Fiquei triste porque somos amigos, e você não me disse nada! Achei que você não confiasse em mim o suficiente e isso me deixou magoado.

“Tão magoado a ponto de chorar?”, eu quero perguntar. Eu ficaria chateado, e agiria mais friamente com um amigo que fizesse isso comigo. Não iria chorar e sair correndo...

Parece até que ele é apaixonado por mim e não aguentou ver aquela cena, eu penso. Mas é claro que não é isso. Ele mesmo já disse que não gosta de homens e acaba de dizer o motivo de ter ficado triste. Quero dizer, ele é mais sensível do que eu. Não é fácil me fazer derramar lágrimas. Mas parece que Sung Min é muito sentimental... Ou um ótimo mentiroso. Porque ele atua tão naturalmente que é impossível você saber quando ele está mentindo ou não. Então, será que ele mentiu quando me disse que não era gay? Será que ele me ama pra valer?

— Na verdade, eu não me importo de você namorar aquele ruivo dos infernos. — Sung Min continua falando e corta meus pensamentos. Interiormente, eu suspiro. Ele está xingando o Chul de novo. Por que eles não podem pelo menos se aturar?

— Mas eu não namoro! — digo. — Não quero e nem penso em namorá-lo! Entre o Chul e eu nunca haverá nada além de uma amizade muito forte e um sentimento grande de fraternidade.

Sung Min faz uma careta.

— Aquele beijo não mudou nada? — ele pergunta, mal-humorado novamente. Eu nego veemente com a cabeça.

— Claro que não! Não foi como... — eu me interrompo. Estava prestes a falar que o beijo com o Chul não foi como o beijo que aconteceu entre nós dois. Que porra é essa?! Cérebro, por favor, não me pregue esse tipo de peça! O que Sung Min iria pensar?

— Não mudou nada. — repito, retornando ao assunto.

Sung Min estuda minha expressão por alguns segundos e depois sorri. Ele tem o sorriso mais lindo que já vi. E só de pensar que eu poderia nunca mais vê-lo sorrir outra vez, sinto meu coração apertar. Eu não conseguiria ficar sem esse sorriso afetuoso.

É estranho, mas eu gosto muito quando ele sorri para mim. Uma alegria diferente me invade e enche meu peito. E, quando ele sorri por mim, essa alegria transborda. Como está acontecendo agora, apesar de eu não ter certeza se o motivo desse sorriso bonito no rosto de Sung Min sou mesmo eu. Mas eu gosto de pensar que sim. Porque o sorriso estampado em meu rosto é definitivamente por causa dele.

— Fico feliz de saber a verdade. — ele me diz, e interrompe meus pensamentos de novo. Não que eu esteja reclamando.

— Eu também! — digo. E, sem pensar, complemento: — Não queria que você pensasse que eu estava namorando o Chul.

— Por quê? — ele pergunta o mesmo que estou perguntando a mim mesmo. E, incrivelmente, escuto uma resposta. Com minha própria voz.

— Porque eu gosto de... — me interrompo bruscamente assim que percebo a merda que estou prestes a dizer. Como assim?! Eu quase me declarei?! Para um homem?! Para o Sung Min?! Que porra é essa?!

— Mulheres! — eu quase grito o complemento da frase que iniciei, mas me forço a dizer isso. A-Cha, eu estou virando gay? Estou gostando de homens? Ou melhor... Estou gostando dele?

— Ah! — Sung Min exclama, e eu tenho a impressão de que ele soa desapontado. — É claro! Você achou que eu poderia ficar confuso de te ver namorando e beijando um homem, já que você me disse que não era gay.

— Isso! — digo, apressado. É claro que não é, mas passou a ser. Porque eu não vou dizer que queria que ele soubesse a verdade porque estou gostando dele. Não mesmo!

Sung Min sorri para mim novamente e alisa meus cabelos.

— Então, está tudo bem, agora. — ele diz. — Você já sabe por que eu fiquei chateado e eu já sei que você não é gay, não namora o Hee Chul e não despreza minha amizade.

Eu assinto e o abraço.

— Estou tão contente por termos resolvido tudo! — digo. Mas, na verdade, estou um pouco grilado com minha quase declaração. Em primeiro lugar, porque eu nunca deveria sequer pensar em dizer isso para um cara. E, em segundo, porque estou curioso sobre o que aconteceria. Se eu dissesse que gosto de Sung Min, ele diria que gosta de mim também?

