New Girl

30 She believes in you


Notas iniciais
Oi pessoas lindas :D Postei mais rápido desta vez, não foi? rs Enfim, mas um capítulo pra vocês. Sei que as coisas andam drámaticas, e prometo que não vou manter isso pra sempre, mas as coisas precisam acontecer pra que o final que eu tenho em mente dê certo ;) Beijos, espero que gostem :*

— Quinn, pelo amor de Deus, se acalma — Santana pedia, enquanto Quinn chorava em seu abraço — Temos prova daqui a pouco. Se você não se acalmar, não vai ter condições de fazê-la.

— Nem sei mais se quero fazer isso — Ela disse, com a voz em tom de choro

— Espera ai, né Fabray. Isso não é o fim do mundo! Sei que daqui a pouco vocês se acertam e tudo volta ao normal…

—Não Santana! — Quinn saiu de seus braços — Não tem volta! Eu estou me sentindo traída. Porque ela mentiu pra mim, e pior, esqueceu da nossa noite pra ficar com a Megan. A Megan que tantas vezes já se meteu entre a gente! Pra mim chega.

— Olha pra mim — Santana segurou seu rosto — Eu prometo que não vou me meter nesta história. Estou contigo independente da tua decisão. Mas eu não vou deixar você ficar abalada assim. Ou você vai bem nestas provas ou bye-bye Yale.

Ao ouvir a palavra Yale, as lágrimas desceram mais ainda, e Quinn caiu nos braços de Santana novamente. O momento foi interrompido pelo alto som do sinal, que indicava que o início da primeira aula.

— Venha, Q. Ergue essa cabeça, seca essas lágrimas e vamos pra aula — Santana se levantou, trazendo Quinn junto

— Mas eu não quero ir, ela vai estar lá.

— Se você ficar deixando de fazer as coisas por causa da Berry, é melhor se mudar de cidade logo, porque todos os lugares que estamos acostumados a ir, ela também está. Agora anda, vamos pra aula. Ela é do tipo nerd, que gosta de estudar. Agora que não tem você, deve estar sentada na primeira carteira junto com Kurt. A gente passa direto e senta lá atrás. Agora vem.

Santana passou o braço de Quinn pelo seu e as duas então deixaram a arquibancada, seguindo para a primeira aula do dia. Quando entraram na sala, para a surpresa de Quinn, Rachel não estava lá. Nem Kurt. As duas se sentaram ao final da sala, e Quinn tentou ao máximo prestar atenção na aula. Mas estava quase impossível.

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O dia havia sido completamente morto. Quinn mal falava, e nem havia comido nada durante o almoço. Nenhum sinal de Rachel pelo o colégio. Ela apareceu apenas no último tempo. Entrou na sala para fazer a prova com os olhos vermelhos e levemente inchados, causados pelo choro em excesso. Santana surpreendeu-se ao ver o estado da morena, mas nada comentou, vendo que Quinn nem a olhava.

O sinal indicando o início da prova bateu. De acordo com que o tempo passava, as pessoas começavam a entregar suas provas e então saírem da sala. Os ponteiros do relógio giravam e Quinn cada vez menos se concentrava para fazer a prova. Ela nunca havia odiado tanto Trigonometria.

— Quinze minutos, pessoal — A professor em sala anunciou, deixando Quinn nervosa

A loira virou a folha e prova e percebeu que não tinha conseguido terminar nenhuma questão por completo. Olhou para o relógio na parede, e sentiu o nervoso aumentar quando viu que Rachel também ainda fazia a prova. Apenas as duas e mais dois alunos estavam na sala. Respirou fundo, apertou mais a caneta entre os dedos e fitou a prova.

— Concentre-se Quinn, concentre-se — Disse baixo para si mesma e então começou a reler as questões

Passaram mais dez minutos quando a professora avisou que faltavam apenas mais cinco minutos. Numa rapidez impressionante, Quinn tinha feito todas as questões. Levantou-se rapidamente e entregou a prova à professora. Antes que sair, passou pela carteira de Rachel e espiou sua prova de maneira sutil, e percebeu que ela parecia estar terminando também. Saiu da sala, e logo encontrou com Sam.

— Eai minha loira, como foi na prova?

—Sinceramente? Bem melhor do que eu pensei que fosse. Só demorei demais pra começar realmente a fazer.

— O que houve? Está estranha. Cabisbaixa.

— Longa história.

— Eu tenho tempo. Te dou uma carona até em casa e você me conta, pode ser? — Ele sorriu, tentando animá-la

— Está bem — Ela devolveu o melhor sorriso que conseguiu

Ele então passou um dos braços pelos ombros dela, e ela confortavelmente apoiou um dos braços em sua cintura e os dois seguiram juntos pelo corredor.

