Notas iniciais
Ér... Oi?! 'sai do esconderijo.' ANTES DE NOS MATAREM, DEIXEM-NOS EXPLICARMOS O QUE ACONTECEU. D:
'Foge das pedradas' Obrigada pela compreensão.
Pois bem, eu e minha irmã (Nie coisa linda), demoramos com esse novo capítulo porque nos mudamos para a casa da minha vó. Foi uma correria só. Carregar móvel, arrumar espaço, limpar a casa... >_< Ai acabou que a gente demorou HORRORES com esse capítulo 11.
Mas o capítulo está enorme (maior que o anterior) e tem muito love e rio de chocolate para todo mundo se afogar no fluffy. n_n
Espero que gostem, vamos para a fic. n_n

POV Kyu Hyun:


O dia hoje foi duro, mais que todos os outros. Porque além das aulas de canto ocupando o horário da manhã e da tarde, me forçando a treinar todas as notas e praticar fôlego e esse tipo de coisa, eu ainda tive de me esforçar com o treino do grupo.

Lee Teuk quer que ensaiemos a música inteira todos os dias! Temos de acordar mais cedo para treinar antes do café. Mas eu fico agradecido porque é uma vez só. Imagine se ele fosse paranoico o suficiente para nos botar para ensaiar a letra, sei lá, três ou quatro vezes ao dia! A essa altura – hoje é Quarta-feira –, eu não aguentaria mais escutar ou cantar Remember The Time.

Mas eu tenho de admitir que, como líder, Lee Teuk está fazendo um ótimo trabalho. Ele é tão empenhado que chega a ser estranho. Para falar a verdade, eu fiquei assustado quando ele nos mostrou uma espécie de programação das atividades do grupo depois de dividirmos as partes da música, quando as apresentações acabaram. Cara, ele só sabia do trabalho há um dia, e já estava com tudo planejado!

— Se todos estiverem de acordo, — ele disse. Acho legal da parte dele sempre se preocupar com a opinião dos outros. — Ensaiaremos a música todos os dias, porque não nos toma muito tempo passar a letra toda. É importante que treinemos bastante, porque a letra tem de estar muito bem aprendida, para que possamos cantar fluentemente enquanto dançamos. Então espero que todas as manhãs nós possamos ensaiar juntos.

— Todas as manhãs? — Eun Hyuk reclamou. — Cara, para quê tudo isso?

Lee Teuk sorriu e explicou:

— Como eu já disse, Hyuk, a letra precisa estar fluente. Inglês não é nossa língua nativa, e isso é mais um obstáculo para nós. Eu sei que o foco do trabalho é a dança, mas, ainda assim, não queremos fazer feio cantando, não é? Praticar nunca é demais.

Eu sou obrigado a concordar. Cantar em Inglês é um pouco complicado e é bom que pratiquemos bastante. Todos estão se esforçando e empenhando pra valer, e os resultados estão sendo ótimos. Lee Teuk nos elogia muito, mas aposto que ele está orgulhoso de si mesmo por fazer as coisas caminharem do jeito que planejou.

De acordo com o que Lee Teuk disse, já que a coreografia toma tempo demais e não podemos deixar de nos dedicar às outras matérias, vamos ensaiar a dança aos Sábados e Domingos. Como ele sabe que continuamos sendo humanos, os ensaios vão tomar as manhãs e tardes do Sábado, mas, no Domingo, o horário é de nove a meio-dia. Pelo menos vou ter a tarde livre no dia do meu aniversário.

Nesse Domingo, faço vinte anos. E acho que ninguém aqui sabe, a não ser pelo Chul... Ah, não, espere. Eu também comentei sobre isso com o Minnie. Será que ele se lembra?

O apito do elevador soa, avisando que ele chegou ao térreo. Assim que as portas se abrem, entro e aperto o botão do meu andar. Diferentemente das outras vezes, estou sozinho. Chul foi à Biblioteca, porque a data de entrega das partituras que ele pegou é hoje e ele se esqueceu de fazer isso mais cedo. Ryeo Wook subiu antes de mim porque tinha de “resolver assuntos pendentes com o Ye-Ye Sung”. Achei um pouco estranho – principalmente pelo fato de ele ter gaguejado o nome do veterano (de novo) –, mas está certo. Eu já fiquei prestando atenção na conversa deles – eu sei que é falta de educação, mas não consigo evitar! Sou uma pessoa naturalmente curiosa – e eles de fato falam sobre assuntos voltados às matérias do dia-a-dia. Então, a não ser que eles usem um código muito foda, Ryeo Wook e Ye Sung são inocentes.

Sung Min também saiu do refeitório antes do normal, e eu não sei o motivo porque ainda não nos falamos muito em público. Dong Hae desapareceu nos confins da instituição, junto com Eun Hyuk, e sinceramente não quero saber o que esses dois estão fazendo – apesar de eu ter um bom palpite. Kang In... Bem, nós não somos tão chegados assim, então raramente (nunca) passamos tempo a sós. Com o resto do grupo – Lee Teuk, Si Won, Shin Dong e Ki Bum – o nível de intimidade é ainda mais baixo.

Resultado disso tudo: eu, no interior da lesma mecânica, sem nenhum barulho a não ser o do próprio elevador e nenhuma companhia além do meu reflexo no espelho. Que beleza.

Mas, para ser sincero, isso não me incomoda nem me deixa chateado. Estou cansado pra cacete e tudo o que eu quero fazer é deitar na minha cama e dormir! Isto é, depois de tomar banho, porque é algo que não posso deixar de fazer. Eu me sinto sujo e não consigo dormir. Além do mais, sei que os outros têm outras coisas para fazer, e o mundo não gira em torno de mim. Só que não posso negar que seria bem melhor se algum dos meus amigos estivesse aqui.

O elevador apita, me dizendo que cheguei ao oitavo andar, e desembarco assim que as portas se abrem. Caminho sem pressa pelo corredor, e a distância até meu quarto parece maior do que realmente é. Porque eu estou cansado. Pra caralho.

Alcanço a porta de número 892 e giro a maçaneta. Finalmente, cheguei ao meu quarto! Abro a porta devagar, já que meus músculos parecem feitos de gelatina, e, quando a visão do interior do aposento é liberada, me surpreendo ao ver meu amigo magricela e o veterano escroto sentados na cama de Ryeo Wook, ambos se acabando em risadas.

— Eu não acredito! — diz Ryeo Wook. É muito estranho ver Ye Sung tão sorridente e agradável. — Você fez mesmo isso?

Ye Sung balança a cabeça em sentido afirmativo.

— Fiz! — ele responde, alegre. — O Líder quase me estrangulou depois.

Esse comentário gera mais risos e eu fico surpreso quando percebo que, pela primeira vez, os dois não estão comentando sobre as aulas. Mas isso não deveria ser uma surpresa, uma vez que não há tantos comentários assim para se fazer a respeito das aulas que temos. Quero dizer, nossas aulas são muito interessantes, mas não tanto a ponto de servir de base para conversas longas.

Entro no quarto e fecho a porta atrás de mim. Eu queria que eles não me notassem, para não atrapalhar nada, mas não sou silencioso o suficiente. Os dois escutam a porta se fechando, olham na sua direção e quem eles veem sou eu. No mesmo instante em que me reconhece, a expressão de Ye Sung se transforma e ele me olha com desprezo. Mas só por alguns segundos, antes de voltar a olhar Ryeo Wook.

— Acho que nossa conversa acaba por aqui. — ele sussurra. Eu não conseguiria entender se não fosse tão bom em leitura labial. Ryeo Wook parece ficar magoado.

— Por quê? Você tem vergonha de falar comigo na frente dos outros? — Ryeo Wook pergunta, em voz baixa, visivelmente sentido. Ye Sung afaga sua mão e balança a cabeça negativamente enquanto diz:

— É claro que não, Wookie! Não é nada disso.

— Então o que é? — o outro rebate, chateado. O olhar de Ye Sung cai sobre mim. No momento em que percebo, desvio os olhos para a minha cama.

— Por favor, não se incomodem comigo — digo, caminhando em direção ao meu armário.

— Ah, meu Deus! — Ryeo Wook exclama. Eu o encaro, relativamente assustado. — Desculpe, Kyu Hyun, eu não falei com você! — ele diz, apressado. Então balança a cabeça e faz uma careta de reprovação para si mesmo. — Que falta de educação a minha. Oi.

Eu dou uma risada e ele sorri, se sentindo melhor em relação ao fato de ter me ignorado.

— Tudo bem, hyung. Eu já estou indo tomar banho, de qualquer jeito... — Abro a porta do meu armário e pego uma camiseta e uma calça quaisquer. Enquanto me abaixo ao lado da cama para pegar uma cueca na segunda gaveta, escuto sussurros novamente.

— Vê? Ele vai tomar banho, você não precisa ir embora.

Não posso deixar de espiar e vejo Ye Sung sorrindo afetuosamente. Como ele consegue ser tão gentil com o Ryeo Wook e não passar de um grosso estúpido quando se trata de mim? Babaca.

