Notas iniciais
Amores da minha vida. Desta vez eu demorei menos não é? /se esconde.
Mas então... Eu juro que estou fazendo o mais rápido que eu posso e é mais um capítulo grande para vocês. n____n
E como foram de Natal? Todo mundo foi bem? Ganharam muitos presentes meus lindos? Eu não ganhei. ç______ç
Mas deixa isso pra lá e vamos ao que interessa. Boa leitura pessoas. ♥

POV Sung Min:

Finalmente é Sábado! A semana passou tranquila, sem nenhum acontecimento de muita importância. Eu venho notando uns olhares suspeitos entre o líder e o rechonchudo cujo nome eu não lembro, mas isso é só.

Não tive mais nenhum tempo a sós com meu kingka, o que é uma pena, porque eu me diverti muito. Nossa manhã juntos foi extremamente agradável. Sem falar no momento em que ele pôs a mão por dentro da minha camisa e quase me levou à loucura... Ele sempre me provoca quando estamos sozinhos, mas depois se afasta como se nada tivesse acontecido. Isso me deixa confuso. E irritado! Por que ele não me pega de jeito de uma vez por todas? Kyu Hyun deveria me jogar na cama, me beijar com vontade, arrancar logo a minha roupa e...

— Sung Min! — Ouço Lee Teuk me chamar e levo um susto. Meus olhos recuperam o foco e vejo que todos os meus amigos já estão de pé, prontos para ir para a aula de Dança em Grupo, enquanto eu permaneço sentado à mesa do almoço. — Você não vem?

— Claro! — respondo apressado, ficando de pé. Assim, todos nós começamos a caminhar em direção ao Prédio I. Enquanto andamos até as portas do refeitório, Hyuk se aproxima de mim.

— Fofura — ele diz, ao pé do meu ouvido. Tento ignorar o fato de ele estar me chamando por esse apelido maldito outra vez. — Acho melhor você abaixar um pouco seu casaco.

— O quê? — pergunto, sem entender. Mas quando olho para baixo, o motivo é bem visível: estou excitado. Morro de vergonha e puxo o casaco para cobrir o volume extra entre as pernas. Mas não posso deixar de perguntar: — Por que estava olhando para...

— Sou um pervertido, Sung Min. — ele responde, na maior naturalidade, antes mesmo que eu acabe a pergunta. — Esse tipo de coisa chama minha atenção. E, só para constar: se não quer virar meu uke, é melhor não me deixar te ver assim quando não estivermos em público.

— O quê?! — eu digo, com uma voz tão aguda que mal acredito que saiu da minha boca. Ele disse mesmo o que eu acho que disse?!

Hyuk começa a rir e responde:

— Calma, fofura. Estou só te zoando. Você sabe que eu tenho o Dong Hae e, acredite, eu não trocaria esse garoto por ninguém. Ele é tão gostoso! Já reparou no quão grande a bunda dele é?

Não tenho tempo de responder, porque chegamos ao elevador e não podemos deixar os outros ouvirem nossa conversa. Mas não sei se eu realmente gostaria de responder algo. Eun Hyuk sempre se empolga demais quando está falando do Dong Hae.

A porta do elevador se fecha e, durante o segundo que se faz de silêncio, eu me repreendo internamente. Que tipo de pensamentos foram aqueles, lá no refeitório?! Eu não deveria pensar essas coisas! Por mais que eu saiba que a culpa é minha, não posso deixar de xingar o Hyuk, porque foram as suas histórias que desenvolveram meu lado pervertido! Agora, eu simplesmente não consigo evitar pensar besteiras. Ainda mais com o Kyu Hyun...

Concentre-se, Sung Min! Há coisas mais importantes para se preocupar. Claro! Está chegando o aniversário do meu kingka! Só faltam oito dias! Será que o Ye Sung consegue descolar uma permissão para eu poder sair com o Kyu? Ele é o queridinho do diretor, porque seu pai é o investidor mais importante da instituição. Vou perguntar-lhe mais tarde. Como dia três de Fevereiro é Domingo, é mais fácil, não é? Já é o nosso dia de folga. O Ye Sung só precisa conseguir que abram os portões para nós dois. Então, eu e meu Kyu sairemos para comemorar!

— Estou tão animado! — Eun Hyuk diz, enquanto as portas se fecham e o elevador começa a subir em direção ao quarto andar. Si Won dá uma risadinha.

— Quando é que você não está animado para qualquer coisa que envolva dança? — ele ironiza. Todos rimos.

— Mas não é só isso, vocês sabem. Essa aula nos ajuda a dar um grande passo para a formação do nosso grupo. Nossa super banda. — Hyuk comenta. De repente, todos parecem ficar mais sérios.

— Você tem razão. — Lee Teuk diz, satisfeito. — As aulas de canto e dança são as mais importantes para nós. E estamos progredindo de maneira significativa, o que é muito gratificante. Em pouco tempo, nosso grupo estará completo e nossa banda será formada.

— Como assim? — Ye Sung pergunta. — O Han Geng vai voltar?

A pergunta dele mexe com todos – exceto comigo. Os quatro sentem muito a falta do Han Geng. Ou eu deveria falar três? Porque, quando o Si Won ouve a pergunta do Ye Sung, sua expressão não se torna animada ou alegre como a dos outros. Sua expressão parece assustada, nervosa, como se isso fosse arruinar alguma coisa.

O Líder abre um sorriso exuberante, mostrando a covinha do lado esquerdo. Não sei se é só impressão minha, mas parece que o Lee Teuk tem agido menos seriamente de algum tempo para cá. Por mais que ainda fale e se comporte como um professor, acho que ele não está tão rígido quanto antes.

— Sim! O nosso Han Kyung voltará para nós no segundo semestre. — ele responde, emocionado. — Eu falei com ele ontem à noite.

Com isso, o elevador explode em comentários contentes e entusiasmados, inclusive do Si Won, mas eu percebo que esses não são seus verdadeiros sentimentos. Tem algo aí; por que ele não quer que o Han Geng volte? Será que tem algo a ver com o curupira demoníaco?

Eu também fico animado, mesmo que não chegue ao nível de animação dos outros. Falam muito bem desse Chinês e eu tenho uma grande vontade de conhecê-lo. Mas fico ainda mais animado quando percebo a totalidade da coisa: Kyu Hyun com certeza vai ficar muito feliz em saber de tudo isso! Aliás, preciso arranjar o telefone do Han Geng logo. Será que o Hyuk tem o número dele? Ou só o Teuk tem?

— Mas espere um pouco, Líder. — Hyuk diz. Dá para ver a satisfação estampada no rosto do Lee Teuk por ser chamado de “Líder”. — Não é proibido ingressar na instituição no meio do ano?

— Sim, é. — ele responde. — Mas, como o Han Kyung já cursou o primeiro semestre do 2º Ano, abriram uma exceção.

— Isso é tão foda! — Hyuk exclama. Acho que ele é o mais animado dos cinco. — Mal posso esperar para vê-lo de novo! Já faz quase sete meses!

— É, agora só temos de esperar mais seis. — Ye Sung comenta. O clima de excitação dentro do elevador é bastante intenso.

