New Life. New Love.
6 Cena Constrangedora.
Notas iniciais
Então, eu acabei demorando um pouco com esse né? Mas tenho meus motivos. Meu computador meio que me odeia e deu pau aqui. Mas agora tá tudo bem. o
Então... Nesse capítulo tem uma pequena cena EunHae, que eu particularmente adoro. Como o capítulo é contado pelo Kyu, ele vê a cena.
Espero que gostem. o
POV Kyu Hyun:
Entro na sala aliviado; está tudo esclarecido com o Sung Min e tivemos uma conversa tranquila. Ele não foi arrogante como eu temia que fosse, a não ser na primeira frase. E estou satisfeito por ter dito tudo o que queria dizer.
Está certo que não disse exatamente tudo, mas... Eu estava a ponto de dizer “Obrigado, Min-ah. Eu sabia que você não era um idiota e que eu poderia confiar em você. Eu não me enganei em gostar de você de cara”. Fala sério! Eu nunca poderia dizer essas coisas! Primeiro, porque o chamo de idiota. E segundo, porque digo que gostei dele no primeiro olhar. Isso é inaceitável. Então disse que tinha de voltar pra sala, antes que acabasse estragando tudo. Quero ser amigo do Sung Min, mas às vezes me pergunto se não estou querendo algo a mais... Não! Eu não quero mais nada com o Sung Min, a não ser amizade. Ponto final.
Sento no meu lugar e dirijo o olhar ao professor, mesmo que não esteja prestando nenhuma atenção ao que ele diz.
— Está ignorando meu aviso, Kyu Hyun? — a voz ameaçadora de Hee Chul soa em meu ouvido. Sinceramente, sua frase soa mais como “Ousa desobedecer minhas ordens?!”. Eu encolho os ombros; merda! Hee Chul me disse para ficar longe do Sung Min. E eu sei que isso é provavelmente o mais sensato a se fazer, mas não consigo. Eu quero ter Sung Min ao meu lado.
Agora, como digo isso a ele?
— Eu só fui ao banheiro, Hee Chul-sshi. — minto, rezando para que ele acredite.
— Acha que não vi quando arremessou a bolinha de papel? — ele retruca, irritado. Merda! Esqueci esse detalhe. Ele está sentado atrás de mim, óbvio que iria reparar eu jogando a bolinha nas costas do Sung Min. E provavelmente também viu ele sorrindo pra mim.
— Estava provocando. — continuo mentindo (descaradamente). Por favor, Hee Chul, acredite nisso.
Ele fica em silêncio alguns segundos. Depois expira pesadamente e posso imaginá-lo estreitando os olhos.
— Kyu Hyun — Hee Chul começa. Seu tom de voz é bastante intimidador. — Lembre-se de que sou mais velho, e mais sábio. Você não me engana. — Até aí, soa como uma ameaça. Mas ele continua num tom mais suave. — E quando digo para não se aproximar deles, é porque é o melhor para você. Acredite, eu sei.
Não, Hee Cul, você não sabe! Você não conhece o Sung Min!, é o que quero responder. Mas a amargura anexa às últimas palavras me cala. Outra vez ele soa imensamente magoado. Por quê? Que história triste há por trás do Hee Chul, envolvendo aquele grupo? Será que o Sung Min... Não, ele não faria nada para magoá-lo... Faria?
— Eu sei. — respondo, mas não sei exatamente a qual parte me refiro: a de ser o melhor para mim ou a dele saber disso. Mas acho que a resposta vale para as duas.
— Então siga meu conselho, se não quiser se machucar. — ele diz, rude, e suponho que esse seja o fim da conversa.
Fico grilado o resto da aula, pensando no passado do Hee Chul, nas palavras do Hee Chul. Eu não quero me machucar, mas sinto que Sung Min não faria isso. Comigo, não. Nós dois temos uma conexão especial. E eu vi, nos olhos dele, o quanto ele se importa com meus sentimentos. Não sei o que aconteceu antes, o que Sung Min e seus amigos fizeram para deixar o Hee Chul tão ressentido. Mas sei que, se meu ursinho fez algo de ruim, ele está mudado. E, se foram os amigos dele, ele é diferente. E digo isso porque eu sei. Eu sei disso, e o Hee Chul, não.
