Neon Lights

1 Capítulo 1 - Invisível


Notas iniciais
O desafio está lançado. Gruvia será tão épico que obrigarei os leitores a recomendarem na mesma medida que NaLu HAUSHAUSHUAHS' Brincadeira amores , tomara mesmo que gostem ! Aguardo comentários - principalmente os longos - ! >.

Eu e minha avó moramos exatamente em frente ao mar. É uma casa grande e antiga num dos morros que cercam o oceano, e se a maré estiver alta, há dias em que consigo colocar os pés pra fora da cerca e tocar a água com a ponta dos dedos.

Não que minha avó goste disso. Ela sempre diz que quando o mar vem de tão longe até nós, não é bom sinal.

Tanto que, mês passado, quando isso aconteceu, bem durante o período de chuvas, a estrada que leva do morro até o centro comercial de Fiore ficou alagada. Ficamos ilhadas em casa por dois dias. Nós e as duas dúzias — no máximo — de famílias que vivem aqui, pelo alto da cidade.

Quando me mudei pra cá, aos sete anos, simplesmente me apaixonei pela ideia de viver longe do tumulto. Nunca gostei de socializar, e muito menos de barulho em grande quantidade. Afinal, havia sido criada numa fazenda próxima de um lago bem no interior, convivendo apenas com minha mãe e o carteiro vez ou outra. Éramos só nós duas.

Minha mãe era tão perturbada que me ensinaou a falar apenas em terceira pessoa, referindo a mim mesma como Juvia. E falei desse jeito até os dez anos, quando minha avó decidiu que já estava na hora de me tornar normal, já que os bilhetinhos na agenda estavam aparecendo com frequência.

Ainda assim, falo desse jeito de vez em quando, sempre que fico nervosa ou ansiosa demais.

– Juvia! – ouvi minha avó chamar meu nome, de dentro de casa. Suspirei. – Onde você está, menina?!

– Aqui fora! – respondi alto, virando-me a tempo de vê-la deixando a casa e caminhando em minha direção pelo quintal. – O que foi, obaasan?

– Eu que te pergunto – cruzou os braços rente ao busto, erguendo uma sobrancelha. – São 6:20 da manhã. Pretende faltar aula ou o quê?!

– Eu tô meio gripada – cocei a nuca, sorrindo torto. – Será que posso … ficar de cama? Só hoje, eu juro.

– Gripe? – repetiu, avaliando a ideia por alguns instantes. – Não, não. Só quarenta graus de febre, lembra? Levanta o bumbum daí e vai logo. Ou te arrasto pelos cabelos!

–Já vai, obaasan – resmunguei, levantando-me de má vontade. – Você é muito chata às vezes…

–Me conte uma novidade. – pediu com ironia, entrando em casa de novo.

Bufei enquanto a seguia, fechando a porta de vidro da varanda e subindo as escadas em direção ao quarto.

– Juvia, o uniforme está em cima da cama!

–Hai, arigatou. – agradeci rapidamente, pegando uma roupa íntima qualquer e correndo para dentro do banheiro.

Dei uma breve olhada na banheira, desculpando-me mentalmente por não poder usá-la enquanto entrava na ducha. E, mais uma vez, esse era um dos melhores momentos do dia. A água sempre me fazia renovar toda e qualquer energia. Principalmente a água da chuva. O que me rendia várias porções de gripe e resfriado mensais.

Que no caso, minha avó também detestava. Vivia dizendo que eu custava muito caro na farmácia e que ia me atirar num rio quando tivesse tempo livre. De brincadeira, eu espero.

Usei qualquer shampoo, enxaguando o cabelo superficialmente e me enrolando na toalha enquanto saltava pra fora do box.

– Biscoitos no balcão! – avisou ela, do andar de baixo. – Melhor comer na aula. Já são 6:35!

– Obaasan! – bufei irritada. Ela precisava realmente me lembrar disso?! – Juvia não quer –

Engoli em seco.

– Se falar desse jeito de novo, eu juro que te dou uma surra, guria! – ameaçou aos berros.

Tive que rir da ameaça, tropeçando no corredor – e o alagando – enquanto ia para o quarto, vestindo o uniforme e me atrapalhando com as meias longas, que pareciam lutar contra minha boa vontade de vesti-las.

Coloquei-as de qualquer jeito, arrancando a bolsa do gancho preso à parede com tanta força que o parafuso saiu de brinde. Mas que golpe de sorte!

Desci as escadas correndo, enfiando o pacote de biscoitos dentro da bolsa enquanto calçava os sapatos, sendo observada por minha avó, que apreciava uma xícara de café calmamente.

– Pode usar a bicicleta, se quiser – ela disse, suspirando. – É só levar o cadeado e prendê-la no local da estação.

Assenti, saindo pela porta da frente e voando em direção ao transporte ecológico de duas rodas.

Esse era o meio mais rápido de descer o morro. Sendo que, qualquer errinho de direção, e era “ao oceano e além” na certa.

