Nevasca

21 Celeiro!


— Ai. – Murmurava esfregando as mãos, machucadas. – Isso é uma armadilha?

— Não se pode colocar armadilhas na floresta. – Ele analisava minhas mãos. – Mas eu acredito que seja.

— É um pouco apertada demais. – olhei para cima. – E funda, deve ter o que? Uns 4 metros?

Um grande barulho foi feito, algo acabara de tampar, aquilo onde estávamos era uma espécie de container

— Oi? – eu gritava. – SOMOS PESSOAS,ESTÁ COMETENDO UM ENGANO.- Batia na parede.

— Não estou cometendo engano algum. – Eu reconhecia aquela voz de gralha em qualquer lugar, meu coração gelou.

— O que você quer conosco? – Max esmurrava o container, sem sucesso.

— Não é com você. – Suspirei. – Por isso não queria que se aproximasse tanto de mim.

Sentimos o container ser puxado para cima e jogado em outro lugar, nos debatemos e caímos.

Escutamos o barulho de um caminhão, estávamos sendo transportados. Um cheiro estranho começou a invadir o local, começamos a apagar.

Acordei em um celeiro abandonado, mãos e pés amarrados em uma mesa de metal.

— Max. – Cochichei, procurando pela sala, e o avistei, em uma jaula,desacordado.

— Até que enfim, o erro genético acordou. — A freira estava ali, já não mais vestida como freira, muito diferente.

— Deixa-o ir. – meu corpo doía, minhas mãos estavam cheias de sangue já seco.

— É seu namorado então? – Ela riu. – ele vai adorar assistir você sendo minha cobaia. – ela andou e pegou um livro, o local só havia os móveis do orfanato, ela morava ali.

— Quero testar esse feitiço. – Apontou a mão aberta sobre mim, posicionando-a sobre meu joelho. — Détruisez os! *destrua ossos*

Eu gritava, puxava as mãos violentamente, debatia, as coisas começavam a cair.

— PARE! . – Max gritava em meio de meus berros. – VOCÊ IRÁ MORRER FEITICEIRA, ELES IRÃO ESCUTAR.

— Claro que não, seu tolo! – Ela parou o feitiço, mas a dor era contínua, eu não sabia se algo estava quebrado ou não. – Esta sala está protegida com todos os feitiços possíveis, nada é audível lá fora,Você namora um monstro, sabia?

— Só vejo um monstro aqui! – Ele tremia,estava furioso.

Ela riu, saindo do lugar, ia pegar mais alguma coisa do lado de fora daquele celeiro.

Eu chorava alto, olhando para ele, via o desespero.

— Se transforma e foge. – Cochichei.

Ele negou com a cabeça, andando para trás, não tinha certeza se conseguiria se transformar ali.

— Tem uma janela ai em cima. –cochichei novamente, grunhindo.

— Eu vou tirar você daqui. – Ele deu um murro no ferro, e ele entortou, mas ainda sem sucesso de sair.

Ela entrou, com um balde e um machado, eu estava apavorada.

— Vou precisar de alguns ossinhos sabe. Ela levantou a barra da minha calça, e tirou uma faca afiada do bolso. – Esse aqui está bom, talvez eu queira ficar com seu pé também, você é uma mutante, isso não faz diferença para você.

— Não, por favor, não. – Eu chorava em desespero.

Max começou a rosnar enlouquecido e soltou um rugido que tremeram as janelas, ele se transformou em lobisomem, e seu tamanho fez com que a jaula se destruísse, ele a pegou com a boca e a jogou longe, sem a matar, cortou as cordas com os dentes sem me machucar, me levantei com dificuldade e subi nele, ele correu,arrebentando a porta.

Estava chovendo como a maioria das noites e muito gelada.

Nós fomos arremessados, mas cai assim que ele subiu, foram poucos centímetros até o chão, já ele foram metros de altura e distancia.

Ela estava ali novamente, não acreditava como ela poderia estar tão poderosa.

— Vou ter que fazer isso funcionar. – Comecei a pensar em uma musica aleatória em minha cabeça, lembrei que as únicas vezes que meu poder funcionou, foi com algum ritmo, comecei a cantar e fazendo as batidas ecoarem em minha mente.

Apontei as mãos para as pedras e para a terra. Ela começou a se levantar então comecei a jogá-las contra ela, só havia tempo para ela se desviar, não seria o suficiente, então foi quando olhei o celeiro que não estava longe, Levantei as mãos e ela acreditou que eu estava me entregando, mas eu continuava batendo o pé. Estava tão focada em sua vingança que não estava vendo o celeiro inteiro acima de sua cabeça, Max chegou e parou atrás de mim.

— Não se aproxime sua aberração. – Ela estava vitoriosa.

— Ninguém se aproximará. – Sorri em meio de lágrimas e chuva. Fechei a mão.

O celeiro caiu em cima dela, todo de madeira e se destruiu numa grande explosão, Subi em Max e corremos sem rumo algum, não tínhamos idéia de onde estivéssemos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.