New Girl

26 I'm not like her


Notas iniciais
Pra quem queria um pouco de drama, ai está :D Só não me matem caso não gostem, por favor hahaha Agitei um pouco o relacionamento dela, mas como vocês sabem, tudo dá certo no final rs Me desculpem por algum erro, não tive tempo de revisar nada D: Espero que curtam :D

QUINN’S POV

– Eu não estou acreditando nisso – Ela disse num tom descrente

Continuamos a observar os passos dos dois, que seguiram até o meio do campo ainda agarrados e pararam ao lado de Sam e Puck. Os quatro se cumprimentaram rapidamente e então os dois continuaram seu caminho até um dos bancos do outro lado do campo. Finn deixou sua bolsa sobre ele e num ato que me surpreendeu bastante, ele a beijou, e ela não recuou, apenas pareceu o segurar mais ainda.

– Isso é nojento — Eu disse, fazendo careta

Aquela visão era realmente abominável. Mesmo com a distância a que estávamos era possível ver que ele praticamente a engolia. Os braços em volta dela pareciam apertá-la mais do que deveriam.

– Me diz que eu não estou vendo o que acho que eu estou vendo – Rachel disse

Virei-me para ela e a vi com os lábios separados, os olhos vidrados e uma feição muito surpresa.

– Não Rachel, você realmente está vendo seu amiguinho Finn agarrando aquela que era sua amiga, a qual eu não gosto de pronunciar o nome.

Ela deu uma leve risada com meu comentário, mas logo voltou a fitá-los seriamente. Eles finalmente se separaram e então Finn foi para o meio do campo com os meninos e ela começou a andar em nossa direção, vindo para a arquibancada.

– Ótimo, ela está vindo para cá – Fui sarcástica

– E o que a gente faz agora? – Ela ficou nervosa – Podemos ir para outro lugar, talvez ela ainda não tenha nos visto

Rachel tentou se levantar, mas eu a segurei.

– Ei, é sério isso?

– Quinn, acho que tem mais de um mês que eu não falo com ela, desde que tudo aquilo aconteceu. Eu não sei o que falar pra ela.

– Você não tem que falar nada, ora. A errada foi ela, não você. Se ela vier falar alguma coisa, ai você pensa no que falar. Além disso, eu não creio que ela vai ter a cara de pau de vir falar conosco. Mas se vier, é até melhor, porque ficaremos sabemos que diabos foi aquilo que acabou de acontecer.

Mal terminei de falar e ela se aproximou, subindo os degraus e parando em pé à nossa frente.

– Oi meninas – Ela parecia sem graça

Eu tinha me enganado. Ela era sim cara de pau o suficiente para vir falar conosco.

– É muito atrevimento seu vir até aqui, sabia? – Não consegui segurar meu comentário

– Eu sei disso. E também sei que vocês têm todo o direito de não quererem me ouvir, mas eu peço, por favor, que me ouçam. – Ela disse, educada demais para o meu gosto

– Estamos ouvindo – Eu retruquei

– Me perdoem pelo o que eu fiz da última vez que nos vimos. Eu realmente me excedi. Perdoe-me Rachel, por ter agarrado você. Eu acho que confundi as coisas. Aquilo tudo que eu pensava sentir por você era apenas fantasia minha. Acho que você foi a única pessoa que realmente gostou de mim e esteve comigo durante aqueles anos, e eu acho que acabei confundindo admiração e amizade com paixão ou qualquer outra coisa que eu realmente achava sentir por você. Perdoe-me Quinn, por ter feito isso com sua namorada. Eu não tinha direito de interferir no relacionamento de vocês daquela maneira. Eu só queria que vocês me perdoassem. Odeio saber que existem pessoas que não gostam de mim ou não falam comigo por algum motivo. Principalmente vocês duas. Rachel, você é muito importante pra mim e ficar longe de você esse tempo me doeu muito mais do que eu imaginei que doeria. E você Quinn, é uma pessoa incrível só por conseguir fazer a Rachel feliz, porque eu tenho certeza de que ela está feliz. Qualquer um que vê vocês duas juntas percebe isso. E eu agora estou à procura da minha felicidade também.

