Neon Lights

4 Capítulo 4 - Primeiro Diálogo = Primeiro Surto


Notas iniciais
E então, meus amores, estou aqui para agradecer eternamente a leitora Hey, que me fez uma recomendação no mínimo divina. Cara, tô tão + tão feliz, que escrevi esse capítulo antes de viajar correndo, pra não deixar vocês uma semana sem capítulo novo. A Neon Lights está dando certo exatamente como eu queria, e nada podia me deixar mais feliz do que saber disso. Boa leitura !

No último capítulo de Neon Lights ....

–Hey , Lockser.

Meus olhos quase saltaram pra fora.

Essa voz ... era bem mais que familiar. Kami-sama.

0oO

Eu não fazia ideia de como reagir a aquela situação.

O que se faz quando o garoto que você ama — e não sabe da sua existência — te chama em alto e bom som ?

Pode ser uma ilusão. Né ?

Olhei para cima, encontrando um Jellal furioso se sacudindo feito uma baiana. Definitivamente está acontecendo algo atrás de mim. Respirei fundo, me virando lentamente e encontrando aqueles belos olhos negros me fitando sem esboçar emoção alguma em especial.

Ergueu uma sobrancelha, fazendo-me corar dos pés a cabeça.

–Sim ?

Nem minha voz ousava sair direito. Só a presença dele abalava meu equilíbrio — tanto físico, quanto mental — fazendo meus joelhos bambearem, e o coração palpitar.

Por que Gray Fullbuster, meu Gray-sama , estaria falando comigo ?

–Hn ... — coçou a nuca, um tanto constrangido. Kawaii, no mínimo — Eu sei que tô um pouco atrasado mas ... tinha que ... te agradecer por ontem.

–Ontem ? — me fiz de desentendida. Mesmo prestes a infartar, tinha de seguir meus planos — de desde que o vi pela primeira vez- onde a primeira regra era :

Se ele e você por acaso um dia se falarem, force-o a conversar mais.

Dica da vovó, na verdade. Ela diz que se os homens tiverem tempo de reparar nosso busto enquanto falam, e acharem-no interessante o suficiente para ignorar o que falamos, temos alguma chance.

A propósito, ela detesta homens. E tem uma namorada, o que para muitos é meio bizarro, apesar de não me incomodar. Pelo menos a namorada da vovó trabalha numa padaria, e sempre levo doces e pães de graça.

–É, ontem — afirmou novamente, assentindo com a cabeça em seguida — Sabe, aquela hora.

–Aquela hora ... — repeti, franzindo o cenho — Ah, sei. Não precisa agradecer ... não foi nada demais.

–Foi demais sim — garantiu, tentando soar simpático. Senti meus rosto esquentar ainda mais — Você me salvou, e não tenho nem como agradecer.

Eu devia cobrar alguma ... recompensa dele ? Porque essa seria uma boa oportunidade pra isso.

Bem, melhor não. Ele pode me achar interesseira.

–Não há de quê — sorri fraco — Ouvi umas pessoas da Phantom comentando de sabotagem, e fiz o que tinha que fazer.

–O que não deixa de ser heroico — deu de ombros — Mas então tá ok. Agora tenho que ir. Ja nee.

Eu não desmaiei nem agi como louca, então de acordo com Jellal ...

"Ele vai te agradecer, e se conseguir não desmaiar nem agir como louca, talvez, somente talvez, role um assunto."

Ele virou levemente, preparando-se para ir embora, quando num SURTO PSICÓTICO — de que , como podem ver, me arrependi mortalmente depois — dei um berro exasperadamente alto :

–NÃO ROLA UM ASSUNTO ?!

Arregalei os olhos, tapando a boca em seguida. Kami-sama. O que eu acabei de dizer ?!

–Puta que pariu — ouvi um resmungo ao longe. Jellal, na certa. Maldição. Depois dessa, só me enterrando no jardim de bruços.

Gray-sama virou o corpo novamente em minha direção, me analisando igualmente em choque. Dentro de alguns segundos, suas bochechas inflaram um pouco, e ele soltara uma gargalhada sonoramente maravilhosa.

Uma daquelas que ele só dava em momentos raros durante seus almoços com o grupo.

Senti-me honrada, e uma babaca, ao mesmo tempo.

–Foi mal — passou a mão pelos cabelos, tentando conter o riso — Não entendi qual é a da pergunta.

Abaixei a cabeça, deixando meus cabelos azuis cobrirem grande parte do rosto. Mas que droga ! O que eu digo pra ele ?!

Respirei e expirei algumas vezes tentando — inutilmente — manter o controle.

Vamos lá Juvia, você nunca foi tímida , lembra ? O que vem de baixo não te afeta ! Na pior, ele vai negar. E você não vai desistir mesmo, e sabe disso.

