New Life. New Love.
13 Novo Amigo.
Notas iniciais
Eu sei, eu sei... A gente tá super atrasada, mas cara, crise de inspiração, sabe? É muito difícil. A gente acha que nunca tá bom o suficiente, sempre quer fazer melhor e deixar mais lindo para as nossas leitoras. Tanto que esse capítulo ficou com nada mais nada menos do que 20 páginas no word. '-'
Mas mesmo assim, isso não justifica a demora e a gente pede sinceras desculpas. Não foi nossa intenção demorar tanto.
Esperamos que não tenhamos perdido leitoras e que vocês não desistam de 2NL, porque daqui para frente só fica melhor.
Aproveitem o capítulo e boa leitura. n_n
POV Sung Min:
Acordo me sentindo exausto. E muito dolorido. Mas tudo valeu a pena. Minha primeira noite de amor com Kyu Hyun foi simplesmente maravilhosa.
Me remexo na cama, sentindo todo o meu corpo reclamar, mas meus lábios se esticam num sorriso. Essa dor é a maior prova de que foi tudo real, e não apenas outro sonho estúpido meu. Finalmente, nós dois estamos juntos.
Observo Kyu Hyun dormir, deitado ao meu lado, e não posso evitar ficar novamente fascinado com sua beleza, que fica ainda mais realçada quando ele está adormecido. Aperto as mãos, reprimindo a vontade de contornar suas feições mais uma vez. Afinal, eu não quero acordá-lo e...
— Bom-dia, Minnie — Me assusto com a voz de Kyu Hyun, porque não esperava que ele estivesse acordado. Ele percebe, graças ao meu movimento reflexo que mexe o colchão de molas. Kyu Hyun então abre os olhos, e um sorriso brinca em seus lábios quando diz: — Desculpe pelo susto.
Queria ficar sério, fingir que estou zangado, mas solto uma risada e, sorrindo, pergunto:
— Por acaso o senhor fez isso de propósito, Kyu Hyun?
Ele dá de ombros, mas seu sorriso cresce.
— Eu esperava que você fosse se assustar. — Kyu responde simples, mas seus olhos possuem um brilho maroto.
— Filho da mãe! — replico, acertando-lhe com um tapa; mas não deixo de sorrir.
— E do pai, também. — ele retruca, irônico, arrancando um riso meu; e, por dois segundos, apenas sorrimos um para o outro. Então eu pergunto:
— Há quanto tempo você está acordado?
— Desde que você se agitou na cama.
Eu me sinto culpado e meu sorriso desaparece.
— Eu te acordei?
Ele assente e diz:
— Você não é exatamente sutil, meu amor.
— Merda. Desculpe. — digo, me sentindo um pouco mal. Não é como se fosse o fim do mundo, mas ninguém gosta de ser acordado. E eu não gosto nem um pouco de ter atrapalhado o sono do meu kingka.
Mas Kyu me dirige um sorriso bonito e eu instantaneamente me sinto melhor.
— Tudo bem, Minnie. É bom que assim eu passo mais tempo com você...
— Sung Min — ouço alguém sussurrar meu nome ao mesmo tempo em que sinto um toque frio em minha pele. Eu suspiro internamente, frustrado; era só outro maldito sonho. Será que meus desejos nunca se tornarão realidade?
— Sung Min... Acorde. — a pessoa me chama novamente, agora apertando meu braço de leve. Essa voz me parece familiar... Mas quem é?
Abro os olhos preguiçosamente, e, aos poucos, começo a visualizar uma figura conhecida, parada ao meu lado.
— Ki Bum? — murmuro, confuso. O que ele está fazendo aqui?
— Bom-dia — ele me diz, sorrindo minimamente.
— Bom-dia... — eu respondo, perdido. Por que Ki Bum está no meu quarto, ao lado da minha cama, me acordando como se eu fosse uma criança pequena e ainda segurando uma muda de roupas que parecem minhas?
— Eu sei que você provavelmente estava esperando por Ye Sung, mas eu o encontrei no corredor e ele me pediu para vir à Enfermaria te chamar, enquanto ele adiantava uma pesquisa na Biblioteca. — Ki Bum se explica. Eu faço uma careta confusa; o que ele quer dizer com “Enfermaria”?
Faço um movimento para levantar da cama, mas não consigo: algo me prende pela cintura. Olho para baixo e vejo um braço me envolvendo. Assustado, olho para trás e vejo meu kingka, dormindo tranquilamente. Então eu acabo me lembrando de tudo o que aconteceu essa madrugada: Kyu Hyun rolou as escadas e perdeu a consciência; Ye Sung o levou para a Enfermaria; eu chorei para cacete; Hee Chul bateu à minha porta, trazendo notícias do Kyu – que só acabou com o punho fraturado –, e acabou ficando para me ajudar com a maquiagem; e então, por fim, eu fui à Enfermaria, vi meu kingka e acabei dormindo com ele. O que quer dizer que eu passei a noite na Enfermaria, e que estou na Enfermaria agora.
Agora eu entendo do que Ki Bum estava falando.
— Min-ah, eu não quero te apressar, mas temos pouco menos de vinte minutos — Ki Bum sussurra, interrompendo minha divagação. Acho que fiquei hipnotizado pela beleza de Kyu Hyun. É curioso como ela realmente é ressaltada enquanto ele dorme... Bem, pelo menos, meu sonho não estava errado.
Eu assinto em resposta a Ki Bum, murmurando “É claro” duas vezes. Então seguro delicadamente o punho de Kyu Hyun e começo a conduzir seu braço para fora de minha cintura. Mas ele percebe meu movimento e se opõe, desvencilhando-se da minha mão e abraçando firmemente minha cintura.
— Minnie... Não. — ele balbucia, sonolento. Não posso evitar que um sorriso bobo tome conta da minha expressão; ele não quer que eu me levante! Quão fofo é isso?
Eu reprimo um suspiro. É mesmo uma pena que eu tenha de ir embora. E pior: preciso acordá-lo, porque parece que ele não vai me deixar ir de outro jeito – e isso está me deixando surtado de felicidade. Tipo, inconscientemente, ele está me pedindo para ficar e não deixá-lo.
Tudo bem que ele não disse nada disso, mas quem se importa?
— Kyunnie — eu chamo docemente, acariciando as costas de sua mão. — Acorde... — mordo a língua antes de falar “meu amor”. Não posso cometer um deslize desses, principalmente na presença de Ki Bum. — Acorde. — repito.
Ele geme manhoso, o que significa que acordou. Meu sorriso se alarga e eu digo:
— Bom-dia, Kyunnie.
Kyu Hyun geme mais um pouco, afagando minha bochecha com o nariz, e responde:
— Bom-dia, Minnie.
Sua voz enlouquecedoramente rouca ao pé do meu ouvido me deixa arrepiado. E, quando ele começa a beijar meu maxilar, a caminho do meu pescoço, temo que meu cérebro derreta.
Tenho plena consciência de que devo afastá-lo, porque Ki Bum está assistindo, mas é impossível. Kyu Hyun tem um poder muito grande sobre mim. Eu não consigo fazer qualquer coisa além de me entregar completamente e deixar que ele faça o que quiser comigo.
Mas a cena é interrompida, mesmo que eu não faça nada. Porque alguém faz por mim. E esse alguém só poderia ser Ki Bum, que pigarreia alto propositalmente, forçando Kyu Hyun a reparar em sua presença e parar o que está fazendo.
E, ao ver que quem está aqui é ele, Kyu Hyun trava o maxilar e todos os seus músculos enrijecem. É como se ele ficasse automaticamente tenso com a figura de Ki Bum.
— O que esse cara está fazendo aqui? — ele rosna por entredentes, infantilmente se recusando a falar diretamente com o outro.
No entanto, Ki Bum faz questão de responder a pergunta.
—Sung Min-ah precisa estudar. Eu vim chamá-lo — ele diz, friamente. Vejo uma sombra de desprezo em seu olhar quando ele complementa: — Mas isso não seria necessário se ele tivesse dormido em sua própria cama.
Sua voz tem um tom acusador e o olhar que ele dirige a Kyu Hyun não é nem um pouco amigável. Eu me sinto mal por ele ser tão rude com meu kingka. Afinal, eu não quero ser grosseiro, mas quem ele pensa que é para destratar um amigo meu? Nós mal nos falamos!
— A escolha foi minha, Ki Bum — eu me acho na obrigação de falar algo.
Minha frase interrompe o contato visual agressivo entre os dois, e os olhos frios de Ki Bum se conectam com os meus. Tento transmitir a ele uma mensagem visual, pedindo para que não seja tão duro com Kyu Hyun. Ele não parece entender.
— Nós temos que ir, Min-ah — ele diz, trocando de assunto. — A enfermeira me disse que o Cho só receberá alta pela tarde.
A frieza de Ki Bum torna o ar pesado. Nenhum de nós ousa dizer nada. O abraço de Kyu Hyun sobre mim afrouxa aos poucos, e eu me levanto assim que posso, lamentando internamente. Eu me pergunto por que Ki Bum age dessa maneira, como se fosse meu cão de guarda, se nós temos tão pouca intimidade. De onde saiu esse estranho instinto de proteção que ele tem por mim?
— Aqui estão suas roupas, Min-ah. — Ki Bum me diz, estendendo a muda de roupas que tem em mãos. — Pode se trocar no banheiro do quarto... — ele começa, com um tom ligeiramente alegre; mas então ele endurece de novo. — Isto é, se o Cho não se importar.
O olhar gélido de Ki Bum cai sobre Kyu Hyun outra vez. E o meu também. Mesmo que eu saiba que Kyu e eu somos amigos, Ki Bum está certo: preciso da permissão dele para usar o banheiro. Kyu retruca Ki Bum com um olhar raivoso.
— É claro que eu não me importo — ele rosna. Esse clima está realmente me deixando constrangido. Os dois ficam trocando olhares mortais, e a atmosfera fica simplesmente terrível! Por que eles têm de se odiar tanto?
— Então, com licença. — eu peço, sem conseguir esconder minha chateação, e me retiro. Fecho a porta atrás de mim, me controlando ao máximo para não usar força demais. Estou irritado. Eu não deveria, mas estou. A vontade que tenho é de mandar os dois crescerem e pararem de ser infantis! Que merda! Eu não quero os dois trocando faíscas por minha causa. Eles não podem se aturar, pelo menos?!