Quando o sinal do fim da aula toca, meus pensamentos já estão em ordem. Decido que Hee Chul está enganado sobre Sung Min, e que dar uma chance ao meu ursinho de pelúcia vale a pena. Levanto apressado, porque estou com fome. Na verdade, estou faminto! Meu estômago está roncando tão alto que estou com medo que os outros possam ouvir.
Entramos no refeitório juntos, nós cinco. Chegamos antes do grupo do Sung Min, e eu sei disso porque procurei por ele e não o encontrei em lugar nenhum. Pegamos bandejas e iniciamos nosso passeio pelo enorme self-service da instituição – sério, acho que nunca vi tanta comida na vida! Tem todos os tipos de culinária possíveis! Do italiano ao japonês! Isso é incrível! E, melhor ainda: nada de tiazinhas para te servir! Eu odeio quando tem aquelas “cantineiras” para colocar minha comida; primeiro porque elas sempre colocam o que eu não quero, mesmo se digo “Não, obrigado!” (parece até que são burras!). Segundo porque elas sempre põem comida demais. E terceiro porque, com elas, parece que a comida tem de ser obrigatoriamente ruim.
— Kyu Hyun! Onde pensa que está indo? — Eu paro quando escuto a voz de Hee Chul. Me viro para encará-lo.
— O que foi, Hee Chul? — pergunto, impaciente, porque quero logo me servir e ir sentar. Novamente noto ele franzindo o nariz. Eu, hein.
— Salada. — ele diz, apontando com o queixo para a comida. Eu faço uma careta; detesto comida verde. Fala sério, qual a diferença de uma alface para a grama?
Hee Chul mexe a cabeça, desaprovador.
— Nem adianta, Kyu Hyun. Você precisa comer verduras. — E, sem mais, nem menos, coloca coisas verdes nojentas no meu prato.
— Ei! — protesto. — Eu não quero...
— Calado! — ele ordena. Admito que fico um pouco assustado. — E precisa comer legumes também. — Hee Chul completa, colocando mais comida indesejada no meu prato. Ele se mexe, insinuando pegar outras coisas que não quero comer e pôr no meu pobre prato, então afasto minha bandeja dele bruscamente, o máximo que posso.
— Obrigado. — digo. — Acho que já chega.
Ele aponta para algo que não sei o que é e tenta argumentar.
— Mas...
— Não! — respondo, sem nem mesmo ouvir o que ele tem a dizer. Volto a andar, em busca de algo mais gostoso que gramíneas. Dou uma olhada no meu prato e faço uma careta mal-humorada. Eu não queria nada disso!
Escuto uma risadinha da parte dele e sinto vontade de partir-lhe a cara. Mas, antes que eu possa, ele segura meu rosto e beija minha bochecha, o que me deixa completamente surpreso.
— Não fique emburrado, pequeno Kyu. — ele diz. Seu tom é divertido e sinto vontade de gargalhar, mas reprimo-a ao máximo. Ainda assim, meus lábios formam um sorriso. Merda! Eu deveria estar irritado. — Kyu Hyun ~, sorria! — ele aumenta a voz e força um tom fofo. Para completar, me lança um olhar de cachorrinho pidão. Eu fico chocado. É isso mesmo? Eu estou vendo Kim Hee Chul fazendo aegyo? A-cha, é o fim do mundo!
— Chul-ah — digo, incrédulo. — Está sendo fofo.
Ele se endireita rapidamente e diz:
— Tem razão, isso é muito inadequado.
Eu dou uma risada, porque ele parece envergonhado. Passo um dos braços pelo pescoço dele e o puxo para perto, juntando nossas cabeças.
— Acho que está tudo bem sermos inadequados. — digo, beijando sua bochecha em seguida. Por um instante, estranho nosso comportamento. Mas, se há alguém que quero por perto mais que Sung Min, essa pessoa é o Hee Chul. Então, foda-se; estamos agindo de modo estranho simplesmente porque somos futuros melhores amigos.
Ele ri e enlaça minha cintura.
—Você é uma criança esquisita, Kyu Hyun. — Hee Chul comenta. Eu viro a cabeça para olhá-lo, com um sorriso no rosto, e vejo que ele também sorri. — Tão esquisita que suponho estar mesmo tudo bem nossa inadequação.