Mesmo curioso sobre o que vai acontecer agora, fico de pé novamente e caminho até o banheiro. Já demorei demais para tomar meu banho. Entro e tranco a porta, então começo a me despir. Amontoo as roupas em um mesmo canto, junto com meus tênis, e em seguida adentro o Box. Ajusto a água para uma temperatura quente relaxante. Lavo meus cabelos com xampu e começo a me ensaboar. Essa é sempre a pior parte.

Desde aquela agarração fogosa na tarde de Domingo pensamentos nada puros vêm me atormentando. E estão ficando cada vez piores – ou eu deveria dizer melhores? – por causa dos comentários de Eun Hyuk.

Tenho conversado mais com ele, porque somos um grupo e coisa e tal, e cara! Ele me faz reparar em tanta coisa que eu nunca deveria reparar! Quero dizer, não é como se ele me obrigasse, mas, como eu já disse, sou naturalmente curioso. Não consigo não olhar.

A primeira coisa desse tipo que ele me disse foi “Já notou a bunda do Sung Min? Cara, é enorme!”. A princípio, eu fiquei extremamente envergonhado, constrangido, até mesmo um pouco assustado. Eu não queria olhar, mas... Foi involuntário. No minuto seguinte, eu já estava reparando no traseiro (gostoso) do Minnie. Agora, é impossível ignorar. Sempre que ele está na minha frente e de costas para mim, eu discretamente – talvez nem tanto assim – admiro seu traseiro.

O comentário mais recente (hoje na hora do almoço, porque agora nós doze nos sentamos juntos) pode ter sido o mais tenso até agora. Eun Hyuk me perguntou “Calo (é, às vezes ele ainda usa esse apelido tosco), é impressão minha ou nossa fofura (que vem a ser Sung Min) está com um volume extra entre as pernas?”. Eu quase morri engasgado quando ouvi essa pergunta. E o pior é que não parou por aí. “Ou ele deixou as boxers de lado hoje, ou houve um desvio considerável de sangue para sua outra cabeça”, Eun Hyuk disse. Eu poderia ter cuspido Coca-Cola na cara de alguém. Parecia que minhas bochechas estavam pegando fogo. Eu fiquei tão desconcertado e encabulado que mal consegui responder qualquer coisa. Mas em pouco tempo eu estava observando Sung Min cruzar o refeitório até nossa mesa, e não pude evitar olhar para suas partes baixas. E, bem, Eun Hyuk tinha razão. Minhas calças até apertaram, e eu rezei para que Eun Hyuk não notasse. Felizmente, ele não notou.

Enfim, pensamentos leves como esse, das cuecas – e o que há por debaixo delas – de Sung Min, que na verdade não são tão leves assim, já são suficientes para me deixar com problemas. Como, por exemplo, uma ereção insistente.

Antes de eu acabar de ensaboar o abdômen, meu problema já está formado. Tento ignorá-lo e continuo me ensaboando normalmente, mas a água está relativamente quente, o que não ajuda em nada a minha situação. E eu ainda tenho de ensaboar meu membro, de qualquer forma. Então, é inevitável que eu acabe cedendo, assim como ontem. E, para falar a verdade, a sensação foi boa. Parcialmente, apenas, mas boa.

Sendo assim, por que eu deveria me opor?

Esfrego o sabonete entre as mãos, fazendo espuma, e depois as levo ao meu membro enrijecido. O ato de ensaboá-lo é um pouco torturante, já que os testículos estão sensíveis, mas eu resisto bravamente, porque o que está por vir é muito melhor. Enxáguo o sabão do corpo e me entrego ao desejo de ter Sung Min. Ou melhor, de imaginar que tenho Sung Min.

Minha mão faz um túnel em torno de meu membro e movimento-a por toda sua extensão. A reação é quase imediata: meu corpo treme, as pálpebras pesam, e começo a emitir sons estranhos, perdidos entre um resmungo e um gemido. Caralho, é bom demais.

Meus pensamentos vagueiam para pornografias envolvendo eu e Sung Min, e logo meus movimentos aceleram. O túnel que minha mão faz se estreita e...

— Minnie... — eu gemo baixo. Os movimentos continuam, cada vez mais acelerados, e minha cabeça pende para trás. Apoio-a na parede e prossigo absorto em fantasias sexuais. Sung Min, com aquela bunda gostosa... De quatro...

Sinto as ondas elétricas percorrerem meu corpo e minhas pernas fraquejam. Os movimentos frenéticos não param e tampouco a minha imaginação fértil e pervertida. Estou chegando...

— Sung... Min...! — Atinjo o prazer máximo. E por um momento, embriagado com o efeito pós-orgasmo, eu me sinto no Paraíso.

Deixo meu corpo escorregar pela parede, em direção ao chão, porque minhas pernas estão fracas demais. Minha respiração e batimentos cardíacos estão acelerados. Eu apenas aproveito a boa sensação enquanto meu organismo volta ao normal. E, quando isso acontece, não é nada bom. Eu me lembro da pior forma por que eu deveria resistir contra esse prazer imundo.

Porque a pessoa em que eu penso é Sung Min. Que, além de ser um homem, é meu amigo. Como eu posso fazer algo tão repulsivo assim? Me masturbar pensando em outro cara! No meu amigo! Eu me sinto desprezível, asqueroso, abominável! E a culpa me esmaga. Me sinto tão mal quanto como se tivesse matado a mãe de Sung Min acidentalmente. Sou um idiota! Cedi aos meus desejos sujos pela segunda vez! Tenho raiva de mim mesmo por ser tão fraco!

Me obrigo a levantar e ensaboo e enxáguo meu corpo de novo; talvez para me distrair, ou na tentativa de me sentir um pouco menos nojento. Quando acabo, fecho a torneira e saio do Box. Me seco e visto vagarosamente, tentando não pensar no que acabei de fazer. E, quando finalmente saio do banheiro, estou determinado a esconder a lembrança desse ato no fundo do meu cérebro. Já está feito, e ficar me martirizando não levará a lugar algum. O melhor que posso fazer é esquecer e não repetir essa burrice nunca mais.

Mas, assim que vejo Sung Min ao lado da minha cama, de braços cruzados, a única coisa que me vem à cabeça é que ele descobriu tudo. Ele me ouviu gemendo e está aqui para me mandar para o inferno. Meu coração bate acelerado e eu estou nervoso, mas caminho até minha cama do mesmo jeito, tentando não transpassar meu absoluto desespero. Ainda assim, mesmo estando com os nervos em frangalhos, não posso deixar de reparar que Ryeo Wook não está aqui. Para onde ele foi?

— Ah, oi, Kyu! — Sung Min me cumprimenta com um sorriso, assim que se dá conta de minha presença. Espere; se ele não está puto comigo, o que será que ele quer?

— Oi, Minnie — eu respondo, ainda um pouco confuso pela razão de ele estar aqui.

— Desculpe, eu sei que você está cansado e quer dormir, mas eu vim para o quarto mais cedo e te deixei sozinho. Quero pedir desculpas por isso.

— Ah! — É claro! Por que não pensei nisso? Sung Min é fofo ao extremo; é claro que se sentiria mal quando percebesse que fiquei sozinho.

Eu abro um sorriso e digo:

— Que nada, Minnie. Está tudo bem. Eu não fiquei nem um pouco chateado. — É a verdade. Eu não sou o centro do Universo. As pessoas têm coisas pessoais para fazer, e ninguém me deve explicações.

— Me desculpe, mesmo assim. É só que eu tive uma idéia maravilhosa de outfit para você e tinha de esboçar logo para não esquecer. Eu te mostro assim que finalizar o desenho.

Ouvir isso me deixa radiante. Será que ele tem idéia do quanto me faz bem?

— Caramba, Minnie, obrigado — eu agradeço, sinceramente. — Você é incrível, sabia? Eu me pergunto o que eu fiz para ter ao meu lado uma pessoa tão extraordinária como você. — Epa! De onde saiu isso?

Os olhos de Sung Min cintilam e seu abraço me pega de surpresa.

— Obrigado. Mas você também é extraordinário, e eu agradeço aos Céus por ter você comigo.

Envolvo seu corpo com braços firmes. A pureza desse momento me surpreende; pela primeira vez, ter o corpo de Sung Min junto ao meu não me traz sensações estranhas: eu sinto, simplesmente, tranquilidade. Como se eu estivesse aonde pertenço.

Mas pensar na fofura e inocência do Minnie faz a culpa retornar. Alguém tão casto, sendo envolvido em coisas tão impuras...!

— Perdão — eu peço. Sung Min não entende nada e me pergunta do que estou falando, mas eu não posso explicar. Ele tenta se afastar para me olhar nos olhos, só que não deixo. — Apenas me perdoe, por favor.

Seu abraço gentil se torna ainda mais reconfortante do que antes.

— Eu te perdoo, Kyu. Por todas as coisas. — ele diz. E, mesmo que esse perdão não valha, porque ele não sabe o que está perdoando, meu peito se alivia. Eu me sinto bem.

— Obrigado, Minnie. Isso é muito importante para mim. — digo.

Nos afastamos e ele sorri.

