Neon Lights

9 Capítulo 9 - Prision Game


Notas iniciais
Chegou a hora de apagar as velhinhas , vamos cantar, aquela musiquinha MUAHAHAHAHAHAHAH' Aqui vai especial Spy Gear, da Playdoll - OK, OK, chega de piadas sem graça ¬¬ - Aqui vai especial Prision Game, com muito romance, ação e ... investigação ?! O.o É, só lendo pra ver ! Vamos brincar de adivinhação metafísica ? O que é o que é, que quando recebe comentários, voa pelo teto da casa ? Se pensou uma barata, não, você errou ! Adivinha quem é ? *---*

Vesti um short preto, com uma camiseta regata, e dei uma última ajeitada no rabo de cavalo alto e desfiado, terminando de amarrar os cadarços dos coturnos de couro.

Voltei a me olhar no espelho, nervosa. Nada como um bom Prision Game no final de semana. Ainda mais na companhia de Jellal e Lisanna, que a propósito, me mandavam mensagens desde ontem de noite.

Lisanna perguntando com que roupa eu ia, Jellal perguntando se podíamos não ir... e assim se seguiu, até que deu oito da manhã. O horário combinado para sair de casa e encontrar os dois na estação.

E cá estava eu, prendendo a bicicleta no lugar adequado a isso da estação, enquanto buscava o lugar com os olhos, arregalando-os ao ver uma certo moreno entrando num carro conversível velho, acompanhando de ninguém menos que Natsu e Lucy , e no volante algum adulto esperava pacientemente a entrada do Fullbuster no veículo.

Prendi o ar por alguns instantes. Se eles se apertassem, cabia todo mundo no carro.

E com isso em mente, deixei que eles sumissem pela rua, em alta velocidade.

Como sempre, os atos não vão além do pensamento.

–Você por acaso deixou nossa carona ir embora ? — perguntou Jellal, surgindo atrás de mim.

Engoli em seco, sorrindo amarelo enquanto me virava.

–Sabe, eu nem tinha certeza se eles iam dar carona — expliquei, coçando a nuca constrangida — E lógico que não seria tão divertido quanto ir de trem, não é ?

–Pior que isso só a lésbica da Lisanna — ele rolou os olhos — Nem avisou que o próprio namorado ia de carro, puta merda. Se dependesse de vocês, viagem pra Disney seria igual maratona. Será que ela ia com ele ?

–Acho que não — corei, enquanto o observava analisar-me de cima a baixo — O-O que está fazendo ?!

–Você está bonita — afirmou, sem esboçar emoção alguma na fala. Nem se quer parecia um elogio — Sabe, estava pensando em estratégias pra terminarmos o jogo cedo, e voltarmos, consequentemente, cedo.

–Não sei porque não adivinhei — revirei os olhos, suspirando cansada enquanto caminhávamos em meio as pessoas, chegando a plataforma onde esperaríamos o trem — E então, qual o seu plano brilhante ?

–Precisamos ser do mesmo time — explicou, cruzando os braços de modo superior — Afinal, eu sei como usar você bem o bastante pra vencer ao menos um oponente.

–Sério ? — franzi o cenho, olhando-o desconfiada — Quem ?

–Não posso revelar — afirmou de modo casual — Erza provavelmente será republicana, o que nos dá a vantagem de estar no time dela. Gray, Natsu e Gajeel sempre estão contra ela, pra tentar provar a masculinidade.

Algo no sorriso orgulhoso de canto do Fernandes me fizera crer que ele realmente nutria sentimentos pela ex de infância. Talvez, até mesmo, mais fortes devido ao tempo.

–Pessoal ! — era a voz de Lisanna, vindo mais de trás. Nos viramos enquanto ela se aproximava, a tempo de entrar conosco no vagão que havia acabado de abrir as portas — Vocês iam sem mim, por acaso ?

