Notas iniciais
Então, este capítulo vai mostrar a visão do Sung Min na hora da divisão dos quartos.
A partir daqui, já aviso, a história vai ser contada do ponto de vista dos dois. Hora do Kyu, hora do Minnie. Tudo bem que será muito mais da parte do Kyu, mas está avisado.
Divirtam-se nesse capítulo. o

POV Sung Min:

Atravesso o portão de entrada e solto um longo suspiro; mais um ano nessa instituição. Já é o meu segundo. E eu adoro cantar, dançar e tocar piano e violão, mas as aulas têm mesmo de começar na terceira semana de Janeiro? Todas as instituições de ensino começam as aulas no mínimo no meio de Fevereiro! Poxa, isso é totalmente injusto! Eu também quero me dedicar a outras paixões! Paixões que não posso nem pensar em praticar aqui dentro... Mas só tenho algumas míseras semanas de férias para ficar com a minha avó, que mora numa cidadezinha do interior. E é só lá que eu posso explorar o meu outro lado. Porque... Eu não sei como os meus amigos vão reagir se eu contar a verdade sobre mim. Então, eu simplesmente não conto.

Mas a verdade é que eu adoro costurar! Desenhar e criar roupas; moda! Eu a-do-ro moda! Meu segundo maior sonho é ser estilista (o primeiro, claro, é ser cantor). E a minha avó me ajuda nisso, já que ela é costureira. Até montou um ateliê para mim na casa dela. Um doce de pessoa... Portanto, na primeira oportunidade que eu tenho, fujo para o interior e me dedico à confecção de roupas. A maioria delas é para mim mesmo; só uma coisinha ou outra que eu faço para a minha avó. Por isso todo ano estou com novas peças no guarda-roupa, exclusivamente desenhadas – e costuradas – por Lee Sung Min, ou seja, eu mesmo.

Eu sei que isso não é nada vergonhoso – sim, eu curto moda, e daí? – mas esperam algo muito diferente de mim. Meus pais esperam que eu seja, no mínimo, um homem de verdade; como é que eles reagiriam se descobrissem que o “homem” deles é um estilista nas horas vagas? Minha mãe teria um ataque! E os meus amigos... Bem, é um ponto mais complicado. Meus melhores amigos são as estrelas da Instituição Tech. Os mais talentosos, conhecidos e admirados por todos. Eu me juntei ao grupo porque eles me disseram que eu era excepcional, muito talentoso, e tinha tudo para ser uma estrela como eles. Só que é muito mais do que apenas “estou no grupo porque sou excepcional”. Estou com eles porque eles são legais. Por incrível que pareça, por debaixo daquelas caras de mau e daqueles músculos todos, eles são caras muito divertidos, atenciosos e até mesmo fofos. Mas eles não mostram isso para ninguém que não seja íntimo, porque a reputação deles – e agora minha – é baseada na seriedade. Eles querem se passar por frios e insensíveis, porque acham que é assim que os líderes devem ser, por serem reverenciados por todos os outros. Então, se estamos em público, nada de brincadeiras, nada de sorrisos, nada de informalidade. Temos de ser sérios, formais e um tanto esnobes, para criar uma aura de superioridade e sermos então vistos como líderes, porque somos – e devemos ser – exemplos para os outros alunos. É um pouco difícil pra mim manter essa pose de líder, porque sou fofo por natureza! Como eu posso evitar, se já nasci com as feições, o jeito, a voz, o corpo, tudo fofo? É impossível, mas eu me esforço bastante. Ainda que na maioria das vezes eu só pareça um menininho contrariado, “de mal” com o resto do mundo.

Sinceramente, eu acho isso uma droga. Queria poder ser fofo e demostrar afeto com as outras pessoas. Como posso achar alguém para dar meu coração, se preciso que todos achem que sou um insensível? O futuro dono do meu coração pode estar bem na minha frente e eu não vou poder fazer nada, porque isso estragaria minha reputação, e, consequentemente, a reputação de todos eles. Merda. Às vezes, a vontade que eu tenho é mandar essa reputação pro inferno!... Mas sei que não posso. Eles deram duro para construí-la e se esforçam muito para mantê-la. Eu não posso simplesmente arruiná-la desse jeito.

Uma ventania me atinge e eu volto a prestar atenção à minha volta; já percorri todo o caminho que desejava e agora estou exatamente onde eu queria: no chafariz. Me sento na borda, apreciando o barulho gostoso da água caindo. Respiro fundo e esvazio minha mente, buscando relaxar. Fecho os olhos e me concentro apenas no som atrás de mim.

