New Girl
28 Give It Up, Megan
Notas iniciais
https://www.fanfiction.com.br/historia/236056/Through_The_Good_And_The_Bad/
Beijos, e boa leitura :D
Só uma palavra definiria perfeitamente meu domingo: Tédio. Eu tinha passado o dia inteiro vendo séries de TV e acho que assisti uns dois filmes. Minha mãe tinha saído para comprar alguma coisa com minha irmã, mas eu logo pulei fora desse tipo de programa. Só havia conseguido falar com Rachel duas vezes. Recebi uma ligação sua assim que chegou a Fort Shawnee. E a outra, depois do almoço. Mas infelizmente, todas as duas foram ligações rápidas, graças a seus pais que não a queriam no telefone durante um “evento” de família. Mas pelo menos ela teve tempo de me dizer que contou a eles que havia levado uma cotovelada sem querer enquanto passava entre as pessoas que estavam na pista de dança na noite passada, e eu sinceramente espero que eles tenham caído nessa.
Depois de um dia maçante, a segunda-feira finalmente chegou. Acordei o horário de sempre e fiz tudo normalmente como sempre fazia. Puck me ofereceu um carona para o colégio e eu não recusei. Ele passou em minha casa já um pouco atrasados, por isso eu nem tive tempo de fazer nada e corremos direto para a sala assim que chegamos. Quando entrei na sala, assustei-me por não ver Rachel ali. Sentei em meu lugar e assim que a professora de Física se virou para o quadro, peguei meu celular e enviei-lhe uma mensagem, perguntando se tudo estava bem, e poucos minutos depois recebi sua resposta:
“Chegamos muito tarde ontem e eu acabei dormindo mais do que deveria e perdi a hora hoje. Chego aí no segundo tempo.”
Nada respondi, apenas guardei o celular e dei total atenção à aula.
No final do primeiro tempo, arrisquei-me entre aquela aglomeração de pessoas no corredor e segui até meu armário. Abri o mesmo e olhei meu horário de aulas, preso à pequena porta, e logo li que meu próximo horário era no Glee Club.
– Fico feliz que tenha me esperado para irmos para o Glee Club juntas.
Fechei a porta de meu armário ao ouvir aquela voz e logo vi Rachel recostada sobre o armário do lado.
– Na verdade, eu não estava te esperando não. Já tinha me acostuma com a falta da sua presença aqui – Brinquei, recostando-me ao seu lado
– Aham, Fabray… Até parece
Rachel se virou para mim, e se inclinando, depositou um rápido selinho em minha boca.
– Como foi o dia ontem? – Ela perguntou
– Chato. Literalmente tedioso. E o seu?
– Quase o mesmo… Geralmente essas reuniõezinhas não fazem muito meu astral, mas eu tinha que ir.
– Own, que bondade de vocês terem me esperado – Santana passou e puxou nós duas por entre as pessoas que estavam no corredor
– Bom dia pra você também, Santana – Eu disse, recebendo em troca um sorriso sarcástico
– Andem, vamos logo. Sr. Schue pediu à Brittany que nos avisasse, para irmos rápido para a aula, porque ele tinha algumas coisas importantes para conversar com a gente.
Continuamos seguindo atrás dela sem contestar, e quando chegamos à sala, a grande maioria já estava lá. Cumprimentamos todos rapidamente e nos sentamos à primeira fileira.
– Bom dia pessoal – Sr. Schue entrou na sala, deixando sua bolsa em cima do piano – Que bom que atenderam ao meu pedido e vieram rapidamente. Temos alguns assuntos para resolver, e eu tenho uns conselhos a dar.
– Conselhos?! – Artie perguntou o que todos nós estávamos nos perguntando naquele momento
– Sim, conselhos – Ele puxou uma cadeira e se sentou a nossa frente – Como vocês sabem, o semestre está acabando. Daqui a duas semanas começam as provas finais, o que significa que as inscrições para as universidades já estão abertas, e até mesmo terminando. E eu, como educador e amigo de vocês, me sinto na obrigação de lembrar isso a vocês. Afinal, qual de vocês já decidiu o que quer fazer?