— Que bom! — Si Won diz. Está na cara, pelo menos para mim, que ele está mentindo. — Achei que o Han Geng demoraria mais para voltar...

— Que surpresa agradável, não é, Si Won? — digo, irônico. Ele me dirige um sorriso falso. — Você vai poder matar a saudade do seu amigo mais cedo.

A resposta dele é um “uhum” estranho: meio decepcionado, meio tristonho, meio irritado. Mas, ao contrário de Si Won, Hyuk abre seu famoso sorriso gengival e parece capaz de começar a quicar de tão ansioso.

— Sim! Todos nós vamos matar nossa saudade do Chinês. Eu vou abraçá-lo tanto que ele vai até se enjoar de mim.

Lee Teuk ri e alisa os cabelos de Eun Hyuk enquanto diz:

— Ele nunca se enjoaria de você. Nem o Han Kyung, nem ninguém.

Eun Hyuk dá uma risadinha e abraça o Líder.

— Você é bondoso demais. — Hyuk ri.

A campainha do elevador toca, avisando que chegamos ao quarto andar, e os dois se separam rapidamente. Saímos do elevador juntos e cruzamos os poucos metros que nos separam da sala de aula. Quando entramos, alguns alunos já estão nela. Entre eles, Kyu Hyun. E vê-lo me deixa tão feliz que não consigo deixar de sorrir. Ele está aqui! O que significa que vamos passar todas as tardes de Sábado juntos!

Como Sábado passado essa aula não estava disponível, porque os três professores ainda não tinham chegado – eles são dos Estados Unidos e estavam apresentando um espetáculo na Broadway –, os alunos que optaram pela aula de Dança em Grupo visitaram outras aulas ou ficaram com o tempo vago. Eu e meu grupo fomos para a aula de Dança Solo, e Kyu Hyun não estava lá. Eu criei esperanças de que ele faria essa aula comigo, mas tenho de confessar que estava um tanto quanto angustiado. Porque a verdade é que eu quero estar com ele em todas as aulas. Não, mais do que isso; eu quero estar com o Kyu Hyun a todo instante.

Quando meu kingka me vê, me dirige aquele sorriso de canto que me faz perder o ar. Se bem que tudo que ele faz me tira o ar. Eu simplesmente sou perdidamente apaixonado por esse garoto. E tenho de me esforçar ao máximo para não acenar ou gesticular alguma coisa, porque seria muito indiscreto.

Eu contenho um suspiro; por que tem que ser tão complicado? Eu queria simplesmente poder fazer o que quisesse a respeito de Kyu Hyun. Falar e fazer qualquer coisa a qualquer hora. Poderíamos ficar abraçados, trocar sorrisos, conversar o tempo todo sem dever explicações a ninguém. Somos amigos – e eu quero algo a mais. E daí?

— Boa-tarde, alunos! — os professores dizem, entrando na sala. Eles são três: um alto e corpulento, outro um pouco mais baixo e bastante sarado, e outro menor e magrinho. Um trio razoável.

— Hoje, como é a nossa primeira aula, vamos formar os grupos. — o corpulento diz.

— É importante dizer que os grupos sorteados permanecerão juntos até o fim do ano — o menor complementa.

— E, não adianta o quanto implorem, não serão feitas alterações. — o saradão completa.

— Para as coisas ficarem mais fáceis, esse ano vamos sortear pelos quartos, porque notamos que há muitos quartetos inteiros aqui. Então a sequência é: um quarto, dois quartos e três quartos, para termos grupos de diferentes tamanhos e também para haver interação entre os quartos.

Eu mal posso acreditar no que acabo de ouvir. Sorteio por quartos? Isso significa que eu e o Kyu Hyun estamos juntos! Eu e ele no mesmo grupo, até o final do ano! É mais uma ótima oportunidade para a nossa amizade: podemos marcar ensaios particulares. Só eu e ele. Perfeito!

Certo. No mínimo, meu grupo é: eu, Kyu Hyun, Ye Sung e Ryeo Wook. Será que seremos só nós quatro?

— Os grupos deverão escolher uma música e apresentar uma performance na qual todos os membros devem cantar e dançar. A coreografia pode ser reproduzida, adaptada ou original, a escolha é de vocês. — o corpulento continua a explicação. O magrinho dá continuidade:

— Cada grupo formado terá uma sala, aqui mesmo no quarto andar, para reuniões, encontros e ensaios. Vamos começar os sorteios e assim que o grupo for formado diremos o número da sala e os integrantes deverão se conduzir à mesma. Dúvidas?

Todos negam e o sorteio começa. São formados por volta de doze grupos, alguns com quatro, outros com oito e outros com doze membros – além dos de seis pessoas, formados por alunos que não estão com todos os companheiros de quarto aqui – e a sala vai esvaziando conforme os grupos vão saindo. Então eu percebo que só há mais doze pessoas na sala.

— Bem, só sobraram vocês, integrantes dos quartos 734, 876 e 892. O líder do grupo será o líder do primeiro quarto, ou seja, Lee Teuk. Como são os últimos, podem usar esta sala mesmo, já que não daremos mais nada por hoje.

— Nos vemos no próximo Sábado! — os três se despedem e saem da sala. Estamos sozinhos. Os quatro membros do quarto 734: Lee Teuk, Eun Hyuk, Dong Hae e Kang In. Os quarto membros do quarto 892: Eu, Ye Sung, Ryeo Wook e Kyu Hyun. E os quatro integrantes do quarto 876: Hee Chul, Si Won, Shin Dong e Ki Bum. Doze pessoas. Que beleza.

Fico surpreso quando descubro que o rechonchudo dorme com o Líder (isso com certeza explica os olhares estranhos. Aliás, será que até o Lee Teuk está fazendo amizades ilícitas?), mas a raiva me invade no momento em que percebo que aquele demônio ruivo está no mesmo grupo que eu. E do Kyu Hyun. Por que ele tinha de se meter no meu grupo, com o meu kingka?! Filho de uma...

— Chul-ah! — Kyu Hyun chama, ficando de pé, no instante em que os professores fecham a porta. Estamos sentados no chão, porque nessa sala não tem carteiras, e ainda assim ele se levanta num salto. Sinto vontade de chutar algo. Por que ele tem de ficar tão animado?!

— Kyu — o ruivo responde, abraçando meu kingka. Eu quase dou um ataque quando escuto esse demônio chamando o Kyu Hyun de “Kyu”. Eu o chamo assim! — Finalmente estamos juntos! Achei que isso nunca aconteceria.

Eu com certeza esperava que nunca acontecesse.

— Fomos feitos para ficarmos juntos, Chul. Era só uma questão de tempo. — é a resposta do Kyu Hyun. A primeira frase me acerta como um soco no estômago. Como assim?! Nós dois fomos feitos para ficarmos juntos, kingka! Eu e você! E não você e ele!

Essas palavras me deixam magoado e tenho vontade de chorar, mas me controlo e tento parecer o mais natural possível. Só que é claro que isso estragou completamente o meu dia.

— Mas espere um pouco, Chul. — Kyu Hyun diz, se afastando para encarar Hee Chul. — Não tinha nenhum Ki Bum no seu quarto. Era um tal de Fritzburg, algo assim, não era?

