New Life. New Love.
15 Uma viagem a dois.
Notas iniciais
A gente sabe que demorou mais do que deveria, até porque passou mais de um mês e nada da gente atualizar né? Mas agora voltamos. o
Bem, demoramos tanto assim por três motivos:
1 - Nosso computador foi parar no concerto duas vezes esse mês.
2 - Teve o dia das mães, que a gente sempre faz alguma coisa especial para a nossa.
3 - Aniversário da nossa mãe (sim, no mesmo mês) e também tivemos que organizar algo. (Particularmente é hoje o aniversário, mas vocês entendem).
O capítulo não saiu tão grande como os anteriores, mas tomara que vocês gostem. Capítulo SOMENTE KyuMin...
Boa leitura.
P.O.V. Kyu Hyun:
Desde o meu aniversário, já se passaram dois meses. Nesse meio tempo, recebemos a notícia de que nossos professores participariam de um congresso na cidade vizinha, e por isso teríamos um recesso de quatro dias – de Quinta-feira a Domingo. Deram permissão aos alunos para ir para casa, mas disseram que também poderíamos permanecer na Instituição, se desejássemos – o que seria bem bizarro, uma vez que já ficamos trancafiados lá dentro vinte e quatro horas por dia. Quero dizer, quem seria louco de perder a oportunidade de escapar daqueles muros?
Com certeza, eu, não. Mesmo não estando certo de que poderia ir para casa, por causa do trabalho dos meus pais – eu não sabia se eles estariam viajando ou não –, estava decidido a sair da instituição, mesmo que fosse para viajar escondido na mala de Hee Chul!
Não, mentira, eu não estava pensando em fazer isso. Na verdade, estava rezando para que meus pais estivessem disponíveis para me receber em casa, porque, caso o contrário, eu estaria fodido. Não tinha nenhuma opção além da minha casa. Então estava pensando em rever a família e matar as saudades das minhas coisas, meus jogos de videogame e afins; até que Sung Min me surpreendeu com uma proposta interessante.
“Quer viajar comigo?”, ele perguntou, enquanto caminhávamos para o refeitório. Minnie estava visivelmente nervoso, mas igualmente animado com a idéia. De primeira, eu não acreditei que ele estava de fato me convidando para passar o recesso com ele.
“O quê?”, repliquei. Ele deu de ombros, como se fosse algo banal, mas eu pude ver em seus olhos que aquilo significava muito para o Minnie. Obviamente, ele ficaria chateado se eu recusasse o convite.
“Bem, eu vou para a casa da minha avó, no interior do estado, e estive pensando se você não gostaria de ir comigo”, Sung Min disse, confirmando o que eu acreditava ter ouvido. Eu não soube o que responder, então fiquei em silêncio.
A idéia de viajar com o Minnie me deixava nervoso, mas, ao mesmo tempo, animado. Eu queria passar um tempo só com ele. Sem nenhum Ki Bum para me foder a paciência, nem nenhum Eun Hyuk para atrapalhar ou fazer piadinhas. A idéia de viajar com Sung Min para o campo era tentadora. Aquela era sem dúvidas uma boa proposta.
Minnie olhou para mim, esperando uma resposta. Eu já tinha uma resposta – positiva, por sinal –, mas não queria que ele percebesse que eu estava tão interessado assim em ir, então dei uma de difícil.
“Eu não sei, Minnie”, disse. Ele não conseguiu disfarçar o desapontamento. Eu sorri, numa tentativa de reconfortá-lo. “Não é que eu não queira, não me leve a mal. Na verdade, é um convite bem legal e eu gostaria muito de aceitar, mas... Bem, tem a minha família e eu não os vejo há algum tempo, entende?”.
Era tudo fachada. Podem me chamar de bastardo miserável, mas eu estava muito mais afim de viajar com Sung Min do que de ir para casa.
Minnie franziu a testa, como se se sentisse culpado.
“Eu sei, me desculpe. É muito egoísta da minha parte querer te privar de ver seus pais...”, ele disse. Eu não falei nada, porque me pareceu que ele queria dizer mais alguma coisa.
Então, Sung Min parou de andar. Consequentemente, eu também parei. Me virei para olhá-lo e ele parecia determinado, ao mesmo tempo em que parecia inseguro do que estava prestes a dizer.
“Kyunnie...”, Minnie começou, sem saber direito o que falar. “Eu quero muito que você viaje comigo. Muito mesmo!”, ele disse. Eu sorri, achando graça do modo como sua voz soou ansiosa e necessitada.
“Posso saber por quê?”, perguntei. Mesmo sem querer, já estava pensando em coisas impróprias. Maldita mente poluída eu tenho!
“Porque é a oportunidade perfeita para fazer roupas para você!”, ele respondeu, animado e suplicante. Sei que parece uma combinação estranha de emoções, mas era assim mesmo que ele estava.
Eu ri da resposta dele, e Sung Min pegou na minha mão, concentrando todo seu poder de aegyo nos olhos. “Seria o máximo se você estivesse lá comigo, para eu acertar as medidas, ver o resultado, fazer alterações e os ajustes necessários... Por favor, venha comigo”.
Eu afaguei sua bochecha afetuosamente.
“Minnie...”, eu disse, risonho. Ele estava absolutamente adorável com todo aquele ar suplicante e infantil. Eu não consegui
resistir mais. Entreguei o jogo. “Olhe, preciso pedir a permissão dos meus pais, está bem? Mas vou falar com eles logo depois do almoço”.
Seus olhos se iluminaram.
“Verdade? Vai vir comigo?”, ele perguntou, incapaz de controlar sua animação. Eu sorri e balancei a cabeça.
“Se meus pais concordarem”, lembrei-lhe. Ele assentiu diversas vezes, mostrando que tinha entendido, e me abraçou com força, agradecendo sinceramente várias vezes e beijando minhas bochechas.
Eu pedi para que não se animasse muito, afinal, meus pais podiam não permitir que eu viajasse, mas ele não pareceu dar muita importância para isso.
“Se vier comigo, darei o número do Han Geng a você!”, Sung Min disse, alegre até o último fio de cabelo. Aquilo fez com que minha resposta positiva fosse inalterável.
“Está falando sério?”, quis saber. Ele sorriu e fez que sim com a cabeça.
“Como uma compensação, já que você vai abrir mão de rever seus familiares. Eu consegui o telefone com o Hyukkie ontem à noite, pouco depois do jantar”, disse, mexendo no celular. “Olhe!”. Mostrou o visor para mim, tampando com os dedos os últimos dígitos da sequência de números. “Assim que voltarmos, darei a você”.
“Isso não é justo! E se meus pais não me deixarem ir?”, reclamei. Ele pôs o indicador sobre meus lábios e seu rosto se iluminou com um sorriso travesso. Seus olhos tinham um brilho divertido, como se ele já estivesse ciente da minha resposta.
