New Galaxy
20 Prisioner
Mais um dia chegou e Carly agradeceu por estar viva. Ao seu lado, Jake dormia profundamente. Carly beijou as suas costas nuas até que ele finalmente acordou beijando-a na boca.
— Bom dia, linda.- disse ele.
— Bom dia.- respondeu ela sorrindo.
— Quais sãos os nossos planos para hoje?- perguntou ele.
— Temos de colocar em prática o teu plano.- respondeu ela trocando a sua t-shirt preta por um crop-top verde escuro.
— Novas roupas?- reparou Jake.
— Algumas raparigas no acampamento tem jeito para estas coisas.- informou Carly.
Eles foram juntos até à enfermaria encontrando-se com Jack na entrada. Lá dentro já estavam Bellamy, Drew, Eric, Constance e Jessica tal como Carly tinha pedido na noite anterior.
— Porque é que nos chamaram?- perguntou Eric curioso.
— Temos de fazer algo sobre este povo.- comentou Carly.
— Concordo.- comentou Jessica.
— O que sugerem?- perguntou Drew.
— Eu tenho um plano.- informou Jake.- Nós vamos usar a Constance e a ligação que ela tem com o terrestre para os atrairmos até nós.
— Isso é seguro?- perguntou Jack preocupado.
— Teremos maiores chances de sucesso se tivermos a situação sob controlo.- interveio Bellamy.
— Digam-me o que tenho de fazer.- disse Constance que até agora se tinha mantido calada.
Jake começou a explicar o plano bem como o papel de toda a gente. Não podiam falhar.
Patricia preparava a sala do andar superior da enfermaria para quando o terrestre fosse capturado. Ela estava a ser ajudada por Mary, Ruth e Anthony a desviar uma das muitas coisas eletrónicas que tinham deixado de funcionar quando a nave caiu na terra. Isso parecia ter sido há séculos atrás. Patricia viu quando Drew subiu para ajudar a levar as coisas pesadas para fora da nave deixando aquele lugar como uma sala de tortura. Eles não tinham falado depois de Drew ter injetado a cura em Patricia e ela não sabia em que pé a sua “relação” estava. Drew parecia realmente importar-se com ela no dia anterior mas voltara ao seu “eu” normal de agir como um idiota. Ela decidiu segui-lo até ao arsenal onde as armas estavam guardadas e viu quando ele colocou as balas dentro da sua arma preparando-se.
— Parece que vai ser uma verdadeira batalha.- comentou ela fazendo-o reparar na sua presença.
— Não duvido disso.- respondeu ele seco.
— Tem cuidado.- pediu ela.
Drew só deu um sorriso fechado e Patricia viu como a sua deixa de sair dali e deixá-lo em paz. “Onde quer que tu vás eu irei encontrar-te” dissera ele.
— Tira as tuas mãos.- reclamou Carly dando uma palmada nas mãos de Bellamy.
Ela tinha uma flecha na mão que continha um medicamento que conseguiria deitar um cavalo abaixo só por tocar na pele.
— O que é isso?- perguntou Bellamy sacudindo a mão que queimava devido à palmada.
— Algo para colocar o nosso amigo a dormir.- respondeu Carly.
— É suficiente?- perguntou Bellamy observando a ponta da flecha.
— Só não falhes.- gozou Carly passando a flecha para Bellamy.
— Eu nunca falho.- retrucou Bellamy fazendo Carly rir.
Constance foi até o local onde tinha estado com o terrestre pela última vez. Todos os seus amigos estavam nas suas posições: Carly e Jessica iriam atirar as primeiras flechas diretamente nos joelhos do terrestre enquanto Eric, Jake, Drew e Jack o iriam prender com cordas de modo a imobiliza-lo o suficiente para que Bellamy o acertasse com eficácia com a sua flecha que continha o medicamente que iria colocar o terrestre a dormir. Constance ouviu o barulho de plantas a mexerem-se e as suas mãos começaram instantaneamente a suar. Poucos segundos depois, o terrestre que a vinha ajudado sempre que ela precisava coloca-se bem na sua frente. Constance olhou para ele e um imenso sentimento de culpa passou por ela. Antes que ela se pudesse arrepender, a flecha de Carly seguida pela flecha de Jessica acertaram diretamente nos joelhos do terrestre que urrou em dor.