— Eu também, Kyu — ele diz, envolvendo-me com seus braços fortes e delicados. Ele abraça minha cintura, enquanto eu abraço seus ombros. Não posso deixar de sorrir pensando no quão mais baixo do que eu ele é.

— Promete que não vai me trocar por aquele ruivo insuportável? — Minnie murmura.

— Eu nunca vou te trocar por ninguém — me escuto dizer em voz baixa, entre os cabelos escuros de Sung Min. E fico sobressaltado quando percebo o quanto essa frase parece apaixonada. Eu tenho de parar com isso; vivo dizendo coisas que insinuam outras!

— Se trocar, eu te mato — ele responde, num murmúrio. Ele soa tão infantil! É adorável.

Eu rio e ele me segue, então o abraço com mais firmeza. E novamente provo da sensação boa que é tê-lo em meus braços.

— Kyu, acho que já é hora de irmos — ele diz, ao pé do meu ouvido. Sinto seu hálito de canela e penso que gostaria de sentir o gosto de sua boca outra vez. Opa! Lá vou eu pensar besteiras de novo!

Balanço a cabeça, para afastar esses pensamentos impróprios. Merda! Eu não posso ficar pensando esse tipo de coisa. Essas atrocidades!

— Você tem razão — respondo, me afastando. Trocamos sorrisos e ele toca meu rosto. Na mesma hora, meu coração acelera.

— Obrigado por me seguir. — Sung Min diz e aproxima o rosto do meu. E eu me espanto com a decepção que me esmaga quando ele beija minha bochecha.

— Não foi nada. — respondo, enquanto ele se afasta. Então acaricio seus cabelos e digo: — Foi algo que eu precisava fazer.

E retribuo seu beijo, mas não na bochecha. Beijo o canto de seus lábios, como ele fez comigo mais cedo. Mas não sei se é o troco ou se realmente quero insinuar que gostaria de beijá-lo.

Porra nenhuma. Eu sei muito bem que isso não é troco nenhum.

— Opa — digo, e acho que minha voz soa mais sedutora do que deveria. Aliás, por que estou sussurrando em seu ouvido? — Desculpe por isso.

Sung Min estremece.

— Não... — Sua mão toca minhas costas e começa a descer. — Sem problema.

A mão de Sung Min encontra a barra da minha camisa e desce um pouco mais, para conseguir entrar por debaixo dela. Então sinto seu toque quente em minhas costas; isso me deixa arrepiado.

Sem pensar, lambo sua orelha e ouço um gemido abafado de Sung Min. Não acredito que estou fazendo isso de novo... Achei que essas provocações tinham acabado!

— Essas coisas acontecem... — ele murmura, reproduzindo minha fala, enquanto sua mão sobe por minhas costas, me fazendo estremecer. Aperto sua cintura e ele abafa um gemido novamente. Então ele apela para um golpe baixo: começa a me arranhar.

No instante em que sinto suas unhas, solto um gemido. Merda, como isso é bom!

Beijo seu pescoço e mordo-lhe de leve, e, enquanto subo sua camisa, amaldiçoo a distância da porta até minha cama. Mas por que eu quero levar Sung Min até lá? Não tenho tempo de pensar na resposta, porque ele arranha minhas costas outra vez. Isso realmente me enlouquece.

Agora minha mão toca a pele de seu abdômen e sinto os gomos de seus músculos definidos. Aperto sua cintura de novo e ele retruca com as unhas. Eu gostaria de saber qual o ponto sensível de Sung Min para poder responder à altura.

Então algo me ocorre. É um golpe sujo, mas acho que é a melhor provocação que vou conseguir. Suas unhas continuam me levando à loucura, e ele adiciona um pouco mais de provocação mordiscando meu pescoço. Então lambo o lóbulo de sua orelha e minha mão percorre seu abdômen em direção ao tórax. Arrancamos mais alguns gemidos um do outro e apelo para meu golpe detestável (não que eu realmente me importe): começo a acariciar seu mamilo. E, no primeiro toque, ele geme meu nome. Eu começo a ficar realmente excitado.

Que porra você está fazendo, Cho Kyu Hyun?!, eu grito comigo mesmo. Mas não quero me dar ouvidos. Com a mão livre, levanto a camisa de Sung Min, silenciosamente pedindo a ele que a tire. É o que ele faz. Estar com o Minnie é tão bom, tão natural, que me recuso a pensar no que está acontecendo. Eu não quero ter crises de consciência. Só quero aproveitar esse momento com o meu ursinho de pelúcia. Que é muito sexy e enlouquecedor, por sinal.

