New Chances To Love.

6 Chapter Five P.II: Wonderland.


Notas iniciais
Mais de um ano para postar um novo capítulo. Eu sei, uma demora ridícula de tempo e compreendo se vocês ficarem irritados com isso, mas eu acabei entrando em hiatus e não avisei. Me desculpem, prometo que sinceramente não ficarei mais tanto tempo fora, já que agora está tudo normalizado, então espero que gostem do novo capítulo e não sintam medo de comentar sobre ele ou mesmo reclamarem pela demora, eu sei que estive errada em não avisar. Boa leitura, beijos.

Kagome sentiu-se sem ar encarando aquele lugar. Uma colina vasta com um maravilhoso castelo no topo, onde todas aquelas maravilhas se escondiam atrás de muralhas de ferro. Era um campo coberto das mais diversas flores de todas as cores que cobriam o chão como um enorme arco íris na terra com apenas um largo caminho no meio que parecia levar ao castelo. Pode ver também um enorme lago a distância que, com a luz da lua, parecia que brilhava em um líquido prateado ao invés de água. Milhares de vaga-lumes perambulavam entre as flores brilhando como as estrelas no céu noturno. O único som que se ouvia era o do vento que acariciava o rosto da sacerdotisa de forma serena. Ela sentiu como se ao invés de estar no reino dos yokais, tivesse acabo de entrar pelas portas do paraíso.

– Isso é..... Inacreditável. – Falou ainda chocada.

– Bem-Vinda ao meu reino, sacerdotisa.

Kagome precisou usar muita força para retirar os olhos da belíssima visão a sua frente para voltar-se a Sesshoumaru. Novamente se sentiu sem ar. Os olhos dourados como ouro reluzente olhavam diretamente para ela como se pudessem ver através de sua alma. Ele tinha uma expressão extremamente tranquila e, pela primeira vez desde que conhecera Sesshoumaru, ele parecia estar sorrindo.

– Absurdamente belo. – Disse e, por um segundo, a própria sacerdotisa ficou confusa se estava se referindo ao reino ou ao homem ao seu lado.

Sentiu seu rosto esquentar tentando ignorar o pensamento, mas não desviou o olhar do yokai.

– De fato, belíssimo és. – Ele respondeu em um sussurro, seus olhos brilhando tão intensamente que Kagome desviou o olhar para o chão, sentindo seu rosto corar ainda mais.

Ouvindo sons de passos Kagome ergueu o rosto vendo um yokai aproximar-se trazendo um enorme cavalo. Bem, era um yokai extremamente parecido com um cavalo, porém claramente maior do que um normalmente seria. Kagome quase perguntou porque não trouxeram An-Un.

– Sesshoumaru-sama. – O yokai que trazia o yokai-cavalo disse fazendo uma reverência profunda.

O lorde apenas assentiu aproximando-se, o yokai falou sua despedida e imediatamente saiu do local enquanto Sesshoumaru subia no yokai-cavalo. Por um segundo Kagome se questionou se iria seguir andando atrás deles, mas seu pensamento foi cortado quando Sesshoumaru ofereceu-lhe a mão de forma cortês.

– Suba, sacerdotisa.

Kagome ergueu as sobrancelhas em uma pergunta muda, mas decidiu ser educada e fazê-lo. Aceitou a mão ofertada pelo lorde e subiu, sentando bem à frente de Sesshoumaru. Sentiu-se um pouco tensa por estar fisicamente tão próxima do yokai, porém sentiu-se relaxar aos poucos enquanto calmamente andavam pelo caminho. Os olhos de Kagome estavam famintos, tentando ver cada mísero pedaço de terra que podia, encarando a beleza extraordinária do local.

– Acalme-se. Terás todo o dia de amanhã para ver o que queres. – Sesshoumaru falou baixo próximo de seu ouvido e Kagome quase suspirou, mas conteve-se.

– Certo. – Falou em um sussurro enquanto olhava com mais tranquilidade até ver algo que prendeu sua atenção.

Agora que estavam mais próximos, Kagome pode ver que o enorme lago era ainda maior que pensava e havia um grupo de pessoas nadando. Yokais provavelmente, foi o que pensou até ver, chocada, como pareciam humanas. Ou pelo menos a parte superior de seus corpos, já que a parte inferior eram longas e belíssimas caldas. Quase não acreditou no que via.

– Sereias? – Perguntou-se mal percebendo que falara em voz alta.

