Notas iniciais
Olha eu aqui outra vez. o
Espero que não tenha demorado muito com esse capítulo. Particularmente eu gosto muito dele.
Nesse aqui temos, tanto POV Kyu, quanto POV Minnie. Eu acho que vocês vão gostar.
Então, boa leitura. Espero que gostem. ♥

POV Kyu Hyun:

Meus olhos se fecham enquanto sinto seu toque em minha pele. Suas mãos delicadas tracejam minhas feições, como se ele quisesse decorar todos os detalhes. Seu polegar direito delineia minha sobrancelha e eu abro os olhos, porque quero ver seu rosto, suas feições suaves, que me conquistaram de forma irreversível. Suas mãos estão pousadas em minhas bochechas, acariciando-as levemente. Nossos rostos estão próximos, o suficiente para que nossos lábios se toquem quando estico o pescoço para frente.

Sinto seus lábios macios nos meus, enquanto suas mãos migram para minha nuca. Meus dedos passeiam por seus cabelos e ele me puxa para perto. Trocamos um beijo carinhoso, apaixonado. E, quando nos separamos, continuo com os olhos fechados, minha testa encostada à dele.

— Kyu Hyun... — sua voz doce sussurra meu nome e seus dedos brincam com mechas do meu cabelo. — Eu te amo.

Eu solto uma risada branda e abro um sorriso. Beijo-o novamente e me afasto para olhar seu rosto. Seus olhos parecem cintilar, e, se fosse antes, meu cérebro pararia de funcionar e eu ficaria hipnotizado. Mas já me acostumei com seu encanto, e meu cérebro resiste. Estou certo do que quero dizer, e não hesito, mesmo olhando dentro daquelas pérolas negras.

— Sung Min, eu...

Acordo com meu celular vibrando ao lado do meu travesseiro.

Aquilo... Foi tudo um sonho? Eu sonhei com o Sung Min?! Como... Eu não deveria... Isso não... Estou aturdido. Não sei o que pensar. Eu beijei o Sung Min, no meu sonho. Como assim?! Nós não sonhamos com o que queremos que seja realidade? Então por que sonhei isso?! Eu não quero... Eu não posso querer! As regras, Kyu Hyun! Suas regras!...

Desativo meu despertador. São 5:50 a.m., e eu fico de pé. Programei meu despertador para mais cedo porque preciso tomar um banho gelado antes das aulas, senão não consigo ficar acordado. Me arrasto até o banheiro, sem realmente pensar no que faço. Estou com sono... Fecho a porta e começo a me despir. Quando acabo, entro no Box e abro a torneira de água fria. Até aí, eu não prestava atenção ao que fazia; ainda estava muito sonolento. Mas, no momento em que a água gelada toca minha pele, todo o sono vai embora. Puta que pariu! A água não está só fria, está fria pra caralho! Automaticamente, retraio todos os músculos e desligo a torneira.

— Puta merda! — murmuro. Já estou completamente desperto e não vejo necessidade em me torturar, me banhando com água do Ártico, então começo a abrir as duas torneiras até achar uma temperatura agradável.

Tomo um banho tranquilo, cantarolando uma música qualquer. Quando termino, desligo as torneiras, abro a porta do Box e pego uma toalha. Começo a me secar, na sequência cabelos-rosto-ombros-braços-abdômen-costas-pernas-pés, e logo que acabo procuro minhas roupas, para me vestir. Onde diabos enfiei as...!

Olho em volta, desesperado, e minhas suspeitas se confirmam: eu não peguei roupa nenhuma. Idiota!, eu penso, e tenho vontade de bater com a cabeça na parede. Idiota, idiota, idiota! Agora, como vou pegá-las? Se eu sair de toalha e Ryeo Wook já estiver acordado? Eu não posso ser visto assim... Ninguém jamais pode me ver sem camisa... Mas minhas roupas com certeza não aparecerão aqui num truque de mágica. Eu preciso ir buscá-las.