Ele me força a parar as carícias por tempo suficiente para que consiga tirar minha camisa também e nossos tórax nus se encontram. Já resisti tempo demais, então desisto de evitar e pressiono meus lábios contra os seus. Os braços dele se enlaçam em meu pescoço e ele retribui meu beijo de forma ardente. É como se nossos corpos precisassem um do outro desesperadamente.

Seguro o cós de sua calça jeans e guio o corpo de Sung Min em direção à minha cama, enquanto mato a saudade do gosto de sua boca. Quatorze passos para trás e esbarro com o meu colchão, então viro e empurro Sung Min. A idéia é ele cair sozinho, mas me esqueço de que seus braços estão em meu pescoço e vou junto. Caio por cima dele na cama e o choque nas partes baixas faz minha calça apertar – mais.

O beijo transcorre de forma quente e arrebatadora, e eu, apoiado em meus joelhos e uma mão, continuo trapaceando, acariciando o mamilo direito de Sung Min. Eu gostaria de poder acariciar os dois ao mesmo tempo, mas não posso abandonar o apoio da minha outra mão.

— Kyu — Sung Min geme, interrompendo o beijo. Parece que ele quer falar mais alguma coisa, então dirijo meus lábios para seu pescoço.

— Hm? — murmuro contra sua pele macia. Minnie puxa de leve meus cabelos, tentando me fazer parar, mas eu não cedo.

— Não... Ah... Vale — ele continua gemendo. E eu sinto como se minha calça tivesse diminuído dois números.

— O quê? Isso? — E substituo meu polegar por minha língua, lambendo seu mamilo. Sou mesmo um filho da puta.

Ele geme alto e puxa meus cabelos com mais força.

— Não! — Sung Min pede num gemido. Mas sua voz não me convence de que ele quer que eu pare. Então movo minha língua para cima e para baixo, e, em meio a gemidos – de ambos os lados, eu acho –, Sung Min começa a revidar pra valer: com uma mão, arranha minhas costas; e, com a outra, me dá o gostinho da minha própria provocação: acaricia meu mamilo.

Os movimentos dele são giratórios e, na metade da segunda volta, sinto minha mão fraquejar e quase caio em cima de Sung Min. Isso é realmente excitante! A ponto de me fazer esquecer de provocá-lo. Minha mente fica em branco e só consigo me concentrar nas carícias de Sung Min.

Ele nota o quanto seus movimentos me afetam e abandona minhas costas para se dedicar unicamente aos mamilos. Minha mão vacila novamente, e Sung Min percebe. Então me joga para o lado e trocamos de posições. Só que ele é muito mais enlouquecedor.

Sung Min se senta sobre minhas pernas e se inclina para frente. Seus cotovelos se apoiam no colchão, de forma que seus polegares ainda consigam acariciar meus mamilos, e ele se abaixa mais. Quando sua língua toca meu abdômen, minha mente parece à beira de um colapso. E minha calça, prestes a explodir.

— Minnie — eu gemo, quando sua língua começa a percorrer minha barriga. É insanamente bom.

Tenho um relâmpago de consciência e penso no que estou fazendo. Estou com Sung Min, num fogo maior que o Inferno! O que é isso? Um desejo alucinado de contato físico que nunca tive antes. Mas ele é um homem, caralho!... Por que isso me faz querer ainda mais?

Me ouço gemendo alto quando a língua de Sung Min atinge meu mamilo, e minha súbita crise de consciência acaba. Seguro seus cabelos e conduzo-o gentilmente a parear o rosto com o meu. Quero sentir o gosto do seu beijo de novo.

Minnie me beija com paixão e eu me sinto no Paraíso. Isso é, se o Paraíso fosse quente como o centro da Terra. Reassumo minha posição no topo e, enquanto continuamos a nos beijar intensamente, levo uma das mãos até o fecho da calça de Sung Min. Não sei o que estou pensando em fazer, mas quero Sung Min sem roupas.

Desabotoo sua calça e, no mesmo instante, a consciência bate à minha porta.

