Nevasca

20 Lobo Branco!


Passei ao lado dele, e ele passou o braço por mim, fomos até a cozinha.

A mesa estava simplesmente lotada de mantimentos, carnes, verduras, entre outras coisas.

— Foi sua mãe que fez compras. – Jasper falou.

— Ela é um perigo no mercado – Ri. – Ok, vamos ver o que posso fazer hoje.

Vasculhei bastante, separei ingredientes, e no final foi escolhido um delicioso espaguete com carne.

Todos na sala conversavam e riam, enquanto isso eu e Babi preparávamos o Almoço.

— Vai cortando uma cebola. – Eu terminava de colocar o macarrão na água. – Vou cortando o resto.

— Vou tomar um banho, tudo bem cuidar um pouco sozinha? – Ela havia terminado de cortar.

— Sem problema algum, ta fácil. – Sorri. – Vai lá.

Comecei a fazer o molho.

— Porquê nega tanto? – Max chegou, encostando-se a pia, que era ao lado do fogão.

— Tenho meus motivos. – Suspirei. – Só não quero que você se machuque.

— Minha cara. – Ele riu ironicamente. – Não sei se você sabe, mas está na casa de vampiros, e se estiver comigo também, terá uma alcatéia para te proteger.

— Alcatéia... – Parei para pensar. – Lobos. – Um flash passou por minha memória, lembrei do lobo branco. – Você é um lobo cara, Jake é um lobo. – Apontei para ele. – Que cor você é?

— E Não exatamente lobos,mas lobisomens. – Ele estava se divertindo com a situação. – Quer que eu conte ou que eu mostre?

— Eu prefiro ver. – Ri. – Esse lugar é tão mágico, e antes eu só acreditava em duendes. – Já havia terminado de fazer o molho com carne.

— Sabe. – Ele me apoiou na pia e me segurou pela cintura. – Não consigo passar um dia sem pensar em você.

— Para. – Desvencilhei. – Eu preciso que você aprenda, não sei o que “aquilo” pode lhe fazer.

— Jake me contou do que você tanto teme. – Ele chegou perto. – Aquela feiticeira não pode fazer nada contra você.

— E se fizer Max? – meu rosto mostrava preocupação. — Por mais que eu queira estar com você, não poderia.

— “Por mais que eu queira” – Ele sorriu de canto. – Obrigado pela esperança. – Riu.

— Pare seu bobo. – Fiquei vermelha. – Você soltou uma bomba, eu também posso. – Ri. Virando para lavar algumas coisas que havia sujado.

— Quer ir pra floresta depois? Posso mostrar que cor eu sou. – Ele me ajudava secando a louça.

— Quero. – Eu estava sem jeito. – Vamos servir o almoço?

— Claro! . – Aceitou, pegando os pratos.

Servi apenas para os que iriam comer.enquanto os outros continuavam na sala assistindo televisão.

— Que gostoso. – Reneesme comia, sujando a boca de molho.

— Isso lembra minha ex-casa. – Enrolava no garfo e comia com tanto prazer.

— Você que fez, tinha que ficar perfeito mesmo. – Max falava de boca cheia, e os outros riam da minha timidez.

— Eu não fiz sozinha, a Babi fez também.

— Cortei uma cebola Tucca. – Ela tentava piorar a situação, e eu apertei os olhos para ela.

Almoçamos e me arrumei rapidamente para sair.

— Mãe, vou sair. – Anunciei para ela,na sala.

— Bom namoro! . – Tirou sarro, sai rapidamente para ignorar.

Eu e Max andamos muito até chegar em um longe ponto da floresta, no caminho conversávamos sobre musica, filmes, coisas que pessoas normais conversam, paramos perto de uma clareira, que eu conhecia muito bem.

— Esse lugar.. – Lembrei daquele dia de chuva. – É lindo quando não está chovendo.

— Está pronta? – Eu afirmei com a cabeça. – Se afaste.

Me afastei, e ele se afastou mais um pouco, pulou no ar, suas roupas rasgaram e ele se transformou em um gigante lobo branco.

— Eu desconfiava que era branco! – Eu tinha certeza na verdade, Cheguei perto para acariciá-lo. – É tão macio e quente. – Ele fechou os olhos com a cara feliz. – Você quer ver o que posso fazer? – Ele afirmou com a cabeça.

— Vamos andar então um pouco adentro da floresta.

Andamos juntos, chegamos a um ponto que havia bastante árvores, achei ideal.

— Ok, poucas vezes deu certo, então se afasta bastante. – Ele andou um pouco somente.

Respirei fundo me concentrando, tinha que pensar leve, consegui levantar 4 centímetros do chão, após isso fui arremessada por mim mesma contra uma árvore bem longe dali, um raio passou por mim, e eu bati em algo macio.

— Você é muito rápido. – Ri. – Obrigada por me salvar. – O abracei.

Ele mexeu a cabeça, precisava voltar para casa, acredito que após a transformação ele ficaria pelado.

— Ok, pode ir. – Encostei minha cabeça na dele. – Quer que eu espere você? – Ele afirmou. – Tudo bem então, não sairei daqui.

Ele correu bem rápido, voltou em questão de poucos minutos.

Voltamos para Clareira, e ficamos sentados, admirando a paisagem, já que lá era um lugar bem alto, conversamos muito, estávamos finalmente nos conhecendo.

Contei diversas coisas, lugares que visitei, tudo que já havia acontecido comigo, e ele me contou que seus pais foram mortos quando ainda era criança, ele não sabia o que havia acontecido, Paul e Emily haviam o adotado, e que a pouco tempo havia descoberto “seu monstro interior”, quando o sol começou a se por, ele se aproximou novamente.

— Não posso desistir de você. – Ele olhava para o horizonte.

— Eu não sei o que posso lhe responder. – Suspirei.

— Namora comigo. – Ele olhou para mim. – Não suporto não ter você.

— Se importa se eu pensar um pouco? – Olhei nos olhos dele. – Estou com minha cabeça muito cheia.

— Tudo bem. – Ele sorriu, beijou minha testa. – Vamos indo, já vai escurecer.

Começamos a andar, a floresta estava cada vez mais escura, tropeçava direto em galhos e raízes.

— Max, não sei a direção para voltar. –Tinha a leve impressão que em vez de nos aproximar da estrada, estávamos indo para mais longe.

— Eu queria dizer que sei onde estamos. – Ele suspirou. – Mas não sei, vamos continuar andando.

De repente nós dois caímos em um buraco muito fundo, onde só não nos machucamos por ter segurado nas paredes, antes de tocar o solo, que fez um estrondo metálico.