— Ei, não sou eu quem tem cabelos de sangue! — brinco. — Se um de nós é esquisito, é você!
— Cale a boca. — ele responde, bem-humorado.
Nós dois rimos e começamos a dar passos tortos, porque não largamos um ao outro e temos que equilibrar a bandeja com uma mão só.
— Os amiguinhos poderiam dar licença? — alguém pergunta irritado e impaciente. Eu sei exatamente quem é. Merda, eu penso, não acredito que você voltou a ser idiota.
Solto os ombros de Hee Chul e me viro para ver Sung Min.
— Se querem fazer palhaçadinhas, deveriam sair da fila. — ele atira, ríspido. Posso ver toda a musculatura de Hee Chul endurecer.
— Escute aqui... — ele rosna, e sei que o que vem a seguir não é nada delicado. Então o interrompo dizendo:
— Pode passar. — E puxo Chul para o meu lado. Sung Min me lança um olhar duro que não consigo decifrar e passa por nós, sem nem ao menos dizer um “Obrigado”. Deus mesquinho idiota.
— Por que fez isso?! — Hee Chul reclama, bastante irritado. Ignoro o medo e respondo:
— Não quero que você se meta em confusões. — E a raiva dele parece evaporar. — Agora, venha. Estou com fome.
Pego sua mão e sigo o resto do percurso puxando-o. Ele não reclama nem tenta se desvencilhar de mim, então presumo que ele não se importa. Depois que pego tudo o que quero e que Hee Chul completa seu prato saudável vamos nos sentar com os outros.
— Caramba, vocês demoraram, hein? — Kang In diz, assim que a gente se aproxima da mesa.
— Tiveram dificuldade em encolher o que comer? — Ryeo Wook pergunta. — Foi horrível para mim. Tanta coisa gostosa!
Todos rimos. Me sento ao lado do Wook e Hee Chul senta ao meu lado. Quando olho para frente, encontro o grupo do Sung Min, algumas mesas distante. Estou realmente interessado em saber quem eles são. Quero dizer, sei os nomes – Sung Min, Ye Sung, Lee Teuk, Si Won e Eun Hyuk – ainda que não saiba dizer quem é quem. Mas o que quero descobrir é quem eles realmente são e porque parecem ser venerados por todos os alunos dessa instituição.
Novamente começo a bolar hipóteses: alguma ligação com o diretor, grana pra caralho, envolvimento com alguma máfia... Se bem que não parece que os alunos são forçados a venerá-los, e sim que eles sinceramente os admiram...
— ... Não é, Kyu Hyun? — Desperto ao ouvir Ryeo Wook dizer meu nome. Eu automaticamente viro o rosto em sua direção, e, pela minha cara de confuso, ele logo percebe que eu estava perdido em meus próprios pensamentos. — Você não ouviu nada do que eu disse. — ele suspira.
— Desculpe. — digo, sem graça. — O que estava dizendo?
— Comentei com eles que o Dong Hae estava olhando para a janela o tempo todo, durante a aula. Parecia estar procurando algo do lado de fora.
Eu subitamente me interesso; realmente, eu notei ele olhando em direção à janela toda hora, mas não acho que estava procurando algo lá fora.
— É, eu percebi. — Kang In comenta. — De fato ele parecia procurar algo.
— Ou alguém. — acrescento.
Dong Hae se engasga com o refrigerante.
— O quê?! — ele diz, estrangulado. Sua voz sai mais aguda do que o normal, sinal de que ele está nervoso. — Que... Que bobagem, Kyu Hyun! Eu... É claro que eu não estava procurando alguém! Não é? — ele olha para to-dos. Seu desespero é visível. Isso! Me sinto um verdadeiro Sherlock Holmes. Desvendei o mistério! Bem, parte dele. Só resta descobrir quem é o “alguém”.
Olho a mesa do Sung Min. Seria algum deles? Decido perguntar quem são eles, para saber quem é quem e dar o palpite certo; aquele garoto loiro de cabelos curtos é o mais suspeito, porque fica olhando pra cá de tempos em tempos – exatamente para o Dong Hae.
— Chul-ah — eu chamo, mesmo sabendo que talvez ele não seja a pessoa mais indicada para responder minha pergunta. Ele levanta a cabeça, porque está inclinado sobre o prato.