— Agora, vá dormir. Já é tarde. — Sung Min diz, puxando minhas cobertas para que eu possa deitar. Me deito e ele me cobre. Depois alisa meus cabelos e beija minha testa.

— Boa noite, Kyu — ele diz.

— Boa noite, Appa — eu brinco. Ele ri da minha piadinha. Então se aproxima lentamente da minha orelha, e meu sangue gela.

— Eu sou seu dongsaeng, esqueceu? — ele sussurra.

— Então, por que não sou eu te colocando para dormir? — consigo sussurrar de volta.

— Porque eu estou apenas agradando o meu hyung. — Os lábios dele roçam na minha pele, e é como uma descarga de adrenalina. — Kyu hyung não gosta de ser agradado?

Eu aperto o colchão para me impedir de fazer alguma besteira. Ele sabe quão sedutor está sendo? Quanta malícia eu imagino nessas palavras? Ele pode me agradar de tantos jeitos...

— Sim, eu gosto — me ouço dizer. E, por mais que eu tente impedir minha língua, completo: — Principalmente por você.

— É mesmo? — Aos meus ouvidos, Sung Min soa alucinantemente provocante. — Então, pode deixar que eu vou te agradar muito.

— É? — eu tento pagar na mesma moeda, mas falho. Ah, cacete, eu estou ficando excitado de novo. — Como?

Uma risada sedutora, seguida um beijo demorado na bochecha, e eu vou à loucura. Me pergunto insistentemente por que continuamos a fazer isso um com o outro. Nós falamos e insinuamos tanta coisa, tantas vezes! Mas na hora de fazer... Eu estrago tudo, penso. No Domingo, nós chegamos tão perto...

— Te satisfazendo de todas as formas que desejar. — Sung Min responde. Alguma vez na vida eu já comentei quão enlouquecedor esse ursinho apertável consegue ser? Essa frase é tão erótica e excitante que é impossível impedir outra ereção. Merda.

Tiro a mão direita de debaixo da coberta e a deslizo pelas costas de Sung Min. Ele está inclinado na minha direção, com um dos joelhos apoiado no colchão. É a oportunidade perfeita! Há quatro dias que quero fazer isso e não consigo resistir mais: aperto o traseiro sexy de Sung Min.

Ele emite um som entre um arquejo e um gemido e seus dedos se fecham, apertando meu travesseiro, onde ele está apoiando uma das mãos. Aperto outra vez e ele geme de uma maneira que me faz pensar que minha boxer está prestes a explodir.

— E quando a teoria vira prática? — sussurro contra a pele de seu pescoço. A essa altura, nossa conversa está digna de Eun Hyuk.

Sung Min beija meu rosto, traçando um caminho que vai da minha maçã do rosto até meus lábios. E eu admito que não esperava um beijo agora, com (provavelmente) Ye Sung e Ryeo Wook no andar de cima. Mas, ainda assim, eu retribuo. Um beijo de menos de dez segundos, mas que definitivamente vale a pena. Por que nós ainda não estamos namorando?

Ah, sim, porque eu sou um covarde idiota e ainda não pedi.

— Na primeira oportunidade. — ele responde, quando nosso beijo acaba. — Agora, nós temos que dormir.

E, sem mais nem menos, Sung Min se levanta e se afasta, me deixando para trás completamente decepcionado e desconcertado. Então, quando chega ao pé da escada, olha na minha direção e sorri. Retribuo o sorriso e aceno, rezando para que ele não perceba quão desapontado estou por ele ter ido para longe. Para minha felicidade, ele não percebe – ou, pelo menos, não parece perceber. Simplesmente acena de volta, ainda sorrindo, e sobe os degraus.

Pouco depois de ele chegar lá encima, vejo Ryeo Wook descendo. Seu rosto exibe um sorriso radiante. Ele não repara em mim até chegar ao primeiro andar.

— E aí, guri. — ele diz, um pouco surpreso por me ver. Eu me pergunto o motivo dessa surpresa; cara, eu durmo aqui. Onde ele esperava que eu estivesse? No banho até agora?

— E aí — respondo. Ele me pergunta como foi o banho e, mesmo ficando nervoso, digo que foi tranquilo. Então pergunto sobre sua conversa com o veterano e ele fica encabulado. Por fim, me diz que a conversa foi ótima.

Mais alguns minutos e apagamos as luzes e dizemos boa noite um para o outro. O segundo andar também está apagado. Sei que Ryeo Wook em pouco tempo vai estar dormindo, mas Sung Min me deixou pilhado de novo. Não vou conseguir cair no sono tão cedo. A não ser que... É, acho que é uma boa idéia. Só preciso esperar mais algum tempo.

Me remexo na cama fazendo mais barulho do que o necessário, para saber se Ryeo Wook já caiu no sono. Ele não diz nada, o que significa que está dormindo. Ótimo! Assim posso passar o tempo mexendo no meu notebook.

Levanto da cama o mais silenciosamente que posso, porque o sono de Ryeo Wook não é o mais pesado do mundo e não quero me arriscar. Abro a porta do meu armário e tiro de lá meu computador portátil. Depois, volto a me ajeitar na cama. Ligo o aparelho e logo me certifico de que os sons estão desativados. Se Ryeo Wook acordar e me ver mexendo no notebook, estou ferrado! Porque tenho certeza de que ele vai contar para o Chul, e Chul vai me dar uma bronca! Ele detesta que eu perca meu sono para jogar meus “vícios eletrônicos”, como ele chama.

O aparelho liga, finalmente. Digito minha senha e espero o perfil do usuário carregar. Eu poderia jogar StarCraft como passatempo, mas eu perderia a noção da hora e acabaria sem dormir, então vou revirar minhas pastas de arquivos, só para fazer alguma coisa, mesmo.

Começo abrindo a pasta de fotos da família. Que saudade de todos eles! Minha mãe, minha irmã, meus avós... Vou ligar para eles amanhã. Todos eles. Faz tempo que não nos falamos... Cinco semanas, talvez.

Fecho a pasta e passo para outra. O nome é “Nova Pasta”; o que será que tem dentro?...! Fecho-a assim que percebo seu conteúdo. Fotos de minha infância! A pior época da minha vida! Não vou revirar essas fotos. Não mesmo! Sei exatamente as memórias por trás dessas fotografias e não quero trazê-las à tona.

Abro uma terceira pasta, com fotos de amigos. Quero dizer, fotos minhas com meus amigos, em diversas fases da vida. Vejo algumas com o garotinho das aulas de futebol, Lee alguma coisa. Me sinto um lixo por não lembrar seu nome. Ele salvou minha vida! Foi meu primeiro amigo de verdade, e eu nem me lembro de como ele se chamava. Que amigo merda eu sou.

Vou passando as imagens, e vejo uma minha com o Zhou Mi. Aquele chinês idiota... Eu sinto saudades dele. Por que ele foi embora? Se ele tivesse me conhecido agora, provavelmente ainda seríamos amigos... Suspiro, chateado. Nossa amizade era tão boa! Por que teve que acabar desse jeito?

Continuo passando as fotos e vejo uma minha com o Chul, na Biblioteca. Preciso dar meu máximo para não rir. Esse dia foi engraçado. Eu estava estudando – ou tentando – algumas partituras, e Chul estava me fazendo companhia, esperando para que pudéssemos fazer algo. Mas sua paciência logo chegou ao fim e ele decidiu que era hora de nos divertimos um pouco; afinal, era Domingo. Então ele simplesmente roubou as partituras que eu estava lendo e não queria me entregar de jeito nenhum. Estávamos os dois rindo da situação, porque simplesmente não conseguimos ficar irritados um com o outro, até que vimos um flash. Olhamos na direção da luz repentina e quem estava parado, com uma máquina digital em mãos, era Ryeo Wook.

“Recordação!”, ele cantarolou alegre, mostrando a foto na máquina para nós dois. Chul não hesitou em pegar a máquina para ver a foto melhor – ele adora fotos.

“Olhe como você está bonito, pequeno Kyu”, ele me disse.

“É, mas você está mais”, rebati. E a resposta dele foi “Eu sei”, porque Kim Hee Chul é a modéstia em pessoa. Depois disso, ele venceu e fomos nos divertir no Domingo.

Sentado na minha cama, fico sorrindo feito um bobo, pensando no meu melhor amigo. Eu gosto tanto dele! Mas, mesmo assim, passo nossa foto, indo para a próxima. E me surpreendo quando vejo na tela a imagem de Sung Min. Ele está beijando meu rosto, e eu estou com o sorriso mais idiota que já vi... Acho até que minhas bochechas estão mais rosadas do que deveriam.

Nesse dia, eu havia pedido para o Minnie jogar StarCraft comigo – de novo. Porque ele é muito fofo e bonzinho, ele aceitou; mas depois de perder por volta de doze vezes, se cansou e cruzou os braços, dizendo que não queria mais jogar.

Eu implorei um pouco, fiz charme de maknae, e, por fim, ele concordou em jogar mais um pouco. Com uma condição: que eu o deixasse ganhar uma vez.

“Umazinha só!”, Minnie fez aegyo.

“Sem chance!”, respondi. Perder é algo que eu simplesmente não faço. “Escolha outra coisa”.