Kyu Hyun, você tem noção do que está fazendo? Já respondi a essa pergunta, consciência problemática. E a resposta é “estou com Sung Min”. Sim, mas fazendo o quê? ... Eu não sei exatamente. Mas é bom. Estou me sentindo bem, como se isso fosse natural. Como se Sung Min e eu fôssemos feitos para ficarmos juntos. E é isso o que você quer? Ficar com Sung Min? Bem... É. Acho que ficar com ele é o que eu mais quero. Você diz isso porque está mais excitado que sei lá o quê. Não é verdade! Tudo bem que o nosso jogo de provocações é extremamente viciante para mim, mas o Sung Min significa muito mais que um mero passatempo. Prove! Como posso provar? Pare o que está fazendo. O quê? Deixe o fogo de lado. Pare com essa luxúria inapropriada, e vai provar que o que sente por ele está além do físico. Mas eu não deveria sentir por ele nada mais que pura amizade! Por favor, Kyu Hyun. Você sabe muito bem que nunca foi só isso. O que resta para descobrir é: o que você sente além da amizade é atração física e desejo carnal, ou algo mais bonito e imaculado? Aquele sentimento capaz de quebrar todas as barreiras. O sentimento mais poderoso de todos. Espere, com isso você se refere a... Exatamente. O sentimento que desde o início você tenta negar. Não. Eu não...

— Kyu? — Sung Min me pergunta, e sua voz é como raios solares, espantando os morcegos que são meus pensamentos. Eu me afasto para olhá-lo nos olhos. Por um segundo apenas admiramos um ao outro e então ele continua: — O que aconteceu?

Isso me deixa confuso. Ao que ele se refere? Não aconteceu nada...

— De repente, a sua intensidade passou. — ele diz. E eu percebo que é verdade. Não me sinto mais em chamas, cego de desejos por Sung Min. Eu parei. E isso só pode significar uma coisa.

— Sung Min — eu começo. Meu coração se enche de nervosismo e expectativa. Por muito tempo eu me recusei a admitir o que estou prestes a falar. Mas agora não há dúvidas. O que vou dizer é inegável, como a Lei da Gravidade. Tão certo que eu simplesmente não posso esperar mais.

Respiro fundo e faço a declaração da minha verdade absoluta:

— Eu te — Mas o toque gritante do celular de Sung Min me interrompe. Nós dois levamos um susto.

— Ah, droga! — ele murmura, se contorcendo para tirar o celular do bolso de trás da calça. Sung Min eleva o quadril e nossas virilhas – eu me refiro a outra coisa – se roçam. É bastante tentador, mas eu resisto.

— Droga! — Minnie diz quando olha o visor. Ele repara na minha expressão curiosa e explica: — É o Líder.

Uma espécie de pânico me invade. Eu me esqueci completamente do ensaio! Estamos mortos!

— Yeoboseyo. — Sung Min atende a ligação, levando o telefone à orelha. Escuto um zumbido do outro lado da linha e ele responde: — Desculpe, Líder, nós já estamos a caminho.

Lee Teuk diz alguma coisa e Sung Min responde:

— O quê? Ki Bum saiu atrás de nós?

Isso me deixa confuso. Porra, só estamos longe há alguns minutos. Para quê tudo isso? Mas quando olho meu relógio de pulso, entendo o motivo: são 3:35. Já faz meia hora desde que deixamos a Sala de Vídeo. Puta que pariu, estamos realmente mortos.

Ouço batidas na porta e, logo em seguida, uma voz grave diz:

— Sung Min? Você está aí? É o Ki Bum. Posso entrar?

Eu fico um pouco atônito, mas Sung Min me traz de volta à realidade quando começa a me cutucar.

— Ei, acabamos de encontrar o Ki Bum aqui no térreo — ele diz ao telefone enquanto move a cabeça, silenciosamente me dizendo para abrir a porta.

Eu me levanto e procuro minha camisa. Está do lado da porta. Caminho apressado até ela. Sung Min continua conversando com Lee Teuk no celular, mas se põe de pé e abotoa a calça novamente enquanto também procura por sua camisa. Ela está perto da minha, então a pego e arremesso para o Minnie. Ele agarra a camisa e a veste, e eu faço o mesmo com a minha. Dou uma ajeitada no cabelo e abro a porta para Ki Bum.

— Oi — eu digo, tentando não soar suspeito.

— Oi — ele responde, seco. É como um tapa na cara. Quem ele pensa que é?

— Certo, nos vemos daqui a pouco — escuto Minnie ao telefone. Então ele se despede e desliga. Ki Bum se inclina para o lado, para conseguir ver Sung Min. Automaticamente, chego para o lado e, assim que libero sua visão, ele se endireita. Eu reprimo uma careta; não sei por que, mas sinto que eu não serei amigo desse cara.