– Nada de universidades. Vou pra Los Angeles. A cidade onde estão as minhas melhores oportunidades – Puck disse bem animado.
– Exatamente. Faculdade pra quê? Vou pra NY. Tentar a sorte lá.
– Espera, nenhum de vocês quer fazer faculdade?! – Sr. Schue transparecia sua aflição
– Eu quero – Me pronunciei
– Ah, até que enfim! – Ele disse – E o que pretende fazer Quinn?
– Eu estava pensando em fazer algo ligado às artes em Yale. Ouvi dizer que o programa de lá é ótimo.
– Ótima escolha Quinn, envie sua inscrição o mais rápido possível. Mais alguém?
– Eu também quero fazer faculdade – Kurt falou – Mais precisamente, quero entrar para Nyada. Para aqueles que não sabem, que eu sei que são muitos de vocês, Nyada é a sigla para New York Academy of Dramatic Arts. A universidade mais incrível de todo país! – Kurt dizia, extremamente entusiasmado
– Sem exageros, Kurt – Sr. Schue pediu – Todas as universidades são muito boas, mas admiro sua escolha e sei que vai se sair muito bem.
– Eu também pretendo fazer faculdade… – Finn comentou, um pouco acanhado – Ainda não sei qual, e muito menos o que eu quero ser, mas eu não quero ser um Lima Loser, como já fui chamado uma vez. Eu quero me mudar daqui, crescer na vida…
– Muito bom, Finn. Muito bom mesmo!
– Eu também quero, Sr. Schue. – Mike falou – Ainda não sei para qual me aplicarei, mas com certeza farei meu curso de dança em algum lugar de NY.
– Ótimo Mike … Mais alguém dos que se graduam esse ano?
O silêncio tomou conta da sala, para meu total espanto. Como assim Rachel não pretendia fazer faculdade?! Virei meu rosto para ela, e ela percebendo, olhou rapidamente para mim, mas logo em seguida abaixou a cabeça.
– Confesso que fico um pouco decepcionado, pessoal. Mercedes, Santana, Puck e você, Rachel… Vocês são muito talentosos. Não vejo porque não entrarem para uma universidade, porque capacidade é o que não falta em nenhum de vocês. Mas o futuro pertence a cada um de vocês, eu só posso aconselhar-lhos, mas a decisão final é de vocês.
O silêncio voltou, e eu não conseguia parar de olhar para Rachel. Ela sabia que eu a olhava, mas continuava de cabeça baixa.
– Pessoal, mudando de assunto, as Nacionais estão chegando, então temos que começar a trabalhar. Quero que vocês comecem a selecionar algumas músicas. Pensei em um solo, no qual podemos fazer uma competição para decidirmos quem o fará, e uma música do grupo inteiro. Então, trabalhem nisso. Agora, vamos à nossa tarefa da semana.
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O sinal bateu e logo Sr. Schue nos liberou. Rachel saiu à minha frente, andando mais rápido que o normal, provavelmente fugindo de uma possível conversa que teríamos sobre o ocorrido na sala do coral. Pensei em ir atrás dela e falar logo sobre isso, mas fui bruscamente puxada para trás.
– Que história é essa de ir para Yale, Fabray? – Santana me parou
– Quero fazer faculdade, oras.
– Tá, mas Yale é em New Haven. Você precisa ir para NY comigo.
– Foi mal Sant, mas minha prioridade é Yale mesmo… Falando nisso, você devia tirar essa idéia de ir para New York tentar a vida lá sem nem ao menos um diploma de universidade. Tem noção de quanto fazer uma faculdade é importante?
– Sei. E também sei que não vou me adaptar em nenhuma. Eu vou para NY. Já está decidido. E vou me dar muito bem lá.