– Com o Finn? – Eu estava usando sarcasmo hoje mais do que deveria

– O Finn é um caso a parte. Mas sim, ele está me ajudando com isso. Estou procurando gostar mais de mim mesma. E o Finn… O Finn é um cara incrível. Temos passado muito tempo juntos.

– Me desculpe perguntar, mas onde vocês se conheceram afinal?

– Naquele mesmo dia da festa. Quando eu saí de lá, ainda um pouco perturbada, ele estava saindo e me viu. Perguntou se eu estava bem e acabamos conversando bastante desde então. Acho que podemos dizer que somos grandes amigos. Uma amizade colorida – Ela deu uma leve risada

– Ai, que lindo — Sarcasmo novamente, então Rachel pela primeira vez se manifestou, me dando uma cotovelada

– Rachel, você não vai dizer nada? – Ela fitou Rachel, esperando alguma reação

– Olhe Megan, eu prefiro não me pronunciar agora, e deixar que o tempo diga se é melhor que voltemos a nos falar como antes ou não. – Suas palavras eram bastante sinceras, ao contrário das de Megan.

– Tudo bem, é um direito seu. Só peço que pense nisso, porque eu realmente sinto falta de você, da nossa amizade. Enfim, eu vou deixar vocês assistirem ao jogo.

Ela deu um meio sorriso e se virou, descendo os degraus e sentando-se no primeiro deles.

– Tá bom, o que foi isso? – Perguntei

– Isso o que?

– Você travou quase a conversa inteira!

– Eu fiquei meio… nervosa. Sei lá. Mas, o que você achou das coisas que ela disse?

– Tudo mentira – Fui direta

– Quinn!

– Só estou respondendo o que você me perguntou!

– Eu não acho que tenha sido tudo mentira. Não acho que ela viria até nós da maneira que veio e contaria um monte de besteiras.

– A gente fala sobre isso depois, está bem? O jogo vai começar e os meninos estão tentando chamar nossa atenção.

Percebi que ela não queria cortar o assunto, mas mesmo assim não me retrucou e virou para frente, fitando o campo. Não valia a pena entrar naquela discussão. Estava mais do que claro que Rachel pensava em perdoar a babaca da Megan. Nada do que ela havia dito tinha me convencido de que ela tinha mudado. Pessoas não mudam assim tão rapidamente. Ou mudam? Ai, seilá. Só não a quero e metendo no meu relacionamento outra vez. Mas, pensando por outro lado, é bom que ela e o Finn estejam juntos. São duas ameaças a menos de uma vez só.

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O final do jogo finalmente havia chegado. Confesso que eu não era fã de Baseball, e estava ali mais pela insistência dos dois. O time dos garotos do Mckinley ganhou com dois home-runs. Enquanto eles comemoravam ali mesmo, Puck nos chamou então descemos da arquibancada e fomos até eles.

– Nós vamos almoçar no Breadstix, é a nossa comemoração de sempre. Querem ir?

Olhei para Rachel e ela não fez nenhuma objeção.

– Claro, porque não? – Eu respondi

– Aqui, podem ir para o carro – Ele me entregou as chaves – Vou só chamar o Sam e confirmar com o Finn se ele vai mesmo e já encontro vocês lá.

Pronto. Agora o casalzinho ia ficar nos seguindo para os lugares?!

– Você devia aprender a disfarçar mais quando não gosta de alguma coisa ou de alguém, sabia? – Rachel comentou, passando um dos braços em minha cintura enquanto seguíamos para o carro

– Disfarçar? Disfarçar o que? – Me fiz de desentendida para que o assunto não voltasse, e assim evitando uma possível discussão.