O demônio dá uma risada fraca e responde:

— É, mas o alemão trocou de quarto com o Ki Bum porque estava arranjando briga com o Si Won e...

— Yay! Ficamos todos juntos! — Dong Hae interrompe, abraçando os dois e fazendo com que eles voltem a se grudar. Logo depois dele, Ryeo Wook e Kang In se juntam ao abraço coletivo e todos os quatro agarram o meu Kyu Hyun! E eu morro de vontade de poder fuzilar todos eles... Menos o Kyu, claro.

— Ah, que lindo! — Eun Hyuk diz, transbordando de sarcasmo. Sua expressão é uma mistura de aborrecimento e desprezo. É impressão minha ou ele está com ciúmes? — Pena que não temos tempo para demonstrações de afeto. — ele completa, segurando o ombro de Dong Hae e puxando-o para trás, na sua direção.

Dong Hae é retirado do abraço e os outros logo se separam também. A não ser pelos dois “feitos para ficarmos juntos”, que se sentam juntos, de mãos dadas. Do meu lado. Estou com tanto ciúme que parece que vou explodir.

Do meu outro lado, senta Eun Hyuk, de braços cruzados, depois de empurrar Dong Hae para o chão, forçando-o a se sentar.

Pelo canto do olho, percebo Dong Hae segurando a mão do Hyuk.

— Ei, por que tanto ciúme? — escuto Dong Hae sussurrar. Hyuk enlaça sua cintura e puxa-o para mais perto.

— Você é meu! — ele reclama, aos sussurros. — Não gosto quando fica agarrado àqueles outros.

— Ya! Seu bobo! Você sabe muito bem que eu...

— Muito bem. Precisamos começar a pensar. — Lee Teuk se pronuncia e Dong Hae não termina a frase. Fico curioso sobre o que ele ia dizer.

Todos os olhares se dirigem ao Líder, que coincidentemente também é o líder do grupo.

— A música que vamos apresentar precisa ser escolhida o mais cedo possível, para começarmos os ensaios. Temos três meses, o que significa que temos apenas doze Domingos para aprender e ensaiar a coreografia e a letra, além do sincronismo e...

— Teukie! — Kang In o interrompe. Eu ouvi direito? O rechonchudo chamou o Lee Teuk e “Teukie”? — Relaxe um pouco. São doze Domingos, e não cinco. Nós temos tempo de sobra!

Lee Teuk suspira.

— Você tem razão. Preciso relaxar. — ele diz, fechando os olhos e apoiando a testa na mão.

— Eu sempre tenho razão. — Kang In responde, fazendo Teuk rir. E então, sem mais nem menos, se levanta e senta atrás do Líder, esticando as pernas ao redor dele.

— Agora, trate de relaxar para não acabar cheio de rugas. — Kang In diz, massageando os ombros e pescoço do líder, depois de beijar-lhe o rosto.

— Seu idiota! Eu não sou tão velho! — Teuk ri, batendo na perna do outro. O que diabos está acontecendo nesta sala?!

Kang In também ri. Com a massagem dele, Lee Teuk começa a relaxar.

— Ah! Isso é tão bom! Você tem as mãos de um anjo!

— Ya! Nós dois sabemos que você é o único anjo aqui. — Kang In responde, aproximando os lábios da orelha de Teuk e sussurrando alguma coisa. Um sorriso bobo se forma nos lábios do líder – o mesmo que aparece em meu rosto quando vejo Kyu Hyun. A-cha! Lee Teuk está apaixonado? É isso mesmo?

— Seu ogro estúpido! — ele reclama bem-humorado, enquanto bate na perna de Kang In outra vez. — Não diga esse tipo de coisa aqui! — Teuk repreende, aos sussurros. Como é que é? Olho para os lados, analisando as expressões dos outros, e todos parecem tão confusos quanto eu. De onde saiu essa relação florida entre o líder e o rechonchudo?

Si Won pigarreia e Kang In pára a massagem.

— Acho que agora já podemos voltar a pensar no nosso trabalho. — ele diz, alterado. Como suspeito que o Si Won goste do Hee Chul, olho para a esquerda e vejo o ruivo com a cabeça no ombro do meu kingka. Mais ciúme da minha parte. — Não concordam?

Hee Chul se endireita, entediado, e resmunga alguma coisa que não entendo. No entanto, Kyu Hyun entende e lhe dá uma cotovelada amigável seguida por um comentário que gera risadas de ambas as partes. E mais ciúme da minha.

Lee Teuk começa a se endireitar também, um pouco nervoso, dizendo:

— Claro, cla... — mas é interrompido pelas mãos de Kang In ao seu redor, que lhe impedem de levantar.

— Por que precisa sair daqui? Fique comigo. — é o que leio nos lábios de Kang In. Mesmo sendo péssimo nisso, não acho que ele tenha dito algo muito diferente do que entendi. Lee Teuk tira as mãos dele de sua cintura e, enquanto se levanta, parece dizer algo como:

— Ainda não, ogro. É muito cedo.

Kang In curva o canto dos lábios para cima, disfarçando um sorriso, e se apoia nas mãos. O Líder se senta ao seu lado, com trinta ou quarenta centímetros de distância.

— Sim, então: o que temos em mente até agora?

—Chris Brown? — o tal Ki Bum pergunta. Discutimos um pouco e logo dão outra opção:

— Usher. — Shin Dong propõe. Discutimos mais um pouco, mas não achamos uma música que seja boa para cantar e dançar.

— Eminen! — diz Hyuk, todo animado.

— Eminen é um rapper. — Ye Sung comenta.

— Sim, um rapper muito foda! — Hyuk concorda.

— Rap não é um estilo musical muito bom para dançar. — Ryeo Wook se pronuncia. Todos os outros concordam, inclusive eu. Quem dança rap, cara? O espírito da coisa é hip hop, pop, música eletrônica até, mas não rap.

— Bobões. — ele resmunga, quando sua opção é negada. Continuamos pensando, mas nenhum artista parece bom o suficiente. Já se passaram quase duas horas quando o artista perfeito me ocorre: Michael Jackson! Ele é irado!

“Because it’s thriller, thriller night...” Eu começo a cantar a música em pensamento e acabo fazendo o famoso passo da coreografia. Essa música é realmente boa. Não boa para a performance, mas é boa.

— O que acham de Michael Jackson? — Eu me assusto quando Kyu Hyun faz essa proposta. Pensamos a mesma coisa?

— Michael Jackson! Claro! — Hyuk comenta. — Ele é clássico!

— É uma idéia bastante boa. — o ruivo insuportável bate de leve com seu ombro no ombro do Kyu Hyun e lhe dirige um sorriso que eu acho muito oferecido e insinuante. — Parabéns, Kyu.

Eu sinto vontade de gritar e quebrar a cara desse babaca – “Kyu” é o meu apelido para o Kyu Hyun, merda! Não dá para ele entender?!

Todos começam a concordar e elogiar a idéia do meu kingka. Maldição... Eu deveria ter dito antes, assim ninguém ficaria babando pelo meu Kyu!