– Bom, pelo menos eu tentei… Mas depois vamos conversar mais sobre isso, agora me dá licença rapidinho, preciso falar com a…
– Berry? – Fui interrompida – Já sei. Vá lá. Faculdade não é pra mim, mas concordo com você quando digo que a Berry não fazer uma faculdade como o Kurt, por exemplo, é um desperdício de talento. E sei que você pensa assim. Então, vê se consegue convencê-la, está bem?
Santana sorriu rapidamente e se afastou. Segui meu caminho até o armário de Rachel, mas não a encontrei lá. Fiz o caminho até o meu então, peguei o livro que eu precisaria e me dirigi até a próxima aula já que o sinal já tocaria, e não deu outra. Mal me aproximei da sala e o falatório dos corredores foi substituído pelo estrondoso som do sinal. Entrei na sala e tomei meu lugar. Aos poucos os outros alunos foram entrando, quando finalmente Rachel entrou, acompanhada por Kurt. Infelizmente, alguém já tinha se sentado ao meu lado e minha educação não me deixava pedir pra que a pessoa se retirasse, então Rachel se sentou duas cadeiras à minha frente, ao lado de Kurt.
Para minha sorte, a aula havia passado bem rapidamente e então logo o sinal do almoço bateu, e aquela correria mais do que comum até o refeitório começou. Saí da sala a passos lentos, enquanto avistada Rachel seguindo com Kurt um pouco mais a frente. Vi quando Rachel se despediu dele e então eu parei a alguns poucos metros de distância. Ela se virou em minha direção e me fitou, logo fazendo um movimento com a cabeça como se me chamasse. Agarrei meu livro ao corpo e então a segui, até o lugar onde eu já esperava que fosse. O auditório. Entramos pela grande lateral e ela desceu os degraus até finalmente chegar ao palco, fazendo certo esforço pra se sentar à beira do mesmo graças a sua altura. Fui em sua direção e em silêncio, deixei meu livro em uma das poltronas à nossa frente e me sentei ao seu lado.
– Porque está me evitando? – Fui direta
– Eu não estava evitando você. Eu estava evitando essa conversa.
– Rachel, eu sou sua namorada, não sua mãe ou muito menos sua consciência. Você tem que ter sua opinião e fazer suas próprias escolhas. Eu não aprovo, mas se você não quer ir para a faculdade, a escolha é sua.
– Eu quero. Só não quero fazer nada relacionado a Artes, o que difere do pensamento de praticamente todos do Glee Club que pretendem fazer uma universidade.
– E o que você quer fazer?
– Pensei em algo ligado a área de Biologia. Talvez até Química. Eu poderia passar para uma boa faculdade em outro estado, e com um bom estágio logo nos primeiros períodos, minha carreira dentro de algumas dessas áreas poderia ser fabulosa.
Eu sentia que ela tentava parecer animada enquanto falava sobre isso, mas eu também sentia o seu tom incerto. Aquelas palavras não vinham de seu coração, mas de sua razão.
– Porque mente pra mim? – Perguntei, deixando-a um pouco sem resposta
– Do que está falando, Quinn?
– Porque tenta me convencer de que é realmente isso que você quer pra sua vida? Rachel, você ama cantar. Ama se apresentar. Eu sei que isso não é uma coisa que você faz há muito tempo, mas você nasceu pra isso. Você só não acredita em si mesma, mesmo depois de tudo que já mostrou que é capaz. Você duvida do próprio talento, e por isso prefere escolher uma carreira que te dê estabilidade financeira. Mas e o seu coração? Não esta em nenhuma faculdade de Química, nem de Biologia nem em nenhum outro lugar! Ele está aqui! – Bati com uma das minhas mãos no palco onde sentávamos – Teu coração está aqui, e você sabe disso. Todo mundo que te conhece sabe disso. E mais ainda, eu sei disso. E eu não vou deixar você jogar essa carreira maravilhosa que você vai ter pela frente fora só por causa de uma insegurança.
Deixei-a pensativa por alguns instantes, mas ela então se virou para o fichário que estava ao seu lado contrário a mim e se virou novamente para mim com um papel nas mãos.