– Está mais do que na cara que você não gostou de Puck ter falado que Finn vai com a gente. E eu sei que o motivo na verdade, não é o Finn, e sim a Megan.

– O que quer que eu diga Rachel? – Paramos ao lado do carro – A garota faz com a gente o que fez, some do mapa por quase mais de um mês e agora volta dizendo que é uma nova pessoa, e pedindo perdão?! Quer coisa mais forçada que isso?

– Você só não acredita nela porque desde o início de tudo você já não gostava dela – Ela recostou as costas sobre o carro

– Eu não gostei dela desde o início, pois eu sabia que ela iria aprontar algum dia. E olha só, eu estava certa. Além disso, eu não acredito que ela tenha mudado assim, está bem? Ninguém muda assim tão rápido.

– Ah, não? E a sua mudança? Porque pelo o que eu me lembro bem, você mesma mudou comigo várias vezes lembra? Mudou de uma pessoa super gentil para uma Cheerio metida e mesquinha, e depois percebeu a besteira que tinha feito e voltou a ser aquela Quinn de antes. E se o mesmo aconteceu com ela? Ela percebeu a burrada que vez e agora está tentando consertar.

Cerrei meus olhos enquanto sentia aquela onda de raiva subir pelo meu corpo. Aquilo era inacreditável. Ela estava usando as coisas que aconteceram entre nós como desculpas para essa garota!

– Eu não acredito que você está mesmo me comparando com essa garota! – Aumentei meu tom, ficando conseqüentemente mais rude.

– E eu não acredito que você se recusa a dar a ela uma segunda chance! – Ela deu dois passos em minha direção, literalmente vindo para cima de mim como se me atacasse – Já imaginou se eu não tivesse te dado uma segunda chance? Nós não estaríamos aqui agora e não teríamos tido os momentos que tivemos juntas. Da mesma maneira que eu perdoei você e aceitei que você tinha mudado, eu também posso perdoá-la!

– Para de me comparar com ela! – Desta vez eu tinha realmente me excedido – Eu não sou a Megan. Eu não sou como a Megan. E se você quer tanto alguém como ela, porque não vai lá ficar com ela?! Aposto que ela larga o idiota do Finn a qualquer minuto pra ficar com você!

Desta vez eu a tinha deixado sem palavras.

– Ei, o que é isso aqui?! – Sam chegou, se colocando entre nós duas.

Eu já sentia minha respiração forte, meu corpo quente levado pelo calor da discussão. Eu ainda não tinha convencido a mim mesma de que, novamente, ela estava discutindo comigo por causa daquela vadia que ela realmente acha que merece uma segunda chance.

– Nada. Não é nada – Ela respondeu, se afastando um pouco

– Ah ta. Pensei ter ouvindo as duas discutindo. Ainda bem que eu estava errado. – Sam tinha soado que nem meu pai há uns tempos atrás quando eu e minha irmã discutíamos por coisas bobas.

– Andem, entrem no carro – Puck disse, abrindo a porta do mesmo – Finn vai logo atrás da gente.

– Não vou com vocês – Eu disse, decisiva – Perdi a fome

Rachel que antes estava de cabeça baixa, agora me fitava.

– Quinn, quer parar com isso? – Sam segurou meu braço, mas eu rapidamente me desvencilhei dele

– Eu não vou, já disse – Meus olhos se encontraram com os de Rachel, e ela parecia surpresa com minha reação – Bom almoço pra vocês.

Virei-me e segui meu solitário caminho até a casa de Santana. Talvez ter saído de lá daquela maneira tão tinha sido a melhor decisão a se tomar, mas aquilo tinha me ferido de verdade. Se tem uma coisa que eu odeio é ser comparada, ainda mais quando a comparação é feita com alguém do tipo de Megan. Um lado meu se arrependia profundamente por ter deixado a pessoa que eu mais amo daquela maneira, mas por outro, eu não agüentava mais me calar quando o assunto era Megan. Não agüentar mais fingir que gostava dela ou pelo menos dizer que a aturava só para agradar à Rachel. E ainda mais depois das coisas que ela disso. Aquilo tinha sido a gota d’água.

