New Girl
27 What Hurts The Most
Notas iniciais
– Solta ela agora. – Quinn disse, autoritária
– Ou o que?! – Megan retrucou
– Ou eu faço você soltar.
– Tenta a sorte, loira falsa!
Vi um sorriso diferente se formar no rosto de Quinn. Deus, o que ela vai fazer?! As pessoas ao redor pareciam já ter entendido o que ali se passava, e tinha forma uma roda em volta de nós três, e nos assistiam como se ali fosse começar uma luta de vale-tudo. Megan finalmente me soltou e ficou frente a frente com Quinn.
– Você se acha o máximo, não é? – Megan implicava – Riquinha, loira, popular, desejada por muitos, boa aluna, costumava ter a garota mais bonita e incrível do colégio!
– Costumava não, eu ainda a tenho – Ela respondeu em tom confiante, olhando brevemente para mim
– Você é tão idiota! Você acha mesmo que depois daquela discussão toda ela vai voltar pra você?! – Megan estava tão alterada, que mal ficava parada em um lugar. Enquanto falava, cambaleava de um lado ao outro.
– E você acha o que? Que ela vai ficar com você?! Quer saber de uma coisa? Ela não vai. Tenho certeza absoluta que ela prefere ficar sozinha a ficar com uma mal amada que nem você que acha que destruindo o relacionamento dos outros vai ter alguma chance!
Quinn mal acabou de falar quando o que eu temia aconteceu. A mão de Megan acertou em cheio o rosto dela. Foi tudo tão rápido que quando eu realmente percebi o que tinha acontecido, Quinn já tinha a cabeça abaixada e as duas mãos sobre o local atingido. Tentei me aproximar dela, mas algum idiota que estava assistindo tudo que acontecia me segurou, me impedindo de evitar o que aconteceria.
Quinn literalmente voou para cima de Megan, agarrando-a pelos cabelos e balançando-a de um lado a outro. Megan tentava se soltar, mas era em vão. Eu me debatia tentando me soltar, mas quanto mais eu tentava, mais pessoas me seguravam e mais os outros em volta incentivavam a briga das duas.
Desisti de me soltar vendo que eu estava sendo segurava por três garotos. Vi Quinn jogar Megan no chão e sentar sobre as pernas dela, e com apenas uma das mãos, segurar seus dois pulsos sobre o corpo. Megan se bateu tanto até que conseguiu se sentar e afastar Quinn um pouco. Numa fração de segundo, e com uma força que não sei da onde surgiu, Megan conseguiu empurrá-la e se levantou novamente enquanto Quinn estava sentada ao chão. Os caras que me seguravam estavam tão empolgados e entretidos que eu consegui me soltar, e como meu primeiro impulso, agarrei-me à cintura de Megan, impedindo que ela se aproximasse de Quinn novamente. Antes eu tivesse tentado impedi-la de outra maneira. Quando ela bruscamente tentou se soltar, seu cotovelo acertou em cheio meu rosto. Senti aquela dor no exato momento do impacto e só consegui me afastar, pondo as mãos em minha bochecha doída. Senti novamente alguém me segurar. Meus olhos que antes estavam fechados, se abriram lentamente e eu vi Quinn já de pé e vermelha de raiva, de uma maneira que eu nunca tinha visto. Num movimento extremamente rápido, o punho de Quinn acertou em cheio o rosto de Megan e foi quando ela cambaleou para trás mais uma vez.
Foi nessa hora em que finalmente os meninos chegaram, impedindo que as duas continuassem aquela cena. Puck segurou Quinn pela cintura, Sam se colocou entre as duas e Finn tentou amparar Megan, mas foi empurrado por ela, que saiu dali empurrando a todos. Sam veio em minha direção e então o cara que me segurava me soltou.