Chegaram ao estacionamento e entraram no carro de Sam, que seguiu rapidamente pelas ruas até chegarem à casa de Quinn.

— Agora me conta — Ele disse, parando o carro em frente à sua garagem

– Vamos entrar, é melhor. Minha mãe não está em casa. Ela me disse que tinha que ir ao mercado e a alguns lugares, então podemos conversar em paz lá dentro.

O loiro logo aceitou o convite e os dois entraram em casa, logo se sentando ao sofá. Quinn contou toda a história, nos mínimos detalhes, e aquela tristeza e decepção foi voltando à seu peito a cada palavra que ela dizia sobre aquilo.

Sam não se conteve em abraçá-la forte, quando percebeu o quão abalada Quinn estava.

— Ei, vai ficar tudo bem — Ele disse, afagando seus cabelos — Se for pra vocês voltarem, isso vai acontecer cedo ou tarde. Mas você ficar assim agora não adianta, porque você precisa estar bem pra fazer as provas tranquilamente. Eu tive uma idéia. Você ficar sozinha só vai piorar. — Os dois se afastaram um pouco – Anda, pega seus livros e cadernos pra prova de amanhã e vamos lá pra casa. Eu acho o Puck, Santana e Brittany pra estudarem com a gente.

— Tem certeza de que é uma boa idéia? Puck não tem estudado nada e nós cinco juntos, acho que não vai dar boa coisa — Ela riu leve

— Pelo menos vamos estar juntos. Anda, vá lá que eu espero você

Quinn sentiu-se melhor por alguns momentos, pois a companhia de Sam realmente tinha lhe dado um ânimo diferente.

— Obrigada — Ela disse a ele, sorrindo

— Não me agradeça — Ele lhe tocou o rosto — Sou seu amigo. Estou aqui para o que precisar. Agora vá.

Quinn sorriu pra ele mais uma vez então se levantou e foi diretamente para seu quarto, indo à procura de seus livros. Enquanto isso, na residência dos Berry’s, Leroy e Hiram tentavam convencer Rachel a sair do quarto, onde havia se trancado assim que chegou.

— Rachel, abre a porta filha. Conversa com a gente.

— Eu não quero conversar! — Sua voz foi ouvida através da porta

Leroy preparava-se para bater na portar novamente, mas Hiram segurou seu braço.

— Deixa Leroy… Vamos dar um tempo para ela…

Rachel estava literalmente um caos. Sentia raiva de si mesma, e ao mesmo tempo o arrependimento por ter feito o que fez, a culpa por ver a dor que causara a Quinn e a tristeza de ter terminado o namoro pareciam a consumir por dentro a cada minuto que ela passava jogada sobre sua cama, deixando que as lágrimas que desciam pelo rosto molhassem ao poucos o travesseiro.

Nem ela mesma sabia explicar porque havia feito aquilo. Talvez porque Megan, mesmo depois de tudo, ainda fosse alguém especial pra ela, mesmo que no fundo. Talvez porque a possibilidade de Megan fazer alguma besteira a tivesse levado ao medo extremo, e a tivesse feito ir até lá. Ou talvez por que… É, ela não sabia.

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— Foi mal pessoal, mas acho se mais alguém falar de tabela periódica ou reação química agora, eu vou surtar — Puck disse, largando o livro sobre a cama de Sam

— Já está desistindo... Ainda temos que estudar as funções orgânicas — Santana lembrou

— Pra que?! Eu nunca vou usar isso na vida! Nem que eu tente, vou aprender.

— Vai sim — Quinn disse — Anda Puck, toma — Quinn que estava ao lado dele, o devolveu o livro

— Não, acho que o Puck tem razão. Vamos dar uma pausa. Já estamos aqui há quase duas horas. Isso é muita coisa. Se eu não parar agora, meu cérebro explode — Sam disse, rindo

O celular de Quinn vibrou ao seu lado, em cima da cama e a loira o fitou por alguns segundos, vendo novamente o mesmo nome na tela.

— Quinn? Algum problema? — Santana perguntou, realmente preocupada

— É a quarta mensagem em quinze minutos.

— Dela? — Obviamente Santana referiu-se à Rachel, e todos em volta entenderam, pois já sabiam do acontecido

— É.

— E o que diz? — Sam perguntou

— Não sei. Não li nenhuma.

— Por quê?! Lê logo isso! — Santana levantou-se do chão e sentou-se ao lado da loira

Quinn tirou o celular do alcance de Santana, esticando o braço.

— Não. Não quero ler.