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FINN’S POV

– Dá pra você tirar esse sorriso arrogante do rosto, por favor? – Eu pedi a Megan, enquanto dirigia atrás de Puck

– Porque eu faria isso? Mal começamos o plano e tudo já está dando certo. Ouviu aquelas duas discutindo?! E ainda por minha causa! – Ela dizia em tom vitorioso

– E tinha como não ouvir? Elas já estavam praticamente gritando uma com a outra

– Isso é maravilhoso! Maravilhoso! – Mais uma risada um tanto maléfica vinda por parte dela

– Não me sinto muito bem fazendo isso…

– Que foi?! Vai dar para trás agora?! Achei que quisesse a Rachel!

– Eu quero. Eu ainda gosto muito dela. Mas não sei se fazer as coisas dessa maneira é o melhor caminho.

– Para de ser lerdo e confia em mim. Vai dar tudo certo.

Eu não conseguia. Era impossível para mim confiar completamente na Megan. Ela havia me prometido que o único interesse dela nessa história era separar as duas por causa da “humilhação” que ela passou naquele dia. Mas eu não me sentia totalmente convencido disso.

– Ah, e só um aviso – Ela disse – Nunca mais me beije daquela maneira, ouviu?! Eu disse que tínhamos quer fazê-las acreditar que estávamos saindo, não pra você quase me engolir quando elas estiverem olhando. Me ouviu bem?!

Eu apenas assenti.

– Outra coisa – Ela continuou – Pelo o que ouvimos a loira aguada não vai ao Breadstix, então é a minha chance de me começar com a minha reaproximação da Rachel. Eu vou tentar puxar alguns assuntos, mas infelizmente creio que ela não vai me dar muita bola. Pelo menos não hoje. Então você aproveita e conversa com ela sobre a briga. Ela tem que continuar achando que você ainda é o amigo dela de antes.

– Mas eu ainda sou, ora. Eu ainda me importo com a Rachel. Me importo muito.

– Não estou nem aí pra isso. Faz o que eu falei e pronto.

Ouvi o barulho de meu celular tocando em cima do painel do carro.

– Alô? – Eu disse assim que o atendi

– Fala Finn, é o Puck. Olha, pode ir lá para o restaurante. Eu vou ir apenas a um lugar, e já encontro com vocês lá.

– Está bem.

Desliguei e o celular e continuei dirigindo, até que finalmente chegamos ao Breadstix. Eu não agüentava mais ouvir aquelas risadas nem ver aquele sorriso presunçoso de Megan toda vez que eu virava meu rosto para o espelho retrovisor. Estacionei o carro e então entramos, logo pegando uma mesa. Poucos minutos depois alguns outros caras do time chegaram, e se juntaram a nós. Enquanto eu conversava com eles, Megan não fazia esforço algum para se entrosar. Ficava mexendo no celular, ou olhando por nada… Ou até mesmo preferia mexer nas unhas a conversar com a gente. Passados mais alguns minutos, Sam e Puck chegaram, e para minha surpresa, Rachel não estava com eles.

– Desculpem a demora. Fomos deixar Rachel em casa – Puck falou, se sentando a minha frente

– É, ela não estava em clima de comemoração. Também, depois daquela discussão toda, nem eu estaria. – Sam comentou, também se sentando

Senti o olhar fulminante de Megan sobre mim, como se o fato de ela não ter vindo fosse minha culpa. Eu já sabia que teria que ligar para Rachel mais tarde.

