New Life. New Love.
16 Unidos pelo destino!
Notas iniciais
Então... Esse capítulo é dedicado para TODAS as minhas leitoras lindas que perguntam sobre a fic e esperam ela. Entre elas: Tokie, Nychi, Thays, Kayama, Shiori, Jiin e por ai vai. n_n Espero que todas vocês gostem e é isso. Boa leitura. ♥
POV Kyu Hyun:
Eu estava tentando esperar até que chegássemos ao quarto de Sung Min, mas a questão está me enlouquecendo de tal forma que, assim que colocamos os pés no primeiro degrau das escadas, eu solto a pergunta:
— O que significa “homens da casa”?
— O quê?! — Sung Min retruca, sem entender, me olhando como se eu tivesse perguntado a coisa mais sem-sentido da face da Terra.
— “Homens da casa” — repito, sem dar importância ao fato de ele provavelmente estar me achando louco ou estúpido.
— Acho que você sabe o significado de “homens” e “casa” — ele diz, com uma pitada de ironia. Fico aborrecido com a resposta dele; é óbvio que eu sei o que quer dizer “homens” e “casa” e sei o sentido de “da”, então eu sei o significado da frase. Mas não sei o que ela quer dizer no contexto em que está inserida.
— Eu sei o que significa — resmungo.
— Então, qual é a dificuldade? — ele replica, antes que eu tenha a chance de explicar a minha dúvida.
— O que seu avô quis dizer com isso?! — pergunto, finalmente expondo o verdadeiro problema. No momento, acabamos de chegar ao segundo andar e Minnie congela assim que sobe o último degrau.
— Meu avô disse isso a você?! — ele diz, numa mistura de incredulidade, nervosismo e vergonha.
— Disse. Quando você estava me servindo, eu acabei cruzando olhares com ele. Provavelmente, minha expressão estava um tanto confusa e ele percebeu. Então ele sussurrou algo como “Homens da casa, Kyu Hyun”, e eu não sei o que demônios ele quis dizer com isso! — eu solto minha explicação, tão rápido que nem sei se ele entendeu tudo o que eu disse.
Sung Min cobre o rosto com uma das mãos.
— Merda... Já não bastava ter dito tudo aquilo durante o almoço... Ainda precisava falar isso? — ele murmura consigo mesmo. Isso faz com que eu me lembre da conversa estranha dos seus avós.
— A propósito, qual foi a razão da conversa dos seus avós? E “Os homens se sentam na cabeceira”?! Você também é homem, e é mais velho do que eu — digo. Para mim, nada faz sentido.
Minnie volta a levantar a cabeça e, com um suspiro, responde:
— Eu sou gay, Kyunnie. E meus avós sabem.
O quê? Sung Min é realmente gay? Quero dizer, eu sei que o fato de nos beijarmos (frequentemente) faz com que ambos sejamos gays, mas, quando nos beijamos pela primeira vez, Sung Min me disse que não era gay, e eu lhe disse a mesma coisa...
— Mentiu para mim? — pergunto. Ele encolhe os ombros.
— Desculpe — murmura. Eu processo a informação: Sung Min sempre foi gay... E gostou de mim? Eu gosto dessa idéia.
Seguro sua mão e caminho devagar em direção ao quarto, fazendo com que ele venha comigo.
— Você me enganou direitinho — digo, risonho. Não quero que ele pense que estou chateado. É coisa do passado e, de qualquer forma, não foi uma mentira grave. Eu não ligo se ele é mesmo gay, e não bissexual, como pensei que fosse.
— Não está irritado comigo? — ele pergunta, receoso. Eu lhe dirijo um sorriso, e percebo que ele fica aliviado.
— Você sempre foi gay? — mudo de assunto, porque acho que meu sorriso já serviu como resposta. Minnie afirma com a cabeça.
— Meu primeiro beijo foi com um garoto.
Isso é um tanto quanto surpreendente.
— Você nunca beijou uma garota?! — pergunto, incrédulo. Quero dizer, em vinte e dois anos ele nunca beijou alguém do sexo feminino?! É meio... Bizarro, não é?
— Não por vontade própria — ele diz.
— Uau — respondo, surpreso. — Isso é novidade.
Ele abre a porta para mim e entro em seu quarto novamente. Chegamos bem mais rápido dessa vez; provavelmente, porque eu já sei o caminho.
— Pois é — Minnie sorri para mim, um pouco envergonhado. — Você já descobriu algo novo sobre mim. — Ele se senta ao meu lado na cama. — Quer me contar algo novo sobre você?
Meu coração acelera; é agora. É a oportunidade perfeita. Chegou a hora de eu enfrentar o monstro do meu passado. Me remexo na cama, me sentindo desconfortável e extremamente tenso.
— Na verdade, eu quero, sim — digo, sentindo o nervosismo fazer meu coração bater ainda mais rápido. Sung Min me olha com interesse e admiração. — Há algo sobre mim que é muito importante que você saiba.
Sua expressão se torna séria.
— O que é, Kyunnie? — ele pergunta, apreensivo. Eu encaro minha mão, sem querer olhá-lo nos olhos. Respiro fundo e sigo em frente.
— Sabe... A minha cicatriz? — Levanto o olhar para ver sua reação. Minnie parece assustado, surpreso; ele assente várias vezes, mostrando que posso continuar. — Eu a ganhei há muito tempo. Em uma cirurgia que... Salvou a minha vida.
Volto a sentir o peso de minhas lembranças. As memórias daquele dia afloram novamente e lágrimas embaçam minha visão. Sung Min nota e segura minha mão. É algo inesperado, e eu lhe retribuo com um sorriso. O calor de sua mão na minha me dá forças para continuar.
— Quando eu tinha oito anos, minha mãe me colocou em uma escolinha de futebol. Eu queria treinar basquete, mas ela insistiu para que eu aprendesse futebol, porque basquete era muito perigoso e eu poderia me machucar. Sinceramente, acho que futebol e basquete tem o mesmo risco de contusões, mas quem era eu para discutir com a minha mãe?
“Ela me matriculou em uma escolinha perto do meu colégio. Como eu estudava à tarde, saída do colégio e ia para as aulas de futebol à pé, às terças e quintas-feiras. No fim do treino, às seis e vinte da tarde, ela me buscava lá de carro.