— Aham, Quinn. A quem você quer enganar, hein? Você ama aquela anã…

— Amo. E não nego. E é exatamente por isso que não posso continuar com essa história. Porque eu a amo demais, mas às vezes isso não parece recíproco.

— Quinn — Sam chamou — Não quero me meter, mas já me metendo… Tudo bem que isso que aconteceu foi muito ruim, ruim mesmo. Mas você não pode duvidar do que ela sente, porque isso já ficou muito claro pra todos nós.

Puck, Brittany e Santana assentiram, concordando com o que Sam havia dito. Quinn mordeu o lábio, não sabendo o que fazer, mas acabou decidindo não ler as mensagens. Desligou o celular e o colocou de lado.

— É melhor voltarmos aos estudos — Quinn voltou a prestar atenção em seu livro enquanto os outros apenas se entreolharem, sem saber o que fazer

Depois de mais duas horas de estudos, Quinn resolveu ir embora, então Santana e Brittany aproveitaram para ir também. Assim que chegou em casa, Quinn se deparou com sua mãe, a esperando. Ela fingiu o máximo que pôde, e logo correu para seu quarto, não saindo nem para jantar. Sua cabeça encontrava-se contra um turbilhão de pensamentos e dúvidas. A única certeza era que amava Rachel, mas não sabia se isso seria suficiente para que o relacionamento das duas funcionasse perfeitamente. Desistiu então de pensar mais nisso. Tomou um rápido banho se deitou, pedindo pra que apenas em seus sonhos, tivesse um pouco de paz de pensamento.


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A semana havia passado rápido considerando tudo pelo que as duas estavam passando. Quinn tinha conseguido livrar-se um pouco de todas as dúvidas e focar-se apenas em seus estudos. Rachel já não tinha tanta certeza se estava indo bem ou não nas provas, não seria surpresa se seus resultados não fossem tão bons como sempre eram. Mas a grande surpresa da semana chegou na sexta-feira, pelo correio.

— Kurt! — Rachel gritou, fazendo com que quase todos no corredor do Mckinley a olhassem enquanto ela entrava pela porta principal

— Deus, o que foi?! — Ele perguntou, estranhando o comportamento da amiga

— O que é isso? — Ela mostrou um envelope.

— Um envelope…

— Não estou brincando Kurt! Que diabos significa isso?! É um envelope de Nyada! Chegou pelo correio hoje bem cedo e tem meu nome!

Kurt pegou o envelope da mão da morena, e sorriu ao ver o pequeno emblema de Nyada, e o nome e endereço de Rachel no final do mesmo.

— Eu só ajudei… A idéia não foi minha! E não me culpe! Seus pais sabem de tudo, está bem?!

— O que? Eles sabem?!

— Claro! Quem falsificou sua assinatura foi Leroy!

— Kurt! Porque fizeram isso?!

— Antes de me perguntar, porque não abre a carta?

Rachel fitou o envelope por alguns instantes, e sentiu a curiosidade lhe bater. Realmente queria descobrir o que havia ali. Se mesmo que contra sua vontade, ela tinha sido capaz de se tornar uma finalista. A morena lentamente descolou a aba do envelope e pegou o papel dobrado que havia ali. O desdobrou e quando se pôs a ler, sentiu seu coração parar de palpitar por alguns segundos.

— O que foi Rachel?! O que diz ai?!

— Eu… Eu passei. Sou uma finalista.

Kurt logo abriu um sorriso e abraçou a morena, mas Rachel ainda estava sem reação, tanto que não conseguiu retribuir o abraço.

— Kurt, eu não posso ir!

— O que?! — Kurt quase gritou, se afastando dela

— Eu não me inscrevi pra isso! Você e meus pais fizeram isso. Eu não sei nem como me aceitaram!

— Deixe-me esclarecer algumas coisas. Primeiro, era fato que você passaria para a fase das audições. Você tem mais coisas na sua ficha escolar do que imagina! Seus pais tinham seu histórico do West High. Você participou do grêmio estudantil, a campanha na qual você participava ganhou as eleições de presidente de turma. Apenas notas excelentes, e agora, o Glee Club. O Sr. Schue escreveu uma carta de recomendação. Ele ainda não é muito famoso nesse ramo de corais, mas ganhamos as Distritais, as Regionais, e daqui a uma semana e meia, temos as Nacionais. Isso é material suficiente pra você se tornar uma finalista. E se isso te deixa mais contente, eu também sou um finalista! Minha carta chegou ontem à tarde.

— Fico feliz por você, Kurt. De verdade, mas não sei se devo…

— Espera, eu ainda não conclui minha frase. Em primeiro lugar, era aquilo que já disse. E em segundo, não fui eu nem seus pais que te inscrevemos. Nós apenas ajudamos. A idéia surgiu de outra pessoa.

