Notas iniciais
Desculpem a minha demora... O capítulo já estava pronto há bastante tempo, mas como eu recebi poucos comentários até então, estava esperando mais alguém se manifestar. Então, como isso não aconteceu, espero realmente que meu número de leitores aumente e para isso conto com a ajuda de vocês.
Quero agradecer imensamente quem já acompanha. Muito obrigada!
Aqui vai mais um capítulo!
Boa leitura!

– Então você é um... – interrompi a mim mesma com medo de falar a próxima palavra.

– Sim. – ele assentiu e olhou para o chão.

– Mas isso não existe. Quer dizer, isso é loucura! – todo o meu corpo tremia, mas eu suava.

– Aqui estou eu. A prova disso tudo.

– Eu quero ir embora. – levantei da cama.

– Você não tem nenhuma pergunta a fazer? – levantou também.

– Não. Eu quero que você fique longe de mim e das minhas amigas. – falei firme.

– Não significa que eu vou machucar alguém, garota. Eu não pedi para ser o que eu sou. – foi em direção à porta e abriu-a. – Eu não sei por que contei isso para você. Na verdade eu sei. Você me parecia confiável. Pensei que fosse entender.

– Como você espera que eu entenda isso?! Como você espera que eu viva minha vida normalmente, sabendo que existe um demônio estudando na minha escola e ameaçando minhas amigas?! Você não pode fazer isso comigo. Você não podia ter feito.

– Apenas espero que guarde o meu segredo. É o mínimo que você pode fazer por mim. – seus olhos ficaram obscuros.

– Eu não preciso fazer nada por você. Eu não te conheço. Eu não sei o que você está fazendo aqui. Eu não sei porque você fica me atormentando com essa voz idiota! – olhei em seus olhos. – Eu não tenho medo de você. Se for me matar, faça isso logo. – esperei alguns segundos, mas ele continuou parado. – Onde eu estou? Preciso ir para a minha casa.

– Feche os olhos.

– O quê?! Eu não vou...

– Você quer ir para casa... Então feche os olhos. – olhei para ele hesitante e fui fechando os olhos lentamente. Enquanto meus olhos ainda estavam entreabertos consegui ver que uma lágrima corria pelo seu rosto. – Eu não sou um assassino. – sussurrou. Depois disso senti um vento me envolvendo e era como se eu estivesse caindo em um poço sem fundo. Tentei gritar, mas existia um nó em minha garganta.

Batidas na porta.

Abri os olhos assustada e olhei o ambiente ao meu redor. Era o meu quarto. Eu ainda estava com a mesma roupa suada e um cansaço fora do comum. As batidas na porta ficaram insistentes. Levantei e abri.

– Ei, você está bem? – era Andrew. Ele tinha uma expressão preocupada.

– Eu... – olhei para Andrew e lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Eu me sentia sem ar. – Não, eu não estou bem! – abracei-o com força.

– Amy... – acariciou minhas costas. – Você sabe que pode conversar comigo... O que aconteceu?

Eu precisava contar para alguém, mas quem acreditaria? Nem eu mesma acreditava plenamente naquilo tudo. Andrew também não acreditaria.

– Fica aqui comigo? – apertei-o mais ainda.

– Claro, Amy. – nos deitamos na minha cama e eu fiquei chorando em seu peito enquanto ele acariciava meu rosto e me dizia palavras reconfortantes.

Os dias passaram e eu estava abatida, ainda tentando processar toda aquela informação. Eu já havia ouvido falar de Vampiros e tal, mas Harry era uma coisa diferente. Era algum tipo de demônio ou alguma coisa obscura vindo das Trevas. Sim, ele me disse que veio das Trevas. Ao que me parece é um submundo onde vivem mais criaturas malditas. Aquilo tudo chegava a ser engraçado se não fosse trágico. Harry estava matando pessoas e as próximas vítimas poderiam ser minhas amigas ou até mesmo eu, já que eu guardava o seu segredo.

Cinco dias e eu não o havia visto na escola. Tentei me tranqüilizar de que ele havia ido embora e de que tudo havia voltado ao normal. Eu não sei o que ele queria me contando tudo aquilo, mas a verdade é que ele nunca deveria ter contado. Agora, o que passou, passou. Eu sou a única “humana” a saber da existência desses seres ou pelo menos eu acho que sou. Qualquer outra pessoa piraria com uma informação dessas. Ainda me pergunto como não fiquei louca.

Era uma quarta-feira. Eu havia acabado de acordar com os gritos dos meus pais. Aquelas brigas tornaram-se constantes. Levantei e andei na ponta dos pés até a escada e fiquei lá tentando ouvir o que eles falavam na sala.