— Ahn, obrigado, pessoal. — Kyu Hyun responde aos elogios. Ele parece desconfortável com toda a atenção que está recebendo, e suas bochechas ficam coradas, mostrando que ele está envergonhado. Esse meu hyung é extremamente adorável. — Mas a idéia não foi minha. — O quê?! Como assim, não foi sua? — Foi do Sung Minnie-hyung.

Quando escuto isso, fico muito chocado. Como ele sabe que fui eu? Por acaso ele lê mentes? A-cha, por favor, não leia mentes, Kyu Hyun. Eu já pensei tantas coisas impróprias a seu respeito...

— Mas o Sung Min não disse nada, Kyu Hyun. — o Líder comenta. Os olhares passam do Kyu para mim e depois voltam para o Kyu.

— Não, ele não disse. — Kyu concorda, risonho. — Mas acho que ele estava dançando Thriller. — ele diz, reproduzindo meus movimentos. Eu me sinto envergonhado.

— Você viu? — pergunto. Ele está do meu lado! Não era para ele ter reparado! O Shin Dong, sim, talvez, porque está na minha frente.

— Não sei como todos não viram. Foi tão discreto quanto começar a cantar o refrão. — ele responde, virando o rosto para me olhar e ficando perto demais. É um tanto desconcertante.

— Cale a boca. — reclamo, empurrando-o. — Minha idéia foi brilhante, independente de eu ter sido discreto ou não.

— Ai, hyung. — ele faz charme de maknae, formando um biquinho. Muito fofo. — Não me trate assim...

A expressão dele é tão adorável que é difícil permanecer sério. Eu desvio os olhos, porque vou começar a sorrir como um bobo se continuar encarando-o.

— Deixe de ser infantil. — eu digo, tentando parecer durão e nada afetado pela fofura do meu kingka. Não tenho certeza se sou bem sucedido.

Sinto um braço envolver meus ombros e fico chocado. Kyu Hyun está me abraçando, na frente de todos? Ele enlouqueceu?!... Não que eu de fato me importe com isso. É bom ter seu braço ao meu redor.

— Essa é a função principal de um maknae. — ele diz. Então aproxima os lábios da minha orelha. — E eu sou o maknae, mesmo que você seja meu dongsaeng.

Kyu Hyun dá uma risada rouca, no meu ouvido, e faz um arrepio percorrer minha espinha. Sem dúvida essa risada é uma tentativa de homicídio.

— Certo, chega! — Hee Chul reclama, puxando o Kyu Hyun para longe de mim. E, claro, para perto dele. Mais raiva e ciúme me invadem. Kyu Hyun ri enquanto seu corpo é puxado para longe do meu.

— Chul — ele diz, ainda rindo, quando é abraçado pelo demônio. — Não precisa ser tão ciumento.

— É, mas eu sou. — ele responde, apertando seu abraço. Ele pousa a cabeça no ombro de Kyu Hyun e suspira. — Merda, eu gosto de você mais do que deveria.

Kyu Hyun sorri feito um bobo – o que me deixa mais magoado e irritado – e acaricia o rosto de Hee Chul.

— É recíproco, seu bobo. Eu gosto muito de você. — Hee Chul abre um sorriso quando escuta as palavras de Kyu Hyun. Eu desvio os olhos, porque a cena toda “arco-íris e flores” entre os dois me dá vontade de chorar. — E eu não vou te trocar por ninguém, então pare com esse ciúme todo.

— Desculpe interromper o casalzinho — Si Won diz, chamando a atenção de todos. Eu interiormente o agradeço por acabar com a maldita melação do meu lado. — Mas nós ainda não acabamos. Ainda temos de escolher a música.

— Cara, verdade! — Eun Hyuk comenta. — Eu já tinha até me esquecido.

Rimos um pouco e depois começamos a pensar. Uma música do MJ, boa para cantar e dançar... É claro!

— Remember The Time! — eu e Kyu Hyun dizemos, ao mesmo tempo. Assim que nos damos conta, nos entreolhamos e rimos.

— Essa música parece perfeita. Alguém discorda? — Lee Teuk pergunta. Ninguém se pronuncia. — Ótimo! Então será essa. — ele continua, com um sorriso. — Amanhã começaremos os ensaios, na Sala de Vídeo. Assistiremos algumas apresentações do Michael Jackson, para analisarmos a coreografia e depois separaremos a letra, para cada um já começar a ensaiar sua parte. Todos de acordo?

Todos assentimos. Eu tenho de admitir que Lee Teuk é um líder bastante empenhado e organizado.

— Então, acho que acabamos por aqui. Nos encontramos amanhã, às 14:00 na Sala de Vídeo. Por favor, não se atrasem. — ele pede. A maioria apenas assente, enquanto outros dizem frases como “Não se preocupe” e “Pode deixar”. Enquanto concordamos, ficamos de pé e logo todos se levantam.

Lee Teuk está muito simpático, mas fica tenso quando se dirige a Hee Chul.

— Espero que você não falte, Hee Chul, como costumava fazer.

Hee Chul enrijece e atira, agressivo:

— Cale sua boca, Park Jung Su! Não tenho motivos para faltar!

— Você tinha, quando Han Geng estava aqui. — Si Won comenta. Esse nome realmente tem um efeito instantâneo em Hee Chul: lágrimas brotam em seus olhos e suas mãos se fecham em punhos. — Talvez com esse calouro...

Si Won não pode acabar de falar – por acaso ele iria insinuar que o Hee Chul e o Kyu Hyun estão juntos?! –, porque o demônio ruivo lhe acerta com um soco na cara. O queixo de todos os outros cai. Primeiro um tapa, agora um soco. A-cha!

Instintivamente, Si Won leva a mão ao local atingido.

— Se você me bater novamente... — ele começa uma ameaça, mas Hee Chul não se importa.

— O que vai fazer, seu verme desprezível?! — o ruivo rebate. — Eu não tenho medo de você!

Então Si Won levanta o braço, pronto para acertar o rosto do Hee Chul.

— Si Won! — Lee Teuk tenta impedi-lo, mas sua mão já começa a descer em direção à bochecha do ruivo. Eu fico chocado; mesmo odiando-o com todas as minhas forças, não acho que ele mereça um tapa. Não seria certo.

Para meu alívio, e acredito que para alívio de todos os presentes, uma mão segura o punho de Si Won e impede que ele bata em Hee Chul. Quando vejo quem é, não sei por que me surpreendo: Kyu Hyun. É claro que ele iria defender sua cara-metade.

— Você não se atreva a encostar nele, Si Won! — Kyu Hyun adverte. Seus olhos parecem flamejar de raiva. Ele empurra o braço de Si Won para baixo, forçando-o a voltar para seu devido lugar. Então dirige o olhar ao Líder e, embora seu tom se suavize, seus olhos continuam furiosos. — Quanto a você, Lee Teuk-sshi, não precisa se preocupar. Hee Chul não vai faltar.

Lee Teuk assente brevemente e diz:

— Ótimo. Somos um grupo, e precisamos nos comportar como tal. Peço desculpas se agi de forma precipitada. Me esforçarei para que isso não se repita.

O tom do Líder é muito educado, mas tem um toque de aço. Ele está dando o melhor de si para ser imparcial, mas acho que ele não consegue perdoar o Hee Chul pelo que aconteceu no passado. Não sei da história direito, mas quando o Han Geng foi embora, os dois brigaram. Feio.

