Notas iniciais
Então, espero que não tenho demorado muito pra postar esse capítulo e posso dizer que, particularmente, não é um dos meus preferidos.
Mais um POV Kyu e daqui pra frente ele vai aparecer na maioria das POV's. o
Espero que se divirtam e que gostem muito dele. *-*

POV Kyu Hyun:

Estamos andando por um corredor longo. O tal Yesung está à frente do grupo, guiando, coisa que eu estranho; se o meu urs- Sungmin – ele não é meu “ursinho de pelúcia”! Merda. – é o líder, porque ele é o último da fila? Ryeo Wook é o segundo, e eu, o penúltimo... Isso quer dizer que Sungmin está logo atrás de mim. Pensar em proximidade me faz lembrar seus lábios perto de meu pescoço. E essa lembrança é o suficiente para acelerar minha respiração.

Estou curioso, e sinto vontade de olhar para trás para ver a que distância ele está. Mas eu resisto, porque tenho medo de encontrar seu olhar novamente. Do jeito que aquelas pérolas negras me afetam, é capaz do meu cérebro entrar em curto e eu dar de cara na parede, porque vou continuar andando às cegas e, idiota como fico, sou capaz de não perceber que estou indo na direção errada.

Foco os olhos nas costas de Ryeo Wook, que segue a uns três metros à minha frente. Reparo em como sua blusa se move enquanto ele anda. Mais alguns passos e chegamos ao fim do corredor, encontrando o facilitador de nossas vidas: o elevador. Acho até que salvador seria mais apropriado, porque parece que o nosso quarto é o 892, ou seja, no oitavo andar. E isso quer dizer muitos degraus.

Yesung aperta o botão e nós esperamos. Incrivelmente, o elevador está no nosso andar e provavelmente vai demorar algum tempo para chegar ao térreo.

— E nós — Yesung parece voltar a falar sobre algum assunto que estava conversando com Ryeo Wook (tipicamente, eu não percebi) e aponta para si mesmo e para o meu- Sungmin! Que não é nada meu! Tenho de tirar essa idéia idiota da cabeça. — Dormimos no quarto suspenso. Então, não se animem.

Fico intrigado. Escutei alguém falando alguma coisa de “quarto suspenso” lá no Salão, mas o que diabos isso significa?! É tipo uma plataforma giratória no centro do quarto, presa ao teto por fios que funcionam como os do elevador? Porque é isso que me vem à cabeça quando ouço “quarto suspenso”.

Os dois ainda estão conversando sobre coisas da instituição, mas eu não estou ouvindo. Na verdade, me perco em devaneios imaginando possibilidades para o tal quarto suspenso. Envolvem muita tecnologia, então descarto todas. O elevador chega e nós entramos. É bastante grande e o limite é oito pessoas, o que é tranquilizador – somos apenas quatro e acho que Ryeo Wook conta como uma criança. Respiro aliviado, porque esse tipo de coisa me deixa nervoso; elevadores, aviões, plataformas, sacadas... Reparando agora, acho que tenho medo de altura.

Yesung aperta o botão do oitavo, as portas se fecham e começamos a subir. Mas o tranco me faz desequilibrar e acabo esbarrando em alguém. E quando digo alguém, quero dizer Sungmin.

— Desculpe. — eu digo, nervoso, enquanto recupero o equilíbrio. Estamos em um lugar fechado e silencioso, então a atenção se volta para nós. — Eu...

— Está desculpado. — Sungmin me corta, e suas palavras soam frias como gelo. Aquilo me impressiona; o que aconteceu com o ursinho de pelúcia que me salvou daquela queda patética no Salão, poucos minutos atrás? O modo como ele me olha agora é duro e inexpressivo, como se ele tivesse virado um líder rígido de uma hora para outra. Onde estão os olhos encantadores e doces que me deixaram fascinado? Quero meu ursinho de volta, eu penso, e logo que percebo o que acabei de pensar tenho vontade de socar minha própria cara. Que tipo de pensamento estúpido é esse?! Sungmin não é meu ursinho, e eu não vou tê-lo de volta, porque ele nunca foi meu! E isso vai continuar assim. Por que é tão difícil de eu entender isso? Por que parece que Sungmin é essencial, sendo que eu o conheço apenas há alguns minutos?

Quando me dou conta, já chegamos ao nosso andar. E novamente o tranco me desequilibra, dessa vez para trás. Só que, no instante em que meu tronco se projeta em direção ao chão, antes mesmo de eu pensar em mover os pés para me equilibrar de novo, uma mão me segura pelo punho. Um toque macio e delicado que só pode pertencer a uma pessoa. E, convenhamos, todos sabemos quem é.

