Never Is Too Late
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Flashback
– Do que diabos ele estava falando, Quinn?! – Emilia perguntou novamente a loira.
– De nada! – exclamou irritada – Eu vou embora.
– Mas nós praticamente acabamos de chegar.
– Fica ai, então. Eu vou pedir para a Santana vir me buscar – informou e então saiu, deixando uma irritada Emilia para trás.
Ao sair da boate, Quinn pegou seu celular e discou o número de Santana. Após três toques, a latina atendeu:
– Sorte sua que hoje não é minha noite de folga, Fabray. Eu odiaria ser acordada uma hora dessas – disse Santana logo que atendeu, com uma voz que tentava soar irritada.
– Sant, você pode me buscar? Eu preciso de você – disse Quinn, quase sussurrando. Era um milagre a outra ter ouvido.
– O que aconteceu, Q? Você está bem? Está machucada? – a preocupação era evidente.
– Venha me buscar e eu te explicarei tudo – sentenciou – Eu estou naquela boate nova do centro, a...
– Eu sei qual é. Chego em 10 minutos.
Quinn sentou na calçada a fim de esperar a amiga. De longe ela olhava para a praça logo a frente, para o banco onde há poucos minutos Rachel havia declarado lhe amar. Não uma paixonite qualquer pela melhor amiga, mas amor. Rachel Berry amando Quinn Fabray. Quando tudo aquilo havia acontecido?!
Fabray foi tirada de seus pensamentos pelo som estridente de uma... Sirene? Quando pensou em procurar o motivo daquele barulho, o carro dono da sirene parou logo a sua frente, com Santana Lopez no volante.
– Por que diabos essa sirene ligada? – perguntou Quinn, entrando no lado do passageiro.
– Por que você acha que eu cheguei nos exatos 10 minutos prometidos? – Santana sorriu – É uma das coisas boas em ser da polícia: nunca pegamos trânsito.
– Você não estava ocupada, não é? Eu não queria atrapalhar...
– Eu estou em plantão hoje, mas parece que os assassinos de New York decidiram tirar folga – explicou – Mas e você? O que houve?
– Mais fácil você me perguntar o que não houve – bufou – Eu nem sei por onde começar...
– Seguinte: que tal irmos numa lanchonete que eu conheço? Talvez um café forte e bolinhos de mirtilo te ajudem...
– É, parece uma boa ideia – assentiu.
Santana dirigiu por alguns minutos, o carro em completo silêncio, até parar em uma lanchonete simples um pouco distante do centro. Desceram do carro, entraram no local e ocuparam uma mesa ao lado do enorme janelão que dava vista para a rua. Logo uma garçonete se aproximou:
– Boa noite – saudou – Plantão calmo, detetive?
– Até demais, Cindy. Estou começando a ficar preocupada – respondeu Santana, arrancando uma risada da moça – Traga dois cafés e dois bolinhos, por favor.
A moça assentiu e saiu, deixando as duas amigas sozinhas novamente. Santana observou Quinn a sua frente. Ela estava desligada. Olhava os carros passando pela janela, mas seu olhar indicava que não prestava realmente atenção naquilo. Sua mente estava longe e assim Lopez soube que algo havia acontecido.
– Q? – chamou e recebeu a atenção da loira – Quer me falar o que aconteceu? – perguntou no mesmo instante em que Cindy havia voltado com o pedido. Santana viu Quinn esperar a moça se afastar novamente, então tomar um gole de café e então suspirar pesadamente.
– Rachel aconteceu – sentenciou Fabray. Aquela afirmação causou um frenesi na cabeça de Santana, mas ela apenas ficou em silêncio. Preferia que Quinn lhe explicasse, ao invés de “cuspir” todas as suas teorias. Quinn permaneceu em silêncio, dessa vez comendo um pedaço do bolinho.
– Ela resolveu voltar a falar com você? – Sim, Quinn havia contado a Santana sobre a situação com Berry.
– Eu a encontrei na boate. Ela e Jesse – começou a explicar – Logo que cheguei com a Emilia, de longe a vi na pista de dança, com uma mulher quase a comendo e ela parecia bêbada demais para fazer algo, então eu resolvi. Mas ao contrário do que imaginava, isso acabou por ser o estopim de uma discussão que terminou com ela dizendo que me ama e eu, segundo o Jesse, quebrando o coração dela... – Santana nada falou. Ela sabia que Quinn ainda tinha mais a falar, então apenas esperou – Como ela pode estar apaixonada por mim? Em que mundo Rachel Berry estaria apaixonada por mim? Isso é completamente insano, Sant. Está totalmente fora da normalidade. É como se, de uma hora pra outro, estivéssemos em uma realidade diferente sabe? Como se tivéssemos saído da Terra 1 para a Terra 2...
– Sem referências nerds, Q – interrompeu Santana rapidamente.
– O que eu quero dizer, é que isso é insano demais! A Rach só pode estar confundindo as coisas, não sei...
– Do que você tem medo? – Santana perguntou, quando a loira parou seu monólogo para tomar mais café e ganhou um olhar curioso de volta.
– Medo? – inqueriu Fabray.
– Sim. Por que a Rachel te amar é tão insano assim, Quinn? Por que ela te amar é algo ruim? Por que você tem medo de amá-la de volta? Ou de não ama-la e perde-la? Eu preciso entender aqui, sabe? – explicava a latina – Por que precisaríamos estar em uma realidade louca para Rachel Berry te amar?
– Porque... Porque...
– Porque você não consegue aceitar que o sentimento que você escondeu durante anos e anos no fundo do seu peito é real. Porque você a ama e ela te ama também, e você tem medo de aceitar isso.