– Chega galera, podem voltar pro seus lugares, o show acabou – Sam disse bem alto, e foi quando todos finalmente dispersaram
– O que foi isso aqui, afinal? – Puck perguntou indignado, enquanto vinha em nossa direção ainda segurando Quinn, que estava ofegante
– Não foi nada. Agora me solta – Ela disse, saindo dos braços dele e ajeitando o vestido e os cabelos da maneira que conseguiu
– Acho melhor levarmos vocês pra casa – Sam disse – Precisamos cuidar disso aí – Ele passou os dedos levemente sobre minha bochecha, e eu senti a dor novamente, sibilando um leve gemido
– Eu vim no carro dos meus pais, vocês não precisam ir. Além disso, mal chegamos. Vocês ficam, eu vou e levo a Quinn comigo.
Quinn me olhou e então assentiu.
– Vocês têm certeza que vão ficar bem? – Puck perguntou
– Sim. Obrigado por tudo.
Dei um abraço no Sam, sussurrando um “obrigado” em seu ouvido, enquanto Puck e Quinn falavam algo. Me despedi de Puck da mesma maneira e então eu saí passando entre as pessoas, enquanto Quinn apenas me seguia. Chegamos ao lado de fora e fomos diretamente até meu carro.
Dirigi quase que o caminho inteiro com apenas uma das mãos. Parecia que a dor havia aumentado, então eu mantive uma das mãos em minha bochecha, que eu já sentia que estava um pouco inchada. O caminho foi silencioso. Nem uma palavra nem nenhum som sequer. Parei o carro em frente à casa de Quinn. Eu queria muito ter conversado com ela ainda naquela noite, mas depois de tudo que havia acontecido, eu sabia que seria difícil de isso acontecer. Eu já estacionei o carro na intenção de ir embora assim que ela saísse do mesmo, mas mudei de idéia e resolvi esperar até que ela entrasse em casa, mas pra minha surpresa, ela parou ao lado da minha janela e se inclinou sobre a porta do carro.
– Não vai sair? – Ela perguntou e me deixou sem saber o que responder – Anda, temos que cuidar desse machucado.
Ela se afastou do carro e se virou, indo em direção à porta de casa. Mesmo ainda surpresa, e desliguei o carro e saí do mesmo, indo atrás dela. Assim que entrei, percebi o quão escuro e silêncio estava.
– Sua mãe já está dormindo? – Perguntei em tom baixo enquanto ela acendia a luz da cozinha
– Provavelmente não. Deve estar lendo no quarto ou algo assim.
Entrei pela cozinha e a vi enrolando algumas pedras de gelo em um pequeno e fino lenço de seda cinza.
– Senta aqui – Ela disse, parando em frente a um dos bancos em frente à bancada
Sentei-me ali e ela se sentou ao meu lado.
– Posso? – Ela pediu colocando o lenço com as pedras perto do meu rosto e eu apenas assenti
Senti o corpo arrepiar assim que o gelo entrou em contato com minha bochecha ainda dolorida.
– Está doendo?
– Um pouco – Eu respondi
– É culpa minha, me perdoa.
– Não, claro que não é! – Eu segurei seu pulso, fazendo-a tirar o gelo do meu rosto por alguns instantes – Pelo o contrário, se você não tivesse chegado, talvez ela tivesse feito coisas piores do que apenas me dar uma cotovelada sem-querer.
– Eu vi o que ela estava tentando fazer.
– É… Mas ela estava bêbada, muito bêbada na verdade.
– Vai defender, de novo?
– Não… Não há defesa pra isso.
O silêncio se instalou e ela novamente pôs o gelo em meu rosto.
– E seu rosto? – Perguntei vendo que ela tinha uma das bochechas bem rosada, quase vermelha
– Foi só um tapa. Acredite, isso não é o que mais dói. O que mais dói e saber que ela estava a milímetros de te beijar… Mais uma vez.
– Por mais que ela estivesse me segurando, eu não deixaria. A única pessoa que eu quero beijar é você. Só você.
