Never Is Too Late
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Quinn, seu celular está tocando novamente – avisou a assistente.
Quinn estava no meio de uma sessão para a nova coleção de um novo estilista nova iorquino. Seu celular já havia tocado outras quatro vezes e sua assistente sabia que, durante uma sessão, a loira apenas atendia ligações de Rachel, o que não era o caso.
– Olha, eu sei que você não atende ligações sem ser da Rachel, mas pra já terem ligado tantas vezes, deve ser importante... – explicou Claire, a assistente.
– Eu já estou terminando aqui, deixa tocar e quando acabar eu retorno – disse Quinn e viu a assistente assentir.
Em poucos minutos Quinn tirava a última foto, encerrando a sessão. A loira começou a guardar sua câmera e alguns outros equipamentos, quando sentiu alguém se aproximar de si. Virou e deu de cara com Emilia, uma das modelos.
– Oh, hey – disse a loira sem jeito pela proximidade da outra.
– Rachel? – perguntou ela e viu Quinn olha-la em confusão – Sua namorada?
– O que?! Não! Rachel é a minha melhor amiga – sorriu.
– Oh... Então isso significa que você está solteira? – olhou-a com um sorriso malicioso.
– Não. É... Quer dizer... Sim. Solteira, sim. Acho que sim... – a confusão de Quinn arrancou risadas de Emilia.
– Okaaay... Quando você decidir se está solteira ou não, me liga e vamos sair pra tomar alguma coisa... – se aproximou de Quinn e colou os lábios próximo a orelha da loira – Ou quem sabe fazer alguma coisa...
Emilia piscou para Quinn e colocou seu cartão na mão da loira, se afastando logo depois e deixando a loira paralisada no meio do estúdio. Quinn saiu de seu torpor, apenas quando ouviu a voz de sua assistente.
– Por deus, Quinn! Atende logo esse celular antes que eu jogue ele na parede!
Quinn foi até ela e pegou seu celular, atendendo em seguida.
– Fabray – saudou ao atender a chamada.
– Finalmente, loira! – claro, Santana. Como Quinn não havia imaginado antes? – Que difícil falar contigo...
– Eu trabalho Santana. Pensei que uma detetive fazia o mesmo...
– Hoje é meu dia de folga, encerramos um caso ontem. Por isso estou te ligando, afinal combinamos de sair pra beber... Ainda vai rolar?
– Claro, claro. Que horas?
– Seu expediente já acabou?
– Sim, estava na última sessão de hoje.
– Então, agora? Pensei em bebermos aqui em casa mesmo, Britt preparou uns petiscos...
– Ótimo! Até prefiro que seja ai mesmo, onde não há paparazzis me infernizando... – bufou e ouviu a latina rir do outro lado.
– Isso que dá querer ser famosa, Fabray! Estou te esperando aqui, então. Te mando o endereço por mensagem...
– Tudo bem. Vou só passar em casa pra trocar de roupa e avisar a Rach, ver se ela fica bem sozinha por algumas horas...
– Hum, okay. Até já, Q. – e então a latina encerrou a ligação.
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Quinn chegou em casa e estranhou o fato da casa estar assustadoramente silenciosa. Pela hora, Rachel ainda devia estar se arrumando para ir para o teatro com Jesse.
Subiu as escadas silenciosamente, buscando algum sinal de onde a morena estaria, até que finalmente a voz de Rachel cantando se fez presente. Quinn seguiu o som que dava no quarto da morena e abriu a porta, já entrando.
– Te achei – disse rindo até dar de cara com a morena apenas de lingerie em frente ao guarda roupa que estava com as portas abertas – Oh, desculpa, Rach! Não sabia que você estava se trocando – disse virando de costas.
– Mas que besteira, Q! Como se você nunca tivesse me visto nua ou com pouca roupa – riu e viu a loira virar-se de volta – Por que já está em casa?
– Bom, a sessão acabou cedo e a Santana me ligou...
– Vão sair? – perguntou, começando a vestir-se.
– Ela disse pra ir pra casa dela, que seria melhor.
– Concordo, você sabe como os paparazzi podem ser chatos...
– Tem certeza que não quer que eu vá pro teatro? Depois nós podemos sair, sei lá... – disse Quinn.
– Você já sabe o espetáculo decorado, Quinn! – respondeu a morena, se aproximando e colocando as mãos nos ombros da loira – Eu ficarei bem um dia sem você na primeira fila. Jesse virá me deixar em casa e ficará aqui até você chegar...
– Tem... – tentou, mas foi interrompida.
– Sim, eu tenho certeza – falou com um sorriso – Vá. Santana e Brittany são suas amigas e pra ela ter tomado a iniciativa, elas devem sentir sua falta.