— Quem?!

— Tem certeza de que não sabe?

A morena ficou em silêncio por algum tempo. A única pessoa que vinha à sua mente naquele momento era Quinn. E ela sabia, que mais ninguém no mundo faria aquilo por ela.

— Por que ela fez isso? – Rachel perguntou, fitando o papel em sua mão

— Eu sei por quê. E você também sabe. Mas talvez seja bom ouvir isso dela mesma, não acha? Vai atrás dela.

— É melhor não. Tenho mandado mensagens, até mesmo ligações. Mas ela nunca me responde nem me atende. Quando me vê no corredor, vira as costas.

Kurt não pôde deixar de se sentir comovido pelo jeito triste com que Rachel falava.

— Quanto ao relacionamento de vocês. Dê um tempo a ela. Ela está sofrendo como você. No caso, até mais, eu acredito. Sou seu amigo Rachel, mas o que você fez foi realmente como uma facada nas costas dela. Agora, quando a carta, eu sinceramente acho que você deva ir atrás dela agora mesmo, antes que primeiro sinal bata.

— Temos Glee Club agora, não é?

— Sim, vamos começar os ensaios para as Nacionais. Mas lá vocês não terão tempo de conversar. Procure por ela, e pelo menos agradeça.

Kurt fechou o armário e saiu pelo corredor, deixando Rachel pensativa no mesmo lugar. Ela olhou mais algumas vezes para aquele envelope, e decidiu seguir o conselho de Kurt. Foi até o armário de Quinn, mas ela não estava lá. Seguiu até o refeitório, e nada. Mas a acabou encontrando no pátio, sentada sozinha lendo algo em seu caderno em uma das mesas.

— Posso me sentar?

Quinn logo reconheceu aquela voz, que por tantas vezes havia dito que lhe amava. Hesitou, mas ergueu a cabeça, tirando os olhos do caderno e olhando para Rachel.

— Tem certeza? Talvez você tenha outro lugar pra ir. Talvez a Megan te ligue e você tenha que se levantar e ir embora…

— Quinn, por favor. Pare de ficar tanto na defensiva.

— Aprendi que assim as pessoas sofrem menos… — Quinn voltou a olhar para o livro

– Olha, por mais que eu queira, eu não vim aqui pra falar da gente. Eu só vim porque preciso de uma resposta. Porque fez isso?

Rachel largou o envelope sobre o caderno de Quinn. A loira, sem demonstrar emoção alguma, pegou o envelope e o leu, descobrindo que Rachel havia se tornando uma finalista. Sentiu-se feliz, mas novamente não demonstrou nada.

— Que bom que passou. Espero que se saia bem na sua audição.

Quinn deixou o envelope em cima da mesa, pegou seu caderno e deu alguns passos, na intenção de sair dali, mas Rachel voltou a falar, então ela parou.

— Eu te disse que não queria ir para Nyada

— Eu sei — Quinn, que antes estava de costas, finalmente se virou — Mas isso foi sua razão falando, não seu coração. Como eu já te disse, eu sei o quanto você ama se apresentar. Seu lugar é em Nova York, em Nyada. Não em Stanford ou em qualquer outro lugar. Eu ainda não entendo porque você não vê o valor que tem. Você não tem talento Rachel. Você é o talento em si. Só não acredita nisso.

Quinn foi sincera em suas palavras. Talvez Rachel nem merecesse ouvir aquilo tudo, mas Quinn disse o que seu coração a pedia para dizer. A morena refletiu alguns segundos sobre as palavras de Quinn, e quando percebeu que ela sairia daqui, perguntou novamente.

— Porque está sendo tão legal comigo? Eu não mereço — Rachel parecia envergonhada de si mesma, fitando o chão

— Eu sei que não. Mas eu ainda amo você.

Rachel ergueu a cabeça, e fez com que seu olhar encontrasse com o de Quinn. Ouvir aquelas palavras novamente e voltar a se perder em seu olhar era a coisa mais incrível do mundo para Rachel. A morena sentia o peito palpitar, e tinha certeza de que seus olhos brilhavam de maneira diferente.

— Mas fica tranqüila. Um dia isso vai passar…

Quinn foi fria, e aquilo acabou com todas as esperanças de Rachel.

— Mas e se eu não quiser que isso passe?

