Notas iniciais
Aqui está mais um.
Boa leitura!

Cheguei à escola e percebi que todos me olhavam. Ótimo dia para me olharem. Eu estava um caco! Não havia dormido nada, meus olhos estavam escuros ao redor e eu não tive a mínima preocupação com o meu cabelo. O que havia acontecido no dia anterior ainda estava mexendo comigo. Eu sabia que havia algo de estranho naquilo tudo. Algo de sobrenatural, mas eu não podia falar com ninguém. Não até eu ter certeza. Não até eu descobrir realmente o que estava acontecendo e quem era aquele Harry.

– Amy! – olhei para o lado e Andrew estava acenando para mim. Sorri fraco e fui até onde ele estava. – Você está bem? – me abraçou e beijou meu rosto. – Eu te liguei mil vezes ontem e você não me atendeu.

– Desculpa. – olhei para o chão. – Eu estava com muita dor de cabeça. Não conseguia agüentar todo aquele tumulto. Mas você estava ótimo!

– Eu estava ótimo? Olha só quem fala. Você foi rainha do baile! – ele sorriu e segurou minhas mãos.

– É... Nem sei como isso aconteceu. – olhei para o lado e vi que Meredith estava se aproximando. – Ah, ótimo! – revirei os olhos. Andrew olhou para Meredith e depois para mim sem entender nada.

– O que foi?

– Ela teve uma crise de ciúmes ontem. Me ofendeu na frente de todo mundo. Até ameaçou quebrar uma garrafa na minha cabeça! – quase gritei e Andrew riu.

– Acho bom se preparar porque ela está vindo pra cá.

Olhei para o lado novamente e ela já estava bem próxima. Segurei o braço de Andrew e puxei-o para que saíssemos dali.

– Amanda! – ela gritou e eu andei mais rápido. – Amanda!

Andrew parou me forçando a parar também. Virei, olhei para Meredith e cruzei os braços.

– Amanda, me desculpa por ontem... Eu não sei o que deu em mim! Acho que bebi demais. – ela arrumou o cabelo loiro.

– Ah é? Você tem noção do quanto aquilo me deixou chateada? Aquilo não parecia coisa de gente bêbada, Meredith. Parecia coisa de amiga falsa! – falei e Andrew me olhou assustado.

– Qual é, Amy! Você sabe que eu nunca falaria aquilo... – ela segurou minhas mãos. – Por favor, me perdoa... Eu bebi muito e o idiota do Matt não me deu nenhuma atenção. Queria descontar minha raiva em alguém e aconteceu de você passar por ali. – olhou para o chão. – Mas, por favor, me perdoa.

Olhei para ela ainda desconfiada, mas logo cedi. Eu não tinha como não perdoá-la. Ela era minha amiga. Uma das poucas que eu tinha.

– Okay, Mel. Deixa pra lá.

– Ah! – ela gritou e me abraçou. – Obrigada! Você sabe que eu te amo, não é? – me soltou e olhou para Andrew. – Sinto muito, mas tenho que conversar com a minha amiga. Amigas são mais importantes que namorados. – segurou meu braço e saiu me puxando.

Olhei para Andrew com olhar de desculpas e ele assentiu com a cabeça. Sorri e me deixei levar pelo furacão Meredith. Ela me levou até uma mesa na cantina me empurrou para que eu sentasse.

– Meu Deus, o que aconteceu de tão importante? – perguntei.

– Então... Ontem depois que eu briguei com você, percebi que a culpa era toda do Matt por ter me deixado tão chateada... Por isso eu saí e deixei-o sozinho lá. Depois disso fui ao banheiro e quase chorei, pensando no quanto eu estava arruinada, mas... – os olhos de Meredith brilharam. – O que eu não sabia era o que me esperava do lado de fora do banheiro. –ela sorriu e ia continuar, quando Julie sentou em nossa mesa.

– E ai, já contou pra ela do seu novo boy?

– Estou contando agora. Silêncio, por favor. – ela fez cara feia para Julie, que deu uma risadinha. – Continuando... Quando eu saí do banheiro, esbarrei em uma pessoa... Um garoto... O garoto mais lindo que eu já vi... – ela suspirou. – Ele me pediu desculpas e me chamou para dançar. Eu, obviamente, aceitei na hora. E depois de alguns passos e algumas conversas nós nos beijamos! – ela quase pulou.

– Meu Deus, Mel! – quase pulei também. – Isso é fantástico! Você conseguiu superar o idiota do Matt.