– Sirenas. – Sesshoumaru corrigiu. – Aqui, esses yokai se chamam sirenas.

Kagome assentiu sentindo-se enfeitiçada pela beleza das criaturas. Notou quando uma delas olhou diretamente para si e depois para Sesshoumaru antes de abrir um sorriso.

– Seja bem-vindo Sesshoumaru-sama! – Ela disse com alegria visível.

As outras sirenas imediatamente se viraram para eles desejando o mesmo e, apesar de Kagome não poder ver, tinha certeza que ele tinha somente assentido para elas sem dizer nada.

– Não pensei que yokais assim existissem. Nunca vi antes.

– Nesses tempos, elas são muito raras.

– Nesses tempos? – Repetiu confusa.

– Sim, muitos yokais, principalmente lordes, costumavam roubar sirenas para si. Com isso, algumas passaram a se esconder ou se matavam com medo de serem levadas.

– Que horror! – Kagome exclamou apavorada. – Mas por que fariam isso?

– Diversos motivos. – Começou. – O canto de uma sirena tem enormes poderes. Como o de curar feridas ou doenças fatais, além de ser considerado o som mais belo no mundo. Além disso, são dotadas de uma beleza única que a faz objeto de desejo de muitos. Quando eram roubadas, costumavam ser colocadas em caixas de água onde eram forçadas a fazer coisas para agradar lordes.

Kagome soltou um som de horror.

– Mas.... Mas como podiam deixar isso acontecer?

– Muitos lordes costumavam fazer isso e ninguém parecia se preocupar em parar, até que o número de sirenas diminuir de forma drástica. Os lordes conseguiram instaurar uma regra de proibição ao roubo de sirenas, mas a medida não pareceu funcionar de forma correta.

– Compreendo. Mas porque tem tantas aqui? – Perguntou curiosa.

– Foi um trato. Ofereci-as um lugar para ficar onde não sofreriam abusos e viveriam em paz. Em troca, elas deveriam somente cantar de tempos em tempos, ou em algum evento importante.

– Oh. – Foi a única coisa que disse.

Kagome sentiu algo caloroso surgir em seu peito. Sabia que Sesshoumaru não era exatamente nenhum monstro, Rin era uma prova disso, ou talvez Rin fosse parte da cause disso. Porém sentia-se estranhamente satisfeita ao saber do quão bom? Não, responsável talvez? O lorde realmente era. Permaneceu em silêncio observando o castelo ficar cada vez mais perto e parecia ficar mais belo a cada momento.

– Incrível. – Murmurou. – Foi você quem construiu ele assim? – Perguntou virando-se um pouco para ver o rosto de Sesshoumaru que mantinha uma expressão tranquila.

Ele assentiu profundamente.

– Vejo que queria algo digno de um deus, não? – Perguntou.

Os olhos dourados se viraram para ela e exibiam uma gentiliza completamente desconhecida enquanto ele assentia novamente. A sacerdotisa sorriu para ele.

– Foi um excelente trabalho, mas ainda estou curiosa para ver como é por dentro.

– Verás. – Ele respondeu parando o yokai repentinamente.

Ela virou para frente e notou que já estavam à frente da majestosa construção. De perto realmente parecia centenas de vezes maior. Kagome notou um grupo de yokais do lado de forma, provavelmente servas que se aproximaram. Viu que junto a eles tinha um característico sapo que correu até seu mestre.

– Sesshoumaru-sama. – A voz animada de Jaken surgiu até que ele parou no meio do caminho com uma expressão entre o choque e o horror ao vê-la ali.

Kagome não conteve o sorriso maroto que surgiu em seus lábios e piscou na direção do yokai que soltou um som esganiçado horrorizado. Controlou o riso que começava a surgir com as reações dele e desceu do yokai-cavalo com a ajuda de Sesshoumaru.

– Yo Jaken ~ – Falou travessa.

– Que-Como-Porq-HÃ?! – Ele falava assombrado.

– A sacerdotisa ficará aqui por tempo indeterminado. Midori. – Chamou e uma bela yokai de cabelos longos cabelos negros e olhos violeta foi a frente fazendo uma reverência. – A guie ao quarto de hospedes principal e pegue alguns kimonos novos para ela.

– Sim, Sesshoumaru-sama. – Assentiu e dirigiu-se a Kagome com um leve sorriso no rosto. – Siga-me, senhorita.