Ela me fitou com aqueles olhos claros brilhantes, e sem seguida se levantou, deixando o lenço com gelo em cima da bancada. Deu um passo em minha direção e parou bem a minha frente. Como eu ainda estava sentada e ela de pé, nossa diferença de altura estava mais evidente do que nunca. Quinn posicionou as duas mãos na curva de meu pescoço, com os polegares sobre minhas bochechas. Ela levantou meu rosto fazendo com que nossos olhares se perdessem um dentro do outro. Abaixou seu rosto lentamente e beijou o local onde eu estava machucada. Me deixei ser levada por seu beijo, fechando meu olhos. O mesmo foi tão leve que a dor que eu senti foi praticamente nula. Beijou em seguida minha outra bochecha, e depois minha testa, a ponta do meu nariz e meu queixo.
– Você tem certeza de que sou a única pessoa que você quer beijar? – Ela perguntou quase em sussurro.
– Teu beijo é único. É como se seus lábios fossem feitos perfeitamente para se encaixarem aos meus, como se seu beijo me fizesse voar, me tirasse os pés do chão e me levasse para outro lugar. Um lugar onde nada existe além de nós duas. Teu beijo me faz sentir especial, especial porque me faz sentir amada, e me faz sentir amada porque através do teu beijo, eu consigo perceber que tudo que eu sinto por você é recíproco. E não há nada melhor do que beijar a pessoa que se ama. Então, porque eu desejaria beijar alguém que não fosse você?
Assim que terminei de falar, vi aquele sorriso lindo se formar em seu rosto. Ela veio se aproximando de mim lentamente, mas eu resolvi tomar a iniciativa antes. Levantei-me do banco rapidamente e uni meus lábios aos seus, pousando minhas mãos levemente em sua cintura. Com as mãos ainda em meu rosto ela me puxava, buscando por mais contato. Sua língua praticamente dançava contra a minha e seus lábios movimentavam-se perfeitamente, enquanto as borboletas em meu estômago ficavam cada vez mais agitadas.
Sua boca se afastou da minha e então seus braços me envolveram em um forte e caloroso abraço. Pus meu rosto em seu pescoço, sentindo seu perfume e o cheio inconfundível de seus cabelos invadirem meu olfato.
– Me perdoa pela discussão mais cedo. Eu sei que quando o assunto é a Megan, eu sempre me estresso e acabo fazendo coisas que na verdade não queria fazer. – Ela disse, ainda agarrada a mim
– Não, eu que preciso me desculpar. Acho no fundo eu ainda quero acredita que a Megan ainda seja aquela minha amiga de alguns meses atrás. Mas ela não merece mais a minha defesa, e nem você merece a minha revolta. Me perdoa? – Eu pedi, sincera.
– É claro. Claro que eu perdôo você. Já ouviu falar que sempre perdoamos nosso primeiro amor?
– Eu fui seu primeiro amor? – Perguntei surpresa
– Foi a primeira pessoa a quem eu realmente amei, então creio que sim.
Ela pegou o gelo novamente em cima da bancada e me puxou pelo pulso até a sala. Quinn se sentou ao sofá, e assim que eu me sentei ao eu lado, ela colocou o gelo sobre minha bochecha.
– Você nunca teve nenhum amorzinho? Nem na sua antiga escola?
– Já, claro. Quanto eu tinha dez anos de idade, eu tinha um “namorado”. Ele era da minha turma no colégio. Nos fazíamos tudo juntos, até que ele repetiu de ano no colégio. Então ele mudou de escola e eu nunca mais o vi. Mas eu era nova demais, não sabia o que realmente significava gostar de alguém. Mas e você?
– Eu sempre fui meio nerd sabe? Era a excluída dos grupos sempre, então nunca tive isso de namoradinho na época do colégio. As coisas só mudaram quando eu fui pro West High. Foi onde eu realmente fiz amigos. Quer dizer, eu achava que tinha feito amigos.