Acabo de me vestir e fazer a higiene matinal em poucos minutos, mas não tenho vontade de sair do banheiro. Não quero voltar para a maldita tensão que me espera do lado de fora... Mas eu preciso ir para a aula, então respiro fundo e abro a porta.
Para minha felicidade, os dois não estão se matando na minha ausência. Eles nem ao menos mantém contato visual um com o outro. E eu chamo a atenção de ambos ao sair do banheiro. Não consigo ler a expressão de Kyu, mas Ki Bum me olha com um brilho alegre nos olhos. Eu não posso deixar de compará-lo a um cachorrinho abanando o rabo contente.
— Você está ótimo, Min-ah — Ki Bum diz, com um sorriso no olhar. Eu estranho o que ele diz; será que ouvi direito?
— O quê?
Minha reação parece deixá-lo envergonhado e ele desvia os olhos para o chão.
— Sua mochila. — ele diz, me estendendo o item mencionado. Fico impressionado por Ye Sung ter se lembrado de tantas coisas. Até a minha mochila! Talvez ele não seja uma tartaruga tão lesada, afinal. Preciso me lembrar de agradecê-lo mais tarde.
— Obrigado. — digo, pegando minha mochila e colocando uma das alças sobre o ombro. Ele sorri discretamente e assente, dizendo:
— Então, vamos?
— Claro — respondo, sorrindo gentilmente; e me amaldiçoo logo em seguida. Ki Bum está maltratando meu kingka! Eu deveria estar sendo um pouco ríspido com ele. Merda. — Eu só preciso de um minuto para me despedir do Kyu.
Ele franze o nariz frente à minha frase final. Mas não me incomodo de ele ficar chateado. Se ele quer ser meu melhor amigo, como um cão de guarda, terá de aprender a respeitar minha relação com o Kyu. E eu deixarei isso bem claro assim que sairmos daqui!
Mas eu simplesmente não consigo ser rude. Não com Ki Bum sendo tão doce comigo.
Ao passar por ele, não resisto a tocar sua mão e afagá-la por alguns segundos, só para deixar claro que o afeto que ele tem por mim é bem acolhido. Eu não conseguiria deixá-lo pensar que eu desprezo seu carinho. Seria cruel demais.
Os dedos frios de Ki Bum apertam afetuosamente minha mão, e eu entendo o gesto como se ele me dissesse “Está tudo bem, vá se despedir”. E é o que eu faço. Me aproximo novamente da cama onde Kyu Hyun permanece deitado. Sei que ele está irritado só pelo modo como sua respiração está pesada.
Toco seu braço cautelosamente, mas ele se recusa a me olhar. Uma indignação borbulha no fundo do meu ser; o que diabos eu fiz para ele estar irritado comigo?! Mas eu me controlo e encho minha voz de ternura ao chamar seu nome:
— Kyunnie — Sua expressão enfezada parece vacilar, e eu apelo um pouquinho, deslizando os dedos por sua pele, tentando lhe causar cócegas. Não satisfeito, transbordo de aegyo quando digo: — Olhe para mim, Kyunnie!
Ele não resiste e me olha, mas continua contrariado, como se eu tivesse feito algo errado. Luto novamente para controlar minha indignação e não explodir para cima do Kyu. Ao invés disso, faço uma promessa a mim mesmo de que farei meu kingka sorrir para mim, mesmo que um sorrisinho mínimo, antes de ir embora.
— Não vai me desejar uma boa aula? — pergunto, sem abandonar o aegyo.
— Boa aula, Sung Min. — ele responde, seco. Isso me deixa um pouco triste; por que ele está me chamando de Sung Min? O certo seria “Minnie”!
— Se cuide, certo? — digo, deixando o aegyo de lado, porque não estou chegando a lugar algum, e o tom amargo dele me deixou completamente desanimado. Se ele não quer sorrir para mim, que se foda! Eu não estou nem aí. Ele já deveria saber que eu não fico por baixo nunca.
— Pode deixar. — ele responde, baixando os olhos para o braço engessado. Agora é o momento onde eu deveria virar as costas e ir embora, mas eu não posso. Eu não aguentaria ficar assim com o meu Kyunnie.
Toco seus ombros delicadamente e aproximo meu corpo do dele, pedindo um abraço. E meu interior se enche de alívio quando sinto os braços de Kyu Hyun envolvendo minha cintura. Se ele recusasse meu abraço, ele poderia ter certeza de que eu não falaria uma palavra com ele pelo resto do dia.
— Minnie... Fique longe desse cara, por favor. — ouço o sussurro de Kyu Hyun. Não consigo reprimir um sorriso ao ouvir meu apelido, mas não gosto do que ele me pede, mesmo que isso possa representar ciúmes. Embora eu não gostasse de Hee Chul, nunca pedi a ele que se afastasse do ruivo.
— Por quê? — pergunto, baixo o suficiente para que Ki Bum não escute.
— Eu não gosto dele, como você não gosta do Chul.
Depois da conversa que tive com o ruivo essa madrugada, eu proibi a mim mesmo de ser afetado pelo nome de Hee Chul. Eu sei que não há motivos para ter ciúmes, se tudo o que ele quer é o Han Kyung de volta. Mas não consigo evitar retrair os músculos ao ouvir seu apelido. É mais forte do que eu. Porque, mesmo que não haja nada a mais entre eles, eu ainda acho que Kyu Hyun usa muito mais ternura ao pronunciar seu nome do que seria necessário.
— Você se afastaria do seu gêmeo siamês por minha causa? — rebato a questão. Três segundos se passam antes de eu ouvir sua resposta:
— É diferente...
E isso em nada se parece com o que eu queria escutar. É claro que eu não esperava que ele dissesse “Eu faria qualquer coisa por você”, porque sei que a relação dele com o ruivo é importante para o Kyu, mas ele poderia dizer um simples “Talvez”, “Depende”, qualquer merda parecida! Mas “É diferente”? Como assim “É diferente”?! Ele pode ter o amiguinho cara-metade e fazer com ele o que bem quiser, mesmo sabendo que isso não me agrada, e eu não posso nem sequer dar uma chance para o Ki Bum, que me trata tão bem, porque “ele não gosta dele”?! Que ridículo!
— Ah, é? — eu retruco, sentindo algo ferver dentro de mim. Ele conseguiu estragar tudo! — Pois saiba que eu acho Ki Bum uma pessoa adorável, e não vou deixar de me tornar seu amigo porque você não gosta da idéia!
Minha voz soa irritada, e eu me descontrolo um pouco, aumentando o tom. Mas não tem importância, porque a nossa conversa está encerrada!
Me afasto de Kyu Hyun rapidamente, consumido pela indignação. Como ele ousa me pedir algo que ele mesmo não faria se a situação fosse ao contrário?!
— Descanse. — digo, seco, já lhe dando as costas.
— Tanto faz — ele retruca. Não quero que briguemos, mas Kyu Hyun não me dá escolha. A atitude dele foi grotesca, e eu vou tratá-lo friamente até que ele me peça desculpas! E foda-se se eu estou exagerando!
— Vamos, Ki Bum? — pergunto, estendendo-lhe a mão. Ele impulsiona o corpo para frente, se afastando da parede onde estava encostado, e logo segura minha mão.
— É claro — ele responde, com um sorriso nos olhos; e, enquanto entrelaça nossos dedos, olha de soslaio para a cama de Kyu Hyun e diz: — Melhore logo, Cho.
Eu o olho por cima do ombro e vejo seus olhos explodindo de raiva antes de ele rosnar:
— Vá à mer...
— Até o almoço, Kyu. — eu o interrompo. Não quero que ele diga truculências para Ki Bum, nem que os dois arrumem briga um com o outro. Mas por que eu usei um apelido? Eu deveria tratá-lo com indiferença, merda!
Arrasto Ki Bum para fora do quarto antes que Kyu possa dizer qualquer coisa, e seguimos de mãos dadas para o elevador. Eu quero pedir a ele que trate Kyu Hyun melhor, ainda que eu continue um pouco chateado com meu kingka, mas não sei como tocar no assunto. Na verdade, me sinto um pouco envergonhado, porque é a primeira vez que estamos a sós e não faço idéia de como agir.
Começo a contar nossos passos, procurando coragem para dizer algo. Um, dois, três, quatro...
— Por que você está sempre com ele? — Me surpreendo quando Ki Bum quebra o silêncio entre nós. Mas sinceramente não entendo bem o que ele diz, porque estava realmente concentrado na contagem, então pergunto:
— Hã?
Ele toma fôlego antes de repetir o que disse.
— Por que você está sempre com o Cho? — Ki Bum pergunta, praticamente cuspindo o sobrenome do Kyu. A pergunta me espanta e não posso deixar de ficar nervoso.
— Kyu Hyun é meu colega de quarto. — digo, e isso não soa nada parecido com uma resposta. Ki Bum arqueia uma sobrancelha para mim, duvidando do que falo, e eu me apresso em continuar: — Nós somos amigos! É por isso que ficamos bastante tempo juntos e...
— Min-ah — ele me interrompe usando um tom gentil. — Eu sei que você gosta dele.
Eu engasgo.
— O quê? — pergunto, com a voz esganiçada. Ele aperta o botão do elevador e encara o teto.
— Sei que você é apaixonado pelo... Cho. — ele franze o rosto ao se referir a Kyu Hyun. Um pequeno pânico me invade ao pensar que todos já podem ter percebido que o que sinto pelo Kyu é bem mais forte que amizade.
Abro a boca para gaguejar alguma pergunta, mas o apito do elevador soa, avisando que ele chegou ao nosso piso, e eu volto minha atenção à máquina de metal. Entramos juntos, ele pressiona o botão T e as portas se fecham. Eu estou estupefato.
— Como você...?
— Está claro nos seus olhos, Min-ah. — Ki Bum reponde à pergunta que eu nem sequer completei. Eu o encaro, boquiaberto, e ele arqueia as sobrancelhas, fazendo uma expressão de incredulidade, enquanto diz: — Não sei como os outros ainda não perceberam.
Eu me sinto enormemente aliviado. Pelo menos, só ele sabe.
— Você provavelmente está estranhando o fato de eu ter tocado nesse assunto, mas uma dúvida está me atormentando há dias.
— Qual? — pergunto, curioso e confuso ao mesmo tempo. Ki Bum me olha fixamente durante alguns segundos antes de responder:
— O que você vê nele?
Seus olhos me fitam intensamente, como se buscassem a resposta dentro dos meus. Isso me deixa constrangido e eu desvio os olhos para o chão.