— Hm? — é a resposta dele. Sua boca está cheia de comida e acho que ele é educado demais para falar algo antes de terminar de engolir.
— Quem são aqueles garotos? — aponto discretamente o grupo e ele fica tenso. Merda, por que fui fazer essa pergunta idiota?!
— Babacas. — ele diz, depois de engolir. Sua expressão está endurecida, talvez pela tristeza. Ou raiva. — Estúpidos talentosos que não valem nada.
Seus olhos estão nas próprias mãos. Eu seguro uma delas e entrelaço nossos dedos. Ele me olha, desconfiado.
— Me desculpe por tocar nesse assunto. — digo. Ele balança a cabeça, como se dissesse que está tudo bem. Mas eu sei que não está.
— Eu acho que vou à Biblioteca. — ele diz, olhando nossas mãos juntas. — Se quer saber deles — a última palavra é um rosnado. — Eu não posso te ajudar.
Ele se prepara para se levantar, mas eu o impeço, segurando sua mão com mais força.
— Chul. — Ele me olha. — Eu posso deixar isso de lado. Não precisa ir embora.
Hee Chul me dirige um sorriso fraco.
— Não há problema, pequeno Kyu. Eu quero mesmo estudar algumas partituras. Apenas lembre-se do que eu te disse.
Sei que ele se refere ao conselho para que eu não me aproxime de nenhum deles – conselho que estou determinado a ignorar. Mas assinto e digo:
— Vou me lembrar.
Então ele assente, pede licença e se retira. Quando ele se afasta, Dong Hae se inclina na minha direção.
— Deixe eu te explicar. — ele diz. Eu fito seu rosto, atento. Eu realmente quero descobrir a história do Hee Chul. — Hee Chul-sshi fazia parte daquele grupo.
Isso é como uma pancada na cabeça. Estou pasmo; como assim? Milhares de perguntas invadem minha mente, mas não consigo organizar minhas idéias para verbalizá-las.
— Ele costumava ser muito amigo daqueles quatro, mesmo que à sua maneira, sem grandes demonstrações de afeto. — ele continua. Está a ponto de acrescentar mais informações quando o interrompo:
— Espere, quatro? Mas...
— Sung Min chegou depois. — Dong Hae explica, e eu me sinto aliviado. Meu ursinho de pelúcia não teve nada a ver com o desentendimento entre o Chul e seu ex-grupo. — Mas havia um quinto membro, Han Geng. Ele era a excessão do Hee Chul-sshi.
— O que aconteceu com ele? — pergunto, interessado.
— Hee Chul-sshi e Han Geng eram extremamente próximos. Tinham uma ligação especial, além da amizade. Eles se amavam pra valer. — Espere, ele está dizendo que... — Os dois eram namorados.
Mais revelações chocantes sobre o Chul; ele realmente era gay? Isso... Eu... Não sei o que pensar. Já conclui que ele é uma pessoa extraordinária e que quero tê-lo como amigo, mais do que quero qualquer um aqui. Mas eu devo ignorar o que acabei de descobrir? O que conheço dele é suficiente para derrubar as barreiras que construí?
— Mas houve um desentendimento. — Dong Hae continua a explicação, alheio à minha confusão interior. — Hee Chul-sshi nunca me disse exatamente o que aconteceu. Parece que teve uma confusão com um terceiro cara, não sei direito. Só sei que a coisa foi tão tensa que o Han Geng voltou para a China e o Hee Chul-sshi brigou com o grupo.
Eu armazeno informações. Ele não me dá muito tempo para isso e, antes que eu possa dizer algo, ele sai me apresentando os membros.
— De qualquer forma, aqueles são Sung Min — ele diz, apontando para o meu ursinho de pelúcia de maneira discreta. Meu coração falha por uns dois segundos. Por que esse nome mexe tanto comigo? — Ye Sung — ele continua apontando. Certo, até aí eu já sei. Então ele passa para um garoto de cabelos claros, médios e repicados. Seu nariz é um pouco grande e ele está muito sério, como todos na mesa, mas ainda assim tem um rosto bonito. Para um homem, eu digo. E, claro, menos – bem menos – bonito que Sung Min. — Lee Teuk, o líder — Ele está no pique pra apresentar o próximo, mas um suspiro – que eu classificaria como “apaixonado” – o interrompe. Estou ficando assustado. É só impressão minha ou estou cercado de homossexuais?