Enrolo a toalha na cintura e caminho até a porta. Giro a maçaneta e abro uma fresta, procurando por Ryeo Wook. Minha expectativa era encontrá-lo dormindo, mas sua cama está vazia efeita. Merda... Abro mais a porta e coloco a cabeça para fora, vasculhando o resto do quarto. Para minha surpresa, não há nenhum sinal dele. Cacete, que horas devem ser? Eu não demorei tanto assim no banho, demorei?

Saio do banheiro apressado. Corro na ponta dos pés até minha cama e, como um completo idiota, antes de me vestir, resolvo ver as horas no meu celular. 6:10. Porra, ainda é cedo! Onde diabos Ryeo Wook se meteu? Será que já foi para o refeitório, no térreo, para o desjejum? Me lembro dele ter me dito que serviam o desjejum a partir das 6:00. Mas, nossa, ele se apronta rápido! Em, sei lá, talvez dez minutos, ele acordou, se vestiu, calçou os sapatos, pegou a mochila e saiu; enquanto eu demorei vinte minutos só para acordar, caminhar até o banheiro, tomar banho e me secar. Aliás, ele é maluco? Eu estava no banheiro quando ele acordou, e só temos um banheiro. Ou seja, ele se trocou aqui fora, no quarto. E se algum dos dois veteranos acordasse? Ou eu saísse do banheiro? Cara, que louco.

Abro meu armário e pego o uniforme. Me ajoelho ao lado da cama e abro uma das gavetas, de onde tiro um par de meias e uma cueca. Aperto a toalha na cintura, pego todas as peças que separei e me viro para voltar para o banheiro. Já estava contando vitória, mas, quando me viro, dou de cara com Sung Min, parado no pé da escada, já vestido e de mochila nas costas. Eu congelo; fui pego no flagra.

Ficamos nos encarando, os dois chocados demais para dizer qualquer coisa. Mas, depois de um tempo, Sung Min pisca algumas vezes e abaixa a cabeça, desviando o olhar para o chão.

— O que é isso, calouro? — ele pergunta. Para meu alívio, ele não está com a postura de deus mesquinho. Inclusive, ele parece envergonhado.

— E-Eu... Eu não... Roupas. — é o que consigo balbuciar. Estou muito nervoso e encabulado com a situação, e sempre que fico assim meu cérebro trava.

Ele solta uma risada fraca, melodiosa e agradável.

— Eu sei que você está sem roupas. É exatamente isso que estou questionando.

— Esqueci. — eu respondo, ainda incapaz de formular uma frase mais explicativa. Ele levanta a cabeça e me olha com as sobrancelhas franzidas.

— Esqueceu o motivo de estar sem roupas?

— Não! Esqueci as roupas. — digo. A cada segundo que passa eu fico mais envergonhado com essa cena; a vontade que tenho é sair correndo e me trancar no banheiro.

— Ah! — ele diz, e agora parece realmente entender o que eu quis dizer, porque fica agitado e começa a andar sem saber bem para onde ir. — Então acho que... Eu... Hã, vou indo.

Ele começa a se dirigir para a porta e eu dou o primeiro passo em direção ao banheiro. E, nesse instante, fode a porra toda: minha toalha solta da cintura. Assim que percebo, solto um “Merda!” meio desesperado e largo minhas roupas, instintivamente tentando salvar a toalha suicida. Minha missão não é totalmente bem-sucedida, porque a “parte de trás” fica descoberta por alguns segundos, antes de eu ajeitar a toalha novamente na cintura. Fico aliviado por Sung Min já ter saído. Mas espere um pouco. Eu não ouvi a porta...! Merda!

Eu me viro e lá está ele, em choque, sem saber o que fazer. Puta que me pariu... Isso tinha mesmo de acontecer? Eu tinha mesmo de mostrar minha bunda branquela para o Sung Min?! Porra, onde eu enfio minha cara, agora?

— Calouro...! — ele parece sufocado. Mil vezes merda.

— E-E-E-E... — Nem mesmo um simples “eu” eu consigo dizer. Estou tão atordoado que nem me lembro do meu abdômen à mostra, me preocupo simplesmente em segurar a toalha no lugar. Mas então ele nota; estamos apenas a uns dois metros distantes e o que tenho no abdômen não é o que eu chamo de discreto.