“Tudo bem, estão sorria”.

Sung Min beijou meu rosto e apertou o comando da minha webcam duas vezes – uma para ativá-la, outra para capturar a foto. Eu não entendi o que ele estava fazendo até ver a imagem na tela do meu notebook.

“Pronto, agora temos um retrato de nós dois”, ele disse. “E esse é para guardar para sempre”.

Antes mesmo de eu me dar conta, meu rosto reflete a expressão idiota que tenho na foto. Eu com certeza vou guardá-la para sempre.

Então, vendo a imagem de Sung Min, me lembro de que ele, a esta altura, já deve estar dormindo. Perfeito! Fecho o notebook, animado, sem nem me preocupar em desligá-lo; não vou demorar mais que alguns minutos.

Levanto da cama com cuidado e subo os degraus o mais silenciosamente possível. Felizmente, a cama de Sung Min é bem perto da escada, uns dois metros ou menos, e para chegar até ela eu não preciso passar pela cama do veterano escroto que dorme ao lado.

Eu me aproximo na ponta dos pés, cauteloso ao extremo, mesmo que o sono de Sung Min não seja assim, tão leve. A luz fraca que entra pelas cortinas finas é o suficiente para que eu possa ver as feições angelicais de Sung Min. Tão tranquilas...

Me agacho ao seu lado e nossos rostos ficam próximos, mas não penso em nenhuma besteira. Aliás, foi para isso mesmo que eu vim aqui: para livrar minha cabeça das besteiras que tenho certeza que me atormentariam a noite inteira, por causa do nosso pequeno lapso pornográfico minutos atrás.

Mas ver Sung Min, dormindo de forma tão adorável, envolto em pureza, limpa minha mente e me salva dos pensamentos ruins. Então eu fico apenas observando, como das outras vezes. Mas... Sung Min tem o sono tão pesado! Ele não acordaria se eu lhe acariciasse a face, acordaria?

Estendo a mão em direção ao seu rosto devagar, pronto para me esconder debaixo da cama caso ele acorde. Mas não é preciso. Quando toco seu rosto, ele nem se mexe. Eu sorrio, gostando da nova idéia de poder tocá-lo enquanto dorme.

Acaricio seus cabelos e ele estremece. Eu me assusto, mas logo fico tranquilo de novo quando percebo que Sung Min não acordou. Passam-se alguns minutos e eu fico de pé; já estou bem. É hora de dormir. Mas, antes de descer, decido beijar sua testa. É o meu primeiro erro.

Me demoro com os lábios em sua pele mais do que o necessário, sentindo seu perfume gostoso. Novamente, me pergunto o que Sung Min tem que me faz tão bem. Observo seu rosto mais uma vez, tentando gravar todos os detalhes, e sigo para as escadas.

Caminho lentamente, despreocupado. Mais uma missão completada com sucesso! Então meu sangue gela e eu paraliso ao escutar Sung Min se remexendo na cama. Me viro para olhá-lo, nervoso, e vejo que ele esfrega os olhos. E isso significa que ele está acordando.

O medo de ser pego me invade e eu continuo caminhando para as escadas, sem desgrudar os olhos de Sung Min. Eu já deveria saber que andar de costas não dá certo.

— Kyu...? — é um sussurro sonolento vindo de Sung Min. E quando percebo que ele está se levantando, sou dominado pelo pavor e me viro para frente, já dando um passo, pronto para correr o caminho restante até a escada.

Mas não tem caminho nenhum. A escada já está aqui, e eu dou um passo para o nada. Então só tenho tempo de sentir que estou caindo antes de encontrar os degraus dolorosos. É tudo muito rápido, mas parece que meu corpo nunca vai parar de rolar.

Então eu alcanço o chão frio. Tento me mover, mas a dor é muita. Parece que fui atropelado por milhares de caminhões impiedosos.

— Kyu Hyun?! — alguém diz meu nome ao longe, mas não sei dizer quem é. Tento abrir os olhos para olhar em volta, mas eles não abrem. Consigo sentir minha consciência indo embora. Tudo me dói.

Talvez seja uma lição divina para eu deixar de ser um completo idiota.


POV Sung Min:


Me levanto assustado.

Primeiro penso ter visto Kyu Hyun, o que provavelmente foi um sonho. Em seguida, escuto barulhos estranhos. E por último, Ryeo Wook gritando o nome do meu kingka. Esse é o principal motivo para eu correr desesperado até o interruptor e ligar as luzes do segundo andar.

Quando me viro para as escadas novamente, vejo que Ye Sung também está de pé.

— O que está acontecendo? — pergunto, nervoso. Ele me ignora por completo; simplesmente esfrega os olhos e caminha até as escadas. Eu hesito em segui-lo. Se aconteceu alguma coisa com o Kyu, eu quero ver?

— Kyu... — é a voz fina de Ryeo Wook de novo. Ele parece estar chorando. Eu fico desesperado; o que aconteceu com o meu Kyu Hyun?

— Ye Sung! — agora ele grita, e desaba em soluços em seguida. Eu respiro fundo e me apresso em ir atrás de Ye Sung, que já está descendo as escadas. E assim que eu chego ao topo dos degraus, podendo ver o que acontece lá embaixo, preciso dar tudo de mim para não cair de joelhos e chorar desesperadamente: o corpo inerte de meu kingka, envolvido pelos braços magricelas do Sr. Minhoca, que está chorando de forma descontrolada, soluçando sem parar.

Eu tento afastar o pensamento, mas não consigo. A única coisa que me vem à cabeça é que Kyu Hyun está morto. Ele está morto!

Meus olhos são inundados por lágrimas que eu luto para conter, enquanto meu coração se afunda em dor. Tudo ao meu redor parece sumir. As coisas não fazem sentido. Eu sinto como se meu interior estivesse ficando vazio; sem vida, assim como o corpo de Kyu Hyun.

Vejo um vulto se mexendo ao pé da escada. Enxugo os olhos e me forço a focalizar o que está acontecendo lá embaixo. Ye Sung pega Kyu Hyun nos braços com muito cuidado e se levanta devagar. O que...?

— Sung Min, fique aqui com Ryeo Wook — Ye Sung ordena. Eu não estou entendendo nada. O que ele vai fazer com o meu kingka? Por que eu não posso ir junto?

Abro a boca para protestar, mas ele é mais rápido.

— Vou levar o calouro para a enfermaria.

Enfermaria. De repente, tudo fica um pouco melhor. Isso significa que Kyu Hyun não morreu!

Ye Sung caminha até a porta e Ryeo Wook se apressa em abri-la para que ele possa passar com Kyu Hyun nos braços. Eu desço as escadas correndo.

— Espere! — eu grito. — Espere! Eu vou com você!

Ryeo Wook fecha a porta rapidamente, para que eu não possa segui-los.

— Abra essa porta! — eu ordeno. Quem ele pensa que é para me impedir de ver meu kingka?!

O Minhoca permanece firme.

— Hyung, acalme-se — ele pede. Eu tenho vontade de gritar. Como ele me pede calma numa hora dessas?! — Kyu Hyun vai receber assistência médica e ficará tudo bem. Eu e você não podemos fazer nada além de nos acalmarmos e esperarmos. Ye Sung vai tomar todas as providências na enfermaria e nos dará notícias assim que puder.

Eu percebo que ele ainda está com tom de choro. Ele está preocupado com o amigo, mas está se controlando porque sabe que se desesperar não vai ajudar em nada. E eu tenho de fazer o mesmo.

Respiro fundo e me esforço para me recompor.

— Você tem razão. Eu preciso me acalmar e esperar. Não vai acontecer nada grave com o Kyu, certo? Ele vai ficar bem e...

— Ele vai ficar ótimo! — ele concorda. — Kyu Hyun é forte e vai se recuperar disso tudo. Sente-se um pouco, hyung, e eu vou pegar um pouco de água para você.

Eu assinto e agradeço, mas, depois que ele sai, volto a chorar feito um imbecil. Vou até a cama de Kyu Hyun praticamente às cegas, porque minha vista está quase que completamente embaçada. Sento em seu colchão e enterro o rosto entre as mãos. Como isso foi acontecer? Como Kyu Hyun rolou as escadas? Por que... O que ele foi fazer lá encima?...! Ah, meu Deus! Será possível que não foi um sonho? Eu não sonhei que Kyu Hyun estava lá? Ele realmente esteve lá? Ao lado da minha cama? Alisando meus cabelos? E depois beijou minha testa?... Mas isso não é possível! Por que ele faria algo assim?... Além do mais, estava tão escuro! O que aquele idiota tem na cabeça?!

Respiro fundo várias vezes, buscando controlar minhas lágrimas. Eu preciso ser positivo; Kyu Hyun vai ficar bem. Não terá sofrido nada de grave e logo estará comigo de novo. É nisso que eu tenho de pensar. Ficar chorando não vai me ajudar em nada.

Seco o rosto com a barra da camisa, respiro fundo uma última vez e me dirijo ao banheiro do primeiro andar. Lavo o rosto repetidamente, e só paro porque percebo que não vou conseguir ficar com a expressão melhor. A água aliviou um pouco a cara de choro, mas vou ter de apelar para a maquiagem.