— Oi, Sung Min — Ki Bum cumprimenta, com um sorriso. Como é? Ele está sorrindo para o meu ursinho de pelúcia? Eles nem se falam direito!

— Oi, Ki Bum — Minnie responde. O contato visual entre eles me deixa mal-humorado. — Obrigado por vir atrás de nós.

Sung Min sorri para ele e tenho vontade de chutar alguma coisa. É isso o que chamam de ciúmes?

— Disponha — Mais sorrisos e contato visual. Me controlo ao máximo para não começar a bufar e agir feito um babaca, mas sei que estou emburrado. — Fiquei preocupado com você.

O quê? Você mal fala com ele, seu estúpido!, eu penso. Respiro fundo e tento me controlar para não fazer nenhuma besteira.

— Bem, eu agradeço por isso, mas não precisa se preocupar. Está tudo bem. — Sung Min responde. Eu começo a ficar realmente irritado. Merda! Por que ele precisa ser tão gentil com esse idiota? E por que eles não podem parar de se entreolhar?! Olá, eu ainda estou aqui!

— Que bom — o detestável diz. Eu não consigo mais me segurar e digo:

— Desculpe interromper a conversa, mas acho que estamos atrasados.

Ki Bum me lança um olhar frio e, mesmo sem saber o que ele quer transmitir com ele, sei que não é coisa boa. Por acaso eu perdi alguma coisa? Porque até onde eu me lembro, nunca fiz nada para esse escrotinho me odiar.

— Opa, você tem razão, Kyu! — Minnie diz. Então pega na minha mão e me guia para fora do quarto. Isso me deixa contente, mas só até eu perceber que ele também segura a mão de Ki Bum. De que porra de lugar saiu essa intimidade entre eles dois?

— Eu disse para o Teuk que nós já estávamos no térreo! Ele vai me matar se demorarmos muito! — Sung Min diz, nos arrastando pelo corredor. Por sorte, o elevador está no nosso andar, então não precisamos esperá-lo. Mas tomamos sete minutos para chegar ao térreo. E mais oito correndo até a Sala de Vídeo.

Enquanto tomamos fôlego na porta, penso em como Lee Teuk vai agir quando nos vir. Nos dar um esporro? Talvez eu mereça um.

— Finalmente — Lee Teuk diz, quando atravessamos a porta. Para minha total surpresa, ele não está irritado. Inclusive, ele está sorrindo. — Achei que não voltariam mais.

— Desculpe, Líder. — Sung Min repete o que já disse ao telefone. Lee Teuk assente.

— Tudo bem. Nesse tempo em que vocês dois estavam sumidos, Shin Dong deu a idéia de fazermos pipoca para acompanhar as apresentações. — Lee Teuk diz, sorrindo. Aponta com o queixo na direção de Shin Dong, Ye Sung e Ryeo Wook e diz: — Eles acabaram de chegar.

Sung Min e eu ficamos impressionados, mas acho que Ki Bum já sabia, porque sua expressão não muda.

— E, agora que estamos todos reunidos novamente, acho que podemos começar a analisar as apresentações. Hoje nós só vamos assistir e comentar sobre a coreografia, está bem? Além de dividir a letra para nós doze.

Todos assentem e ele continua:

— Então, por favor, peguem seus potes de pipoca, seus copos de refrigerante e sentem-se. Para vocês três que chegaram depois, vou repetir o que disse aos demais.

Ki Bum, Sung Min e eu olhamos atentamente para Lee Teuk, esperando os comunicados.

— Primeiramente, são seis potes de pipoca, porque foram apenas três pessoas, para não fazer muita bagunça e para o grupo não se dispersar muito. Então, como cada um só tem duas mãos, trouxeram a pipoca em seis potes. Portanto, vocês se dividirão em duplas.

Balançamos a cabeça, mostrando que entendemos o recado e ele parte para o próximo.

— E, segundamente, peço que as duplas se espalhem pela sala, para evitar conversas barulhentas. Grupos tendem a fazer bagunça demais.

Balançamos a cabeça de novo e Lee Teuk sorri.

— Então é só isso. Peguem seus lanches e escolham seus lugares. — E ele se dirige à última fileira do lado direito, onde Kang In está sentado no quarto assento. É óbvio que eles ficariam juntos.

Varro a sala com os olhos e reparo nas duplas – ou seriam casais? – já formadas: Ryeo Wook e Ye Sung na terceira fileira do lado esquerdo, assentos 1 e 2; e Eun Hyuk e Dong Hae, na primeira fileira do lado esquerdo também, assentos 6 e 7. Os outros ainda estão pegando suas bebidas e pipocas.

