New Chances To Love.

4 Chapter Four: The East Kingdom.


Notas iniciais
5 meses para postar. Não posso nem dizer o quanto eu sinto por isso e peço desculpas. Espero que não tenham abandonado e podem ter certeza de que, por mais que eu demore, jamais iria abandonar essa fanfic. Enfim, espero que gostem do capítulo.

Kagome nunca pensara que algum dia poderia ver com seus próprios olhos o famoso “Reino do Leste”. Era exatamente como os reinos descritos pelos humanos, com imensos castelos e belíssimas paisagens como cachoeiras e algumas florestas tropicais que biólogos do seu século se matariam para conhecer. No entanto, naquele lugar havia também a composição de um número exorbitante de yokais. A sacerdotisa podia sentir toda a energia deles ali, por todos os lados, abaixo e até mesmo em cima dela. Parecia que a própria terra era feita daquela energia que, apesar de maligna, parecia calma e pacífica naquele momento. Tudo era provavelmente derivado dos milênios onde os yokais passaram vivendo e controlando pacificamente aquelas terras.

Sentia-se de certa forma honrada por ter entrado naquele lugar sem ser perturbada. Provavelmente milhares de sacerdotes e exterminadores já tentaram invadir aquelas terras, mas não saíram vitoriosos e Kagome entendia o porquê só de olhar a sua volta. Era loucura arrumar guerra contra eles naquelas terras.

A sacerdotisa pode perceber que, o quanto mais dentro do reino se estava mais rica eram os lugares que passava. Castelos que pareciam cobertos de ouro com portões cravejados em joias e tudo de uma forma tão espalhafatosa quanto os ‘monstros’ incrivelmente bem vestidos. Por um segundo se sentiu como uma adolescente de classe média, com um vestido barato, em uma festa para ricos que usavam Channel e todas essas marcas caras. Balançou a cabeça ignorando o pensamento e aproximou-se mais de Sesshoumaru que andava imponente na sua frente.

“É aqui que você vive?”

Sesshoumaru repentinamente parou ao ouvir a voz de Kagome que, estranhamente parecia vir diretamente de sua cabeça. Olhou para a sacerdotisa arqueando as sobrancelhas.

“Telepatia. Ou algo do gênero. Não é como se eu conseguisse ler os seus pensamentos normalmente, somente se você estiver dirigindo-os diretamente para mim. Na verdade é realmente como em uma conversa comum, mas mentalmente.”

Kagome sorriu e Sesshoumaru encarou-a por mais alguns segundos antes de virar-se e continuar andando.

“Impressionante sacerdotisa. E sim, é aqui que vivo.”

“Isso sim é impressionante! Se do lado de fora dos castelos já são belos desse jeito, que dirá o lado de dentro!”

“Logo verá com teus próprios olhos, sacerdotisa.”

Kagome se deu por satisfeita e resolveu aquietar-se seguindo o yokai. A sacerdotisa pode sentir olhos em suas costas, como se algo, ou alguém a observasse e previu que deveria ser algum outro yokai que estava curioso com sua presença, então se colocou em alerta escondendo o máximo que conseguia de sua energia, mantendo suas emoções o mais controlado possível.

A morena imediatamente notou quando Sesshoumaru saiu das trilhas enfiando-se na mata e o seguiu. Mais alguns minutos de silêncio absoluto e eles pararam em frente a alguma estrutura que Kagome não tinha notado antes. Assim que sacerdotisa colocou seus olhos no lugar, ela se estapeou mentalmente por pensar que os castelos eram as coisas mais deslumbrantes ali. Definitivamente nenhum dos castelos que vira se comparava aquilo.

Lembrava um antigo coliseu romano, com os imponentes pilares de pedra e o chão impecável de cerâmica, onde tudo brilhava. Literalmente brilhava devido a prata e aos diamantes que cobriam o chão, exceto por um caminho para a entrada onde havia um perfeito tapete vermelho. Todas as estrelas de Hollywood a invejariam se a vissem passando por aquele lugar e foi o ela fez, sempre seguindo Sesshoumaru.

“Isso é o que eu chamo de ostentação. Yokais definitivamente tem um gosto bem... exuberante, eu diria.”