FINN’S POV OFF

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QUINN’S POV

Cheguei à casa de Santana ainda com os mesmos sentimentos no peito e os mesmos pensamentos martelando minha mente. Eu até poderia ir para casa, mas lá minha mãe me encheria de perguntas e acho que Santana me entenderia melhor nesse caso. Toquei a campainha, ainda um pouco reciosa, com medo de estar incomodando ou algo do tipo. E talvez as meninas ainda não tivessem ido embora, e eu mesmo gostando muito delas, eu não me sentiria confortável da mesma maneira que me sentiria apenas com Santana.

Santana abriu a porta, parecendo um pouco surpresa por me ver de início mais logo sua feição mudou, ficando raivosa como uma fera vinda dos confins de Lima Heights.

– Qual o seu problema, Fabray?! Foi embora sem falar comigo e ainda levou a Berry! Eu não acredito que você fez isso!

– Me perdoe, Sant. Os meninos apareceram aqui, quase implorando para que fôssemos com eles a um jogo de Baseball. Maldita hora que eu fui aceitar. – Levei uma de minhas mãos até a testa

– Ih, o que houve lá?

– Está com tempo?

– Você acha mesmo que algum dia eu não terei tempo pra você, Q? Entre ai. Aproveite que minha mãe não está em casa, podemos conversar mais a vontade. Ela foi sair e aproveitou para deixar as meninas em suas respectivas casas.

Entrei em sua casa e então nos sentamos ao sofá.

– Deixe-me adivinhar. Pelo seu tom de voz amargurado, ou você finalmente descobriu seu lado homossexual e está com medo de se assumir ou brigou com a Berry. Como a primeira coisa já aconteceu há um tempo, fico com a segundo opção.

Dei uma risada involuntária.

– Está tão na cara assim? – Voltei à minha feição mais triste

– Com certeza. O que houve?

– Megan – Virei os olhos – Como sempre

– Tá brincando que aquela garota voltou?!

– Queria eu estar brincando. Ela voltou, e ainda conseguiu fazer com que Rachel e eu brigássemos.

– Conte-me tudo! Detalhadamente!

– Ela ficou lá me comparando com a Megan e dizendo o quanto ela merecia uma segunda chance, que as pessoas mudas e etc. – Bufei

– Ei, calma. Foi só uma discussão. Depois vocês voltam a ficar bem, aposto contigo.

– Não sei não. Ela não fez nada! Quando eu disse que não ia junto com eles, ela nem se pronunciou, não veio atrás de mim. Simplesmente me deixou ir embora.

– Ela fez o certo, oras. Você estava de cabeça quente. Teria ouvindo-a se ela tivesse atrás de você?

Droga. Santana tinha razão.

– O que acha que eu devo fazer?

– Acho que deve ficar na sua. Espere ela vir falar com você. Vocês se amam, não vai demorar pra isso acontecer. Enquanto isso, tente se acalmar, e pense sobre isso de maneira tranqüila. Pra quando vocês tiverem que conversar, você consiga argumentar com ela.

– Obrigado Sant – A abracei forte e a sentir sorrir contra meus cabelos

– Vá pra casa. Espaireça um pouco. Qualquer coisa, pode me ligar.

– Tudo bem. Obrigada mais uma vez.

Ela me levou até a porta, eu a abracei mais uma vez e segui meu caminho até em casa.

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A noite já havia caído e eu não tinha saído da minha cama desde que tinha chegado em casa. Eu estava praticamente ali como um peso de papel sem utilidade.

– Quinn, porque você não sai do quarto um pouco? – Ouvi a voz de minha mãe através da porta

– Estou bem aqui, mãe.

– Claro que não está. Pelo menos, deixe-me entrar para conversar.

Eu tinha conseguido evitar minha mãe. Quando cheguei, ela não estava em casa e quando ela finalmente chegou, eu fingi estar dormindo. Mas eu sei que não conseguiria fugir pra sempre. Uni as mínimas forças que ainda restavam em mim e me levantei, destrancando a porta.

– Filha, o que houve? – Ela logo disse, entrando no quarto enquanto eu voltava para minha cama

– Nada mãe, esquece isso.