Encaro meu reflexo no espelho. Cacete, eu estou com a aparência horrível! É deplorável! Kyu Hyun não pode me ver nesse estado! Preciso do meu kit urgentemente.

Saio do banheiro apressado, mas algo na cama de Kyu Hyun me chama a atenção: seu notebook. O que está fazendo ali? Curioso como sou, me aproximo de sua cama novamente e analiso o eletrônico. Está ligado!

Sento no colchão e toco o aparelho, pronto para abri-lo, mas paro. O que tem aqui dentro é totalmente pessoal! Seria muita invasão de privacidade... Mas espere aí. Ele vasculhou meus desenhos. Acho que isso me dá o direito de ver o que há na memória do seu notebook.

Levanto a tampa e aperto o botão para “acordar” o aparelho eletrônico. Logo a tela fica azul e aparece o nome do usuário – Kyu Hyun – e o campo em branco para que eu digite a senha. Merda! Mas é claro que teria uma senha! Ah, como sou idiota!

Clico no ponto de interrogação, para ver a dica da senha. E o que vejo é como um choque elétrico: “Ursinho Apertável”. Não, não pode ser. Kyu Hyun já me chamou assim! Será possível que a senha de Kyu Hyun... É o meu nome?

Digito “Lee Sung Min” no campo da senha, todo esperançoso, mas dá errado. Tento só “Sung Min”, mas também dá errado. Eu me sinto triste. Há outro ursinho apertável na vida de Kyu além de mim? Eu faço uma careta ao pensar numa sugestão. É claro que seria ele! Afinal, são almas gêmeas, caras-metades e o cacete a quatro. Mas aquele demônio não parece um ursinho apertável!

Digito “Kim Hee Chul”, “Hee Chul” e “Chul”, mas não é nenhuma dessas opções. Eu não posso deixar de sorrir. Não é o ruivo dos infernos, no fim das contas! Mas então... Quem pode ser?

“Meu ursinho Minnie”, a voz de Kyu Hyun soa claramente em minha cabeça. Ele me disse isso certa vez. De repente, a resposta parece óbvia, clara como a água.

Meu rosto mal consegue conter meu sorriso quando vejo que a senha é realmente meu apelido. Minnie. Ai-meu-Deus! A senha de Kyu Hyun sou eu! É felicidade demais para mim!

Quando eu finalmente paro de surtar e reparo na tela, percebo que sempre dá para melhorar. A foto de nós dois! Meu retrato com Kyu Hyun! Era isso que ele estava vendo antes de fechar o notebook. Acho que vou ter um ataque do coração! Onde está Ryeo Wook com meu maldito copo d’água?!

Aperto a seta da esquerda, para ver que fotos vêm antes da nossa. E não posso reprimir uma careta ciumenta quando vejo Kyu Hyun e Hee Chul. Argh! Eles parecem tão felizes e... Apaixonados! Maldição! Se me dissessem que este era Han Geng, eu só não acreditaria porque sei que Han Geng é chinês e o Kyu não parece nem um pouco chinês.

Passo para outra, chateado. Parece ser uma foto normal, de colégio. Nada que me deixe com ciúmes. Continuo passando, e paro em uma foto que me parece suspeita. Quem é esse narigudo abraçando meu kingka? Aliás, Kyu Hyun está tão novinho! Tão fofo! Parece ter seus quinze, dezesseis anos. Eu não deveria me importar, mas... Por que ele parece tão feliz, abraçando esse cara aí?!

Solto um suspiro pesado e passo para outra foto. Pare de ser paranoico, Sung Min! Aquilo já faz tempo. E a última foto que ele viu foi comigo... Isso significa algo, não é?

É, que a sua foto é a mais recente, escuto meus pensamentos. Balanço a cabeça, me obrigando a não pensar nessas coisas. Passo outras fotos inocentes, dele com mais de duas pessoas. Provavelmente, amigos de escola. E então, eu me deparo comigo. E é muito chocante.

Por que Kyu Hyun tem uma foto minha com meu amigo de infância das aulas de futebol no seu notebook? Como ele conseguiu essa foto?! As únicas pessoas que poderiam tê-la somos eu e o Kyunnie, então por que...?! O Kyu é o Kyunnie?!

Olho atentamente a imagem na tela. Estamos ambos com o uniforme do time no qual treinávamos, eu com um dos braços nos ombros de Kyunnie e ele com a mão na minha cintura. Eu era uns sete centímetros mais baixo. Nós dois estamos sorrindo muito e Kyunnie tem uma bola de futebol sob o pé esquerdo. Mas não são esses detalhes que me importam.

Observo as feições de Kyunnie. Os olhos, a boca, a linha do maxilar, as sobrancelhas, as bochechas, reparo em tudo. Tento gravar todos os detalhes e abro a minha foto com o Kyu Hyun. Passo de uma para a outra diversas vezes. Fico espantado quando noto a semelhança.

— Cacete! — eu arquejo, endireitando o tronco que estava debruçado sobre o teclado. — Não pode ser! Como...

Batidas na porta me interrompem. Lembro que Ryeo Wook foi buscar água para mim e me apresso em desligar o notebook, já que ele pode contar para Kyu Hyun que eu estava fuxicando suas coisas, e abrir a porta.

Estranho ele não dizer nada. Mesmo que ele esteja segurando dois copos e não... Espere, com dois copos de água nas mãos, ele não poderia bater na porta. Teria de me chamar. Então, se não é o Ryeo Wook, que é?

Abro a porta, curioso, e o que encontro não é a mais agradável das surpresas.

— Hee Chul? — pergunto, estranhando a visita repentina. O que ele está fazendo aqui?

— Olá, Sung Min — ele responde, um pouco sem-jeito. Me pergunto o que há de errado, pois sua expressão está tão estranha...

— Eu encontrei Ryeo Wook-sshi no corredor e ele me disse o que aconteceu com o meu pequeno Kyu...

Ouvi-lo chamar Kyu Hyun de “seu” me faz franzir o rosto numa careta. Eu tento, tento de verdade, mas, porra! Ele precisa mesmo chamar o Kyu de “seu pequeno”? Argh! Isso me tira do sério!

— Então eu fui até a enfermaria vê-lo...

E saber que ele já visitou Kyu Hyun depois do acidente e eu, não, me deixa ainda mais puto. Por que Ryeo Wook não me deixou ir lá, mas deixou que esse ruivo infernal fosse?!

—... e ele está bem. Já foi medicado e assistido pela equipe médica. Inclusive, ele está sedado, porque estava sentindo muita dor... — Seu olhar perde o foco, escurecido por um véu de agonia e preocupação. Eu não gosto de admitir, mas esse maldito realmente se importa, e muito, com Kyu Hyun.

Hee Chul fica em silêncio por um instante, com os olhos turbulentos e inquietos. Mas estão ele volta a me focalizar, e completa:

— Mas ele apenas fraturou o punho esquerdo. O médico disse que não é nada preocupante.

Eu me surpreendo com a gentileza de Hee Chul. Talvez ele não seja tão ruim quanto penso, e possamos ser amigos.

— Obrigado, Hee Chul-sshi. — eu me obrigo a chamá-lo formalmente, porque Kyu me disse que ele fica muito satisfeito. — É muito nobre da sua parte, vir me trazer notícias do Kyu.

Ele estreita os olhos quando chamo Kyu pelo apelido. E, bem, isso é um pouquinho satisfatório.

— Eu só achei que você deveria saber. — ele responde, dando de ombros. — Espero que você fosse fazer o mesmo se a situação fosse ao inverso.

Eu balanço a cabeça.

— Claro! — digo. Mesmo que eu não vá com a cara dele, sei que Kyu gosta muito de Hee Chul e gostaria que ele fosse avisado. — Você também é amigo do Kyu. Merece saber o que se passa com ele.

Ele franze a cara de novo. Eu tenho de admitir que estou adorando isso.

— Sim, obrigado. — Hee Chul diz, com gesto de cabeça. — E então, como eu já disse tudo o que tinha para dizer, estou indo embora.

Ele se vira para a porta. Não sei por que, mas impeço-o de ir.

— Hee Chul — eu chamo. Ele me olha automaticamente. Fico meio envergonhado, porque não sei bem o motivo de tê-lo chamado. Então, digo a primeira coisa que me vem à cabeça: — Ahn, acha que o Kyu já está acordado? Eu gostaria muito de vê-lo.

Ele me olha e morde o lábio inferior. Abre a boca para dizer algo, mas desiste, soltando o ar pesadamente. Então muda de idéia e diz:

— Desculpe, mas você pretende mesmo visitar meu pequeno Kyu com essa cara? Eu não queria dizer nada, mas sua aparência está horrível!

Eu sinceramente preferia que ele tivesse ficado de boca fechada.

— É, eu sei que estou horroroso, não precisa me dizer. — resmungo, alterado. — Ainda vou passar uma maquiagem, para melhorar meu estado.

Ele suspira e eu poderia jurar que Hee Chul está me lançando um olhar de pena. Não sei se isso é fofo ou desprezível.

