New Galaxy
19 Under imminent attack- PARTE 2
Carly voltou para dentro da enfermaria encostando-se na parede ao lado de Bellamy. Os olhos dele permaneciam fechados enquanto sangue escorria pelo seu nariz. Parecia que ele ia morrer rapidamente. Carly sentiu um aperto no seu coração. Não era assim que ela se imaginava a morrer e tinha a certeza que também não era assim que Bellamy queria morrer. Ela começou a pensar se Bellamy já amara verdadeiramente alguém. E lembrou-se da rapariga que Ben falara: Kailah. Carly percebeu que talvez nunca percebesse qual era a razão que tinha afastado Bellamy e Jake. E qual a relação dessa rapariga com eles.
— No que estás a pensar?- perguntou Bellamy abrindo os olhos.
— Posso perguntar-te algo?- retrucou Carly.
— Pode ser a tua última pergunta portanto faz valer a pena.- gozou Bellamy.
— Quem é a Kailah?- perguntou ela finalmente tirando um peso de cima.
Bellamy suspirou.
— Tudo começou no exército.- começou Bellamy.- O Jake e eu juntamente com o Drew, o Ben e o Eric erámos do mesmo esquadrão e eramos inseparáveis como se fossemos irmãos. Um dia, esta rapariga entrou no refeitório.
— Kailah.- percebeu Carly.
Bellamy assentiu e continuou a história:
— Ela era linda e eu e o Jake ficamos logo interessados em conquistá-la. Mas não foi isso que nos separou. Ambos nos apaixonamos por ela e pela sua personalidade vulnerável. E ela dizia que nos amava aos dois. Depois de um tempo nós dissemos que ela teria de fazer a sua escolha e que não iria haver ressentimento da parte daquele que não fosse escolhido. Ela disse que precisava de um tempo.
Bellamy fez uma pausa e respirou fundo.
— No dia seguinte ela foi encontrada morta.- concluiu ele.- Tinha-se enforcado durante a noite e deixado uma carta dizendo que não poderia escolher entre o meu amor e o de Jake. Ela chegou a um estado psicológico em que ela achava que não tinha escolha senão a que estava perante ela. E nós pressionamo-la e não percebemos que ela não estava bem.
— Não foi culpa vossa.- afirmou Carly chocada com o desenlace daquela história.
— Eu sei disso agora mas na altura eu culpei o Jake e ele culpou-me a mim.- explicou Bellamy.
— E é por isso que vocês não se falam.- percebeu ela.
Bellamy assentiu.
— Obrigado por me contares.- agradeceu ela.
Bellamy deu um sorriso triste e levantou-se com dificuldade indo beber água e deixando Carly a pensar.
Anthony atirou mais um corpo para a pilha. A contagem tinha subido para seis mortos e parecia que não iria melhorar. O seu abdómen doeu quando ele fez um esforço para mover um corpo e ele queixou-se. Ao seu lado estava Mary juntamente com Francis e outros e ela olhou para ele e perguntou:
— Estás bem?
— Isto não é nada.- respondeu Anthony seco.
— Eu preocupo-me contigo.- disse Mary tocando no ombro de Anthony.
— Devias preocupar-te em perceberes o que queres.- comentou Anthony afastando a mão de Mary de si e indo embora daquele lugar.
Constance corria o mais rápido que podia devido ao ferimento que tinha na perna. Tinha sido apanhada por uma armadilha e tinha demorado várias horas a sair de lá e agora já estava a anoitecer. Por onde corria deixava um trajeto de sangue devido às marcas que a armadilha tinha deixado mas ela só podia pensar no facto de ser a última salvação do acampamento.
Carly estava encostada ao armário dos medicamentos do lado oposto ao de Bellamy. Várias horas tinham passado e ela começara a perder as esperanças de sobreviver àquilo. Os seus olhos pesavam cada vez mais e ela já começara a alucinar com a sua família. Tinha a cara coberta de sangue devido aos sangramentos constantes. Ela olhou para Bellamy ao seu lado que parecia vidrado em algo que realmente não estava lá.
— Concentra-te.- ordenou Carly percebendo que Bellamy estava a ter uma alucinação.
Bellamy não lhe respondeu.
— Bellamy!- gritou Carly puxando Bellamy da sua alucinação.- Fica comigo.
— Estou bem.- disse Bellamy coçando os olhos.
— Se alguém consegue sobreviver a isto és tu.- afirmou ela.
— E tu.- retrucou Bellamy virando-se para olhar para Carly.
Ela negou com a cabeça e Bellamy pode ver na sua cara o quão cansada de lutar contra a doença estava ela. Ele agarrou a mão dela apertando-a para lhe dizer que ele estaria ali para ela. Carly deixou escorrer uma lágrima e confessou:
— Eu não estou pronta para morrer.
— Tu não vais morrer.- afirmou Bellamy com convicção.
Carly não respondeu encostando-se apenas ao seu armário e continuando a segurar a mão de Bellamy. Ela fechou os olhos e Bellamy decidiu que falar com ela era a melhor forma de a manter viva.
— Aposto que há um milhão de pessoas com quem preferias estar neste momento.- comentou ele.
— Não exatamente.- confessou ela.
— Há os teus pais, os teus amigos e é claro que o Jake.- continuou Bellamy.
Carly não lhe respondeu. Ele olhou para ela e percebeu que ela tinha os olhos fechados e que o seu corpo parecia estar em paz. Bellamy ficou com lágrimas nos olhos instantaneamente. Ela não podia morrer.