– Megan?
– Megan não foi minha primeira decepção naquele colégio.
QUINN’S POV
– Ah não? – Seu comentário tinha atiçado minha curiosidade
– Não. Antes dela teve o Josh.
– Josh?
– É. Josh Zimmer. Eu e Megan o conhecemos durante as eleições para o grêmio estudantil, no ano passado. Ela me perturbou, pedindo que entrássemos em alguma das campanhas. Então, acabamos decidindo ajudá-lo. Ele era outro excluído, como nós. Era estudioso, sempre um dos primeiros alunos da turma.
– E fisicamente?
– Era bonito, na verdade. Magro, estatura mediana, cabelos loiros e arrepiados, olhos claros e usando sempre seus óculos de grau.
– Mas, o que aconteceu.
– Nos apresentamos a ele e então ele nos contou mais sobre a vida dele. Disse que estava sendo um pouco pressionado por alguns dos professores para se eleger presidente do grêmio, e acabou aceitando. Em pouco tempo nós três nos unimos bastante, mais ainda eu e ele. Nós os ajudamos bastante com a campanha e os números diziam que ele tinha grande chance de ganhar. Foi quando ele se declarou pra mim. Até que foi bem fofo na verdade. Então eu acabei ficando com ele. Estávamos bem mesmo depois de dois meses, só que a Megan havia se afastado de nós, talvez por causa do nosso “relacionamento”. Estávamos juntos há quase três meses, quando finalmente o resultado saiu e ele venceu.
– Legal – Tentei dizer, animada
– Não, não foi legal. Depois de ter ganhado, ele começou a receber muita atenção. As pessoas que antes o ignoraram passaram sentar com ele na hora do almoço. E então ele simplesmente terminou tudo comigo e esqueceu-se de mim e da Megan.
– Nossa, que barra, Rachel. Porque não me contou isso antes?
– Não gosto de falar muito disso – Ela estava de cabeça baixa, com os dedos inquietos. E o gelo que antes estava em sua bochecha agora se encontrava já quase completamente derretido sobre o lenço molhado em minhas mãos. – Porque foi nessa época em que aconteceu o maior arrependimento da minha vida até hoje.
– E, o que foi? – Perguntei, receosa
– O Josh foi o meu primeiro.
E da maneira mais inesperada, aquele assunto havia surgido. Confesso que eu estava surpresa com a declaração dela. Nós nunca tínhamos conversado diretamente sobre o assunto. As poucas vezes que tentei ela fugiu, simplesmente desconversou. Talvez esse assunto a constrangesse ou algo do tipo, por isso me sentia confortável em pressioná-la a me contar nada. Agora eu já tinha desistido de perguntar, mas o fato de não saber disso antes me deixava um pouco apreensiva. Quando as coisas esquentavam um pouco, geralmente quem parava era eu, e isso me fazia acreditar que ela não fosse mais virgem, porém, conhecendo a Rachel como eu conheço, algo ainda me dizia que ela era. Pelo menos agora eu sabia.
– Eu… Eu não sabia que você já…
– Me desculpa. Eu sei que você já tentou conversar sobre isso comigo, e isso é mais do que normal, afinal somos namoradas e você já deveria saber disso há tempos, mas eu realmente ainda me sinto desconfortável em falar sobre isso.
– Não precisa, se não quiser.
– Não, eu preciso.
– Eu estou aqui, quer você queria falar ou não.
– Eu sei – Ela disse docemente, enquanto acariciou meu rosto – Bem, na época em que isso aconteceu, eu jurava que ele era o cara certo. Eu sabia que ele não ficaria comigo pra sempre, mas na hora parecia tão certo…
– E, foi ruim? – Eu estava apreensiva em fazer perguntas, mas precisava saber.