— Kyu Hyun — ele me chama, e é a primeira vez que usa meu nome para se dirigir a mim ao invés de “calouro”. No momento em que escuto sua voz, sei que ele viu; Sung Min viu o que nunca deixei ninguém ver e seu tom de voz sério deixa isso bem claro. Mas foi o fato de seu olhar estar abaixo do meu pescoço que fez minha ficha cair. Ele dá um passo à frente. — Kyu Hyun, o que é isso? — Sung Min indaga, se aproximando mais alguns passos.

Aquela pergunta revive memórias, lembranças dolorosas que sempre quis apagar de minha mente. Durante anos eu consegui ignorá-las, mas agora tudo vem à tona novamente. Feridas são reabertas em meu interior e lágrimas escapam pelos meus olhos. Aquela cicatriz... Aquela maldita marca que me obriga a lembrar do meu passado infernal.

Eu irrompo em soluços e mais lágrimas, enquanto cenas perturbadoras invadem meus pensamentos.

— Kyu Hyun! — Sung Min corre ao meu encontro, segurando meus ombros. — Ei, calouro, se acalme. O que aconteceu?

— Su-Sung... Mi-Mi-Min. — eu tento falar, soluçando, mas nem sei o que quero dizer. Simplesmente choro mais.

— Kyu Hyun, calma. — ele pede. No fundo da minha cabeça, alheio à dor que me esmaga, reparo que, em poucos minutos, Sung Min já disse meu nome quatro vezes. Eu gosto do jeito como ele diz “Kyu Hyun”. — Venha, sente-se. — e me guia até minha cama, me pondo sentado. Eu ainda não me acalmei nem um pouco.

— Ei — ele afaga meus braços. Sua voz é tão doce que faz meus soluços diminuírem. — Calouro, me desculpe se disse algo impróprio... Você não precisa falar sobre sua cicatriz, se não quiser. Se foi uma cirurgia ruim...

A palavra cirurgia me deixa ainda pior. Me lembro dos ferimentos, das agulhas, do desespero... Não achei que fosse possível chorar mais, mas foi. E, em meio à tristeza avassaladora, surge um ódio cego que me faz empurrar Sung Min com toda a força que tenho. A culpa é dele! Estou revivendo meus pesadelos, sendo atormentado por meus fantasmas novamente, tudo por causa dele!

Desabo na cama, enfiando o rosto no travesseiro.

— Ya! — ele reclama, porque o fiz cair sentado. Mas parece perceber quão mal eu estou, porque afaga meu ombro e diz: — Eu sinto muito, Kyu Hyun. Se eu disse qualquer coisa que...

— Vá embora! — A raiva é tanta que as palavras quebram os soluços e saem perfeitamente. Na verdade, minha frase parece um rosnado. O fato é que a voz doce de Sung Min, cheia de falsa inocência, como se ele não tivesse feito absolutamente nada, sendo que a culpa de tudo é dele!, me dá vontade de quebrar sua cara em mil pedaços. Se antes eu estava sendo consumido pela tristeza, agora estou tomado por uma raiva insana que me faz esquecer tudo de bom que vi em Sung Min.

— Kyu Hyun, me perdoe. Eu não sabia... — Eu não quero ouvir nem mais uma palavra.

— Saia! — E é ainda mais ameaçador dessa vez. Ele não tenta mais nada e sai. E, assim que a porta se fecha, eu desabo em soluços novamente. A raiva evapora e a tristeza volta mais avassaladora do que antes. Prometi a mim mesmo que não deixaria essas coisas me afetarem novamente. Mas lembrar de tudo e ficar firme... É simplesmente impossível. Porque, além das outras trocentas consequências, esse foi o maior motivo da minha amizade com o Zhou Mi ter acabado; aquele maldito treino de futebol, aquele maldito professor, aquela maldita tarde...

Antes que eu acabasse com a minha lista de “coisas malditas”, alguém bate à porta. Tento me controlar, mas não tenho muito sucesso. Sou incapaz de responder algo, então a pessoa bate novamente. Não obtendo resposta pela segunda vez, abre a porta. Eu não me viro para olhar, ainda que esteja em uma situação constrangedora: só de toalha. Mas não tive forças para me vestir.

