Never Is Too Late
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Na manhã seguinte Rachel foi a primeira a acordar. Na verdade, a morena nem havia dormido direito. Os braços de Quinn ao seu redor, o rosto da loira entre seus cabelos, a respiração quente em sua nuca... Tudo aquilo fez o conjunto perfeito para tirar o sono da morena.
Rachel liberou-se do corpo de Quinn, saiu da cama e foi ao banheiro fazer sua higiene matinal. Depois trocou de roupa e saiu do quarto em direção a cozinha. A casa estava silenciosa, indicando que ela era a única de pé.
A morena começou a preparar o café, fazendo-o o mais forte possível, já prevendo a ressaca de Quinn. Quando começou a preparar torradas e ovos para comer, Rachel ouviu alguns passos e logo depois Jesse apareceu na cozinha.
– Já de pé, diva? – perguntou o rapaz, sentando-se em uma das cadeiras, servindo-se de café.
– Não dormi muito ontem – deu de ombros.
– E a Quinn? Você ainda a viu chegar?
– Sim...
– E...? – pediu, querendo mais informações.
– Ela se enfiou na minha cama, bêbada e ainda dormiu agarrada comigo a noite inteira. Quase não saio da cama hoje...
– Oh... Está tudo bem?
– Por que não estaria? Não é como se eu tivesse descoberto que sou apaixonada pela minha melhor amiga... – ironizou.
– Ironia. Isso não é um bom sinal... – balançou a cabeça negativamente – Olha, eu preciso ir. Mais tarde te busco para irmos para o teatro e vou pensar em algo para fazermos depois. Você vai ficar bem sozinha com ela?
– Vou, não se preocupe – disse.
– Eu sempre vou me preocupar contigo – se aproximou e beijou a testa da morena – Qualquer coisa, me liga.
Após Jesse ir embora, Rachel tomou café e começou a lavar a louça. Ao terminar, a morena ouviu alguns ruídos vindos do andar de cima: Quinn havia acordado e Rachel sabia que aquilo significava uma grande dor de cabeça devido a ressaca. Pôs café em uma caneca, pegou dois comprimidos e, por via das dúvidas, colocou algumas coisas para loira comer, tudo em uma bandeja e subiu as escadas.
Ao entrar no quarto, Rachel riu fraco com a cena que encontrou: Quinn deitada de barriga pra cima, o travesseiro sendo apertado contra seu rosto.
– Tudo bem ai, cara pálida? – brincou a morena, chamando a atenção da loira que retirou o travesseiro do rosto e olhou-a.
– Eu estou morrendo, Rach – gemeu – Minha cabeça vai explodir!
Rachel se aproximou da cama rindo, pôs a bandeja na mesinha ao lado e pegou o café e os comprimidos.
– Aqui, isso vai fazer melhorar um pouco... – estendeu-os pra Quinn e a loira tomou-os – Santana e Brittany beberam tanto quanto você?
– Talvez mais... – riu – Obrigada por cuidar de mim – estirou a mão e colocou-a na bochecha da morena. Rachel inclinou o rosto – Eu não sei o que seria de mim sem você.
– É, eu também não sei – brincou, tentando disfarçar a tensão por apreciar tanto aquele toque – Termine seu café e descanse mais um pouco, depois tome banho e volte a descansar, hoje é sábado afinal...
– E você, o que vai fazer? – perguntou.
– Talvez arrumar algumas coisas, fazer o almoço... – deu de ombros.
– Nah, fica aqui comigo – pediu, fazendo carinha de cachorro que caiu da mudança – Nós assistimos alguns filmes, pedimos comida. Mais tarde você tem que ir pro teatro e ontem mal nos vimos.
Rachel pensou. Ela não sabia se ficar perto de Quinn agora seria uma boa ideia. Sua cabeça ainda estava uma confusão. Em contrapartida, negar qualquer coisa a loira era quase impossível, principalmente ela olhando-a com aquela carinha...
– Okay, okay – disse vencida – Mas eu escolho os filmes!
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Quinn e Rachel estavam deitadas na cama da morena. A loira havia tomado banho e agora elas assistiriam a um filme que Rachel havia escolhido, provavelmente algum musical.