–... É sempre assim, Robert! Eu não agüento mais! – minha mãe gritou.

– Você reclama de barriga cheia! Eu pago todos os seus caprichos, todos os seus gastou desnecessários com roupas e sapatos que nem cabem mais no nosso quarto! – uma batida na mesa.

– E porque você acha que eu faço compras quase todos os dias?! – um choro. – Você acha que é fácil viver praticamente sozinha nessa casa?! Você não é mais aquele Robert que eu conheci na minha adolescência.

– É, eu não sou mesmo! Se naquela época eu tivesse a maturidade que eu tenho hoje, eu nunca teria me casado com a filha da empregada! – meu pai cuspiu aquelas palavras e a sala ficou um silêncio total.

Comecei a descer as escadas lentamente, mas ninguém me percebeu.

– Então é isso que você faria? – minha mãe falou num tom tão baixo que eu quase não ouvi.

– Olha, eu não quis dizer isso, Ana. – meu pai se aproximou da minha mãe.

– Mas você já disse. – ela engoliu seco.

Nesse momento eu cheguei ao final da escada e os dois me olharam.

– Você não deveria ficar escutando as conversas dos seus pais. – meu pai falou.

– Em primeiro lugar, essa “conversa” me acordou. Em segundo lugar, pai, você não tem o direito de falar assim com a minha mãe.

– Quem você pensa que é, mocinha? – meu pai interrompeu.

– Eu não sou mais uma criança, pai. – puxei minha mãe para perto de mim. – Por favor, eu quero ficar sozinha em casa com a minha mãe.

– Eu não vou sair da minha própria casa!

– Amanda, acho que isso não é necessário... – minha mãe tentou acalmar as coisas.

– Claro que é, mãe. – olhei bem nos olhos do meu pai e naquele momento eu senti que havia chegado a hora de colocar tudo pra fora. – Você vai nos deixar esta casa por algum tempo... Até que você descubra como ser um pai e um marido de verdade, porque todo esse tempo eu não vi nenhuma atitude que demonstrasse isso! Você acha que nós somos algum tipo de máquina? – senti meus olhos encherem. – Nós somos seres humanos, pai. Você não deve saber o que é isso, mas eu vou te dizer. Nós temos sentimentos. Eu preciso de um pai para me dar conselhos e me apoiar quando necessário e minha mãe precisa de um marido. Ela, muito mais do que eu, precisa do cara com o qual ela se casou. Ela precisa de amor e se você não está disposto a nos dar isso, não pense que o seu dinheiro vai poder nos comprar!

Quando eu terminei de falar, foi como se um peso houvesse saído das minhas costas. Tudo que eu sempre quis dizer saiu da minha boca naquele momento e meus pais faziam silêncio enquanto me olhavam.

– Eu vou sair daqui... – meu pai pegou sua maleta e bateu a porta com força.

– Robert! – minha mãe gritou, mas era tarde demais. – E se ele não voltar mais? – ela parecia desolada.

– Se ele não voltar mais, é porque não nos merece. Talvez seja para o melhor. – abracei-a.

Naquele dia eu não consegui deixar minha mãe sozinha, então passei o tempo com ela. Conversamos, comemos, assistimos a um filme e ela adormeceu no sofá da sala.

Eu estava indo até a cozinha beber um pouco de água, quando a campainha tocou. Olhei rapidamente para a minha mãe, mas ela apenas se mexeu rapidamente e continuou dormindo. Caminhei até a porta e abri-a.

– Oi.

– O que... O que você está fazendo aqui? Acho melhor você ir embora. – comecei a fechar a porta, mas Harry segurou.

– Por favor, eu preciso que você me escute. – ele parecia desesperado, mas eu confesso que estava com um pouco de medo.

– Eu não quero escutar nada. Vá embora, por favor.

– Amanda, eu não sou esse monstro que você imagina. Por favor, me deixa entrar.

– Eu não vou deixar você entrar na minha casa. Minha mãe está dormindo e eu... Eu não confio em você.

– Então você pode sair por um segundo? Por favor, eu prometo que não vou fazer nada. Eu só quero conversar.

Respirei fundo e saí. Ficamos ambos em silêncio e aquilo estava me aterrorizando. Ele começou a estalar os dedos e aquilo começou a me irritar.

– Você pode parar com isso? Isso me irrita! – falei meio sem pensar. – Me desculpa. Você pode ser rápido? Preciso fazer companhia para a minha mãe.

– Olha... Eu sei que a última pessoa que você quer ver no mundo sou eu, mas você é a única pessoa que sabe a verdade, ou seja, é a única pessoa com quem eu posso conversar.

