Never Forget

2 Uma noite de suspense.


Agora eu, Marciano, contá-los-ei o que aconteceu comigo há algum tempo. Creio que o escritor já tenha falando há vós um pouco sobre mim e que uma imagem já a tenha em sua cabeça.

Digamos que o que aconteceu, para mim, era real. Eu senti na pele como é poder ter poderes para o bem e para o mal. Como é ser inteligente ao extremo, como é ser “podre de rico”, como é poder usar alquimia.

Não lembro a vós dizer como que aconteceu de fato, entretanto farei o possível para que tenhas a idéia do ocorrido. Caso não esteja a fim de lê-lo, ou mesmo saber da minha vida, não leia o restante; foi você mesmo quem quis começar ler.

Lembro-me que estava apenas andando por uma rua, à noite, quanto ouvi alguns barulhos estranhos vindos do céu. Um som de bater asas, as quais não pareciam ser de um pássaro, pois o som que se propagava pelo local era extremamente grotesco e o arfar das asas não eram silenciosos s dóceis como os de uma pomba ou de um ventar nos galhos das árvores que fazem um som calmo e de suspense. Não estava ventando, estava silencioso, e aquele som estranho que invadia minha mente.

Estava um pouco estranho: as lâmpadas que tinha nas ruas, dos postes, estavam fracas, ficavam piscando criando um ar de suspense no local. Mas aquele barulho mudava tudo, ele me fazia rir, era algo muito ridículo – se fosse alguém querendo assustar, digo a vós que nunca conseguiria. Porém não uma pessoa.

Creio que devo voltar um pouco no tempo e contá-lossobre o caderno que havia encontrado. Antes naquela noite, ao sair do loja de jogos, na qual eu procurava por um MMORPG[1] ,- poderia ter sido mais fácil baixar na internet, porém lá eu posso ver um catálogo de como eles são e dos mais jogados; não preciso esperar baixar para ver se é legal ou não, posso experimentar lá – o qual acabei não encontrando. Há duas quadras da loja vi caído no chão uma pasta, peguei-a a vi que na verdade era um caderno, mas como a luz tava tão fraca, decidi levá-lo e o ver em casa. Demorará um pouco, eu acho, para chegar.

Voltando ao som cômico. Continuei caminhando e senti o som se afastando. Olhava pro céu e não via nada, não sei se era porque estava escuro e com cara de que ia chover, ou porque não tinha nada mesmo lá e o som vinha de minha cabeça.

Tinha pouca gente na rua, uma pessoa a quase três ou quatro quadras, que olhavam para mim, talvez por ser um adolescente, assustadas. As caras olhavam pra mim de forma habitual, mas parecia que a noite fazia com que elas tivessem um contorno um pouco mais assustados. Caminhava de cabeça baixa, sem me importar muito com o que com aqueles olhares.

Faltavam algumas quadras até minha casa, ia demorar mais uns vinte minutos se eu continuasse com aquele andar. Acreditem quando eu digo que demorei uma hora para chegar a casa, pois na quadra seguinte havia algo que nunca irei de esquecer.

A praça se encontrava no meu lado direito seguindo a direção que eu caminhava. Lembro-me quando era criança e meus pais me traziam para brincar naqueles balanços, naquela gangorra e em todos aqueles outros brinquedos que um parque municipal normalmente tem.

Passei por lá relembrando aqueles tempos, tempos que eu tinha quatro, cinco anos. Passei olhando e vi algo sentado no balanço, era uma pessoa que eu não conhecia, nunca a tinha visto. Na verdade o escuro não deixava ver a face. De repente dessa pessoa abriu-se duas asas, saindo de suas costas. Assustei-me, principalmente quando aquilo começou a voar em minha direção. Eu não sabia o que fazer, meus olhos arregalaram-se e o jogo caiu no chão. Logo em seguida meus joelhos dobraram-se e cai também. Eu não consegui me mover de tão assustado que eu estava. Não havia mais nenhuma pessoa na rua e havia começado a chuviscar quando a criatura parou na minha frente. Seus olhos vermelhos estavam olhando diretos para mim. Já havia visto esse rosto em algum lugar, não só o rosto, mas a estrutura corporal inteira.


[1] MMORPG: jogos em rede. Dando como exemplo: Mu, Ragnarok, entre outros.

Notas finais
CONTINUA...