— Ele é... Eu não sei... Charmoso? — encolho os ombros, levantando os olhos para estudar a expressão de Ki Bum.
Mas ele não possui expressão alguma. É impossível saber o que ele está pensando.
O apito soa novamente, avisando que chegamos ao térreo, e Ki Bum sai rapidamente. A atitude dele me deixa um tanto quanto perdido; e corro atrás dele, determinado a descobrir o porquê de tudo isso. Dou cinco passos longos e consigo agarrar seu punho.
— Ya — chamo, recebendo novamente sua atenção. Ki Bum se vira para mim e eu solto seu braço assim que percebo que consegui pará-lo, mas acho que eu o soltaria de qualquer jeito por causa de seu olhar penetrante. Ele me deixa constrangido e esqueço o que queria dizer.
— O que foi? — Ki Bum pergunta, com um tom estranho. Parece que ele está realmente aborrecido com algo e o único motivo que eu vejo é o que disse sobre o Kyu, mas não entendo porque isso o afetaria desse jeito. Até parece que ele está com... Ciúmes?! A-cha! É possível que Ki Bum esteja gostando de mim?
— Min-ah, qual é o problema? — ele insiste quando não respondo. Eu pisco algumas vezes, recuperando o foco, e tomo fôlego para responder, mas Ki Bum se pronuncia antes: — Sabe, nós estamos atrasados, então é melhor irmos andando. — E volta a caminhar.
Seguro sua mão, impedindo-o outra vez, e novamente seu olhar intenso cai sobre mim. Mas não deixo que ele me afete de novo.
— O que há com você? — pergunto. Ele franze levemente as sobrancelhas, sem entender ao quê me refiro, então refaço a pergunta: — Por que está agindo desse jeito?
Ki Bum desvia os olhos para algum ponto atrás de mim e depois encara o chão.
— Desculpe — ele murmura. Eu me aproximo um passo, ainda segurando sua mão, e procuro por seus olhos; mas Ki Bum não quer me encarar. Ele vira o rosto e diz: — Eu só... Não entendo por que você insiste em gostar daquele babaca, mesmo com tudo o que ele faz!
Suas palavras ganham uma entonação revoltosa, mostrando certa indignação da parte dele. Por que ele se incomoda tanto? E, além do mais, o que Kyu Hyun faz de tão mal comigo?
— Do que você está falando? — pergunto. Ele mexe os braços, contrariado, e responde:
— Desde sempre é óbvio que você é afim dele, e o idiota não repara! Além de fazer questão de se agarrar ao Hee Chul-sshi na sua frente. O maldito Cho age como um perfeito escroto, e, ainda assim, você continua gostando dele! Por quê?
— Por que você se importa? — eu rebato, impulsivamente. Ki Bum acabou elevando o tom de voz, por estar nervoso, e eu acabo falando um pouco mais alto também.
Ele encolhe os ombros, voltando a olhar o chão. Eu amaldiçoo a mim mesmo por dizer tamanha besteira; a minha intenção não era ser rude, mas tenho certeza de que foi a impressão que passei.
— Eu gosto muito de você — Ki Bum responde, num sussurro. Eu fico pasmo; ele realmente gosta de mim? Tipo, como eu gosto do Kyu? — Tenho um carinho muito grande por você. Não sei exatamente como surgiu esse sentimento, mas é tão forte...
Ki Bum faz uma pausa e eu me dou conta de que estou quase chorando. Merda, acho que estou sentimental demais... Mas, droga, o tom dele é tão emotivo! Ki Bum está abrindo o coração para mim e... Ah, foda-se! Eu sou hipersensível, mesmo. E daí?
— Eu quero cuidar de você, entende? Te proteger de todas as dores; não deixar nada nem ninguém te fazer mal.
A primeira lágrima escapa. Ele está me dizendo coisas tão lindas! E é algo tão inesperado! De todas as pessoas do grupo, Ki Bum é a última que eu esperaria algo desse tipo.
Ele ergue a cabeça, voltando a olhar para mim, que estou chorando como uma garotinha estúpida. Então Ki Bum segura meu rosto entre as mãos e enxuga minhas lágrimas com os polegares.
— Eu quero ser como um irmão para você, Min-ah. — ele conclui. Eu reprimo um soluço e o esmago em um abraço para lá de sentimental.
— Isso é... A coisa mais linda... Que alguém já me... Disse. — eu digo, tentando manter a voz estável. Seus braços me envolvem delicadamente, e ficamos apenas nos abraçando por um bom tempo. Eu me sinto bem no abraço de Ki Bum. É acolhedor.
Quando nos afastamos, trocamos sorrisos e eu digo:
— Eu quero ser seu irmão, também, Ki Bum. — E seus olhos parecem brilhar de tão alegres.
Ele me puxa para outro abraço e responde:
— Isso é maravilhoso, Min-ah. — Ki Bum se afasta para me olhar nos olhos e, segurando-me gentilmente pelos ombros, diz: — Eu prometo que estarei sempre ao seu lado, para te amparar e proteger.
Eu abro meu maior sorriso e assinto em um gesto de agradecimento. Tento parar de chorar, mas não consigo.
— E eu vou estar ao seu, te ajudando e apoiando, sempre. — eu digo. Ele sorri o mais largo sorriso que já vi em seu rosto e assente alegremente, como eu fiz há pouco. Não existem palavras para esse momento, então nós simplesmente nos abraçamos mais uma vez.
— Merda! — Ki Bum exclama depois de alguns instantes. Ele se afasta e, mostrando seu relógio de pulso, explica: — São 6:30!
Eu entendo exatamente o motivo de seu quase desespero.
— O ensaio! — digo. Nos encontramos todos as manhãs 6:20 para ensaiar a música. Lee Teuk deve estar uma fera!
— Vamos! — ele diz, pegando minha mão. Saímos correndo em direção ao refeitório, porque, a essa altura, com certeza os outros já estão comendo. Eu me lembro de que ainda tenho algo para falar com ele, então, sem parar de me movimentar, pergunto:
— Ki Bum, posso te pedir um favor?
Ele me olha com um sorriso nos olhos.
— Claro — ele responde.
— Você pode ser um pouquinho mais amigável com o Kyunnie?
Automaticamente, ele pára de correr.
— O quê?
Eu encolho os ombros.
— Mesmo que você o considere um idiota, ele ainda é meu amigo. Eu iria ficar muito feliz se você pudesse se dar melhor com ele.
Ki Bum faz uma careta.
— Eu posso tentar não ser tão rude. — ele diz, enfatizando o “tão” e me arrancando um sorriso. — Mas eu nunca serei amigável com o Cho.
Eu rio.
— Não ser tão rude já está bom. — respondo. Sorrimos um para o outro por um segundo e ele diz:
— Então, vamos.
Ki Bum segura minha mão novamente e corremos sem parar até chegar ao refeitório. Durante o percurso, não posso deixar de pensar na estranheza da nossa relação. Quero dizer, a primeira conversa considerável entre nós dois foi no Domingo, quando Ki Bum foi atrás de Kyu Hyun e eu. No dia em que aconteceu o maldito beijo entre meu kingka e o ruivo. Mas, por outro lado, foi no mesmo dia em que Kyu e eu atingimos nosso ápice de pegação. Sinto minha calça apertando só de lembrar! Foram tantas provocações, tantos gemidos, tanto fogo! Merda, ele lambeu meu mamilo! Aquilo foi tão bom...!
Mas eu fiquei realmente preocupado quando Kyu parou de repente. O que será que aconteceu? Alguma crise de consciência?
Atravessamos as portas do refeitório e logo avistamos nossa mesa; é meio difícil não notar uma mesa com nove pessoas... Não, espere. Onde está Hee Chul? Não estou vendo seu cabelo vermelho chamativo.
— Olá, Sung Min — Me assusto com a pessoa atrás de mim. Ninguém mais, ninguém menos que Kim Hee Chul. O que diabos ele está fazendo aqui? — Olá, Ki Bum.
— Hee Chul-sshi — Ki Bum faz uma reverência, enquanto eu pergunto:
— Por que não está com os outros?
Ele franze o rosto.
— Acho que você deveria me cumprimentar primeiro. — o ruivo diz.
— Bom-dia, Hee Chul-sshi. — digo, obrigatoriamente. Ele assente, satisfeito.
— Bom-dia, Sung Min. — ele responde. — E, em resposta à sua pergunta, eu estou vindo da Enfermaria.
— Enfermaria? — eu repito. O que ele foi fazer lá? Quero dizer, provavelmente ele foi ver o Kyu, mas isso não seria motivo para ele deixar de ensaiar, seria?
Hee Chul passa por mim, pegando uma bandeja para começar a escolher seu café da manhã enquanto diz:
— É. Fui visitar meu pequeno Kyu, ensaiei com ele.
Hm, desculpa interessante, eu penso. Até parece que o Kyu não poderia ficar sem ensaiar um mísero dia.
— E aproveitei para levar seu notebook, para ele se distrair um pouco durante a manhã. — o ruivo completa. Eu e Ki Bum pegamos nossas bandejas e seguimos Hee Chul.
— Meu pequeno Kyu não gostou muito da visita que recebeu. — Hee Chul comenta, olhando rapidamente para Ki Bum, que dá de ombros, dizendo:
— Pouco me importa.
— Ele está... Chateado? — pergunto, interessado. Não quero que meu kingka fique aborrecido comigo.
— Um pouco, sim. Mas passará logo.
Tento me prender à segunda parte, e me esforço para não ficar grilado com isso e me concentrar no meu café-da-manhã.
Pegamos nossa comida e caminhamos rapidamente até a mesa do nosso grupo.
— Até que enfim, Fofura! — Ye Sung me saúda, usando novamente esse apelido desprezível. Eu o fuzilo com os olhos, mas logo abro um sorriso.
— Bom-dia, Tartaruga Lesada — retruco. Ele acha graça e sorri.
— Por que não apareceram no ensaio de hoje? — Lee Teuk pergunta.
— Desculpe — eu e Ki Bum dizemos em uníssono. Mas eu continuo sozinho: — Aconteceu um imprevisto, apenas. Não vai se repetir.
O Líder sorri para nós, compreensivo, e assente. Já Eun Hyuk nos lança um olhar malicioso e eu já sei que vem merda pela frente.
— Um imprevisto, é? Sei... Vocês se deram foram uns pegas no elevador e acabaram perdendo a hora, eu estou sabendo... Chifrando o maknae, Fofura? Que coisa feia...