— Devia ter pensado nisso antes

Quinn então deu as costas para Rachel, agarrou o caderno em sua mão contra o peito, engoliu toda a dor e tristeza que lhe invadiam naquele momento por dizer aquelas coisas, e então seguiu seu caminho até a sala de aula. Ao contrário da ação de Quinn, Rachel não conseguiu se mover dali. As lágrimas chegaram aos olhos e a tristeza aumentava a cada passo que Quinn dava, se afastando dela. O sinal tocou, e Rachel sentiu-se obrigada a sair dali. Seguiu cabisbaixa e enxugando algumas lágrimas que teimavam em cair, até chegar à sala do Glee Club. Todos já estavam lá, menos Will. Assim que ela entrou, logo chamou a atenção por sua feição abalada, arrasada. Quinn manteve a cabeça baixa, enquanto a morena fazia seu caminho até uma cadeira vazia entre Finn e Mike, na primeira fileira. Santana e Sam olharam para Quinn, mas ela preferiu fingir que não viu, continuando de cabeça baixa.

— Bom dia pessoal — Will entrou na sala, deixando a bolsa sobre o piano — O nosso assunto principal agora são as Nacionais. Em primeiro lugar, vamos decidir se teremos um solo ou dueto, e dois as duas músicas.

— Eu até tenho algumas idéias pra música de grupo, Sr. Schue — Mike disse, levantando a mão

— Ótimo Mike, mantenha-as aí com você. Porque antes temos que decidir… Alguém quer solar?

Um silêncio se instalou na sala. Uns olhavam para o chão, outros para as paredes. A grande maioria não queria porque tinham medo. Não eram simplesmente as Regionais. Eram as Nacionais, e m Nova York. Mas Rachel não queria porque realmente não sentia vontade alguma.

— Rachel? — Will chamou

— Sim — Rachel finalmente passou a prestar atenção no que ele dizia

— Você não quer o solo?

— Não Sr. Schue… Desta vez eu passo.

— O que está acontecendo com vocês?! Vocês geralmente se matam por um solo! Agora ninguém o quer.

— Eu quero, Sr. Schue

Quinn disse, surpreendendo a todos ao seu redor.

— É disso que eu estou falando!

Quinn recebeu um olhar torto vindo de Santana, que não fazia idéia do que ela estava fazendo. Rachel olhou apenas pelo canto dos olhos, mas não se atreveu a fitá-la.

— Então, eu também quero — Sam disse — Topo fazer um dueto com Quinn. Se ela quiser, é claro.

— Claro, eu adoraria

—Então fechamos assim. Quinn e Sam fazem o dueto, e logo depois entramos com o número de grupo. Agora, vamos à escolha das músicas.


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A semana finalmente havia chegado ao fim, e o final de semana havia passado mais rápido que o normal. Quinn dormiu na casa de Santana, e tiveram uma noite das garotas apenas as duas e Brittany. Apesar da maneira como as duas sempre eram carinhosas uma com a outra, Santana e Brittany, se controlaram ao máximo, sabendo pelo momento difícil que Quinn passava. A loira tentava ao máximo esquecer-se de Rachel, mas parecia que tudo a lembrava. Desde encontrar um livro em sua prateleira, até cozinhar o almoço com sua mãe.

Mesmo diante da dificuldade em se esquecer de certas coisas, o fim de semana podia ser classificado como bom. Chegando à segunda, Quinn estava se sentindo confiante para a prova de Biologia. Tinha estudado com as meninas e ela parecia ser a que mais sabia. Mas, na hora do almoço, algo que desconcertou sua mente aconteceu.

— Quinn, vem aqui agora! Você tem que ver isso!

Santana apareceu no armário de Quinn e a saiu puxando até o estacionamento. Assim que saíram na grande porta, Quinn viu uma movimentação estranha. Uma rodinha de umas trinta pessoas. Santana saiu empurrando a todos e trazendo Quinn consigo. A loira estava confusa, não sabendo o porquê daquilo que Santana estava fazendo, mas entendeu assim que chegou ao centro da roda, fincando atrás apenas de uma pessoa que assistia a aquilo.

— Você é muito cínica! Como tem coragem de vir aqui e me fazer uma pergunta dessa?! Isso só comprova que foi tudo armado, não foi?!

Rachel gritava contra Megan, enquanto era segurada por Sam.

— Você acha mesmo que eu faria isso?! Eu precisava de você, por isso te chamei! Eu jamais ia querer atrapalhar sua felicidade Rachel! — Megan mantia a pose de boa moça

— Mas conseguiu! A Quinn nem olha mais na minha cara! Eu passo o dia inteiro chorando pelos cantos sentindo a falta da pessoa que eu amo, e me culpando por tê-la machucado, e parte disso é culpa sua!

— Minha culpa?! Mas Rachel, eu não fiz nada!

— Cala a boca!

Rachel soltou-se de Sam de alguma maneira e cansada daquele sorriso falso de Megan, deu-lhe um tapa bem estalado no rosto, causando espanto em todos ao redor

— Nunca mais chega perto de mim!