Mas no momento em que torno a abri-los, me arrependo de alguma hora tê-los fechado. Porque o que eu vejo é... Inacreditável. Minha respiração falha e meu coração bate descompassado, acelerado; quem é aquele Deus Grego? Cabelos escuros, alto – com certeza, mais de 175 cm, que é a minha altura –, razoavelmente musculoso... A-cha­! Como ele é bonito! E é definitivamente novo por aqui, porque além da expressão confusa em seu rosto, eu sem dúvida lembraria se tivesse visto um kingka desse nível... É perfeito! Ele é um calouro, eu sou um veterano; é tudo o que eu preciso para me aproximar.

Fico de pé, determinado a ir lá e dizer algo, inventar algum pretexto para descobrir seu nome, no mínimo. Mas, antes que eu dê o primeiro passo, escuto o toque escandaloso do meu celular. Sou pego de surpresa e levo um susto.

— Maldição! — eu praguejo baixinho. E penso que preciso mudar de toque urgentemente. Enquanto minha mão leva o celular à orelha, meus olhos buscam novamente a figura que me fez perder o fôlego. Mas o que eles encontram não me agrada nem um pouco: ele está com outro. O que aquele magricela maldito está fazendo com o meu kingka?! — Alô. — eu atendo, mas sai tão ofensivo que acho que daria no mesmo se eu tivesse dito “Vá à merda!”.

— Ei, que agressividade é essa? — Yesung reclama, mas consigo perceber um quê de brincadeira na sua frase. Só que o meu bom-humor simplesmente evaporou.

— O que você quer? — eu retruco, claramente puto da vida. Ele percebe e deixa o humor de lado.

— Só estou ligando para saber onde você está.

— Onde você está? — pergunto, tentando acalmar os nervos. Mas a vontade que eu tenho é varejar meu celular longe, porque meu kingka acabou de sorrirpara aquela minhoca detestável!

— Estou passando pela entrada do Prédio II — ele responde, e me dou conta de que é ali perto – o chafariz fica no caminho entre os prédios II e III. Instintivamente, olho para os lados, procurando por ele. Como não o encontro, digo:

— Estou no chafariz, mas não estou te vendo.

— Me espere aí. Estou chegando.

Eu olho para a direita, esperando ver meu kingka, mas ele desapareceu. Vasculho 360°, mas ele não está em lugar nenhum. Perceber que perdi-o de vista só me deixa ainda mais puto.

— Vou entrar. — digo, porque se ele não está no meu campo de visão, só pode estar lá dentro. — Até. — E desligo, sem esperar por uma resposta. Mas enquanto guardo o telefone no bolso e sigo para o interior do Prédio III me pergunto quais serão as consequências da minha atitude; Yesung é mais velho que eu, e com certeza não vai ficar muito contente com o fato de eu ter desligado o telefone na sua cara... Bem, quem se importa? Eu domino artes marciais. Não tenho com o que me preocupar.

Chego ao Salão em pouco tempo e, ao ver todas aquelas pessoas reunidas, perco todas as esperanças que tinha em acha-lo. Não tem como eu encontrar meu kingka no meio dessa multidão... Em compensação, logo avisto aqueles três; Teukie, Hyuk e Si Won. Mas me espanto em perceber que Yesung também está ali. Como é possível? Ele não passou por mim! E então eu me lembro da saída do Salão, que dá para um corredor que tem portas para o exterior do prédio, pela lateral. Está explicado por que ele chegou antes; eu ainda tive que percorrer alguns corredores para chegar aqui, enquanto ele usou um atalho que nem lembrei que existia.

Caminho até meus amigos, rezando silenciosamente para que o Yesung-hyung não esteja irritado comigo. Por mais que eu saiba me defender, não quero brigar com ele. Não foi a minha intenção desrespeitá-lo. É só que... Poxa, eu estava aborrecido. Dá para entender, não dá?

Teuk me vê antes do resto. Ele abre um sorriso, mas logo volta a ficar sério. Imagem. Tudo pela imagem.

— Min-ah. — ele diz, chamando a atenção dos outros três. — Demorou. O que estava fazendo?

— Desculpe, eu... Estava descansando, no chafariz. — eu respondo. Não é a toda a verdade, mas não posso dizer que estava ocupado admirando meu kingka.

Yesung me fuzila com os olhos.

— Posso saber o motivo daquilo tudo? — ele pregunta, contrariado. Encolho os ombros.