– Não. Mas eu também não se como explicar como foi… Foi minha primeira vez, e depois disso, isso nunca mais aconteceu com ninguém então eu meio que não tenho nada pra comparar, entende? – Ela comentou, um pouco corada
– Sim, sim – Eu sorri
– Mas… E você? – Agora suas bochechas estavam mais vermelhas ainda
– Minha primeira vez?
– É… Já aconteceu?
– Sim. – Abaixei a cabeça, um pouco sem jeito – Mas não foi nada como eu imaginava, principalmente porque não foi com alguém por quem eu estivesse apaixonada, ou algo do tipo. Foi em uma das festas das Cheerios, eu beijei Tom Jones, um garoto do time de basquete no jogo da garrafa. Depois que o jogo acabou, ele meio que se aproveitar do meu estado já arruinado graças à bebida, mas eu também confesso que cedi um pouco. Ele já vinha flertando comigo há meses e eu acabei cedendo. Hoje eu vejo o quanto estúpido e ridículo foi aquilo, eu não estava preparada nem completamente sóbria pra saber o que realmente estava acontecendo. Mas, infelizmente, aconteceu.
– E vocês, depois disso?
– Ele ainda tentou começar um relacionamento, mas eu não quis. Era como se tê-lo ao meu lado me lembrasse daquele ato terrível. Não que o ato em si seja terrível, mas a forma como aconteceu, até hoje me enoja um pouco, sabe. Foi no quarto da casa de uma das líderes que eu mal sei nome, entende o que eu digo? Acho que um acontecimento como esse merece mais do que isso. Parece meio clichê, mas eu queria que tudo tivesse sido perfeito. Num lugar legal, com uma pessoa que eu realmente amasse, e no momento certo.
– Claro. Eu também queria ter feito isso. Eu queria ter esperado pela pessoa certa… Eu queria ter esperado por você.
Levantei meu rosto e vi o jeito apaixonado com que ela me olhava.
– Parece que tudo aconteceu já predestinado. Como se estivéssemos esperando uma pela outra, sabe? Como se nossas experiências anteriores não tivessem dado certo, para que depois dessem certo com a pessoa certa. No meu caso, pra que dessem certo com você.
O jeito como ela falava despertava dentro de mim os melhores sentimentos possíveis. Ela era doce, meiga. Falava de mim de uma forma especial, única. E isso me dava a certeza, de que quando a nossa hora chegasse, seria perfeito.
– Mas a gente sofreu muito antes de tudo dar certo entre a gente, não é? – Eu disse
– Aham, mas no final valeu a pena, não valeu?
– É claro que valeu. E eu faria tudo de novo.
– Por favor, me prometa que nunca mais vai me ignorar numa festa daquele jeito!
– Não – Não contivemos as risadas – Nunca mais farei aquilo, prometo.
Segurei delicadamente seu rosto, até por causa de seu machucado, e suavemente beijei-lhe os lábios, depositando seguidos selinhos.
– Que horas você disse que voltaria? – Eu perguntei
– Eu prometi que estaria de volta antes das duas.
– Então isso significa que não precisa ir agora, não é?
– Acho que posso ficar um pouquinho mais – Ela me respondeu com um sorriso maroto
Levantei-me, pegando sua mão e então a puxando até as escadas. Subimos em silêncio, e então eu pude ver que a não havia luz alguma por baixo da porta de minha mãe, o que só podia significar que ela estava dormindo.
Entramos no quarto e eu logo acendi a luz, e deixei a porta entreaberta. Rachel sentou-se em minha cadeira em frente à mesa e enquanto eu caçava por meu pijama dentro do meu guarda roupas.
Depois de algum tempo procurando e ouvindo Rachel rindo de mim, finalmente o achei e então entrei para o banheiro. Lavei o rosto e tirei aquele vestido e os saltos, vestindo meu pijama de shorts e regata, ficando descalça. Voltei a quarto e Rachel estava de frente para o espelho ao lado de meu guarda-roupa, analisando a mancha roxa em sua bochecha.