–Vimos o Natsu de carro, ai achamos que ele ia te dar carona — expliquei, coçando a nuca enquanto sentava entre ela e Jellal no trem — Não foi nada pessoal, Lisanna.

–Eu sei — ela suspirou cansada — Natsu até me convidou, mas quando disse que a Lucy e o Gray iam, decidi que valia mais a pena ir com vocês. Além disso, o Igneel não gosta muito de mim.

–Quem é Igneel ? — perguntei, franzindo o cenho. Jellal deu de ombros.

–O pai rico do Natsu — explicou, fitando a janela oposta — Fui uma vez num churrasco na piscina na casa deles, e o velho até que é bem divertido.

–Mais respeito, Jellal ! — o repreendemos em uníssono. Não que adiantasse alguma coisa fazer isso.

–Enfim, mas por que ele não gosta de você ? — insisti. Ela remexia a bolsa, em busca de qualquer coisa, até que os olhos assumiram um azul um tanto opaco. O assunto não lhe era conveniente.

–Bem, eu acho que foi pelo intercâmbio e tal ... — deduziu, pegando seu celular na bolsa e conferindo as mensagens. Olhei a tempo de ler o "Luce e eu vamos levar o Happy pra conhecer uma gata fêmea, acredita ? Talvez não dê pra sairmos hoje de noite, mas combinamos outro dia !" — Quando eu fui embora, me disseram que Natsu ficou desolado. Até conhecer a Heartfilia. Igneel sempre aconselhou Natsu a ficar com ela, eu tenho certeza.

–Não era de se esperar menos, não acha ? — Jellal cruzou as pernas impaciente — Qual é, sejamos sensatos. Você foi embora. Então, quanto antes aceitarmos que a única culpada da sua própria desgraça é você, melhor. Você viajou pro exterior porque quis, e largou o Natsu porque quis. Não vai ficar botando a culpa na loira burra só porque ela tomou o seu posto. Paciência, cara, a vida é assim. Agente elimina os peões pra andar pelo tabuleiro. Se alguém ocupou seu espaço, então tá. O que você pretende fazer ? Vai segurar ele sob que pretexto daqui pra frente ?

–Sob o pretexto de que nos amávamos na infância e na pré-adolescência ! Foi apenas um ano ! — ela levantou-se, ofendida com o comentário do azulado — Um ano e perdi tudo ! Eu não tenho o direito de ter o que já era meu ?

–É, você colocou bem, Strauss — ele manteve a postura firme — Era seu, num passado do qual só você se importa. Mas daqui a poucos meses, se não semanas, o babaca do Natsu vai perceber que a pessoa de quem ele gosta no presente, não é você. E ai, é bom que você tenha um plano B pra controlar ele feito um cachorro, porque o atual está começando a falhar.

–Jellal ! — tapei a boca, incrédula com a discussão.

–O que é, Juvia ? — ele bufou, esticando as pernas e agora cruzando os braços — Estou dizendo a verdade pra alguém que ainda não sacou sua situação atual.

–E quanto a sua situação atual, Fernandes ? — ela imitou a postura dele — Se eu estou sendo controladora, pelo menos estou lutando pelo que quero. Muito diferente de você, que não tem coragem nem de olhar pra Erza mais ! Sabe que foi um idiota, mas é muito confortável como está pra tentar mudar! Você é comodo desse jeito, e esse é o seu maior problema. Simplesmente é covarde demais pra se mexer e fazer algo pela única garota que um dia vai gostar de você !

Os dois fuzilaram-se com o olhar, e quando as portas se abriram na estação seguinte, Lisanna simplesmente desceu do vagão.

Ficamos durante alguns minutos no silêncio, até que não me aguentei mais. Precisava ouvir uma boa explicação para ele ter dito coisas tão afiadas para a albina.

–Jellal — o chamei, num tom levemente irritado — Por que -

–Juvia, eu não quero discutir com você — ele alertou, fitando os próprios pés — Lisanna está errada, e você sabe disso. Não se pode prender ninguém só porque o outro é ingênuo.

