Never Love

3 Capítulo 2 - Negações


Notas iniciais
Hey pessoal, desculpem a demora e o atraso, (culpa da minha parceira), mas esperamos que gostem, foi feito com muito carinho só para vocês, nossos leitores.

– Qual vai ser o plano? Agora que o coração do verdadeiro crédulo veio com uma proteção. – Perguntou Felix, indicando com a cabeça os corpos inertes de Ananda e Henry.

– Ela vai ser um obstáculo, Felix. Eu preciso que Henry acredite em mim. Mas essa garota vai deixar tudo mais difícil. – Respondeu Peter, mirando o corpo da garota.

– A não ser – Felix fez uma longa pausa e revirou os olhos para olhar a garota. — Que você ganhe a crença dela também.

Peter encarou Felix esperando que fosse algum tipo de piada.

– Ou ganha a confiança dela ou dê um jeito de tirá-la do caminho. – Disse Felix rápido e com frieza.

– O quis dizer com ganhar confiança dela? – Questionou ele, embora soubesse exatamente o que o amigo sugerira. Tirá-la do caminho era uma opção que não queria considerar.

– Quero dizer, o quão difícil vai ser? Ela é apenas uma garota. – Disse.

– É mais difícil do que você pensa. Ela não é apenas uma garota. – Argumentou Peter, Felix encarou o amigo sem entender o que ele dissera. O que ele quis dizer com “Ela não é apenas uma garota.”?

– Ela tem magia, isso que quero dizer. – Explicou. – Eu senti. No momento em que ela entrou naquela clareira atrás de Henry.

– Magia poderosa? – Indagou Felix.

– Ainda não sei. Mas vou descobrir. E já tenho tudo planejado. – Pronunciou com determinação. Mirou mais uma vez o corpo estendido e adormecido da garota.

O cabelo cobria-lhe metade da face, suja de terra na maça do rosto, o jeans estava sujo, assim como a blusa azul-marinho. Mas ela ainda parecia sonhar algo perturbador e desagradável.

Nos sonhos de Ananda, vozes ecoavam no vazio: “Controle a si mesma!” “Você está perdendo o controle, Ananda.” “Acha mesmo que consegue afastar as pessoas tratando-as com frieza e ironia?” “Nada do que faça irá disfarçar o que há de errado em você. Está enganando a si mesma ao acreditar nisso.” “Quanto mais pessoas você amar mais pessoas irá ferir.” Tais frases invadiam sua mente, perturbando-a internamente, desde a vinda da magia para Storybrooke.

A partir daí em seus momentos de nervosismo, solidão, ou sobre carga, estranhos incidentes passaram acontecer. Algum objeto caía ou simplesmente mudava de lugar. “Você só precisa controlar suas emoções.” Instruiu Regina. Em suas próprias conclusões Ananda viu que dentre todos os sentimentos que lhe pudessem causar descontrole o causaria mais estragos, tanto nela mesma quanto nos outros, este sentimento maligno seria o amor. Assim, passou a dedicar-se ao máximo para amar o menos possível.

Quando Ananda acordou, sua cabeça latejava, e não entendia muito bem onde estava. Henry ainda dormia ao lado. Estudou o lugar a seu redor, entendeu que era o acampamento dos Meninos Perdidos. Havia som de tambores, que alguns dos meninos tocavam, tinha pelo menos vinte deles, cada um fazendo algo diferente ou simplesmente estavam ali.

Até que todos pararam e deram passagem a outro garoto, que ela reconheceu de imediato, pelo sorriso arrogante. Ananda cutucou Henry, para que ele acordasse.

– Peguem! — Ele atirou na direção deles duas maçãs vermelhas.

– Não gosto de maçã. — Henry olhou desconfiado. Maçãs não eram exatamente um bom presságio na família, principalmente para Henry, que já estivera sobre efeito de uma Maldição do Sono. Pan olhou sem entender a reação de Henry. – É coisa de família. – Esclareceu o garoto.

– Não vale a pena tentar entender. – Disse Ananda, revirando os olhos e cravando os dentes na maçã.

– Não vou tentar. – Ele levantou-se, e virou-se novamente para Henry – Não precisa se preocupar, podemos usar a sua em um jogo. Chama-se Tiro ao Alvo.

Antes que tivesse oportunidade de intervir na ideia um dos meninos pegou um arco o entregou a Henry. Outro garoto pegou a mação das mãos de Peter e a equilibrou na cabeça. E, algo estranho aconteceu, todos os Meninos Perdidos começaram a pedir euforicamente para que Henry atirasse. Ela tentou impedir e tomar o arco das mãos de Henry, mas alguém a segurou com força pelos ombros. Fitou as mãos que a seguravam e o dono, Peter, ele parecia se divertir com a cena, que para ela, era desesperadora. Seu irmão prestes a atirar na cabeça de outro garoto e não a deixava impedir.

Ela tentava controlar seus sentimentos naquele momento. Porém, o cansaço, a raiva por Pan não deixa-la impedir Henry e a decepção consigo mesma por não poder fazer nada eram sentimentos que se misturavam e efervesciam.

– Henry, não! – Gritou Ananda, no momento em que Henry se atreveu a mexer um dedo para atirar a flecha. E, ela empurrou seu corpo para frente, em outra tentativa de escapar, apesar de não ter conseguido se livrar de Peter, que lhe apertou ainda mais os braços.