– Eu devia ter matado aquela garota por ter feito isso a você. – Eu disse, parando atrás dela
– Na verdade, tem até seu lado bom, sabia?
– Ah é? E qual seria?
– Eu posso dizer que estou machucada, e com dor, e assim você terá que cuidar de mim e me mimar. Afinal, isso aqui está muito feio.
– Eu tinha me esquecido de como você consegue ser dramática quando quer…
– Eu consigo tudo quando eu quero.
Ela se virou e rapidamente jogou os braços sobre meus ombros, me fazendo dar alguns passos para trás.
– Tem certeza disso? – Eu disse em tom de dúvida, apenas para implicar.
– E você tem dúvida de que eu não consiga o que quero sempre?
– Talvez…
– Vou provar então
Rachel atacou meus lábios ferozmente, beijando-me intensamente. O jeito como ela se jogava sobre mim me fez dar alguns passos para trás, e então eu senti minhas pernas tocarem a cama. Tive a impressão de que ela sabia a posição que estávamos e exatamente por isso me empurrou mais, me deitando sobre a cama. Ela então subiu com os joelhos aos lados de meu quadril e com as mãos apoiadas sobre o colchão, continuou a me beijar, até que mordeu meu lábio inferior e eu não consegui conter o leve gemido.
– Isso é injusto! – Eu disse
– Falando assim parece até que você não gosta – Ela desceu seus lábios até meu pescoço
– Eu nunca disse isso.
Consegui inverter nossas posições e ela protestou. Balancei a cabeça negativamente e ela sorriu maliciosamente. Ataquei novamente seus lábios num beijo caloroso. Seus lábios dançavam contra os meus enquanto eu sentia suas mãos entre meus cabelos, dando alguns leves puxões.
– Parece que você não me beija há meses – Eu disse entre o beijo
– Há meses não, mas passados o dia inteiro sem fazer isso. Tempo suficiente pra me fazer sentir vontade de não te soltar agora de maneira alguma.
Rachel levou o rosto, alcançando minha boca e reiniciando nosso beijo que havia sido interrompido por uma rápida conversa, mas o mesmo era mais calmo dessa vez. Procurávamos explorar uma à outra atrás daquele beijo. Senti suas mãos descerem por minhas costas e pararem em minha cintura, arranhando o local por baixo de minha blusa. Senti quando seus polegares lentamente começaram a erguer a mesma. Eu deveria impedir, mas na verdade não queria. Mas eu deveria antes que o pior tivesse acontecido.
– QUINN FABRAY! – Meu nome foi gritado da direção da porta
Saí de cima de Rachel num único e rápido movimento, já ajeitando minha blusa assim que me levantava, e vi Rachel se levantar também. Quando finalmente direcionei o olhar para a porta, vi minha mãe, com uma feição um pouco assustada.
– Mãe?! – Gaguejei um pouco, não esperando vê-la ali – Não… Não é nada disso…
– Não precisam falar nada. Eu vi.
– Não mãe, não é nada disso, é verdade!
Rachel continuava parada ao meu lado, como se estivesse paralisada.
– Rachel, não quero ser rude, mas acho melhor você ir – Minha mãe disse, fitando o chão
Rachel virou o rosto para mim, e eu apenas assenti.
– Eu vou levá-la lá em baixo – Eu disse
– Er, boa noite Sra. Fabray – Rachel disse bastante acanhada, enquanto saía de meu quarto as presas, e eu apenas a segui.
Descemos rapidamente, alcançando a porta. Assim que passei pela mesma eu a fechei, para que minha mãe não acabasse nos ouvindo.