Kyu Hyun reproduz o movimento do Teuk e diz:

— Acho que todos temos de nos esforçar para trabalhar em equipe. — E seu olhar se dirige a Si Won. Ele desvia os olhos, mas posso ver que ele sabe que agiu errado. É claro que ele nunca vai pedir desculpas.

Lee Teuk assente novamente.

— Você tem razão. — Então se despede de todos, pede licença e se retira. O clima na sala está tenso, então a maioria dos outros também se despede e vai embora. Em poucos minutos, só restam eu, Kyu Hyun, Hee Chul, Eun Hyuk e Dong Hae na sala.

O ruivo se senta no chão novamente e abraça os joelhos, escondendo o rosto. Pelos barulhos, sei que ele chora, mas não sei dizer se é de raiva ou tristeza. Kyu Hyun se senta ao seu lado e começa a consolá-lo. Dong Hae não sabe bem o que fazer, mas permanece por perto. Troco olhares com o Hyuk e vejo que ele quer fazer o mesmo que eu, então faço um gesto com a cabeça e sentamos junto a eles.

Hyuk afaga o braço de Hee Chul, mas ele recua o braço bruscamente. Eun Hyuk insiste em acariciar seu braço e diz:

— Hee Chul-sshi, por favor, não chore.

Hee Chul se mexe, desvencilhando-se da mão de Hyuk.

— Vá embora! — ele grita, irritado. Kyu Hyun não se pronuncia, mesmo parecendo desconfortável com a situação.

— Não! — Hyuk persiste. — Sou seu amigo, e não gosto de vê-lo chorando.

Hee Chul levanta a cabeça e começa a fazer gestos ofensivos.

— Meu amigo?! — ele rosna. — Você me traiu, como todos os outros! Toda história tem dois lados, mas ninguém se preocupou em ouvir o meu! — Lágrimas escapam de seus olhos aos montes. Por um instante, sinto pena dele. Ele realmente parece estar sofrendo. — Você poderia tê-lo impedido!

— Eu só deixei o Han Kyung partir porque ele prometeu que iria voltar! — Hyuk rebate. Isso parece desarmar o Hee Chul. A raiva dele parece sumir. — Ele me disse “Vou para casa por um tempo, porque acho que preciso disso. Mas eu vou voltar. Eu não vivo sem o Hee Chul”! E ele está voltando! Em Agosto ele estará aqui!

Hee Chul fica estupefato. Por um minuto, ele apenas permanece congelado, sem reação. Então começa a chorar desesperadamente, soluçando muito.

— E-Ele vai... Meu Han Kyung vai... Voltar para mim? — ele pergunta, entre os soluços.

Kyu Hyun abraça-o por um lado, e Hyuk, por outro. Eu e Dong Hae ficamos só olhando.

— Sim, o Chinês vai voltar. — Hyuk afirma. O ruivo começa a se controlar.

— E-Eu vou poder... Explicar tudo para ele... E mostrar que... Meus sentimentos são verdadeiros.

Hyuk abraça-o com mais força depois se afasta.

— É isso aí, Hee Chul-sshi. E pode contar comigo. Eu estou do seu lado.

Um sorriso nasce nos lábios de Hee Chul e então Hyuk exibe seu sorriso gengival cativante. O sorriso do ruivo aumenta e eu, Kyu Hyun e Dong Hae também começamos a sorrir. Acho que ninguém resiste a esse sorriso.

— Obrigado, Eun Hyuk. Muito obrigado, de verdade. — Hee Chul diz. Suas feições estão alegres como nunca antes. É engraçado, mas eu me sinto bem por vê-lo feliz. Talvez eu não o odeie tanto, afinal. Só quando ele fica se agarrando ao meu Kyu Hyun.

— Vê, Chul? As coisas vão se acertar. — Kyu diz, afagando os cabelos vermelhos do amigo. — Tudo vai ficar bem de novo. Você vai ser feliz de novo.

Hee Chul sorri.

— Você me faz feliz, pequeno Kyu. — ele diz. Então beija a bochecha dele e se levanta. — Obrigado, a vocês quatro. — Fico surpreso por ele se dirigir a mim também; eu não fiz nada. Ele parece perceber porque diz: — Talvez eu tenha me enganado sobre você, Sung Min. Talvez você não seja ruim. Eu ainda me lembro do que você fez.

— Hã? — pergunto, sem entender ao que ele se refere.

— Quando bati no Si Won pela primeira vez.

E então eu lembro: o café da manhã. Sem saber direito o que dizer, eu apenas sorrio e faço um aceno com a cabeça. Ele retribui com um movimento de cabeça e então se dirige a Kyu Hyun.

— Eu preciso ir, pequeno Kyu. Preciso limpar meu rosto. Provavelmente minha maquiagem está arruinada.

Kyu Hyun ri, e até eu e Hyuk damos uma risadinha.

— Você fica lindo de qualquer jeito. — ele responde. Eu não gosto muito do que ele diz, mas tento não pirar; o amigo dele acabou de ter uma crise. Eu posso ser um pouquinho bondoso, não é?

— Babo. — Hee Chul retruca, afetuosamente. Beija-lhe o rosto novamente, lança um olhar grato a Hyuk mais uma vez e acena com a cabeça para mim e Dong Hae. Então, se retira, provavelmente em direção ao seu quarto. Ou ao banheiro mais próximo.

— Que bom que o Hee Chul-sshi está melhor. A notícia sobre o Han Geng realmente ajudou a acalmá-lo. — Dong Hae comenta, claramente parabenizando Eun Hyuk.

Hyuk sorri e se aproxima de Dong Hae.

— É, eu sou bom nisso. — ele diz, e não parece estar se referindo ao ato de acalmar pessoas. Dong Hae parece entender o que ele insinua com a sua frase, porque fica corado e nervoso.

— Hyuk! — ele o repreende, se afastando um pouco. Eun Hyuk segura seu punho e puxa, fazendo Dong Hae perder o apoio e cair de costas no chão. O Hyuk não faria o que estou pensando, faria? Ele não é louco de...

Estou enganado. Ele definitivamente é louco. Eun Hyuk fica por cima de Dong Hae e começa a beijá-lo. A princípio, o outro luta e resiste, mas Hyuk é insistente demais e Dong Hae acaba cedendo. Em pouco tempo os dois estão se beijando de forma intensa. Ardente. Eu conheço meu amigo o suficiente para saber aonde isso vai dar.

— Quer ir para outro lugar? — escuto a voz grave de Kyu Hyun no meu ouvido. Novamente, ela me dá arrepios. Kyu Hyun é simplesmente tão insanamente sedutor que, se eu fosse descontrolado e pervertido como o Hyuk, estaria tirando sua camisa agora. E acabaríamos do mesmo jeito que os dois.

Mas, como não sou assim, eu sorrio com o canto dos lábios e seguro sua mão.

— Acho que nenhum de nós quer ver como isso vai terminar. — digo, puxando-o comigo enquanto levanto. É claro que o Kyu não quer ver porque tem aversão a esse tipo de coisa, enquanto eu não quero ver porque vou ficar excitado e quem vai me aliviar serei eu mesmo e não o Kyu Hyun, o que vai me deixar muito frustrado.