– Esquecer? Como? Você está arrasada, até abatida eu diria. Ficou ai desde que eu voltei, e tenho que impressão que já estava até mesmo antes de eu chegar.

– Não fique chateada, mas não quero falar sobre isso. Pelo menos, não agora.

– Está bem. Respeito seu tempo. Mas, eu fiz o jantar. Não quer descer e comer um pouco?

– Não, obrigada. Comi uma fruta antes de você chegar.

– Tem certeza?

– Sim, mãe – Deixei o peso de meu corpo me fazer cair sobre a cama novamente

– Me responde só uma coisa?

– Sim.

– Essa tristeza toda tem a ver com a Rachel?

– O que acha? Eu teria algum outro motivo pra ficar assim?

– Não sei bem o que aconteceu, mas se vocês brigaram, dê tempo ao tempo e tudo vai se ajeitar

Refleti um pouco sobre a frase. “Dê tempo ao tempo”. E quantas vezes eu já deixei que o tempo resolvesse as coisas? E quantas vezes isso não funcionou? Acho que sempre. O silêncio do meu quarto foi quebrado com o som do toque de meu celular. Estiquei-me o peguei, reconhecendo o número de Puck. Desculpe Noah, eu te adoro, mas não estou a fim de falar com você agora. Rejeitei a ligação e voltei para minha posição inicial. Nem um minuto havia passado e meu celular já tocava novamente. O peguei e pela segunda vez, ali estava o número de Puck. Rejeitei mais uma vez e em segundos ele tocou de novo.

– O que foi, Puck? – Resolvi atender, já um pouco irritada

– Como você ta?

– Como você acha?

– Imaginei. Vamos mudar isso então. Você vai sair comigo. Tem uma casa noturna inaugurando hoje do outro lado da cidade, e a gente vai.

– Não, obrigada.

– Qual foi Quinn… Muda esse astral um pouco, vai.

– Como quer que eu mude meu astral depois de ter brigado com minha namorada daquela maneira?

– Veja isso como uma chance de reverter as coisas. Eu sei que vocês só não se acertaram ainda, porque nenhuma das duas procurou a outra por puro orgulho. Estão nessa de “vou deixar ela vir falar comigo”. A Rachel vai estar lá, é uma oportunidade pra vocês conversarem.

– A Rachel? Numa casa noturna? – Piada?

Eu sei que Rachel curtia algumas festas entre amigos, mas boates? Muito estranho.

– Sim. Finn me confirmou que ela vai.

Finn confirmou? Aí tem. E eu já sei exatamente o que tem aí. Megan. É claro! Oportunidade perfeita pra ela se aproximar de Rachel. Mas eu não vou deixar que ela tire Rachel de mim fácil assim. Não mesmo.

– Me pegue daqui à meia hora – Eu disse e logo desliguei o telefone.

Corri para o banheiro e entrei debaixo da água gelada, deixando que ela batesse no topo de minha cabeça. Eu ainda não me sentia preparada para falar com Rachel sobre a discussão, até porque algo me dizia que ela ainda estaria à favor de Megan. Mas eu sentia falta da minha baixinha. Isso eu não podia negar. E mais ainda do que a distância, o que doía era saber que ela talvez estivesse brava comigo.

Terminei meu banho e rapidamente me arrumei. Vestido preto básico, maquiagem bem leve. Peguei uma pequena bolsa e saí de meu quarto, indo diretamente para a escada. Assim que as desci, encontrei minha mãe sentada no sofá da sala, falando ao telefone. Quando ela me viu, pediu licença à pessoa do outro lado da linha e tirou o telefone do ouvido.

– Achei que não quisesse sair do quarto…

– Tenho que resolver uma coisa.

– Arruma e bonita desse jeito? Espero que esteja indo se reconciliar com sua namorada.