— Carly!- chamou ele.- Carly luta…
Ela não respondeu e Bellamy teve de conter as lágrimas.
— Carly luta, por favor.- pediu ele.
Um aperto leve na sua mão fê-lo perceber que ela o tinha ouvido. E que ela iria lutar com tudo o que tinha. Só esperava que a cura não demorasse muito.
Ruth continuava deitada com Jack. Ela não se tinha mexido um centímetro desde que o tinha coberto com o seu corpo. Jack tinha um semblante pacífico e Ruth checava a sua pulsação a cada minuto que passava só para ter a certeza que ele ainda estava vivo.
— Ruth…- sussurrou ele.
— Estou aqui.- disse ela.
— Desculpa.- pediu ele.
— Porquê?- perguntou ela começando a chorar porque percebia onde ele estava a tentar ir com aquela conversa.
— Porque não te ter dito que te amava quando tive a oportunidade.- confessou ele.
Ela não soube o que responder. Jack acabara de confessar os seus sentimentos por ela. Mas ele iria morrer. E ela estava com Max. Lágrimas começaram a escorrer pelas bochechas dela e ela começara a soluçar.
— Eu não te queria deixar triste.- comentou Jack.- Só queria que tu soubesses.
Ruth beijou Jack impulsivamente. Foi um beijo curto mas cheio de sentimento como nenhum outro já dado por ambos.
— Obrigado.- agradeceu ele.
Ruth deitou-se no seu peito e soluçou pedindo que, se existisse um Deus, que não deixasse Jack morrer. Ela disse que se Ele o deixasse viver que ela iria manter-se afastada dele e iria manter-se fiel a Max mesmo que tivesse sentimentos por Jack. Que iria deixar Jack viver a melhor vida possível. E ela esperava que o seu próprio sofrimento valesse a vida de Jack.
Drew deu a injeção que Carly lhe tinha dado para dar a Patricia quando ela começasse a alucinar. Ela ficou finalmente sossegada e Drew sentou-se na cama dela puxando-a para si e mexendo nos seus cabelos encharcados de suor. Ele puxou então de uma faca que trazia sempre consigo. Ele colocou-a em posição para matar Patricia sem que ela sentisse qualquer dor, da forma como ela tinha pedido mas não foi capaz de o fazer colocando-a na cama, ao seu lado.
— Chegou a altura.- sussurrou Patricia parecendo o mais sã possível.
— Não consigo.- confessou Drew.
— Por favor.- pediu ela.
Ele voltou a agarrar a faca e meteu-a em posição. Lágrimas começaram a escorrer da sua cara. Quem diria que ele viria a importar-se tanto com aquela rapariga. Drew prometeu a si mesmo que nunca mais se iria deixar chegar àquele ponto com outra rapariga. Não suportaria a dor. Ele rearranjou a faca na sua posição mas as suas mãos começaram a tremer e ele teve de as manter firmes.
— Onde quer que vás, eu irei encontrar-te.- sussurrou ele.
Ele estava prestes a dar o golpe que iria acabar com o sofrimento de Patricia quando Eric entrou a correr na tenda.
— Temos a cura.- contou Eric atirando uma seringa com algo lá dentro para Drew.
Drew não demorou e espetou a seringa no pescoço de Patricia que arfou buscando ar.
— O que se passou?- perguntou ela buscando por ar.
Drew sorriu de verdadeira felicidade e Eric acompanhou-o.
Jake derrubou a porta da enfermaria e viu logo Carly e Bellamy. Ele entrou juntamente com Constance. Constance foi na frente e iria dar a sua cura a Bellamy só que este disse:
— Ela primeiro.
Constance espetou a seringa no pescoço de Carly que buscou por ar bruscamente enquanto Jake espetou a sua na perna de Bellamy que se sentiu logo a melhorar. Em seguida, Jake correu até Carly beijando-a profundamente. Constance abraçou o seu amigo, Bellamy e este perguntou:
— O que é isso na tua perna?
— Ossos do ofício.- respondeu Constance sorrindo por ter conseguido salvar toda a gente.
Bellamy sorriu também e puxou Constance para que pudessem tratar da sua perna.
Max entrou na tenda de Jack e viu Ruth deitada em cima dele chorando. Max tentou ignorar aquela cena, afinal de contas estava ali para salvar o seu amigo independentemente da relação que ele tinha com a sua namorada. Ele desviou Ruth do seu caminho e espetou a seringa no pescoço de Jack que teve exatamente a mesma reação que os outros. Ruth abraçou-o, feliz por ele ter sobrevivido e ignorando a presença de Max naquela tenda.
Já era tarde e Carly limpava o restante da enfermaria. Jake tinha ido com Francis queimar os corpos na floresta e ela tinha dito aos seus amigos que tivessem uma boa noite de sono enquanto ela acabava de arrumar as coisas por ali. Ela terminou de limpar o chão e quando se levantou viu Bellamy entrar na enfermaria.
— Como te sentes?- perguntou ela.
— Muito melhor agora.- respondeu Bellamy.
— Obrigado por me puxares de volta.- agradeceu Carly.
— Eu fiz isso por mim também. Não seria o mesmo por aqui sem ti.- confessou Bellamy.
Carly sorriu genuinamente para ele. Ela estava feliz por estar ali com ele.
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