Certo, eu não imaginava que fosse uma merda tão grande.
— Hyukie! Pare de dizer essas besteiras! — Dong Hae censura, acertando-lhe um tapa no braço.
— Ai, fishy. É só brincadeira... — o macaco retruca.
— A propósito, como está Kyu Hyun? — o Líder pergunta, preocupado. Eu e Hee Chul tomamos fôlego para responder, mas Ki Bum é mais rápido que ambos.
— Não irá morrer. — ele diz, contrariado. Eun Hyuk não perde a oportunidade de fazer outra brincadeirinha.
— Eu não disse? Olha o ciúme aí! — ele ri.
— Cale a boca, Hyuk Jae — eu reclamo, pondo minha bandeja na mesa com força.
— Tenho certeza de que meu pequeno Kyu não ficará nada contente com essa nova proximidade entre vocês. — Hee Chul diz, sentando-se graciosamente à mesa. É engraçado, mas todos ficam em silêncio ao ouvirem a voz do ruivo, como se ficassem sérios de repente.
Não posso evitar corar com o comentário. Kyu realmente não pareceu gostar nem um pouco de me ver próximo a Ki Bum... Mas será que Hee Chul sabe o motivo? Eu deveria perguntar?
— Foda-se ele — Ki Bum retruca, sentando-se logo em seguida.
Eu permaneço de pé, segurando as bordas da bandeja, mesmo que ela já esteja na mesa, e olhando para qualquer ponto que não seja alguém dessa mesa. Eu estou envergonhado demais para encará-los. Os comentários de todos me deixaram extremamente sem-graça.
— Fofura da bunda grande — ouço a voz de Eun Hyuk e, pelo apelido, sei que ele se refere a mim. Torno a focá-lo, mas continuo encabulado, então nem me lembro de lançar-lhe um olhar mortal.
Hyuk gesticula para o meu assento e diz sorrindo:
— Pode sentar. Não paga nada.
Me sinto um pouco idiota por ainda estar em pé e trato de me sentar, tentando sorrir casualmente. Me sento em meu costumeiro lugar, já que temos praticamente lugares marcados. Quero dizer, todos estão satisfeitos com os seus lugares, então sentamos sempre na mesma formação. A não ser por hoje, que Ki Bum está sentado no lugar do meu kingka, ficando ao meu lado.
O assunto na mesa é interminável. Na maioria das vezes, por causa de Eun Hyuk, que sempre tem algo para comentar. Na verdade, eu suspeito que ele não consiga calar a boca. Mas é divertido e eu me distraio. É muito bom estar na companhia dos meus amigos.
A conversa transcorre normalmente, até Lee Teuk comentar sobre o ensaio de Sábado e Domingo, que treinaremos a coreografia pela primeira vez. Eu me lembro de que ele ter dito que, nos Domingos, os ensaios serão apenas na parte da manhã, então, como ele tocou no assunto, aproveito para comunicar ao Líder e ao outros membros do grupo o que há de especial esse Domingo.
— Ya! — eu chamo a atenção de todos. — Domingo é o aniversário do maknae.
Todos assumem expressões surpresas, a não ser por Ki Bum, que bufa e resmunga baixinho; Ryeo Wook, que parece aterrorizado por não saber o aniversário do amigo; e Hee Chul, que me encara com um ar de reprovação, como se eu tivesse contado algo que não devia. Uma espécie pânico me invade. Será que Kyu Hyun não queria que os outros soubessem?
— Verdade? — o Líder pergunta, contente. Eu assinto receoso, atento às reações de Hee Chul. Ele revira os olhos e dá de ombros, desviando o olhar para sua bandeja. Eu rezo silenciosamente para que não tenha cometido um grande erro ao abrir a boca.
— Que ótimo! — Lee Teuk continua, animado. — Nós deveríamos fazer uma surpresa para ele.
Todos nós – exceto Ki Bum – concordamos entusiasmados.
— Podemos ir ao Shopping — Hee Chul propõe. Mais uma vez, assentimos animados, concordando.
— Ótima idéia, Hee Chul! — o Líder exclama. — Nós podemos comprar nossos figurinos e depois passear, ir ao Cinema e jantar. — ele continua, cheio de agitação. Aposto como seu cérebro já está a mil por hora. — De início, ele vai pensar que estamos apenas saindo a trabalho e que não vamos poder nos divertir. Mas depois, vai ter uma boa surpresa, porque passaremos o resto da tarde comemorando seu aniversário!
— Mas não é proibido sair da Instituição? — Ki Bum pergunta, e posso perceber em seu tom de voz que ele não está nem um pouco afim de sair para celebrar o vigésimo aniversário de Kyu Hyun.
São ouvidas algumas lamentações, mas logo nossa Tartaruga Touché salva o dia:
— Eu possuo influência com o Diretor. Posso conseguir uma autorização para sairmos no Domingo. — Ye Sung diz, dando de ombros.
Ryeo Wook abre um sorriso enorme e abraça o mais velho.
— Esse é o meu Yeye! — o pequeno exclama alegremente. Então beija o rosto do outro e diz: — Você é incrível.
Ye Sung sorri meio envergonhado e responde:
— Eu faço o que posso.
Em seguida, passa o braço pelos ombros de Ryeo Wook e retribui o beijo no rosto. Os dois ficam num clima totalmente apaixonado, cheio de amores, e eu sinto muita falta de ter Kyu Hyun ao meu lado.
— Bem, então parece que as regras não serão um problema. — Kang In comenta, por fim. Todos ficam animados novamente e, durante os próximos minutos, o assunto se resume à comemoração surpresa do aniversário do Kyu.
Lee Teuk planeja tudo minuciosamente, sempre aberto a opiniões, e, depois de resolver todos os detalhes, pergunta novamente se todos estão de acordo. Todas as respostas são positivas, mas falta uma pessoa. Eu olho para o lado, fitando o rosto do meu novo irmão postiço.
— Ki Bum? — insisto em saber sua resposta. Eu não quero que ele diga não. O aniversário do Kyu seria uma ótima oportunidade para que os dois se dessem melhor. E além do mais, não estaria completo sem Ki Bum. Mesmo que ele seja muito quieto, a esquisitice dele sempre marca presença.
— Eu não quero ir — ele murmura, encarando o próprio colo. Eu seguro sua mão e a aperto, num gesto de súplica. Ele levanta o olhar e me fita. Eu estremeço diante de seus olhos frios, mas não vacilo.
— Ki Bummie, por favor — eu peço, em voz baixa. — Não vai ser a mesma coisa sem você.
Ele parece ficar balançado, e desvia os olhos por um instante antes de voltar a me olhar.
— Mas eu não gosto daquele garoto, e, sinceramente, não tenho vontade de disfarçar isso. Tenho certeza de que ele já sabe que não o suporto, então seria apenas hipocrisia minha ir ao Shopping para comemorar seu aniversário. Aposto que ele ficará bem mais feliz em minha ausência.
Eu não discordo disso, mas não me conformo de ele ficar na Instituição. De agora em diante, eu quero passar tempo com Ki Bum. Me divertir com ele. E que ocasião seria melhor do que uma ida ao Shopping?
Eu quero Ki Bum comigo, e não abro mão de sua companhia.
— Mas eu, não! — retruco. — Sua presença vai me deixar muito feliz.
Vejo um vislumbre de sorriso em seus olhos, e sei que estou conseguindo convencê-lo. Isso me faz sorrir.
— E, além do mais, você tem de escolher suas roupas. — continuo, e ele pragueja baixinho, admitindo sua derrota. De um jeito ou de outro, ele terá de vir conosco.
Eu lhe dirijo um sorriso e me inclino um pouco na sua direção, olhando fundo em seus olhos ao dizer:
— Se você achar melhor, pense que não é aniversário de ninguém. Só estamos saindo juntos para nos divertir e comprar roupas.
Posso ver os cantos de seus lábios se curvarem minimamente para cima, num sorriso que ele tenta reprimir. Nos entreolhamos por alguns instantes. Eu sei que Ki Bum dirá sim, mas, apesar disso, fico ansioso para ouvi-lo dizer que concorda.
— Está bem — ele diz, por fim. — Você venceu.
— Isso! — eu comemoro, contente, abraçando-o. Com isso, é oficial: todos os onze estão de acordo e irão ao passeio. Kyu Hyun é uma incógnita, mas o convenceremos a vir, mesmo que pela desculpa do figurino.
Assim que Ki Bum concorda em ir, todos voltam a conversar animadamente sobre assuntos diversos. A mesa se separa em grupos de conversa. Lee Teuk e Hee Chul falam entusiasmadamente sobre roupas, enquanto Kang In e Si Won praticamente babam por eles, encantados. Ki Bum está quieto, como de costume, mas seus olhos estão fixos em... Si Won? Mas, vindo de Ki Bum, é provável que ele esteja apenas fitando um ponto qualquer, perdido em pensamentos, sem nem mesmo reparar que Si Won está ali.
Eu participo de uma conversa com Shin Dong, Eun Hyuk e Dong Hae, mas não estou realmente interessado no assunto. Estou apenas tentando me distrair, e Shin Dong e Eun Hyuk são os mais engraçados do grupo, então é fácil me entreter com suas brincadeiras e piadas.
Mas a verdade é que eu só penso em uma coisa: Kyu Hyun. E ele me faz uma falta enorme.
POV Kyu Hyun:
Eu fecho o notebook, entediado. Tentei jogar StarCraft, mas é uma merda usar uma mão só. Passei o tempo alguns dos filmes, séries de TV, animes e afins, que tenho baixado na memória do aparelho. Eu me diverti durante algumas horas, mas depois de passar a manhã inteira assistindo vídeos no notebook, fiquei de saco cheio. Mas não posso negar que o Chul realmente salvou a minha manhã. Não sei o que eu faria se não tivesse com o computador portátil aqui. Acho que morreria de tédio. Eu já agradeci muito, mas acho que ainda não foi o suficiente. Assim que encontrar com o Chul, vou agradecê-lo mais algumas dez vezes, e abraçá-lo bem forte.
Coincidentemente, assim que desligo o notebook, a porta se abre. Eu me surpreendo e olho instintivamente na direção da mesma, encontrando a figura do senhor de idade que trabalha como médico na Instituição. Fico instantaneamente animado com a idéia de estar livre para ir embora.