– Ah, só Kagome está ótimo. – Disse sentindo-se um pouco constrangida com o tratamento formal.

A yokai assentiu.

– Como queira, Kagome-san. Vamos? – Perguntou fazendo um movimento com a mão indicando o castelo.

Kagome assentiu sentindo-se animada por finalmente entrar no local e começou a se andar. Olhou rapidamente para trás vendo Sesshoumaru vindo em seguida com Jaken ao seu encalço e os outros servos logo atrás. O lorde pareceu notar que o olhava pois moveu o rosto em sua direção e seus olhos se encontraram por um segundo. Kagome sentiu uma sensação estranha e virou o rosto sentindo-se corar pela décima vez naquele dia. Perguntou-se o que seria aquilo. Desejo? Possível. Sesshoumaru era dotado de uma beleza divina e seus olhos dourados eram fascinantes, pareciam esconder milhares de histórias. Paixão? Não, ainda era muito cedo e mal havia acabado de passar pelo que sentia por Inuyasha. Mordeu o lábio inferior tentando colocar o assunto de lado e viu que já estavam em frente as enormes portas de diamante do castelo que se abriram vagarosamente dando imagem a um castelo dos sonhos.

O local, apesar de não ser coberto de joias e tão espalhafatoso como o lado de fora, continuava belo. O chão coberto de uma madeira lustrosa com paredes de pedra*. Havia diversas tapeçarias e luminárias e mais outras coisas que só se veria em um castelo. Bem no centro do lugar onde estavam havia uma escadaria longa e belíssima que guiava ao segundo andar. Kagome se sentiu tentada a correr em volta para ver, porém sabia que não era sua melhor ideia.

– Impressionante. Como tudo que há aqui. – Comentou e viu a yokai, Midori, sorrir para si de forma um tanto orgulhosa.

– Sim, Sesshoumaru-sama sempre foi muito cuidadoso com todo o castelo e o que há dentro dele.

Kagome pode ver a admiração pura nos olhos da mulher e não pode deixar de sorrir com ela. Havia algo ali, na forma como as sirenas tratavam Sesshoumaru, na forma orgulhosa que Midori se referia ao lorde, na forma que Jaken seguia fielmente atrás de seu mestre, que dizia a Kagome que Sesshoumaru era muito mais do que ele se deixava mostrar na frente dela, ou de Inuyasha. Sentiu a curiosidade surgir e não conteve olhar para trás novamente vendo como Sesshoumaru parecia avaliar o local com um ar satisfeito.

A sacerdotisa sorriu virando-se para Midori.

– Então Midori, onde fica meu quarto?

A serva sorriu. – No segundo andar, siga-me Kagome-san. – Falou e passou a andar na frente sendo imediatamente seguida.

Andando pelas belas escadarias e pelo longo corredor a esquerda, Kagome notou como era tudo limpo e bem organizado. Viu Midori parar na frente de uma porta que ficava bem no fim do corredor.

– Este é seu quarto. Tenho certeza que adorará Kagome-san.

– Se for tão lindo quanto o resto, então não duvido.

Kagome trocou sorrisos com a serva que abriu a porta dando espaço para Kagome entrar primeiro e ela o fez. Ficando deslumbrada pelo local. As paredes e o chão eram dourados como ouro, a cama ao centro do quatro era grande e estava coberta por cobertores que mesmo de longe pareciam ser feitos da melhor linha. No teto, bem no centro tinha o que parecia um lustre de bronze que iluminava o quarto. Bem ao fundo Kagome viu que não havia de fato uma parede, mas uma enorme janela feita das joias que se via do lado de fora. Correu até ali e teve a visão da lua dos campos de flores belos no chão e a forte luz da lua, que se refletia dentro do quarto todo.

– Não tenho palavras para descrever esse lugar. – Falou abismada.

– Sim, tive a mesma reação quando vim para cá. – Midori falou carinhosamente.

Kagome virou-se para a serva que tinha uma expressão feliz no rosto.

– E quando foi isso?

– Há uma década, quando Sesshoumaru-sama me acolheu como sua serva.

– Ele a acolheu?

– Sim. Não só a mim mais alguns outros yokais também, todos se tornaram servos fieis de Sesshoumaru-sama.

– Compreendo. – Murmurou mordendo o lábio inferior para controlar as milhares de perguntas que surgiam.