— O que acha de eu te ajudar com isso? — ele pergunta. E, para mim, é tão chocante quanto escutá-lo dizer que gosta do Si Won.

— O quê?

— Acho que é uma boa idéia passarmos um tempo juntos. Afinal, nós dois gostamos do pequeno Kyu.

Eu quase engasgo; ele acaba de dizer que nós dois gostamos do Kyu? Tipo, do mesmo jeito? Como assim?!... Ah, caralho. Isso vai me render várias paranoias daqui para frente.

— É, eu concordo. — minto.

— Então, o que está esperando? — ele diz, quando não me mexo. — Pegue sua maquiagem.

— Ah, sim — eu digo, meio desconcertado, porque esqueci o mais importante. Me apresso em subir as escadas e pegar meu estojo de maquiagem. — Aqui está. — digo, estendendo-lhe o que tenho em mãos, quando chego ao primeiro piso.

— Ótimo. Sente-se. — ele aponta para a cama. Faço o que ele diz e espero que ele comece a melhorar minha aparência. Ele abre o estojo, pega a base cremosa e deixa meu kit de maquiagem em cima do colchão. Logo ele começa a espalhar base pelo meu rosto, disfarçando minhas imperfeições.

De início, fico tenso por causa da falta de intimidade. Até mesmo para respirar, eu tomo cuidado. Mas, quando ele acaba com a base e passa para o blush, eu já estou de saco cheio do silêncio mortal que nos envolve. Eu preciso puxar um assunto!... Mas qual?

Penso um pouco e logo acho o assunto perfeito.

— Então... Você já conversou com o Lee Teuk-hyung? — pergunto, interessado. Ele parece surpreso com a minha pergunta, mas sorri e responde:

— Sim! Nós conversamos.

Ele fica em silêncio e se concentra em espalhar o pó na minha maçã do rosto. Depois respira fundo e continua:

— Admito que havia me esquecido de como Jung Su é carinhoso. Fiquei surpreso com a maneira que ele me tratou, depois de tanto tempo sendo sempre tão áspero e frio comigo.

Eu escuto com atenção. Na verdade, estou muito curioso para saber o que aconteceu no passado, e qual foi a conclusão da conversa.

Permaneço calado, encarando-o, e ele percebe o meu interesse.

— Por acaso alguém gostaria de ouvir a história? — ele brinca, sorrindo. Hee Chul está sendo muito mais agradável do que eu jamais poderia imaginar.

— Sim, por favor! — eu respondo, sem hesitar. Me sinto um pouco idiota, mas Hee Chul descontrai o clima com uma risada.

— Bem, de uma forma resumida, Jung Su me pediu desculpas pela maneira como veio agindo desde que Han Kyung partiu. Disse que estava sendo idiota, e que se sentia muito envergonhado por não ter se preocupado com a minha versão dos fatos. “Não foi uma atitude digna de um amigo”, ele me disse. Então, depois de se desculpar por inúmeras coisas, deixando claro tudo o que sentia em relação ao nosso passado, fez questão de, pela primeira vez, escutar a minha variante da história. “Por favor, Hee Chul, conte-me tudo o que há para contar”, ele pediu. E, depois de esclarecer tudo o que sentia pelo Han Kyung, eu contei.

“Disse a ele que eu estava no Chafariz, simplesmente descansando, quando um estranho se aproximou e começou a puxar assunto. Contei que eu não lhe dei atenção e me apressei em sair de perto dele, sem realmente me preocupar em ser educado; e que eu teria ido embora o mais rápido possível se aquele cara não me segurasse pelo braço e me mantivesse ali.

“Reproduzi um pequeno diálogo ofensivo entre eu e o brutamontes, e disse que, sem mais nem menos, ele me beijou. Deixei claro que eu me afastei assim que pude, mas não foi muito fácil porque o cara era bem mais forte que eu.

“Fiquei impressionado com a postura de Jung Su. Durante todo o meu relato, ele permaneceu em silêncio, atento a cada palavra que eu dizia, balançando a cabeça num gesto de incentivo para que eu continuasse falando. Eu tenho de admitir que não esperava isso quando ele me chamou para conversar.

“De qualquer modo, contei que, no mesmo instante em que me desvencilhei daquele verme, — e depois de lhe dar uma joelhada e um tapa na cara, é claro – percorri a instituição, procurando pelo grupo, mas era Domingo e foi difícil achá-los, provavelmente devido a desencontros.

“Disse a ele que a primeira pessoa que encontrei foi Si Won, no Térreo do Prédio III. Ele agiu como se estivesse indignado comigo. Eu perguntei o motivo, mas, ao invés de me conta o que tinha acontecido, disse ‘Como você pôde fazer aquilo?! Nunca achei que você fosse tão falso!’. Eu soube imediatamente que ele tinha visto a cena no Chafariz e tentei me explicar, mas ele não quis me ouvir. Ele disse: ‘Acho que você deveria se explicar primeiro para o Han Geng. Ele está desolado’.

“Eu perguntei onde Han Kyung estava e ele me disse: ‘Na Sala de Piano. É melhor você correr’. E foi o que eu fiz. Corri feito um louco! Mas encontrei uma Sala de Piano completamente vazia, sem nenhum sinal de Han Kyung. Quando contei isso, Jung Su percebeu o sentido de tudo.

“‘Então, Si Won tramou aquilo tudo’, ele disse. E então foi a vez dele compartilhar fatos que eu não conhecia. Quero dizer, eu sempre tive certeza que a culpa era de Si Won, mas nunca soube ao certo como tudo aconteceu. E, na nossa conversa, Jung Su me disse.

“‘Estávamos reunidos no meu quarto; só faltava você. Eu pedi para Si Won te chamar, mas ele não voltou contigo. Voltou com uma foto no celular, de você beijando outro cara. Estava claro que aquele era você, e, como suas mãos estavam nos ombros dele, todos achamos que vocês trocavam um beijo apaixonado. Agora sei que você estava tentando afastá-lo, mas, no dia, Si Won nos contou um versão distorcida e fez com que achássemos que você era um mentiroso, traidor. Ele falou muitas coisas, principalmente para Han Kyung. Ainda assim, Han Kyung fez questão de falar com você. Então Si Won desceu e, quando voltou, disse mais mentiras. E Si Won conseguiu pôr a situação de um modo que Han Kyung não quis mais explicações suas. Ele disse simplesmente: ‘Vou para casa. Eu quero voltar para a China. Preciso ficar afastado por um tempo’. Mas, mesmo querendo ser muito racional, Han Kyung chorou muito. As palavras de Si Won mexeram com ele de tal forma que ele pensou que o seu amor não passava de uma mentira. E foi o que eu pensei também. Por isso eu fiz o que fiz’.

“Quando Jung Su terminou de falar, impassível como sempre, eu já estava me pondo de pé, pronto para partir Si Won em milhões de pedaços. Mas ele me impediu. Ele me disse: ‘Hee Chul, não faça isso, Si Won não fez por mal’. Eu estava louco de raiva. Minha resposta saiu como um rosnado. ‘Não fez por mal?! Ele arruinou tudo! Me separou de Han Kyung de propósito!’, eu gritei. Mas, como sempre, Jung Su me fez ver além do ódio.

“‘O que ele fez foi errado, eu sei. De alguma forma, ele achou que, sem o Han Kyung por perto, você desenvolveria sentimentos por ele. Mas isso é passado, Hee Chul. Eu sei que já é de seu conhecimento que Han Kyung estará de volta no meio do ano. E isso era uma certeza que todos nós tínhamos. Si Won sabia que o Han Kyung voltaria para nós. Então, por mais que ele tenha arquitetado um plano malvado, ele nunca quis separar você do Han Kyung permanentemente ’.

“As palavras dele fizeram meu sangue parar de ferver. Acho que é uma espécie de dom que Jung Su tem. Ele consegue acalmar qualquer pessoa. E, assim que ele percebeu que meu ódio tinha desaparecido, ele concluiu a conversa.

“‘Hee Chul, já é hora de esquecermos o passado. Nós já brigamos muito, sofremos muito. Está na hora de perdoarmos uns aos outros; deixarmos de lado tudo o que aconteceu e voltarmos a ser bons amigos, como costumávamos ser’, Jung Su disse. E eu soube que ele tinha razão. Então quando ele me estendeu a mão, perguntando: ‘O que você acha? Podemos ser amigos de novo?’, eu não hesitei em apertá-la. Porque não importa o quanto eu tente; não posso negar que sinto falta daqueles idiotas.

“Então, depois do nosso ‘aperto de mão reconciliativo’, ele me puxou para um abraço que não recusei. Disse que sentiu muito a minha falta, e que o grupo não era a mesma coisa sem mim. Eu disse que também senti saudades de todos. E, surpreendentemente, quando nos separamos, ambos estávamos com os olhos marejados. Reparar o grande mal-entendido que houve entre nós foi como... Aliviar meu coração. E saber que tudo poderá voltar a ser como era antes, quero dizer, melhor do que era antes, porque o grupo está cheio de novos integrantes formidáveis, especialmente pelo meu pequeno Kyu... É simplesmente fantástico.”