– Eu falei que eu não quero estar no meio disso tudo. Eu nem sei por que você me contou essas coisas. Por favor, não me meta nisso.

Ele se aproximou de mim e segurou em meu ombro. Meu corpo ficou quente, mas tremia.

– Eu preciso de ajuda. – olhei em seus olhos e senti que o que ele falava era verdade.

Tirei suas mãos de mim.

– Eu não posso ajudar você. Por favor, me deixe em paz.

– Sabe... – ele continuou mesmo assim. – Toda essa coisa de fingir ser humano está me enlouquecendo. Às vezes eu não sei como agir, eu não sei o que falar...

– Porque você não volta pro seu “mundo”? É simples.

– Você não faz idéia de como é. Todos são subordinados. É um lugar sujo, feio e assustador... Mesmo para um demônio. E foi por isso que eu fugi. E agora... – olhou para os lados. – Eles estão atrás de mim... Eu não sei se isso é possível, mas eu estou com medo.

– Medo? Vindo de um cara que mata pessoas por aí? Acho improvável.

– Aquela garota... Aquela que você me viu... Matar. Ela não era exatamente uma garota...

– O que você está querendo dizer com isso?

– Ela fazia parte do exército das trevas. Eu notei que ela estava agindo estranho e me encarando o tempo todo. Um dia, sem querer, esbarrei nela e pude sentir. Senti toda a energia em seu corpo... Eu tive que matá-la. Ela estava me espionando.

– Não me venha com essa desculpa idiota porque eu a ouviela implorando para que você a deixasse. Se ela fosse mesmo um demônio, ela teria usado algum poder, ou sei lá o que vocês usam pra escapar uns dos outros.

– Ela estava fraca... – aproximou-se mais de mim e eu dei um passo para trás, mantendo a distância. – Além disso, ela sabia que você estava vendo. Por favor, você precisa acreditar em mim.

– Eu não preciso fazer nada. Eu já disse que não quero fazer parte disso! Não tem nenhum outro demônio foragido por aí com quem você possa falar?!

– Você não me leva a sério mesmo, não é? – ele baixou a cabeça e cruzou os braços.

– Olha... – respirei fundo. – Eu nem acredito e nem deixo de acreditar. Eu não sei o que pensar. Eu não conheç o você. Eu não conheço a sua vida.

– Então me dá uma chance. Eu posso contar tudo o que você quiser saber...

– Eu não sei se eu quero isso. Espera... Se você está sendo procurado, eu também estou correndo algum risco por saber o que eu sei? – meu coração acelerou.

– Sim.

– E você me diz isso na maior naturalidade?! – gritei. – Eu posso ser morta a qualquer momento e você fica aí com essa cara de...

– Eu não vou deixar nada acontecer com você. – segurou minhas mãos. – Eu te contei tudo, agora eu tenho que te proteger.

– Você não é um herói, Harry. – olhei para as minhas mãos e ele ainda estava segurando.

– Amy? – uma voz conhecida soou perto. Olhei para o lado e vi que Andrew estava de pé com uma expressão nada boa. – O que está acontecendo aqui? – ele se aproximou mais ainda.

Soltei rapidamente as mãos de Harry e corri para abraçar Andrew, mas ele me afastou. Seu olhar estava fixo em Harry.

– E quem é você? – Andrew perguntou.

– Eu sou Harry. – Harry esticou a mão, mas Andrew se recusou a apertá-la. – Eu só estava falando com a Amanda. Tenho que ir. Tchau. – ele saiu rapidamente.

Andrew continuou parado olhando para a frente.

– Andy? – segurei seu rosto.

– O que ele estava fazendo aqui?

– Nada. – desviei o olhar.

– Porque ele estava segurando suas mãos?

– É que... Ele só... Ele só estava implorando para que eu desse o número da Mel pra ele.

Ele me olhou mais atenciosamente. Parecia buscar em meu olhar um sinal de verdade. Aparentemente ele não estava encontrando. Eu não sabia mentir. Na verdade, eu odiava mentir. Ainda mais para Andrew.

De repente ele sorriu e suspirou.

– Você tem que admitir que essa cena pareceu muito estranha. Eu achei que... Eu achei que vocês dois...

– Nós dois...? Não! Não. Ele só queria o número da Mel.

– Eu sei, eu sei... Eu confio em você. – beijou meu rosto. – Eu sei que você nunca mentiria para mim.

Sorri meio sem jeito e segurei suas mãos.

– Quer entrar?

– Sim. – ele sorriu.

Notas finais
Não esqueçam de comentar!
Críticas são bem recebidas.
Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.