Never Is Too Late
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Mais cedo naquele mesmo dia...
– Você tem certeza disso, Rachel?
– A resposta é a mesma das outras mil vezes que você perguntou, Jess... – bufou a morena, em direção ao amigo.
– Eu só... Um coração partido não devia ser o suficiente pra te tirar do lugar que você ama, de perto das pessoas que ao contrario da Quinn, te amam mais que tudo. Um coração partido não devia ser o suficiente pra te fazer ir embora – disse St. James tristemente.
– Não é apenas um coração partido, Jesse – suspirou – Eu poderia dizer que você descobrirá isso algum dia, quando passar pelo mesmo, mas eu não desejo o que estou sentindo agora nem para o meu pior inimigo. O quanto isso aqui – pôs a mão sobre o peito esquerdo, lágrimas já inundando os olhos escuros – Está doendo... Ninguém merece passar por isso. Então não é só um coração partido. Quinn me quebrou, por inteira.
Jesse não disse nada, apenas a abraçou. O que ele poderia dizer? Nada que saísse de sua boca aliviaria o sentimento que tomava Rachel por inteiro, arrancando-lhe qualquer vestígio de felicidade que ela ainda tivesse. O que Quinn havia feito? St. James não se sentia mal em culpar a loira. Ele sabia que Fabray não só retribuía, mas talvez sentisse o mesmo em nível dobrado, mas ela tinha medo. Medo de amar sua melhor amiga. E esse medo não fez apenas ela de vítima...
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A campainha do apartamento tocava insistentemente, mas Quinn não estava com vontade abri-la. Quem quer que fosse, não importava. Ela sabia que não seria a única pessoa que ela desejava ver. Então apenas ficou ali, jogada sobre o sofá, ouvindo o som irritante, até que ele parou. Suspirou feliz, mas então o som da porta se abrindo com um baque a fez se jogar para fora do seu conforto atual.
– Mas que diabos! – exclamou e deu de cara com Santana – Você está louca?! Você arrombou minha porta, sua maluca?!
– Quem mandou não abrir a porta? Achei que você estivesse morta... – gritou a latina de volta.
– Quer dizer que não tenho mais nem o direito de querer ficar sozinha? Era só o que me faltava mesmo... – bufou, jogando-se contra o sofá de volta.
– Eu me preocupo com você e é isso que eu recebo de volta?! – disse se aproximando do sofá.
– Eu não quero a sua preocupação – devolveu.
– Mas devia querer minha inteligência, pelo menos! Você vai mesmo deixar a Berry ir embora, sua idiota?
– Eu não posso fazer nada para impedir. Ela é dona do próprio nariz.
– Pelo amor de deus, Quinn! Deixa de ser idiota e orgulhosa ao menos uma vez na vida e cria vergonha na cara para admitir seus sentimentos! Nós não estamos mais no ensino médio. Você não é mais a líder de torcida que precisa da aprovação dos pais conservadores o tempo todo. Você é Quinn Fabray, é uma das fotógrafas mais bem sucedidas do país e dona do próprio nariz, além de lésbica assumida. Do que você tem medo?! Você a ama, então diga isso a ela! Não perca a chance de ter alguém que te ama tanto quanto ela faz por um medo que eu nem consigo entender. Não se permita perder alguém como ela. Porque a Rachel vale a pena.
Quinn quedou-se em silêncio, olhando para Santana ao mesmo tempo em que seus olhos se perdiam junto de sua mente. Repassou tudo que vivera até ali, todos os momentos ao lado de Rachel. Seus pensamentos giravam e ela até acharia que aquilo poderia ser uma experiência de quase morte, onde quando a alma está prestes a sair do corpo, todos os momentos importantes passam sob seus olhos e é possível ver aquilo que realmente amamos. Mas ela não estava morrendo e aquilo só servira para lhe mostrar que...
– Eu a amo – sussurrou para si mesma em contemplação – Eu a amo.
