Nero, The Time Traveler.
3 (Re)Faça-o
Notas iniciais
-Eu nunca conheci nenhuma Joana durante toda a minha vida.
-Impossível. Isso não pode estar ocorrendo. Não pode.
-Então, era só isso?
-Não, eu preciso saber o que aconteceu com a Joana, pra você nunca tê-la conhecido.
-Já sei, procure no Facebook, Joana Ferreira Mattos.
-Não, nenhuma Joana com esse nome.
-Argh, não sei mais o que eu faço.
-Você tem uma foto dela?
-O que?
-Uma foto dela, aí contigo.
-Tenho uma na minha carteira, mas o que você deseja fazer?
-Com a ferramenta do Google de buscar com imagem, eu posso achar imagens semelhantes a essa.
-Brilhante! Faça-o.
Depois de pouco tempo a minha foto de carteira já estava lá, totalmente digitalizada, e pronta pra ser usada naquela ferramenta buscadora.
-Hum... Acho que não pode ser essa, porque aqui tem escrito Pietra Nostraddamus Vienna, e nada de Joana.
-Mas é ela, eu tenho certeza disso!
-Impossível, ela é filha de um casal europeu.
Então como um lampejo de um raio as peças se juntaram. Tinha de ter sido Vera, não havia muitas pessoas que faziam tráfico internacional de crianças em noventa e sete. Principalmente em meu antigo bairro. Mas eu não podia acusa-la assim, eu precisava confirmar isso. Ela nunca confessaria, mas como então?
-É, nossa mãe já trouxe, alguma vez, uma criança, menina mais ou menos da nossa idade, quase moribunda e que morava em nosso bairro?
-Deixa eu pensar... Ah, sim, uma vez quando eu tinha dez anos. Mas ela ficou só uns três dias em casa e depois nunca mais a vi.
-Dez anos, lembra de uma data aproximada?
-Lembro sim, ela ficou até o dia do aniversário do papai.
-Certo, então foi até o dia sete de setembro de noventa e oito. Então sinto lhe dizer, mas é decepcionante saber que em todas as linhas do tempo eu não uso meu cérebro em sua total capacidade.
Peguei o cubo e só pude ver de relance o quão estupefato ele havia ficado com o ocorrido. Provavelmente, ele jamais esqueceria daquilo.
As luzes do cubo se desfizeram diante mim. Eu estava ali, no passado novamente. Agora eu tenho certeza, as coisas saíram totalmente do meu controle. Merda, eu não planejava isso, de forma alguma. Mas eu vou tentar, de novo e de novo, quantas vezes forem necessária para eu alcançar o meu objetivo.
Eu verificava meus bolsos, droga, o desintegrador havia desaparecido, será que eu o deixei cair na última linha do tempo? Tomara que eu não precise dela mais.
Minha casa estava lá. O vento assoprava calmamente, sossegado. Respirei fundo, não sabia o que fazer agora. Como eu poderia salvá-la? E eu conseguiria ir contra minha própria mãe? Claro, eu tenho que. Pra realizar o meu desejo.
Do nada eu a vi saindo, com uma garota. Joana? Claro, só podia ser ela, mas ela estava limpa e bem arrumada. Elas andando rápido. E eu só a ouvia falando “Agora é só você ser boazinha.” e “Eles serão ótimos para você.”. Elas chegaram em uma pracinha que, de certo modo, era bem distante da casa.
Era agora, a hora de agir. A praça estava bem vazia, e isso facilitaria bastante o meu modo de agir. Então foi bem simples, era só desmaiar as duas e levar a Joana de volta aos pais. Me escondi por entre as árvores daquele parque. Era próximo o suficiente, e não havia como errar. Ativei a onda de baixa frequência. Não demorou muito elas já estavam no chão, desmaiadas. Fui e peguei Joana e meus braços, determinada a leva-la para casa dos pais. Mas eu não podia deixa minha mãe lá, desmaiada no chão. Tão distante de casa. Então usei o orelhão mais próximo, informei a situação e fugi, assim que desliguei.
A casa dos pais de Joana mal se classificava como uma casa, por mais que fosse um lar para aquela família. Ao adentrar o terreno, que tinha um odor fétido, devido à proximidade do lixão da cidade, cachorros latiam e rugiam, e não demorou pros moradores, pais dela, saíssem de dentro, com olheiras profundas e olhos inchados. Ao me verem, não houve outra reação senão um uníssono do nome de “Joana” sendo gritado. Não pude ficar lá por muito tempo, senão teria que explicar muitas coisas desnecessárias para eles, então, assim que tive oportunidade corri dali.
Minha excitação era clara naquele momento, eu podia sentir, não havia mais o que dar errado naquele momento, eu tinha modificado todas as variáveis e as tinha deixado ao meu favor. O córtex de luzes se abre e volto ao que parece ser minha casa. Minha casa com Joana, então havia dado certo, mas eu vou confirmar.
Vou ao que seria nosso quarto, então me vejo deitado na cama. Parece que me tornei um completo lesado, assim como o da última linha temporal.
-Acorde, lesado.
Ele acorda, vejo mais uma cara de espanto. Mas dessa vez não vacilarei, preciso de repostas, e irei obtê-las a qualquer custo. Aponto a arma, e ele entende o perigo eminente.
-Olhe, eu desejo só obter algumas informações. Você me responde, e tudo ficará bem, me entende?
O outro eu acena positivamente com a cabeça, sem dizer nada.
-Hum, ótimo. Então, como vai sua mãe?
-Ela vai bem, obrigado.
-Ótimo. E a Joana? E o nosso pai?
-Vão todos bem, obrigado. Você não tem mais nenhuma pergunta mais comum pra um sequestrador não?
-Eu não irei te sequestrar.
-Se você não quer me sequestrar, o que você vai fazer comigo?
-Eu te matarei, e só assim poderei obter meu futuro perfeito.
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