Em qualquer outra ocasião, eu ficaria puto da vida com essa última parte. Mas suas palavras são tão puras e sentimentais que eu não consigo ficar com raiva. Tipo, ele acaba de abrir seu coração para mim. Isso é muito comovente. Admito que sinto vontade de chorar e aplaudir de pé, mais pelo seu gesto nobre do que pela história em si – ainda que eu não possa negar que é muito bom saber que tudo está acertado e que somos todos um só grupo, nós treze – mas me controlo, respirando fundo.

Abro os olhos, que há poucos segundos Hee Chul estava pintando com lápis preto, e encaro o ruivo de pé na minha frente.

— Obrigado — eu digo, sincero. Me refiro à sua história e ele percebe, assentindo com a cabeça.

— Sua maquiagem está pronta — ele anuncia, batendo uma mão na outra, para limpar o resto de pó delas.

— Muito obrigado, Hee Chul. De verdade. — eu digo, me levantando da cama. Ele sorri amigavelmente.

— Disponha. — ele responde. Então sua expressão se torna séria. — Mas não se acostume.

Eu rio, e ele volta a sorrir.

— Não se preocupe quanto a isso. — digo. Ele me responde com um sorriso.

— Agora vá. Kyu Hyun já deve estar acordado. — Hee Chul diz. Eu sorrio e assinto, então me despeço e saio do quarto, direto para a enfermaria.

Entro no elevador e pressiono o botão três, que é a enfermaria. Ela ocupa um andar inteiro, como se acidentes fossem comuns por aqui, mas não são. Por outro lado, talvez lesões sejam, por causa das danças e tudo o mais.

Espero ansiosamente o elevador chegar ao terceiro andar e me apresso em sair daquela máquina velha. Sério, já é mais que hora de eles trocarem essa lesma de metal por algo mais moderno. Caminho com passos rápidos e firmes até a recepção, e, assim que me aproximo do balcão, pergunto por Cho Kyu Hyun. Me indicam o corredor a esquerda, dizendo que ele está no quarto 312, a sexta porta a direita.

Agradeço pela informação e me dirijo ao quarto de Kyu Hyun. Em pouco tempo estou encarando os números na porta. Estendo a mão e bato na porta três vezes. Escuto murmúrios e logo a porta é aberta pelo Sr. Minhoca, quero dizer, Ryeo Wook.

— Olá, Sung Min-hyung! — ele me cumprimenta com um sorriso. Eu respondo o cumprimento e retribuo o sorriso, e ele se apressa em dizer: — Entre! O maknae está acordado!

Eu assinto, pedindo licença, e entro no quarto. Ele fecha a porta atrás de mim e caminha comigo pelo pequeno corredor que é formado pela parede do banheiro do quarto. Sete passos e eu avisto meu Game Kyu.

— Minnie! — ele exclama, animado, assim que me vê. Fico envergonhado ao ouvir meu apelido carinhoso e agradeço por não enrubescer facilmente.

— Olá, Kyu Hyun — eu me forço a dizer seu nome todo, por causa da presença de Ryeo Wook e Ye Sung, que ainda está aqui, provavelmente só fazendo companhia para o calouro. — Como está se sentindo?

Estou agindo de uma maneira bastante diferente da que realmente quero. Se estivéssemos sozinhos, eu o encheria de carinhos e o mimaria bastante, dizendo o quanto fiquei preocupado. Mas, com os dois aqui, preciso agir como se fôssemos apenas amigos pouco próximos.

— O punho ainda está me incomodando um pouco, mas estou bem. — Kyu responde, sorrindo. Eu não posso evitar sorrir também.

— Que bom — digo. Reparo em Ye Sung se levantando da cadeira e viro a cabeça para vê-lo melhor. Ryeo Wook está ao seu lado e eles parecem prestes a deixar o quarto. Será que eles vão me deixar a sós com o Kyu Hyun? Eu vou ter essa sorte?

— Agora que você está aqui, — Ye Sung me diz, passando a mão na cintura de Ryeo Wook e caminhando em direção à porta. — Nós vamos dormir, está bem?

Eu balanço a cabeça, concordando.

— Boa-noite, Kyu Hyun — o calouro diz, sorrindo. — Nos vemos amanhã, OK? Descanse.

Kyu sorri e assente.

— Pode deixar, hyung. Vou descansar direitinho.

Ye Sung olha para Kyu Hyun por cima do ombro.

— Melhoras para você, calouro. Durma bem. — ele diz. Kyu parece ficar surpreso.

— Hã, obrigado. — ele responde.

— Qualquer coisa, pode me chamar, tá, hyung? — Ryeo Wook me diz. Eu assinto e agradeço. Ambos me desejam boa-noite, retribuo a saudação e nos despedimos. Em menos de um minuto estou sozinho no quarto com Kyu Hyun. E eu deixo minha máscara cair.

— Ah, Kyu! — eu corro para o seu lado. — Como você está? Precisa de alguma coisa? Está com fome? Com frio? Seus travesseiros estão confortáveis? Quer um pouco d’água?...

— Minnie! — Kyu Hyun me interrompe. Eu fico envergonhado por agir feito um paranoico. — Estou bem, não precisa se preocupar. — ele diz, com aquele seu sorriso que me tira o ar.

— Certo, desculpe. — digo, puxando a cadeira de Ye Sung e me sentando ao seu lado. — É só que... Você realmente me deu um susto! Fiquei tão preocupado...

Toco seu rosto delicadamente, traçando suas feições com o polegar. Ele ri e toca minha mão.

— Por que gosta tanto de fazer isso? — ele pergunta, risonho. Fico envergonhado novamente.

— Desculpe — digo. — É porque suas feições são bonitas.

Ele sorri encabulado e desvia os olhos. Vejo suas bochechas se tornarem rosadas.

— Então... Desculpe por ter te deixado preocupado. — ele muda de assunto. Típico de quando está embaraçado. Eu sorrio com a idéia de que foi o meu elogio que o deixou assim.

— Está tudo bem, agora que você está bem. — digo. Ele volta a me olhar nos olhos, sorrindo. E então eu toco num assunto que o deixa nervoso: — Mas, Kyu, o que você foi fazer lá encima? Eu ainda não consegui entender...

— O quê? — ele pergunta, com a voz mais aguda que o normal. Seus olhos ficam inquietos e ele começa a gaguejar. — E-Eu... Bem, eu... Hã... — Kyu parece lutar para encontrar as palavras certas. Suspeito que ele esteja tentando bolar uma desculpa. Mas, por fim, ele abre o jogo: — Aish, Sung Min... A verdade é que... Depois da nossa, hm, conversa...

Eu fico encabulado quando ele toca nesse assunto. Quero dizer, aquela conversa foi tão pervertida! E excitante, claro, não posso me esquecer de comentar. Ah, mas esse Game Kyu é tão provocante! Eu mal posso esperar até ele me pegar de jeito e me mostrar como a dor pode ser prazerosa...

Balanço a cabeça, tentando abafar meus pensamentos inapropriados. Pisco uma vez e volto a prestar atenção no que meu kingka diz.

—... Eu meio que perdi o sono, então... — Ele murmura algo em seguida, mas não consigo entender.

— O quê? — pergunto. Ele respira fundo antes de repetir:

— Eu fui observar você dormindo!

É uma revelação chocante. Então ele de fato esteve lá! Não foi um sonho meu... Mas, então, isso significa que... Quando eu chamei seu nome...

— Minnie! — Kyu me chama, preocupado. Eu não entendo o que está acontecendo até ele dizer: — Por que você está chorando?

Então eu finalmente me dou conta das lágrimas idiotas que molham meu rosto. E escuto minha voz distorcida pelo choro dizer:

— A culpa foi minha! A culpa de você ter caído foi toda minha! Se eu não tivesse chamado seu nome...

— Ah, pelo amor de Deus, Minnie! — ele diz. E então abre os braços de maneira convidativa. — Venha cá.

É o que eu faço. Kyu chega um pouco para o lado, me dando espaço suficiente para deitar ao seu lado, e eu apoio a cabeça em seu peito, envolvido pelo abraço aconchegante de Kyu Hyun.

— Eu sinto muito — continuo dizendo. — Kyu, me perdoe. Foi minha culpa...

— Shhh! — ele me repreende. — Pare com essa bobagem, Minnie! Fui eu quem não tomou cuidado suficiente. Eu sou um idiota desajeitado, simplesmente. A culpa foi minha.

Eu penso sobre isso. Acho que as palavras dele fazem sentido.

— Aliás, a estúpida idéia de subir até a sua cama no escuro foi inteiramente minha. — Kyu Hyun continua a tentar me convencer de que sou inocente. E, mesmo que eu não me considere totalmente livre da culpa, concordo com o que ele diz.

— Por que você inventou de ir me ver dormir, Kyu? Que idéia mais besta! — eu comento, enxugando as últimas lágrimas.

— Bem a minha cara, não é? — ele retruca, arrancando um riso meu. Mas depois responde à minha pergunta: — Eu só... Gosto de te ver dormindo. Sua expressão é tão suave e angelical... Eu me sinto tranquilo, em paz. Então consigo dormir, entende?