Todos olham o dono do suspiro: Kang In. Surpreendente, eu acho.
— O que foi? — ele estranha. — Eu só achei esse cara... Interessante.
— E com “interessante” você quer dizer “bonito”. — Ryeo Wook comenta.
— Exatamente.
Os outros riem, mas eu estou nervoso. Esses caras são legais, eu falo comigo mesmo, você simplesmente esteve errado esse tempo todo. Gays não são monstros. Não há nada de mau neles. São apenas pessoas apaixonadas por outras pessoas. É só isso, relaxe. Você conhece esses quatro, é amigo deles, gosta deles. Não vai ser um idiota e se afastar só por causa desse motivo estúpido, vai? Não, eu não vou. Aceitarei minha amizade com eles, foda-se se são gays ou não. Barreira um quebrada.
— Finalizando, aquele ali — Dong Hae aponta um cara alto, forte e musculoso, com cabelos pretos na altura da orelha. — É o Si Won. E o outro — O loiro de cabelos curtos! É ele! Qual é mesmo o nome que está faltando?... — Eun Hyuk.
Isso! Eun Hyuk! Esse é o nome. Ele é o alguém! E espere aí, foi uma “miragem auditiva” ou o Dong Hae mudou de tom quando disse o nome dele? Tipo, ele usou o mesmo tom do suspiro do Kang In. Foi isso mesmo?
— Eun Hyuk. — eu repito. Ele me olha e devo admitir que ele parece um bobo apaixonado.
— É, Eun Hyuk . — ele suspira. — O melhor dançarino dessa instituição.
Seus olhos brilham e eu não tenho dúvidas.
— E a pessoa que você tanto olhava durante a aula. — completo. Para minha surpresa, ele sorri e começa a assentir. Mas só até se dar conta do que está fazendo.
— Quero dizer, não! — ele grita. — Já disse que não estava olhando ninguém!
A mesa explode em risadas.
— Ele te pegou, hein, Dong Hae? — Kang In comenta, entre risos. Dong Hae fica nervoso, constrangido, envergonhado. Suas bochechas ficam rosadas e ele abaixa o olhar para a mesa. Aos poucos, a risada coletiva se esvai. Outros assuntos se desenrolam e eu não participo efetivamente de nenhum. Enquanto conversamos, reparo em Dong Hae e Eun Hyuk se entreolhando. Após alguns minutos, ele diz:
— Pessoal, eu vou para o dormitório, está bem? — ele avisa, porque é uma pergunta retórica. — Preciso pegar minhas anotações para a aula da tarde.
Todos assentem e ele se vai. Até aí, tranquilo. Mas então algo na mesa do Sung Min chama minha atenção: Eun Hyuk se levantando. Aquilo é como um choque elétrico. Tem algo aí; Dong Hae e Eun Hyuk vão se encontrar! Isso é claro. Mas para que? Essa é a grande pergunta.
Observo enquanto o loiro se afasta e, assim que ele sai do refeitório, digo:
— Hyungs, eu também vou para o meu dormitório. Preciso carregar meu celular. — É a melhor desculpa que consigo bolar.
Ryeo Wook sorri e balança a cabeça.
— Vai lá, guri. — ele diz. — Mas não se atrase para a próxima aula. Começa às três.
Eu sorrio.
— Pode deixar. Encontro vocês mais tarde.
Me levanto e sigo em direção à porta. Estou apressado, mas não posso deixar que notem, então ando normalmente. Só arcelero o passo depois de esta do lado de fora. Quando chego na divisão de corredores, paro e escuto, tentando captar algo que me diga que direção devo tomar.
Ouço passos distantes à direita e sigo o barulho. No meio do caminho, uma voz familiar ecoa no corredor deserto.
— Você demorou. — Dong Hae diz. — Tem certeza que ninguém te seguiu, Hyuk? Sabe que estamos ferrados se alguém descobrir.
Hyuk. Eun Hyuk? É o mais provável. E por que eles estariam ferrados se alguém descobrisse que eles se dão uns amassos de vez em quando? Pelo que vi até agora, o número de gays aqui é bem alto.
Por alguns instantes, tudo o que ouço são alguns ruídos fracos, indistinguíveis. Depois, a resposta:
— Eu sei, Dong Hae. Sei de tudo.