Olho para o pequeno aglomerado de pessoas e não consigo reprimir uma careta quando vejo que Sung Min e Ki Bum estão conversando. Diabos! O que eles estão fazendo juntos?! Eles não são amigos!

— Oi, pequeno Kyu — ouço a voz do Chul atrás de mim. Na mesma hora, me esqueço do meu mal humor.

— Oi, Chul — respondo, virando-me para olhá-lo. Ele está segurando dois copos de refrigerante. — Como foi? — pergunto, referindo-me à conversa com Si Won. Ele dá um sorriso acanhado e balança a cabeça.

— Eu o perdoei, mais ou menos. — ele diz.

— Como assim?

— Bem, eu disse a ele que vou dar uma nova chance para nossa amizade, mas ele vai ter de me conquistar outra vez. — Chul explica. — Quero que sejamos amigos de novo, mas ele vai ter que me mostrar que continua o mesmo, que meu amigo Si Won ainda está lá. E deixei bem claro que, se ele tentar qualquer coisa além da amizade, vai estragar tudo e me perder para sempre.

Eu balanço a cabeça e sorrio.

— Fico feliz por isso, Chul. Espero que vocês voltem a ser bons amigos. — digo.

— É, eu também. — ele sorri. Então aponta com o queixo na minha direção. — E você, como foi? Resolveu tudo?

Faço que sim com a cabeça.

— Expliquei a história toda. E nossa conversa foi bastante... Esclarecedora. — digo. Esclarecedora até demais, penso. Descobri o que sinto por Sung Min e estava prestes a dizer... Mas fui interrompido. Será que isso é um sinal de que ainda não é a hora certa para me declarar? Será que Sung Min ainda não está pronto para saber? Ou eu não estou pronto para assumir?

— Que bom. — Chul diz. — Eu fico... Contente, acho.

Eu rio.

— Por que essa resposta? — pergunto. Ele faz uma espécie de careta.

— Você não vai me largar para ficar com ele, vai? — Chul pergunta. Seu tom de voz é tão dengoso que chego a pensar que ele está fazendo aegyo novamente. Abro um sorriso grande e respondo:

— É claro que não, babo! Não sabe que eu te amo?

Ele sorri, numa mistura de satisfação e timidez. Acho que é adorável quando Chul fica envergonhado.

— Sim, eu sei. E eu também amo você, pequeno Kyu — ele responde, beijando afetuosamente minha bochecha. Passo os braços ao redor de sua cintura e aproximo seu corpo do meu, abraçando-o gentilmente. Ele retribui de mal jeito, por causa dos refrigerantes em suas mãos.

— Hee Chul — escuto a voz forte se Si Won chamar o nome do meu melhor amigo. Fico satisfeito, porque acho que ele aprendeu que só quem pode chamar o Chul de “Chul” sou eu.

Solto sua cintura e Chul se vira na direção da voz.

— Vamos? — Si Won chama. Percebo que ele tem um pote de pipoca nas mãos e me dou conta de que eles vão se sentar juntos. E eu não posso negar que fico decepcionado; achei que nós dois fôssemos nos sentar juntos.

— Por que vai se sentar com ele e não comigo? — não consigo deixar de perguntar. Sei que soo infantil, mas não me importo. Eu queria que Chul sentasse ao meu lado.

Chul ri e passa os braços pelo meu pescoço, me abraçando – ainda que ele continue segurando os copos de refrigerante.

— Porque sei que você quer sentar com outra pessoa. — ele diz. Sei que ele se refere a Sung Min, e sinto minhas bochechas queimarem.

— Bem... Eu... — eu tento dizer algo, mas estou envergonhado e embaraçado demais. Chul dá uma gargalhada gostosa e se afasta.

— Não precisa se explicar, pequeno Kyu. Eu já entendi tudo. — ele diz. Fico nervoso; será que ele já sabe que eu... Hm, gosto do Sung Min mais que como amigo?

— Você não precisa se afastar — eu digo, apressado. Não é porque estou gostando de alguém que não o quero por perto.

— Eu sei. — ele diz, como se fosse óbvio. E, bem, eu acho que é mesmo. — O maior motivo para eu me sentar com o Si Won e não com você é porque acho que essa é uma boa oportunidade para testá-lo. Estaremos sozinhos, as luzes estarão apagadas. Quero ver se ele vai tentar algo ou não.