Fico envergonhado por causa dos elogios, mas suas palavras me levam a uma nova dúvida.

— Isso quer dizer que você já fez isso outras vezes? — pergunto.

— É... Bem, sim. — Kyu Hyun responde. — Já faz algumas semanas que você é meu remédio contra a insônia.

Eu sorrio.

— Seu bobo! — digo, dando um tapa em seu peito. Mas me arrependo imensamente quando escuto um gemido de dor. Me apoio no cotovelo, me levantando para olhar o rosto do meu kingka. — Ai, meu Deus! Eu te machuquei? — pergunto, voltando a ficar paranoico, me odiando por ter esquecido que seu corpo está, provavelmente, todo dolorido.

Mas, para minha surpresa total, a careta de dor se transforma num sorrisinho sacana.

— Parece que estou começando a conseguir atuar — ele diz, dando uma risada em seguida. Desgraçado! Quase me matou do coração!

— Idiota! — reclamo, não ousando bater nele outra vez, porque posso exagerar e acabar machucando-o de verdade. Eu apenas fico de cara emburrada, fazendo aegyo. Porque, bem, sou o Aegyo King.

Kyu Hyun solta um “Own” exagerado e aperta minha bochecha. E, assim que percebo que minha fofura o atingiu, desfaço a careta.

— Não brinque com essas coisas, Kyu — peço, sério. — Eu estou realmente preocupado contigo.

— Já disse que estou bem, Minnie — ele diz. — Mas tudo bem. Vou usar minhas habilidades teatrais para te enganar de outros jeitos.

Eu finjo estar indignado.

— Por que você precisa me enganar? — reclamo. Ele ri.

— Porque é legal te pregar peças. Já disse que, entre um milhão de coisas, é isso que os amigos fazem.

— Está certo — eu digo. — Mas saiba que vai ter troco, OK? Eu não vou deixar você escapar ileso das suas brincadeirinhas.

— Ah, é? E como você vai revidar? — ele soa desafiador. Por acaso ele esqueceu quem é o bom ator por aqui?

— Ora, como mais? Fazendo o mesmo, é lógico. — respondo. — E, você sabe: eu vou ganhar.

Ele sorri, provocante.

— Você é quem pensa. — ele diz. Então se aproxima devagar e sussurra em meu ouvido: — Eu posso ser melhor do que imagina.

Eu estremeço. Ele deveria escolher melhor suas palavras. Essa frase realmente me dá idéias impróprias.

— Ah, é? — eu provoco. — Pois saiba que eu também posso ser muito melhor do que você pensa.

Seus olhos brilham esperançosos.

— Isso inclui ser bonzinho? — ele pergunta, soando inocente como uma criança. E isso traz de volta minha paranoia.

— Por quê? Está precisando de alguma coisa? Se estiver, pode pedir. O que é? Vamos, diga.

Fico agitado com a idéia de ele querer que eu faça algo, e vou me levantando da cama. Mas ele me segura pela cintura e não me deixa ficar de pé.

— Eu quero que você durma comigo.

— O quê? — eu pergunto, incrédulo. Kyu acaba de me pedir para dormir com ele?

— Durma aqui, do meu lado. — ele pede, com os olhos suplicantes de um cachorrinho. — Por favor.

Eu simplesmente não consigo resistir a Kyu Hyun.

— Sem problema, eu vou passar a noite aqui. — digo. Ele sorri, feliz. — Mas não vou dormir na sua cama.

Seu sorriso se desfaz.

— Por quê?

— Porque não vou ocupar seu lugar. Você precisa descansar direito. Precisa dormir bem. E com certeza não vai ser nada confortável dormir comigo do seu lado...

— Está brincando? — ele me interrompe, sorrindo novamente. — Eu te quero do meu lado, para dormir abraçadinho com você, ursinho Minnie.

As palavras dele enchem meu peito de alegria. Para mim está tão claro que amamos um ao outro! Por que ele não diz logo?

— Por favor. Se você quer me ver realmente feliz...

— Está bem, está bem — eu digo, sorrindo ao ver o sorriso bonito alegrar seu rosto outra vez. — Eu é que não vou fazer questão de dormir numa cadeira desconfortável.

Rimos juntos do meu comentário. Então eu me movimento para levantar da cama.

— Ei, onde você vai? — Kyu Hyun pergunta, segurando-me pela mão. Eu lhe dirijo um sorriso divertido.

— Se vamos dormir, alguém precisa apagar as luzes, não é?

Por incrível que pareça, eu não ponho malícia na parte do “se vamos dormir”. Eu sinceramente só quero dormir abraçado com meu kingka, bem ao estilo dos casais dos filmes de romance.

— Ah, certo. — ele responde, soltando minha mão. Vou até o interruptor e apago as luzes do quarto. A luz que vem da janela é fraca, mas me permite ver a silhueta de Kyu Hyun deitado na cama.

Faço o caminho de volta e me aconchego novamente ao lado de Kyu Hyun, usando seu braço como travesseiro.

— Obrigado por dormir comigo — ele sussurra para mim. Não entendo por que ele usa o tom baixo, mas também respondo aos sussurros:

— Não há de quê, Game Kyu.

Dizer seu apelido, o mesmo que eu usava anos atrás, me faz lembrar a descoberta de mais cedo. O Kyu é meu amigo de infância. Eu sou seu amigo de infância. Será que ele já sabe? Eu deveria contar? Mas... Eu não quero tocar nesse assunto. Kyu chorou tanto! Eu não quero vê-lo chorar de novo. Quando ele estiver pronto para me contar do seu passado, e decidir tocar no assunto por conta própria, eu revelo que aquele garotinho era eu. Aliás... Como será que ele vai reagir?

Ao meu lado, Kyu se remexe, fazendo com que eu também me ajeite, e, antes que eu perceba, estamos de conchinha. Isso faz meu coração bater forte no peito e eu sinto minhas bochechas esquentarem.

— Sabe de uma coisa, Minnie? — ele pergunta, ainda sussurrando, enquanto cola ainda mais nossos corpos, puxando meu quadril para si e movendo o próprio para frente, de encontro à minha bunda. Eu me forço a ter pensamentos assexuais, mas isso é erótico demais! Minha vontade é dizer: “Ei, Kyu, que tal fazermos esse movimento de novo, só que sem roupas e com mais força?”.

Mas ao invés disso, resolvo incentivá-lo a concluir o pensamento – não é lá uma idéia muito boa.

— Hm? — Soa como um gemido. E, porra, eu não consego evitar mexer o quadril para trás.

Percebo que ele impede um gemido. Ah, isso pode ficar tão interessante...

— É muito bom ficar abraçado com você — as palavras dele, tão puras e livres de malícia, desfazem minha excitação. Eu me sinto envergonhado por pensar coisas tão pervertidas.

— Eu também acho ótimo ficar com você, Kyunnie — respondo, aproveitando a ingenuidade do momento. Mal percebo que usei esse apelido, mas ele estranha:

— Kyunnie?

— É, um novo apelido. — eu respondo. Me pergunto por que estamos sussurrando, mas acho que não vale a pena perguntar. Falar baixinho assim é bom. Me dá a sensação de intimidade. — Exclusivamente meu! Ai daquele ruivo dos infernos se ousar roubá-lo de mim.

Kyu ri baixinho.

— Não se preocupe, Minnie. — ele me diz, roçando o nariz em meu pescoço. — Eu serei apenas o seu Kyunnie. Está bem?

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Um sorriso bobo e apaixonado toma conta de meus lábios.

— Meu e só meu?

— Seu e unicamente seu.

Eu me sinto absurdamente alegre quando escuto essas palavras. Não pode ser outra coisa; ele me ama e tem dificuldades de admitir.

— E eu também serei somente seu, e de mais ninguém. — digo, aos sussurros, entrelaçando os dedos com os de sua mão em minha barriga. — O seu Minnie... Para sempre.

Ponho mais amor nessas palavras do que eu deveria, mas não me importo. Principalmente porque Kyu beija minha maçã do rosto e diz:

— Isso é realmente bom de ouvir. — E, depois de uma pausa, completa: — Eu também serei o seu Kyunnie, para sempre.

Meu sorriso quer crescer, mas não consegue.

— Eu gosto muito dessa idéia. — digo, tentando disfarçar toda a minha animação. Eu poderia explodir de felicidade, agora mesmo!

— Que bom — ele responde, e beija meu rosto novamente. — Boa-noite, Minnie. — Kyu sussurra contra minha pele. Fico chateado por não poder beijar seu rosto também, mas me contento em beijar sua mão, sem desentrelaçar nossos dedos.

— Boa-noite, Kyunnie.

E em pouco tempo adormeço, envolvido pelo abraço de meu kingka.

Notas finais
Bem, então é isso pessoal. Espero ver reviews de todos os meus amores por aqui e quero me desculpar novamente pela demora. >_< Só avisando que ainda vou terminar de responder os reviews do último capítulo. Mais uma coisa que ficou difícil de fazer.
Vamos tentar não demorar com o próximo.
P.S: Gostaram da nova capa? Fui eu que fiz. 'se achando por completo'
Kisses & Butterflies
Shamex Angel.