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Os dias começaram a se passar. Quinn não se surpreendeu quando Jesse apareceu para buscar as coisas mais importantes de Rachel, mas mesmo que seu interior gritasse que não, ela apenas o observou em silêncio. Quando o homem saia com a última mala, parou na sala e encarou a loira jogada no sofá com um olhar reprovador.
– O que?! – perguntou Quinn.
– Vocês duas estão cometendo um erro terrível... – disse.
– Hey! Eu não sou a culpada aqui. As atitudes dela causaram isso...
– Não seja idiota, Quinn! – exclamou Jesse, recebendo um olhar alarmado da loira – Ela não escolheu amar a melhor amiga, não escolheu te amar! Ou você acha mesmo que a Rach iria escolher alguém tão egoísta como você? Ela não queria isso tanto quanto você, mas ninguém escolhe quem ama! Aconteceu e ela tentou, acredite, ela tentou muito lutar contra isso, porque ela sabia que ia te perder e não queria isso. Sabe por quê? Porque, mesmo no meio disso tudo, ela ainda escolheu você! Ela não pensou no sofrimento dela em nenhum momento, o único desejo era não perder você e isso só mostra o quanto você não merece alguém como Rachel Berry!
Ao final do discurso, Jesse estava vermelho de raiva e Quinn paralisada. Ela não lembrava de ter visto o amigo dessa forma nos últimos anos, assim como não lembrava de alguém defendendo Rachel de uma forma tão fervorosa, a não ser... A não ser ela mesma?! Quinn queria dizer algo, mas ela não sabia o que dizer.
– Eu... – tentou.
– Não – interrompeu – Guarde o que quer que você tenha pra dizer, Q. E eu só preciso te dizer uma última coisa: ela te ama. Ela te ama e eu só espero que você não espere que seja tarde demais para fazer algo sobre isso...
Dito isso, Jesse apenas saiu. Deixando uma Quinn Fabray imersa em um dilema ao qual não sabia nem como começar a procurar uma resposta...
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Os dias se passavam lentamente para Quinn. Ela não havia procurado Rachel e nem a morena havia ido a sua procura. Então era isso? Tudo que elas construíram juntas desde aquele dia no teatro, quando se reencontraram, acabava ali? Daquela forma? E tudo porque Rachel havia se apaixonado por ela?
– Eu não... Eu não sou capaz de retribuir o que ela sente – falou para si mesma, encarando o teto do seu estúdio, onde estava no momento.
Duas batidas leves na porta a tiraram de seu pensamento. Deu autorização para a entrada, então o rosto de Claire lhe apareceu na porta.
– A Srta. Lopez está aqui – informou.
– Pode deixa-la entrar, Claire... – segundos depois Santana entrou.
As duas se cumprimentaram e sentaram-se no pequeno sofá que havia ali. Encarando-se em silêncio por alguns segundos.
– Britt mandou te convidar para jantar amanhã – informou a latina.
– Claro que eu não recusaria um pedido da B – Quinn sorriu – Mas sem querer ser mal educada... Por que você não mandou apenas uma mensagem ou algo do tipo?
– Eu queria ver como você está, com tudo sabe... – explicou, fazendo Quinn olha-la com uma cara interrogativa, sobrancelha levantada em questionamento.
– Eu estou ótima, ou você discordaria?! – desafiou.
– Você não precisa esconder seus sentimentos de mim, Q. Eu sei que a Rach significa muito pra você, que vocês construíram algo, por mais que você esteja cega para os seus reais sentimentos. Então não precisa criar uma armadura para fingir que a ida dela não está mexendo contigo... – disse em um fôlego só.
– Sim, ela significa muito pra mim. Mais do que eu imaginaria... – Quinn pausou – Espera ai. Como assim a “ida” dela?! Do que você está falando?
– Oh... Você não sabe – percebeu Santana.
– Não sei o que? Do que você está falando, Sant? – questionou a loira de forma ansiosa.
– Um minuto... – Santana pegou seu celular e digitou alguma coisa rapidamente, virando-o para Quinn segundos depois. A forma como os olhos avelã se arregalaram e o queixo fino e pálido caiu, seria cômico se não fosse trágico. A notícia estampada no site fez o coração de Quinn Fabray parar.
“CIAO BROADWAY! A queridinha da Broadway, a premiada atriz Rachel Berry, se despede dos EUA. Após convite do famoso diretor Alfred Thompson, Berry está de viagem marcada para Roma, disposta a dominar também os palcos italianos. Se há volta ou se esta é uma viagem definitiva, não sabemos. Mas Rachel tem tudo para brilhar em qualquer lugar da Europa”.
– Ma-mas... Ela não pode ir, não pode me deixar – sussurrou baixo, porém ainda alto o suficiente para que Santana lhe ouvisse.
– E por que não? Rachel é uma mulher livre, Quinn. E, até onde eu sei, você perdeu qualquer direito que tivesse de opinar nisso – disse – A não ser que você resolva fazer alguma coisa sobre...
Porém não importava quanto ou o que Santana falasse, Quinn não lhe ouviria. A loira havia sido levada para outra dimensão, onde apenas o pensamento de perder Rachel lhe importava...
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Presente...
– O q-que vo-você ta fazendo aqui, Quinn? – questionou Rachel ainda surpresa.
– Você não pode ir. Não pode fugir pra Itália sem nem ao menos me dizer, Rach. Eu não posso te deixar ir... – disse entre um fôlego e outro devido a corrida.
– E por que não?!
– Porque eu te amo.
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