– Meu Deus, sua mãe vai me odiar agora! – Rachel seguiu um pouco desesperada até seu carro
– Ei, quer parar com isso? – A puxei pelo pulso – Ela não vai te odiar. Ela só não está acostumada a ver esse tipo de cena, entende? Ela nunca me viu com nenhum garoto, até porque eu nunca nenhum aqui para casa. Aí quando ela finalmente presencia uma cena dessas, é com uma menina. Ela entendeu e aceitou bem o fato de estarmos juntas, mas dê um tempo pra ela. Ela ainda precisa se acostumar com algumas coisas.
– Eu entendo tudo isso, mas também entendo que foi terrivelmente desapropriado ela ter visto aquela cena.
– Mas nós não estávamos fazendo nada de mais. Certo?
– Certo – Sua resposta foi pouco convincente – É melhor eu ir. Até porque ela com certeza, vai querer falar com você.
– Tudo bem. Me liga amanhã, pra gente se ver?
– Ligo sim, mas não acho que conseguiremos nos ver. Eu e meus pais vamos até Fort Shawnee, visitar uma prima de meu pai Hiram, que fez aniversário semana passada e nós não fomos até lá. A cidade é vizinha, mas devemos passar o dia inteiro lá. Sair de manhã e só voltar à noite mesmo.
– Está bem então, né.
– Mas eu te ligo, prometo.
Rachel se aproximou de mim, repousou uma de suas mãos em meu rosto e carinhosamente me beijou.
– Até mais – Ela fez um rápido carinho em minha bochecha e em seguida entrou em seu carro, que saiu rapidamente de minha vista
Entrei em casa, já me preparando mentalmente para o que estava por vir. Subi as escadas e quando entrei em meu quarto, minha mãe estava de frente para a janela, encarando a vista da noite.
– Caso esteja esperando por uma bronca, se acalme, porque eu não vou brigar com você. – Sua voz me surpreendeu
Eu dei alguns passos em sua direção, foi quando ela então se virou para mim
– Mãe, é sério. Não existe motivo algum pra você ficar assim. Nada ia acontecer. Eu jamais faria algo assim sabendo que você está no quarto ao lado.
– Ah, então o problema é esse? Eu estar no quarto ao lado?
– Se não for, qual seria? Gravidez indesejada é que não pode ser – Tentei usar o senso de humor, mas ela não mexeu um músculo sequer. Péssima hora para piadas Fabray. Pensei.
– A questão não é essa. Eu só acho que vocês precisam saber se as duas estão prontas para avançar mais esse passo na relação. Você sabe que apoio muito o namoro de vocês, fico feliz que tenham se acertado, e fico mais feliz ainda de saber que ela te faz feliz como ninguém nunca fez. Mas a questão é que não é só sexo, Quinn. Não pode ser só sexo.
– Mas em nenhum momento eu disse que seria só isso. Exatamente por isso que eu estou jurando a você que nada aconteceria, porque eu quero que seja especial e diferente para nós duas.
– Fico feliz que você pense assim, então. Me desculpe pela minha reação. A Rachel deve estar assustada, não é?
– Esquece a Rachel só por um segundinho. A conversa aqui é entre eu e você, mãe. Olha, eu entendo o seu desespero momentâneo, pois aquele tipo de cena não é o tipo que deixa as pessoas confortáveis. Eu sei. Ainda mais pra você que é mãe, minha mãe. Eu sei que não devia expor você a esse tipo de situação, por isso prometo que isso não vai mais acontecer.
– Você não tem que me prometer nada, Quinn. Vocês são namoradas, já são praticamente duas adultas. Não me devem satisfação alguma. Na verdade, eu que errei. Eu deveria ter batido na porta antes de entrar.
– Mas eu ainda moro sobre seu teto, e você não deixou de ser minha mãe. Por isso, te devo satisfações sim. E isso não tem nada a ver, mãe. Desde quando eu te impedi de entrar no meu quarto. Quero privacidade sim, mas não ter o meu quarto como uma prisão domiciliar, onde ninguém entra e ninguém sai além de mim.
Minha mãe andou até mim, segurou meu rosto com uma das mãos e deu um beijo carinhoso em minha testa.