Levantei o rosto, encarando-o de frente. No mesmo instante, ele ergueu uma sobrancelha, aguardando minha resposta.

–Eu quero uma recompensa por ter te salvado — declarei firme. Voltando a coloração normal.

Ele engoliu em seco, surpreso. Acho que era a última coisa que esperava ouvir.

O corredor todo parecia estatizado. Inclusive Laxus, que mesmo bem próximo, não ousara abrir a boca. As cabeças se viraram na direção do moreno automaticamente.

–Uma ... recompensa ? — repetiu incrédulo. Assenti, deixando-o ainda mais sem reação — Bem ... acho que não posso negar, não ? O que você quer ?

–Que volte pra casa comigo — respondi firme, cerrando os punhos determinada.

Agora era ele quem estava de uma cor diferente, com as bochechas levemente vermelhas. Um fofo , lindo, perfeito e chocado Gray Fullbuster me olhava como se eu fosse algum tipo de bicho das profundezas do inferno.

–T-Tipo ... te levar em casa ?! — perguntou, soando altamente ofendido ou algo do gênero. Pensei em recuar com a proposta, mas já estava aqui, tão próxima dele, que a ideia me soara desesperadora. Não haveriam outras situações como essa.

–Não exatamente ... — engoli em seco, dando de ombros — Eu tenho que pegar o trem todos os dias, podia me levar até a estação, pelo menos. E-Eu juro que ... — suspirei derrotada — Olha , se não quiser, não tem problema. Não vou insistir mais.

Ele me olhou nos olhos por alguns instantes, avaliando a situação. Desviei o olhar por medo de estar sendo simplesmente rejeitada visualmente.

Já esperava o pior.

–Gosto de pessoas determinadas — disse somente, coçando a nuca enquanto ajeitava a mochila no ombro — E até voltaria com você, mas ... tenho treino hoje.

Voltei a ficar cor de rosa. Ele ... indiretamente ... me elogiou ?!

"Gosto de pessoas determinadas" definitivamente foi pra mim.

–T-Tá ... bem — sorri de lado, constrangida — Então deixa pra lá.

Assentiu, olhando-me de relance enquanto seguia em frente, na direção da saída.

–Ja nee — murmurou somente.

Senti toda a euforia esvair-se quando desapareceu em meio ao pátio extenso. O corredor ainda comentava e me olhava, todos altamente entretidos.

Eu fui ... rejeitada ?

–Boa tentativa, Esquisitona — debochou Evergreen, dando um esbarrão forte no meu ombro enquanto passava — Mas você é o último ser com quem aquele garoto ficaria de todo o colégio. Você é um fracasso na forma de gente.

–Não achou mesmo que Gray Fullbuster fosse se interessar por você, não é ? — Laxus gargalhou, revirando os olhos em seguida — Por que todo excluído social tem essa fantasia de namorar gente como nós ?

–O Gray não é como você, Laxus — garantiu Natsu, surgindo em meio ao grupo do loiro — E não ouviu o que ele disse ? Ele tem treino.

–O que não deixa de ser um fora — rebateu Evergreen. O rosado bufou.

–Ela não se declarou, então por que seria um fora ? — insistiu em invocar-se. Sorri fraco, me metendo no meio depois de tomar coragem.

–Está tudo bem, Natsu-san — garanti, tocando o ombro dele levemente — Eles ... só estão fazendo o de sempre.

–Que não deixa de ser irritante — murmurou enfezado, sendo puxado em seguida por Lucy-vadia-san — Oe, Luce ! Me solta !

–Anda logo, Natsu. Briga com o Laxus ninguém merece. E lembra ? Você jurou pra Erza que não ia se meter com eles por enquanto.

–Já sei, já sei ! — cruzou os braços, impedindo-a de arrastá-lo — Eu só queria agradecer a garota de biblioteca por ter salvado o idiota do Gray !

–Juvia — lembrou-se Lucy, olhando-me de forma simpática. Ativei a cara de marmota, fazendo-a recuar confusa — N-Não é ?

–Hai — nem me dei ao trabalho de sorrir falsamente — Juvia Lockser.

–Juvia, hãn ? — Natsu sorriu, fazendo um sinal de O.K. em minha direção — Doumo arigatou, Juvia. Você salvou o idiota-mor do Gray, e agora temos uma divida com você. Se estiver com dificuldades, eu posso te explicar Educação Fisica !

–Só pode estar de sacanagem — Jellal apareceu, fitando o rosado com impaciência — Ninguém aqui precisa das suas aulinhas de como tirar o mínimo pra passar, Natsu. Agora nos dê licença.

–Oe, Jellal — bufou, encarando-o com irritação — Você é chato até nessas horas ! Só estava sendo legal com ela !

–Que seja.