“De começo, eu estava desanimado. Aquilo não era o que eu queria, e eu nunca tive muito jeito para futebol. Mas lá eu conheci um menino, baixinho e carinhoso, com o sorriso mais doce que eu já tinha visto. Eu sempre fui muito introvertido e quieto, então nunca fiz muitas amizades. Mas ele... Era o meu oposto.”
Rio baixinho com a idéia, abrandando as más lembranças com as boas recordações do pequeno Lee.
“Ele era muito falante, agitado e extrovertido. Extremamente amigável. Em poucos dias, nos tornamos grandes amigos. Ele foi o primeiro amigo de verdade que tive. Mas, infelizmente, morávamos longe um do outro, e estudávamos em colégios diferentes, então só nos encontrávamos nas aulas de futebol. E esse foi o maior motivo para que eu continuasse frequentando os treinos.
“A verdade era que eu não me sentia confortável lá. Para mim, o professor nos olhava de modo analisador demais, como se estivesse atento aos mínimos detalhes, a todos os nossos movimentos. Eu não gostava daquilo. Achava muito estranho, suspeito. Era como se ele procurasse algo nos alunos.
“Trouxe o assunto à tona com meus pais, e eles me tranquilizaram, dizendo que aquilo era normal. ‘Ele está em busca de bons atletas’, eles disseram, ‘jogadores em potencial’. Fazia sentido. Deveria ser só aquilo. Afinal, o que mais ele poderia querer com seus alunos?”
Meu coração dói. Eu me esforço para controlar as lágrimas e não sucumbir como da outra vez. Tomo fôlego e me preparo para contar a pior parte da história.
“Depois de alguns meses, a turma se reduziu a dois terços. Eu notei que os alunos que abandonaram as aulas foram aqueles com quem o professor já tinha conversado em particular após o treino. Fiquei desconfiado novamente, mas o professor comunicou aos alunos que os garotos deixaram de frequentar as aulas porque eram muito talentosos e, para seguir carreira, precisavam treinar como profissionais, então ele os tinha direcionado para outra escola. Na época, pareceu completamente plausível para mim, e eu acreditei nele. Baixei a guarda novamente, ignorando detalhes que nunca deveria ter ignorado. Como, por exemplo, o fato de que os garotos que saíram da escola não eram os melhores da turma. E que todos eles tinham o mesmo tipo físico...
“Certo dia, minha mãe ficou presa no trânsito e não chegou para me buscar exatamente na hora em que acabava o treino. Meu amigo ia de bicicleta para casa, mas precisava passar na padaria para comprar algumas coisas para sua mãe, então não ficou me fazendo companhia enquanto eu esperava.
“Alguns minutos se passaram e todos os outros alunos foram embora. Só restei eu e o nosso professor. E então eu descobri por que nossa turma tinha se reduzido e finalmente entendi o que havia de errado com aquele homem.”
Faço outra pausa, enxugando as lágrimas com as costas da mão trêmula. Evito fechar os olhos, porque parece que as cenas daquela noite estão gravadas em minhas pálpebras. Não consigo ver muita coisa através da visão embaçada, e o som do meu choro atrapalha a audição, mas permaneço ciente da presença de Minnie por causa da sua mão, que continua segurando a minha com firmeza. Ele afaga debilmente as costas de minha mão, na tentativa – devo dizer parcialmente bem-sucedida – de me reconfortar.
Tomo fôlego e me preparo para concluir a história.
“O meu professor... Ele era um... Pedófilo... E, naquela noite, ele tentou abusar de mim. Ele me levou para a sua sala, sob a desculpa que tinha alguns documentos para eu entregar para o meu responsável. Eu não desconfiei de nada, mesmo quando ele trancou a porta atrás de nós.
“A princípio, foram apenas algumas frases insinuativas, que eu, como criança, não entendi. Depois, passou para o contato físico; ele começou a me tocar de uma maneira esquisita. Comecei a ficar com medo e me afastei. Ele investiu novamente, dessa vez com mais violência, e eu lutei com ele, decidido a fugir. Aquilo tudo estava muito estranho.
“Minha atitude o deixou nervoso. Ele me segurou com mais força, me machucando. Eu me lembro de ter lhe dado um pisão no pé e corrido em direção há porta, mas só tive tempo de girar a chave antes de ele me jogar no chão. Foi aí que eu comecei a gritar, desesperado. Mas aquilo só o deixou mais furioso.
“O professor não mediu esforços para me calar, se tornando cada vez mais agressivo. Ainda assim, eu continuava resistindo, o que só resultava em mais lesões. Eu simplesmente não conseguia me livrar dele, não importava o quanto eu tentasse.
“Só fui salvo porque meu amigo voltou. Ele tinha esquecido sua carteira dentro do armário e, quando voltou para pegá-la, escutou meus gritos e foi me socorrer. Como eu tinha conseguido destrancar a porta, ele entrou na sala e atacou o homem com uma cadeira. Apesar de ser mais baixo do que eu, ele era bem mais forte, já que fazia artes marciais.
“Não me lembro de muita coisa depois disso... Só dele chamando meu nome, todo o meu corpo doendo, e várias vozes falando ao mesmo tempo. No dia seguinte, acordei no hospital, com o abdômen enfaixado. Então descobri que eu precisei fazer uma cirurgia, porque tive as costelas fraturadas e um dos órgãos internos perfurados.
“Por isso eu tenho essa cicatriz e por isso eu não suporto lembrar que ela existe. Aquele dia... Foi um grande trauma para mim. E foi a partir dele que desenvolvi a minha espécie de fobia por homens homossexuais. Porque aquele homem me machucou muito... E de uma forma muito mais profunda do que apenas fisicamente.”
Termino de contar minha história, sentindo uma mistura de alívio e aperto no peito. Eu me sinto quase que alegre por ter finalmente colocado isso para fora. Quero dizer, Zhou Mi sabia do meu trauma, mas eu lhe contei uma versão bastante reduzida – ainda mais reduzida que essa. Então, compartilhar com Sung Min a verdade oculta por trás da marca em meu abdômen me faz sentir mais leve. E, pode parecer bastante idiota da minha parte, mas, agora que eu mesmo ouvi a história, parece que o monstro não tem tantas cabeças como eu achei que tivesse. Meu passado não parece tão horrível; minha cicatriz não parece tão detestável.