Sungmin me puxa para cima, me pondo ereto mais uma vez. Nossos olhares se encontram e, por um instante, o que eu vejo neles é a fofura e delicadeza de antes. São os olhos do meu Sungmin... E sua mão continua em meu punho. Sinto seus dedos suaves em minha pele, enquanto tudo o que vejo é seu rosto. O que ele tem que me fascina tanto?

— Ob... — Eu começaria a gaguejar um agradecimento, porque parece que meu cérebro não funciona muito bem quando... Bem, quando Sungmin está muito próximo. Mas sua expressão endurece de repente e ele solta meu punho num movimento brusco.

— Parece que você tem muito a aperfeiçoar, calouro. — ele me interrompe. A frase começa tão ríspida quanto as palavras que ele me disse antes, mas o “calouro” soa um pouco mais doce. Ainda assim, o modo como ele está perfeitamente ereto, seu tom formal e sua expressão vazia, como se fosse uma máscara... Ele parece um mestre insensível. E eu percebo que essa nova postura me deixa... Magoado?

— A começar pelo equilíbrio. — ele completa. Então vira as costas e sai, passando por Yesung e Ryeo Wook – que já estão do lado de fora – e me deixando sozinho no elevador. Yesung segue logo atrás, e Ryeo Wook impede que as portas do elevador se fechem, comigo ainda lá dentro.

— Venha, Kyu Hyun. — ele me diz, estendendo o braço na minha direção. Seguro sua mão e saio. Vamos andando atrás dos dois, mas não presto atenção no que faço; estou atordoado, magoado e confuso com o jeito que Sungmin me tratou, como se fosse uma espécie de deus, enquanto eu sou um mero mortal, e tivesse tido a infelicidade de me ter como pupilo. Em primeiro lugar, ele não é nenhum deus, mesmo que provoque alguns efeitos estranhos em mim. E depois, não quero ser o “pupilo” dele! Mesmo que ele seja o super-fodão desse lugar – coisa que eu não acredito muito, mesmo que ele faça parte do grupo intimidador – eu com certeza terei professores suficientes para me ensinar. Não preciso de um veterano bobalhão para ficar me tratando como um patinho feio!... Mas ele pareceu tão carinhoso antes... Deve ter algo aí. E eu realmente quero descobrir o que é.

Já passamos por umas seis portas quando ouço uma se abrindo atrás de mim. Viro a cabeça instintivamente e vejo uma figura conhecida; aqueles cabelos de sangue são inconfundíveis.

— Kyu Hyun. — ele diz, visivelmente surpreso, enquanto fecha a porta atrás de si.

— Hee Chul. — respondo, com um sorriso. Ele franze o nariz por um segundo, mas depois me dirige um sorriso discreto. — Parece que somos companheiros de andar.

— Sim, estou no quarto 876. — ele diz, indicando o número na porta. Eu assinto e digo:

— Legal. Estou no 892, acho.

Ele parece meio desapontado.

— Não é tão próximo quanto eu esperava... Quem são seus companheiros? Eu saí antes e não pude ver. Espero que sejam bons com você.

A última frase mexe comigo, porque penso em Sungmin e não sei o que concluir. Ryeo Wook é uma ótima pessoa, pelo que vi até agora, e Yesung... Sinceramente, não sei o que pensar dele.

— Ryeo Wook está comigo. — digo, contente. Ele mostra um sorriso um pouco maior.

— O pequeno respeitoso? — ele pergunta. Eu assinto e ele diz: — Eu gosto dele. E ele parece ser uma boa companhia para você. Quem são os outros dois?

— Sungmin e Yesung. — E assim que digo esses nomes o rosto dele empalidece.

— Fique longe deles. — ele adverte, sério. Tão sério que até parece uma ordem.

— Ahn, Hee Chul, eu... — Quero dizer que não acho que eles sejam tão maus, mas ele logo me corta.

— Fique longe deles. — repete, ainda mais sério do que antes. — Kyu Hyun, acredite em mim. Eles não são o tipo de pessoa que você quer ter como amigo.

Sua voz soa rancorosa, como se ele tivesse tido uma experiência ruim com aqueles dois. O jeito como ele me olha é protetor e preocupado; parece que ele não quer que eu me machuque e vê em Sungmin e Yesung o potencial para fazer isso comigo.