Fabray encostou-se na cama, as pernas estiradas e Rachel sentou ao seu lado, mantendo uma pequena distância.
– Por que tão longe? – perguntou Quinn brincando – Vem cá!
Quinn puxou Rachel para si, passando o braço pelos ombros morenos e abraçando-a. Rachel preferia que não, mas aquela proximidade fez as borboletas em seu estômago voarem alto.
Ficaram naquela posição durante todo o filme, saindo apenas na hora que o entregador chegou com o almoço das duas. Sentaram-se juntas na mesa da cozinha e começaram a comer em silêncio.
– Você e Jesse irão sair depois do espetáculo? – perguntou Quinn.
– Não sei, talvez. Jesse disse que planejaria algo – respondeu Rachel, dando de ombros.
– Bom... Eu vou sair com uma amiga, tudo bem? Se for o caso, podemos nos encontrar... – disse a loira sem jeito.
– Hum, amiga? – Rachel perguntou, tentando não demonstrar tanto interesse, afinal, ela sabia o que “amiga” (que não fosse ela) significava no dicionário de Quinn.
– Um modelo da última campanha, Emilia.
– Ah, claro... – disse levantando-se – Okay, talvez eu nem saia mesmo.
– Já terminou? – perguntou a loira, vendo a comida de Rachel quase intocada.
– Sim, vou pro meu quarto...
– Terminar aqui, eu vou pra lá.
– Eu quero ficar sozinha, Quinn – foi tudo que Rachel disse antes de desaparecer da vista da loira.
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Quinn e Rachel só se viram novamente quando Jesse chegou para buscar a morena para irem para o teatro. Quinn não entendia aquela mudança de comportamento de Rachel, mas não teve como questiona-la, já que a mesma havia se trancado no quarto.
– Onde está a Rach? – perguntou Jesse, ao passar pela porta de entrada.
– Trancada no quarto – respondeu Quinn, que estava sentada no sofá, zapeando os canais da televisão – Vai lá chama-la, ver se você ela responde...
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou ele.
– Se você descobrir, me conta depois – ironizou mal humorada.
Jesse preferiu não dizer mais nada. Sabia que havia acontecido algo e Rachel seria a pessoa a lhe dar respostas. Subiu as escadas e foi direto para o quarto da morena. Bateu uma vez e não obteve resposta.
– Abre logo essa porta, Berry! – exclamou, batendo novamente.
Segundos depois ouviu a porta sendo destrancada e em seguida aberta. Rachel saiu de lá já arrumada e com suas coisas para ir ao teatro. Saiu na frente, deixando Jesse para trás, já descendo as escadas. O outro apenas bufou e a seguiu, observando como ela passou pela sala, sem falar com Quinn e foi direto para a saída. A loira, por sua vez, virou-se ao ouvir os passos de Rachel, mas também não falou nada, voltando a zapear os canais. É, a situação parecia mais grave do que Jesse imaginava...
Rachel entrou no carro do amigo e permaneceu em silêncio. Jesse já não aguentava mais aquilo, então quando o carro já estava em movimento, resolveu que era hora de acabar com aquilo.
– O que diabos aconteceu entre vocês duas, hein?! – perguntou meio irritado.
Mas, para a sua surpresa, Rachel começou a chorar. Um choro sofrido, estridente, com direito até a soluços. O rapaz logo puxou o carro para o acostamento, soltando seu cinto de segurança e envolvendo a amiga em um abraço desajeitado. Ele sentia o corpo de Rachel tremer contra si e as lágrimas molharem sua camisa. Okay, realmente a situação era mais grave do que ele imaginava...
– Querida, você precisa se acalmar – pediu ele, acariciando as costas da morena – Se acalma, para de chorar e me fala o que houve. Eu estou aqui pra você, Rach. Sempre...
Rachel foi se acalmando aos poucos, os soluços diminuindo, até afastar-se do amigo e limpar seu rosto, suspirando em seguida.
– Quer me falar o que houve? – perguntou Jesse novamente.