Na verdade, agora as coisas estão muito mais claras para mim. Naquela época, culpei tudo e todos pelo que aconteceu. Agora, percebo que não foi culpa de ninguém. Foi simplesmente algo que teve que acontecer, e já passou. Não há necessidade de chorar mais.
Seco as lágrimas que ainda rolam por meu rosto, sentindo que elas se esvaem. Eu respiro fundo, prometendo a mim mesmo que esta é a última vez que choro por causa deste assunto. E também me fazendo a promessa de não odiar mais minha cicatriz; ela salvou minha vida, independente do que tenha acontecido para eu ganhá-la.
— Kyunnie... — Ouço a voz de Minnie, entre soluços. Me assusto ao perceber que ele chora. Por que ele está chorando?
— Minnie — chamo-lhe, utilizando meu tom mais tranquilizante, enquanto tomo seu corpo em meus braços. Logo ele também me abraça, afundando o rosto em meu ombro e se pondo a chorar ainda mais. Sinto o tecido de minha camisa começar a ficar molhado, mas não me importo. Só estou preocupado em acalmar Sung Min agora. Não quero que ele chore por algo que já passou, e que – suspeito (e espero) eu – eu já superei.
— Kyunnie... Eu sinto tanto! — ele soluça em meus braços. — Me desculpe... Por favor.
Fico surpreso com o que ele diz. Ele está se desculpando pelo quê? Nós nem ao menos nos conhecíamos naquele tempo.
— Minnie, não chore por isso — digo, afagando seus cabelos. — E não se desculpe, por favor. A culpa não é sua. A culpa não é de ninguém.
— A culpa é minha, sim! — ele retruca, chorando mais. Do que ele está falando?... — Se eu tivesse ficado com você, se eu não tivesse te deixado lá sozinho...
Ouvir isso é como um choque elétrico. Não... Não é possível. Aquele garoto... Era Sung Min?
— Me perdoe por ter ido embora e deixado você sozinho com aquele maníaco! — ele diz, me olhando com os olhos cheios de lágrimas. Abro a boca, querendo dizer algo, mas as palavras desapareceram, assim como minha voz. Era ele!
Seguro o rosto de Sung Min entre as mãos, estudando suas feições, e, de repente, ele se parece exatamente com o pequeno Lee. Os olhos, o nariz, o sorriso, as maçãs do rosto. Tudo. Agora eu me lembro. Lee Sung Min... É claro. Eu me sinto um idiota por ter levado tanto tempo para perceber o que estava tão óbvio o tempo todo. Até mesmo quando ele me chamou de Game Kyu eu me recusei a notar... Talvez porque a idéia me parecia absurda demais – imagine, encontrar meu amigo de infância depois de doze anos sem notícias dele. Parecia tão improvável que eu considerei impossível.
Ou talvez porque meu cérebro não queria que eu o encontrasse. Parece estúpido, mas é assim que os cérebros trabalham quando se trata de traumas. Reprimem toda e qualquer memória que tenha a ver com o acontecido, impedindo você de lembrar sequer o nome de alguém que foi tão importante para você, anos atrás. E fazem de tudo para que você não se sinta fragilizado, ou seja, bloqueia o que pode te fazer recordar seu trauma. Como, por exemplo, Sung Min. Acho que meu cérebro pensou que, se eu percebesse que aquele era o mesmo Sung Min de tempos atrás, eu sentiria como se meu trauma estivesse mais concreto, mais real. Então, além de dificultar minhas recordações do ocorrido, principalmente em relação ao professor e ao meu amigo, me impedindo de lembrar até seus nomes, meu cérebro encobriu as evidências que supostamente poderiam me machucar psicologicamente. Que loucura, não é?
Mas o pior de tudo – ou seria o melhor de tudo? – é que ele estava errado. Saber que aquele era esse Sung Min não me faz mal. Muito pelo contrário: me deixa extremamente feliz. Porque eu reencontrei meu amigo, e ele é o cara que eu amo, e nós construímos nossa amizade toda novamente...
— Era você — eu murmuro, encantado, sentindo uma felicidade desconhecida inundar meu peito. Lágrimas brotam em meus olhos outra vez e, mesmo sem saber definir o motivo delas, sei que é um bom motivo. São lágrimas felizes. — Aquele era você.
Minnie assente chorando.
— Me perdoe — ele soluça. Em qualquer outra situação, eu lhe daria um tapa por estar sendo tão idiota a ponto de pedir perdão, sendo que ele foi o meu herói. Mas agora eu estou sentimental demais para fazer qualquer coisa que não seja abraçá-lo com força e agradecer.
— Obrigado, Sung Minnie — eu digo. — Muito obrigado por existir, por me salvar, por estar aqui agora — Me afasto para olhar seu rosto. Sung Min parece surpreso, incrédulo, abismado; eu não consigo parar de sorrir. Eu percebo que sua expressão começa a se transformar, dando a impressão de que ele vai retrucar, reclamar, insistir na idéia estúpida de que ele é o culpado de tudo. Mas eu não quero ouvir; não quero que ele diga nada. Então beijo seus lábios antes que ele possa pronunciar qualquer coisa.
O contato é bastante breve, e logo volto a fitar seu rosto. Diferentemente de antes, agora Sung Min parece desnorteado e um pouco admirado. Então olho fundo em seus olhos escuros, mergulhando na beleza das pérolas negras que são seus orbes, e solto a frase que tinha estado entalada na minha garganta durante todo esse tempo, sem nem ao menos me dar conta disso.
— Eu te amo!
Sung Min fica estático. Eu me surpreendo com a facilidade em dizer essa frase. Todo esse tempo hesitando, e agora parece tão natural quanto chamá-lo de Minnie.
— Eu te amo — repito, sentindo a veracidade nessas palavras aquecer meu peito. Sung Min se recupera do choque e vejo-o abrir um sorriso – o sorriso mais bonito que já vi em seu rosto. Eu já estou certo do que ele vai falar, e nunca estive mais feliz em toda a minha vida.