— Você ficou maluca!?! — Megan desta vez, havia realmente descido do salto — Quer saber, cansei desse joguinho! Eu estava te fazendo um favor! Livrei-te daquela loira sem-sal que você chamava de namorada! E quer saber? Eu não fiz isso sozinha não! Agradece à aquele babaca ali que você chama de amigo! — Megan apontou para Finn, que ficou sem reação — Eu só queria impedir que você fosse a casa dela e passasse um tempo comigo, mas quem ia imaginar que vocês terminariam tudo por isso?! Dois coelhos com uma cajadada só! Foi perfeito! E agora, eu posso nem ter você. Mas pelo menos nem ela tem!

Santana olhou para Quinn, esperando que a loira tomasse alguma providência quanto aquilo, agora que máscara de Megan havia caído perante os olhos de Rachel. Mas a loira não fez nada. Apenas balançou a cabeça negativamente para Santana e saiu dali.

Rachel pensou em dizer mais algumas coisas, mas acabou percebendo que não valeria à pena. Sam, que estava chegando ao estacionamento para pegar algo em seu carro na hora que a briga começou, ficou com Rachel, e passando um dos braços pela cintura dela, tirou a morena de dentro daquela roda enquanto ela parecia bufar de raiva.

— Não precisa — Rachel se soltou dele assim que chegaram ao pátio — Eu sei me virar sozinha — O tom da morena soou arrogante e mal-agradecido

— Ei, eu estava tentando te ajudar! — Sam a repreendeu

Rachel fitou o loiro por alguns minutos e acabou percebendo que havia sido injusta com ele.

— Me desculpe, Sam. Acho que é o calor da emoção, da raiva. Me desculpa — Ela o abraçou sincera

— Quer conversar sobre isso? Sei que não somos melhores amigos, mas temos certa amizade, não é? Além disso, eu sou um ótimo ouvinte.

Rachel riu, conquistada pela simpatia de Sam.

— Se você não tiver preguiça de me ouvir. Eu apreciaria isso. Vai ser bom colocar isso pra fora, antes que eu bata em mais alguém.

— Por favor, não faça isso comigo! Porque você é baixinha e parece indefesa, mas UAU! Que tapa mais bem dado foi aquele?

Rachel riu novamente, sentando-se em uma das mesas.

— Então… Porque não começa me contando o que ela veio fazer aqui?

— Eu também não sei. Recebi uma mensagem dela me chamando no estacionamento, e quando eu cheguei lá, ela começou a vir com uma história de que tudo que ela havia me contado sobre os pais dela não passava de um mal-entendido, e que tudo já estava resolvido. E que não havia porque dela ter se desesperado tanto da vez que conversou comigo. Mas, pela primeira vez, eu vi o quão falsas aquelas palavras estavam sendo. Foi como se tudo que Quinn havia me dito desde sempre fizesse sentindo. Eu só não entendo o porquê dela fazer isso tudo! Se ela se dizia minha amiga, porque fazer isso?

— Algumas pessoas não conseguem aceitar que aquela pessoa que amam, está sendo feliz por causa de outra pessoa. E infelizmente, ela ao invés de aceitar, preferiu abaixar o nível e fazer tudo isso.

— E agora, a Quinn nunca vai me perdoar…

— Rachel, eu não sou conselheiro amoroso nem nada, mas eu sei de algumas umas. E uma delas, é que a Quinn ama você. Ela só está magoada demais, e está deixando o orgulho falar mais alto que a vontade de voltar pra você. Dê tempo à ela.

— Que tempo, Sam? Já estamos diante da graduação! Só temos mais essa semana, e depois acabou tudo. Ela provavelmente vai para Yale, e eu ainda nem sei pra onde vou!

— Ouvi dizer que você passou pra Nyada…

— As notícias correm rápido…

— E está pensando em ir?

— Não sei. Na verdade, não sei nem se sou capaz de fazer essa audição, que por acaso já é daqui a dois dias! Não sei por que Quinn me inscreveu nisso.

— Porque ela acredita em você. E quer o melhor pra você. E acima de tudo, sabe que você só vai ser feliz fazendo o que gosta, e lá é o único lugar que pode te oferecer isso.

A conversa dos dois foi interrompida pelo sinal, que indicava que as provas deveriam começar.

— É melhor irmos — Sam disse

— Está bem. E… Obrigada — Rachel sorriu sincera

— Que isso Rachel. Estou aqui se precisar.