– O que é isso?
– É um informativo sobre a Nyada. A faculdade que Kurt quer cursar. Era sobre isso que falávamos mais cedo. Ele me entregou, mas eu ainda não olhei. Apenas guardei.
– Porque não?
– Não quis.
– Não quis?! – Perguntei apenas para ter certeza de que eu realmente tinha ouvido aquilo
– Sim. Me perdoa Quinn, eu sei que você vai ficar decepcionada, mas eu não vou me inscrever para nenhuma escola de Artes Dramáticas ou nada do tipo. Já conversei com meus pais sobre isso. Vou me empenhar em descobrir que área combina mais comigo, Biologia ou Química, e então seguirei uma delas. Eu sou uma ótima aluna, tenho certeza que meu histórico escolar me ajudará bastante na entrada de qualquer faculdade do país, o que não aconteceria se eu tentasse algo ligado a Artes já que as notas não importam muito, mas sim as atividades extracurriculares, que por acaso eu só tenho o Glee Club.
Eu me sentia devastada. Deixar Rachel desistir daquilo tudo era como se eu mesma estivesse desistindo de meus sonhos. Eu sabia que ela não seguiria muito tempo com essa idéia se eu achasse a maneira certa de fazê-la acreditar em seu talento, mas como?
– Quinn? – Acabei divagando em meus pensamentos e voltando a realidade quando fui chamada por ela
– Oi…
– Vamos, se não perderemos o almoço. Esquece isso, está bem? Mas eu prometo que assim que me decidir, conversarei com você.
Descemos no palco juntas. Peguei meu livro e então ela pegou minha mão e seguimos para o refeitório, mesmo eu ainda não estando completamente satisfeita com o desfecho daquela conversa. Pegamos nossas bandejas e nos sentamos com Brittany, Santana, Artie, Tina e Mike. Enquanto comíamos e conversávamos sobre assuntos completamente banais, o celular de Rachel que estava sobre a mesa vibrou algumas vezes. Ela então o pegou e assim que olhou para o visor, sua feição se mostrou assustada. Rachel tentava esconder a tela do celular de mim, como se não quisesse que eu visse do que se tratava, mas eu não pensei duas vezes e tirei o telefone de sua mão, lendo uma mensagem que ela havia recebido.
“Eu sei está me odiando agora, mas, por favor, deixe-me te dar uma explicação. Só peço mais uma chance. Estou no estacionamento do seu colégio, esperando por você. Espero de todo o coração que venha. Megan.”
Mentira. Só podia ser mentira! Depois de tudo, aquela vadia ainda tinha coragem de aparecer aqui no Mckinley atrás dela?!
– Você não está pensando em ir, não é?! – Eu perguntei para Rachel, sendo bem direta
– Não. E nem você.
– Ah não, dessa ela não escapa.
Era nessas horas que eu acreditava ter um alter-ego que tomava conta de todo o meu ser ou algo do tipo. Sempre que essa garota se metia entre Rachel e eu, minha vontade era amarrá-la e trancá-la numa jaula dentro do meu porão. Tá, eu não faria isso… Mas não por falta de vontade. Eu não conseguia entender o que Rachel viu nessa garota para ter conseguido ser sua amiga por tanto tempo!
Sentindo toda aquela ira dentro de mim, levantei-me da cadeira e me dirigi até o estacionamento sem ao menos perceber que Rachel e todos que estavam comigo na mesa haviam me seguido. Saí pela porta principal e me vi no estacionamento. Meu olhar percorreu todo o local e eu finalmente a avistei, recostada sobre a caminhonete de Finn. Olhei rapidamente para trás e vi que eles já quase me alcançavam, então segui meu caminho até Megan.
– É muita cara de pau sua aparecer aqui depois de tudo, não é? Ou ficou com saudade do meu punho na sua cara e voltou para pedir mais? – Fui o mais debochada possível
Megan se virou para mim, e então eu vi que ela usava óculos escuros, o que fez brotar em minha mente milhares de piadinhas sobre seu olho roxo.