Outra coisa estranha aconteceu. O arco quebrou em exatas duas metades nas mãos de Henry e a vista dos olhos de todos e na hora alguns meninos cochicharam: “Ela que fez isso.” “Foi na hora que ela gritou.” Cochicharam outros.

Todos agora a olhavam confusos. Peter a soltou. Recuou dois passos e fitou-a franzindo o cenho.

– Você. – Ele apontou para ela.- Você fez isso? – Perguntou-lhe, embora soubesse que havia sido ela.

Ela tremia espantada. Havia exposto o que tentara tanto esconder. Ela passara longos dias trancada, aprendendo sozinha como não deixar que nenhum de seus sentimentos a preenchesse e estava se saindo muito bem. Até aquele momento.

– Não. Eu não fiz nada. – Respondeu Ananda. Ela encarou Peter por um segundo, mas desviou o olhar.

– Está mentindo. – Declarou Peter, ele parecia ter decifrado o que havia acontecido no segundo em que viu os olhos dela, que apesar de escuros deixaram passar claramente a verdade.

– Não estou. – Ela negou, novamente.

– Está sim. Você fez isso. Você tem magia. – Afirmou ele, caminhando na direção de Ananda.

Ela ouviu a frase “Você tem magia.” Como um ladrão ouve sua sentença de morte. E quando viu que Pan caminhava em sua direção ela correu.

Quando ela correu na hora alguns dos Meninos Perdidos se posicionaram para ir atrás dela assim que Peter desse as ordens.

– Vamos atrás dela Peter? – Questionou Felix, que já separa alguns meninos para irem.

– Não. Deixem-na, vou atrás dela sozinho. Ela não vai ir muito longe, mesmo. – Disse desaparecendo.

Enquanto corria tentava desesperadamente afastar os sentimentos, quaisquer que fossem, de dentro de seu coração. Fosse a raiva que sentia por Pan, ou a decepção por ter se descontrolado, ou até mesmo a culpa por não ter conseguido impedir que Henry quase cometesse um ato de crueldade.

Correu até já não conseguir mais respirar. Apoiou as costas no tronco de uma árvore e sentou-se com as costas na árvore. A respiração pesava, suas pernas doíam e sua cabeça latejava.

Afundou a cabeça nas mãos, teve a impressão de que poderia desmoronar se não estivesse apoiada no chão e na árvore. Não havia nenhum som, nem de pássaros ou qualquer outro animal, havia apenas o silêncio. Até que uma voz se fez, e o silêncio foi quebrado.

– Tenho que admitir, — Ela ergueu a cabeça e fitou com espanto o dono da voz, a mesma pessoa que há pouco ela tentara fugir. – Você conseguiu ir mais longe do que pensei que iria.

Ela apenas permaneceu em silêncio, e observando seus olhos verdes.

– Relaxe, não vou te levar de volta, por enquanto. Quero conversar com você antes. – Disse ele, como se isso fosse convencê-la.

– E posso saber sobre o que quer falar comigo? – Perguntou áspera, arrumando sua postura sentada.

– Pode. Mas levante-se, quero poder te olhar nos olhos, como igual. – Dizendo isso, ele a estendeu a mão. Ela fitou a mão dele, com desconfiança.

– O que foi? Não confia em mim? – Perguntou ele oferecendo-lhe a mão novamente.

– Hum, me deixe pensar um pouco. Não! – Respondeu ríspida.

Ele riu da resposta, agarrou a mão de Ananda pelo pulso e a puxou fazendo-a levantar. Porém, quando a pôs de pé ela se desequilibrou, quase caindo em cima dele. Mas ele a segurou, impedindo que os dois caíssem.

Ele segurou os braços dela com as duas mãos sobre seu peito. E percebeu o quão próximo seu rosto estava do dela, conseguia ver a si mesmo refletindo nos olhos dela. E, ela viu nos olhos verdes dele florestas, nas quais ficaria perdida e presa para sempre sem jamais querer ser encontrada.

E, por mais que passasse a negar, naquele momento um sentimento, o mais perigoso e o que mais temia e evitava, atingiu seu coração e se espalhou. Como uma gota de tinta em um papel em branco.

– Por que veio atrás de mim? – Perguntou ela, voltando a si.

– Eu vim atrás de você porque sei que você tem magia. Eu senti quando você entrou naquela clareira atrás de Henry. Negue o quanto quiser, mas eu nunca erro. – Ananda tentou interrompê-lo e ia negar mais uma vez, mas ele a não a deixou sequer dizer uma letra. – Você tem magia. E vim atrás de você para te oferecer um acordo.

– Acordo? – Riu. A famosa frase “Toda magia vem com um preço” ecoou em sua cabeça.

– É bem simples. Eu posso te ensinar a lidar com a sua magia, — Disse gesticulando e fez uma pausa. – mas em troca você vai me dever um favor.

Ela franziu o cenho. Dever um favor a ele não parecia algo sábio a fazer. Embora, fosse tentador aprender a lidar com a magia e finalmente conseguir controlar-se.

– Não quero dever nada a você. – Disse desprezando a proposta. Ele a encarou sem compreender como ela tivera coragem de recusar o acordo.

– Então, não tenho mais por que continuar aqui com você. – Dizendo isso ele a pegou novamente pelos braços e arrastou de volta para o acampamento.

Ela tentou fugir durante metade do caminho, mas vendo seus esforços cada vez mais inúteis cessou. Passando apenas a caminhar ao lado dele.

Notas finais
Comentem, please, nos ajuda a melhorar a história. ^^