“Sinto muito, Kyunnie. Mas eu realmente quero muito que você diga ‘sim’”, Sung Min respondeu. Em seguida, retomou a caminhada até o refeitório, quase saltitando de tão contente.
Mais tarde, após o almoço, liguei para minha mãe. Na verdade, fingi que liguei. Eu havia chegado à conclusão de que seria muito complicado explicar a ela o motivo de eu querer ir viajar com o Minnie, e também seria muito improvável que ela concordasse com a idéia, porque Sung Min era um desconhecido, assim como seus avós. Então, uma vez que ela não sabia de recesso algum, para quê dizer a ela? Eu tinha de ir naquela viagem! Por três motivos básicos: 1) Hee Chul me trucidaria caso eu não fosse – isso se ele soubesse que aquela viagem significava a posse do número do Han Geng; 2) eu ganharia aquelas roupas divinas que Sung Minnie tinha feito para mim; 3) eu deixaria Sung Min muito desapontado se não fosse.
Claro que também havia um quarto motivo, que, na verdade, era o motivo determinante, mas eu ainda me recusava a admitir que queria viajar com Sung Min simplesmente para passar mais tempo com o meu ursinho apertável, longe de todos os outros que atrapalham nosso relacionamento.
No final, eu aceitei o convite – obviamente – e estou viajando de trem junto com Sung Min em direção à casa de seus avós. Durante a viagem, Minnie tagarela sem parar sobre as roupas que vai fazer. Eu acho graça da animação dele, mas acabo sendo influenciado e fico ansioso também. Conversamos com entusiasmo boa parte do trajeto.
Em certo ponto, quando ele me diz que estamos quase chegando, fico apreensivo. Para ser sincero, estou nervoso por estar prestes a conhecer os avós de Sung Min. Quero dizer, e se eles não gostarem de mim?
— Fique tranquilo, Kyunnie — ele me diz, quando verbalizo a questão. — Meus avós são boas pessoas. Minha avó é um amor! Tenho certeza de que ela vai amar você.
— Sério? — pergunto, sorrindo. Pensar que serei bem-aceito pela família de Sung Min me deixa incrivelmente alegre.
— Claro! Você é adorável. E educado. Não tem como eles não gostarem de você.
Isso me faz sentir melhor e mais seguro sobre meu encontro iminente. E Sung Min está certo. Eu sei me comportar direito. Não tem por que eles quererem me expulsar, certo? Eu só preciso ser agradável e respeitoso e minha estadia lá vai ser um sucesso.
O resto da viagem decorre tranquilamente. Como era de se esperar, a companhia de Sung Min é extremamente agradável e conversamos a maior parte do tempo. E, para dizer a verdade, a viagem demora menos do que eu pensei: só duas horas e quarenta minutos.
O apito do trem soa assim que chegamos à estação. Minnie se levanta primeiro, por estar no corredor, e eu o sigo para fora do vagão. Caminhamos até o bagageiro para pegar nossas malas, e, ao chegar lá, entregamos um papel ao funcionário encarregado das bagagens, que logo nos indica nossas malas – um conjunto de três malas de rodinhas, todas rosas, e uma mala da mão, marrom. Nem dá para imaginar o que é de quem, não é?
Me pergunto por que ele trouxe tanta coisa se só vamos ficar aqui quatro dias. Parece até que é um mês inteiro! Aposto como ele não vai usar nem metade das roupas que trouxe. E o pior é que Sung Min trouxe mais malas do que pode carregar. Ele tem sorte por eu ser um cavalheiro, e estar apaixonado por ele. Caso o contrário, não me ofereceria para carregar uma de suas malas – mesmo sendo rosa – e deixaria que ele se fodesse tentando achar um jeito de arrastar as três malas até o carro.
Aliás, onde está o carro?
— Vovó disse que iria nos esperar nos fundos da estação — ele diz, como se lesse meus pensamentos. Logo, começamos a caminhar em direção ao estacionamento de trás. — Mal posso esperar para trabalhar no meu atelier! Tenho tanta coisa para produzir! Você não se esqueceu de trazer uma segunda mala, não é?
— Está aqui dentro, senhor — respondo, sinalizando a minha bagagem.
— Ótimo! — ele diz, em tom de aprovação. — Porque você vai ganhar um monte de roupas novas e exclusivas!
Sinto minhas bochechas esquentarem. Eu me sinto sem-graça por ele querer me presentear desse jeito.
— Não é justo, Minnie — eu digo, chateado. Não tenho nada para presenteá-lo em troca. — Eu não te dou nada, e você me dá praticamente um guarda-roupa novo.
Ele ri, contente.
— Eu não quero nada em troca — diz, sorrindo. Então me olha de soslaio e eu percebo uma mudança sutil em sua expressão. — Mas, se você quiser me recompensar, a gente pode dar um jeito.
A malícia em sua voz é evidente. De repente, a temperatura parece subir. Sinto como se minhas calças tivessem diminuído dois números. Por um momento me pergunto se é mesmo uma boa idéia nós dois passarmos quatro dias praticamente a sós. Quero dizer, eu sou um pervertido de primeira, e Sung Min é tão provocante e irresistível que... Não vai prestar se nós dois ficarmos sozinhos num quarto.
— Ah, mas é claro que eu quero te recompensar, Minnie — respondo, desejando ter uma mão livre para apertar sua bunda. — Vou te dar um presente inesquecível.
Eu não poderia soar mais insinuativo. Vejo os fios da nuca de Sung Min, que caminha um passo à minha frente, ficarem arrepiados. A vontade que eu tenho é largar as malas no chão e agarrá-lo por trás.
— Hm, estou ansioso por esse presente, Kyunnie — ele diz, por cima do ombro, praticamente gemendo meu nome. Eu preciso respirar fundo para me controlar. — Mas lembre-se de que eu vou passar bastante tempo ocupado com a produção das roupas, então...
A frase dele dissolve o clima picante entre nós. Um pensamento muito desagradável me vem à mente.
— Você não vai passar mais tempo costurando do que comigo, vai? — pergunto, com um quê de magoado. Do jeito que ele está falando, parece que o Minnie vai se ocultar no maldito atelier e só sair de lá nas refeições. Quero dizer, eu não viajei com ele para ficar mofando enquanto ele se diverte fazendo roupas, não é?
— Bem, é muita coisa para produzir, Kyunnie — Sung Min responde. Não era isso o que eu queria ouvir. — Minha avó vai se encarregar do figurino do grupo, você sabe. Eu trouxe o modelo que esbocei a partir das idéias do Hee Chul e do Lee Teuk-sshi e também as medidas de todos os membros; menos as suas, porque eu ainda não tirei. Mas, ainda assim, tem muita coisa que eu quero fazer.
Eu penso sobre o que ele diz. Está bem que eu sei que Sung Minnie tem uma porrada de esboços desenhados para mim, mas...
— Você não vai fazer roupas para... Aquele lá também, vai? — pergunto, sem conseguir disfarçar o ciúme em minha voz. Só de pensar nessa idéia, sinto meu sangue esquentar e uma irritação inexplicável.