Mais alguns barulhos abafados, respirações fortes.
— E tenho certeza que ninguém me seguiu.
Mais alguns passos e eu fico próximo o suficiente para vê-los, no fim de um outro corredor sem saída à esquerda, na penumbra. Eu me escondo perto da parede. Eles estão a uns cinco metros de distância.
Eu já tinha imaginado que encontraria os dois se beijando, mas meu psicológico não estava devidamente preparado, porque congelo quando vejo a cena. Dong Hae está enconstado à parede do fundo e Eun Hyuk está de costas para mim. Eles se beijam de maneira ardente. Assustadora, na verdade. Eu quero correr, fugir, mas não consigo me mover.
E a cena fica ainda pior quando reparo a parte inferior dos corpos: as pernas de Dong Hae estão ao redor da cintura de Eun Hyuk, desnudas. As calças dele estão no chão. Que porra...! Eun Hyuk também está sem as calças (bem, não tecnicamente, porque elas estão arriadas em seus pés). Graças aos céus a camisa dele é comprida o suficiente para cobrir o seu traseiro.
Eun Hyuk está – e isso é apavorante – segurando as nádegas de Dong Hae com força. Escuto gemidos baixos e alguns ruídos. Que porra é essa?! Eles estão... Dong Hae e Eun Hyuk estão...
— Isso, Hyuk — Dong Hae diz, depois de um gemido mais alto que os outros. Merda, por que eu não consigo me mexer?! — Acerta de novo.
Eu começaria a pirar se não estivesse em pânico; eles de fato estão fazendo sexo no corredor! Eu quero gritar, correr, vomitar. Puta que pariu! Maldita a hora em que resolvi seguir o Eun Hyuk!
Parece que Eun Hyuk o atinge novamente (em algum lugar que não quero saber onde é), porque Dong Hae geme alto. Mais alto que antes. Meu pânico aumenta e eu faço a besteira de não me esconder quando Dong Hae olha na minha direção. Sua expressão muda bruscamente, de algo estranho (prazer?) ao horror. Seus olhos se arregalam e sei que ele me viu. Merda. Vamos, pernas, funcionem!, eu penso. Mas continuo parado.
Dong Hae contrai os músculos, tomado pelo terror de me ver ali, presenciando aquela cena horrível. Isso não é bom, não é?
Não, definitivamente não é bom! Porque a resposta de Eun Hyuk é um gemido alto e rouco, seguido por um mais agudo da parte de Dong Hae. Eles... Eles acabaram de...!
Finalmente venço minhas pernas de chumbo e começo a correr. Correr para qualquer lugar longe daquilo! Eu corro e corro sem parar até encontrar o elevador. Sim! Entro no elevador e aperto o botão oito. Vou para o meu dormitório – que me arrependo de não ter ido antes – e caio de bruços na cama, morto de cansaço. Sem falar no ainda presente desespero.
Ouço a porta abrindo e viro a cabeça instintivamente para ver quem é. Vejo Sung Min entrando, tranquilo. Mas quando ele me vê, sua expressão endurece.
— Ah, você está aqui. — ele diz, um tanto irritado. Do que ele está falando? — Achei que tinha ido atrás do seu amiguinho.
— Está falando do Hee Chul? — pergunto. Ele rola os olhos, mal-humorado.
— Não é óbvio? — ele replica.
— Ei, porque está tão irritado?! — eu disparo, agressivo. Fico irritado por ele estar me tratando de maneira ofensiva. Eu não fiz nada!
— Porque... — ele se interrompe. Então assume sua postura rígida. — Não te diz respeito o que estragou o meu humor.
Eu me sento na cama. São poucos metros até a porta, talvez três.
— Então por que está descontando em mim? — pergunto, alterado. E ele deixa a máscara cair, junto com os ombros que antes estavam abertos na postura ereta. Sung Min se aproxima devagar.
— Desculpe, Kyu Hyun. — ele diz, e soa realmente arrependido. Minha raiva vai embora tão rápido quanto veio. — Eu estou com alguns... Problemas pessoais. Isso tem afetado meu comportamento.
— Eu posso te ajudar? — pergunto, instantaneamente. Sung Min foi bastante compreensivo comigo. Eu quero ajudá-lo, se possível. — Se tem algo que eu posso fazer por você...