— Olá, senhor Cho — ele me cumprimenta, olhando por cima das lentes dos óculos de aro redondo. — Como está se sentindo?
— Ótimo, senhor! — eu respondo, prontamente. Mesmo que o punho esteja incomodando um pouco, não quero passar nem mais um minuto deitado nessa cama!... Embora tenha sido bem aqui onde passei minha primeira noite com o meu ursinho de pelúcia... Foi tudo tão maravilhoso! Quero dizer, menos a parte de acordar com aquele Mostro das Neves parado ao lado da cama. Aquele maldito conseguiu arruinar tudo! Por que foi ele quem veio acordar o Sung Min? “Ye Sung me pediu para vir, enquanto adiantava uma pesquisa na Biblioteca”. O cacete! Eu aposto como aquele filho da puta implorou para vir aqui, só para foder minha paciência e pagar pau para o meu ursinho apertável! Porque se o escroto fosse mandar alguém, o mais lógico seria Ryeo Wook, não é? Se bem que eles mal se desgrudam, então seria um pouco improvável... Mas, de qualquer forma, ele poderia pedir ao Hee Chul, e ele, sim, seria muito bem vindo. Mas o Chul não tem intimidade com o Minnie... Bem, foda-se. Poderia ter sido o Si Won. Ele é amigo do Sung Min e não enche meu saco, bancando o marrento. Humpf! Aquele moleque...
— Sem dores? — o médico pergunta, interrompendo meus pensamentos.
— Nenhuma, senhor! — respondo, ansiando pela frase “Você está liberado”. Então ele sorri e diz o que mais quero escutar:
— Então, pode ir. Está liberado.
Eu levanto da cama com um salto, segurando o notebook nos braços.
— Obrigado, senhor! — agradeço, sorrindo. Finalmente vou sair desse inferno tedioso!
Caminhamos juntos até a recepção e, durante o caminho, ele me diz as baboseiras de sempre: “Tome cuidado”, “Não faça muito esforço”, e outras coisas parecidas. Também diz que é para eu voltar aqui, caso torne a sentir dor. – o que eu espero não acontecer.
Concordo com tudo o que ele diz, e asseguro-lhe que vou me cuidar – afinal, não quero voltar a essa merda de lugar tão cedo. Quando chego à área de atendimento, a recepcionista me entrega dois documentos para que eu assine e eu dou graças aos céus por ter fraturado o punho esquerdo. Se fosse o direito, eu estaria fodido.
Devolvo a caneta à moça assim que termino o que tinha de fazer, despeço-me do médico e me encaminho para o elevador. Aperto o botão e espero a lesma subir do Térreo; para mim, parece uma eternidade, e quando o elevador finalmente chega, já estou impaciente.
As portas se abrem, revelando o interior vazio. Agradeço silenciosamente por isso, porque ainda estou de roupa de dormir e seria muito constrangedor que outros alunos me vissem nesse estado.
Pressiono o botão do oitavo andar, e espero. Em alguns minutos, o apito soa e as portas se abrem. O corredor também está vazio, porque o sinal que indica o fim das aulas da manhã ainda não tocou. Chego ao meu quarto em pouco tempo, e, depois de guardar meu computador portátil em seu devido lugar, resolvo trocar de roupa ao lado da minha cama, mesmo, porque sei que meus três companheiros de quarto estão na aula. Aliás, Sung Min deve ter passado a manhã toda ao lado daquele desgraçado... Que raiva! Mas me acalma pensar que quem estará ao lado dele de tarde serei eu. Quero dizer, se ele não estiver chateado comigo, porque agi feito um idiota, por causa do ciúme. Sung Min pareceu ficar muito enfezado quando eu disse que eu me afastar do Chul é diferente de ele ficar longe do maldito Ki Bum; mas ele não entendeu o que eu quis dizer! Eu não me afastaria do Chul porque já temos uma relação formada. Mas ele e Ki Bum, não! Ele pode evitar criar intimidade com aquele escroto, e eu já estou interligado a Hee Chul.
Me concentro em me vestir, deixando o assunto de lado. Não quero pensar nisso para não ficar irritado, com ciúmes, e acabar tratando Sung Min mal outra vez, quando nos encontrarmos no almoço. Fico feliz por vestir calças jeans com um dos braços engessados ser uma tarefa tão difícil. Assim não preciso me esforçar muito para não pensar em outras coisas.
Depois de alguns minutos de luta, estou pronto. Me olho no espelho e checo a aparência. Particularmente, estou lindo. E também estou sorrindo feito um bobo. Por quê? Provavelmente porque encontrarei Sung Min daqui a pouco, no refeitório. Isso é, se ele não vier para o quarto e nos encontrarmos antes.
Escuto a porta abrir e olho para trás, esperançoso. Mas quem eu vejo não é o meu ursinho apertável. É o veterano escroto.
— Ah, vejo que já recebeu alta. — ele comenta (inutilmente). Mas, bem, é um avanço, certo? Antes ele nem se daria ao trabalho de olhar para mim.
Eu sorrio para ele, tentando parecer amigável. Eu ainda não gosto dele, mas estamos no mesmo grupo agora, além de ele e Ryeo Wook serem quase namorados. Cedo ou tarde, nós teremos de nos resolver, então por que não começar agora?
— Pois é! Agora só tenho que cuidar desse braço. — eu digo, mostrando o gesso que ele já tinha visto na Enfermaria. Inclusive, acho que esqueci uma coisa. — Além disso, acho que ainda não te agradeci por ter me socorrido. Obrigado.
Ele parece surpreso, mas assente e me dirige um sorriso mínimo.
— Não há de quê. — ele responde, e eu me surpreendo com sua gentileza. Acho que Ryeo Wook está conseguindo convencê-lo de que eu não sou tão desprezível assim.
Assinto, agradecendo novamente, e me despeço, dizendo que estou com fome; o que é a pura verdade, porque o café-da-manhã da Enfermaria foi simplesmente detestável! Acho que é uma das obrigações de um hospital ter comida ruim.
Ye Sung concorda e se encaminha para o segundo andar, enquanto eu pego minha mochila e caminho até a saída. Estranho o fato de ele estar falando com si mesmo lá encima, mas deixo isso para lá. Cada louco com a sua mania, não é? Eu falo com a minha consciência, ele fala consigo mesmo.
Caminho a passos rápidos até o elevador. Quero ver Sung Min o mais rápido possível. Será que ele sentiu minha falta como eu senti a dele? Ou será que ele se divertiu tanto com seu novo amiguinho que nem sequer se lembrou de mim? Não, o afeto dele por mim não é superficial assim. Eu tenho certeza de que ele pensou em mim, pelo menos uma vez. O maldito Ki Bum não pode me substituir. Não vejo a hora de tirar meu ursinho de perto daquele escroto! Eu estou morrendo de ciúmes! E isso me corrói por dentro. Seria tão mais simples eu deixar de ser covarde e pedir Sung Min em namoro! Assim todos saberiam que ele é só meu.
Chego até o elevador e aperto o botão. As portas abrem instantaneamente. Isso me faz sorrir, porque me poupará tempo. Não tardo em adentar a máquina e pressionar o botão T. As portas se fecham e o elevador começa a descer, mas, para minha surpresa, pára no andar inferior. As portas se abrem novamente, e mostram uma figura estranha, com cabelos cor de sangue. Meus lábios se esticam num sorriso; não poderia haver surpresa melhor.
— Chul! — eu exclamo, contente. Ele abre um sorriso largo e entra no elevador dizendo:
— Pequeno Kyu! Como está? Foi muito chato lá na Enfermaria?
Eu balanço a cabeça em sentindo afirmativo.
— Você não imagina o quanto! Que lugar irritante! — eu reclamo. As portas voltam a se fecham e o elevador continua descendo. Então eu sorrio em agradecimento e digo: — Muito obrigado por levar meu notebook para mim. Foi minha única salvação. Obrigado, de verdade. Se não fosse por você, eu morreria de tédio.
— Sim, eu sei — ele retruca, modesto como sempre. — Eu sou incrível.
Eu sorrio ainda mais e o envolvo em um abraço que ele não tarda em retribuir.
— Sim, você é incrível! — eu concordo. E lhe agradeço pela milésima vez: — Muito obrigado.
Ele me afasta, dizendo:
— Está bem, chega! Se você me disser “Obrigado” mais uma vez, eu vou te socar! E estou falando sério. Eu sei que você é eternamente grato por eu ter te livrado do tédio da Enfermaria, mas já está ficando irritante. Eu já disse nas outras trezentas vezes que você me agradeceu que não foi nada, e é para isso que servem os amigos. Então, pelo amor que você tem ao StarCraft, pare de me agradecer!
Eu fico um pouco chocado com a enxurrada de palavras e demoro alguns segundos para falar algo.
— Desculpe. — eu digo, encolhendo os ombros. — Não vou mais agradecer.
— Ótimo — ele responde, sério. Mas, em seguida, abre um sorriso divertido e diz: — Agora me dê outro abraço.
Eu sorrio e envolvo seu corpo em meus braços novamente. Aproveito nossa proximidade para sentir seu perfume gostoso outra vez. É realmente bom. Nos separamos depois de alguns instantes e ficamos de mãos dadas, com os dedos entrelaçados, até chegarmos ao Térreo. Saímos do elevador juntos e vamos caminhando sem pressa em direção ao refeitório. Embora eu queira chegar lá depressa, para ver se meu ursinho vai estar com aquele escroto ou não.
— Qual o problema, Kyu? — Chul pergunta, e eu viro a cabeça para olhar seu rosto. Minha testa está franzida, deixando claro que não entendi o que ele quis dizer. — Você está tenso. — ele percebe. É incrível como Hee Chul me conhece tão bem.
— É só um pequeno problema, que pretendo resolver logo. — respondo, mesmo sem ter a mínima idéia de como solucionar isso. Eu poderia acertá-lo com uma voadora, talvez.
Hee Chul ri baixinho.
— E esse problema, por acaso, atende pelo nome de Kim Ki Bum? — ele pergunta, em tom afirmativo. Eu não posso deixar de me surpreender com o fato de ele saber absolutamente tudo sobre mim.
Sem motivos para disfarçar, e nem possibilidade de mentir, concordo:
— Exatamente!
Chul parece surpreso.
— Então você vai, finalmente, se declarar?! — ele pergunta, incrédulo. Eu fico meio sem-jeito.
— Hã... Não era nisso que eu estava pensando...