Eu rio; Hee Chul sempre tem um plano.

— Mas, se não fosse por isso, você sentaria comigo?

— Com certeza! — Chul responde. — Não me importa que você esteja apaixonado por aquele garoto; eu sou sempre sua prioridade. Certo?

— Eu não estou apaixonado! — reclamo. Ele solta uma risadinha irônica.

— Certo. E o meu cabelo não é tingido.

— Estou falando sério! — rebato. Ele me olha incrédulo.

— Kyu Hyun, por favor. Eu te conheço bem demais para você tentar me enganar.

Merda! Eu sei que isso é verdade. Não importa o quanto eu tente: eu nunca vou conseguir enganar o Chul.

— Seja como for — eu mudo de assunto — Sim, você é minha prioridade.

Ele sorri, satisfeito com a minha resposta.

— E você, a minha.

A resposta dele também põe um sorriso em meu rosto.

— Agora eu tenho de ir — Chul diz. — E, se eu fosse você, não demoraria mais para ir falar com o babaca que você tanto gosta. — Ele faz um gesto de cabeça, me dizendo para olhar para trás. Faço o que ele pede e me deparo com Sung Min e Ki Bum, cheios de risinhos e conversinhas. Meu ódio ferve.

Chul me beija afetuosamente a bochecha. Em seguida, diz:

— Vá lá — E empurra de leve minhas costas. Eu sorrio para ele, retribuo seu beijo na bochecha e caminho na direção de Sung Min. Encho um copo com Coca-Cola antes de me dirigir até onde os dois amiguinhos de última hora estão.

— Ei, Sung Minnie-hyung — eu interrompo a conversa na cara dura. Sei que isso não é nada educado, mas eu não consigo evitar. Vê-los juntos me deixa borbulhando de raiva!... Ou seria ciúmes?

— Oi, Kyu — ele responde. Mais uma vez, Ki Bum me olha de cara feia. Minha vontade é mandá-lo à merda.

— Quer se sentar comigo? — pergunto, ignorando o olhar rude do baixotinho escroto. Sung Min abre um sorriso largo. Isso ameniza meu mal humor, e não posso deixar de sorrir também.

— Claro — ele responde. Então se vira para o moreno e diz: — Obrigado pela companhia, Ki Bum. Nos falamos depois, OK?

Ki Bum balança a cabeça e sorri.

— Certo. Até mais, Sung Min.

Respiro fundo e tento ignorar o maldito contato visual entre os dois.

— Já pegou sua bebida, Minnie? — pergunto, na esperança de pôr um fim aos olhares e sorrisos. Felizmente, Sung Min olha para mim.

— Já sim! — ele diz, feliz, mostrando um copo de Coca-Cola. — Inclusive, também estou com a nossa pipoca. — Sung Min levanta a outra mão, mostrando o pote vermelho com pipoca. Eu sorrio e digo:

— Então acho que deveríamos sentar, não concorda, Minnie? Só faltamos nós quatro.

— É, o maknae tem razão — Shin Dong diz. Admito que é a segunda ou terceira vez que ele fala comigo. Se bem que ele não falou exatamente comigo. — Vamos, Ki Bum. Vamos escolher um lugar.

— Sim, vamos, Shin Dong — Ki Bum responde. E enquanto se afasta, sorri para Sung Min e me encara friamente. Algum problema, baixinho?

Sério, essas encaradas dele estão realmente me tirando do sério! Se eu soubesse lutar Kung Fu, Karatê, até mesmo Box, Ki Bum estaria ferrado. Mas, se eu tentar enfrentá-lo, acho que o único ferrado serei eu.

— Então venha, Kyu — a voz doce de Sung Min me chama, e sinto seu braço enlaçar o meu, como um gancho. Ele me puxa pelo corredor e pergunta: — Onde quer sentar?

Analiso as fileiras. Há vários assentos vagos, mas dois me chamam a atenção: os de número 1 e 2, da quinta fileira do lado direito. Fica longe do maldito Ki Bum – que se sentou com Shin Dong na segunda fileira (do lado direito também, infelizmente), ocupando os assentos 5 e 6; e perto do Chul, que está do outro lado, uma fileira atrás, no quarto assento.

— Ali — digo, apontando onde quero sentar. Minnie sorri para mim e caminhamos até lá. Em pouco tempo, estamos sentados.

— Todos bem acomodados? — a voz de Lee Teuk soa do fundo da sala.