Não houve resposta de Sesshoumaru, mas a garota não se importou, até porque ela notara que ele parecia bem mais sério naquele momento, como se algo o preocupasse. Resolveu não perguntar por que, mas algo lhe dizia que ela era o motivo da preocupação dele. Caminhou vendo alguns yokais, vestidos como guardas, os olharem, porém ninguém tentou barrá-los e logo Sesshoumaru abria as portas imponentes entrando no que deveria ser a arena do coliseu. Entraram e ela percebeu que realmente era semelhante a um coliseu, com os assentos dispostos no alto, porém o chão não era de areia ou terra, era de mármore e o tudo estava coberto por um teto com imagens terríveis de mortes e criaturas medonhas em tamanho real que provavam que os seres que estavam ali eram monstros.

– Quem é está garota, Sesshoumaru? – A pergunta soara como um trovão cortando uma tarde tranquila.

Kagome imediatamente olhara na direção de onde a voz viera e viu algum que parecia ser um homem velho em uma yutaka, mas ela podia ver uma grossa e longa calda de lagarto saindo por debaixo da roupa e ela, como uma toda boa sacerdotisa podia sentir a energia espiritual dele. Era carregada de puro ódio e maldade. Uma ânsia por sangue absurda emanava daquele yokai.

– Seria ela a sacerdotisa que vem causando problemas próximo de nossas terras? – Dessa vez a voz soara de forma calma, mas com um estranho chiado, como se uma cobra falasse e Kagome se arrependeu de olhar para quem dissera aquilo quando realmente viu uma cobra. Grande, vermelha, imponente e com o que deveria ser um sapo descendo por sua garganta, literalmente. Sua energia espiritual era quase mil vezes mais maldosa que o outro yokai.

Quase estremeceu, mas manteve-se firme.

– A própria. – Sesshoumaru respondeu friamente. Era óbvio que não gostava daquela cobra, digo, daquele yokai.

– Hmm ~ Parece que dará uma boa refeição. – A cobre sibilou aproximando-se sorrateiramente, porém antes que encostasse em Kagome, Sesshoumaru ergueu a espada colocando sua ponta próximo ao ‘rosto’ do yokai.

– Afaste-se. – Sua voz soava cortante como aço e Kagome pode sentir a energia espiritual de Sesshoumaru se revirar com irritação.

A cobra sibilou outra vez, dessa vez irritado, mas afastou-se como fora mandado.

“Não era necessário. Eu poderia ter feito algo sozinha, Sesshoumaru.”

“Poderia. Mas não é lugar ou momento para mostrar tua força. Mantenha-se quieta sacerdotisa.”

Kagome quase bufou diante a ordem, mas resolveu acatá-la, pois sabia que ele estava certo. Por mais que pudesse matar aquele yokai, tem outras centenas espalhadas por ali e não seria seguro enfrentá-los. Afinal de contas veio para se desculpar.

– Certo. – O yokai lagarto falou ignorando o ocorrido. – Então qual foi o motivo de trazê-la. Creio que não foi para matá-la senão já o teria feito.

Sesshoumaru apenas assentiu e deu um passo para o lado. Fez um movimento suave com a mão indicando para Kagome tomar a palavra agora. A sacerdotisa de dois passos à frente e ofereceu uma reverência formal ao velho yokai.

A sacerdotisa ergueu seu rosto olhando diretamente nos olhos amarelados do velho yokai que a encarava num misto de surpresa e desconfiança.

– Vim pessoalmente desculpar-me por minhas ações exageradas. Sacerdotisas deveriam somente lutar para proteger seres humanos, no entanto acabei levando essa luta para um lado pessoal e peço perdão por isso. Não tive nenhuma intenção de aborrecer a nenhum dos lordes ou atrapalhá-los. – Usou um tom solene enquanto seu belo rosto não expressava nada. Era uma massa de frieza agora, no entanto seus olhos eram tão vívidos quanto fogo.

O yokai a olhou com ainda mais estranheza e desconfiança.

– Como poderíamos acreditar em suas palavras sacerdotisa?

– Julga-me tola o suficiente para vir até aqui, um reino cercado de yokais, onde sua energia é praticamente como o ar que se respira nesse lugar, somente para mentir na frente dos senhores?

Pode sentir a surpresa de Sesshoumaru ao seu lado, ele não conhecia o lado sério de Kagome. Na verdade, ninguém o conhecia de verdade. Mas ela sabia que se fraquejasse na frente daqueles yokais se mostraria uma presa fácil. E isso ela não era. De jeito nenhum.

O velho lagarto pareceu ponderar suas palavras e assentiu em seguida.

– Creio que ninguém seria tão tolo assim. – Respondeu por fim.

Kagome respondeu-lhe com um levíssimo sorriso e outra reverência.

– Tenho uma pergunta. – A voz do yokai cobra se fez novamente e Kagome, por mais que não quisesse, olhou-o. – O que Sesshoumaru-sama faz te trazendo aqui? Ele é um dos lordes e senhores desse lugar. Isso não faz sentido.