— Não mesmo. — ele responde, se deixando ser puxado por mim. Não olho seu rosto, porque estou prestando atenção na direção dos meus passos – a porta –, mas não preciso ver sua expressão para saber que ele está assustado. Isso é bastante visível em sua voz. Provavelmente o beijo caliente dos dois o faz lembrar a cena pornográfica que viu. Deve ter sido chocante.

Começo a seguir pelos corredores, sem saber muito bem para onde quero ir. Depois de alguns metros, Kyu Hyun me pergunta:

— Onde estamos indo, Minnie?

Não sei bem, um lugar para ficarmos a sós, talvez.

— Para longe de Eun Hyuk e Dong Hae. — respondo. Ele não resiste nem reclama, até porque não estou forçando-o a nada, então seguimos sem direção. Mais alguns metros e avisto algo interessante: o banheiro. É um lugar bom para ficarmos sozinhos. Eu posso arrastá-lo para o banheiro de deficientes e... Não! Pare de pensar essas coisas, Lee Sung Min! Somos só bons amigos – por enquanto. E preciso agir assim, para não assustá-lo e perdê-lo para sempre.

Adentro o banheiro, um pouco receoso pelo fato de o Hee Chul poder estar lá dentro, retocando a maquiagem. Mas, para minha sorte, não há ninguém.

— Sung Min — Kyu diz, firmando os pés e fazendo com que eu pare de andar. — O que estamos fazendo no banheiro? — ele pergunta. Isso me deixa um pouco constrangido; como eu vou dizer que o trouxe até aqui porque queria passar um tempo com ele, sozinho?

— Bem... — eu tento bolar algo, mas a verdade é que Kyu Hyun me deixa sem fala. Eu não consigo pensar direito. — Eu... Hã, eu pensei que... Quero dizer, eu e você... Não como eu e você, mas eu e você, entende? Não como se nós dois fôssemos “nós”, porque não somos...

— Fique quieto. — ele pede. Estamos razoavelmente próximos, e essa frase me faz imaginar coisas. Coisas como Kyu Hyun me calando com seus lábios. Eu quero senti-los novamente. Sentir o gosto de sua boca outra vez. É algo parecido com hortelã. É muito gostoso.

— Você nunca consegue se explicar. — ele diz, dando um passo a frente. Meu coração acelera.

— Kyu Hyun... — eu arquejo. Mesmo querendo um beijo, me surpreendo quando ele se movimenta na minha direção. É possível que ele realmente vá me beijar de novo?

— Shh. — ele faz, pondo o indicador em meus lábios. Um sorriso de canto brinca em seus lábios; aquele sorriso que me deixa nervoso, porque não sei o que ele significa. É maldoso, provocante, ou apenas acanhado? O brilho em seus olhos me deixa confuso. O que ele está pensando?

Seu rosto se aproxima do meu devagar, fazendo com que meus pensamentos evaporem. Não consigo me concentrar em mais nada, a não ser sua boca rosada e bem-desenhada.

— Se queria passar um tempo comigo, era só falar. — ele diz, a poucos centímetros da minha pele. Seus lábios estão na altura do meu nariz. Kyu Hyun está tão próximo que sinto minhas pernas fraquejarem. Minha respiração está tão acelerada que parece que corri uma maratona. Ele recua o indicador e tento dizer algo:

— Kyu Hyun... — mas meu cérebro parece ter derretido. Eu não consigo pensar em nada que faça sentido.

— Por que você fica repetindo meu nome? — ele pergunta, mas, antes que eu possa gaguejar algo, Kyu Hyun me cala. Seus lábios tocam os meus, tão suave e brevemente que é apenas um roçar. Mas é o suficiente para fazer meu coração bater tão rápido a ponto de doer. É o suficiente para fazer minhas pálpebras se fecharem. E, com certeza, é o suficiente para fazer meu peito parecer prestes a explodir de felicidade. Kyu Hyun encostou seus lábios nos meus por vontade própria! Isso tem de significar algo.

Abro os olhos, cheio de expectativa, mas encontro Kyu Hyun afastado, ereto, não mais inclinado na minha direção. Seu olhar encara o chão.

— Kyu Hyun — chamo seu nome pela terceira vez em poucos minutos. Ele levanta os olhos e está visivelmente envergonhado.

— Me desculpe por isso. — ele pede. Isso me deixa triste. Quero ouvi-lo dizer que me beijou – mesmo que tenha sido apenas um “encostar de lábios” – porque gosta de mim. Não quero que me peça desculpas. Um pedido de desculpas significa que ele está arrependido.

— Eu... Conversei com o Chul sobre... — ouvir esse nome me deixa chateado. Ele acaba de me beijar e agora quer falar que conversou com o amiguinho, cara-metade, alma gêmea e sei lá mais que porra?! Depois daquela ceninha toda cheia de amores?!

— Então vá procurar por ele! — digo agressivo, com um gesto brusco, me virando de costas para ele. Provavelmente Kyu Hyun deve pensar que sou bipolar e tenho mudanças radicais de humor. Será que ele não percebe que morro de ciúmes dele com aquele demônio idiota?

— Pare com isso, Sung Min! — ele diz, segurando minha mão. Quero puxar minha mão para longe da dele, mas perco a vontade quando ele continua: — Conversei com o Chul sobre a amizade dele com o Han Geng!

— O quê? — pergunto, virando-me para olhá-lo. Por que ele conversou com o Hee Chul sobre isso? Fico mais chateado quando penso que o motivo pode ser que Kyu Hyun quer substituir o Han Geng. Até onde eu sei, eles eram grudados e cheios de amores. Kyu Hyun e Hee Chul também são. O detalhe é que Hee Chul e Han Geng começaram a namorar. Kyu Hyun e Hee Chul começariam também?

— Eu perguntei a ele como as coisas passaram de só amizade para amor. E ele me disse que tudo ficou claro com o primeiro beijo. — ele diz. Eu estou perdido. Aonde ele quer chegar?...! Será que ele está dizendo que as coisas entre nós ficaram claras com o nosso beijo e ele descobriu que me ama?

— Mas eu estou confuso. Não sei por que te beijei agora. E não sei se quero parar para refletir e descobrir.

As palavras dele são como um balde de água fria e acabam com qualquer esperança de uma declaração da parte dele que eu estupidamente construí. Ele não quer descobrir o porquê de ter me beijado. O que diabos isso significa?

Kyu Hyun, por tudo que há de sagrado! Você gosta de mim?

— Como assim? Você deveria querer encontrar respostas. — eu digo. Eu quero que ele ache respostas. Eu quero ouvi-lo dizer que gosta de mim.

— Mas eu não quero! — ele responde. Kyu Hyun parece assustado, com medo. Ele parece prestes a chorar. — Agora, não. Eu tenho medo de que elas estraguem tudo. — Lágrimas começam a rolar pelas suas bochechas e todos os meus sentimentos se dissolvem; minha raiva, meu ciúme, minha mágoa, meu aborrecimento. Vê-lo chorar leva tudo isso embora. Eu o abraço com força e ele enterra o rosto em meu ombro.