— E eu amo você — ele responde, radiante. Em seguida, nossos lábios se encontram novamente, dessa vez em um beijo mais demorado, mas igualmente inocente. Movemos nossos lábios lentamente, sem pressa, nos preocupando apenas em demonstrar nosso amor um para o outro. E, quando nosso fôlego acaba, ainda trocamos vários selinhos antes de nos separamos por completo.
Sinceramente, não sei dizer quem está mais feliz: eu ou Sung Min. Nós dois não conseguimos tirar o sorriso bobo do rosto, e poderíamos brilhar de tão radiantes.
— Achei que nunca me diria isso... Quero dizer, sem ser em Chinês — ele diz, com um sorriso brincalhão. Eu fico surpreso e me sinto envergonhado. Eu não entendi o que ele disse naquele dia...
— Quer dizer que você entendeu... — digo, sem-graça. Ele dá uma risada.
— Você não entendeu o que eu te disse? — Minnie replica.
— Não — digo, fazendo bico. — O que significa aquilo lá que você falou em Japonês?
— Hm, pelo menos sabe que é Japonês, huh? — ele se diverte. Eu fecho a cara.
— Não é justo! Você sabia esse tempo todo... — reclamo. Ele sorri abertamente.
— Mas, para a sua informação, eu já sabia antes de você me dizer “Wo ai ni” — Sung Min responde. — Na verdade, suspeito que eu tenha descoberto antes mesmo de você. — E solta uma risadinha.
— Babo! — replico. — Por que não disse antes, então?! Não sabe como eu fiquei paranoico, me perguntando se você gostava de mim ou não...
— Sério? — ele ri. — Estava tão óbvio, esse tempo todo!
— Tão óbvio que eu nem percebi... — digo, sem saber se estou sendo irônico ou não. Minnie acaricia minha bochecha.
— Desculpe... Eu queria que você dissesse primeiro — ele responde com doçura. Eu sorrio.
— Me desculpe por demorar tanto — digo. Ele balança a cabeça.
— Está tudo bem. A espera valeu a pena — Minnie alisa meus cabelos. — Fico feliz por você confiar em mim a ponto de me contar sua história. — Eu assinto em resposta. — Sem falar que agora você já sabe que eu sou seu melhor amigo há anos, o que significa que não pode mais me largar! — ele soa triunfante, como se agora eu não pudesse mais trocá-lo pelo Chul. É possível que eu ainda não o tenha convencido de que não quero trocá-lo por ninguém?
— Mesmo que não fosse, eu não o largaria nunca, Minnie — digo, afagando seu rosto. — Eu quero você comigo, o tempo todo, sempre.
Sua resposta é outro sorriso lindo, e nos beijamos outra vez. Eu me sinto extremamente satisfeito; finalmente consegui dizer “Saranghaeyo”! E ainda venci a luta contra meu passado, tudo de uma vez só! Surpreendente, eu diria.
Sem contar que agora eu já tenho certeza de que Sung Min me ama, e o babaca do Ki Bum não significa nada além de um amigo! Ou seja, eu vou parar de agir como um estúpido, tendo ciúmes dele e coisa e tal. Finalmente podemos seguir com o nosso relacionamento, porque agora já é oficial!
Quero dizer, tecnicamente, eu não o pedi em namoro. Mas, depois do que acabou de acontecer, nem é mesmo necessário, não é?
— Saranghanda — Minnie sussurra, quando finalmente nos separamos.
— Saranghamnida — eu sussurro de volta. Então nos aninhamos na cama, prontos para dormir um pouco. São duas e trinta da tarde; não tem problema se tirarmos um cochilo de meia hora, certo? A viagem foi um pouco cansativa...
Eu sinto o sono se apossar do meu corpo e minhas pálpebras pesam. O perfume de Sung Min tem um efeito sonífero sobre mim. Envolvo o corpo de Sung Min com mais firmeza, e, um pouquinho antes de eu cair no sono, escuto-o retrucar:
— Mas eu amo mais.
Eu replicaria dizendo que ele está errado, mas estou com muito sono, então deixo que ele se iluda achando que o amor dele é maior que o meu.
POV Sung Min:
Finalmente, depois de três dias, a última roupa que desenhei para Kyu Hyun está pronta. E devo admitir que está tão linda quanto as outras. Sem contar que provavelmente ficará perfeita naquele corpo divino que meu kingka tem.
Essa deve ser o décimo quinto visual que apronto para ele. E o que ele pensa disso tudo? Bem... Kyu adora ganhar presentes. E parece adorar ainda mais as roupas que faço para ele. O que só me deixa ainda mais feliz e ainda com mais vontade de desenhar novos modelos para ele.
Escuto uma buzina, fazendo assim com que focalize a porta do ateliê, podendo ver um carro parado em frente ao mesmo. Ele chegou! Tem sido assim desde Sexta. Eu passo o dia inteiro produzindo as roupas, enquanto Kyu Hyun aprende coisas com meu avô. Na quinta pela tarde Kyu até tentou me ajudar no design de roupas, mas ele é um pouco atrapalhado, o que me fez ter de ficar de olho nele o tempo todo e não conseguir produzir muito. Por isso agora fazemos assim, ele fica em casa e eu no ateliê.
E ai surge a dúvida: Vocês não passam tempo juntos? E a resposta é... Claro! Ele sempre me busca, tanto na hora do almoço quanto na hora da janta. Sem contar que eu não chego muito cedo e nem saio muito tarde do ateliê. Sozinho eu consigo produzir em um velocidade incrível, então acabo conseguindo fazer tudo o que tenho em mente sem incomodar o tempo que tenho com Kyu Hyun.
Começo a fazer as roupas às dez da manhã e sempre saio às sete da noite. Sem contar que almoço às uma da tarde e volto para o “trabalho” às duas e meia. E é sempre Kyu quem me traz e quem me busca. Incrivelmente o maknae sabe dirigir perfeitamente bem. O que é deveras surpreendente.
Começo a arrumar as coisas em seus devidos lugares. Não demoro nem cinco minutos, já que são poucos objetos para se guardar, e logo já estou saindo do local, fechando a porta do mesmo e trancando.