A pergunta pareceu agitar todo o ambiente e Kagome pode ouvir os murmúrios dos outros yokais presentes que haviam se mantido em silencio até então. Parecem um bando de velhas fofoqueiras. A sacerdotisa pensou com certo desgosto.

– Lorde Sesshoumaru foi quem me encontrou e eu o pedi que me trouxesse.

– Certeza?

– E teria outro motivo? – Kagome rebateu com frieza. A cobra se calou.

Kagome sentiu a mão de Sesshoumaru tocar-lhe gentilmente o ombro puxando-a levemente para trás. Kagome não o olhou e nem perguntou nada, pois logo entendeu: era uma forma muda de dizer que agora era vez dele voltar a frente. Fez uma profunda reverência ao velho yokai lagarto e deu dois passos para trás sem abrir a boca.

– Senhores, agradeço-lhes que tenham vindo, escutado e compreendido, mas está entardecendo e teremos que nos retirar. – Fez uma reverência leve. Não precisava nem sequer fazê-la, pois estava acima de todos eles, porém se havia algo que seu pai havia lhe ensinado é que precisava aprender a curvar-se as vezes.

– E onde a sacerdotisa ficará? – A cobra falava novamente.

“Bicho mais intrometido!”

“Quieta sacerdotisa.”

Kagome teve que se controlar para não fazer bico como uma criança quando recebe uma ordem indesejada.

– Em minhas propriedades mais ao leste. Onde mais? – Sesshoumaru respondera impassível.

Kagome quase engasgou. Nas propriedades do grande senhor do leste? Ora, para alguém que ele devia odiar a algumas horas atrás, ela estava saindo-se muitíssimo bem. Novamente ela pode ouvir os murmúrios dos yokais.

– Em suas propriedades, meu senhor?! – O yokai parecia dez vezes mais chocado que Kagome. – Mas ela é uma sacerdotisa!

– Julga-me por tolo? – Sesshoumaru respondeu com uma frieza que poderia congelar o inferno. – A sacerdotisa ficará em minhas propriedades enquanto for de sua necessidade e não devo explicações a ti ou a ninguém mais.

Todo o salão ficou em um silêncio profundo após a resposta. Parecia que ninguém sequer ousava respirar. Sem mais, Sesshoumaru virou-se e saiu andando do local de forma imponente enquanto Kagome o seguia.

Saíram do “coliseu de prata” como Kagome acabara de apelidar e foram novamente a floresta. Andaram até chegar a trilha e rumaram por ali.

– Sua casa? – Perguntou Kagome agora que já estavam suficientemente longe.

– Não me seguiu até aqui somente para falar com eles e eu, lorde Sesshoumaru, não pretendo deixa-la sozinha nesse lugar. – Respondeu sem olhá-la.

Cada segundo perto de Sesshoumaru só a deixavam mais surpresa.

– Porque? – Atreveu a perguntar-se.

Claro que não queria soar como se desfizesse das propriedades de Sesshoumaru ou de suas palavras, mas estava profundamente curiosa. Kagome ouviu o yokai murmurar algo, mas não compreendeu bem.

– O que disse? – Perguntou.

Uns minutos de silêncio se passaram enquanto eles continuavam andando calmamente, até finalmente Sesshoumaru falar:

– Lembra-me um pouco Rin.

Kagome sorriu abertamente.

– Sente saudades dela, não? Ela está mais crescida... E está feliz. Costuma ficar muito tempo na aldeia com outras crianças brincando. Parece...

– Normal? – A voz de Sesshoumaru não transparecia nada, mas Kagome conseguia sentir o que havia por trás daquelas palavras.

No final das contas, até o mais temível dos yokais tinha um coração.

– Sim. – Respondeu. Seu sorriso se tronara um pouco triste. – Aparentemente apaixonou-se por um rapaz da aldeia. – Falou.

Sesshoumaru não lhe disse nada, mas ela via claramente a preocupação. O yokai adotara a menina quase como uma filha e deixar-la provavelmente o machucou por mais que ele nunca fosse admitir isso. Suspirou sentindo-se triste por ele.

– De qualquer forma, onde está o Jaken e aquele bicho estranho que a Rin montava? – Perguntou um pouco brincalhona.

– Refere-se a An-Un?

Kagome tinha certeza de que, se ele não fosse tão “sem expressão” e “sem emoção”, teria rido da forma que ela falara.

– Isso mesmo! – Respondeu em um tom mais alegre.