– É… Mais ou menos isso – Eu sorri sem jeito – Tchau mãe

Ela apenas sorriu pra mim e então eu saí e fiquei do lado de fora a esperar por Puck. Em poucos minutos o carro dele parou em minha calçada, mas quem dirigia era Sam.

– Hey Fabray, entra ai.

Dei a volta no carro e entrei no banco do carona, dando-lhe um leve beijo no rosto assim que entrei.

– Está linda.

– Obrigada. Cadê Puck?

– Foi com o Finn, então me ofereci pra vir buscar você e ele me emprestou o carro.

– Ah sim

– Vamos?

– Claro.

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Depois de vinte minutos dentro do carro ouvindo Sam cantando cada música que tocava naquele rádio, finalmente chegamos ao tal lugar. De longe já se ouvia a música, mesmo que de maneira abafada. Muitas pessoas estavam na porta do lugar, fazendo fila. Sam estacionou na rua ao lado e então seguimos até a porta a pé. Passamos a frente de todos na fila, o que causou certa agitação por parte deles, mas assim que chegamos à porta, Sam entregou dois convites, que pelo o que pude perceber, eram da área vip do local. O segurança examinou os convites e logo liberou nosso acesso.

Assim que entramos, meu olhar começou a rondar o lugar, à procura de Rachel, mas principalmente, à procura de Megan. Eu sabia que ela não desperdiçaria essa chance de se aproximar de Rachel novamente. Sam pediu que eu o seguisse, então fomos até o segundo andar, que não era tão grande como o primeiro e nos dava uma boa visão do que acontecia lá em baixo. Andamos por ali e logo encontramos com Puck.

– Que bom que veio – Ele disse, me abraçando – Venham, eles estão ali

O seguimos até uma mesa de canto, e logo vi Rachel. Mas preferia não ter visto. Ela estava sentada exatamente entre Finn e Megan. Os dois estavam um pouco inclinados sobre ela, e falavam sobre alguma coisa. Mas eu tive a impressão de que ela estava se sentindo sufocada ali.

– Eles chegaram – Puck disse quando paramos à frente da mesa

Vi Rachel mudar de feição assim que me viu. Estava surpresa, e ao mesmo tempo me analisava.

– Que bom que vieram! – Megan se levantou, “animada”. Nada do que aquela garota fazia me convencia.

– Fiquem ai meninas, vamos pegar algumas bebidas.

Finn se levantou e seguiu os meninos. Megan se sentou novamente, e eu fiz o mesmo, mas mantendo certa distância de Rachel, que estava entre nós.

– Eu não sabia que você viria – Ouvi a voz de Rachel e quando me virei, ela tinha a cabeça abaixada, enquanto seus dedos brincavam entre si.

– Puck insistiu.

Ela nada respondeu. A música que antes tocava tinha acabado, e outra mais animada havia começado.

– Vem Rachel, vamos dançar! – Megan disse, se levantando e tentando puxar Rachel pelo pulso

– Eu não sou muito de dançar não Meg…

– Por favor, só um pouco!

– Depois eu vou, está bem? – Ela respondeu, sem dar muita importância

Megan bebeu o resto de bebida que havia em seu copo de uma vez só, e diferente do que eu pensava, se levantou e desceu para a pista lotada.

Eu continuava naquela situação um tanto quanto incomum. Eu e Rachel, sentadas no mesmo banco, afastadas uma da outra e sem ao mínimo trocar uma palavra.

– Fico feliz que tenha vindo – Ela disse, pela primeira vez me fitando

– É. Eu também fiquei feliz de vir… Eu acho.

– Quinn… – Ela usou aquele tom de voz doce que me encantava sempre que ela dizia meu nome – Eu senti sua falta hoje, o dia inteiro.

Eu não sabia o que responder, então optei por continuar calada, olhando-a.

– Será que a gente pode conversar agora?