– Como o que houve?! Quinn houve! Eu sou uma idiota... – bufou – Não! Você é um idiota! A culpa é toda sua por ter me feito ver que sou apaixonada por ela, eu estava tão bem... – acusou.
– Eu não sei o que aconteceu, mas a culpa não é minha. Mais cedo ou mais tarde você perceberia, Rachel! Seis anos já foi muito tempo... – disse ele, tentando se manter calmo, devido o estado da amiga não poderia culpa-la por acusa-lo.
– Quinn nunca vai me ver como nada além de amiga – sorriu triste – Nós passamos a manhã inteira juntas, na cama, assistindo filmes abraçadinhas pra na hora do almoço ela vir me dizer que a noite vai sair com uma modelo qualquer!
– Ciúmes é um sentimento poderoso, querida...
– Eu... Por que essas coisas só acontecem comigo? – disse triste.
– Essas coisas acontecem com todos. Todo mundo já sofreu ou vai sofrer por amor um dia. E se apaixonar pela melhor amiga não é tão incomum assim...
– O que eu faço? Eu vou acabar perdendo-a, Jess. E... E se eu perde-la... Eu não sei viver sem a Quinn, não mais...
– Nós vamos dar um jeito, okay? Vamos tentar fazer tudo ficar bem, eu prometo – disse e abraçou a amiga novamente.
Jesse não sabia como, mas ele precisava cumprir aquela promessa. Suas duas amigas precisavam dele mais do que nunca...
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– Eu não quero sair, Jess – choramingou Rachel.
O espetáculo daquela noite havia acabado e agora Jesse tentava convencer Rachel a acompanha-lo em uma boate, mas a morena estava dificultando tudo.
Rachel estava ainda mais triste do que estava antes do espetáculo. Quinn não havia aparecido no teatro e a essa hora já devia estar deus sabe onde com a tal modelo...
– Por favor, Rach! Você precisa esquecer isso... Ir pra casa e ficar chorando a noite toda não vai adiantar nada – tentou mais uma vez – E faz um tempo que não saímos só nós dois. Vamos lá!
– Nós voltamos pra casa cedo? – perguntou.
– Sim, prometo – sorriu.
– Então vamos logo antes que eu desista...
Jesse levou Rachel a boate de um conhecido que havia inaugurado há pouco tempo. Não era definida como uma boate LGBT, mas o grande público ali presente era homossexual. Ao chegarem não precisaram pegar fila e logo que entraram foram para o bar. A boate estava lotada! Pediram suas bebidas e ficaram observando as pessoas dançarem. Rachel e Quinn sempre costumavam dançar juntas em locais como aquele e lembrar daquilo fez com que a morena levasse seus pensamentos para a loira novamente.
– Okay, tira essa cara triste daí, Rachel Berry! – exclamou Jesse ao ver a amiga com um olhar perdido, triste – Vem, vamos dançar.
Jesse saiu puxando Rachel entre a multidão até chegarem a pista de dança. Cada um tinha uma cerveja em mãos e dançavam junto as outras pessoas ao som das batidas eletrônicas. Rachel que havia começado a noite tristonha, já se animava. O álcool ajudava a deixa-la mais solta e alegre, para a felicidade de Jesse.
Bebida vai, bebida vem, os dois já estavam suados, mas não paravam de dançar em nenhum momento. Jesse já tinha um rapaz moreno próximo de si e Rachel se esquivava de qualquer um que tentasse se aproximar, afinal aquela noite era pra ela, que já tinha problemas demais e não precisava de mais um.
Em determinado momento, “Break Free” soou nos alto falantes. Para Rachel, até o DJ parecia querer lembra-la de Quinn, já que aquela era uma música que as duas sempre dançavam juntas quando saiam. A morena fechou os olhos por alguns momentos, ouvindo a batida, lembrando da sensação de ter o corpo de Quinn próximo ao seu. Ao abrir os olhos, Rachel preferia não ter feito... Sua visão foi de encontro a uma cena que, naquela noite, naquele momento, era tudo que ela menos precisava: alguns metros de distância da onde ela estava com Jesse, estava Quinn. Quinn e outra loira que, provavelmente, seria a tal Emilia. Mas como se isso não bastasse, as duas dançavam juntas, agarradinhas. Fabray, que estava atrás, abraçava a cintura da outra que, por sua vez, tinha um braço ao redor do pescoço dela, fazendo assim com que o rosto de Quinn ficasse colado ao pescoço pálido.