— Minnie... Eu não quero perder você. — ele chora. Essas palavras me deixam extremamente feliz. — Não quero que deixemos de ser amigos por causa da minha estúpida confusão de sentimentos! Você me beijou sem saber. Eu te beijei sem saber. Mas vamos deixar isso de lado e continuar sendo amigos, certo?

Ele me beijou sem saber o motivo. Eu sabia exatamente porque o estava beijando. Mas eu não me importo.

— Claro que vamos! — respondo, abraçando-o com mais força. Ele funga e também aperta os braços ao meu redor. — Nós vamos continuar amigos, não importa o que aconteça.

Minhas palavras são cheias de verdade. O que há entre nós está muito além de uma paixão. É um afeto enorme e puro, independente dos meus sentimentos amorosos. Minha amizade com ele está acima do meu amor.

Kyu Hyun acaricia meus cabelos e beija minha face.

— Obrigado! — ele diz. — Muito obrigado, Sung Minnie!

Beijo-lhe a bochecha e depois me afasto para ver seu rosto. Com o polegar, seco suas lágrimas.

— Não há o que agradecer, Kyu. — eu digo. — Sou seu amigo, de verdade. Pequenas complicações não vão atrapalhar nosso relacionamento. Está bem?

Ele assente, sorrindo.

— Está bem, Minnie. Ainda assim, obrigado por ser meu amigo. Eu realmente gosto de você.

Eu sorrio. Essas palavras não tem o sentido que eu gostaria que tivessem, mas mesmo assim me fazem bem.

— Eu também gosto de você, pra valer. Agora acho que já é hora de irmos. Os outros devem estar nos procurando. — digo. Ele sorri mais e balança a cabeça.

— Tem razão. Eles devem estar preocupados. — ele diz, caminhando até a saída. Estamos de mãos dadas, então caminho com ele. — Além do mais, temos de tomar banho.

Tomar banho. Temos de tomar banho. Essa frase mexe comigo. Eu estava conseguindo controlar meu lado pervertido, de verdade. Mas ouvi-lo dizer que temos de tomar banho... Me faz pensar coisas nada puras. Eu e Kyu Hyun. Nus. No chuveiro. A água escorrendo pelo seu corpo, as gotas descendo pelo abdômen até o que eu quero tanto ver... Eu poderia ensaboar o corpo dele todo e acariciar o seu...

— A janta é em cinquenta minutos. — Kyu Hyun me acorda dos meus pensamentos pornográficos. Instintivamente, olho para baixo, procurando algum volume extra, mas, por sorte, não há nenhum.

Já estamos fora do banheiro e caminhamos em direção ao elevador. Conversamos um pouco durante o trajeto e não demora muito até que cheguemos ao Pátio Principal.

— Olá, Sung Min, Kyu Hyun. — Lee Teuk cumprimenta, aparecendo do nada. Posso ver em sua expressão que ele está puto da vida, ainda que esteja se controlando para não descontar sua raiva em inocentes como nós. — Se me permitem perguntar, onde vocês estavam?

A pergunta nos pega um pouco de surpresa. Se eu disser “No banheiro”, vai soar muito suspeito. O Lee Teuk não é nenhum pervertido, como o Hyuk, que vai pensar que estávamos fazendo sexo e coisa e tal. Mas ele também não é idiota para achar que estávamos apenas aliviando nossas bexigas.

— Bem, nós estávamos... — eu tento pensar em uma resposta aceitável. O que está acontecendo comigo? Eu sempre consegui improvisar muito bem! Pensar rápido era uma das minhas maiores qualidades. Agora, meu cérebro parece travar. Que porra é essa?!

— Estávamos... — Kyu Hyun tenta completar, mas também não consegue nada. O Líder tira conclusões precipitadas – nem tanto assim – e nos corta:

— Por favor, não me digam que estavam tendo relações também! Eun Hyuk e Dong Hae já me mostraram uma cena extremamente desagradável!

Mais um? Será que esses dois não vão aprender nunca?! Parece até que ele não tem uma porra de um quarto! Cacete!

— Não! — Kyu Hyun praticamente grita, desesperado. — Nós não fazemos esse tipo de coisa! Não somos namorados nem nada.

A última frase me deixa triste. Eu sei que não estamos namorando, e que não podemos dizer que somos amigos, mas ainda assim as palavras dele me atingem como um golpe no estômago.

— É, Líder. — eu digo. — Nós só estávamos conversando sobre o trabalho. Estamos animados para o ensaio de amanhã.

Ele parece se acalmar um pouco. Nos dirige um sorriso fraco e diz:

— Isso é bom. Devemos nos empenhar bastante para obter os melhores resultados possíveis. — Eu sorrio e assinto e, pelo canto do olho, posso ver que Kyu faz o mesmo. Mas então o Teuk fica mais tenso e soa irritado novamente quando diz: — Se é que lhe posso pedir esse favor, Kyu Hyun, se encontrar aquele ogro estúpido que tem como amigo — ele se descontrola e todas as palavras a partir de “ogro” saem distorcidas, como um rosnado. Ele se recompõe e continua a frase, bem mais controlado do que antes: — Por favor, avise-lhe que quero conversar com ele e que estou em nosso quarto.

Kyu Hyun assente umas quatro vezes antes de responder:

— Claro, Lee Teuk-sshi. Avisarei ao Kang In assim que encontrá-lo.

— Obrigado. — Teuk responde, faz um aceno com a cabeça e se afasta. Eu, hein? O que aconteceu entre esses dois? Durante a aula estavam cheios de amores, e agora isso?! Como assim? Até parece um dos meus ataques de ciúme de Kyu Hyun... Espere um pouco. Será isso? Será que o Líder está com ciúmes do rechonchudo? A-cha! Eu realmente preciso saber dessa história direito.

— Que estranho. — Kyu comenta. — Eles não estavam cheios de carinhos hoje à tarde? O que será que aconteceu?

— Não sei, não, Kyu. — respondo. — Mas, para mim, isso parece um ataque bobo de ciúmes. — abro o jogo. Ele arqueja.

— A-cha! Sério? Acha que o Kang In e o Lee Teuk estão se gostando?

— Uhum. — respondo, balançando a cabeça. — Quero dizer, o Kang In eu não sei. Mas que o Líder gosta dele, eu aposto que sim.

— A-cha! — ele repete. Eu rio, depois ele também ri e rimos juntos. Começamos a caminhar em direção ao Prédio III, mais precisamente para o quarto 892, para tomarmos banho e trocarmos de roupa para depois irmos jantar. Mas, no meio do caminho até o elevador, topamos com Eun Hyuk e Dong Hae.

— Ya! E aí, Sung Min? Vocês dois saíram e nós nem percebemos. — Hyuk diz. Dong Hae lhe dá uma cotovelada.

— Isso não teria acontecido, se você não tivesse me agarrado! — ele reclama. Hyuk segura seu rosto e beija sua bochecha.

— Você sabe que eu não resisto a você. — ele diz.

— Seu bobo! — o outro murmura, empurrando Hyuk para longe. Eun Hyuk abre um sorriso e depois que olha para baixo, para algo que parece estar entre nossos pés, me dirige um olhar bastante malicioso.