– Porque não toma um banho, Kagome-san? Têm lugar para banhar-se bem aqui. – Falou apontando para uma porta que a sacerdotisa mal notara ali. – Posso preparar o ofuro.

– Eu adoraria!

Midori sorriu.

– Em um instante, Kagome-san. – Disse movimentando-se rapidamente ao local.

Kagome voltou-se novamente a parede de joias e observou o local, notando alguns outros yokais surgindo e perambulando tranquilamente. Ficou perdida em pensamentos até sentir uma mão tocar-lhe o ombro. Deu um pulo virando-se para ver Midori.

– Desculpe me por assustá-la Kagome-san, mas o seu banho está pronto.

A morena assentiu e seguiu animadamente para o banho.

– Oh, Kagome-san. – A serva chamou.

– Sim? – Respondeu virando-se para ela.

– Trarei alguns kimonos para a senhorita usar no jantar, então não se preocupe com o tempo que demorar no banho.

Kagome a olhou confusa, mas deu de ombros e assentiu voltando a seguir para o banheiro fechando a porta atrás de si. O local apresentava seu ofuro ao centro e era iluminado por velas estrategicamente colocadas. Retirou o kimono antigo que usava e os panos que usava como roupa intima. Voltou-se ao ofuro de madeira e se aproximou. Entrando vagarosamente soltou um gemido baixo ao sentir a água quente tocando sua pele, uma sensação deliciosa. Sentou no fundo sentindo todos os seus músculos relaxarem completamente pela primeira vez desde que colocara os pés no Reino do Leste. Sentindo-se tranquila e confortável Kagome apoiou a cabeça na borda do ofuro e deixou a mente espairecer pensando nos acontecimentos do dia.

Encontrara-se com Sesshoumaru, foi com ele até o reino do leste por pedido próprio, conheceu os horríveis lordes do leste que em nada se assemelhavam a Sesshoumaru e por fim conheceu os vastos domínios do lorde. Não podia mentir que havia ficado surpresa que um homem como aquele teria um lugar tão cheio de cor e de vida. Apesar da energia maléfica havia um enorme sentimento de paz naquela área. Soltou um suspiro profundo sentindo seu coração se acalmar, a própria não sabia o que esperar do local e do próprio Sesshoumaru, mas tudo parecia estar saindo infinitamente melhor.

A sacerdotisa passou a lavar seu corpo na água quente, fazia-o de forma calma, não havia presa. Ao terminar, Kagome permaneceu no ofuro relaxando por um tempo até começou a murmurar uma canção antiga, porém foi interrompida por alguém batendo na porta.

– Kagome-san? – Ouviu Midori chamar.

– Sim.

– Tem alguns kimonos sobre sua cama para escolher, não tenha pressa e fique tranquila, ninguém entrará em seu quarto.

– Certo, muito obrigada Midori. – Falou tranquilamente e não ouviu mais nada, mas pode sentir a energia espiritual de Midori se movimentar de alguma forma. – Midori aconteceu alguma coisa?

– N-Não, Kagome-san. Por favor, tome seu banho em paz. – A serva disse o mais normal possível, mas Kagome notou algo em sua voz.

– Midori? Você está chorando? – Perguntou preocupada levantando-se do ofuro.

– N-Não! Por favor, não se preocupe senhorita. – Midori respondeu, mas não convenceu Kagome que se cobriu com uma toalha de pano que estava no banheiro.

Saiu dali vendo a serva indo em direção a porta, mas a segurou pelo braço e pode notar que ela realmente chorava.

– Midori? O que houve? Fale. – Pediu delicadamente enquanto a serva se apoiava nela.

– Eu- É que- Eu nunca – Ela começava a falar, mas parecia que algo a impedia de falar.

– Acalme-se e me conte o que houve. – Disse em um tom calmo.

Retirou o cabelo do rosto da serva e carinhosamente limpou algumas lágrimas do rosto de Midori.

– Eu.... Nunca fui tratada assim. – Sussurrou.

Se Kagome não fosse tão bem treina, nunca teria escutado.

– Nunca lhe agradeceram por nada?

Ela balançou a cabeça negativamente. Kagome quase bufou irritada, mas se limitou a sorrir.

– Não precisa chorar por isso, sim? – Fez uma leve caricia na bochecha da serva. – Agora sorria para mim e me ajude a escolher o kimono perfeito!

Midori sorriu envergonhada e afirmou com a cabeça.