– Finalmente! – exclamou Santana – O que você está esperando para ir atrás dela antes que ela cruze o oceano?
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Jesse terminou de colocar as malas de Rachel no carro, então entrou no lado do motorista. A morena já ocupava o banco do passageiro, o olhar perdido.
– Estamos prontos? – perguntou St. James, chamando a atenção da amiga.
– Eu sentirei saudades. De tudo isso, sabe? New York sempre será a minha cidade – disse triste.
– Você não precisa ir...
– Eu preciso. Você sabe que sim...
– Você não vai se despedir dela?
– Eu me despedi dela em frente aquela boate, Jess. Eu não posso olha-la mais uma vez e não ver nenhum sentimento sequer naqueles olhos. Seria demais pra mim.
– Tudo bem, tudo bem. Vamos para o aeroporto então – suspirou cansado, dando partida no carro.
Um silêncio pesado se estabeleceu durante o início do percurso até Jesse quebra-lo.
– Eu sinto muito – pediu.
– Pelo quê, exatamente?
– Por ter começado tudo isso. Se eu tivesse ficado na minha, talvez nada disso tivesse acontecido – disse triste, tentando concentrar-se o máximo possível no trânsito a sua frente.
– Isso não é sua culpa. Mais cedo ou mais tarde, aconteceria. Você só... Adiantou as coisas. E talvez até tenha sido melhor – disse, colocando uma mão sobre o ombro do amigo.
Jesse apenas suspirou ao mesmo tempo em que parava o carro no estacionamento do aeroporto.
– Chegamos – anunciou.
– É quase hora de ir, eu acho – suspirou a morena pesadamente antes de saírem do carro em direção a entrada do aeroporto.
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– Nós não vamos chegar a tempo – murmurou Quinn, vendo a fila de carros que se estendia a frente delas.
– Só basta você deixar e logo estaremos lá – disse Santana.
Quinn pausou por um momento, analisando as opções. Olhou para o relógio e, segundo a informação que havia conseguido, faltavam 20 minutos para o voo de Rachel. Elas não estavam tão longe assim, mas com todos aqueles carros, 20 minutos não seriam suficientes.
– Tudo bem, pode ligar – anunciou.
Dito isso, Santana apenas sorriu antes de puxar uma sirene para fora e coloca-la no teto do carro, ligando-a em seguida. Como a latina já esperava, o efeito foi totalmente eficaz: o mar de carros se abriu, dando-lhes passagem. Resultado final: dos 20 minutos que tinham, 10 foram suficiente para chegar ao aeroporto. Logo que a latina estacionou a loira saiu do carro, correndo, em busca de onde estaria o portão de embarque da morena. Dizer que estava chamando a atenção era pouco. Todos do aeroporto lhe olhavam, mas Quinn não estava incomodada em ser o centro das atenções.
– Onde fica o portão de embarque para o voo que vai pra Roma? – perguntou ofegante a um segurança que logo lhe indicou o caminho.
Voltou a correr enlouquecida, até enxergar, finalmente, o local que procurava. Mas onde estava Rachel? Olhou de um lado para o outro e não a encontrava. Oh não, havia sido tarde demais... Seus olhos buscavam em cada canto daquele aeroporto a presença da morena, até que viu Jesse. Sozinho. Olhando em uma determinada direção. Seguiu os olhos dele e viu Rachel, na fila para checar a passagem. Correu naquela direção, passando por Jesse que, provavelmente, havia visto apenas seu vulto. Correu até ficar poucos metros de distância, para então gritar:
– RACHEL!
Os segundos que se passaram foram torturantes. Quando já se preparava para gritar novamente, o corpo moreno virou-se em sua direção.
– Quinn?! – a surpresa estava estampada ali — O q-que vo-você ta fazendo aqui, Quinn? – questionou.
– Você não pode ir. Não pode fugir pra Itália sem nem ao menos me dizer, Rach. Eu não posso te deixar ir... – disse entre um fôlego e outro devido a corrida.