– Eu não vim falar com você, garota.
– Porque os óculos, Megan? Além de não estar tão sol assim, os óculos não escondem sua personalidade horrível muito menos isso que você chama de face. Ah, mas escondem olho roxo, não é?
– Sua … – Vi raiva em seus olhos e sua mão se levantando em minha direção
– Não ouse encostar nela se não quiser conhecer o jeito Lima Heights de resolver as coisas. – Santana intercedeu por mim – Afinal, o que faz aqui? Não sei se você sabe, mas não são permitidos animais dentro do colégio, então vaza daqui.
– Repetindo, eu não vim falar com nenhuma de vocês. Eu vim falar com a Rachel e só saio daqui depois que eu falar com ela.
Rachel que estava atrás de todos do grupo, colocou-se a frente, exatamente ao meu lado. Vi a expressão assustada de Megan assim que viu o que havia feito com Rachel, já que sua bochecha ainda estava um pouco roxa, e mesmo sua tentativa de esconder com maquiagem não tinha funcionado muito.
– Rachel… Eu não… Eu não quis, eu juro – Megan estendeu à mão até seu rosto, mas Rachel o virou, impedindo seu toque
– Você não acha que já causou problema demais por aqui? – Perguntei, agarrando Rachel pela cintura – Por causa dessa sua obsessão ridícula você acabou machucando a pessoa que você tanto diz amar.
– E quem é você pra falar alguma coisa? Eu sei de tudo que você fez com ela! Não a feriu fisicamente, mas a machucou muito que eu sei!
– Vai querer comparar? – Acabei aumentando o tom de voz e em poucos segundos já gritávamos uma com a outra.
– Já chega!
Para minha surpresa, foi Rachel quem havia gritado, enquanto se colocava entre nós duas.
– Megan, vá embora, por favor – Ela pediu e Megan pareceu indignada com o pedido
– Rachel, é sério que vai me mandar embora?!
– Por enquanto eu não estou mandando nada, estou pedindo. E acredite, é para seu próprio bem.
Megan respirou tão fundo que nós pudemos ouvir, e então se virou e se foi, para minha satisfação.
Antes de qualquer um de nós fazer algum comentário sobre aquilo, o sinal tocou, e graças a essa cena toda, nem pudemos terminar nosso almoço. E em completo silêncio, voltamos para dentro do colégio e nos dirigimos cada uma para sua sala.
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Estávamos na última semana antes do início das provas semestrais, e a semana tinha passado muito rápido, pois já estávamos na sexta feira. Confesso que fiquei um pouco distante de Rachel durante essa semana, porque dediquei todo o tempo livre que eu tinha a escrever minha dissertação para a admissão em Yale. O pouco tempo que ficamos juntas fora do colégio foi apenas em uma vez que ela foi até a minha casa, mas acabou indo embora um pouco estranha, depois de uma situação não muito confortável. E outras vezes que ela foi comigo até a livraria de Jackie. Eu procurei por alguns livros de gramáticas ou regras de redação que pudessem me ajudar, mas acabei pegando mesmo alguns que havia na biblioteca do colégio. Fiquei naquele lugar por horas lendo e fazendo alguns rascunhos. Minha dissertação não podia conter nenhum erro, ou isso poderia custar minha admissão. Empenhei-me ao máximo e então enfim terminei de escrevê-la, no exato último dia para mandar a inscrição.
Envelopei minha dissertação junto com minha ficha de inscrição e minha declaração escolar com todas as atividades extracurriculares, eventos escolares dos quais participei ou até mesmo participações notáveis como ser capitã das Cheerios, e pedi que minha mãe levasse até o correio. Saímos juntas no carro, então ela me deixou no colégio e segui seu caminho.
RACHEL’S POV
Cheguei ao colégio no horário de sempre e quando segui até meu armário, vi Quinn recostada sobre o mesmo, sorrindo pra mim.