– Okay, okay. Mas sabe que qualquer coisa, eu estarei com o celular não é? É só me ligar e eu corro até você.
– Eu sei. Eu sei e te amo por isso – disse Rachel, abraçando Quinn em seguida – Agora vá se arrumar. Jesse já deve estar chegando para irmos...
– Tudo bem – sorriu e se aproximou beijando a bochecha da morena – Quebre uma perna!
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Quinn estacionou o carro em frente ao prédio no endereço indicado por Santana. Era um prédio relativamente luxuoso, com alguns andares. Desceu do carro e se encaminhou até a portaria, onde um senhor lhe sorriu.
– Boa noite, senhorita. Posso ajudar em algo? – perguntou simpático.
– Estou aqui para ver Santana Lopez – respondeu, devolvendo o sorriso.
– Claro. Você deve ser a Srta. Fabray? – Quinn assentiu – Sua entrada já está liberada. Quinto andar.
– Obrigada. Qual o apartamento? – perguntou.
– A senhorita descobrirá facilmente – sorriu.
Quinn assentiu e se encaminhou para o elevador. Entrou e apertou o botão do quinto andar. Segundos depois as portas voltavam a se abrir e Quinn saia para o corredor, em busca do apartamento de Santana e Brittany. A loira estranhou ao ver apenas uma porta em todo o corredor. Talvez por isso o senhor havia dito que seria fácil encontrar o apartamento? Bem, a loira iria descobrir... Aproximou-se da porta e tocou a campainha. Esperou alguns segundos até a porta ser aberta e dar de cara com uma sorridente Brittany.
– Quinn! – exclamou, abraçando a loira menor pelo pescoço – Vem, entra.
Brittany deu passagem para que Quinn pudesse entrar no apartamento e logo Fabray deu de cara com Santana, que vinha do que parecia ser a cozinha do apartamento.
– Sério que o apartamento de vocês é o andar inteiro? – perguntou Quinn e viu Santana sorrir.
– Nesse prédio, todos os apartamentos ocupam um andar inteiro. Dá mais privacidade e Britt gosta de espaço, pudemos fazer muita coisa aqui – explicou Santana, abraçando a amiga em cumprimento.
– Nossa, e eu achando que nossa casa era grande...
– Nossa? – perguntou a latina.
– É. Não comentei que eu e a Rach moramos juntas? – disse despreocupada enquanto caminhavam em direção a enorme sala.
– Oh, claro. Como não imaginei antes?! – ironizou a latina.
– Quer dizer algo, apenas diga, Santana – disse Quinn.
– Temos muito tempo ainda, a noite está apenas começando, Q! – sorriu.
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Cerveja vai, cerveja vem e tanto Quinn, como Santana e Brittany já estavam um pouco alteradas pelo álcool. Relembravam os tempos de McKinley e riam abertamente com algumas histórias.
– Wow, vocês lembram a cara daqueles idiotas na nossa performance de “Start Me Up/Livin’ On a Prayer”? – perguntou Quinn rindo.
– Bom, eu lembro da sua cara olhando pras pernas da anã naquela calça de couro – alfinetou Santana rindo.
– O que? Não houve nada disso! – tentou se defender.
– Aaaah, você não me engana, Fabray! Nunca enganou...
– Do que você está falando, Lopez?
– Ora do quê! Todo mundo sabe que você sempre teve uma paixão enrustida pela Berry!
– Você está muito bêbada mesmo – disse Quinn, bufando.
– Não vem com essa. Vocês não me enganam com essa historinha de melhores amigas! Ora, até morando juntas vocês estão...
– A Rach é a minha melhor amiga, sim. Não é porque moramos juntas que isso significa outra coisa.
– Okay, então me diz... Quantas pessoas você e ela namoraram depois que se reencontraram?
– É... – pensou por alguns instantes – Nenhuma. Mas isso não quer dizer nada!
– E por que não namoraram? – questionou.
– Não queríamos ninguém invadindo nossa privacidade. Mas, novamente, isso não quer dizer nada.
– Qual a sua opinião sobre o último rolo da Berry?
– Era um idiota. Um gigolô que só estava usando-a para conseguir se aproximar do diretor da peça atrás de um papel...
– E qual a opinião da Berry sobre a última mulher que tu pegou? E nem faça essa cara de ofendida, a gente sabe que você é gay...
– Segundo a Rach, ela era uma puta – riu.
– Olha, ou você é muito idiota mesmo ou está se fazendo pra melhor passar... Está na cara que tem algo mais entre você e a Rachel!