— Com licen...! Criança! — a pessoa me repreende. E só tem uma pessoa que me chamaria assim. — Isso são modos... O que aconteceu? — Hee Chul começaria a me dar uma bronca, mas percebe que estou aos prantos. — Kyu Hyun, por que está chorando?

Eu seco as lágrimas inutilmente, porque elas não param de cair, e me viro para olhá-lo. Não preciso me ver no espelho para saber que minha aparência é terrível. Ele se aproxima, preocupado, e se ajoelha ao meu lado.

— O que aconteceu, criança? — Hee Chul pergunta. Sua voz é serena, tranquilizadora, e ver seu rosto, suas feições excêntricas, aqueles olhos grandes... De algum modo, meus soluços cessam. Não entendo muito bem porque, mas olhar Hee Chul, com aqueles cabelos vermelhos engraçados, me faz questionar o motivo do meu choro.

— Suponho que não queira falar sobre isso, não é? — ele pergunta, sorrindo de lado, como se aquilo fosse óbvio. Acho graça de sua expressão e dou uma risada fraca.

— Hee Chul-sshi — eu digo, e posso ver a satisfação em seus olhos. Por que ele gosta tanto de formalidades? Eu com certeza seria informal em outra ocasião, mas o que planejo fazer é um pouco arriscado, então quero conseguir alguns pontos para não morrer.

— O que foi, Kyu Hyun?

Eu não penso duas vezes e enlaço seu pescoço com um dos braços e puxo-o para um... Sei lá, um abraço meio capenga, porque só uso um braço, estou deitado de bruços na cama e ele está de joelhos. Não são condições muitos favoráveis para um abraço, mas não me importo.

De começo, Hee Chul fica rígido, lutando contra meu abraço manco, mas acaba relaxando e envolve meu pescoço com o braço direito. Não entendo direito porque quis abraçá-lo, mas o resultado foi bastante efetivo: após poucos minutos em seu abraço maneta reconfortante, meu choro se extingue. Eu não venço meus fantasmas, mas torno a esquecê-los.

— Está melhor? — Hee Chul pergunta. Eu me separo e sorrio.

— Sim, estou, Hee Chul-sshi. — eu digo. — Muito obrigado.

Ele sorri discretamente e assente.

— Não foi nada. — ele diz. — Mas, da próxima vez que quiser me abraçar, peça permissão antes.

Eu rio.

— Sim, senhor! — brinco. Ele dá uma risada suave.

— Ótimo, criança. — ele retruca e eu faço uma careta. Já disse a ele que não sou uma criança! Ele ri, se divertindo com minha expressão. — Agora o que acha de colocar uma roupa? Já são 6:30.

Não sei o que me choca mais, o fato de já ser tão tarde ou eu ainda estar só de toalha. Me sinto envergonhado, agora que recuperei a sanidade.

— É, roupas são uma boa idéia. — digo.

— Então eu te esperarei no corredor, para irmos ao refeitório juntos. Está de acordo?

— Completamente.

Ele sai e me visto rapidamente. Em menos de dois minutos estou de uniforme e cabelos penteados. Pego minha mochila e saio do quarto. Hee Chul está encostado à parede, alguns passos adiante.

— Ya, Chul-hyung! — eu chamo, porque ele não nota que já estou do lado de fora. Ele vira a cabeça num ato instintivo. Eu abro um sorriso e pergunto: — Demorei?

Ele sorri e balança a cabeça negativamente.

— Vamos. — ele diz, começando a caminhar em direção ao elevador. — Você precisa se alimentar corretamente para ter um bom desempenho durante o dia.

— Claro, claro. — E o sigo, com um sorriso radiante no rosto. O que esse cara estranho tem que me faz gostar tanto dele? Não é como com o Sung Min, é algo mais... Fraternal, sei lá. Vejo nele alguém familiar, habitual, como uma espécie de irmão mais velho. É curioso, mas eu me sinto bem ao lado dele. Confortável.

Chegamos ao refeitório em pouco tempo e entro lado a lado com Hee Chul.