–Eu sei disso, mas ... — engoli em seco. Mas nada.

–Entendo que fique chateada, só que alguém tem que dizer isso a ela. E sei que você não diria — explicou-se, afagando meus cabelos levemente — É muito santa pra ser tão direta.

–Acha que o Natsu não gosta nem um pouquinho dela ? — perguntei, num fio de voz. Ele negou com a cabeça, afundando no banco.

–Ele gosta do que ele se lembra dela ter sido — garantiu ele, com a convicção habitual — Não quer dizer que esse sentimento seja maior do que o que ele nutre agora pela Lucy.

–É, eu sei.

[...]

–Ok, eu serei breve — garantiu a Titânia, fitando cada um de nós — exceto Jellal — com intensidade — Temos exatamente 10 jogadores hoje. Por tanto, separemos os times escolhendo primeiro os comandantes de cada Ordem. Primeiro, quem é o voluntário para comandante dos Infratores ?

–Será que pode explicar de novo, Erza-san ? — fora a menina mais nova, Wendy Marvell, de longos cabelos azuis presos em marias-chiquinhas quem fizera a pergunta.

Nunca me senti tão aliviada depois de ouvir uma frase.

Até porque, eu não entendia muito bem o jogo, mas sabia que se perguntasse, a ruiva me daria na cara. Mas ser grossa com Wendy era quase sobrenatural. A menina era sinônimo de fofura.

–Claro que sim, Wendy — ela SORRIU levemente — Dividimos em dois grupos, um deles os Infratores, o outro a República. O campo é todo dos Infratores, exceto o centro dele, que , como pode ver, está com um circulo feito com galhos no meio, não é ?

Wendy assentiu.

–Certo, esse circulo se chama Prision. É a sede dos republicanos, e é totalmente visível aos infratores, propositalmente. É ali onde serão depositados os prisioneiros. Se um republicano encosta num infrator, o infrator está automaticamente preso, e deve se render até entrar no circulo. Já fizemos isso com armas de paintball, mas eles reclamaram que doía muito -

–Eu disse que você atirava muito de perto ! — rebateu Natsu, fazendo bico — E você realmente fazia isso, Erza.

–Enfim, agora é como pique e pega. Sendo que, ninguém fica preso pra sempre. Se algum infrator ver que Prision está livre, pode ir até lá e tocar nos companheiros, pra tirá-los de lá. Mas se ele for pego, dentro, ele é morto e eliminado do jogo.

–Tá, mas e quanto ao inicio ? — perguntei, sendo fuzilada pelos olhos negros da ruiva. Por fim, ela respondeu corretamente.

–A República fica na sede, e conta um minuto. Um minuto pra montarem uma estratégia de caça aos infratores, e decidirem que tipo de jogo querem realizar. Enquanto eles contam , os Infratores correm, mas antes, decidem quem fica em qual parte do campo, pra se espalharem melhor. Ás vezes podem até separar-se em duplas, para confundir os republicanos. A República vence se prender todos, e os Infratores vencem se conseguirem soltar mais de dois prisioneiros.

–É, parece simples — admitiu Wendy — Os nomes que dificultam um pouco, mas tirando isso, vai ser tranquilo.

–Bem, é obvio que Erza é a Comandante dos republicanos — afirmou Lucy, dando de ombros — Então, quem será o dos Infratores ?

–Certamente não é você , Bunny Girl — Gajeel riu seco — "I volunteer !"

–Deixa de ser nerd, Gajeel — Levy sorriu divertida — Você não é Katniss.

–Gray, você quer ser ? — perguntou o rosado. O moreno negou com a cabeça, sorrindo de canto.

–Sou melhor correndo sozinho.

–Sabemos — todos reviraram os olhos.

–Enfim, então serve o Natsu — Erza ditou firme. Gajeel cruzou os braços, contrariado — E nem adianta choramingar, Gajeel. Não mudo minha decisão.