Sinto vontade de discordar, dizer que Sungmin é um fofo e nunca me faria mal algum. Mas eu não digo isso por três motivos: um – soaria muito suspeito eu falando esse tipo de coisa. Seria até aceitável se já estivéssemos na segunda semana de aula, mas é só o primeiro dia, então não haveria outra explicação para o meu “argumento a favor do Sungmin” além de empatia instantânea, o que pode parecer um pouco estranho e ser erroneamente confundido com amor à primeira vista; dois – a postura distinta que ele mostrou no elevador ainda é um mistério para mim, e, com ela, ele não parece lá tão inofensivo assim; três – não tenho coragem de enfrentar o Hee Chul. Não com essa expressão que ele tem no rosto. É dura e fria, como a de um ditador, e temo as consequências dos meus atos. Porque Hee Chul está muito sério. A postura dele... Ereto, frio e rígido... É impressão minha ou ele e o Sungmin...

— Calouro! — escuto sua voz graciosa me chamando e viro a cabeça em sua direção inconscientemente. Vejo Sungmin e o resto do grupo na virada do corredor, a dez ou quinze metros de distância. — Venha logo. — ele soa impaciente. Sinto uma ponta de raiva ao perceber que ele ainda está se portando como um deus mesquinho. Mas, ao mesmo tempo, fico nervoso, porque não sei o que ele pode fazer. Decido que é melhor não deixá-lo esperando por mais tempo.

— Desculpe, Hee Chul, mas eu tenho de ir. — digo. Ele franze o nariz novamente. O que há com ele?

— Lembre-se do que eu disse. — ele diz. — Cuide-se.

Eu assinto, agradeço e me despeço, e sigo apressado para perto do meu grupo. Yesung e Ryeo Wook logo voltam a andar, mas Sungmin espera até que eu me aproxime. Ele parece insatisfeito.

— Distrações. — ele diz. — Você deve aprender a ignorá-las. Siga-me, e tente não se distrair com mais nada. — Se vira e segue em frente. Já mencionei que odeio esse veterano filho da puta? Sério, ele vai ficar apontando todos os meus erros? Se esse é o verdadeiro Sungmin, puta que pariu! A vontade que eu tenho é partir a cara dele em duas.

Seguimos por longos minutos até chegarmos ao nosso quarto e xingo Sungmin por pensamento boa parte do percurso. Paramos em frente à porta 892, e percebo que acertei o número do quarto. Sungmin põe a chave na fechadura e destranca a porta, abrindo-a em seguida. Ele entra e fica segurando a maçaneta, esperando nós três entrarmos, e depois fecha a porta. Eu reparo no quarto: o teto é um pouco mais alto do que o normal, porque há uma espécie de segundo andar. Sinto como se um raio me atingisse; esse era o tal quarto suspenso!... Que sem-graça! Seria muito mais foda a plataforma giratória e tudo o mais.

O quarto é bastante bonito. As paredes são de um tom claro de azul, e todos os móveis são brancos. Há janelas grandes na parede em frente à porta, com cortinas azul-escuro, a mesma cor das roupas de cama. Duas camas, dispostas lado a lado, encostadas à parede do lado esquerdo do quarto em relação à porta, ocupam o espaço de baixo. Há gavetas em baixo das camas e armários embutidos para cada uma. No lado oposto do quarto, uma porta e a escada que leva ao segundo andar. A arrumação lá em cima parece ser a mesma que a daqui de baixo.

— Oh! — Ryeo Wook exclama, impressionado. — Poxa, não podemos mesmo dormir lá em cima?

Yesung ri.

— Sem chances. — ele diz. — É algo exclusivo dos veteranos.

— Ah — Ryeo Wook suspira. Eu faço uma careta; blábláblá, veteranos, blábláblá, superiores, blábláblá, fodões. Fodam-se vocês, veteranos! Aposto que não tem nada demais lá em cima.

— Ao invés de fazer caretas — Sou pego de surpresa pela voz de Sungmin ao pé do meu ouvido. Noto que Yesung e Ryeo Wook estão afastados de nós, caminhando até a porta perto da escada. Escuto o veterano dizer algo sobre “banheiro”, então deduzo que aquela porta seja o banheiro. E isso é tudo que eu consigo pensar antes do meu cérebro derreter por completo. — Você deveria começar a arrumar suas coisas.

Ele soa doce novamente, e isso me deixa estranhamente alegre. Ursinho de pelúcia, é possível que você não seja um completo babaca?

— Minhas malas ainda não...

— Elas estão logo ali. — ele diz. Eu olho para as camas e percebo que as minhas malas realmente estão ali. Como assim? Desde quando elas estão ali? E como chegaram antes da gente?!... A risada agradável de Sungmin apaga todo o resto.

— Arrume suas coisas, calouro. — ele aconselha. Quero dizer que tenho nome, porque ele insiste em me chamar de “calouro”, mas o modo como ele diz “calouro” é tão doce... Eu não quero que ele pare. — Também tenho de arrumar as minhas. Nos falamos depois.