– Me desculpa de qualquer maneira.
– Esquece isso, está bem?
Ela apenas sorriu em resposta, mas logo se pronunciou.
– Faz um favor pra mim?
– Claro.
– Ligue pra Rachel, e peça desculpas a ela por mim.
– Mãe! Para com isso! Já te disse que você não fez nada errado.
– Por favor, faça isso para mim.
– Está bem mãe… – Acabei concordando
A vi sair de meu quarto e fechar a porta. Sentei-me em minha cama e peguei meu celular, logo discando o número de Rachel.
– Oi – Estranhei seu tom
– Oi Rach, está tudo bem?
– Quem deveria perguntar isso era eu, não acha?
– Por causa daquilo que aconteceu?
– Claro! Pelo o que mais seria, Quinn? – Sua frase saiu mais grosseira do que eu acreditava que era sua intenção
– Calma, eu só fiz uma pergunta…
– Me desculpe, eu só estou sem jeito com ela situação. Perdoe-me.
– Então não fique. Já conversei com ela. E na verdade, ela está se achando culpada, por ter entrado no quarto numa hora indevida, e até me pediu para que te pedisse desculpas por ela.
– Desculpas?! Eu quem deveria me desculpar. Nós a colocamos numa situação não muito agradável.
– Não se preocupe com isso, está bem? Já está tudo certo. Eu acho que ela só se desesperou na hora porque ainda está confusa com tudo isso, nós duas, sabe?
– Eu entendo, claro…
– E então, chegou em casa já?
– Sim, cheguei agora a pouco. Meus pais já estão dormindo, por incrível que pareça, eles dormiram relativamente cedo hoje.
– E o que vai fazer agora?
– Tomar um bom banho e cama. Estou cansada… Foi muita aventura para um dia só.
– Concordo plenamente! E acho muito bom você nunca mais me fazer brigar com alguém.
– Ah, eu fiz você brigar com ela?!
– Sim! Ou você acha que eu teria feito aquilo tudo por qualquer outra pessoa? Jamais!
– Eu sei, boba. Eu sei… E obrigado, mais uma vez.
– Não me agradeça. Fiz o que meu coração mandou, mesmo que isso tenha me custado um belo de um tapa na cara.
– Me custou uma bochecha um pouco roxa e inchada também, se lembra disso? Nós duas saímos no prejuízo nessa história toda…
– Você acha? Eu me acertei com minha namorada e ainda tive a oportunidade de descontar minha raiva numa garota bem nojenta. Eu só vejo lucro nisso tudo.
– Verdade. A parte de termos nos acertado, realmente foi o ponto alto do dia. Q, preciso ir agora. Estou realmente cansada, e ainda quero por mais um pouco de gelo em minha bochecha.
– Está doendo?
– Um pouco. Mas vai melhorar. Vou considerar essa dor como uma lembrança momentânea do dia de hoje…
– Te amo – Interrompi sua frase e depois de alguns segundos de silêncio, recebi minha resposta
– Eu também te amo, Quinn.
– Durma bem. Nos falamos amanhã.
– Beijos.
Desliguei o celular e então me ajeitei na cama, cobrindo uma parte de meu corpo com o edredom. Rachel nunca poderia saber disso, mas pela primeira vez que realmente não queria ir dormir pensando nela. Porque dessa vez, outra lembrança ocupava minha mente. Megan ao chão, sendo segurada e balançada por mim de um lado ao outro. Tinha coisa melhor do que finalmente ter descontado toda aquela raiva em cima da real causadora dela? Creio que não. Violência não era resposta pra nada, e eu até sei que o certo teria sido contornar a situação de outra maneira, mas eu tinha sim atacado Megan com tudo que eu tinha dentro de mim. E querem saber? Não me arrependo nem um pouco. Será que uma hora dessas, ela está chorando de raiva de mim em algum canto da cidade? Tomara que sim.
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