— Sim! — respondemos todos. Então ele liga o DVD e solta o conjunto de apresentações. Ao meu lado, Sung Min aproxima os lábios de minha orelha.

— Por que você e Hee Chul não sentaram juntos? — ele cochicha. — Achei que vocês fossem inseparáveis.

— Chul queria sentar com o Si Won — cochicho de volta.

— Ah — ele diz, desanimado, se endireitando no assento. Eu abro um sorriso largo e aproximo o rosto do seu.

— E eu queria sentar com você — sussurro, risonho, roçando meu nariz em sua bochecha. Sung Min ri e se encolhe.

— Por quê? — ele pergunta, rindo. Sua voz parece carregada com algum tipo de expectativa. O que ele espera que eu diga?

“Eu acho que ele gosta de você”, Chul me disse certa vez. Ele se referia ao Sung Min. Na ocasião, eu lhe disse que aquilo era loucura e que o próprio Sung Min já tinha me falado que não era gay. Mas agora... Estou incerto. E se Sung Min for gay e gostar mesmo de mim? Eu já sei que gosto dele. Então, eu não deveria dizer isso logo? Virar para ele e dizer “Saranghae”? Mas, se eu estiver enganado, e ele não sentir isso por mim, vou arruinar tudo. Acho que o melhor a fazer é esperar. Esperar para ter certeza que o que sinto é recíproco.

— Porque gosto da sua companhia — respondo à pergunta de Sung Min. Ele sorri para mim e diz:

— É recíproco.

Essa frase faz meu coração acelerar. Isso é um sinal? Ele me ama também?

Pare com essa idiotice de “sinais”, Kyu Hyun! Você sabe que uma hora ou outra vai ter que arriscar! Porque nunca terá certeza dos sentimentos de Sung Min. Então pare de ser covarde e diga logo!

Tomo fôlego, mas Sung Min é mais rápido.

— Estou feliz que esteja tudo bem entre nós dois — ele diz. Eu solto o ar pesadamente. Merda. Eu não estou pronto. Ainda não tenho coragem para me declarar para Sung Min.

— Eu também, Minnie — respondo. Nos entreolhamos por alguns instantes e trocamos sorrisos. Quero agir naturalmente, mas estou nervoso. Como vou dizer a ele que o amo?

Sung Min repousa a cabeça em meu ombro e é como uma descarga de adrenalina. Meu coração bate acelerado e meu rosto está tão quente que poderia estar da mesma cor dos cabelos do Chul. Eu respiro fundo, procurando relaxar. Vou dizer a ele o sinto quando estiver pronto. Por enquanto, vou apenas aproveitar a sensação boa de estar com Sung Min.

Enlaço a cintura dele com um dos braços, enquanto levo minha outra mão à sua cabeça e aliso seus cabelos escuros. Inalo seu perfume gostoso e beijo o topo de sua cabeça. A mão de Sung Min toca minha nuca e seus dedos brincam com meus cabelos. Eu não consigo parar de sorrir. É um alívio tão grande parar de negar e simplesmente aceitar o que eu sinto! Eu me sinto tão leve! E também um idiota, por ter demorado tanto tempo.

Repouso minha cabeça na de Sung Min e fecho os olhos, inspirando lentamente. Agora, tudo o que eu tenho de fazer é encontrar coragem para contar para o Minnie o que eu sinto de verdade. Encontrar a oportunidade certa. E, com certeza, é nisso que vou me empenhar daqui para frente.

Notas finais
E ai? E ai? Todo mundo gostou? /seesconde.
Ér... Tem alguém querendo me matar ai porque o Kyu parou com aquele fogo todo? /colocaacabeçaparafora.
Ah! Não?! Que bom, que bom. n_____n
E o Ki Bummie vai começar a participar efetivamente da fic. OMG! E agora? O que vai acontecer em relação a ele hein? /recebeumapedrada.
Okay! Sem ficar com esse suspense tosco... -
Esse capítulo foi feito com todo carinho do mundo para vocês e admito que foi um pouco difícil fazer ele sair.'-'
Espero que tenham gostado do capítulo e quero ver tantos reviews ou até mais quanto no capítulo passado.
E um recadinho para as minhas leitoras anônimas que não deixam review porque acham que não sabem mandar ou qualquer coisa do tipo: Não se preocupem em mandar um simples Estou adorando. Só isso irá me fazer muito, realmente MUITO, feliz...
É só isso... Então... Kisses & Butterflies.