–Ótimo — Natsu e ela deram um passo a frente.

–Comece, Dragneel — incentivou ela. O rosado não parecia abalar-se.

–Gray.

Gray juntou-se a ele, sorrindo de modo discretamente entusiasmado.

–Jellal.

O azulado quase engasgou a própria saliva, mas parou ao lado da Titânia, sem contestar.

Natsu e Gray discutiram um próximo ao ouvido do outro, e Natsu continuou :

–Gajeel.

–Levy.

–Wendy.

–Juvia.

Senti meu corpo relaxar-se. Por um momento, achei que fosse a última a ser escolhida. Coloquei-me entre Levy e Jellal.

Natsu alternou o olhar de Lisanna para Lucy, e ambas as loiras evitaram retribuir. Pareciam verdadeiramente incomodadas. E na verdade, todos estavam.

Era uma situação boba, mas não deixava de ser uma escolha.

–Luce, você é muito lenta — murmurou o rosado, rindo em seguida divertido — Anda, vem pro nosso time.

Quase senti o inferno engolir a loira a mando de Lisanna, que fazia uma carranca terrível enquanto caminhava em nossa direção.

Os dois grupos se afastaram, e nos unimos numa roda por uns breves instantes.

–Plano de Ataque ? — a ruiva olhou para Jellal. O azulado sorriu, convencido, fazendo-a corar levemente -Ó-Ótimo, então vamos fazer a contagem logo, antes que tenham tempo de planejar demais.

–Hai.

O grupo formou uma fileira horizontal, paralela ao circulo Prision, enquanto Erza levantava o indicador ao máximo, assistindo os infratores começarem a se afastar num ritmo mais rápido.

–60 ... , 59 ... , 58 ... , 57 ... , — a contagem vinha alto, porém num ritmo lento.

Jellal me puxou pela gola da blusa, fazendo com que eu, ele e Lisanna ficássemos mais atrás de Erza e Levy.

–Escutem, o plano é o seguinte — as duas da frente nos olhavam pelo canto dos olhos, parecendo prestar atenção — A Erza vai caçar o Natsu , e eu o Gajeel, porque são mais difíceis. Vamos em dupla, e pelas áreas com árvores, que provavelmente é onde os dois estão. Do jeito que pensam, devem estar indo pro mesmo lugar.

–46... , 45 ... , 44 ... , 43 .. , -

–De qualquer forma, a novidade é : Levy e Lisanna, vocês tem que manter as aparências. Fiquem bem a vista de qualquer um, pra distraí-los bastante com a presença de vocês. Eu e Erza estaremos escondidos, mas próximos das árvores, então sobra pra vocês a área próxima do Prision, certo ?

–Hai ! — as duas concordaram.

–Quanto a você, Juvia — ele sorriu de modo sacana. Franzi o cenho, não ouvindo direito o que ele havia dito.

–Hm ?

–25... , 24 ... , 23 ... , 22 ... , -

–O sinal pra quando pegarmos alguém o de sempre, uivar, O.K ? Quem estiver mais próximo de Prision, vai ficar de guarda de olho nos outros infratores engraçadinhos, falô ? E cuidado principalmente com o Gajeel. Ele gosta de bancar o panaca e invadir Prision. E quase sempre ele consegue. Portanto, Lisanna e Levy, fica na conta das duas. Andem em dupla, e só se separem se acharem que Lucy ou Wendy estão próximas, no máximo.

–Ok.

–14 ... , 13 ... , 12 ... , 11 ... , 10 ... , 9 ... , 8 ... , 7 -

–Jellal ! — o chamei alto, apreensiva — E o que eu tenho que fazer ?

–Ora, achei que soubesse — ele riu, revirando os olhos — Vai caçar Gray Fullbuster. É sempre o último sobrevivente, e quase sempre salva o dia. Se pegarmos ele primeiro, o restante fica desestabilizado.