Minnie se vira para mim, sem conseguir decidir se me dirige um sorriso ou uma expressão reprovadora.
— Está se referindo ao Ki Bummie? — ele pergunta, risonho, mas mantém os olhos semicerrados em censura. Eu me esforço para achar que graça ele está vendo na situação, mas não encontro.
Minnie só piora as coisas chamando o Monstro das Neves por esse apelido carinhoso. Eu me sinto extremamente mal-humorado. E, em resposta à sua pergunta, resmungo e faço uma careta.
Alheio à minha aporrinhação e crise de ciúmes, Sung Min curva os lábios para baixo e forma um biquinho fofo.
— Não... Eu não desenhei nada para ele... — diz, entristecido, como se sentisse culpa por isso.
— Melhor assim! — acabo verbalizando o que deveria permanecer apenas em meus pensamentos. Maldição! — Roupas, só para mim! — Como se o dito antes não fosse suficiente, solto essa. Puta que pariu! Alguém cale minha boca, por favor.
— Aish! Não posso fazer roupas para Ki Bummie? — ele pergunta, incrédulo, até mesmo um pouco ofendido. Mas está claro no seu tom de voz que Sung Min está se divertindo com tudo isso.
Não sei por quê.
— Não! — respondo inconscientemente. Mil vezes merda! Eu preciso aprender a ficar de boca fechada.
— Isso tudo é ciúmes do meu melhor amigo? — ele ri. A pergunta dele me atinge de uma maneira estranha. Sinto um gosto amargo na boca.
— Achei que eu fosse seu melhor amigo — digo, soando muito mais magoado do que eu esperava. Nos tornamos amigos muito antes da estúpida aproximação repentina entre ele e aquele maldito Ki Bum! Isso significa que eu sou insignificante?
Sinto uma ardência incômoda nos olhos e odeio a mim mesmo por ser tão ridículo.
— Kyunnie... — Sung Min me chama, com um tom de urgência na voz. Focalizo seu rosto outra vez e vejo que agora ele está sério, sem o ar divertido de segundos atrás. Ele solta uma mala e toca meu rosto, olhando fundo em meus olhos antes de dizer: — Você sempre foi muito mais do que isso para mim, Cho Kyu Hyun.
Eu me surpreendo com o que ele diz. “Você sempre foi muito mais”? Isso quer dizer que... Eu sou a pessoa que ele ama?
Ou o maknae adorável por quem ele nutre um grande carinho? Mas não teríamos tido todos os nossos momentos de pegação se ele não me amasse... Ou no mínimo nutrisse um sentimento carnal por mim. Então será que é isso? Desejo carnal? Mas, se fosse, por que ele iria querer me trazer para conhecer seus avós? E por que ele iria querer me dar roupas?... Argh, isso é tão complicado! Por que ele não pode simplesmente virar para mim e dizer que me ama e quer ficar comigo?!
Pelo mesmo motivo que você.
Faz sentido. Eu também poderia simplificar as coisas e me declarar logo, se não fosse um tremendo babaca.
— Eu... — tento dizer algo, mas sou interrompido pela buzina de um carro. Desde quando chegamos ao estacionamento?
— Sung Min! — grita uma voz feminina. Ambos olhamos na direção do som e me deparo com uma senhora sorridente, parada ao lado de um SUV prata, acenando eletricamente para nós. A avó de Sung Min, com certeza.
Minnie abre um sorriso de orelha a orelha e acena de volta para a mulher.
— Venha, Kyunnie! Vamos! — ele diz, animado, para, em seguida, correr até o carro. A cena é um tanto quanto cômica. Sung Min não sabe como correr puxando as duas malas consigo.
Eu sigo atrás, civilizadamente. Tento não ficar nervoso à medida que me aproximo do carro, mas sinto meu estômago embrulhar enquanto cruzo a distância de pouco mais de quinze passos.
— É tão bom te ver, querido! — escuto a mulher dizer sorrindo, enquanto abraça Sung Min com força. Ela tem um sorriso muito bonito, que a faz parecer dez anos mais jovem.
— É ótimo te ver também, vovó! — Minnie responde, contente. Eu me aproximo meio sem jeito, me sentindo um pouco intruso. Não quero atrapalhar o reencontro dos dois. Mas, para minha surpresa, Minnie se separa da avó e me segura pelo braço, me guiando em direção à senhora.
— Vovó, este aqui é o Kyu Hyun. Kyunnie, esta é a minha avó, Seo Yun. — ele nos apresenta, sorrindo tanto quanto pode. Faço uma reverência respeitosa e digo:
— É um prazer conhecê-la, senhora Lee.
Ela sorri jovialmente para mim.
— O que é isso, rapaz! Não precisa de toda essa formalidade.
— Desculpe — digo. Ela dispensa minhas desculpas com um gesto de mão, sem deixar de sorrir.
— Venha, vamos. — ela diz, caminhando em direção ao porta-malas. Abre o compartimento e indica seu interior. — Coloquem as malas aí dentro e vamos para casa. Vocês devem estar com fome.
Ela tem razão. Estou faminto! Mas não é para menos: são meio-dia e trinta e cinco.
Minnie me ajuda a arrumar as bagagens na mala do carro e aproveito para fazer um comentário.
— Sua avó me parece mesmo adorável — digo. Ele sorri e pisca para mim.
— Eu não disse? Espere até conhecer o vovô. Ele é um barato! — Minnie responde contente, fechando a mala.
— Não duvido nada — comento, sem conseguir deixar de sorrir também.
Entramos no carro – Sung Min no banco do carona, ao lado da avó, e eu no banco de trás, atrás do Minnie – e Seo Yun dá a partida, logo colocando o automóvel em movimento. Os dois iniciam um assunto; Sung Min parece perguntar sobre alguém ou algum lugar. Sinceramente, não estou interessado no que eles conversam. Estou mais preocupado em mandar uma mensagem de texto para o Chul, avisando que cheguei bem. Ele me fez prometer que daria notícias.
Depois que envio o SMS, me dedico a observar a paisagem pela janela enquanto Seo Yun parece colocar Sung Min à parte das novidades e acontecimentos da cidade. É incrível como o interior é diferente de Seoul. Ainda que as ruas sejam pavimentadas, como na capital, o tráfego é muito menor. E, por mais que haja prédios, são poucos e não passam de três andares. Aqui tem muito verde e uma atmosfera natural aconchegante. É uma cidade muito bonita.
— Agora chega de falar de mim. Conte-me de você, querido. Como vão as coisas? — Seo Yun pergunta, mudando o núcleo da conversa. Mantenho meus olhos fixos na paisagem correndo do lado de fora, mas meus ouvidos logo se atentam ao que Sung Min fala.
— Está tudo ótimo — ele responde, entusiasmado. — Com certeza, esse é o meu melhor ano na Tech.