– Vamos. – Disse voltando-se para a cama e Kagome a seguiu.

Olharam peça a peça até se decidirem por um lindo kimono vermelho floral. Midori ajudou Kagome a terminar de se secar e a vestir-se. A sacerdotisa decidiu deixar os longos cabelos negros soltos já que estavam molhados ainda e por fim saíram do quarto caminhando vagarosamente até o primeiro andar, onde Midori tomou a frente guiando Kagome a sala onde jantaria, provavelmente com Sesshoumaru. Algo pinicou no fundo do estomago de Kagome ao pensar no lorde.

– Aqui estamos. – Midori anunciou enquanto entravam na sala.

Era enorme e, assim como o quarto de Kagome, tinha uma parede feita de joias que deixavam entrar a luz do luar dando um aspecto sinistramente belo ao local. Kagome notou que Sesshoumaru já estava ali, sentado na cadeira de madeira bem polida, que mais parecia um trono, e parecia encarar a lua.

– Sesshoumaru. – Sussurrou, mas teve certeza que o yokai ouviu, pois se virou em sua direção imediatamente.

Ele a encarou por um segundo, antes que seus olhos seguissem para baixo observando o kimono que usava.

– Ficou belo. – Elogiou e Kagome não conteve um sorriso.

– Obrigada.

– Sente-se, sacerdotisa. Trarão a refeição logo.

Kagome assentiu e se aproximou. Midori adiantou-se e puxou a cadeira de madeira ao lado da onde Sesshoumaru estava. A sacerdotisa sorriu para a yokai e murmurou um agradecimento que lhe rendeu um outro largo sorriso da serva. Kagome manteve-se quieta por um tempo, pensando, mas começou a se sentir desconfortável com o silêncio na sala e resolveu matar um pouco de sua curiosidade.

– Como se sente vivendo nesse lugar sozinho?

O lorde ergueu uma sobrancelha.

– Sozinho?

– Têm os seus servos, tão leais quanto Jaken, mas apesar deles o admirarem não há nada mais profundo.

– Mais profundo como, sacerdotisa?

– Como uma amizade. – Respondeu olhando-o nos olhos. – Como um amor.

Sesshoumaru pareceu ponderar suas palavras por um momento antes de responder.

– Não vejo no que isso seria necessário.

Kagome suspirou.

– Todos precisamos de alguém para nos apoiar as vezes. Seja um amigo, um familiar ou mesmo um amante.

– E como sabes disso sacerdotisa?

Kagome mordeu o lábio inferior antes de balançar a cabeça.

– Me chame pelo nome. – Pediu em um tom calmo.

O yokai olhou-a com certa surpresa.

– Como quiseres, Kagome. – Para ela, seu nome nunca soara tão belo quanto naquele momento. – Então, somos sabes disso? – Voltou a questionar.

Kagome sorriu.

– Cresci em uma família amorosa e, mesmo quando vim para cá, passei a maior parte do tempo com pessoas que se tornaram amigos e queridos. Não consigo imaginar uma vida sem isso. Sem o conforto de uma conversa ou sem uma mão amiga me apoiando.

Sesshoumaru fez um som de desdém diante suas palavras.

– Eres uma romântica. Este tipo de vida não existe para yokais, muito menos para lordes. Somos superiores a este tipo de coisa.

– São mesmo? – Ela rebateu. – Ou apenas tentam ignorar seus sentimentos para que não se pareçam fracos? Apesar de que amar, para mim, nunca seria uma fraqueza.

– Mas é um dor. Deverias saber disso bem, Kagome.

A sacerdotisa sentiu um pequeno aperto no peito ao perceber claramente a referência feita.

– Todos passamos por dor em algum ponto. Nem imagino as dores que um ser imortal deve passar, porém o amor também pode trazer sensações únicas de felicidade. – Os olhos da sacerdotisa de encontraram diretamente com o do lorde antes dela seguir. – Uma vida longa, mesmo eterna, e cheia de fortuna parece algo fantástico, porém sem alguém para compartilhar, mesmo que por um ínfimo instante, toda essa riqueza se torna vazia. Tudo isso é só algo pequeno para lhe preencher o tempo, mas não o coração. Pode me achar tola por isso, mas sempre iria preferir viver anos comuns dos humanos, com uma vida simples e cheia de amor, seja ele romântico ou não. Do que viver por milhares de anos com o coração vazio. – Concluiu com um suspiro.