– Bom dia – Eu disse, dando-lhe um selinho
– Adivinhe onde minha mãe foi agora…
– Não faço idéia – Abri meu armário, pegando meu fichário
– Até o correio, enviar meu envelope de inscrição para Yale! – Ela estava animada enquanto contava – E você? Já se inscreveu para alguma? A maioria dos prazos acabam hoje.
– Sim. Meus pais também vão colocar minha inscrição no correio hoje.
– E se inscreveu pra que?
– Me inscrevi para Direito. Stanford… Califórnia.
– Direito?! Mas você não queria Biologia ou Química?!
– Pensei melhor. O curso de direito em Stanford é um dos melhores do país.
– Mas Rachel, California? Isso é praticamente 2.900 milhas de distância até New Haven.
– Quinn, eu não tenho nem certeza de que vou passar!
– Claro que tem! Você é uma ótima aluna! Os diretores de Stanford seriam malucos se não te aceitarem.
– Tá, mesmo que eu passe. Isso não quer dizer que teremos que terminar… Você não acredita em namoros a distância?
– Sinceramente? Não. Não são apenas algumas milhas de distância, Rachel. São 2.900. Isso é muito.
– Confie em mim, nós vamos dar um jeito nisso, está bem? – Fechei meu armário e acariciei seu rosto
– As inscrições pra Nyada terminam amanhã. Você ainda poderia se inscrever…
– Ah não, isso de novo Quinn? – Me afastei um pouco – Eu não vou me inscrever pra essa universidade, já falei. Não sou boa o suficiente pra isso!
– Mas Nyada fica em NY, que é bem perto de New Haven. Poderíamos nos ver todos os finais de semana, ou até mais vezes.
– Então você quer que eu passe pra Nyada por causa da distância? Não porque talvez fosse ser bom pra mim?! – Fiquei um pouco surpresa com o comentário feito por ela
– Claro que não! É claro que a distância é um fato bastante relevante, mas eu quero que você passe porque você tem talento. Muito talento. O seu lugar é lá Rachel, se preparando pra ser uma estrela, não presa dentro de um laboratório na Califórnia.
Preferi não responder, continuei apenas a fitando. Eu não tinha condição nenhuma de passar para uma faculdade dessas. Eu jamais estaria apta o suficiente para competir com essas pessoas que treinam praticamente a vida toda para um momento como esse.
– Eu tenho que ir agora – Ela disse, já se virando
– Espera, aonde vai?
– Eu preciso resolver uma coisa, é urgente.
Antes que eu pudesse dizer algo, ela saiu correndo por entre as pessoas. Aproveitei então que tínhamos um tempo vago agora para resolver um assunto que apenas uma pessoa tinha capacidade suficiente para me ajudar. Santana Lopez. Andei quase a escola toda atrás dela até encontrá-la na arquibancada, junto com Brittany.
– Santana, preciso conversar com você sobre uma coisa… particular – Fiquei um pouco sem jeito expulsando Brittany daquela maneira, mas se já seria difícil falar com Santana, se Britt estivesse junto, seria mais ainda.
– Britt, porque não pega um slushie para nós?
– De uva? – Brittany perguntou
– Como sempre
Santana respondeu, dando-lhe um gentil sorriso e então Brittany nos deixou a sós.
– Diga Berry…
– Santana, eu creio que só você possa me ajudar… – Sentei-me ao seu lado – Uma coisa aconteceu e me fez perceber outra coisa…
– Eu já sabia disso, na verdade, era só uma questão de tempo
Hã? De que diabos Santana estava falando? Era impossível que ela soubesse sobre o que eu iria falar. Nem com Quinn eu tinha comentado isso,e eu tinha certeza de que Santana não sabia ler pensamentos!
– Santana, do que você ta falando?!
– Eu sei que você finalmente percebeu que eu sou muito melhor que a Fabray, mas sinto que informar que nada jamais vai acontecer entre nós. Eu amo a Brittany. Então se contente com sua Quinn.
Não consegui responder, apenas abaixar a cabeça e rir. Sério mesmo que eu tinha ouvido aquilo?