Apressou o passo tomando a frente e começou a andar de costas, podendo assim ver o rosto inexpressivo do yokai.

– Mandei-os ficar em minha casa no leste. – Respondeu olhando para a garota.

– Porque? Se me lembro bem ele não desgrudava de seu adorado “Sesshoumaru-samaaa”. – Falou com uma imitação muito bom da voz do pequeno yokai.

Kagome percebeu que Sesshoumaru visivelmente relaxou, após a conversa ter tomado outro rumo.

– Não teria o que ele fazer. Não demorei mais do que um dia para encontrar-te, sacerdotisa da morte.

O olhar de Sesshoumaru voltara a ser intenso sobre ela. Kagome sorriu para ele. Por um segundo notou como se tornara fácil sorrir perto de Sesshoumaru, mas resolveu ignorar.

– Não é um nome que me agrade. – Respondeu displicente.

– Não creio que combine contigo, sacerdotisa.

Kagome arqueou as sobrancelhas encarando-o.

– E que nome crê que combine, Sesshoumaru?

O yokai não respondeu e voltou seu olhar ao longe. Kagome não insistiu e resolveu que já estava na hora de aquietar-se um pouco. Olhou para o céu e repentinamente pareceu notar que realmente já estava de noite e mal percebera. A lua cheia parecia brilhar tão forte quanto o sol naquela noite e haviam zilhões de estrelas no céu. Mais do que Kagome nunca vira.

– Wow! – Exclamou encantada. Um riso alto saiu por seus lábios enquanto encarava a as estrelas. – Lindo!

Ouviu Sesshoumaru dizer algo que novamente não compreendeu e baixou o olhar até ele. Notou que ele havia voltado a olhar para ela da mesma forma intensa. Quase se sentiu corar e, pelos deuses, a quanto tempo fazia desde que se sentia tão... feliz? Oh sim, desde que a morta ameaçara voltar. Afastou o pensamento e resolveu forcar-se em outra coisa.

– Quando chegaremos a ... hmm... suas propriedades, Sesshoumaru? – Perguntou tranquilamente.

O yokai não lhe respondeu verbalmente, apenas fez um aceno com a cabeça e Kagome virou-se. Imediatamente sua boca se abriu em um “O” perfeito. De onde estavam já conseguiam ver claramente uma muralha de aço imponente com o desenho de lobos e de uma enorme lua, no entanto não fora quilo que chocara Kagome, sim o que conseguia ver depois.

– Pelos deuses, é lindo!– Balbuciou encarando.

Era um castelo no clássico estilo tradicional, apesar de parecer vinte vezes maior do que qualquer outro que já vira até então, e parecia cravejado em joias. Provavelmente cristais, safiras azuis e diamantes que brilhavam de forma tão resplandecente quanto a lua. Uma visão de tirar o fôlego.

– O castelo da lua. – Sesshoumaru segredou-lhe.

– Não encontraria nome melhor para ele. – Disse com um sorriso.

Andaram bastante até a muralha de aço que escondia parte da visão do belo castelo, ao chegar Kagome viu um grande número de degraus até o portão do local e fez uma careta. Sesshoumaru estendeu-lhe a mão, em um gesto de cavalheirismo que a garota estranhou de primeira, mas aceitou a ajuda do yokai. Era um lorde afinal. Subiram em silêncio até o fim dos degraus e Kagome viu os diversos guardas oferecerem uma profunda reverencia ao seu senhor enquanto o enorme portão de aço se abria. Caminhou ainda segurando a mão de Sesshoumaru, porque provavelmente teria de descer outros degraus e, por fim, chegaram a entrada. Kagome, pode então ver o interior, além do castelo que, por ser muito alto, podia ser visto até sobre a muralha.

Naquele instante Kagome teve certeza de que nunca vira lugar mais belo em toda sua vida.

Notas finais
Um "poder" especial da Kagome foi descoberto, todo mundo pode "matar" as saudades da Rin e Sesshoumaru finalmente mostrou-se um pouco cavalheiro. Não imagino que o reino do leste seria um lugar tão 'ostentativo' assim, mas quis colocá-lo assim. Espero que todos tenham gostado :) E, por último, mas não menos importante, um agradecimentos especial as pessoas que mandaram seus lindos reviews: Aline Black, Daniela Nicacio, Jade Kingsley, Dany Higurashi, michiru sama, Lady Melzinho, Tachibana Anne, kagomesesshy, MylaUchiha, jerlanege, Lady Kozato, Anna, Heloyi, Dark Rose, Sinder e DaySilvaChan.