– Quer saber quem é? – ela deu uma risadinha.

– Não preciso nem saber quem é. Ele não pode ser mais idiota que o Matt. Você tem... – ia terminar a frase, mas Julie me interrompeu.

– É o Harry! O carinha que foi o rei junto com você! – Julie gritou.

Nesse momento fiquei sem palavras. Eu havia esquecido o incidente da noite passada. De todas as coisas estranhas que haviam acontecido. De tudo que eu achava que havia acontecido. Tinha algo de sombrio naquele cara e eu precisava proteger minha amiga.

– Sabe de uma coisa, Mel. Eu acho que ele não é o cara certo para você. – falei olhando para minhas próprias mãos.

– Como assim? Você acabou de dizer que me apoiava. – me olhou sem entender.

– É que a gente mal o conhece e eu acho que você merece coisa melhor do que ele...

– Coisa melhor do que ele?! Ele é o cara mais gato da escola! – Julie deu pitaco.

– Isso é verdade! – Meredith confirmou.

– Pode até ser, mas acredite em mim... Ele não é o cara certo pra você.

As duas ficaram em silêncio me olhando até que Meredith abriu bem os olhos e parecia chocada.

– Oh meu Deus, você está com ciúmes.

– O quê?! Não! – quase gritei. – Claro que não. – olhei para os lados e controlei a voz. – Mel, eu me importo com você e...

– Então... Se você se importa comigo, vai me apoiar. Porque eu estou realmente feliz de o cara mais lindo da escola estar gostando de mim. Por favor, fique feliz por mim. – ela levantou, sacudiu o cabelo e saiu.

Vadia.

– O quê? – perguntei.

– O que o quê? – Julie parecia confusa.

– O que foi que você acabou de falar?

– Eu nada. Eu hein. Olha, eu preciso falar com umas pessoas... A gente se vê depois. – levantou e saiu.

A voz estava de novo em minha mente.

Seria bem legal roubar o namoradinho dessa idiota., a voz. De novo a voz. Olhei para os lados para ver se ninguém estava notando a minha cara de psicopata, quando passei o olhar por ele. Estava a alguns metros de mim, conversando com alguns garotos. Olhou em minha direção. Seu rosto estava pálido, sem vida. Os olhos azuis estavam profundos e ele parecia não dormir a dias.

Ele realmente é perfeito.

Tapei os ouvidos e tentei ignorar. Por algum motivo aquela voz só me perturbava quando Harry estava por perto.

Ele se despediu dos garotos e se dirigiu para os fundos do colégio. Um instinto tomou conta do meu corpo e eu o segui. Observei enquanto ele parou no caminho, conversou com uma garota e a pegou gentilmente pelo braço. Ela sorriu para ele e o acompanhou. Os dois pararam atrás da quadra de futebol. Me escondi atrás de uma coluna e tentei fazer o máximo de silêncio possível.

Harry encostou a garota na parede e falou algumas coisas, as quais eu não consegui ouvir. O que eu ouvi foi um choro baixinho.

– Você está com medo? – sua voz aumentou de intensidade e eu pude ouvi-lo. – Se estiver, apenas confirme com a cabeça. Não faça nenhum tipo de barulho.

A garota ainda chorando fez que sim com a cabeça e Harry riu.

Ele começou a sussurrar e apenas algumas palavras eram trazidas pelo vento.

–... você... coração... sangue... morrer...

A garota quis gritar, mas não conseguia. Foi nesse momento que eu vi o que eu jamais queria ter visto em toda a minha vida. Harry pousou uma mão sobre o peito da garota e acariciou. Depois, como se a pele dela fosse isopor, ele enfiou sua mão e retirou seu coração. Coloquei as duas mãos sobre a boca e evitei um grito. Um frio desolador envolveu meu corpo e minhas pernas fraquejaram, mas não caí. Mantive meu olhar fixo em Harry.

Depois que a garota já estava ao chão, ele ainda continuava com seu coração nas mãos. Levantou-o na altura da boca e espremeu para que o líquido caísse em sua língua que estava posta para fora. Senti como se tivesse levado um soco no estômago. Tudo começou a girar e me senti nauseada. Ainda tremendo, comecei a me afastar lentamente para que ele não me notasse.

Olhei para o chão para ver onde estava pisando, mas quando levantei o olhar, era tarde demais. Ele estava bem na minha frente. Seus olhos azuis agora estavam vermelhos e seu rosto tinha vida novamente. Ele segurou em meu pescoço. Tentei gritar, mas não consegui. Minhas pernas fraquejaram e dessa vez cai, mas ele me segurou.