— Kyu Hyun! — ele me repreende. — Deixe de ser covarde! Quando você planeja dizer a ele? Depois que você se formar?!
— Eu não estou pronto ainda! — eu me defendo.
— “Eu não estou pronto ainda” — Hee Chul me imita. Péssima imitação, eu devo comentar. — Faça-me o favor! Pare de ser medroso!
— Não é fácil dizer “Eu te amo” para alguém! — continuo na defensiva. Chul me olha como se não acreditasse no que acabou de ouvir.
— Então é só isso? Você está com dificuldades para dizer “Saranghae”? — ele pergunta.
— O que mais você esperava?! — eu retruco, alterado. Não é esse o único obstáculo para uma pessoa se declarar a outra?
Hee Chul dá de ombros, com um sorriso no rosto.
— Eu não sei. Achei que você estivesse relutando em assumir que era gay, que estivesse com medo de ser rejeitado, qualquer coisa mais problemática do que um simples problema em dizer “Eu te amo”.
— Você não acha isso problemático?! — continuo alterado. Por acaso ele já se declarou para alguém?
— De jeito nenhum! — ele responde, simples. — E você pode ficar tranquilo, que eu vou te ajudar com isso.
— Hã? — eu pergunto. Como ele pretende me ajudar?
— Vamos treinar juntos. — ele responde, sorrindo. — Assim você não ficará tão nervoso.
Eu sorrio, animado. Não é muito certo que funcione, mas já é um progresso. Se der certo, eu vou conseguir pedir Sung Min em namoro, e não vou mais sofrer com esse ciúme maldito!
— É uma ótima idéia, Chul! — eu digo. — Valeu pelo apoio. Você é fantástico!
Ele sorri.
— É, é um dom. — ele se gaba mais uma vez. Eu rio baixo; esse é Kim Hee Chul: modesto para caralho! Eu simplesmente amo esse cara.
Chegamos ao refeitório e atravessamos as portas juntos, ainda de mãos dadas. Meus olhos logo procuram por Sung Min, e eu confirmo minha pressuposição: Ki Bum está ao seu lado. Mas espere. Para ele estar ao lado de Sung Min seria necessário...! Filho da puta!
— Kyu! — Chul segura minha mão com firmeza, me impedindo de ir até lá e acabar com a raça daquele verme. — O que...?
— Aquele maldito está sentado no meu lugar! — eu praticamente rosno. Como ele ousa?!
Hee Chul olha para a mesa do grupo e repara no que estou falando. Mas ainda assim não me deixa ir.
— Kyu, se controle. — ele diz, num tom sedativo. Eu respiro fundo, buscando me acalmar. — Vamos pegar nossas comidas e depois cuidamos desse problema.
Tento me concentrar somente em Hee Chul; em sua mão delicada, sua voz rouca, seu toque quente. Respiro fundo novamente e assinto.
— Certo, vamos. Eu estou com muita fome.
Escolhemos o que queremos comer e beber e seguimos para a mesa. Eu conto até dez, segurando-me para não chegar na base do chute e fazer aquele infeliz se arrepender de ter nascido. Mas, mesmo com todo meu esforço, eu não consigo ser educado.
— Ya! — eu chamo, parando bem atrás do Monstro das Neves. Ele e Sung Min se viram para mim no mesmo instante. E, vendo as feições lindas do meu ursinho, eu não consigo pensar em mais nada.
— Kyunnie! — ele exclama, ficando de pé logo em seguida. Eu não consigo não sorrir ao perceber que ele não está chateado comigo.
— Oi, Minnie — eu digo, e ele também sorri.
— Como está se sentindo? — Sung Min pergunta, com uma sombra de preocupação.
— Ótimo! — respondo, e ele pega minha bandeja das minhas mãos e a coloca na mesa, me abraçando em seguida.
— Isso é excelente! — ele diz. Mas então sussurra em meu ouvido: — Senti tanto a sua falta durante as aulas!
Eu dou uma risada fraca enquanto enlaço sua cintura e sussurro de volta:
— Eu também senti sua falta. Não foi a mesma coisa ficar deitado naquela cama sem você me abraçando.
— Não se esqueça de que podemos fazer coisas muito mais interessantes em uma cama do que simplesmente ficar abraçados.
Eu me engasgo com minha própria saliva ao ouvir as palavras de Sung Min. Ele disse mesmo isso? Antes que eu possa definir a resposta, Minnie beija meu rosto e diz inocentemente:
— Fico feliz que você esteja bem.
Mas seu sorriso é totalmente malicioso ao se sentar novamente em sua cadeira. Seu comportamento me deixa confuso, um pouco surpreso, e muito envergonhado. Sinto meu rosto em chamas e entro em uma espécie de abstração devido ao meu embaraço.
Recupero o foco quando ouço Lee Teuk falando comigo. Ele diz que é ótimo que não tenha sido nada grave, e que espera que eu melhore logo. A maioria das outras pessoas à mesa diz algo parecido. E então chega a vez de Eun Hyuk
— Braço quebrado, maknae? — ele pergunta. Eu fico intrigado; ele espera que eu responda alguma coisa? Não é óbvio que meu punho está quebrado?
Meu pensamento ilumina minha mente e encontro a resposta para sua pergunta, mas, quando tomo fôlego para dizer “Não, punho fraturado”, ele se vira para Sung Min e diz:
— Parece que alguém vai ficar sem sexo hoje, hein, Fofura?
A mesa é tomada por risos, mas nem Lee Teuk, nem Ki Bum, nem Dong Hae, nem Sung Min, muito menos eu, achamos graça da piada. O Líder parece apavorado com a capacidade de Eun Hyuk para pensar coisas desse tipo; o Monstro das Neves permanece com sua expressão inalterada de cuzão; Dong Hae parece se sentir envergonhado por causa do comentário do namorado; e eu e Sung Min... Bem, estamos vermelhos como pimentões. Sinceramente, não sei onde enfiar a cara. Sung Min, por outro lado, esconde o rosto entre as mãos, dizendo:
— Cale a boca, Hyuk Jae! — E, levantando o rosto, continua: — Nós não fazemos esse tipo de coisa!
Isso me deixa internamente frustrado, mas não sei bem o motivo disso. Mentira, eu sei, sim. Eu quero ter relações sexuais com Sung Min! Pronto, é isso. Essa é a verdade. Eu tenho que parar de agir feito um babaca e começar a encarar os fatos.
— Claro, e Ye Sung e Ryeo Wook não estavam transando no quarto agora há pouco. — Eun Hyuk retruca. Eu arregalo os olhos e meu queixo cai. Do que ele está falando? Desde quando Ryeo Wook estava no quarto?
— Como é? — a voz forte de Ye Sung soa atrás de mim. Eu me viro sobressaltado, e me deparo com ele e Ryeo Wook segurando suas bandejas. Eles caminham até seus lugares e colocam as bandejas na mesa ao tempo que Hyuk diz:
— É isso mesmo, Ye Sung! Eu sei de tudo. De lerdo você só tem é a aparência, porque já está pegando o novato!
Ryeo Wook fica vermelho como um tomate, mas Ye Sung permanece impassível.
— Se nós dois fazemos ou não sexo, é problema nosso e não de vocês. — o veterano responde, logo puxando meu amiguinho cabeçudo para um beijo. E não digo um beijo tipo “lábios se encostando”. É tipo, um beijo de língua! Bem diante de todos! Eles enlouqueceram? Desde quando eles estão assumidos assim?
Os queixos de todos caem – até o do Sr. Eu-não-tenho-expressão Ki Bum. A resposta de Ye Sung por si só já seria bastante surpreendente, mas esse beijo é simplesmente chocante!
Os namorados se separam depois de alguns instantes. Ye Sung contempla apaixonadamente o rosto de Ryeo Wook, que está ainda mais vermelho do que há minutos atrás.
— Hyung...! — Ryeo Wook arqueja, encabulado, em uma mistura de ofego e gemido.
— Desculpe, Wookie. — o mais velho murmura, selando os lábios do menor. Em seguida, os dois se sentam lado a lado, cheios de romance.
Sou o único em pé, porque tem um certo babaca no meu lugar. Agora que minhas mãos estão livres, cutuco suas costas grosseiramente, quase que me obrigando a ser rude, mas eu não preciso fazer força nenhuma para tratá-lo mal.
Ki Bum me olha por cima do ombro, e seu olhar é tão frio que eu me sinto a temperatura cair. Mas a raiva e o ciúme fervem dentro de mim e sua frieza não me afeta.
— Saia do meu lugar — eu exijo.
Ele volta a olhar para frente, quase que me ignorando completamente. Minha raiva ferve.
— Peça com educação — ele retruca. Filho de uma puta!
Fecho a mão direita em punho, sentindo meu sangue esquentar. Como eu quero fazer esse escroto se arrepender de ter nascido...!
— Saia do meu lugar! — eu repito, quase num rosnado.
Ele nem se mexe, o que me deixa ainda mais puto.
— Onde está sua educação? — ele replica. Vou mostrar minha educação quebrando a sua cara, babaca!, eu penso. E não consigo me controlar mais. Chuto o pé da cadeira com força e digo:
— Saia, filho da...
— Ki Bum, por favor! — Sung Min me interrompe, quase gritando, em uma súplica. Eu percebo que todos à mesa estão tensos. Lee Teuk parece preocupado, pronto para interferir a qualquer momento. Mas não é preciso, porque o Maldito das Neves se levanta bruscamente, empurrando a cadeira um pouco para trás.
Ki Bum contorna a cadeira e ficamos frente a frente. Trocamos olhares furiosos, ameaçadores, e o clima fica pesado. Eu gostaria de acabar com a sua raça agora mesmo, mas acho que isso me faria perder a razão, e, no fim, o mais errado seria eu. Por esse motivo, fico torcendo internamente que ele me agrida primeiro, porque assim eu poderei revidar sem ser o malvado da história.
Mas ele não faz nada, apenas caminha até seu devido lugar, sem nunca tirar os olhos de mim. Eu também não tiro os olhos dele e nossa troca mortífera de olhares só acaba quando Sung Min me chama.
— Kyunnie! — Eu o olho de imediato. — Sente-se. — ele pede, dando tapinhas no assento da minha cadeira.
Eu sorrio para ele e me sento, cheio de satisfação. Afinal, Ki Bum agora está longe do meu ursinho, que por sinal está do meu lado direito, o que faz com que possamos dar as mãos, mesmo que por debaixo da mesa.