–3 ... , 2 ... , 1 ... PRISION GAME !

Erza e Jellal simplesmente deram uma cambalhota na grama, saltando feito ninjas na direção das árvores. Vendo-os assim, era até um pecado não estarem juntos.

Seriam um bom casal assassino, qualquer dia desses.

Levy e Lisanna pareciam tão perdidas quanto eu, até notar que era essa a estratégia.

Suspirei, olhando em volta enquanto pensava no que fazer. Se Gray era o último sobrevivente, ele devia ter alguma técnica especifica.

Pensando dessa forma, o melhor era ir para as áreas onde haviam mais árvores.

Afinal, a única forma dele não ser encontrado, devia se dever ao fato dele se esconder melhor que Erza e Jellal, ou correr mais que os dois. Sendo que, como os tênis dele hoje eram amortecedores de queda, aposto minha casa que são específicos para escalar.

Não é mera coincidência.

Ele deve ficar no alto das árvores.

Ou não ler as plaquinhas de classificação dos tênis quando os compra. O que é bem provável. Mas devido ao modo com o qual ele instrui a Equipe de Natação, duvido que seja tão desleixado com relação aos esportes.

Suspirei cansada, dando de ombros enquanto corria na direção das árvores.

[...]

Sentei próxima a uma rocha, recostando as costas na mesma enquanto jogava a cabeça para trás, fitando as árvores com puro desinteresse.

O jogo, até agora, estava entediante. Já haviam se passado cerca de uma hora e meia, e nada de interessante havia acontecido.

Não vi nem Erza, nem Jella, desde o inicio do jogo. No entanto, Levy e Lisanna parecem estar rebolando na cara do inimigo. Apesar de eu ter minhas suspeitas sobre uma possível vingança da parte de Lisanna. Ela estava procurando Lucy. E isso era mais que obvio.

Não se ouviam uivos, nem gritos, nem passos. Era só o som do vento, e dos passarinhos.

No mínimo, tranquilo demais pra toda aquela intonação de Natsu quando me contara sobre o jogo.

Não passava de um polícia e ladrão numa área extensa, e sem muita emoção ao longo do dia. E obviamente, ele duraria muito. Até que todos estivessem a poucos segundos de fazerem xixi nas calças.

Fitei as copas das árvores, tentando arranjar algo pra fazer, quando finalmente vi algo de inusitado.

Havia alguma coisa esquisita naquela árvore. O modo como os galhos e folhas estavam distribuídos em um único local era estranho. Alguém havia mexido naquilo.

Ou melhor, alguém estava ali dentro.

Sorri incondicionalmente, já imaginando quem deveria ser o felizardo. Estiquei as meias pra fora dos coturnos, levantando com poucos ruídos e caminhando devagar até o tronco da árvore alta, enquanto analisava como seria a escalada.

Era mediana até, e fácil de se subir. Haviam muitos galhos, e galhos grossos, o que era bem propenso a uma escalada. Porém, talvez essa não fosse a melhor das ideias. Se ele tivesse um plano B, poderia facilmente saltar e correr pra longe, e eu seria facilmente deixada para trás.

Mas talvez ... se eu o induzisse a sair, podia persegui-lo por tempo indeterminado. Não corri até agora, então vou aguentar por bastante tempo uma perseguição. Já ele, estava parado e encolhido no alto de uma árvore, e certamente suas pernas já estavam pra lá de dormentes.

Ele não aguentaria tempo suficiente.

Agora, a única pergunta era :

Como fazê-lo descer ?

Só se eu convencesse Lisanna — ou Levy — a fingirem tê-lo descoberto. Olhei ao redor, encontrando-as passeando bem mais atrás, rindo alto de alguma coisa sem importância.

Ótimo, o destino parece estar a meu favor.