Ele se afasta em direção à escada. Yesung e Ryeo Wook reaparecem, e continuam falando sobre coisas do quarto. Credo; parece que Ryeo Wook está recebendo um intensivão de tudo! Começou com o “mapa” da instituição – onde fica isso, onde fica aquilo, corredores, salas, blábláblá – e agora, tour pelo quarto. O que há demais aqui para explicar? “Ah, olhe, aqui são as janelas, aqui as camas, os armários...” porra, acho que isso está bem óbvio!

Eu me viro para ver Sungmin e ele já está no andar de cima. Escuto Ryeo Wook e Yesung comentando sobre a vista daqui do quarto, e meu ursinho sorri para mim. É um sorriso discreto e, ao mesmo tempo, caloroso. E, claro, muito fofo! Assim como tudo nele...

Abro um sorriso antes mesmo de me dar conta do que estou fazendo, e acho que essa espontaneidade faz o sorriso dele alargar um pouco. Ele acena com a cabeça e se vira, adentrando o quarto e saindo do meu campo de visão. Me sinto revigorado, porque meu ursinho de pelúcia – ele não é... Ah, foda-se! É o meu ursinho de pelúcia, sim. Pronto, falei. – realmente existe e acabou de ser muito fofo comigo. Eu estava começando a pensar que tinha entendido tudo errado, e que ele não passava de um veterano filho da puta, mesmo. Mas, felizmente, eu me enganei. Ele é fofo, e é fofo comigo...! Ya! O que diabos estou pensando?! Não, não, não! Cho Kyu Hyun, pode parar agora mesmo. Lembre-se de todos os seus valores. Suas regras, Kyu Hyun! Nada de gays!... Mas por que parece que eu quebraria todas as minhas regras pelo Sungmin?

— Kyu Hyun — escuto a voz aguda de Ryeo Wook me chamar e desperto de meus pensamentos. Ele está ao meu lado e Yesung desapareceu, provavelmente já está lá em cima. — Quer ajuda com suas malas? Podemos arrumar nossas coisas juntos. — ele propõe. Eu sorrio e balanço a cabeça.

— É uma ótima idéia, Ryeo Wook. — digo. Preciso me distrair, e um tempo com Ryeo Wook parece exatamente o que eu preciso.

Ele sorri alegremente e começa a mexer nas malas, para desempacotar as coisas. Faço o mesmo, e ele começa a conversar sobre tudo o que Yesung já lhe explicou, me passando informações. Quando acabamos de guardar tudo, já sei um montão de coisas; desde as aulas que terei amanhã pela manhã, que são as disciplinas obrigatórias, e o horário que elas começam – 7:00 – até como ajustar a temperatura da água do banho.

São oito e meia da noite e nos preparamos para dormir. Ryeo Wook é o primeiro a se vestir; entra no banheiro e quando sai veste pijamas – calças azul-marinho e blusa de mangas curtas num tom de azul mais claro. Eu vou logo depois e coloco minhas calças pretas e blusa regata branca. A blusa é um pouco colada no corpo, mas está abafado aqui dentro e acho que assim é menos quente.

Quando saio, olho instintivamente para o segundo andar. Está um pouco escuro, pois as luzes já estão apagadas, mas posso ver a silhueta de Sung Min nitidamente graças à luz que passa pela cortina. Ele sorri e leio seus lábios dizendo Boa-noite. Eu faço o mesmo enquanto caminho até minha cama. Eu me deito e ele se vira, ainda com um sorriso no rosto, caminhando para sua cama. Ouço Ryeo Wook se remexer na cama.

— Boa-noite, Kyu Hyun. — ele diz. Espero que ele não esteja me olhando, porque não consigo parar de sorrir. E, por mais que eu tente enganar a mim mesmo, sei exatamente o motivo daquele sorriso.

— Boa-noite, Ryeo Wook. — respondo. Ele se mexe novamente, e eu me viro para o lado, buscando uma posição confortável. E, em meio aos travesseiros, tento disfarçar o sorriso que não quer sair de meu rosto. E, por um segundo, abraço o ar, imaginando meu ursinho de pelúcia. O que está acontecendo comigo? Por que estou me sentindo assim? O que é isso que estou sentindo? O que Sung Min me faz sentir?... Mais perguntas sem resposta. Afundo nos travesseiros, determinado a deixar essas questões de lado. Não vou chegar a lugar nenhum, e preciso dormir.

Mas o último pensamento que cruza minha mente é quero sonhar com o Sung Min.

Notas finais
Ai está.
Ficou pequeno né? Ah, sim, a inspiração caiu nesse, mas prometo um próximo maior e mais legal.
Alguém querendo me matar por fazer o Minnie um grosso metidinho? /se esconde.
Bem, espero que tenham gostado. *-*
Mereço reviews?
Kisses and butterflies. ♥