— Perdão, hyung. — eu digo, e estou sendo sincero. — Eu só fiquei irritado porque o vento estava soprando gotículas d’água na minha cara há algum tempo, e eu não quis continuar ali. — eu minto descaradamente, e espero que eles acreditem no que eu digo. — Mas eu sei que agi de forma descontrolada. Me desculpe.

Ele logo desmancha a careta irritada e seus lábios mostram o esboço de um sorriso.

— Está tudo bem, fofura. — ele diz, e suspeito que esteja sendo sarcástico; Yesung sabe o quanto eu odeio esse apelido idiota. Eu sei que sou fofo, mas se não posso ser, não diga que sou, merda! — Eu te perdoo. — E desta vez parece estar sendo sincero. Dou um sorriso discreto e assinto, num gesto de agradecimento.

Eles começam a conversar sobre outra coisa qualquer, mas não presto atenção porque sinto olhos me observando. Viro a cabeça para o lado, esperando encontrar alguém me olhando, só que vejo algo muito melhor: o calouro surpreendentemente lindo, se estapeando de forma absolutamente infantil, mas, ao mesmo tempo, muito fofa. E eu quero tanto ser fofo com ele...

Antes que eu me dê conta, já estou com um sorriso nos lábios. E isso chama a atenção do nosso querido macaquinho.

— Por que sorri, Min-ah? — Eun Hyuk pergunta. Eu trato de disfarçar, transformando meu sorriso bobo em algo mais maldoso. — Tem algo a ver com o calouro se estapeando, logo ali?

Claro que os outros olham, riem e fazem alguns comentários.

— Com certeza. — eu respondo, transbordando de malícia. A maior parte é fingida, porque sou um ótimo ator, mas... Não posso dizer que não penso coisas maliciosas a respeito daquele calouro.

Como sei que todos estão interessados, e eu preciso de um complemento para dar veracidade à minha atuação, digo:

— Aquele calouro é... Interessante. Se ele se bate sozinho, significa que tem mente fraca. E mentes fracas estão aí para serem subordinadas às fortes.

Eles ficam animados e concordam, falando algo sobre esse ser o papel de um líder e que tínhamos de fortalecer a mente dele, ensinando-lhe os valores fundamentais como disciplina, dedicação e foco. Antes que alguém pudesse sequer pensar em se engraçar pra cima do meu kingka, deixo as coisas bem claras:

— Ele é meu.

Yesung dá de ombros.

— À vontade. Sempre apadrinhamos calouros, — E com isso ele quer dizer que buscamos calouros com potencial para se juntarem a nós. Isso tem a ver com o propósito secreto do grupo. — E eu também já escolhi o meu.

Ele aponta com o queixo para o tal minhoquinha que estava com o meu kingka lá fora, e que continua perto, ou melhor, perto demais dele. Será que eles têm algo? Por favor, que não tenham! Eu não quero perder, sem nem mesmo ter tido chances de ganhar.

Mais alguns comentários e o diretor se pronuncia. Ficamos em silêncio, mesmo que já saibamos de tudo que ele explica – a divisão de quartos por sorteio; a formação de grupos de quatro pessoas, com dois veteranos e dois calouros, sendo que os veteranos dormem nas camas do quarto suspenso; o “cargo” de “líder”; e o sorteio das chaves, que também serão entregues aleatoriamente. Assim que um grupo é formado, eles sorteiam uma chave e entregam ao “líder”, de modo que tanto os grupos quanto os quarto são escolhidos no random.

O sorteio começa, e o primeiro nome dito é Kim Hee Chul. E, no momento que esse nome ecoa no Salão, Si Won parece virar pedra. Então esse é o nome do paquera do Si Won-hyung e...! Que porra de cabelo é aquele?!

— Bem, parece que seu namorado radicalizou um pouco nessas férias. — Lee Teuk comenta, mostrando que não fui o único a estranhar a cor intensa e incomum dos cabelos do tal Hee Chul. Cara, aquilo é vermelho sangue!

— O cabelo dele está ótimo, e ele não é meu namorado... — Si Won responde. Pude sentir que ele quis terminar a frase com “ainda”, mas se controlou. Ah, fala sério. A quem ele quer enganar? É óbvio que ele é afim do cara estranho de cabelos cor de sangue! Pelo menos, todos nós já percebemos isso. E, para a felicidade do Si Won-hyung, seu nome é anunciado logo em seguida. Nós zoamos um pouco, com risadinhas brincalhonas, enquanto ele segue para a escada da espécie de palco em que se encontra o diretor. Ele reprime um sorriso, mas seus olhos expressam toda sua alegria e satisfação.