Os dois seguiram para a aula, e assim que entraram na sala, Rachel pode perceber a inquietação de Quinn. A loira estava sentada em umas das últimas carteiras, e batia o lápis na mesa rapidamente, enquanto balançava uma das pernas. A morena procurou ignorar e se concentrar na prova que acabara de receber.

Passadas duas horas, Rachel entregou sua prova. Gostava de revisar tudo antes de realmente entregar. Saiu da sala, e já havia visto que Quinn tinha sido uma das primeiras a sair. Aproveitou o fato de serem liberados logo após o final da prova, e foi logo para casa.

Enquanto isso, Santana e Quinn iam embora juntas, a pé pelas ruas não muito movimentadas nos arredores do colégio.

— Eu não acredito que você não fez nada para ajudar a anã! — Santana reclamava

— Você queria que eu fizesse o que?! Me colocasse ali no meio pra defender ela?! Eu não sou mais nada dela Santana. Não tenho o direito de fazer nada disso. Além disso, ela parecia saber se defender muito bem.

— Tá, mas e agora?! Ela já sabe a traíra que a Megan é! Porque diabos você ainda não procurou sua garota e se acertou com ela?

— Porque não é simples assim. Fico feliz que ela tenha finalmente parado de se enganar com aquela cobra que ela gostava de chamar de amiga, mas isso não diminui o que ela fez.

— Mas você viu que a Megan falou que a Orca branca tava ajudando ela?

— Orca branca?!

— O Finn! Peguei ódio dele ao longo dos anos… Ainda mais agora, que aquela garota mais barata que chiclete no sinal, disse que ele tava metido nisso também! Tem noção disso?! Ele fez alguma coisa pra ajudar ela a separar vocês! Ele é um babaca! Minha vontade é colocar todo o Lima Heights atrás daquele palhaço que parece não saber o significado da palavra “dieta”.

— Para com isso Santana, ele não está aqui nem pra se defender.

— E desde quando você se importa com o Finnúltil?!

— Eu não me importo. Essa é a questão. Chega disso tudo, acabou. E você vai deixar isso quieto! E não vai falar nada!

— Você não tem vontade nenhum da descobrir que diabos ele fez com aquela Megan?!

— Sinceramente, não. Chega de mais drama na minha vida. Além disso, nenhum deles amarrou a Rachel e a levou à força até a Megan naquele dia. Ela foi por livre e espontânea vontade. Então, não me interessa o que ele ou ela fez, está bem?

O tempo passou rápido graças à conversa das duas, e quando perceberam, já estavam à frente da casa de Quinn. A loira havia chamado Santana para estudar à tarde. Entraram em casa e logo Judy apareceu à frente das duas, extremamente alegre.

— Quinn! Você chegou! Ainda bem!

— O que foi, mãe? — A loira estranhou aquela animação

— Isso chegou pelo correio há alguns minutos.

Judy mostrou um envelope com o emblema de Yale. Quinn sentiu o coração parar de palpitar por alguns segundos. Era como se sua mãe estivesse segurando o futuro dela em suas mãos.

— Anda Quinn, abre logo isso! — Santana reclamou

Quinn pegou o envelope, e o segurou entre suas mãos por algum tempo, enquanto tentava preparar-se para ler o que estava ali, independente do que fosse. Afastou-se de Santana e Judy, e ficando de costas para as duas, começou a abrir o envelope. Cuidadosamente, tirou o papel dobrado que ali se encontrava e começou a lê-lo.


YALE UNIVERSITY

"Dear Ms. Fabray,

Congratulations on your admission to Yale College. It gives me great pleasure to send you this letter, and you have every reason to feel proud of the work and aspirations that led you to this moment. I’m delighted, both for you and for the College, at the prospect that you will join us next fall. Welcome to Yale!"


— Eai Quinn?! O que diz?! — Santana perguntou, eufórica

Quinn virou-se, ainda com uma expressão de surpresa em seu rosto.

— Eu fui aceita!

Santana não conteve um grito de entusiasmo, enquanto Judy apenas levou as mãos, tampando a boca enquanto sentia as lágrimas de orgulho da filha, chegar-lhe aos olhos.

— Eu ainda não estou acreditando nisso — Quinn disse, enquanto era apertada por um abraço de Santana

— Mãe, pare de chorar! Nem eu estou chorando — Quinn dirigiu-se até Judy assim que se soltou de Santana

— Eu só… Estou orgulhosa demais — Judy a abraçou forte

— Eu juro que não quero ser estraga-prazeres, mas temos que estudar Quinn. Também estou muito feliz por você, mas ainda temos que passar no terceiro ano, lembra? — Santana disse, parando ao lado das duas

— Ela tem razão, mãe

— Claro, claro. Vão estudar…

Judy deu um beijo na bochecha de Quinn, então ela e Santana subiram para o quarto. No início, foi difícil demais para Quinn prestar atenção no estudo. A ficha ainda não tinha caído. Ela ainda não acreditava que realmente havia entrado em Yale. Era como um sonho virando realidade. Mas depois, percebeu que tinha que dar importância aos estudos e voltou a se empenhar em ajudar Santana no que ela precisava.