— Você poderia... — ele se interrompe novamente. — Me abraçar.
Aquilo me pega de surpresa. Ele acabou de pedir um abraço. Eu abro um sorriso e fico de pé. Dou um passo à frente e ele volta a caminhar ao meu encontro. Quando cruzamos toda a distância que nos separava, eu o tomo em meus braços. Ele envolve minha cintura e eu, seus ombros, porque sou mais alto. Ter seu corpo contra o meu provoca sensações estranhas em mim. É bom. Eu não quero largá-lo.
Abraço-o com mais firmeza, sem deixar de ser delicado. Posso sentir suas mãos em minhas costas, seus dedos suaves. E sinto o cheiro de seu perfume; algo como Calvin Klein. É gostoso.
Sung Min recolhe uma mão e a leva até meu rosto.
— Kyu Hyun — ele diz. Não sei se ele me chama ou se está apenas falando meu nome. Seu polegar traça a linha do meu maxilar. — Seu abraço é aconchegante.
Estamos nos olhando de maneira profunda – ele está tão perto! Seu rosto está a dois palmos do meu. Mais sensações estranhas surgem. Toco seu rosto.
— Seu perfume é gostoso. — comento. Ele ri sua risada melodiosa e eu sorrio. Me sinto inexplicavelmente alegre. É uma alegria diferente, que só Sung Min me faz sentir.
Continuo olhando seus olhos escuros hipnotizantes e tocando sua pele macia. Ele também permanece me olhando e tracejando minhas feições. Me pergunto porque ele faz isso.
Depois de um tempo, decido dizer algo:
— Sung Min... — Mas ele me impede, pondo o polegar sobre meus lábios. Eu interiormente agradeço por isso, porque estava pronto para dizer “Eu gosto muito de você”. Por que diabos eu pensei em falar isso?!
Mas o fato dele me calar me deixa nervoso. O que ele pretende fazer?
— Não diga nada, Kyu Hyun. — ele diz, aproximando seu rosto do meu. Meu cérebro grita, dizendo para eu me afastar, mas minhas pálpebras se fecham de qualquer maneira. Movo o rosto para frente, na direção de Sung Min.
Mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer, ouvimos o clique da maçaneta. Nos afastamos num salto. Nós nos entreolhamos por um segundo e depois olhamos para a porta. Quem aparece é Ye Sung.
— Olá, Sung Min. — ele diz, formal. — Eu estava procurando por você.
— Ótimo. — Sung Min responde. Impressão minha ou ele soa irritado? — Vamos conversar lá encima.
— Claro. — ele responde, já se dirigindo às escadas. — Com licença, calouro. — E é a primeira vez que ele me dirige a palavra. À vontade, veterano escroto.
Sung Min o segue, mas, subindo as escadas, me dirige um sorriso. Retribuo o sorriso e saio do quarto. Verifico as horas no meu celular; 2:30. Tenho que me apressar.
Caminho até o elevador e aperto o botão dois, que é o andar da biblioteca. É quase que inacreditável, mas ela ocupa um andar inteiro. É simplesmente imensa! Me dirijo à seção de partituras, na esperança de encontrar o Chul. Por sorte, ele está lá. Mas, para minha surpresa, todos os outros três também estão. Dong Hae está lá. Já tinha esquecido aquela cena constrangedora, mas vê-lo a traz à tona. Nojo e pavor me invadem. Como eu o encaro, depois do que vi?
— Kyu Hyun! — Ryeo Wook exclama, baixo, porque é um lugar obrigatoriamente silencioso. Todos se viram para me olhar.
— Olá. — digo, soando o mais normal que consigo. — Demorei muito?
Eles dizem que não e me sento à mesa. Estrategicamente ao lado de Dong Hae.
— Kyu Hyun, por favor, não conte a ninguém. — ele sussurra em meu ouvido. Ah, não se preocupe, eu não quero contar a ninguém. Me arrependo amargamente de ter ido atrás do Eun Hyuk. Eu não queria ver aquela cena! Maldita curiosidade!
Tento parecer tranquilo, mesmo estando bastante descontrolado.
— Sem problemas, hyung. Você tem minha palavra. — sussurro de volta.
Ele expira, aliviado, e me abraça.