– Não Santana, não é nada disso!
– Ah não? Que pena… Parece que infelizmente você ainda acha que Quinn é melhor que eu… Coitada.
– Sério Santana, me deixa falar…
– Está bem, diga de uma vez.
– Acho que eu e Quinn estamos passando por problemas… sexuais.
Senti minhas bochechas corarem e o seguido grito de Santana ecoar dentro de meus ouvidos.
– O QUE?! Vocês finalmente…
– Não, não! – A cortei o mais rápido que pude antes que alguém ouvisse
– Ah ta! Porque se tivessem feito isso e a Fabray não tivesse vindo me contar, eu chamaria todo o Lima Heights pra bater nela!
– Não Santana, não fizemos… E acho que esse é o problema. Não quero que pense que sou uma tarada ou algo do tipo, mas sempre eu acho que estamos no clima ou algo do tipo, ela foge. Aconteceu isso há dois dias…
*FLASHBACK*
– Tem certeza que não estou te atrapalhando? – Eu perguntei, colocando-me por trás dela e apoiando-me sobre seus ombros enquanto ela estava sentada à mesa do computador, pesquisando alguma coisa
– Não, claro que não Rach. Estou apenas lendo alguns artigos. Achei um blog feito por alguns alunos de Yale, e minha nossa! Aquele lugar parece ser o paraíso.
– E sua dissertação, como vai?
– Está indo. Já tenho muita coisa em rascunho, termino mais alguma coisa ainda amanhã, e então faço o definitivo.
– Então acho que você poderia descansar um pouco de toda essa pesquisa e estudo, não é?
Puxei seu rosto, inclinando-o para trás e beijando suavemente seus lábios. Ela se separou de mim e girou à cadeira, ficando de frente pra mim e unindo nossos lábios novamente. Não hesitem em puxá-la pela fina camiseta que ela vestia, fazendo-a se levantar da cadeira. Seus braços me envolveram confortavelmente e eu agarrei seus cabelos.
Talvez eu não devesse, talvez fosse precipitado, mas eu queria tanto aquilo. Eu queria tanto senti-la da maneira mais completa possível. Sentir sua pele macia e branca como a neve das noites de inverno, sobre a minha. Acordar ao seu lado depois de uma noite onde nós duas tivéssemos nos transbordado de paixão e de todos os sentimentos puros e fortes que sentimos uma pela outra. Mas, infelizmente, meu pressentimento e alguns acontecimentos davam a entender que ela não queria aquilo tanto quanto eu.
A empurrei gentilmente até que alcançássemos a cama. Deitei-me sobre seu corpo, já caído sobre seus lençóis. Desci meus beijos por seu pescoço, deixando propositalmente algumas marcas por ali enquanto eu podia ouvir seus leves e involuntários gemidos serem emitidos. Senti suas mãos apertarem minha cintura e então subirem por minhas costas, chegando a meus ombros. Seus dedos seguraram o casaquinho branco que eu vestia e a peça então, foi colocada de lado. Voltei minha atenção a seus lábios, fazendo daquilo um jogo por comando. Novamente suas mãos pairaram em minhas costas, chegando ao zíper de meu vestido. Quando mesmo começou a ser aberto, eu mordi seu lábio inferior e ela novamente sibilou um gemido.
Num movimento rápido, levei minhas mãos antes apoiadas sobre a cama até a barra de sua camiseta e levantei, e sem hesitação ela levantou o tronco, facilitando que a peça fosse tirada. Foquei meu olhar na visão maravilhosa que tinha a minha frente, mas ela logo avançou sobre mim e nos trocou de posição, mas eu levantei meu tronco e a deixei sentada sobre meu colo, enquanto pousei meus lábios sobre seus ombros.
