Never Forget
3 O encontro com Batman e Pingüim.
Estava muito escuro, não era possível ver certamente o que estava parado a minha frente. Ele estava olhando pra mim, e, eu assustado, não sabia para onde olhar. Meus olhos estavam fixados a figura a minha frente. Só tinha um sentimento, não é bem sentimento, mas, sim, uma sensação, chamada desespero ou era medo, não conseguia classificar em nenhuma das duas.
Na escuridão, ajudado pela chuva que caia nos meus olhos, a impossibilidade de enxergar direito era facilmente entendido naquele contexto. Podia ver, graças às luzes que de longe iluminavam, apenas o brilho do cinto que a criatura usava. Era um cinto revestido em alguma partes com uma pedra que brilhava à minha frente, eram de prata, não tinha dúvida disso.
Consegui ver que a criatura iria me dizer algo, pois vi que sua boca tinha sido aberta e seus dentes estavam à mostra. Pensei em primeiro momento que eu seria atacado, mas não. A criatura tornou a fechar a boca e seus olhos, que até então estavam dirigidos a mim, viraram-se para o céu. Não consegui ficar sem acompanhar o virar de seu pescoço e olhei para o mesmo lugar que ele olhava e vi algo meio incomum.
Era cômico, lembrei-me na hora de desenhos que eu assistia quando eu era bem menor, ou mesmo dos que os irmãos de meus amigos assistem. Lembrei daquele desenho de gatos que falavam, Manda-chuva.
Lá em cima tinha alguém, meio cheinho, com um guarda-chuva na mão, um guarda-chuva que o fazia voar. Senti o vento batendo em mim logo em seguida, primeiro lentamente e depois um pouco mais forte. Era a criatura negra que abria as asas e levantava vôo em direção ao UFO.
Parecia o Batman e o Pingüim se enfrentado. De início a criatura, que por enquanto chamarei de Batman, adejava ao redor do Pingüim, também chamá-lo-ei assim.
Consegui ouvir bem baixo, uma frase, não bem a frase completa, pois eu estava meio longe donde os dois estavam. Era um vocativo vindo do Pingüim para algum lugar perto. Depois deste chamar alguém, ou algo, continuaram a “conversar”.
- Venha Ak...
- Será im...ível para você ...ênio .
- Espere e verá, diga ao seu mestre que estarei esperando.
Não estava entendendo nada do que eles diziam, mesmo que eu fizesse esforço para ouvir, não fazia sentido para mim. Falaram coisas sobre matar e morte, sobre criar e destruir; sobre roubar.
Como eu estava debaixo pude ver algo que vinha voando em direção deles. Era algo como uma bola gigante, mas olhando melhor pareciam ser corações gigantes, com as veias cortadas logo no começo. O do guarda-chuva pulou para cima dele e da nova criatura que habitava o céu saiu tipo balas de revolver, mas com cem vezes maiores, senão mais. Uma luz rocha, quase rosa, saía de cada local que deveriam ser as veias do ex-coração.
Sorte minha que eu estava com as pernas abertas no chão, meio que fazendo um “V”, tentando olhar para o céu e não perder nada. Caso eu estivesse com as pernas fechadas eu poderia ter as perdido. Umas das balas tiveram seu rumo aquele lugar, e eu, assustado, sai correndo sem ver para onde. Só queria me salvar daqueles tiros.
Consegui chegar a casa logo. Sabia que havia demorado mais do que normalmente. Olhei paras minhas mãos, estavam sujas e uma coisa eu achei muito estranho. Foi automático e meio triste. O jogo não estava comigo, tinha ficado lá, porém o caderno estava na minha mão. Enquanto corria não sabia que havia pego algo, e ainda por cima eu havia pego o caderno que para mim não iria fazer sentido nenhum tê-lo. Preferia o jogo, mas apenas naquele momento.
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