— Obrigado! — ele murmura. Correspondo ao seu abraço e os outro não entendem muito bem o que vêem. Hee Chul, sentado do meu outro lado, não parece gostar muito, porque pouco tempo depois empurra Dong Hae para longe.
— Largue o meu pequeno Kyu, Dong Hae. Vá abraçar outra pessoa. — ele reclama. Eu rio.
— O que é isso, Chul-ah? — pergunto. Ele passa o braço pelos meus ombros e me puxa para perto.
— Eu te abraço. — ele diz. — Os outros apertam sua mão. Entenderam?
Todos assentem. Eu dou outra risada. Hee Chul está sendo possessivo comigo, é isso? Como eu deveria encarar tal fato?
— Ele é sua segunda excessão, Hee Chul-sshi? — Dong Hae pergunta e me lembro do que ele disse mais cedo, sobre Han Geng ser a excessão do Chul.
Hee Chul inspira e expira ameaçadoramente. Dong Hae encolhe os ombros.
— O pequeno Kyu é a minha única excessão. — ele responde, alterado, como se já tivesse explicado isso muitas vezes.
Dong Hae assente, apressado.
— Sim, desculpe Hee Chul-sshi.
A resposta do Chul é um “humph” mal-humorado.
— Ahn, Chul-ah — eu chamo. Seu humor parece se tornar mais leve.
— O que foi, pequeno Kyu?
— O que significa eu ser sua excessão? — pergunto, porque estou verdadeiramente intrigado.
Ele ri levemente.
— Sou apegado a você. — ele diz. — E gosto de demonstrações de afeto com você, diferentemente de com as outras pessoas. Por isso é minha excessão.
Eu sorrio. Aquelas palavras me deixam contente. Eu realmente gosto dele pra caralho. Abraço-o com força e beijo seu rosto pela segunda vez em poucas horas.
— Se isso tudo é porque você gosta muito de mim, saiba que eu também gosto muito de você. — eu digo. Ele sorri e retribui meu beijo na bochecha.
— Sim, eu gosto muito de você. — ele ri. Então me solta e diz: — Agora são dez para as três e preciso me encaminhar para minha sala.
Chul fica de pé e eu seguro sua mão – estou ficando enjoado de mim. Acho que estou meloso demais com o Chul. De onde saiu isso tudo?
— Que aula você tem agora? — pergunto. Ele me puxa, me forçando a levantar.
— Bateria. — ele responde, sorrindo, enquanto coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — E você?
— Eu vou para a de piano. — digo. Ele faz uma careta.
— Que merda!
— Você vai fazer piano, Kyu Hyun? — Ryeo Wook pergunta. — Que legal! Também faço piano!
Ele abre um sorriso enquanto se levanta. É uma surpresa boa; não vou passar a tarde sozinho. Ryeo Wook vai ficar comigo. Esse cabeçudinho... Eu também gosto dele pra valer. Na verdade, gosto muito de todos esses caras.
— Eu também estou na aula de piano. — Dong Hae diz, sorrindo. Sorrio de volta, determinado a ignorar o que vi e agir normalmente.
— Isso! — Kang In diz, e por um segundo acho que ele também faz piano. — Sou o único excluído que vai para a aula de baixo!
Nós cinco rimos. Seguimos juntos até o Prédio II – eu (irritantemente) de mãos dadas com o Chul. Quando chegamos lá, marcamos de nos encontrarmos no jantar, às oito, mesmo que seja inevitável, já que todos temos de comer.
Enquanto caminho até minha sala, ao lado de Ryeo Wook e Dong Hae, penso que essa instituição é muito melhor do que eu jamais poderia imaginar. As amizades que estou fazendo, e especialmente minha relação com o Chul, são surpresas absurdamente boas! Sem contar o Sung Min... Ele também é definitivamente algo bom. Só que ainda não consegui definir como.
Notas finais
Ah! E a cena do EunHae, o que acharam? Querem me matar porque é muito ruim? /se esconde.
Então... Espero que tenham gostado desse capítulo e que eu encontre muitas reviews.
Estou com saudades de algumas pessoas, que sumiram. ç___ç
Poxa gente, a fic tá ruim?
Críticas, sugestões, elogios... To aberta para todos ok?
Kisses and butterflies. ♥
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