Ao ver aquela cena, foi como se o corpo de Rachel entrasse em estado de choque. A morena parou de dançar no meio da pista e era como se não tivesse mais ninguém ao redor. E foi quando seus olhos marejaram que Jesse finalmente percebeu que algo estava errado. Olhou na mesma direção que a amiga e acabou descobrindo o que havia a deixado daquele jeito.
– Merda... – sussurrou ele e já foi se aproximando da morena, puxando-a para o bar, tirando-a dali – Ela não nos viu, vai ficar tudo bem.
– Eu quero ir embora – foi tudo que Rachel disse.
– Nós vamos, claro. Só bebe uma água antes, okay? – pediu uma água ao barman.
– Eu... Eu só quero ir embora, Jess... – disse triste ao mesmo tempo em que a música acabou e o barman se aproximou com a água. Os dois viraram em direção ao bar, ficando de costas para a pista de dança, a fim de tomarem logo aquela água para poderem ir embora. Mas nada parecia estar a favor de Rachel naquele dia...
– Eu sabia que eram vocês! – exclamou uma voz que os dois amigos conheciam bem. Tão bem que ao ouvi-la, ambos fecharam os olhos e gemeram baixo, se arrependendo por decidirem beber aquela água.
– Hey Fabray – Jesse foi o primeiro a se virar, vendo Quinn de mãos dadas com a loira da pista de dança – Você por aqui?!
– É, nós saímos pra jantar, mas a Emilia queria dançar, então... – deu de ombros com um sorrisinho e encarou as costas de Rachel. Percebendo a ação, Jesse cutucou a amiga, fazendo-a virar com algo que ele imaginou que deveria ser um sorriso.
– Hey Rach – Quinn cumprimentou ao ver o rosto da amiga.
– Hey... – foi o cumprimento dado pela morena.
– Oh... Onde estão meus modos?! – Fabray riu – Emilia, esses são Jesse e Rachel, meus melhores amigos. Gente, essa aqui é a Emilia – apresentou.
– Muito prazer, amigos da Quinn – a outra loira tentou ser simpática.
– Jesse, podemos ir? – Rachel perguntou ao amigo, ignorando totalmente a modelo e ganhando um olhar severo de Quinn que não entendia as atitudes dela desde a tarde.
– Ér... – Jesse começou sem jeito – Vocês vão nos desculpando, mas é que já estávamos de saída mesmo. A Rach não está se sentindo bem, então... – disse dando de ombros.
– O que você tem? Quer que eu vá contigo pra casa? – perguntou Quinn preocupada, soltando a mão de Emilia e se aproximando de Rachel, colocando a mesma mão na bochecha da morena.
Para Rachel, aquele toque foi totalmente o contrário de todos os outros. A sensação de borboletas no estômago por sentir Fabray perto de si, foi substituída por uma sensação de queimação. Berry sabia que era impossível, mas ao sentir a mão de Quinn em seu rosto, a mesma mão que estava a poucos segundos junto a mão daquela outra mulher, foi como se a mão da loira pegasse fogo. Assim, instantaneamente, Rachel se afastou, ganhando um olhar curioso da “amiga”.
– Eu estou bem – respondeu séria – Pode aproveitar sua noite, eu vou com o Jess e vou dormir na casa dele.
Então se levantou e saiu de lá a passos largos, deixando todos para trás, inclusive uma Quinn com cara de idiota, sem entender o que havia acontecido.
– É melhor eu ir... – falou Jesse ao ver a amiga sair em disparada – Tchau pra vocês.
Quinn encarou os dois amigos saírem dali quase correndo. Tinha algo acontecendo e ela não sabia o que era, e aquilo não a deixava feliz.
– Seus amigos são estranhos – ouviu a voz de Emilia dizer atrás de si, tirando-a de seus pensamentos.
– É, eu que o diga... – deu um sorriso sem graça.
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