POV Sung Min:

Eu tinha muitas coisas na cabeça – a começar pela cena que presenciei com o meu kingka. Quando aquela toalha caiu... Maldição, por que só a parte de trás? A da frente seria muito mais interessante... A-cha! O que estou pensando?! Sung Min, deixe de ser pervertido! Acho que estou passando tempo demais com o Eun Hyuk...

Além disso, a cicatriz em seu abdômen realmente me deixou intrigado. E a reação dele... Eu me senti péssimo, e inútil. Ele estava se desfazendo em lágrimas, por algum motivo que desconheço, provavelmente por algo que eu disse, e eu não sabia o que fazer. Eu queria consolá-lo, mas não posso, se não sei o que aconteceu.

Sem falar no tom grosseiro que ele usou comigo, me mandando sair do quarto. Aquilo realmente me deixou magoado. Poxa, eu não disse nada por mal. E eu pedi perdão... Eu nunca o faria sofrer propositalmente. Será que ele não enxerga isso?

Enfim, eu estava pensando nisso tudo. Mas no momento em que Kyu Hyun entra no refeitório, eu esqueço meus pensamentos. Eu simplesmente não consigo acreditar no que vejo. O que aquele demônio de cabelos vermelhos está fazendo ao lado do meu kingka?! Já não basta a minhoca rodeando meu Kyu Hyun? Esse idiota tem que se meter?

— Ei, Sung Min! — a voz de Hyuk me desperta. — O que está fazendo?!

Fico confuso. O que estou fazendo? Hm, tentando fuzilar um certo alguém com os olhos, talvez. Mas Eun Hyuk está olhando para minha mão, então sigo seu olhar para descobrir do que ele está falando. E eu me vejo apertando minha caixa de leite, derramando líquido na mesa – e na minha mão. Solto-a imediatamente.

— Oops. — digo, tentando parecer casual.

— De onde vem tanta raiva com a pobre caixinha? — Si Won brinca. Eu rio, porque estou nervoso, mas soa uma risada perfeita. Então os quatro começam a puxar outros assuntos e volto a prestar atenção no meu kingka.

Juro que, se a caixa ainda estivesse na minha mão, eu voltaria a esmagá-la; por que ele está tão perto do Kyu Hyun?! Aquele curupira maldito está descaradamente se engraçando pra cima do meu kingka, “ajudando-o” a escolher o que comer. Eu não caio nessa. Larga dele, oferecido! O pior é que o Kyu Hyun está todo “sorrisos” pra esse cara! Não, kingka! Sorria para mim, não pra ele!

Eles (finalmente) acabam de selecionar a comida e seguem para uma mesa. E é claro que o Sr. Minhoca está lá, com mais dois caras: Dong Hae, parceiro de quarto do Hyuk, e um rechonchudo que não conheço.

Não consigo aproveitar muito bem minha refeição, porque a mesa do Kyu Hyun está no meu campo de visão, e ele e o Hee Chul estão sentados um do lado do outro. Próximos demais. Mas não demoramos muito a acabar de comer, então não tenho de ficar vendo aquela cena revoltante por muito tempo. Seguimos os cinco para a sala de aula, no Prédio II. Fico aliviado por não ter de ficar olhando o Kyu Hyun com ele; tudo bem que eles podem ser só amigos, mas eu sou paranoico e surtado e não gosto de outras pessoas perto do meu kingka. É frustrante ter de vê-lo com esses malditos e não poder fazer nada... A vontade que tenho é convidá-lo para sentar conosco. Mas aí eu teria de falar “Calouro, você deve sentar com o nosso grupo, porque nós somos as estrelas, a melhor companhia possível. É em nós que você deve se espelhar, então fique conosco. Aprenda conosco.” Ou alguma besteira desse tipo, soando muito superior.

Mas o que eu realmente queria dizer é “Ei, Kyu Hyun, por que não se senta comigo? Gosto de ter você por perto”. Só que qualquer coisa parecida é inadmissível. Lee Teuk nunca aceitaria uma postura tão emocional...

Eu me sento no lado direito da sala, abatido. Vou passar o resto da manhã sem ver meu kingka... Que merda.