— Que bom. Fico feliz em ouvir isso. — ela diz. — E como estão seus amigos? Jung Soo, Hyuk Jae, Jong Woon... Os meninos estão bem?
— Sim, sim. Estão todos bem. Mas agora nosso grupo é maior, sabe? Incluindo eu e o Kyunnie, somos doze.
— Nossa! Quanta gente! — Seo Yun diz, espantada, mas bem-humorada.
— Pois é — Sung Min ri. — Nos aproximamos especialmente por causa da aula de dança em grupo. Por causa daquele trabalho que estamos fazendo juntos...
Vejo que Minnie não vai falar nada de excepcional, ou que eu já não saiba, então volto a não prestar atenção ao que eles dizem. Mas logo a coisa muda de figura.
— E você? Está namorando? — Em menos de dois minutos o assunto parece extremamente interessante para mim.
— Não, vovó... Infelizmente, eu sou um dos poucos do grupo que continua solteiro. — Minnie responde, soando chateado e um pouco triste. Merda, ele quer namorar alguém? Tipo, o Ki Bum? Ou ele quer me namorar? Ou ele não quer namorar ninguém, só fica chateado por causa do clima de casais do grupo, enquanto ele está sozinho?
— Mas está gostando de alguém? — Seo Yun insiste. Acho que é coisa de avó querer saber tudo, especialmente sobre nossa vida amorosa. Enquanto as mães cismam em contas nossas histórias constrangedoras para nossos amigos. É um inferno.
— Hã, eu... Bem, é, hm... Na verdade... — Minnie não consegue responder, o que significa que ele gosta, sim, de alguém. Mas de quem? De mim, ou do Ki Bum?
— Tudo bem, querido. Eu já entendi. — Seo Yun diz, me olhando através do retrovisor. Acho que ela quer insinuar algo, mas então ela me pergunta: — E quanto a você, meu jovem? Está comprometido?
Eu me surpreendo com a pergunta. Não esperava que ela fosse se interessar pela minha vida, também. Mas é uma pergunta inocente, e não vejo mal nenhum em responder.
— Não, estou solteiro — digo. Ela sorri e assente.
— Certo. Então, eu já falei, Sung Min já falou, por que você não fala um pouco, Kyu Hyun? — ela pergunta. — Conte-me por que você não foi para casa, ver seus pais.
Eu me ajeito no banco.
— Bem, meus pais viajam muito a trabalho. Eles estão sempre muito ocupados. Então, quando Sung Minnie me convidou para vir, fiquei mais animado do que com a idéia de ir para casa. Quero dizer, conhecer uma cidade nova, aproveitar a tranquilidade do interior, ajudar o Minnie a produzir roupas...
— Vai me ajudar a produzir roupas?! — ele pergunta, surpreso. Eu me inclino para frente, me aproximando para ver seu rosto.
— Achei que essa fosse a idéia. Passarmos tempo costurando, cortando tecido e essas coisas. Não?
— Bem, eu achei que você achasse essas coisas chatas e irritantes — ele contrapõe.
— Não disse que não acho — respondo. — Mas quero passar tempo com você.
— Eu acho uma ótima idéia! — Seo Yun comenta. — Quem sabe assim você não muda seu conceito sobre fazer roupas, hm, Kyu Hyun?
Volto a endireitar a coluna, ficando ereto.
— É, quem sabe — digo, embora tenha quase certeza de que minha opinião não vai mudar.
Seguimos o resto do caminho conversando. Seo Yun é muito agradável e bem-humorada e sabe como deixar alguém à vontade para falar. Ela se mostra bastante interessada no que eu faço, e, quando digo que toco piano – principalmente depois de Sung Min enfatizar que eu toco piano “divinamente bem” – ela diz que adoraria me ouvir tocar. Respondo que vou pensar no assunto, mas duvido que Sung Min vá me deixar em paz esses dias até que eu aceite tocar alguma coisa.
O trajeto transcorre rapidamente. Em vinte minutos, estamos entrando na propriedade dos Lee. E eu fico muito surpreso com o que vejo assim que os portões de madeira se abrem. Isso em nada se parece com a fazenda que eu pensei! Quero dizer, achei que seria um terreno modesto, com galinhas e cavalos, cercas, um lago com patos, uma casa grande, mas simples. Mas o terreno é enorme, com jardins floridos em toda parte, tudo muito bem tratado e bonito. Trilhas de pedra mostram o caminho por entre as flores, enquanto a estrada que leva até a casa é de paralelepípedos. Há uma construção bonita a oeste da casa, e eu suponho que aquele seja o atelier de Sung Min.
Mas o que mais me deixa embasbacado é a pequena mansão no centro da propriedade. É simplesmente maravilhosa. Eu nem tenho palavras para descrever a casa. Quero dizer, não é uma casa gigantesca, mas ainda assim é bem grande. Tem dois andares, muitos vidros, janelas amplas, uma varanda muito bonita, e uma piscina de deixar o queixo caído. Porra! Não é à toa que Sung Min é tão rico a ponto de me dar um PSP de aniversário!
— Eu sou dona de uma grife, Kyu Hyun — Seo Yun explica, rindo. Isso me faz supor que estou deixando muito óbvio o quão embasbacado eu estou com o lugar, então trato de me recompor. Estou prestes a elogiar a propriedade, mas Sung Min é mais rápido.
— Está surpreso, Kyunnie? — ele pergunta, me fazendo corar um pouco. — Como achou que eu teria todo o material necessário para produzir roupas?
Realmente, é óbvio que recebe ajuda de alguém em suas produções, mas nunca pensei que fosse da sua avó que mora no interior!
Não sei o que responder, então fico calado. Seo Yun pára em frente à entrada da casa, mas não desliga o motor; simplesmente abre a porta e desce do carro. Sung Min faz o mesmo, então eu o sigo.
— Jong Hun, estacione para mim, por favor — Seo Yun pede a um homem de uniforme, que não sei dizer quando chegou nem de onde veio.
— Sim, senhora, madame Lee — o homem responde, com uma reverência.
— Quanto a vocês, Kang Dae e Hyun Ki, cuidem das malas, sim? — ela se dirige ao outros dois, também uniformizados, enquanto indica a mala e caminha até a porta. Eu quero agir naturalmente, mas... Empregados? Para pegar as malas e estacionar o carro?! Tudo bem se fosse um jardineiro, mas... Puta que pariu!
Sung Min ri da minha cara.
— Deveria fechar a boca — ele diz, pegando minha mão e me guiando até a entrada.
— Por que não me avisou que era assim?! — eu reclamo, aos sussurros. — Eu esperava algo mais modesto!
Ele dá de ombros.
— Não achei que fosse importante... Quero dizer, por que eu iria te falar “Ah, a minha avó é dona de uma grife, tem uma casa grande, empregados, e blá-blá-blá”. Não. Pareceria que eu estava me gabando. Não quero me gabar para você.