— Desculpa.- pediu Constance afastando-se quando as correntes começaram a prender os membros deste.
Constance viu em câmara lenta quando Bellamy atirou a sua própria flecha cortando o terrestre no pescoço e fazendo com que a droga o começasse a afetar. Levou cerca de trinta segundos para que o terrestre caísse no chão desacordado e seguidamente fosse carregado até ao acampamento.
Drew puxou as correntes de modo a que o terrestre ficasse imobilizado na grande sala que tinha anteriormente sido preparada. Ele ainda estava desacordado mas quando ele acordasse, Drew queria ter a certeza que ele estaria bem preso para o interrogatório. Bellamy iria ajudar Drew no interrogatório mesmo que fosse Drew o especialista em tortura. Todas as ferramentas já estavam preparadas e as pessoas na sala resumiam-se a Bellamy, Carly, Jake, Jessica, Eric e ele próprio. Drew mexia numa faca quando Patricia entrou na sala. Ela pareceu chocada ao ver todos aqueles objetos e pareceu ainda mais chocada quando percebeu o quanto ele parecia familiarizado com estes.
— Pensava que apenas o iam prender.- comentou Patricia mais especificamente para Drew.
— Não podemos perder esta oportunidade para o interrogar.- respondeu Drew largando as armas por alguns segundos.
— Vais matá-lo?- perguntou Patricia preocupada.
— Aposto que ele não teria problemas em matar-me.- retrucou Drew dando a entender que o iria fazer se necessário.
— Não sabes disso.- comentou ela olhando para o terrestre que, naquele momento, parecia indefeso.
— Se fores com essa mentalidade para a batalha que se aproxima, é bastante provável que não vivas para ver outra.- disse Drew firmemente.
Patricia nem sabia o que sentir naquele momento. Tão depressa Drew era um rapaz fantástico que a fazia querer mais como a seguir era o maior idiota que ela já tinha visto. E ela decidiu que naquele dia ela não iria aturar aquilo. Iria seguir o conselho dele e preparar-se para a batalha que estava para vir. Sem ele. Ela saiu da sala sem dizer outra palavra a Drew, o que fez com que ele ficasse com remorsos por ter falado daquela forma com ela.
Eric atirou um balde de água para cima do terrestre de maneira a que ele acordasse. Ele acordou e tentou rapidamente perceber onde estava. Puxou as correntes várias vezes mas elas nem se mexeram. Eric encostou-se à parede juntamente com Carly e Jessica dando espaço a Drew e Bellamy.
— Quem és tu?- perguntou Bellamy.
O terrestre olhou para ele mas não lhe respondeu. Bellamy estalou ambas as mãos e, antes que o terrestre pudesse perceber, o punho direito de Bellamy estalou com força no seu nariz. O nariz do terrestre rapidamente começou a sangrar e Carly apertou os olhos tentando imaginar a dor infligida por Bellamy.
— De onde vens?- perguntou Bellamy sacudindo as suas mãos.
O terrestre não respondeu mais uma vez e Carly franziu a testa esperando novamente o embate do punho de Bellamy no corpo do terrestre. Desta vez o punho de Bellamy foi até à barriga do terrestre fazendo com que ele tossisse.
— Quantos de vocês existem?- perguntou Bellamy com a mesma paciência.
O terrestre não respondeu e Bellamy, desta vez, bateu-lhe cinco vezes tirando toda a respiração do terrestre. Carly foi até Bellamy puxando-o. As mãos de Bellamy estavam cobertas de sangue dele misturado com o do terrestre e Carly limpou-as com água.
Foi a vez de Drew se chegar à frente. Ele escolheu uma faca com uma lâmina afiada e foi até ao terrestre que não reagiu.