O sinal do início da aula toca e o professor logo se pronuncia.

— Atenção, alunos. Visto que nesse ano temos um número de calouros inferior ao mínimo para formar turmas – foram aprovados apenas 33 alunos nas audições, e o mínimo são 40 –, os alunos novos farão parte das turmas do 2º Ano, e no próximo ano estudarão os módulos do 1º Ano. Para a nossa turma, foram designados 5 desses calouros. Por favor, entrem.

Cinco rapazes entram na sala de aula. Eu não acredito no que estou vendo. É isso mesmo? Kyu Hyun na minha sala? Não, eu só posso estar sonhando. Eu não sou assim tão sortudo... Esfrego os olhos e olho novamente, e, para minha surpresa, lá está ele, divino no uniforme da instituição. Parece que minha sorte realmente mudou. Meu kingka estudando comigo! Agora vamos passar todas as manhãs juntos! Yes!

Alheio à minha súbita felicidade, penso no que o professor acaba de dizer. 33 novatos, apenas. Eu já estava sabendo que 100 alunos foram designados à “adaptação” – um ano se dedicando em dobro para iniciar o curso na Tech. Algo como “lapidar a forma bruta dos talentos”, ou seja, os talentos não foram aprimorados na adolescência, então a pessoa não está no nível dos outros alunos, por mais que tenha potencial. Mas não sabia que tão poucos tinham sido aprovados.

— Kim Ryeo Wook, vinte anos. — As apresentações começam e eu nem percebo. Então esse é o nome do Sr. Minhoca... Ryeo Wook. Mas espere, ele dorme comigo. Eu já deveria saber o nome dele.

Ye Sung está bastante fascinado pelo cabeçudinho e eu faço uma piadinha, mas ele não entende a brincadeira e me dá um beliscão como resposta.

— Kim Young Woon, vinte e dois anos. — o rechonchudo de mais cedo se apresenta.

— Shin Dong Hee, vinte e um anos. — o gordinho do quarto do Si Won também se apresenta, e depois dele um garoto pequeno, estreito e fortinho, com um nariz engraçado, grande demais:

— Kim Ki Bum, vinte anos.

Essas idades são surpreendentes. Todos parecem mais novos do que são, a não ser o Dong Hee, que acho que tem cara de ser um ou dois anos mais velho do que realmente é. Mas acho que isso é normal por aqui; eu, com a minha carinha de bebê, tenho vinte e dois.

— Cho Kyu Hyun — Ele dizendo o próprio nome me faz perder o ar. — Dezenove anos.

Eu engasgo com minha própria saliva. O quê? Dezenove anos? Só dezenove aninhos? Eu sou três anos mais velho que meu kingka? Isso é um pouco chocante.

O professor diz a eles que se sentem em qualquer lugar vago. A carteira à minha frente está vaga e penso em chamar o Kyu Hyun para se sentar nela, mas sei que não posso. Em compensação, Dong Hae agita os braços, chamando os “amigos” para se sentarem com ele – um lugar vago atrás de sua carteira, um ao lado e um atrás do lugar ao lado. Sem contar que o demônio de cabelos vermelhos também está entre eles.

Faço uma careta involuntária e Hyuk, atrás de mim, percebe.

— Calma, Sung Min. — ele sussurra em meu ouvido. — Hae não está interessado no seu calouro. Não vai roubá-lo de você.

Ah, tá. Ele não está interessado... Espere aí. O Hyuk acabou de chamar o Dong Hae de “Hae”? Desde quando ele tem toda essa intimidade com o cara?

Olho para trás, curioso, e percebo os dois se entreolhando. No intervalo a gente se fala, leio os lábios de Dong Hae e vejo Eun Hyuk assentir. Essa história está muito mal contada. Eles têm algo? Eles estão juntos? A-cha! Hyuk apaixonado, será?

Uma bolinha de papel acerta minhas costas e eu me viro, procurando o arremessador. Encontro Kyu Hyun e meus lábios se curvam em um sorriso. Ele tem sorte do professor não ter visto, ou ele seria posto para fora de sala – eu sei, porque já aconteceu comigo.

Percebo ele mover os lábios, tentando me dizer algo, mas não entendo nada.