— E quanto a vocês? Estão assumidos? — ele pergunta.

— Do que está falando?! — pergunto, com a voz meio esganiçada. Ele sabe de algo?

Kyu Hyun, ao meu lado, também parece ficar sobressaltado.

— Vai me dizer que essas mãozinhas aí não significam nada, que nem o abraço lá no chafariz? — ele atira. Instantaneamente, olhamos nossas mãos e vemos que elas estão dadas. Ambos recolhemos a mão rapidamente, e acho que nós dois ficamos envergonhados.

— I-Isso não... Não é o que você está pensando. — digo. Ele ri, provavelmente porque estou nervoso.

— Vocês estão juntos, Kyu Hyun? — Dong Hae pergunta, animado. Kyu balança a cabeça negativamente repetidas vezes enquanto diz:

— Não, Dong Hae! Claro que não! — e isso me acerta de novo. Por que é tão doloroso ouvi-lo negar que há algo entre nós, sendo que sei muito bem que não há nada? — Não é o que parece. Somos só bons amigos.

Dong Hae e Eun Hyuk riem.

— Era isso que dizíamos ano passado. — Dong Hae diz, risonho. Então segura a mão de Eun Hyuk e diz: — Agora, se nos dão licença, vamos nos aprontar para o jantar. Até mais tarde.

— Deveriam pensar se o “somos só amigos” de vocês significa isso mesmo. — Hyuk diz, antes de ir embora. Viro-me para ver Kyu Hyun e vejo que sua testa está franzida. Sem dúvida Eun Hyuk fez com que ele queira refletir sobre o assunto. Eu deveria ficar grato? Eu quero saber as respostas. Mas se elas forem ruins... Eu balanço a cabeça. As respostas serão boas. Eu sei que Kyu Hyun gosta de mim. Ele só não está preparado para admitir.

— Esperem! — Kyu diz, fazendo os dois pararem e virarem para trás. Então ele segura minha mão e me puxa, correndo até os eles estão. — Nós também vamos nos aprontar.

— Vão conseguir se aprontar em apenas quarenta minutos? — Eun Hyuk pergunta, e eu sei que está insinuando putaria.

— Não sei. Vocês vão? — rebato. Ele ri. Dong Hae parece estar morrendo de vergonha, porque sabe o sentido pervertido da coisa toda, enquanto Kyu Hyun parece não estar entendendo do que estamos falando.

— Ah, com certeza. — ele responde. — Nós temos prática.

Entramos no elevador e ele aperta o botão 7. Eu aperto o 8. Enquanto as portas se fecham, ele diz:

— Vocês deveriam praticar também.

Eu encolho os ombros, envergonhado, e encaro meus sapatos. Ele não faz idéia do quanto eu queria praticar com o Kyu Hyun.

— Cale a boca. — digo, chutando-lhe afetuosamente a canela. Hyuk dá risada. O elevador começa a subir, lento como sempre, e em poucos minutos chegamos ao sétimo. As portas se abrem e os dois saem.

— Nos vemos mais tarde. — Hyuk diz.

— Até mais. — Dong Hae se despede. Nós fazemos o mesmo e as portas voltam a se fechar. Logo estamos no oitavo andar e as portas abrem novamente. Quando saímos do elevador, Kyu Hyun pergunta:

— Do que vocês estavam falando?

— O negócio de praticar? — pergunto de volta. Ele assente e eu respondo: — Ah, Hyuk só estava dizendo que deveríamos praticar nos despir e vestir rapidamente. — sem querer, acabo pondo malícia nas últimas palavras, então trato de dizer um complemento: — Para conseguirmos nos arrumar em menos tempo e não ficarmos loucos quando estamos atrasados.

— Ah. — ele diz, um pouco pensativo e desconfiado. Mas por fim balança a cabeça e conclui: — Faz sentido. Acho que me arrumo um pouco devagar demais.

Podemos praticar juntos, se quiser, eu penso e estou prestes a verbalizar o pensamento quando escuto uma porta se abrir à esquerda. Viro a cabeça para ver quem é, e Kyu Hyun, que está à minha esquerda também, faz o mesmo. Tento não surtar quando vejo quem é: Hee Chul. É claro que ele tinha de aparecer.

— Chul! — Kyu exclama alegre no mesmo instante em que vê o ruivo demoníaco. Já comentei que odeio quando o Kyu Hyun o chama por esse apelido?

— Olá, Kyu. — ele responde, com um sorriso de canto, me deixando mais puto da vida, porque esse apelido é meu! — Por que ainda não está pronto? A janta é em pouco mais de trinta minutos.

— É, eu sei. Estou um pouco atrasado. — Kyu responde, mas não diz o motivo de estar atrasado. Provavelmente porque o Hee Chul teria um ataque se soubesse que estávamos juntos. E eu sinceramente espero que seja só porque o Kyu é seu melhor amigo e ele acha que eu não presto, e não porque ele gosta do Kyu pra valer e morre de ciúmes. Ou, pior ainda: eles estão juntos.

Afasto esses pensamentos depressa. Kyu Hyun nunca beijou o Hee Chul. Nós já nos beijamos duas vezes. Mas, se for por isso, ninguém sabe que nós nos beijamos. Será que eles já se beijaram e eu é que não sei?

Balanço a cabeça. Estou ficando paranoico. Tenho de parar de pensar sobre isso, porque senão daqui a pouco estou colocando coisas onde não têm. Vou começar a pirar e achar sentidos escondidos em suas frases, sentimentos a mais em seus olhares, movimentos insinuados e mais um monte de paranoias.

Suspiro pesadamente e trato de relaxar a mente. Começo a cantar uma música em pensamento para desviar minha atenção.

— Sung Min, o que está fazendo? — escuto a voz de Kyu Hyun e recupero o foco. Vejo que Hee Chul já se foi e ele está alguns passos adiante, na direção do quarto. — Vamos logo! — ele diz, esticando a mão na minha direção. Avanço três passos e seguro-a, então seguimos apressados até o nosso quarto.

Enquanto sigo guiado por Kyu Hyun, fico me perguntando o que se passa na cabeça dele. Ele me ama? Não saber a resposta me corrói por dentro. Mas é ainda pior não saber se ele ama o maldito Hee Chul.

Afasto esses pensamentos novamente, porque não vou chegar a lugar algum. Mas, em meio aos meus passos, outra pergunta me vem à cabeça: será que ele tem alguma dúvida de que eu o amo?...

Bem, se ele tiver, não precisa se preocupar. Porque eu estou decidido a deixar isso bem claro.

Notas finais
E ai? Gostaram? Grande demais? Aish! Sempre que eu faço um capítulo grande fico com medo do que vocês vão achar. ç__ç
Não me matem, o Kyu... Ele ainda não sabe direito o que quer tadinho. Só não descontem em mim, a culpa é dele. -qnnnn
Chul tá virando macho e batendo em todo mundo. n____n
Espero que todos tenham gostado e se divertindo lendo. E espero ver várias reviews hein? Não se esqueçam de deixar a opinião. Críticas, elogios... Tudo tá valendo. n_n
Kisses and butterflies. ~♥~