Entro no banco do carona, sorrindo para Kyu Hyun, que rapidamente retribui o sorriso. O corpo dele se aproxima e eu sei exatamente o que vem. Um selar! Outra coisa que se tornou normal entre nós dois. Beijos e caricias como se fossemos namorados. Apesar dele ainda não ter pedido.
— Boa noite Minnie! — A voz dele ecoa pelo carro, me fazendo sorrir largamente com isso e selar novamente os lábios dele.
—Boa noite Kyunnie! — Respondo, fazendo com que o sorriso agora se forme nos lábios do maknae.
— Hoje vamos jantar fora... Tenho uma surpresa. — Meus olhos se arregalam minimamente. Desde quando Kyu Hyun me prepara surpresas? E... Desde quando ele me convida para sair?
— Para onde vamos? — Me atrevo a perguntar. Ele solta uma gargalhada, enquanto dá a partida no carro, fazendo o motor rugir.
— Você verá. — É a única resposta que ele me dá, o que me deixa um pouco frustrado. Merda! Desde quando meu bebê ficou tão bom em esconder coisas e atuar? Odeio ser um ótimo professor!
O veículo já está em movimento, indo para algum lugar que não faço a mínima ideia de onde fica. Kyu Hyun está concentrado na estrada, dirigindo, enquanto eu estou mais nervoso do que uma menina em seu primeiro encontro. Eu preciso saber para onde estamos indo. Por que ele está escondendo? O que ele tem para esconder?
Meus olhos ficam vagando pelo lado de fora do carro, através da janela. As ruas vazias como sempre, várias casas e poucos prédios e poucos carros trafegando. As luzes da cidade são fracas, mas a Lua está cheia, o que faz com que mesmo assim o caminho esteja bem iluminado.
Tento decorar o caminho que estamos fazendo, já que Kyu Hyun está quieto e não quer me dar uma mínima dica de para onde estamos indo. Tudo bem que ele nunca veio para cá, mas ele passa um bom tempo com meu avô, que conhece essa cidade como a palma da mão. Então, se novas coisas surgiram, eu não sei enquanto Kyu Hyun pode saber. E isso é frustrante, porque realmente não sei para onde estamos indo.
Percebo que o veículo começa a diminuir de velocidade. Instintivamente olho para frente, procurando por algum semáforo, mas não existe nada nesse trecho. Direciono o olhar para meu kingka, vendo assim que ele está desligando o carro. Nós chegamos? Onde diabos nós estamos?
— Vamos? — Ele pergunta. Acabo olhando para a rua, vendo assim que estamos em frente a um prédio. Parece que várias pessoas estão aqui.
— Ér... Vamos! — Respondo meio apreensivo. Eu estou nervoso, simplesmente isso. Muito nervoso!
A porta do lado do motorista se abre, deixando que Kyu Hyun saia. Eu continuo dentro do carro, respirando fundo, para que possa sair tranquilamente. Não quero parecer o mais nervoso dos dois. Sou o mais velho e o mais experiente. Mas nunca me apaixonei dessa maneira. Estar ao lado dele me faz com que não consiga me concentrar e fique totalmente desesperado.
A minha porta se abre. Arregalo os olhos instintivamente, mas então vejo que o meu kingka abriu a mesma para que eu possa sair. Só eu acho isso muito... Romântico? A mão dele está estendida na minha direção e não evito em pegar a mesma. Rapidamente ele me ajuda a levantar, apesar de não ser necessário, e assim que saio do carro, ele fecha a porta e tranca o veículo.
Entrelaço os dedos aos dele, enquanto caminhamos em direção a entrada desse prédio. Ele é novo, tenho certeza disso. Parece um... Um... Shopping? Isso é um shopping? Desde quando estavam com um projeto de shopping para a cidade? E nem para meus avós me contarem isso. A única coisa que eles estão fazendo é me sacanear com Kyu Hyun e falar frases insinuativas de que estamos namorando.
Assim que entramos, vejo o quão grande esse local é. Estou louco para ver todas as lojas ali presentes, mas Kyu não permite. Apesar de não ter pedido para ver. Mas sei que não posso, uma vez que ele não para de caminhar em direção ao elevador.
Já andamos de elevador todo santo dia na instituição. Será que ele ainda consegue gostar de andar nessas coisas? Eu simplesmente detesto, mas quem sou eu para reclamar? Só espero que ele não seja uma lesma metálica, assim como o nosso.
Paramos em frente a caixa de ferro, esperando assim a mesma. Não demora muito e as portas se abrem, revelando assim um elevador maravilhoso. Um daqueles novos e totalmente eletrônicos. Se meu kingka não me puxasse para dentro, eu provavelmente ainda estaria do lado de fora, embasbacado.
O painel é totalmente eletrônico, o design é simplesmente maravilhoso e a parte de trás do mesmo é feita de vidro, deixando assim com que tenhamos uma vista maravilhosa do rio que corta a cidade. Isso é simplesmente divino.
Vejo as portas se fecharem, no exato momento em que Kyu Hyun aperta o botão da cobertura. Espere! Shoppings possuem coberturas? Desde quando isso? Ainda mais em uma cidade do interior. Desde quando esse lugar é tão civilizado assim?
Acordo ao ouvir o soar do elevador, indicando que chegamos ao andar desejado. Ual! Essa máquina é realmente rápida, diferente da qual estamos tão acostumados. As portas se abrem, revelando assim um restaurante simplesmente maravilhoso. As paredes são de um vermelho escuro, não muito intenso, deixando tudo mais lindo. Várias mesas redondas estão espalhadas pelo salão. Garçons caminham de um lado para o outro, levando pedidos de comida e bebidas para os clientes presentes.
O local está relativamente cheio. Poucas mesas estão vazias por aqui. Começo a procurar com os olhos algum lugar para que possamos ir sentar, porém meu corpo começa a ser puxado na direção do final do salão. Arqueio uma sobrancelha. Não tem mesas naquela direção. Então... Por que ele está me levando para lá?
Vejo que existe uma porta, que leva para uma parte externa. Provavelmente é a parte para os fumantes. Mas por que estamos indo nessa direção? Será que... Não! Ele não fuma. Se fumasse, eu já teria descoberto, não é?
— Kyunnie... Você fuma? — Pergunto, assim que chegamos ao local aberto. O céu está simplesmente divino. Várias estrelas iluminam o mesmo, assim como a lua cheia. A visão daqui é simplesmente perfeita.