Enquanto isso, Rachel depois de ter ido pra casa, resolveu ir até a casa dos Hudmmel. Aquela história sobre Finn estar envolvido com Megan não lhe deixava a mente em paz. Assim que chegou, tocou a campainha e foi atendida por Kurt.

— Rachel? Não sabia que vinha aqui hoje.

— Oi Kurt. Na verdade, eu vim falar com Finn.

— Com Finn?

— É… Longa história, mas te atualizo assim que falar com ele.

— Está bem. Er… Acho que ele está no quarto, pode subir.

Rachel passou por Kurt e subiu as escadas de maneira imponente. Chegou até a porta de Finn e ouviu um barulho, provavelmente vindo da televisão. Pensou em bater, mas resolver ir entrando logo, e foi o que fez. Encontrou Finn sentado à sua poltrona ao lado da cama, jogando vídeo game.

— Rachel?! — Finn largou o controle sobre a cama e se levantou, espantado com a presença da morena ali

— A gente precisa conversar.

— Precisamos?

— Sim! E você vai me contar direitinho essa história de você e da Megan.

— Rachel, esquece isso, sério — Ele foi em sua direção com um sorriso nervoso no rosto

— Esquece?! Claro que não! Eu preciso saber de tudo, e você vai me contar! Como você pôde fazer isso comigo? Achei que fôssemos amigos!

— E nós somos, eu juro que desta vez foi sem querer. Eu não queria atrapalhar nada entre você e a Quinn. Aquela vez no campo, onde eu e ela fomos juntos ao jogo, foi armado mesmo. Eu confesso. Eu queria você, e achei que assim conseguiria. Mas depois de tanto a Megan tentar me manipular, eu percebi a besteira que estava fazendo!

— Finn, me conta a história toda — Ela parecia ficar impaciente

— Eu ouvi quando Kurt ligou para sua casa, procurando por você. Mas você não estava. Então ouvi ele falando com seus pais, e eu ouvi quando ele disse animado ao telefone, que não ia ligar para seu celular, para não atrapalhar sua noite com Quinn. Alguns minutos depois ela me ligou, perguntando como estavam as coisas porque tínhamos que fazer algo o mais rápido possível pra te tirar dela, mas eu disse que não queria mais. Foi então que ela disse que não precisava mais de mim, e iria fazer uma visita pra você em sua casa. Então, eu acabei falando de mais, e disse que você não estava em casa e pelo o que eu tinha ouvido, você passaria a noite da casa da Quinn. Ela nem me deixou falar mais nada e desligou o telefone. Eu tinha noção de que ela realmente ia aprontar alguma coisa. É por isso que eu tenho estado um pouco distante nesses últimos dias. Quando descobri que você e Quinn tinham terminado e vi você cabisbaixa pelos cantos, me senti culpado. Mas eu não podia fazer nada…

— Podia ter me contado!

— Não, não podia. A Megan é manipuladora demais Rachel. Ela é capaz de muita coisa que eu não imaginava quando a conheci. Fiquei com medo de ela armar alguma para mim também.

Finn sentou-se novamente, e levou as mãos ao rosto.

— Me desculpa, de verdade. Eu estou me sentindo muito culpado — Agora ele fitava a morena, em pé à sua frente — Se tiver qualquer coisa que eu possa fazer pra te ajudar com a Quinn, eu juro que faço.

Rachel soltou o ar de maneira forte, e sentou-se na cama dele.

— Não há nada a ser feito. Mesmo sabendo que a Megan armou para mim, Quinn não voltaria para mim. Não fácil assim. Ela está muito magoada. E com razão. Coloquei Megan entre a gente mais uma vez. Não há nada em que você possa me ajudar. Mas agradeço se ficar longe dela. O máximo possível.

— Eu prometo. E, me desculpa, mais uma vez.

— Tudo bem, Finn. Esquece isso…

— Posso… te dar um abraço?

Rachel apenas sorriu levemente e abraçou-o. Sabia que Finn não era má pessoa, parecia apenas estar perdido e acabou sendo manipulado por Megan. A morena se soltou dele e então saiu de seu quarto. Aproveitou que não viu Kurt e foi logo embora.

Tentou estudar quando chegou em casa, mas não conseguiu muita coisa. Sua mente, como sempre, estava em outro lugar.