— Então... — Lee Teuk tenta desfazer o clima tenso que se instalou. — Kyu Hyun! Hoje pela manhã nós planejamos uma ida ao Shopping este Domingo.
Eu fico atônito. Esse Domingo é meu aniversário! Será que Hee Chul disse a eles? Nós vamos sair em comemoração porque vou completar vinte anos?
Começo a abrir um sorriso, animado com a idéia, mas ele logo desaparece quando descubro o motivo do passeio.
— Nós vamos selecionar nossos figurinos para a apresentação de Remember The Time! — o Líder fala, entusiasmado. Eu me sinto decepcionado. Tudo bem que eu mesmo não disse nada, mas... Eu não quero que as pessoas saibam do meu aniversário! Mas ficaria realmente feliz se eles me desejassem parabéns... Eu sou muito complicado.
— Hee Chul disse que vai estudar o visual de Michael Jackson nas apresentações dessa música, para termos uma base. — Lee Teuk continua, alegre.
— Ah, que legal! — eu digo, tentando soar autêntico. Eu fico um pouco intrigado com duas questões básicas: não é proibido sair da Instituição? E comprar roupas especiais não seria concorrência desleal? Mas não quero perguntar a ele. Não quero falar disso agora. Vou perguntar ao Chul depois, já que parece que ele é a mão direita do Líder.
— Sim, será sensacional! — ele concorda animado, sem perceber que eu não gostei muito da idéia. Acho que o Líder está realmente excitado com a nossa apresentação. Ele não consegue parar de sorrir.
— Ya, pare de sorrir assim. — Kang In diz, acertando-lhe com uma cotovelada carinhosa – eu acho.
Lee Teuk se vira para ele, ainda com um sorriso enorme no rosto, mostrando aquela covinha que o deixa ainda mais bonito do que já é.
— Por quê? — o Líder pergunta, sem deixar de sorrir. E então é surpreendido por um beijo de Kang In, que não passa de um simples selar de lábios, por ser um beijo roubado.
— Eu não consigo resistir a você quando sua covinha aparece. — o rechonchudo explica, sorrindo, o que faz Lee Teuk sorrir ainda mais.
— Babo! — ele diz, dando um tapa fraco no braço do outro. No fim, eles ficam no mesmo clima apaixonado que Ye Sung e Ryeo Wook.
Acho que eu sou o único retardado que não consegue se declarar nessa merda de lugar. Por que eu sou tão idiota?
— Uau! A demonstração de afeto aqui está incrível hoje, hein? — Eun Hyuk brinca, incapaz de perder uma oportunidade. Dong Hae lhe acerta com o cotovelo, e não parece ser um gesto carinhoso.
— Isso é porque eles são românticos, ao contrário de você, que só pensa em sexo! — o mais novo reclama, magoado. Ele parece prestes a chorar.
Eun Hyuk sorri e roda os olhos, tocando o rosto do outro e fazendo com que ele olhe para si.
— Eu te amo, Lee Dong Hae — Hyuk diz, olhando fundo nos olhos do menor. — E esse sentimento está muito além do sexo.
Dong Hae abre o maior sorriso que já vi em seu rosto e envolve o pescoço de Eun Hyuk com os braços, beijando-o apaixonadamente enquanto lágrimas molham seu rosto. Ele provavelmente chora de emoção.
Depois de alguns momentos, os dois se separam e Dong Hae retribui as palavras de Hyuk Jae, dizendo que também o ama e coisas afins. No final, eles também ficam no clima romântico dos outros dois casais anteriores. Não é possível! Por acaso hoje é o dia internacional do “Vamos Sacanear o Kyu Hyun”?! Porque, puta que pariu! Eles tinham mesmo esfregar todo seu amor na minha cara? Tudo bem que eu até mereça um pouco, por ser tão covarde, mas não precisavam ser os três casais de uma vez só, não é?!
Com tanto amor no ar, não posso deixar de olhar para Sung Min. Ele me fita intensamente. Eu deveria beijá-lo? Aproveitar o que está acontecendo aqui? Seria uma boa oportunidade para me declarar? Mas... Eu teria coragem de falar o que sinto depois de fazer isso? Eu deveria arriscar?
Olho para Hee Chul em busca de uma resposta. Ele é mais inteligente do que eu.
“Nem pense em fazer isso!”, ele me repreende. “Vai estragar tudo!”.
Eu assinto. Ele tem razão. Todos os outros são namorados, e eu e Sung Min, não. Seria errado. Mesmo que já tenhamos nos beijado mais de uma vez, nunca mostramos nossa relação para ninguém. E isso só vai poder ser feito depois que eu tiver coragem de pedir o Minnie em namoro.
— Kyu Hyun, você não vai comer? — Shin Dong me pergunta. E isso me faz me lembrar do meu almoço, e da minha fome de cão. Além de reparar que todos os outros já acabaram de comer.
— Sim, claro! — respondo, atacando a comida em meu prato. São 12:55, e as aulas começam 13:30, ou seja, não tenho muito tempo para acabar de comer.
— Kyu Hyun, não precisa comer tão depressa! Vai acabar se engasgando! — Lee Teuk me adverte. Eu não paro de comer, porque Kang In se encarrega de responder ao namorado:
— Teukie, são quase uma da tarde. O garoto tem mesmo que se apressar.
Lee Teuk arqueja e se levanta num salto.
— Quase uma da tarde?! — ele praticamente grita. — Droga! Eu marquei de encontrar o professor de dança às 13 em ponto, junto com Eun Hyuk, Dong Hae e Ki Bum!
Os citados se levantam rapidamente, praguejando.
— Desculpe, Kyu Hyun, eu não quero ser rude, mas realmente temos que ir. Eu sinceramente sinto muito. — Lee Teuk se desculpa desnecessariamente. Eu assinto sorrindo.
— Tudo bem, Líder. Não tem problema nenhum. Nos vemos mais tarde. — eu digo. Ele sorri e concorda, então se despede, beija a bochecha de Kang In e sai apressado, seguido por Eun Hyuk, Dong Hae e Ki Bum. A verdade é que eu fico muito contente por Ki Bum ter ido embora. Muito mesmo.
— Bem, maknae, me desculpe, mas eu quero tomar uma ducha antes das aulas de tarde, então preciso ir, está bem? — Shin Dong diz, se levantando. Eu assinto e digo que não tem problema.
— E, se você não se importa, eu vou ao meu dormitório, porque tenho certeza de que Lee Teuk se esqueceu das suas anotações para a próxima aula. — Kang In diz, rolando os olhos. Eu rio.
— Ei, gente, não tem problema. — digo sorrindo. — Eu sei que provavelmente todos têm mais o que fazer, e a culpa de eu estar atrasado é minha. Não me incomodo de terminar meu almoço sozinho.
Não estou mentindo. Sei que as pessoas são atarefadas aqui, e para tudo a gente precisa andar uma distância gigante, então sempre gastamos muito tempo nos deslocando. Eu entendo que eles querem fazer outra coisa e isso não me deixa chateado.
Shin Dong e Kang In sorriem, se despedem e caminham juntos até as portas do refeitório. Ryeo Wook então se põe de pé, juntamente com Ye Sung.
— Então, nós estamos indo à Biblioteca, porque estamos fazendo uma pesquisa sobre dança e coreografia... — Ryeo Wook diz, se aproximando e beijando minha bochecha. — Sabe como é, nós dois somos muito ruins dançando, então precisamos nos esforçar um pouco mais. — ele sorri.
Eu solto uma risada e concordo, e eles logo se afastam. É engraçado como a mesa esvaziou em menos de cinco minutos; agora, só restam Hee Chul, Si Won e Sung Min, além de mim mesmo. E eu só comi metade da comida em meu prato.
Olho distraidamente para meu melhor amigo e ele pisca para mim de maneira discreta, com um sorriso de canto. Em seguida, diz:
— Oh, Si Won, parece eu sujei a manga da minha camisa! — ele diz, esfregando a barra da manga comprida. Chul está claramente atuando. Eu não consigo reprimir um sorriso; não acredito que ele está fazendo isso só para me deixar a sós com Sung Min.
— Não estou vendo nada, hyung — Si Won responde. Chul levanta e o puxa consigo.
— Ah, venha — ele suspira, como se estivesse chateado. — Preciso tocar de roupa.
Si Won arqueia as sobrancelhas.
— E por que quer que eu vá com você? — ele pergunta, com um sorriso um tanto quanto mal-intencionado. Isso me deixa com um pouco de raiva, mas acho que Chul sabe como lidar com ele, então não me preocupo.
— Porque quero sua ajuda para escolher o que vestir! — Chul responde, já caminhando em direção à saída, arrastando Si Won ao seu lado. — Venha, vamos. Com licença, pequeno Kyu, nos vemos depois. — E sai puxando o mais novo.
Antes de se afastar muito ainda se vira e me dirige um sorriso. Está clara em seus olhos a mensagem “Aproveite... E me agradeça depois”. Sorri discretamente e balanço a cabeça, mostrando que entendi o que ele quis dizer. Então ele acena para mim e vai embora.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Eu olho para Sung Min e sorrio.
— E quanto a você? Também tem algum compromisso ou pode me fazer companhia? — eu pergunto. Ele franze a testa.
— Na verdade, eu tenho um compromisso, sim. — Minnie responde, me deixando desapontado. Como assim? Ele vai me deixar sozinho?
— Ah, é? — eu digo, tentando disfarçar minha decepção, mas não obtenho muito sucesso. Sung Min abre um sorriso brincalhão e responde:
— Eu preciso cuidar do meu hyung.
Ao ouvir isso, meu peito se enche de felicidade e eu abro meu melhor sorriso.
— Você é um dongsaeng muito dedicado — eu digo. Um lampejo de malícia cruza os olhos de Sung Min e ele responde:
— Talvez você devesse me recompensar, então, hyung.
Eu me engasgo com um pedaço de frango. Ele me dá tapinhas nas costas e me faz tomar um gole do suco de uva em minha bandeja. Não é como se essas insinuações fossem assustadoramente pornográficas, mas são inesperadas, então eu fico nervoso e acabo engasgando.
Típico de um babaca como eu.
— Está melhor? — Minnie pergunta, quando paro de tossir. Eu balanço a cabeça.
— Estou sim. Obrigado. — respondo, sorrindo. Ele sorri e apoia o cotovelo na mesa, repousando a cabeça na mão, observando enquanto acabo de comer. Sung Min fala sobre as partes mais importantes das aulas da manhã e, assim que termino meu almoço, levantamos da mesa. São uma e sete da tarde; até que eu não demorei muito para terminar de comer.