– Você está louca, Santana! A Rach nem gay não é...
– Isso é o que você pensa, Quinn – sorriu maliciosa – Berry é tão louca por você como você é por ela.
Quinn negou com a cabeça e não deu mais ouvidos ao que a latina dizia. Ela e Rachel eram melhores amigas, nada mais que isso. Santana estava fora de si...
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– Deus, mulher! Aquiete suas tetas!
Após saírem do teatro ao fim do espetáculo, Rachel e Jesse foram para a casa da morena e de Quinn. Como Rachel havia dito, ele ficaria ali com ela até Quinn voltar. Mas St. James estava lá há poucas horas e seus nervos já estavam à flor da pele com a amiga.
– Mas Jess... – tentou Rachel.
– Nada de mas, nem meio mas, Berry! – exclamou assustando-a – Você está pior que mulher ciumenta! Quinn virá na hora que vier, pronto. Não precisa ficar ligando, mandando mensagem, nem colocar um rastreador nela...
– Eu só estou preocupada, okay? Está tarde, ela ia beber... – falou a morena fazendo bico.
– Olha, eu entendo, está bem? Prometo que se ela não chegar, nós chamamos a polícia ou algo do tipo... – disse sorrindo.
Rachel assentiu e os dois caíram em um silêncio estranho para duas pessoas que falam pelos cotovelos. Jesse encarava a amiga e Rachel sentia o olhar dele sobre ela.
– O que foi? – perguntou a morena, quebrando o silêncio.
– Nada... – disse simplesmente.
– Pensa que me engana?! Desembucha logo, Jess!
– Promete que vai ser sincera e não vai se fazer de ofendida?
– Sei que vou me arrepender, mas prometo. Agora fala...
– Já fazem... O que? Seis anos que nos reencontramos e reencontramos a Quinn? – perguntou e viu a morena assentir – Você sabe que a sua relação com a loira não é das mais comuns né?!
– Do que você está falando? – perguntou em dúvida.
– Sabe, eu entendo a Santana... Você e a Quinn parecem namoradas, às vezes mais do que isso, parecem casadas. Vocês andam agarradas por ai, moram juntas há anos, mesmo com condições de morarem sozinhas, colocam defeitos em todos os affairs da outra, dormem juntas quase todas as noites... Enfim, se eu for citar tudo aqui, passarei horas!
– Nós somos melhores amigas! Eu também faço isso contigo...
– Mas nem se compara, querida – disse – Você já pensou que... Que a relação de vocês pode não ser só amizade?! Nós sabemos que a Quinn é gay, você sabe mais do que ninguém, já que ela contou primeiro pra você.
– Não, claro que não... – disse incerta.
– Me responde uma coisa e seja muito sincera: o que você sente pela Quinn?
– Eu a amo – disse prontamente – Nossa relação nunca foi fácil, mas eu sempre a quis na minha vida, por isso insisti tanto na escola. Reencontra-la, tão mudada, foi como o destino nos dando uma chance, sabe?! Desde aquele momento no teatro que eu senti que não poderia perde-la e não me arrependo de nada que aconteceu de lá pra cá. Quinn é a melhor pessoa do mundo, ela me faz rir, quando ela chega é como se tudo se iluminasse com a presença e o sorriso dela. Quando dormirmos juntas... É uma calmaria inexplicável. Os braços dela são como nuvens. Ela é... Não sei. Quinn é demais e merece alguém que a ame como ela merece, alguém que veja tudo que ela tem de bom, que se entregue a ela de corpo e alma – terminou com um sorriso genuíno na face, os olhos chocolate brilhando.
– Você acabou de se ouvir, Rach? – perguntou com um sorriso e viu a morena olha-lo com os olhos arregalados.
– Merda... – foi tudo que ela disse.
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Quinn ficou no apartamento de Brittany e Santana até por volta de meia noite, quando resolveu que era hora de ir para casa. Já havia ouvido Santana dar de conta de toda a sua vida, além de ter exagerado um pouco na bebida para alguém que estava dirigindo.
– Foi uma noite muito boa, meninas! – exclamou Quinn, meio alterada, já na porta do apartamento – Vamos marcar mais dessas...
– Vamos sim, Q – disse Brittany com um sorriso.
– E na próxima leva sua namorada, Fabray – disse Santana com um sorriso malicioso – A Hobbit vai adorar.
– Vai se foder, Lopez – foi tudo que a loira disse antes de dar as costas e caminhar em direção ao elevador, deixando uma sorridente Santana para trás.