O sorteio transcorre normalmente e mais uns cinco grupos já foram formados quando um nome especial é dito: o meu. Fico tenso; se eu sou o primeiro sorteado, significa que sou o “líder”. Significa que vou ter responsabilidades em quádruplo, porque vou ter que cuidar de todo mundo. Ah, que merda!

Sigo até a escada, relutante. Paro antes dos degraus, e fico ali, esperando. Vejo o diretor retirar o envelope com o nome do próximo aluno e quando ele o anuncia, parece que fui atingido por um raio. Cho Kyu Hyun. Meu coração dispara, minha respiração falha, meu cérebro pira. O que tem demais naquele nome?

Me viro para ver quem é, e absolutamente tudo faz sentido. Porque a pessoa que está cruzando o corredor, toda envergonhada e desajeitada, é ele: meu calouro e kingka. Eu me perco nele e não consigo pensar em mais nada; observo-o com atenção, reparando em todos os detalhes. Primeiro, o rosto: sobrancelhas retas, nariz arrebitado, maçãs do rosto altas, queixo quadrado, linha do maxilar forte e bem-desenhada, olhos pequenos e profundos. Depois, claro, o corpo: pernas alongadas, ombros estreitos, braços fortes, mãos delicadas, com dedos muito longos. E naquele momento, inexplicavelmente, eu só tenho um pensamento: quero muito fazer roupas para ele. Não sei por que isso me veio à cabeça... Talvez pelo fato de que, para experimentar as roupas que eu fizer, ele terá de ficar sem as dele... E isso é realmente tentador.

Meu kingka – Kyu Hyun – dá mais alguns passos e logo está a apenas alguns metros de mim. Nossos olhares se encontram e o resto do mundo parece sumir. De perto seu olhar é muito mais intenso e me sinto hipnotizado, mas desperto quando percebo que ele tropeça no próprio pé. Instintivamente, seguro seus ombros. E tocá-lo, mesmo que por cima de suas roupas, me deixa envergonhado, porque consigo sentir seus músculos sob meus dedos. Se eu enrubescesse facilmente, meu rosto ficaria completamente vermelho.

— Cuidado, calouro. — eu digo, ajudando-o a se endireitar. Estamos muito próximos, afastados apenas pela distância de meus braços semi-flexionados. Recuo os braços, mesmo desejando tocar seu rosto, sentir a textura de sua pele, contornar suas feições. Consigo resistir a isso, mas não posso evitar ser hipnotizado novamente por seus olhos, que parecem me atraem como buracos negros em miniatura. Entro em transe, e para mim tudo o que há é eu e ele. Não sei quanto tempo se passa até que eu escute o diretor chamando meu nome. E eu tenho de piscar três vezes para poder me desconectar de seu olhar fascinante.

O diretor me entrega a chave do quarto 892, e diz que nossas bagagens serão levadas para lá logo. Eu assinto e agradeço, então faço uma breve reverência e desço os degraus. Só nesse momento que percebo quem mais está no meu grupo: Yesung! E a minhoca. Mas quem se importa? O meu kingka está comigo, e isso é tudo o que eu poderia querer. Sem falar que sou o “líder”, ou seja, tenho mais motivos para me aproximar do (apaixonante) Kyu Hyun.

Cumprimento Yesung com um aceno de cabeça, e ele retribui. Então, no momento em que acabo de descer o último degrau, ele fala algo com a minhoquinha cabeçuda e os dois seguem para a saída. Kyu Hyun permanece onde está, e não parece que vai se mover tão cedo. Por isso me aproximo de sua orelha – porque o diretor já está anunciando os outros nomes, ou seja, muito barulho para ele me escutar.

— É melhor seguirmos aqueles dois, não acha, calouro? — pergunto. Queria falar em seu ouvido, mas como ele é mais alto do que eu, meus lábios ficam na altura de seu pescoço. Noto suas bochechas ganhando um tom rosado adorável enquanto ele assente e sai apressado.

E, observando Kyu Hyun se afastar, não tenho dúvidas: acabo de encontrar o dono do meu coração. Meu único desafio agora é me tornar o dono do coração dele.

Notas finais
Esse capítulo ficou pequeno não ficou? Ah, perdão, perdão. /se esconde.
Mas então, eu fiz com o coração. *-*
Espero que vocês tenham gostado e... É. o
Riviews são muito bem vindas e todos sabem disso. Adoro meus leitores. Beijos e até o próximo capítulo. Prometo não demorar muito.