[…]

Eu não sei se já havia afirmado isso antes, mas eu realmente detesto correr.

Primeiro, porque além de ferrar ainda mais com meu cabelo – que já estava uma droga –, me deixa com as pernas mais de fora do que deveriam estar, e me rende assovios desnecessários provindos dos comerciantes da cidade.

Segundo, porque faz minha perna doer, além de alguma parte próxima do estômago, que não consigo identificar sem pensar em pâncreas. Mas, como duvido que exista dor de pâncreas, prefiro nomear de “parte próxima do estômago” mesmo.

E enquanto penso nessa inutilidade, a maldita da coordenadora do colégio, Virgo, está fechando o colégio com um sorriso diabólico estampado na face.

– Espere! Onegai! – implorei, correndo com mais velocidade. – Já estou chegando!

–Está quinze minutos atrasada, Senhorita – explicou amargamente. – Tem outros atrasos na sua ficha?

– Não – garanti esbaforida, apoiando as mãos nas coxas enquanto me recuperava da corrida. – Pergunte ao Diretor, a quem quiser. Preciso assistir a aula! Agora é trigonometria, e não sei absolutamente nada!

– Hai – revirou os olhos, impaciente. – Mas saiba que na próxima não haverá desculpa. Será punida!

–Doumo arigatou, Senhora. — agradeci, fazendo uma breve referência formal e correndo colégio a dentro.

Quando finalmente atravessei os corredores, enfiei a cara no vidro da porta da sala, verificando se a aula já havia começado. Já havia. E, infelizmente, meus olhos se encontraram com os do professor Macao no exato momento em que estava considerando dar meia volta e ir embora de vez.

–Senhorita Lockser – chamou abrindo a porta abruptamente. Quase infartei quando o vi olhando diretamente para mim. – Gostaria de juntar-se a nós, ou prefere assistir da janelinha da porta?

A turma riu, e corei até a alma.

– Érr … J-Juvia pede desculpas! – me curvei assustada, fazendo uma reverência bem demorada. O homem arregalou levemente os olhos, um tanto sem graça.

– N-Não é necessário, Senhorita Lockser! – garantiu, me erguendo e direcionando para dentro da sala. – Sente-se de vez, por favor.

“Ela se curvou?!” cochichou alguém ao fundo, bem alto.

Senti que estava vermelha feito um tomate.

– Esse coroa não é o Imperador não, esquisitona – debochou Laxus, o imbecil mais imbecil de todo o Fairy Tail, que se achava só por ser loiro, e ter permissão de usar fones em sala. – Mas é muito tosca mesmo!

O grupo dele gargalhou. E, mais uma vez, senti como se o inferno me puxasse pelos tornozelos. Quando olhei brevemente em direção ao amor da minha vida, vi que o grupo dele comentava algo sobre mim, enquanto ele mantinha todo o seu olhar e postura voltados apenas para a minha maldita rival amorosa.

Lucy Heartfilia. Uma loira de busto considerável, e aparência próxima da perfeição. Solteira, nesse atual momento. Apesar de todos saberem que nutria fortes sentimentos por seu melhor amigo, Natsu Dragneel. Entretanto, tais sentimentos jamais a impediram de dar em cima do meu pedaço de carne privado.

De qualquer forma, essa é a primeira vez que vejo qualquer um deles se quer olhando em minha direção, mesmo que na pior das situações possíveis.

O fato me deixa menos irritada.

Quando finalmente me sento, e olho novamente na direção deles, já estão rindo da discussão de Gray-sama e Natsu, como sempre fazem.

E é por isso que a maioria da sala detesta eles. Além de serem muito bonitos, no geral, são completamente inertes a tudo e todos. Apesar de estarem sempre disponíveis a ajudar os outros, são um tanto fechados com relação ao grupo, e só aceitam membros novos vez ou outra. Não que exista um concurso ou ficha a se preencher para ocupar uma vaga.

–Será que alguém está prestando atenção no que estou dizendo?! – perguntou num berro, Macao-sensei. Todos o olharam com puro desprezo. – Sabia que não. Enfim, vamos pular esse capítulo antes que venham as perguntas debochadas.

[…]

Hoje definitivamente não é o meu dia. Acabei de ser alvo de piada de cinco grupos diferentes, e decidi que oficialmente só passarei meus intervalos na biblioteca, área restrita a seres com metabolismo próprio, coisa que aquele povo não têm.

Caminhei em direção ao corredor mais afastado da biblioteca, bem na sessão de religião, onde coloquei o livro de rituais indígenas no lugar e passei a folhear outros exemplares, em busca de algo realmente interessante.

Quando notei, já estava nos livros próximos das mesas, onde havia apenas um grupo sentado estudando.

Aquele grupo.

E Gray-sama estava sentado bem na ponta, enfiando a cara num de seus cadernos, enquanto Erza repetia como ele era burro e tinha de estudar.