— Eu não sei como me comportar elegantemente, Sung Min! — rebato. E se eles forem aquele tipo de pessoa que usa um milhão de tipos de talheres para comer? Será um desastre!
— O que é isso, Kyunnie! Vovó e vovô não gostam de exuberância e esse tipo de coisa. Você pode ver, se minha avó fosse assim tão cheia de frescuras, não iria dirigir. Teria um motorista — Minnie responde. Ele tem razão. Ao que parece, ela é uma pessoa razoavelmente simples, para alguém que tem tanto dinheiro.
Entramos na casa pouco depois de Seo Yun, dando de cara com um hall elegante. Fico deslumbrado com a beleza do lugar, mas Sung Min segue me rebocando, impedindo-me de parar e ficar babando pela arrumação da casa.
— Sun Ja, onde está Young Soo? — Seo Yun pergunta a uma moça, que, a julgar por suas roupas, é a governanta da casa.
— Está na cozinha, preparando o almoço. Disse que será servido às 13 e 30 em ponto! — a mulher responde de imediato. Sung Min vira a cabeça na sua direção.
— Ah, o vovô está cozinhando? — ele pergunta, um pouco decepcionado.
— Está sim, Sung Min-sshi — Sun Ja responde.
— Neste caso, vovó, vou levar Kyunnie para conhecer meu quarto, que é onde ele vai dormir — Sung Min diz.
— Claro, querido. Mas não se atrasem para o almoço! Vocês têm meia-hora — Seo Yun responde. Logo nós pedimos licença e nos retiramos em direção à sala de estar. É ainda mais bonita do que eu esperava. Os sofás são bonitos e modernos, a mobília é toda de madeira, a decoração é toda de cristais e porcelana. A sala parece reluzir de tão limpa.
Subimos as escadas e encontramos outra sala, menos luxuosa que a primeira, mas ainda assim muito bonita. Caminhamos pelo corredor razoavelmente comprido, com janelas em toda sua extensão. Atravessamos cinco portas e Sung Min pára na sexta, no fim do corredor, de frente para a sala. Não me diga que...
— Meu quarto! — ele anuncia, abrindo a porta e revelando um aposento enorme. Acho que cabem dois quartos meus aqui! Cara, eu estou começando a achar que Sung Min é milionário e eu não estou sabendo. — Vamos, entre — ele ri, me puxando para dentro.
Observo o quarto. Há uma cama de casal, maior que as normais, uma escrivaninha que ocupa uma parede inteira, televisão, videogame... Espere. Ele tem um videogame? Um Xbox? Para quê ele quer um Xbox?! Sung Min nem ao menos sabe jogar isso direito.
— Você joga aquilo? — não consigo evitar perguntar, indicando o videogame com a cabeça. Ele se senta na cama e me olha com desdém.
— Claro. Só porque não sou bom em StarCraft não quer dizer que eu não saiba jogar outros jogos — Sung Min diz.
— Só acredito vendo — respondo, me aproximando da cama. Ele ri.
— Vou te mostrar depois — Minnie diz. Então sorri de canto para mim. — Agora... — Ele me puxa para a cama, me fazendo cair sem jeito ao seu lado. Sung Min dá uma gargalhada gostosa e apoia o cotovelo na cama, repousando a cabeça na mão. — O que acha do colchão?
Me remexo na cama, sentindo o colchão extremamente macio em contato com as minhas costas.
— Muito gostoso — digo.
— Eu também acho... — ele diz, um pouco distante, enquanto passeia os dedos pela minha barriga, por cima da camisa. Levanta o olhar, me olhando nos olhos, e muda de assunto, dizendo: — Amanhã vou tirar suas medidas.
— Por que não tira agora? — pergunto, curioso. Incrivelmente, não há malícia na minha frase, nem na dele também.
— Porque não estou com a minha fita métrica aqui — Minnie responde, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Então abre um sorriso provocante e acrescenta: — Sem contar que eu teria de tirar suas roupas.
Sinto um arrepio na espinha e estremeço de leve. Ele sorri satisfeito e eu retribuo com um sorriso malicioso. Ele quer mesmo fazer isso? Sung Min já deveria saber que eu nunca deixo barato.
— Mas isso é fácil — retruco, me referindo a tirar minhas roupas. — E você pode fazer o que quiser comigo... Inclusive tirar minhas roupas — respondo, enfatizando a parte do “fazer o que quiser”. Agora é a vez de ele estremecer, e eu sorrio vitorioso. Estamos empatados.
Qual é o seu próximo movimento, Minnie?
Sung Min investe em olhares provocativos. Não desviamos os olhos um do outro. Ele se move na cama, mas não quebra nosso contato visual em momento algum. Minnie fica sobre mim, apoiado nos joelhos e nas mãos e finalmente desvia o olhar, focalizando minha boca. Ele está provocantemente próximo. Seus lábios estão somente a poucos centímetros dos meus. Eu lhe roubo um beijo antes de ele decidir me beijar.
Minnie fica surpreso, mas corresponde ao meu movimento. Enquanto nossos lábios se tocam, minhas mãos procuram pela barra de sua camisa. Tento levantá-la, mas Sung Min me intercepta. Ele interrompe o beijo e seus lábios migram para meu ouvido.
— Kyunnie... — ele geme. — Quem tem de tirar as roupas é você. Só você — diz, mordiscando minha orelha. Eu estremeço, sentindo o cérebro derreter ao mesmo tempo em que fico alerta. É isso mesmo que eu entendi? Sung Min quer apenas me provocar?
— Minnie... — eu tento começar uma súplica, mas ele não deixa. Seus lábios encontram os meus novamente, me calando. Desta vez, é somente um selo delicado, tão puro que até me faz esquecer os olhares predatórios e provocantes que estávamos trocando momentos atrás. É tão bom estar com ele, sentir o toque de seus lábios e de sua mão, que percorre meu braço em um carinho inocente.
Penso que toda a nossa afobação sumiu, juntamente com o intenso desejo de fazer um jogo de provocações, mas me engano. Sung Min se senta em meu colo, ao mesmo tempo em que pede passagem com a língua para aprofundar o beijo, coisa que nem sequer penso em recusar.
Nossas línguas se movem em sincronia e seus dedos se entrelaçam com alguns fios de minha nuca, puxando-os delicadamente, enquanto minhas mãos se dirigem para sua cintura bem marcada, apertando a região de leve vez ou outra.
Minnie começa a se agitar em meu colo, movendo-se para frente e para trás. Eu chego a pensar que é um golpe muito baixo, uma vez que ele está basicamente massageando meu membro com seu monumento traseiro. Quero dizer, isso obviamente vai resultar em uma ereção, e, no final, ele vai me deixar sozinho para dar um jeito nela. Mas o que Sung Min está fazendo é tão bom que eu não me preocupo com as consequências por muito tempo.
Começamos a ofegar e gemer, e eu decido que tenho de responder à altura. Movo o quadril para cima, mas, no mesmo instante, Sung Min move o seu para baixo. Sou incapaz de reprimir um ofego, que acaba soando mais alto do que eu esperava, pois nossas bocas se separam devido à falta de ar.