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Ao entrar em casa, Quinn estranhou por todo o andar de baixo estar com as luzes apagadas. Jesse e Rachel já estariam dormindo? Subiu as escadas silenciosamente, tropeçando nos próprios pés algumas vezes. Parou primeiro em um dos quartos de hóspedes e já deu de cara com Jesse esparramado na cama só de cueca, fez cara de nojo e voltou a fechar a porta. Foi em direção ao seu quarto, esperando encontrar Rachel lá, mas estava enganada. Seu quarto estava vazio, sua cama arrumada como havia deixado, indicando que ninguém esteve por lá. Ao contrário do que se esperava, Quinn deu meia volta e saiu pelo corredor em busca do último quarto: o quarto de Rachel.
Ao abrir a porta do quarto, Quinn viu a morena deitada de costas para a porta, parecia estar dormindo. Alguém normal voltaria para o seu próprio quarto, mas não uma Quinn Fabray alcoolizada. A loira entrou no quarto, fechou a porta e caminhou em direção a cama. Parou um pouco antes, tirando o tênis, então entrou vagarosa e silenciosamente (ou assim pensou) embaixo das cobertas.
Rachel não estava dormindo. Após a constatação de que o que sente por Quinn talvez seja mais do que amizade, a morena deu por encerrada a sua noite com Jesse. Disse ao amigo que estava com sono e retirou-se para o seu quarto, porém, tudo que Rachel não fez foi dormir. Revirou na cama, encarou o teto, sentindo seus pensamentos ferverem. Até mesmo algumas lágrimas foram derramadas. Ela não podia acreditar que estava, sempre esteve, apaixonada por Quinn. Aquilo poderia mudar tudo, afinal era óbvio que Quinn não sentia o mesmo. Quinn poderia ter a mulher que quisesse, por que iria escolhe-la? Agora que havia percebido o que sentia, Rachel tinha medo de que Quinn, assim como Jesse, pudesse ver em sua cara, ler em sua alma, aqueles sentimentos e isso acabasse acarretando a perda de sua melhor amiga. Provavelmente a única amiga verdadeira que teve a vida inteira.
Os pensamentos de Rachel não a deixavam em paz e mesmo tentando incansavelmente dormir, ela não conseguia. Principalmente quando ouviu o ruído do motor do carro de Quinn entrando pelo enorme jardim e depois estacionando na garagem. Quinn havia voltado e, ao contrário do que queria antes, tudo que Rachel não desejava era vê-la. Mas nem tudo é como se deseja. Suspirou aliviada ao ouvir a porta do quarto de Quinn sendo aberta e fechada, mas sentiu seu corpo ficar tenso quando, segundos depois, a sua porta era aberta e logo depois o colchão ao seu lado afundava.
– Rach, ta dormindo? – falou uma Quinn com a voz enrolada.
Rachel preferiu fingir que dormia, assim Quinn desistiria logo. Ledo engano... Quando não obteve resposta, Quinn simplesmente resolveu se aproximar da morena, aconchegando-se em suas costas, formando uma conchinha.
– Hum, Quinn? – disse Rachel, fingindo uma voz sonolenta, como se acabasse de acordar (ela era uma atriz afinal).
– Hey, eu te acordei? – riu a loira.
– Você está bêbada, Quinn? – perguntou, mesmo sabendo a resposta.
– Hum, talvez um pouco? – riu novamente.
Rachel soltou-se dos braços pálidos e virou seu corpo, ficando de frente para Quinn. O rosto da loira estava bem próximo ao seu e aquilo era como uma brilhante placa indicando “perigo” para Rachel.
– A noite foi boa, hein? – tentou a morena, querendo quebrar a tensão que apenas ela parecia perceber.
– É, foi sim. Acredita que a Santana disse que nós duas somos apaixonadas uma pela outra? – riu mais uma vez, um pouco mais alto – Que louca!
– Ér... – a morena começou sem jeito – Louca mesmo...
– Que seja – bufou a loira – Só é bom estar em casa. Eu senti sua falta...
Ao ouvir isso o coração de Rachel se aqueceu, embaralhando e complicando ainda mais a sua briga interna.
– Vamos dormir, Q – disse, voltando a virar de costas e buscando afastar os pensamentos – Amanhã você vai acordar com uma grande ressaca...
Quinn ficou em silêncio, Rachel pensava que ela havia caído no sono de tão bêbada, até sentir uma mão passando por sua barriga e um corpo se aconchegando a si.
– Boa noite, Rach. Eu te amo, ta? – disse Quinn, o hálito quente no pescoço moreno, causando arrepios.
– Boa noite, Q – falou por fim, desistindo.
Logo Quinn pegaria no sono e assim as duas poderiam dormir em paz. Ou assim Rachel pensava...
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