– E por que não?! – perguntou.
– Porque eu te amo.
Quinn não sabe de onde aquelas palavras saíram, mas agora elas estavam ali, pairando no ar, fazendo Rachel lhe encarar em silêncio.
– Eu sei que nós, que eu, não comecei isso muito bem – Quinn começou a falar – Eu sei que eu fui uma idiota, mas... – pausou – Eu estava com medo. Quem não estaria? – sorriu nervosa – Minha melhor amiga está apaixonada por mim. A melhor pessoa que eu conheço na face da terra, se apaixonou por mim. Uma pessoa totalmente quebrada. Então, o medo falou mais alto. Medo do que eu te magoasse, como magoei todas que passaram na minha vida. Medo de te perder quando você percebesse que eu não valho a pena. Medo de... Medo de não ser o suficiente pra você. Você merece tudo, merece o mundo, Rachel Berry. E eu não sou nada. Como você pode me amar? Como isso pode ter acontecido? Então eu apenas reagi sem pensar. Eu fechei meus olhos. Eu não poderia te amar. Eu peguei tudo e joguei pra debaixo do tapete, todos os sentimentos. Mas eu acabei te magoando mais do que imaginei que podia e só agora, quando você está prestes a entrar em um avião e atravessar o oceano, é que eu percebo que eu não posso viver sem você. Você é tudo, Rach. Então, não. Eu não posso te deixar ir. E sim, eu te amo. Afinal, como não amar alguém que vale tanto a pena?!
Quinn terminou seu pequeno discurso sob os olhares atentos de praticamente todo o aeroporto, mas o único olhar que ela procurava estava logo a sua frente, confuso e emocionado, paralisado e excitado. Rachel estava muda. Pela primeira vez em muito tempo, Rachel havia perdido suas palavras.
– Por favor... – pediu Quinn, as próprias lágrimas começando a saltarem livres – Diz alguma coisa...
– Eu... Você... – tentou – Você não... Não pode brincar comigo assim, Quinn...
– Eu não estou! Eu juro que não, Rachel! – disse – Eu te amo. Você sabe que eu amo. Tudo que nós passamos juntas...
– Você tem noção do que me fez?! – interrompeu – Tudo que eu passei, o que suas palavras me causaram?
– Eu fui uma idiota! Eu sei que fui e eu só preciso de uma chance... – pediu – Eu preciso de você.
– Então agora você precisa?! E quando disse que eu “não sou a sua felicidade”?
– Srta. Berry, o voo precisa sair – disse a funcionária do aeroporto, chamando a atenção da morena.
– Rach, por favor... – pediu Quinn, olhando para a morena – Eu te amo. Eu te amo e eu só preciso de uma chance...
Rachel olhou para a loira. Seu coração estava apertado. Nunca imaginou ouvir aquilo de Quinn. Pelo menos não depois daquela fatídica noite na boate. Encarou Santana e Jesse, parados mais atrás de Quinn, observando o desenrolar da cena junto de todo o aeroporto.
– Por favor, Rachel – Quinn pediu mais uma vez, agora se aproximando da morena, a ponto de respirarem o mesmo ar.
O cheiro de Quinn invadiu o olfato de Rachel. Não havia percebido a saudade que sentia daquele cheiro até aquele momento. Encarou os olhos avelã, banhados em lágrimas, fixamente. Os lábios rosados tremiam levemente pelo choro. Uma refletia a outra. Ali, frente a frente, eram espelhos. Abertos, alma e corpo. Refletindo um só sentimento.
Antes que percebesse, Quinn sentiu os braços de Rachel lhe rodearem o pescoço. Um abraço forte, apertado. Pôs suas mãos ao redor da cintura morena, prendendo o corpo da morena contra si, querendo fundi-las em uma só. O arrepio percorria, passando como correntes elétricas de uma para a outra. Não queriam soltar-se nunca mais.
– Eu sempre, independente do tempo, sempre vou te amar, Q...
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