Sesshoumaru a olhava com uma expressão indecifrável no rosto. Passaram segundos, talvez minutos se encarando antes do yokai falar.

– Não compreendo como pensas. – Admitiu.

Kagome não conseguiu evitar pensar em Sesshoumaru mais novo, o filho de um grande yokai que provavelmente era muito ausente, com uma mãe que provavelmente não lhe dedicava amor e um meio irmão que cresceu odiando. A falta de sentimentos, de emoção, de afeição, onde a única coisa que o fazia se sentir bem, era ser admirado ou temido. Não conseguiu evitar de sentir um pouco de pena por ele.

– Sei que não. – Ela disse com um leve sorriso. – Mas nunca se é tarde para aprender.

– Aprender? – Ele a olhava com surpresa agora.

Um sorriso doce surgiu nos lábios da sacerdotisa.

– Se você se permitir sentir, talvez eu possa realmente te ensinar algumas coisas sobre sentimentos, sobre a amizade e sobre tudo que não aprendeu e têm medo de sentir.

Sesshoumaru a olhou com uma mistura de surpresa, confusão e, mesmo que um pouco, medo. Foi a primeira que a sacerdotisa pode ver tantos sentimentos nos olhos dourados e em sua expressão, que normalmente era uma máscara de frieza. Internamente Kagome sentiu-se feliz consigo mesma por conseguir abrir, mesmo que um pouco, a dura casca em volta do lorde.

– Não entendo como conseguirias me ensinar algo.

Kagome sentiu vontade de rir com o quão evidente era a confusão do lorde que mal parecia notar o quanto suas emoções estavam transparentes para ela.

– Se der uma chance, verá. Aposto que iria se impressionar com o resultado. – Respondeu confiante.

O yokai encarou-a com claras dúvidas sobre o que exatamente ela o ensinaria, mas ele assentiu com a cabeça mesmo assim.

– Veremos então jovem sacerdotisa, o que conseguiras me ensinar sobre o que chamas de amizade ou amor.

Kagome abriu o maior sorriso que já dera em meses e assentiu.

– Veremos. – Falou satisfeita consigo mesmo.

Quase que propositalmente, alguns servos entraram trazendo a comida a eles. Kagome se sentiu tranquila para comer em paz e silêncio, apesar de não evitar umas olhadas ao lado de Sesshoumaru que voltara a ter aquela expressão fechada de antes. Quase suspirou exasperada*, mas achou melhor se controlar e deixar que o lorde agisse como quisesse por enquanto. Ah, mas ele que esperasse, pois Kagome faria certeza de que ele vivenciaria um mundo de emoções que ele desconhece.

Notas finais
Kimono de Kagome: http://wallpoper.com/images/00/36/30/76/kimono-ushijima_00363076.jpg *O castelo teve sua estrutura original feita toda de pedra, a madeira no chão foi colocada depois e por fim as joias cobrindo tudo por fora. Mas existem partes, como a parede no quarto de Kagome, que são propositalmente “abertas” e que foram cobertas somente pelas joias. *Exasperada (Exasperação) - Condição de quem apresenta irritação; que está exasperado; irritado. ------------------------------------------------------------------------------------------- Uma longa demora, mas aqui está. Pensei em escrever algo ainda maior, até como uma forma de desculpas, mas ficaria extremamente cansativo. Midori é um pequeno xodó meu agora e ela pode ou não ser um pouco importante mais a frente. (Não posso dar spolers ~) E quanto a casa e tudo, eu deixei minha mente voar, literalmente, escrevi tudo em base de pensamento e do quão criativa me sentia e isso acabou surgindo, por mais surreal que pareça, espero que todos gostem! E um grande agradecimento a todas as pessoas maravilhosas que comentaram e que me incentivaram a postar logo e não desistir. Esse capítulo é especialmente dedicado a vocês: Nee San, Daniela Nicacio, prisla, Dany Higurashi, kagomesesshy, DaySilvaChan, Lady Melzinho, Lina D Black, Luthien, haruna, Haruka Lina,Hinamori Amu, mikuhatsune200, Gihchii, Mary_Maira, izzi, Julie, Lih Carvalho, ShouSama, Gaia e kami. Seus comentários serão todos respondidos logo e, mais uma vez, perdão pela demora e espero continuar tendo o apoio de vocês! Beijos a todas e uma ótima semana pessoal.