— O quê? — movo os lábios, rezando para que ele me entenda. Ele rola os olhos, talvez um pouco impaciente por eu não compreender sua “linguagem muda”, e gesticula para baixo, como se me dissesse para olhar para o chão. Faço isso e vejo a bolinha de papel que me acertou as costas. Pego-a do chão e mostro-a para Kyu Hyun.

— Isso? — movo os lábios novamente. Ele gesticula para que eu desamasse o papel, provavelmente porque há algo escrito dentro. Quando o faço, leio “Sung Min-ah, preciso falar com você. Por favor, me siga. Kyu Hyun”. Não posso deixar de reparar que a caligrafia dele é bonita.

Olho para ele outra vez, mas meu kingka já está caminhando silenciosamente até a porta. Como em toda instituição de Ensino Superior, não é necessário pedir permissão ao professor para sair de sala. Eu o sigo exatamente um minuto depois.

— Por que demorou tanto, Min-ah? — ele reclama. Eu me derreto todo por causa do “Min-ah” – o modo como ele diz isso é tão gracioso! Mas ainda estou um pouco magoado e, mesmo podendo ser meigo e gentil, retruco de forma rude.

— O que quer, Kyu Hyun?

— Não venha com grosserias para cima de mim. — ele replica, numa mistura de suplicante e irritado. E, antes que eu possa lhe responder com minha tão treinada arrogância, ele encolhe os ombros e diz: — Estou aqui para me desculpar.

Aquilo me surpreende, e me deixa extremamente feliz. Tanto que não consigo reprimir o sorriso que se forma em meus lábios. Ele sorri de forma acanhada e continua:

— Eu reagi de maneira exagerada e por isso eu sinto muito. É só... Um assunto delicado. Difícil.

Quero dizer que estou aqui para o que ele precisar, disposto a ajudar da melhor forma que puder, mas me controlo.

— Eu também peço desculpas. Disse o que não deveria, toquei em um assunto inapropriado e peço que me perdoe. Não foi proposital.

As palavras saem da minha boca sem que eu me dê conta. Acho que não me controlei muito bem.

— Eu sei que não. — ele diz. Então sorri: — Agora, eu sei. Na hora eu não percebi, mas você só estava preocupado comigo.

— Exatamente. — eu digo, sem pensar. — Eu me preocupo com você, Kyu Hyun. — Toco seu rosto e sinto meus dedos formigando. Sua pele é tão macia... — Não quero que chore, muito menos que sofra.

— Obrigado por isso, hyung. — ele diz, com o sorriso um pouco maior. Mas então ele se torna sério. — Por favor, me prometa que não contará a ninguém sobre... Isso. — ele aponta para a própria barriga e sei que se refere à cicatriz que corta seu abdômen.

— Eu prometo. — respondo, e seu sorriso volta. Está ainda maior do que antes.

— Obrigado, Min-ah. Eu... Tenho de voltar, agora. — ele diz, mas tenho a impressão de que não era exatamente isso que queria me dizer. — Você vem?

Eu sorrio e nego com um movimento de cabeça.

— Estou com sede. — minto. Ele assente, ainda sorrindo, e caminha até a porta. Eu não quero que ele vá...

— Kyu Hyun. — chamo, e ele se vira rapidamente. Seus olhos intensos me cativam e meus pensamentos se perdem. Há tantas coisas que eu quero lhe dizer...

— Cuide-se. — digo por fim, e isso não traduz nem metade do que eu tenho para falar.

— Você também. — ele responde, e entra na sala. Eu fico parado no corredor, encostado à parede. Meus pensamentos vagam em um lugar não muito distante; estão perdidos na única pessoa que os invade o tempo todo: Cho Kyu Hyun.

Notas finais
Aê. Será que alguém quer me matar? /se esconde.
Ah, esse até que ficou bom não ficou? Diz que sim, diz que sim. *---*
Espero reviews. Espero que tenham gostado. o
Saudades de algumas leitoras ai que sumiram e não mandam mais reviews. ç___ç
Reapareçam meninas.
Kisses e até o próximo capítulo pessoas. ♥