Minnie se recupera antes de mim e rapidamente parte para o ataque novamente: seus lábios trabalham em meu pescoço, distribuindo beijos e mordidas na pele sensível. Eu sinto minha sanidade desaparecendo, mas continuando mexendo o quadril contra seu corpo na tentativa de conseguir revidar.
Deslizo uma das mãos pelas costas de Sung Min, em direção ao seu traseiro monumental. Aperto sua nádega com força e ouço um gemido manhoso em resposta. Repito a ação e ele joga a cabeça um pouco para trás, abandonando meu pescoço por um momento. O momento perfeito.
Aproveito-o para inverter as posições e assumir o controle da situação. Me sento em suas coxas, me inclinando para frente para selar seus lábios, e, em seguida, trilho um caminho de beijos até sua orelha, onde deixo uma mordiscada. Depois, contorno-a com a língua, sorrindo maliciosamente ao senti-lo se contorcer embaixo de mim. Fico satisfeito ao saber que estou virando o jogo.
Desço mais os lábios, para me dedicar ao seu pescoço, mas sem me esquecer de trabalhar em seu maxilar. Sigo sua mandíbula até o queixo e, me esforçando para não beijar seus lábios, direciono minhas carícias à pele que cobre sua garganta. Começo com beijos leves, mas logo passo a mordiscar seu pescoço, e, por fim, sugo sua pele por tempo suficiente para marcá-la. Me separo por um instante para contemplar a mancha arroxeada em sua pele alva. Passo a língua em volta do hematoma em um pedido mudo de desculpas, mas me sinto satisfeito por tê-lo marcado.
Sung Min decide avançar: leva uma das mãos até minhas costas, e, por dentro da camisa, arranha o local com força. Em resposta, mordo seu ombro, na tentativa de reprimir um arquejo. É deliciosamente bom ter as costas arranhadas dessa maneira.
Sinto minha blusa ser levantada e não tardo em erguer os braços para que Sung Min possa tirá-la. Ele a vareja longe e isso me faz sorrir. Acabo me distraindo por um momento e Minnie troca nossas posições novamente, sentando-se em minhas pernas. O sorriso malicioso em seu rosto me deixa confuso e ansioso pelo que ele está prestes a fazer.
— Agora é que a diversão vai começar, Kyu Hyun — Sua voz soa tão rouca e provocante que sinto meu membro latejar só de pensar no que vem a seguir.
A língua de Sung Min contorna meus lábios. Tento chupá-la, mas ele é mais rápido e trilha um caminho com ela, começando pelo meu queixo, passando pelo pescoço e finalizando no tórax. Minnie começa a distribuir beijos pela região, até se deter em um de meus mamilos, trabalhando nele com a língua, fazendo com que eu me contorça na cama.
Quando ele parte para o outro mamilo, acho que as coisas pioram. É como se eu estivesse ardendo em chamas. Nunca senti nada parecido. Mulheres nunca me excitaram dessa forma. Parece que Sung Min consegue despertar meus sentimentos mais intensos, minhas emoções mais fortes, meus desejos mais extremos. Eu preciso dele, em todos os sentidos.
Volto a agarrar a barra de sua blusa, levantando-a minimamente. Dessa vez, ele atende meu pedido e deixa seu abdômen definido à mostra. Mas não tenho tempo de tocá-lo, nem mesmo observá-lo muito, porque Sung Min volta a trabalhar em meu tórax, se dirigindo ao meu ventre. Respondo com arranhões em suas costas enquanto sinto sua língua contornar... Minha cicatriz?!
Abro os olhos, sobressaltado, e olho para baixo, confirmando minhas suspeitas de que é a minha cicatriz que Sung Min está acariciando com a língua. Instintivamente, meu corpo trava. Sung Min percebe que estou tenso e se separa.
— Kyunnie... Está tudo bem? — ele pergunta, preocupado.
Não!
— Está — respondo, tentando soar o mais convincente possível.
— Não está, não! — ele retruca, nervoso. — Me desculpe — Sung Min começa a deslizar a mão pela minha barriga e, ao sentir que ela se aproxima da cicatriz, automaticamente intercepto seu movimento.
— Não faça isso — peço, apreensivo. Eu não consigo ignorar o que esse sinal representa. Não quero que Sung Min o toque.
Minnie afaga minha mão suavemente.
— Calma, Kyunnie. Não precisa agir assim — ele diz. Entrelaça seus dedos com os meus e leva nossas mãos juntas de encontro ao colchão, mantendo-as lá. — Pode relaxar — Sua outra mão percorre meu abdômen, me deixando nervoso. — Eu não toco nela, se não quiser — Ele desvia de minha cicatriz e continua descendo.
Eu tento relaxar e me concentrar nas carícias dele, mas é impossível. Eu estou tenso, assustado. Ter minha cicatriz tocada por Sung Min foi como ter minhas lembranças reviradas. Eu fecho os olhos e só me lembro daquele maldito professor...
Conte-lhe a verdade, minha consciência diz. Você só conseguirá avançar com ele se lhe contar tudo.
Eu hesito, pensando sobre isso. Será que minha consciência tem razão? Será que eu sempre vou travar enquanto não contar a Sung Min a verdade sobre meu passado?
É claro! Só assim você terá intimidade suficiente com ele. Será a prova de que você confia nele. Sem falar que, depois de tantos anos mantendo esse segredo, será bom para você finalmente tirar esse peso do peito.
Ela está certa. Eu tenho de falar com o Minnie sobre... O que aconteceu.
Seguro Sung Min pelos ombros e o afasto gentilmente. Ele me olha preocupado e apreensivo, e se senta ao meu lado na cama.
— O que foi, Kyunnie? — ele pergunta suavemente. Eu me remexo no colchão, me sentindo desconfortável. Busco reunir em meus pulmões tanto ar quanto possível e vou em frente:
— Minnie, eu...
— Sung Min. Kyu Hyun — A voz de Seo Yun chega aos nossos ouvidos pouco depois do som de batidas na porta. Ambos ficamos assustados. — O almoço está servido. Vocês estão prontos?
Olho para Sung Min, desesperado, mas ele faz um sinal com a mão, mostrando que está tudo sob o controle.
— Oh, puxa, vovó. Nós acabamos caindo no sono! A viagem foi tão cansativa... — Minnie diz, soando absurdamente inocente e sonolento. Como ele consegue? — Desculpe. Vamos nos trocar e já estamos descendo.
— Ah, claro. Pobrezinhos... Mas não demorem, sim? Sabe que seu avô não gosta de atrasos nas refeições — ela responde, soando completamente convencida. Minnie é inacreditável.
— Sim, claro! Já estamos indo! — Sung Min assegura, suspirando aliviado ao ouvir passos se afastando.
— Isso foi incrível! — sussurro, admirado. Ele sorri para mim e se levanta da cama.