Provavelmente o sinal de ter prendido alguém deve mudar a cada jogo. Ou seja, os Infratores talvez — tomara que eu esteja certa — não saibam que significa que alguém foi capturado. Se eu fizesse o sinal, e forçasse Lisanna e Levy a correrem na minha direção, o que elas provavelmente vão fazer, talvez Gray pense que foi encontrado.

Ou, quem sabe eu deva tentar algo menos bem elaborado. Teria menos chance de dar errado.

–LISANNA ! — berrei o mais alto que conseguisse, escondida atrás da pedra — EU ACHEI UM DELES AQUI, EM CIMA DA ÁRVORE !

Um resmungo alto fora audível, e, enquanto as duas corriam em minha direção, o moreno simplesmente jogou-se pra fora da árvore, caindo de modo perfeitamente cronometrado pra fora de seu esconderijo.

Ainda assim , o "rolamento" que ele fizera para não se estabacar , sugeria que ele realmente estava despreparado para a descoberta.

Ou seja, pernas dormentes.

Quando ele começou a correr, fiz o mesmo, passando direto por Lisanna e Levy, que olhavam-me incrédula.

Ouvi um incentivador :

–Manda ver, Juvia !

E tive certeza de que faria isso.

Gray corria num ritmo acelerado, porém totalmente desastrado, parecendo estar realmente desnorteado. E eu me aproximava como um animal selvagem, próximo da hora do jantar.

Corremos por cerca de quatro minutos, até que retornamos a clareira onde , ao meio, Erza e Jellal prendiam — além de Wendy — ninguém menos que Gajeel. Todos arregalaram os olhos ao nos verem correndo.

–Vai, Juvia ! — ouvi Jellal gritar.

Os incentivos só me instigavam mais, e após acelerar com o que me restava de fôlego, lancei-me em cima do Fullbuster com força total, girando com ele pela grama por metros indeterminados.

Só sei que já estava pra lá de tonta quando senti algo por baixo de mim.

E a cena era totalmente constrangedora, apesar de épica.

Eu permanecia sentada ao colo de Gray, segurando-o pelos ombros com força contra o chão, enquanto ele arfava, com as orbes negras arregaladas focalizadas em mim.

–Como ... foi ... que ... você ... me ... encontrou ? — ele perguntou, pausadamente graças a respiração descompassada, olhando-me ainda incrédulo. Sorri de canto, forçando-o ainda mais contra a grama.

–Talvez eu seja boa em perseguições — murmurei, erguendo uma sobrancelha sugestivamente enquanto acrescentava um irônico — Fullbuster.

Ele riu seco, desviando os olhos apenas alguns instantes, antes de dizer :

–É, Lockser, talvez você seja boa em me surpreender.

Senti minhas bochechas corarem, e sai de cima dele aos poucos. Estendi a mão, já de pé, ajudando-o a levantar-se também.

–Juvia, você é foda — afirmou Jellal, dando-me um tapa fraco nas costas — Isso foi simplesmente aterrorizante.

–De um jeito bom — complementou Erza, sorrindo de lado orgulhosa — Você foi uma verdadeira republicana.

–Agora, se não se importam, vamos voltar ao jogo — pediu Gajeel, cruzando os braços irritado — Deixe a guria-san perseguir o resto, já que ela conseguiu ser melhor que o casal maravilha.

–CASAL O QUÊ ?!

[...]

Por fim, eu prendi Natsu , e Erza e Jellal pegaram Lucy, que não chegou nem perto de conseguir invadir Prision.

Mas Natsu bem que tentou, antes de eu começar a persegui-lo. Gray chegou até a sorrir em minha direção quando prendi o rosado, levemente surpreso.

O que , como sempre, me fez corar até a alma.

Depois do jogo, Gray e Erza decidiram ir a algum lugar que tinha a ver com Happy, fosse lá o que isso fosse, com Lucy e Natsu. Gajeel e Levy iam voltar pra casa juntos — como sempre — , e sobrou para mim a companhia do adorável Jelly.

Já que Lisanna fora embora antes de ter que nos aturar.