Me puxou rapidamente, guiando-nos para fora dos portões do Fairy Tail. Seguíamos por ruas que devido a rotina, já estava cansada de olhar. Ele também ia para a Estação de Trem, pelo visto.

–O que foi, Jellal-san ? — perguntei finalmente — Por que não deixou o Natsu-san e eu conversarmos ?

–Primeiro, porque Natsu se apega muito rapidamente a gente simpática, que é o seu caso — explicou brevemente, reparando em outras coisas enquanto falava — Segundo , porque eles são imbecis. Se entrar pro grupo, vai ser uma das que só ri e quase nunca fala. Quem grita mais, é quem fala mais. Detesto gente assim.

–Está me proibindo de andar com eles ?

–Ou de ser imbecil. O que dá no mesmo. Mas no momento , nada disso vem ao caso. O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ AQUELA HORA ?! SURTOU ?!

Engoli em seco, agachando na calçada automaticamente quando caiu a ficha. Cobri o rosto com os cabelos, novamente.

–Eu gritei mesmo aquilo ?!

–Tá de sacanagem né ?! — riu sem humor , imitando minha voz em seguida -"Não rola um assunto ?!" Não tinha nada melhor pra falar não, minha filha ?!

–Juvia não conseguia pensar em nada! — abracei meus joelhos — Juvia lembrava de você dizendo que talvez rolasse um assunto.

–E foi dizer isso na cara dele ?! — deu um tapa na própria testa, incrédulo — Você é completamente louca ! Era mais fácil ter dito " Olha, eu sou uma adolescente problemática que te ama e quer falar com qualquer um porque sou muito excluída de todos" ! E que merda é essa de falar em terceira pessoa ?!

Um casal de idosos nos encarou assustados.

–Eu não sabia que seria tão decadente ! Só pensava que aquela podia ser minha única chance de falar com ele naturalmente, e me agarrei nela ! Você faria a mesma coisa se amasse tanto uma pessoa que seu peito doesse quando visse e sentisse ela tão longe todo o tempo !

O azulado me encarou, sem resposta aparente. Pelo visto, Jellal Fernandes, o gelo seco, também sentia-se incorrespondido vez ou outra.

–Nunca me senti tão perto dele na vida — afirmei por fim. Ele bufou, revirando os olhos com uma expressão de nojo.

–Simplesmente patético, Juvia. Mas que seja.

Estendeu a mão, ajudando-me a levantar.

–Vou te ajudar com o idiota do Gray, mas com uma condição.

–Qual ?

–Seja menos esquisita, droga ! Quem grita no meio do corredor , que a propósito, estava silencioso, se "não ia rolar" um assunto ?!

Tive que rir, dando de ombros.

–Pensei rápido.

–E mal — acrescentou debochado — Muito mal. Quanto a isso da terceira pessoa ... vamos acabar com isso, ok ? É absurdamente estranho.

Oo0

Recolhi as revistas de esportes, colocando-as corretamente na estante da vendinha enquanto assoviava uma canção qualquer. Adorava arrumar objetos nas estantes em locais assim. No caso, estava em uma banca de jornais, que frequentava semanalmente, ajeitando tudo antes de comprar somente uma revista de horóscopo e um Sudoku pra vovó.

A banca era bem moderna, com estantes e chão metalizados, e diversos livros, revistas e até alguns CD'S e DVD'S. Claro que, como a maioria das papelarias e livrarias, mangás estavam sempre mais aparentes e em maior quantidade. Principalmente os shoujo e shounen.

–Juvia ?

Coloquei a última revista de tênis no local, olhando em volta até achar uma garota bem próxima, segurando algumas revistas de moda e maquiagem. Ah , sim. Lisanna Strauss. Seu irmão, Elfman, tinha no mínimo cinco empregos, e quebrava o galho do dono da banca com frequência.

Sorri fraco, acenando para ela, que vinha na minha direção.

–Trabalha aqui ? — perguntou com curiosidade. Neguei com a cabeça.

–Só gosto de organizar estantes — respondi, fazendo-a rir levemente — Eu sei, parece esquisito.

–Não, não. Tinha mania disso no mercado quando era menor — garantiu, fazendo-me relaxar um pouco. Gostava de conversar com Lisanna. Desde o dia da biblioteca, nos esbarramos umas duas ou três vezes no banheiro, e ela sempre me cumprimentava — E então, mora por aqui ?

–Ah, mais ou menos — suspirei cansada — Moro na encosta, numa das casas ao morro, sabe ? É perto, porém graças a bendita subida, fica mais longe. Ainda assim, gosto de morar lá.

–Prefere paisagens naturais — deduziu, sorrindo simpática — Algum dia poderia me levar lá para conhecer. Adoro lugares pouco habitados.