— Eu sei, obrigado — Ele faz uma reverência, brincalhão. Então estende a mão para mim, dizendo: — Agora vamos. Não quero deixar o vovô mal-humorado.
— Muito menos eu! — digo, segurando sua mão e me levantando depressa. Não quero fazer uma primeira impressão negativa.
Minnie põe uma de suas malas na cama, para procurar as roupas desejadas, enquanto eu me agacho ao lado da minha. Pego uma bermuda de tecido fino e uma blusa branca – está chegando o verão o que faz com que o calor comece a aparecer.
Me levanto, para trocar de roupa, e me surpreendo ao ver Sung Min em sua boxer branca. Ele quer me enlouquecer, só pode.
Antes que eu me dê conta, já estou abraçando-lhe por trás, sentindo sua pele quente contra meu abdômen desnudo. Minnie se assusta brevemente com meu movimento e eu rio com isso. Ele fica arrepiado com minha risada rouca.
— Está querendo me provocar, Sung Min? — pergunto sedutoramente ao pé de seu ouvido. Ele dá uma risadinha safada e roça a bunda em meu membro. Sung Min sabe como jogar sujo.
— Estou conseguindo? — ele retruca, no mesmo tom.
Com certeza, está. Mas eu posso fazer melhor.
Deslizo uma das mãos pelo seu corpo, indo em direção ao seu membro. Minnie prende a respiração à medida que minha mão vai descendo e quase suspira de frustração quando, a pouquíssimos centímetros de sua ereção – bem evidente no tecido branco –, desvio-a para sua coxa, apertando com força o local.
— Kyunnie... — ele geme, me fazendo morder o lábio inferior, numa tentativa não muito eficaz de manter o controle. Sinto sua mão tocar a minha e levá-la de encontro ao seu membro, enquanto sua cabeça pende para trás. Meus dedos movem-se devagar por toda a sua ereção, conforme ele movimenta minha mão. Minnie crava os dentes em seu lábio inferior com tanta força que me pergunto se não vai se machucar.
Sua mão abandona a minha, e sei exatamente o que ele quer que eu faça. É também o que eu quero fazer. Mas... Nunca fizemos nada parecido antes... Seria tão estranho... Sem falar que já estamos atrasados para o almoço! Nós deveríamos descer logo!... Mas é impossível ignorar seus hormônios numa hora dessas.
Coloco a mão por dentro de sua boxer e seguro seu membro delicadamente, ouvindo Sung Min gemer com meu toque. Liberto seu membro da proteção do tecido fino da peça íntima e inicio movimentos lentos de vai-e-vem com a mão. Os olhos dele se fecham, enquanto os lábios ficam entreabertos, soltando ofegos e gemidos baixos. Começo a beijar seu pescoço e sorrio ao encontrar a marca roxa que fiz minutos atrás.
— Mais... Rápido... — ele pede, gemendo. Atendo seu pedido prontamente, acelerando os movimentos e estreitando o túnel em volta de seu membro. Logo seus arquejos e gemidos se tornam mais altos, e acho que eu mesmo solto alguns sons abafados pela pele de seu pescoço.
Uma pequena parte do meu cérebro grita, em desespero, preocupada com a grande confusão que vai acontecer caso a avó dele apareça e veja essa cena; mas eu não quero nem posso dar ouvidos a ela, uma vez que minha prudência está extremamente comprometida por causa da situação.
— Kyu... Kyunnie...! — Sung Min puxa meus cabelos, enquanto seu corpo começa a tremer. Sua respiração se torna mais pesada, e suas pernas fraquejam. Eu sei perfeitamente o que é isso.
Simplesmente acelero mais os movimentos, sabendo o que está por vir. Estou ansiando para sentir o prazer de Sung Min transbordar em minha mão, quando algo inesperado acontece:
— Lee Sung Min! — A voz de Seo Yun, agora cheia de severidade, atravessa a porta de madeira como um trovão. Automaticamente, aperto a glande de Sung Min, impedindo seu orgasmo. Ele puxa meus cabelos com tanta força que acho que vai arrancá-los da raiz. — Venha já almoçar.
Minnie respira fundo e tenta controlar sua voz.
— Perdão... Vovó. Nós nos distraímos com os jogos de video... Game... E perdemos a hora — ele diz, menos trêmulo do que eu jamais poderia ficar, depois de ter meu orgasmo impedido. E ainda consegue bolar uma história totalmente plausível! Ele é um gênio. — Estaremos no primeiro piso em cinco minutos.
— Acho bom, mesmo — ela responde, se afastando. Merda, Kyu Hyun, eu penso, já conseguiu estragar tudo! Agora, o avô de Sung Min vai me odiar, e a avó dele não vai ficar atrás. Parabéns para mim, por ser um babaca tão grande.
Assim que os passos não podem mais ser ouvidos, Sung Min solta uma mistura de suspiro e gemido. E, finalmente, larga meus cabelos.
— Puta que pariu — ele diz, e é a segunda vez que ouço meu ursinho apertável falar um palavrão.
— Essa foi por pouco — comento, sentindo uma mistura de nervosismo, molecagem e excitação. Mesmo quase sendo pego, a vontade de agarrar Sung Min continua bastante presente.
— Onde você estava com a cabeça?! — Ele se vira para mim, tentando me dar uma bronca, mas acaba sorrindo.
— Onde a gente estava com a cabeça, você quer dizer. Foi você quem começou, arrancando a roupa na minha frente — eu rebato, sorrindo também. Minnie não fala nada por um instante, me olhando intensamente. Por fim, se vira de costas e encara as roupas que separou.
— Vamos deixar isso para lá, porque, se a vovó vier aqui de novo, aposto como vai derrubar essa porta e nos arrastar lá para baixo — Antes que eu diga qualquer coisa, Sung Min arranca sua cueca, me dando uma visão perfeita de seu traseiro carnudo, virado exatamente na minha direção. Ele está pedindo, ou melhor, implorando para ser agarrado, não é?
— Nem pense em me atacar novamente! — ele diz, me olhando por cima do ombro. Sua voz soa divertida, mas sei que ele está falando sério, então me viro de costas para ele, determinado a trocar de roupa.
Tiro a calça jeans e só então me dou conta de um pequeno detalhe: minha boxer está toda melada – o que não era para ser diferente depois de todas aquelas provocações. Me apresso em pegar outra dentro da minha mala e logo retiro a que estou usando, vestindo a que está limpa. Pouco antes que eu termine de colocar a peça, ouço o comentário de Sung Min:
— Bunda, cadê? — ele ri. Eu solto o elástico na altura do quadril e viro de frente para ele, sorrindo.
— Engraçadinho — digo, irônico. — Fica tirando onda, só porque tem essa bunda enorme! — eu provoco. Ele olha para trás, analisando seu próprio traseiro.
— Nem é tão grande assim — ele rebate, envergonhado.
— Não... Imagine se fosse! — replico, sarcástico. Sung Min cruza os braços.