— Claro que não Minnie! —Escuto a voz dele, acompanhada de uma gargalhada. Se ele não fuma, nem eu fumo, por que estamos do lado de fora? — Não vamos ficar aqui em baixo. Vamos ficar ali. — Ele aponta para outra parte aberta, porém um andar acima do qual estamos.
Meus olhos se arregalam mais do que da ultima vez. Esse restaurante deve ser simplesmente uma fortuna. Por acaso ele é rico assim? A ponto de poder pagar um jantar para nós dois aqui? Acho que preciso conhecer melhor esse menino.
Nossos dedos se entrelaçam novamente, enquanto sinto meu corpo ser puxado para ir até o local no qual iremos comer. Subimos lentamente a escadinha e logo já estamos no andar que nos foi designado. Kyu Hyun fala com um homem na entrada do local e ele parece procurar algo em um grande livro, para só então assentir e nos levar até a mesa para duas pessoas na qual nos sentamos.
Assim que me sento, começo a reparar no local. Pessoas bem vestidas, alguns homens até mesmo de terno, arrumação impecável e a vista, indescritível. O rio, que era possível ser visto pelo elevador, está ainda mais lindo daqui, e o céu é simplesmente... Aish! Não tenho palavras para descrever quão lindo é esse céu. Ainda mais com a presença do meu kingka.
Vejo ele pegando o Menu e observando atentamente ao mesmo. Agora fico com uma tremenda dúvida. Esse restaurante serve o que? Decido que devo pegar o cardápio também e então começo a olhar as opções. Começo pelos pratos principais, uma vez que não penso em pedir entradas nem nada do tipo.
Os nomes são relativamente estranhos, pelo menos para mim. Parece algo como... Italiano? É isso? Estamos em um restaurante de comida italiana?
—Hey! — Escuto a voz de Kyu Hyun. Instintivamente olho para ele, baixando o cardápio e o colocando na mesa. — Você já deve ter percebido, mas... É comida Italiana. — Ele diz, com a cabeça relativamente baixa e um sorriso sem graça no rosto.
Não consigo reprimir a risada fraca, fazendo com que ele semicerre os olhos e me olhe um tanto quanto emburrado. Infelizmente isso só faz a minha vontade de rir aumentar, mas eu mordo meu lábio inferior e assim controlo o riso. Não vou estragar tudo, não é?
— Eu tinha percebido. Mas... Não sei o que pedir. — Falo, um tanto encabulado. Não sou muito inserido em culinária italiana. Então não sei o que metade desses pratos são. O que me deixa envergonhado demais.
É a vez dele rir e receber um olhar reprovador de minha parte. Mas, diferente de mim, a risada dele só aumenta após meu olhar. Penso em fazer aegyo e obriga-lo a parar, mas sei que isso só vai piorar as coisas. Então, por debaixo da mesa, chuto levemente sua canela. Instintivamente Kyu Hyun parece levar a mão até a mesma, cessando a risada.
Um sorriso vitorioso surge em meus lábios, enquanto os dele estão com um biquinho, muito fofo por sinal. Ele me olha sério. Provavelmente porque o chute doeu, mesmo sendo fraco. Também, ele é magrelo demais.
Sorrio para ele, largamente, em um pedido mudo de desculpas. Ele parece entender e assente a cabeça, sorrindo de volta. Está tudo bem agora. Mas ainda não sei o que vou comer.
— Sung Minnie... Se quiser, eu peço algo para nós dois. — Ele diz, assim que a troca de olhares intensa que fizemos durante alguns segundos termina. — Que tal... Um Spaghetti? — Ele me pergunta. Finjo estar pensando sobre a resposta, uma vez que, sinceramente, essa é a única coisa que conheço da culinária deles.
— Acho uma boa ideia. — Respondo, sorrindo largamente. Pelo menos não vou comer um prato completamente desconhecido. Spaghetti, até onde eu sei, é macarrão. Claro que tem um molho especial, mas isso é o que menos importa. Ou será que não?
Vejo um garçom se aproximando e penso em perguntar para ele o que vem no molho ou no macarrão, mas fico quieto, vendo Kyu Hyun pedir dois ao molho branco. Arqueio uma sobrancelha. O que diabos é molho branco?
Respiro fundo para perguntar o que é isso, mas então o garçom pergunta o que vamos beber. Mordo o lábio na mesma hora, enquanto escuto um pedido de vinho. Mas... Kyu Hyun é menor de idade, não pode beber. Além do fato dele estar dirigindo. Esse garoto ainda vai me causar problemas. Tenho certeza disso.
O homem finalmente sai, nos deixando a sós, no meio de um bando de pessoas que nos olham como se fossemos estranhos. Eu as compreendo. É estranho ver dois homens – ou garotos, como elas preferirem – juntos, sentados em uma mesa de um restaurante chique, olhando um para o outro com cara de apaixonados. Bom... Pelo menos eu estou assim. Igual um idiota observando quão lindo esse menino é.
Kyu parece um pouco incomodado com o fato de eu estar observando ele. Tanto que começa a olhar para os lados, procurando desviar seu olhar do meu. Mas... Por quê? É tão estranho assim seu observado?
— Minnie... Eu fico envergonhado quando fica me encarando assim. — Ele diz em um tom baixo. Agradeço por esse local não ser barulhento, caso contrário não entenderia nada do que ele me disse.
— Ér... Me desculpe. — Deixo a coluna reta mais uma vez, percebendo só assim que estava com os cotovelos por cima da mesa e a cabeça apoiada nas duas mãos para observá-lo melhor.
— Está tudo bem. — Ele volta a me olhar, sorrindo largamente, como uma criança. Nessas horas que sei que ele é o maknae. — Só não olhe tão fixamente. — Assinto em resposta ao pedido dele, ajeitado a coluna da cadeira.
Vemos o garçom vindo de encontro a nossa mesa, com uma garrafa de vinho na bandeja e duas taças. Olho para Kyu Hyun, cerrando os olhos minimamente e franzindo a testa. Ele parece se encolher um pouco, mas ainda dá um sorriso largo, como quem diz “Só hoje hyung”. Aish! Se Hee Chul descobre que deixei Kyu beber e ainda dirigir em seguida, eu estou morto. Aquele demônio de cabelos vermelhos não me perdoaria nunca se algo acontecesse.
Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos da mesma, e focalizo o homem de branco e preto que já está parado em frente a nós. Ele, primeiramente, coloca as duas taças sobre a mesa, para em seguida nos servir com um pouco do líquido e então se retirar, fazendo uma pequena reverência.
Sou o primeiro a pegar o objeto de cristal, com todo cuidado possível, e levar até os lábios, sorvendo boa quantidade do líquido ali presente. O sabor inconfundível do vinho invade minha boca, fazendo com que meus olhos se fechem lentamente. A quanto tempo não provo dessa maravilha.. Até havia esquecido o sabor.
Kyu está parado, segurando a taça com a mão direita e a rodando lentamente, misturando um pouco o conteúdo dentro da mesma. Os olhos dele não desgrudam de meu rosto, o que me faz estremecer um pouco. Odeio quando me analisam dessa maneira e ele parece adorar fazer isso.
Continuo bebendo o conteúdo da taça, enquanto finalmente ele leva a taça até os lábios e deixa que o líquido deslize da mesma até dentro de sua boca. Ao levar a taça de volta a mesa, ele sorri para mim. Uma pequena gotícula de vinho escorre pelo canto da boca dele e uma enorme vontade de me levantar e passar a língua ali me invade. Mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, ele limpa com a própria língua. Posso dizer que não é nada educado, porém não estou nem ai. Para mim, isso é uma provocação dele. Acho que nosso jogo acaba de começar.
Está na minha vez de provoca-lo e não vou sair perdendo de maneira alguma. Levo novamente a taça até os lábios e desta vez fico só passando a língua, discretamente, pelo contorno da mesma. Kyu percebe, soltando o ar de maneira pesada, me fazendo sorrir minimamente. Ingiro mais um pouco do conteúdo, para em seguida depositar a louça sobre a mesa.
Assim que larguei a mesma, passei a língua sobre o lábio inferior, sorvendo algumas gotículas que ficaram ali. Os olhos dele não desgrudaram uma só hora de mim, durante toda a minha ação. Kyu está caindo perfeitamente em minhas provocações e isso é mais do que excitante para mim.
A mesa é um tanto pequena, o que faz com que possamos nos beijar. Penso em fazer isso, mas não vai ser algo interessante. As pessoas vão começar a nos olhar mais tordo do que agora e simplesmente não vou saber como reagir. Então resolvo ficar quieto, acho que ele desistiu do jogo de provocações.
Desvio meu olhar para o céu, procurando algo interessante para observar, apesar de ter o rosto de Kyu bem na minha frente, o que é simplesmente divino de se observar. Só não quero parecer estranho demais, o olhando fixamente.
As estrelas estão lindas, o que faz com que minha atenção fique presa as mesmas. Um sorriso pequeno surge em meu rosto, porém se desfaz rapidamente. Sinto algo tocando minha coxa, por debaixo da mesa. Arqueio uma sobrancelha e olho rapidamente para baixo. Aquele é... O pé dele?
Meu olhar se dirige até o rosto de Kyu Hyun e ele está com um sorriso sapeca no rosto. Idiota, quase me mata do coração. Será que agora está contente?
— Está viajando um pouco hyung? — Escuto a voz grave dele, me arrepiando por completo. Não me lembro de já ter escutado Kyu me chamando de hyung muitas vezes, já que ele prefere ser chamado assim.
— Ér... — As palavras parecem fugir de minha mente. Aquele sorriso de canto, o olhar fixado em mim e somente o fato de estarmos respirando o mesmo ar faz com que eu não consiga me concentrar. — Eu estava... Pensando... — Digo, sem ao menos perceber que agora terei de explicar em que. Raiva!
— Em que? — A pergunta veio, de maneira óbvia, como eu já sabia. Respiro fundo, pensando no que posso dizer para não parecer muito estranho.
— Só que hoje é nossa última noite aqui... Amanhã voltaremos para a Instituição e...
— Nem me lembre disso. — Ele me interrompe. Não consigo reprimir uma risada, tanto por causa do tom dele, quanto por causa da careta que o mesmo faz. — Estou tão bem aqui. Não queria voltar. — Um sorriso largo se forma em meu rosto e reflete no dele, só que trocentas vezes mais bonito.
Realmente! Não quero voltar para lá. Ter de ver todos novamente, ver Hee Chul se agarrando ao meu kingka, ver Kyu tendo crises e ataques de ciúmes por causa de Ki Bum – o que é ilógico – e ter de aturar meus amigos, fazendo várias piadinhas, principalmente Hyuk Jae.
Perdemos o assunto mais uma vez. E novamente ficamos somente encarando um ao outro. Particularmente gosto de ficar assim. Somente observando Kyu Hyun, vendo toda a sua beleza, analisando todos os seus traços. É realmente bom. Mas... Odeio quando ele me encara da mesma maneira. Infelizmente não consigo não corar. Minhas bochechas parecem queimar cada vez que tenho os olhos dele fixos em mim. Que coisa infantil!
E ele está fazendo isso exatamente nesse momento. E meu rosto parece pegar fogo. Droga! O pior é que tenho certeza de que Kyu Hyun consegue perceber o quão envergonhado estou. E só por isso parece que ele analisa ainda mais, olha ainda mais. Aish!
Abro a boca para reclamar sobre isso, porém antes que eu possa falar alguma coisa o garçom volta à mesa, trazendo nossos pedidos. Spaghetti ao molho branco. Admito que estou um pouco intrigado sobre o que tem nesse molho branco, mas fico quieto e não pergunto nada, pelo menos não ao homem que trabalha aqui. Vou esperar e perguntar a Kyu Hyun.
Os pratos são postos na nossa frente e, logo após isso, o homem nos deseja um bom apetite e se retira, fazendo uma nova reverência. Meus olhos vão do prato até o rosto de Kyu. Tenho vontade de lhe perguntar, mas não tenho coragem. Não quero parecer totalmente idiota em relação à comida italiana, apesar de estar meio na cara. Ele bem que pode entender o que quero através do olhar, não é?