Andamos até as portas do refeitório de mãos dadas, e não posso deixar de pensar que Sung Min está sendo especialmente atencioso comigo, graças ao punho fraturado. Eu deveria agradecer por tudo o que ele está fazendo. E é o que faço:
—Obrigado — eu digo, assim que atravessamos as portas. Ele me olha.
— Obrigado pelo quê? — Minnie retruca. Eu rio da sua ingenuidade. Pelo que mais poderia ser?
— Por estar cuidando de mim, ué.
É a vez de Sung Min rir.
— Não precisa agradecer por isso, Kyunnie. Estou cuidando de você porque quero. — ele responde, com um sorriso. Então eu paro de andar, e, como estamos de mãos dadas, ele pára também. Conduzo-o de forma a ficar de frente para mim, porque quero admirar seu rosto bonito.
— Obrigado mesmo assim. — eu digo, olhando em seus olhos penetrantes.
Sung Min sustenta meu olhar e fazemos um contato visual intenso. E, de repente, nossa situação me parece muito provocativa. Desde quando Sung Min é tão sensual?
Eu fico travado, esperando um movimento de Sung Min que me diga que ele está sentindo o mesmo. Eu não sei por que, mas um jogo de provocações agora cairia tão bem...
— Não há de quê. — Minnie responde, aproximando-se de mim para me dar um abraço. Seu toque é como uma descarga elétrica. Eu envolvo sua cintura e retribuo o abraço, mesmo que esteja um pouco decepcionado por ele não estar atraído por mim como eu estou por ele agora. Mas então Sung Min aproxima os lábios de meu pescoço e me morde de leve. Eu sorrio de canto; ele quer... Lambo o lóbulo de sua orelha em resposta à sua provocação e sinto que ele sorri satisfeito.
Seguro sua mão e o guio para um lugar um pouco longe dali. Caminhamos a passos apressados, estamos ambos ansiosos. Em pouco tempo atravessamos a porta da saída lateral, chegando ao beco entre os prédios II e III.
Quando Sung Min percebe que esse é o nosso destino, agarra minha gola e me conduz até a parede, andando de costas. Ele acaba sendo um pouco urgente demais e se choca contra a lateral do prédio com mais força do que deveria, soltando um gemido abafado. Nossas bocas se encontram com ferocidade, como se dependêssemos disso. Nossos lábios se movem em sincronia, enquanto nossas línguas batalham freneticamente. Eu não consigo ter o suficiente dele.
Suas mãos percorrem meu abdômen por cima da camisa, enquanto uso minha mão disponível para apertar sua coxa. Nosso beijo continua intenso como se fosse o último.
Sung Min adentra o tecido de minha camisa, começando a provocação que mais gosta de fazer: arranhar minhas costas. Eu interrompo nosso beijo com um gemido e ele parte para a minha orelha, lambendo e mordiscando-a. Eu então me dedico ao seu pescoço e resolvo deixar minha marca em sua pele. Depois de alguns instantes de sucção, Sung Min chama meu nome:
— Kyunnie...
Parece que ele quer dizer mais alguma coisa, então me afasto para lhe dar atenção – não sem antes admirar a marca vermelha em seu pescoço alvo.
— Diga. — eu o incentivo a continuar falando. Ele encara em silêncio por um momento e desvia os olhos para minha boca.
— Você está especialmente sedutor hoje. — ele diz, atacando meus lábios outra vez. E assim nos entregamos um ao outro novamente. Eu queria poder usar ambas as mãos.
Sung Min envolve meu pescoço com os braços e, de algum modo, consegue pôr as pernas ao redor de minha cintura. Imprenso-o à parede com mais força, para que ele não caia, e coloco a mão direita em seu traseiro, ajudando-o a ficar suspenso.
Mas sua bunda é gostosa demais para que eu não a aperte.
— Kyunnie...! — ele geme, depois que aperto sua nádega pela segunda vez. Isso é tão excitante! Como eu o desejo fora dessas roupas...!
Está ouvindo seus próprios pensamentos?!, minha consciência berra. Kyu Hyun, você está se entregando à Luxúria novamente! Onde está seu amor por Sung Min? Aqui dentro, mas... Então mostre! Diga!
— Minnie... — eu chamo. Minha consciência tem razão. Ele precisa saber que eu o amo, antes que qualquer coisa física aconteça.
— Hm? — ele me incentiva a continuar, ao mesmo tempo em que move o próprio quadril para frente, dificultando ainda mais as coisas.
Tomo fôlego e digo:
— Eu estou...
— Um dia é da caça e o outro é do caçador, huh, KyuMin? — a voz de Eun Hyuk me interrompe. Eu e Sung Min arregalamos os olhos ao mesmo tempo, nos virando assustados na direção do som. Eun Hyuk e Dong Hae caem na gargalhada. O rosto de Minnie começa a ficar vermelho e tenho certeza de que o meu também.
Rapidamente, Sung Min tira as pernas da minha cintura, voltando a ficar de pé, e conforme os segundos se passam nossa vergonha vira irritação, porque os dois bobalhões não param de rir. Se eu pudesse explodir coisas com a mente, esses dois virariam pó!
— Parem de rir! — Sung Min diz autoritariamente, enquanto bate o pé no chão, contrariado.
— Des... Desculpe! — Dong Hae pede, ainda rindo como se tivesse ouvido a piada mais hilária do mundo.
— Cara, essa foi a melhor cena que já vi na minha vida! — Eun Hyuk diz, se contorcendo de rir. — Vocês deveriam ter visto suas caras!
A risada continua rolando solta. Isso me deixa puto da vida, mas Sung Min fica envergonhado, chateado, e enterra o rosto em meu peito. Instintivamente, envolvo sua cintura, tentando lhe transmitir a sensação de segurança.
Dong Hae repara em nosso movimento e seu riso morre. Ele fica sério de repente, como se estivesse diante de algo importante.
— Hyukie, pare de rir! — ele repreende, num tom abismado. Incrivelmente, o outro para de rir na mesma hora. — Vocês dois estão namorando?
Os olhos dele brilham. Eu sinto meu sangue gelar; puta que me pariu! Nós dois estávamos nos atracando no maior estilo EunHae, e nem ao menos somos namorados! O que diabos eu estava pensando? E pior ainda: o que eu respondo?
— Sung Min não namora esse aí — a resposta vem de trás de Eun Hyuk, e eu reconheço imediatamente a voz. Ki Bum, o maldito filho da puta.
Eun Hyuk e Dong Hae se viram e revelam a figura do Monstro das Neves, ladeado por Hee Chul. Fico tão irritado por ver esse escroto aqui, ainda se intrometendo em assuntos que não lhe dizem respeito, que mando a seguinte frase:
— Quem te disse? — mas me arrependo no momento em que escuto o que eu disse. Eu deveria aprender a manter a boca fechada.
Todos os presentes ficam surpresos, inclusive Sung Min, que tira o rosto de meu peito e me encara. Seus olhos brilham esperançosos, ou estou imaginando coisas. Decido que não há mais razão para esperar ou adiar minha declaração. É agora ou nunca!
— Você...
— O que vocês ainda estão fazendo aí? — a voz de Lee Teuk soa alta, distante. Olhamos todos em direção à entrada do beco e lá está ele, ao lado de Kang In e Si Won. — Andem logo, já são 13:20!
Ninguém se mexe, e ele gesticula amplamente.
— Vamos! Venham!
É claramente uma ordem de líder, e todos começam a caminhar na direção dele. Mas eu não deixo Sung Min se afastar.
— Minnie — eu chamo, segurando seu braço. Ele me olha cheio de expectativa. — Eu... Preciso te dizer uma coisa.
Ele sorri e pisca duas vezes.
— Então, diga.
Eu respiro fundo. Está claro em seus olhos que ele quer ouvir o que eu quero dizer, mas eu não consigo dizer, mesmo assim. É frustrante; ridículo! Eu não tenho dúvidas de que ele dirá sim, então por que é tão difícil dizer “Eu te amo. Você quer namorar comigo?”? Se eu ao menos pudesse falar sem que ele entendesse...
Então a idéia perfeita me ocorre. Se eu sou covarde o suficiente para isso, não me resta alternativa.
— Wo ai ni — me declaro em Chinês.
Seus olhos brilham e eu me apavoro. Ele entendeu o que eu disse?
— Aishiteru — ele responde algo em Japonês. E fico parado feito um perfeito babaca, porque parece que ele entendeu perfeitamente o que eu quis dizer, enquanto eu não faço a mínima idéia do que isso significa.
Sung Min beija meu rosto e se afasta correndo, sorrindo divertidamente, enquanto eu permaneço congelado no mesmo lugar. Hee Chul se aproxima de mim e dá tapinhas nas minhas costas.
— Vamos, pequeno Kyu. Lee Teuk está esperando por nós. — Ele me conduz, forçando-me a me movimentar.
— O que ele quis dizer? — pergunto, meio distante. Chul dá de ombros, como se dissesse “Eu que vou saber?”.
— Eu disse “Eu te amo” — continuo, sem medo de que os outros escutem porque estão todos afastados.
— Eu sei. — ele responde.
— Acha que ele falou algo parecido? — insisto.
— Talvez.
Eu penso sobre isso. Como eu vou descobrir o significado do que Sung Min disse?! Eu preciso de alguém que saiba Japonês... Urgentemente!
Notas finais
Foi tão difícil achar o final perfeito para esse capítulo. A gente fez o nosso melhor para tudo acabar perfeitamente bem e maravilhosamente lindo.
E mais uma vez... Não odeiem o Ki Bummie, apesar de que acho difícil, depois da lindeza dele com o Minnie. *---*
Aaah! Só para explicar uma coisinha aqui. Muitas pessoas perguntaram o que o kingka, algo que o Sung Min vive falando, se referindo ao Kyu Hyun. Então... Kingka é um homem charmoso, bonito, sexy, atraente. Coisas desse tipo. Exatamente tudo que o Kyu é, não é?
Então, esperamos que tenham gostado e que deixem reviews, muitos reviews, só para saber que ainda temos leitoras lindas que acompanham aqui. >_
Então... Tentaremos não demorar tanto com o próximo, mas nada garantido hein? D: Não deixem a gente, não desistam... >_
Kisses,
Shamex Angel & Nie Bear.
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