— Onde se esconde a tua tribo?- perguntou Drew aproximando-se com a lâmina.
O terrestre não respondeu e Drew passou a lâmina pelo abdómen do terrestre deixando um trajeto de sangue. Drew continuou fazendo isto durante mais um pouco até que percebeu que não iria funcionar. Bellamy já se encontrava encostado na parede deixando Drew liderar o interrogatório. Eric e Jessica já haviam sido substituídos por Francis que estava ao lado de Carly e Bellamy observando.
Drew foi até uma bateria que tinham encontrado no meio das máquinas. Era uma daquelas baterias dos carros e trazia inclusivamente os fios condutores de eletricidade. Infelizmente para o terreste, eles não tinham carros. Drew ligou a bateria e testou-a. Ele colocou esta a um nível que não matasse o terrestre e voltou a experimentá-la. Em seguida encheu um balde com água, atirando-a para cima do terreste. Ele agarrou num dos fios condutores e disse:
— Fala.
O terrestre manteve-se calado. Esta falta de resposta fez com que Drew colocasse o fio condutor no peito do terrestre que, quando sentiu a eletricidade, começou a gritar. Carly fechou os olhos tentando ignorar os gritos do terrestre e Bellamy segurou a sua mão. Drew fez isto mais duas vezes e iria fazer outra vez até que Bellamy disse:
— Ele não vai falar.
— Devemos deixá-lo.- comentou Carly aliviada pelos gritos terem chegado ao fim.
— Eu fico com o primeiro turno de vigia.- ofereceu-se Francis.
— Obrigado.- agradeceu Carly levando consigo para fora da sala Bellamy e Drew.
— Devemos fazer turnos na vigia.- disse Bellamy.
— Eu fico contigo na noite.- ofereceu-se Carly.
— Eu já vou ter convosco. Há algo que preciso de fazer antes.- avisou Drew.
Carly e Bellamy concordaram indo em direção aos postos. Drew fez o trajeto até às tendas e parou na frente daquela que pertencia a Patricia. Ele ficou lá parado durante um pouco tentando colocar em palavras aquilo que queria dizer. Entretanto passaram uns adolescentes em direção aos postos de vigia e ele teve de parar de parecer um idiota e entrar finalmente. Para sua sorte, Patricia parecia estar adormecida. Ele foi até à sua cama e ajoelhou-se ao seu lado. Fez um carinho no cabelo dela e disse:
— Desculpa.
Em seguida saiu da tenda. Patricia não estava a dormir e ficou ainda mais confusa com aquela ação da parte dele.
Constance havia saído finalmente do seu posto de vigia. Ela não conseguira dormir e tinha trocado com Jake a meio da noite para que este pudesse descansar antes da batalha. Porém, já outro adolescente tinha ido preencher o posto e Constance continuava sem sono. Ela decidiu ir fazer um turno na vigia do terrestre. Ao entrar na sala viu que quem estava a fazer o turno era o Anthony e disse que ele podia ir. Ela encostou-se na parede olhando para o terrestre. Ele reconheceu a sua voz e olhou para cima pela primeira vez desde que tinha ali chegado. Ela quase não o reconheceu devido à quantidade de hematomas espalhados pela cara e corpo deste. Ela foi até ao balde com água e, agarrando o pano que tinha sido usado por Carly para limpar as mãos de Bellamy, começou a limpar as feridas do terrestres. Ela começou por limpar os cortes na cara deste e percebeu pela primeira vez que ele possuía olhos azuis. Ela passou a limpar os seus braços e foi até às mãos. Quando ela chegou às mãos dele, ele fechou-as como forma de demonstrar carinho. Ela olhou para ele e sorriu.
— O meu nome é Thor.- disse ele com um sotaque que Constance nunca tinha ouvido.
— Sou a Constance. Desculpa pelo que aconteceu.- pediu ela continuando a limpar as feridas dele.
Ele repetiu o mesmo gesto inicial mas não disse mais nada. Tal como Constance não comentou o facto de ele ter falado consigo.
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