— Ora, cale a boca. Se você não fosse quase reto, não acharia minha bunda tão grande.
Eu finjo um arquejo ofendido.
— “Quase reto”?! — repito. Ele ri da minha falsa indignação.
— É isso aí. Só não perde para o Lee Teuk-hyung porque... Ele é reto mesmo — Nós dois rimos de seu comentário. Sung Min coloca sua camisa e eu me apresso em terminar de me vestir. Minnie me observa o tempo todo, mas não me sinto mais tão constrangido com seu olhar me avaliando. Na verdade, acho até que estou me acostumando com a idéia de ficarmos... À vontade na presença um do outro. E, para ser sincero, eu não imagino outra pessoa para criar esse tipo de intimidade. Nem mesmo o Chul. Porque, mesmo com toda a camaradagem entre nós dois, eu morreria de vergonha se ele visse meu traseiro.
— Vamos? — Sung Min pergunta, quando acabo de vestir minha camisa.
— Claro — respondo, segurando a mão que ele me estende. Minnie me puxa para perto e, após um segundo de olhares intensos, trocamos um beijo apaixonado e carinhoso. Eu me sinto no paraíso quando nossos lábios se unem. Será que o paraíso cheira a canela?
Nos afastamos depois de alguns instantes e caminhamos de mãos dadas até o primeiro piso. Eu não posso deixar de pensar que agimos como namorados, mesmo que não estejamos namorando oficialmente. E isso é porque sou um covarde estúpido e ainda não pedi! Quero dizer, está mais do que óbvio que Sung Min vai dizer “sim”... Então por que continua sendo tão difícil fazer esse simples pedido?
Não demoramos muito para chegar à mesa do almoço. Assim que entramos no aposento, recebemos olhares um tanto quanto reprovadores do casal nos esperando para comer.
— Eu estava prestes a ir chamá-los outra vez — Seo Yun diz, com um quê de mal-humorada.
Eu faço questão de fazer uma reverência, em sinal de arrependimento.
— Peço perdão pelo atraso — eu digo.
— Desculpe, vovó. Vovô. Nós acabamos nos distraindo com alguns jogos de videogame... Kyunnie é meio que viciado nessas coisas — Minnie diz.
— Eu sinto muito — repito.
O Sr. Lee me olha sério por um momento. Em seguida, assente e me dirige um sorriso.
— Está tudo bem, rapaz. Você é uma visita especial — ele diz. Sua voz é forte e grave, mas amigável. — Ainda assim, eu ficaria agradecido se não se atrasasse para as refeições. Se tem uma coisa que eu não suporto, é comida fria.
Eu assinto respeitosamente.
— Garanto que isso não vai se repetir, senhor — digo. Ele sorri e retribui um aceno de cabeça.
— Agora, sentem-se, por favor — o Sr. Lee gesticula para os nossos lugares na mesa. Logo, eu e Sung Min nos sentamos apressados. Não quero fazê-los esperar ainda mais.
A arrumação da mesa está um tanto estranha. Na mesa de seis lugares, o Sr. Lee está na cabeceira, com Seo Yun à sua esquerda; já os outros dois pratos estão na outra cabeceira e do outro lado, formando uma posição invertida. E o pior é que quem se senta na cabeceira sou eu.
Acho indelicado perguntar o porquê dos pratos estarem distribuídos dessa forma, então fico calado. Mas deve estar claro na minha expressão que eu não entendi o arranjo, porque o Sr. Lee diz:
— Sabe, rapaz, aqui nesta casa os homens se sentam na cabeceira.
Isso deveria ser uma explicação? Ou talvez ele esteja querendo dizer que eu estou no lugar errado, porque Sung Min é mais velho do que eu... Mas foi o próprio Sung Min que escolheu sentar ao meu lado! Então, do que ele está falando?
— Querido! — Seo Yun chama a atenção do marido, enquanto pega seu prato para servi-lo. — Não diga essas coisas. Ainda não sabemos se é mesmo o que nós pensamos, e também não temos certeza se...
— Por favor, querida — o Sr. Lee a interrompe, rindo. — Você conhece nosso neto. É claro que esse rapaz é o homem.
Seo Yun dá uma risadinha, colocando o prato do marido de volta na mesa e pegando o seu próprio.
— Sim, você tem razão — ela diz.
— Vovó! Vovô! Parem já! — A voz nervosa de Sung Min interrompe a conversa. Eu me viro para olhá-lo e vejo que seu rosto está mais vermelho que uma pimenta-do-reino. Ele se encolhe ainda mais na cadeira depois de receber os olhares de todos. — Por favor, não digam coisas desse tipo.
Seus avós riem em conjunto, mas eu continuo perdido. O que diabos eles acabaram de dizer, que deixou Sung Min tão sem-graça? Eu não entendi porra de nada! Sinto vontade de perguntar ao Minnie o significado da conversa sem-sentido de seus avós, mas não acho que é um momento apropriado, e não tenho coragem de perguntar diretamente a eles, então fico em silêncio.
Seo Yun termina de se servir, e então Sung Min começa a colocar sua comida. Segundos depois, percebo que ele está colocando a minha comida, porque seu prato continua no lugar. Ele está me servindo?! Mas o que... Por quê? Eu posso colocar minha própria comida...
Olho para frente e acabo encontrando o olhar do Sr. Lee, que sorri para mim e murmura algo como “Homens da casa, rapaz. Homens da casa”. O que diabos isso significa?!
Sorrio para ele meio sem-graça, e volto a olhar meu ursinho. Ele devolve meu prato, com exatamente tudo o que eu queria pegar, e, ainda por cima, na quantidade certa. Isso é assombroso. Como ele consegue acertar absolutamente tudo?!
Finalmente, Sung Min se serve e nós começamos a comer. A comida está deliciosa, e faço questão de elogiar o Sr. Lee, já que foi ele quem fez o almoço, na esperança de ganhar alguns pontos. Ele fica feliz com o elogio, então presumo que o plano deu certo.
De início, eu quase não falo, por estar me sentindo um pouco desconfortável. Não sei ao certo o que dizer, então prefiro ficar calado. Mas ao longo da refeição, o casal Lee se mostra muito agradável e eu começo a me sentir mais à vontade na presença deles.
Os que mais falam são Sung Min e sua avó, na maioria das vezes sobre algo relacionado a moda. Eu tento me manter atento ao assunto, mas volta e meia me distraio pensando nas palavras do Sr. Lee. “Homens da casa”... O que diabos isso significa?! Eu juro que vou perguntar ao Minnie depois do almoço. Eu preciso saber o que o avô dele quis dizer com isso.
Só tenho que me controlar até o final da refeição e tentar não surtar tentando entender o significado dessa maldita frase.
Notas finais
Pois bem, tava bom? (Parecendo comida aqui)
Espero que tenham gostado e que deixem reviews née? E bem... Prometemos demorar menos no próximo. n_n
Kisses. ♥
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