— Creme de leite, leite, presunto e queijo. — Escuto ele dizer. O olho com uma das sobrancelhas arqueadas. O que diabos esse homem está falando? — É o que tem no molho. — Ele completa, me fazendo entender o que a frase anterior significa.
Abro o meu melhor sorriso ao saber disso e rapidamente pego os talheres. Um garfo e uma colher, que, até onde sei, é o utilizado para se comer Spaghetti na Itália. Eu sinceramente acho estranho, mas não vou reclamar nem comentar. Deixe assim mesmo.
Levo a primeira garfada até a boca, sentindo o gosto maravilhoso que o molho branco possui. Ual! Isso é realmente delicioso. Nunca pensei que algo poderia ter um sabor como esse. É suave e pouco salgado. Não tem como explicar. Só sei que é infinitamente bom.
Kyu Hyun parece gostar tanto quanto eu da comida – ou talvez eu tenha gostado mais – uma vez que ele não fala uma só palavra enquanto degusta seu prato. O silêncio se torna um pouco incômodo para mim, mas antes que eu possa abrir a boca e falar algo, uma música suave e lenta começa a tocar.
Ambos nos assustamos e procuramos pelo recinto de onde o som poderia sair. Ao longe avisto um grupo de músicos, em um pequeno palco, tocando instrumentos. Violão, violino, flauta... Essas coisas de orquestra e músicas somente melódicas. Sem nenhuma letra. Meus olhos brilham, assim como os de meu kingka. O som é realmente bom e relaxante. Além de tornar o clima ainda mais especial. Para mim, esse é o nosso primeiro encontro, sem olhos curiosos ou comentários idiotas. É realmente maravilhoso.
Olho para frente, focalizando o lindo rosto de Kyu Hyun. Incrivelmente ele está olhando para mim, fazendo com que nossos olhos se encontrem e acabemos por ficar somente nos olhando. Ele possui um sorriso largo nos lábios, que se reflete no meu, uma vez que não consigo deixar de sorrir estando assim, a sós com ele.
Sinto a mão dele segurar a minha e inconscientemente olho para baixo, focalizando as duas. A minha está sobre a mesa, com a palma para baixo, enquanto a dele acaricia levemente a parte superior de minha mão, fazendo um arrepio gostoso subir pelo meu corpo.
— Sabe hyung... — Ele começa a falar, fazendo com que um novo arrepio surja e percorra o mesmo caminho. — Eu estava pensando em algo. Algo que tem me dado uma tremenda dor de cabeça. — Meus olhos se arregalam minimamente, enquanto continuo olhando fixamente para nossas mãos, como se fosse a coisa mais interessante de se observar.
— E... O que é? — Digo pausadamente e relativamente baixo, devido a vergonha que estou sentindo nesse exato momento.
— Bem... A nossa... Ér... — Focalizo novamente os olhos de Kyu Hyun, vendo assim que ele está nervoso e provavelmente mais envergonhado que eu. Tenho que lhe passar confiança, caso contrário ele não conseguirá falar uma só palavra.
— Diga. — Incentivo, sorrindo minimamente para ele. Vejo seu peito subir e percebo que ele respira fundo. Okay! Estou muito nervoso agora.
As mãos de Kyu Hyun tateiam o bolso interno da jaqueta que ele está usando. Não que esteja frio para isso, mas como estamos no alto e perto do rio, o vento é incrivelmente mais forte e um pouco gélido também.
Meus olhos se fixaram em suas mãos, enquanto finalmente ele tira algo do esconderijo. Uma caixinha vermelha, aveludada. Mas... Isso... Será que...
— Eu sei que deveria ter feito isso há um bom tempo, mas não conseguia coragem... E agora... Seus avós me fizeram perceber que... Bem... — Eu não consigo prestar muita atenção no que ele fala. Meu coração está a mil por hora e sinto que posso desmaiar a qualquer momento. Só não posso ser tão fraco assim. — Você... Aceita namorar comigo? — Finalmente a pergunta. Eu fico paralisado, encarando meu kingka, que me olha de maneira apreensiva e nervosa, com o rosto totalmente ruborizado.
Abro a boca para falar algo, mas infelizmente minha voz parece ter sumido. Desde quando sou tão idiota assim? Merda! Quero dizer que sim, que sempre esperei por isso, que é o que mais quero... Mas não... Eu fico parado com essa cara de idiota, olhando do rosto de Kyu para os anéis e vice-e-versa.
Minha cabeça começa a balançar freneticamente para frente cima e para baixo, fazendo um movimento de “sim”. Vejo que um sorriso começa a se formar nos lábio dele, que provavelmente significa que ele entendeu o recado. Mas mesmo assim não paro de movimentar a cabeça, infelizmente é algo involuntário.
Ele deixa a caixinha sobre a mesa e segura a minha mão direita delicadamente. Então pega o menor entre os anéis e leva até o meu dedo anelar. São alianças de prata, o que simbolizam compromisso. Isso é mais do que eu jamais esperei. Principalmente vindo dele.
Seguro a mão direita dele, percebendo assim o quão tremulo estou. Pego a outra aliança e então faço o mesmo que foi feito comigo há alguns minutos. Finalmente um sorriso largo surge em meus lábios, enquanto o do dele somente aumenta de tamanho.
Sinto alguns olhares pesando sobre nós, mas realmente não estou nem ai. Que se foda o mundo! Eu estou namorando Cho Kyu Hyun! Não tem Hee Chul, não tem medo de gays, não tem nada. Só existe eu e ele. E agora somos namorados. Isso é realmente real?
— Eu te amo. — Escuto ele sussurrar, enquanto segura minhas duas mãos, unido as dele.
— Eu também te amo. — Digo no mesmo tom, sorrindo largamente para o meu... Namorado!
Notas finais
Então... Espero que tenham pelo menos achado legalzinho. Teve explicação do passado do Kyu, que muitas já tinham adivinhado, e o pedido de namoro. /todosvibram
E o próximo... Tem o Lemon! Ele já tá na metade!/todoscomemoram. Ou seja... Bem provável que ele saia BEM mais rápido que esse. n_n
Não esqueçam o review heein?
E quem quiser saber sobre a fic e falar com a autora (mesmo ela sendo uma chata) segue no twitter @choshamex
Kisses e até o próximo! ♥
Fale com o autor