– Você não devia ter visto isso! – sua voz tinha um tom sombrio.

De repente senti uma dor insuportável na cabeça. Era como se meu cérebro estivesse sendo esmagado por rodas de caminhão. Meu corpo inteiro começou a formigar. Depois disso, vi escuridão.

Barulho de teclas de computador. Respirei fundo e senti um cheiro de poeira e rosas. Estiquei as pernas e senti uma superfície macia. Por todo o meu corpo. Abri os olhos rapidamente e eu estava nua. Apenas um fino lençol cobria algumas partes do meu corpo. Olhei para os lados e notei que o local era bem antigo. Móveis empoeirados e um gato branco dormindo perto na porta. Na mesa perto da janela, um garoto usava o computador.

Meu corpo estava quente e suado. Fiquei apavorada e comecei a levantar lentamente segurando o lençol ao redor do meu corpo. Quando toquei o pé no chão, a cadeira fez um barulho.

– Onde pensa que vai, mocinha?

Corri em direção à porta e o gato pulou para longe. Tentei abri-la, mas estava trancada. Mais desespero. Olhei para trás e Harry caminhava em minha direção.

– Por favor, não me mate! – gritei, sentei no chão e cobri o rosto. – Por favor, eu não vou contar o que eu vi. Só quero ir para casa!

– Meu Deus, você é mesmo dramática. – segurou em meu braço e me levantou. – Sai desse chão. Você está sujando meu cobertor.

– O que você fez comigo?! Onde estão minhas roupas? – perguntei enquanto dava alguns passos para trás.

– Você não está achando que eu abusei de você, não é? Isso seria bem doentio. – ele abriu um enorme armário de madeira e tirou minhas roupas de lá. – Aqui é muito quente. Não tive tempo de comprar um ar-condicionado. Tenho certeza que você teria morrido se estivesse de roupas o dia todo. – jogou as roupas em cima de mim.

– O dia todo? Eu preciso ir embora! Meus pais...

– Você não vai embora agora.

– O que você quer comigo?! Se você pretende me matar, faça isso logo!

– É isso que você pensa que eu sou? Um assassino? – ele parecia magoado.

– Eu vi o que você fez. Eu sei que tem algo de estranho em você. O calor que você me fez sentir no baile e tem essa maldita voz que me atormenta toda vez que você está por perto!

Essa voz é a sua voz.

Olhei assustada para ele que sorriu.

– É verdade. É a sua voz. – sentou na cadeira. – Na verdade eu controlo sua mente para que essa voz fale tudo que eu quiser, assim, você acha que é a sua voz, a sua consciência. – piscou. – Um dos meus truques. Olhou para o meu corpo coberto com o lençol. – Acho melhor você vestir sua roupa. Esse cobertor branco está meio que transparente.

Olhei para o meu corpo e peguei as roupas.

– O que você é? – perguntei desafiando-o com o olhar.

– Vista suas roupas. Eu explicarei tudo. – ele ficou me olhando enquanto eu olhava para os lados, desconcertada. – Oh, você está com vergonha de mim? Não há nada que eu já não tenha visto, queridinha. Quem você acha que tirou suas roupas? – revirou os olhos. – Tudo bem. – ele virou de costas e voltou a usar o computador.

Troquei rapidamente de roupa, ainda mantendo o olhar sobre ele. Assim que estava totalmente vestida, percebi o quanto realmente estava quente naquele lugar.

– Pronto. – falei sentando na cama. Ele virou e olhou para o meu rosto. – Por favor, eu imploro, não faça nada comigo. Eu só quero voltar para casa. – choraminguei.

– Sabe, eu achei que você fosse mais durona. – arrastou a cadeira para mais perto de mim. Comecei a respirar rapidamente. – É sério isso? Eu não vou te machucar, sua idiota. Eu não machuco pessoas! Não mais...

– Ah não? Então o que foi aquilo no colégio? Não é por isso que eu estou aqui? Porque eu vi? – minha boca tremia ao lembrar do acontecido.

– Você sabe que está me julgando, não é? Agora cala a boca e escuta o que eu vou dizer. Mas, por favor, preste bastante atenção porque eu não quero nenhum tipo de reação dramática.

– Por que dizer para mim?

– Porque eu quero. Silêncio, por favor. – ele cruzou as mãos e me olhou nos olhos. – Vai ser difícil fazer você acreditar.

Notas finais
Comentários?
Até o próximo.
Beeeeijos ;*