– Rachel, não me entenda mal, mas não creio que aqui seja o melhor lugar pra isso. A música está alta, eu mal te ouço. Além disso, estamos acompanhadas dos nossos amigos. Não acho justo importuná-los com nossos problemas – Percebi sua feição decepcionada – Mas sim, eu acho que devemos conversar.

Vi um leve sorriso brotar em seu rosto.

– Posso te pedir uma coisa? – Ela perguntou

– Claro.

– Me abraça?

Estranhei o pedido de início, mas eu não recusaria. Apenas sorri, me aproximei dela e a envolvi com meus braços. Senti quando ela me apertou forte, e seu rosto se aproximou de meu pescoço de um jeito que me arrepiou da cabeça aos pés.

Nos separamos lentamente. Senti suas mãos deslizarem por meus braços e pararem sobre as minhas mãos. Ela voltou a se aproximar, parando a centímetros de mim. Senti os batimentos acelerarem e o corpo tremer. Ela fechou os olhos, eu deveria ter feito o mesmo talvez, mas eu não podia. Não antes de realmente conversarmos. O que tinha acontecido tinha sido grave, e tinha realmente me magoado. Por mais que eu amasse, beijá-la ali seria esquecer de maneira muito fácil tudo que tinha acontecido.

– Acho que vou ver onde os meninos estão – Eu disse, lutando contra mim, e me levantei rapidamente, deixando-a ali.

Achei os três recostados sobre o pequeno bar, cada um com um copo na mão.

– Estou vendo que iam levar as bebidas pra nós… – impliquei

– Não resistimos, foi mal – Sam disse

– Cadê Rachel e Megan? – Finn perguntou

– Rachel está na mesa, e a Megan desceu.

– A Rachel não está na mesa não – Sam disse, apoiado sobre uma grade que dava visão do andar de baixo

Parei ao lado dele e vi que ela realmente já tinha descido. Estava apenas balançando o corpo enquanto Megan dançava a sua frente.

– Sabe que ela quer sua garota, não é? – Ele disse

– Sei. Pior que sei.

– E porque está aqui ao invés de estar lá?

– Estamos brigadas, se lembra?

– Nada que um bom beijo não resolva. Anda, desce lá e beija ela.

Olhei pra ele e ele assentiu pra mim. Ele tinha razão. E como tinha razão. Sorri pra ele e saí dali, descendo o mais rápido possível. Uni toda a vontade que eu tinha sentido de fazer aquilo desde que brigamos e fui passando entre as pessoas, até chegar onde elas estavam.

RACHEL’S POV

Nora mental: Nunca mais sair com pessoas que bebam, a menos que eu beba também. Quando eu desci para encontrá-la, Megan já devia ter bebido muito nesse meio tempo. Já estava chata, grudenta demais, se agarrando em mim o tempo todo.

– Megan, se controla um pouco? – A afastei com as mãos

– Porque Rachel? Até parece que você não gosta quando eu estou perto de você assim – Ela se insinuava, se aproximando mais

– Tem noção do que você ta falando? Só pode estar completamente bêbada. Porque não vai pra casa hein?

– Porque não – Sua voz estava um pouco enrolada – Não saio daqui sem antes conseguir o que eu quero.

– E o que você quer, afinal?!

– Você!

Ela veio pra cima de mim, me segurando pelos braços. Eu tentava empurrá-la, mas era em vão. Ela segurava meus braços de maneira muito forte, e eles com certeza ficariam vermelhos por causa disso.

– Megan, saí! – Eu disse alto, ainda tentando me esquivar dela

– Por favor Rachel…

– Por favor o que?! Eu tenho namorada lembra?!

– Ah, ela lembra sim – Mesmo com o som alto da música, ouvimos uma voz diferente da nossa. Uma voz que eu conhecia bem – E se ela não lembra, vai lembrar disso agora!

Viramos nossos rostos e vimos Quinn parada ao nosso lado, com uma cara fechada, e as mãos na cintura.