Até mesmo incentivando, Erza Scarlet era assustadora. De longos cabelos vermelhos e corpo atlético, fazia jus a fama de Titânia. Dava medo em todos os sentidos.

Estremeci ao notar que ela me olhava, e virei de costas, colocando o livro no lugar enquanto tentava sair dali sem que me notassem. O que não era nada difícil, se tratando de mim, a mestra da invisibilidade. Quase como a mulher invisível do Quarteto Fantástico, e tão boa quanto a capa da invisibilidade de Harry Potter.

Sem querer ostentar, é claro.

– Hey, você ai! – a ouvi me chamar. Trinquei os dentes.

Maldição! Justamente agora eles resolveram reparar que eu existo?!

Quando me virei, já tremendo dos pés a cabeça, o grupo todo – exceto um certo bendito alguém – me encarava com curiosidade.

– Hn?

– Shhh! – a bibliotecária me repreendeu. Engoli em seco. Só emiti um sonzinho de nada, mas que mulher ranzinza. E por que só eu levei chamada de atenção, levando em conta que Erza Scarlet estava gritando?

– Vem aqui! – ordenou firme. Minhas pernas obedeceram no mesmo segundo. Me aproximei o bastante pra notar que Gray-sama dormia profundamente. – Você sabe alguma coisa de química?

– O que exatamente? – consegui perguntar. Ela pareceu mais relaxada, ainda me analisando demoradamente.

– Cálculo Estequiométrico – respondeu Lisanna, uma grisalha simpática que sempre sentava na frente. Conhecida por ser a atual namorada – sempre foi – de Natsu Dragneel, o garoto mais popular do colégio. – Não estamos entendendo absolutamente nada!

Por algum motivo sem fundamento algum, meus olhos se demoraram na garota. Ela parecia realmente legal, apesar de anteriormente eu não ter ido tanto com a cara dela. E ela pareceu notar minha curiosidade, pois sorriu levemente de canto, fazendo-me corar sem graça.

– Bem, vocês vão ter que calcular a quantidade de mol, certo? – cocei a nuca, um tanto sem jeito por todos estarem prestando atenção. – É tudo uma regrinha de três, desse jeito.

Mostrei como calculava lentamente, implorando para que Gray acordasse e me pedisse para explicar tudo de novo, especialmente para ele. Quem sabe até na casa dele, se desse sorte. É claro que nenhum das duas opções de fato aconteceu.

Depois do empurrão inicial, as outras explicações simplesmente surgiram, até que todos afirmaram entender melhor a matéria.

– Valeu, Guria-san. – Gajeel Redfox, o metaleiro de longos cabelos negros e piercings, fez um sinal de O.K. com a mão, sorrindo debochado. – A gente se vê por ai. Tu é de que sala mesmo?

– Da nossa, seu imbecil – Levy cobriu os olhos, envergonhada pela pergunta. – Sinto muito, Juvia. É que nunca nos falamos antes.

– Aaaah! Então esse é o nome da guria – ele riu, dando de ombros. – Prefiro Guria-san.

– Juvia é um nome bonito – Lucy sorriu, acenando levemente. Automaticamente se formou uma carranca de marmota no lugar onde devia estar meu rosto. – D-Disse … algo errado?!

– Oe, Luce! – Natsu rolou os olhos, empurrando a lateral do corpo dela. – Você assusta as pessoas com sua esquisitice!

Por alguma razão, agora todos eles me pareciam realmente simpáticos.

Não eram tão metidos quanto nos boatos. Se bem que para serem o grupo de Gray-sama, deviam ser realmente bons. Não era qualquer um que se aproximava do moreno.

– Bem, eu já vou indo – declarei, me levantando da cadeira. – Queria ler um livro mais um pouco antes da aula começar. Se me derem licença.

– Okay – Erza quase sorriu, olhando-me atentamente. – Pode ir.

– Juvia – lembrei a ela, sorrindo de leve. Dessa vez ela retribuiu o gesto, mesmo que sutilmente. – Juvia Lockser.

– Foi um prazer, Juvia – afirmou Lucy, e novamente a "Marmota's Face" apareceu. – O-O que estou fazendo de errado?!

–É, Lu-chan – Levy riu, revirando os olhos. – Realmente decadente esses seus hábitos sociais.

Natsu concordou com a cabeça.

Suspirei, deixando-os e virando para trás. Por um instante, jurei que Gray Fullbuster mantinha os olhos em mim. Até fechá-los de novo.

Eu nunca dou sorte de falar com ele! E já estudamos juntos têm no mínimo três anos! Será que o destino não pode me ajudar nem um pouquinho?!

–Competição do Clube de Natação amanhã! – anunciou a coordenadora, entregando panfletos ao longo do corredor. – Entrada sem custo, e duração de duas horas! Fairy Tail versos Phantom Lord!

Meus olhos se encheram de um novo colorido.

Esperança.

Talvez fosse essa a minha grande chance, afinal.

Notas finais
E então , mereço alguns comentários ? *---*