Andamos grande parte do caminho, até que finalmente chegou a estação, onde Jellal sentou-se num dos bancos, conferindo o celular enquanto murmurava um "Que merda" audível.

–O que foi ? — perguntei, sentando-me ao lado dele enquanto bebia um gole da água que havia comprado. O azulado fez uma careta.

–Ultear está me chamando pra sair — explicou, coçando a nuca enfezado — Não sei se aceito.

–Eu não te entendo, Jellal — afirmei, dando outra golada e voltando a encará-lo — Você tem essa mania horrível de ... fugir da realidade. Por que não investe logo na Erza , porque pelo que eu vi hoje, ainda rola muita coisa entre vocês.

–A Erza é complicada demais — pigarreou, revirando os olhos — Ou melhor, eu sou complicado demais. Ela merece mais do que isso, e não sou eu quem vai acabar com as chances dela de ir bem. Mas que seja, Juvia ... se importa se voltar sozinha ? É outro trem que me levaria até a casa da Ultear, então ...

–Não, tudo bem — sorri a ele — Pode ir.

–Certeza ?

–Uhum — assenti, acenando enquanto ele deixava o local.

A sensação de solidão voltava em momentos como esse, mas certamente não com tanta intensidade. Olhei em volta, bocejando levemente enquanto ouvia o som do trem se aproximando.

[...]

Alonguei os braços, pagando a mulher do caixa enquanto me afastava, comendo uma das balinhas de ursinho sabor morango. A propósito, meu sabor favorito.

Apesar de ser fim de semana, as ruas permaneciam bem fazias para a normalidade.

–Lockser ?

Senti minhas espinha gelar. Essa voz não.

Virei-me rapidamente, encontrando-o parado atrás de mim, de braços cruzados. A carranca atual estava bem mais forçada, ou seja, ele estava realmente estressado. E não era só com a minha presença em seu caminho.

–Gray ? — engoli em seco — Achei que estivesse com os outros ...

–Eu estava — garantiu, olhando-me de relance — Até não estar mais, como pode ver. O que está fazendo aqui ?

O tom rude deixou-me levemente irritada.

–Indo pra casa — garanti, impaciente — Por que, não posso usar essa rua ?

–Não é isso — bufou, revirando os olhos — Quer saber, tanto faz. Tô com fome, e não vou perder meu tempo discutindo qualquer -

–Eu também estou com fome — interrompi ele, rápido demais. Tapei a boca em seguida, incrédula com o que havia feito.

–E eu com isso ? — revirou os olhos de novo, me dando as costas enquanto voltava a andar pela rua.

Senti meu sangue ferver, puxando-o pelo ombro com força, obrigando-o a olhar-me nos olhos de novo.

–Escuta só, — cruzei os braços, irritada, enquanto ele erguia uma sobrancelha — Só porque você fica irritadinho com o fato da Lucy não estar te dando bola, não significa que possa me tratar assim, O.K. ? Eu não sou rude desse jeito com você, então não seja comigo.

Ele engoliu em seco, olhando-me de cima a baixo.

–É tão obvio que ela não me deu bola ? — riu seco, de modo irônico. Sorri aliviada com a atitude, assentindo em seguida — Nossa, quanta sinceridade.

Ele olhou-me de novo, parecendo ter algo preso na garganta.

–Foi mal, não quis ser grosso. É um pouco o meu jeito.

–Acho que não dou sorte mesmo — sorri de lado — Sempre falo com você nos piores momentos.

–Disse que estava com fome, não é ? — deu de ombros — Quer ir numa lanchonete, ou algo assim ?

Ruborizei violentamente.

–É ... claro.

Continua ...

Notas finais
Adoro cortar o barato de vocês bem na hora que fica interessante :) Me faz imaginar o quanto vocês me xingam HAUHSUAHSUAHS Mas enfim né, aguardo opiniões, e criticas, venha o que vier U.Ú