Quinn segurou meu rosto com as duas mãos e me fez fitá-la. Seus olhos claros brilhavam de maneira anormal. Embora eles sempre brilhassem, desta vez estavam mais brilhantes e acompanhavam suas pupilas extremamente dilatadas. Pensei que fosse dizer alguma coisa, mas ela apenas beijou-me de maneira mais calma que antes. Suas mãos pararam em meus ombros e delicadamente desceram as finas alças de meu vestido por meus braços, deixando-o na altura da minha cintura. Seu peso foi colocado sobre mim e então nos deitamos novamente.
O único som que eu esperava ouvir e queria ouvir, na verdade, era algum que saísse por entre seus lábios e demonstrasse que ela gostava daquilo, mas fomos surpreendidas pelo toque de seu celular. Nunca pensei que odiaria tanto aquela música. Num movimento bem rápido, ela saiu de cima de mim, pegando o celular sobre a mesinha ao lado da cama.
– Aham mãe, pode deixar… – Quinn abaixou-se e pegou sua camisa perto da cama – Está bem, está bem. Tchau.
Colocou o celular no mesmo lugar que antes e me surpreendeu, quando vestiu novamente sua camiseta. Então ela se abaixou e eu só senti quando meu casaquinho foi jogado sobre meu colo.
– Quinn?
– Vista-se.
Apenas consegui fitá-la, não entendo o porquê daquela reação.
– O que foi? – Ela perguntou
– O que não foi, não é Quinn? – Confesso que fui um pouco rude.
Levantei-me da cama, e ajeitei meu vestido, fechando o zíper da maneira que consegui.
– O que foi? A culpa é minha que o telefone tocou?!
– Não, mas porque não voltou?
– Rachel… Não tem mais clima, não é?
– Não, Quinn. Não tem mais clima há muito tempo.
Vesti meu casaco e andei em direção à porta, mas fui segurada.
– Rachel, isso não é motivo para brigarmos, não acha?
– Acho. Mas com certeza, é motivo para conversarmos, mas nem isso fazemos! Já estamos nessa situação há semanas, e é você quem sempre foge. Se não quer, porque não diz? Entendo que sua primeira vez não tenha sido como você queria que fosse, mas isso não significa que comigo será a mesma coisa! Até porque as diferenças são bem óbvias. E se me desse uma chance, eu a faria perceber isso. Mas não dá, porque você sempre desiste antes mesmo de avançarmos.
– Rachel, eu só… quero fazer tudo certo.
– Eu também, mas acho que você não vê isso.
* FIM DO FLASHBACK *
– Depois disso eu fui embora, e acabou ficando um clima ruim entre nós, mas eu preferi esquecer e voltamos ao normal, mas eu não quero ficar esquecendo disso o tempo todo, sabe?
– Eu entendi tudo. Primeiro, você está doida pra transar com a Fabray, e não venha gritar comigo ou dizer alguma coisa porque é isso sim!
Seu comentário me impediu de dizer alguma coisa, afinal ela tinha razão.
– Mas isso só vai acontecer quando ela quiser, e você tem que aceitar isso. Não estou dizendo que ela não queira, mas ela quer que tudo dê certo. Acredite em mim, ela não está fazendo isso tudo pra provocar nem irritar você, mas pra ter certeza que vai acontecer no momento certo. Eu posso falar com ela, sem dizer que você me disse nada. Mas tenho certeza de que se você esperar um pouco e guardar um pouquinho desse desejo todo aí, vai acontecer.
Era estranho ouvir Santana dando um conselho realmente correto. Ela sabia dizer coisas sábias quando queria.
– Obrigada, Sant. Mas por favor, tome cuidado quando for falar algo. Não quero que Quinn pense que eu estou apressando as coisas.
– Pelo amor de Deus, Berry. Desde quando eu, Santana Lopez, erro em algo que eu faço?
– Quer que eu liste agora ou depois?
– Ih, ignorante! – Ela levemente empurrou meu ombro e se levantou
Continuei ali sentada, rindo da situação.
– Vai ficar aí parada ou vai vir tomar um slushie comigo e com Brittany?
Levantei meu rosto que vi que ela estava virada para mim, sorrindo.
– Claro, claro.
Levantei-me e segui com ela até o encontro de Brittany.
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