–Até que passam carros com frequência — afirmei, vendo-a prestar atenção a todo o tempo — Exceto em dias de chuva. As pessoas morrem de medo de desabamentos e derrapar com os carros na estrada. Apesar da obaasan dizer que é pouco perigoso.

–É porque desde aquela chuvarada em que o mar subiu muito, todos tem medo daquela área ser inundada, ou sei lá — revirou os olhos — Adultos , sempre procurando algo interessante que não inclua diversão para se preocupar.

–Verdade — caminhamos juntas em direção ao caixa, enquanto eu pegava o dinheiro na bolsa, aproveitei para perguntar :

–Onde está Natsu ?

E ela respondeu :

–Com ... Lucy.

O tom de inveja levemente utilizado me fez perceber que elas realmente não se davam muito bem.

E apesar de eu detestar Lucy, por ser minha rival amorosa, sei que ela também não tem culpa. Ela e Natsu são como carne e unha, apesar da existência de Lisanna. Afinal, a grisalha se transferira recentemente, e antes de sua chegada , os dois estavam bem próximos de alguma coisa não-revelada.

Fora como uma bomba. Que — infelizmente para alguns — Lucy não pôde desarmar.

Agora participava de um triângulo amoroso infeliz, com seu melhor amigo e a namorada de infância dele. E indiretamente, o amor da minha vida.

–Algo contra ? — resolvi insistir.

Ela me olhou, dando de ombros. Parecia guardar aquilo bem profundamente. Enquanto andávamos, resolvi que talvez não fosse bom tocar no assunto. Se ela queria guardar seus segredos, tudo bem. Nem teria porque a esquisita do colégio ficar sabendo sobre -

–Eu a desprezo — disse finalmente. Quase concordei incondicionalmente — É uma maldita ! Tudo com Natsu estava perfeito ! Eu nem queria ter me mudado, mas meus pais me obrigaram ! Eles disseram que o intercâmbio seria bom, que me faria ter um futuro melhor ... era tanta pressão, Juvia ! Não pude me dar ao luxo de negar isso a eles ! Ai , nos despedimos, e alguns anos mais tarde, voltei, achando que ele estaria lá, feito o príncipe que é, só esperando meu retorno. E ele estaria exatamente assim se , ela , uma aluna novata piriguete, não tivesse se enfiado no lugar que EU deveria estar ! E lógico que eles se deram bem ! Bem demais ! E não consigo mais suportar estar com Natsu enquanto ele conta sobre a "Luce" e as histórias inúteis dela que o fazem rir o dia todo. Nem se quer consigo beijar ele sem que ela telefone contando da merda do bicho estranho albino dela ! E eles riem, e conversam, e riem. E ele a ama.

Engoli em seco. As lágrimas escorriam dos olhos dela feito numa cascata. Instintivamente a abracei, segurando-a com força.

–Shh — afaguei seus cabelos claros — Está tudo bem, Lisanna.

–Não, não está, Juvia — afirmou convicta, deixando-se levar pela atenção — Ele a ama verdadeiramente. E quando ele perceber isso, perceber que não precisa ficar comigo só porque tínhamos algo no passado ... quando ela o fizer ver isso ... ele vai me deixar. E não estou pronta pra isso.

–Não acha ... isso bom ? — perguntei incerta, fazendo-a olhar-me incrédula — Quero dizer, antes só, do que acompanhada de alguém que só pode te oferecer metade de si. Todos querem o outro por inteiro, e ... se você não pode tê-lo assim , de que vale tudo isso ?

–Não vale — admitiu, soluçando forte e me abraçando mais forte — Mas não queria perdê-lo assim. E justamente para ela ! Tudo nela é tão perfeito , sabe ?! É bonita, engraçada, desastrada de um jeito "kawaii" , além de ter aquele bendito peito grande! A odeio com minha alma, e ao mesmo tempo ... me odeio por isso. Ela é tão perfeita. E legal. Verdadeiramente legal. Me sinto um lixo por odiá-la tanto.

–Talvez ela se sinta do mesmo jeito que você, Lisanna — murmurei, tentando consolá-la — Lucy também tinha tudo antes de você surgiu. E ela não te trata do mesmo jeito que a Levy, por exemplo. São amizades altamente diferenciadas.

–Ela também não gosta de mim — afirmou, dando de ombros — Não que isso me interesse. Mas , entendo-a um pouco. Falando nisso, esqueci de te dizer. Você é simplesmente incrível. Hoje ... aquilo com o Gray ... foi muito corajoso da sua parte. Ele ficou totalmente sem reação.

–Ele me achou uma idiota — declarei, fazendo-a rir alto — Sério.

–Claro que não, Juvia — continuava rindo — Foi engraçado demais ! Você acabou com ele com aquilo ! Me senti tão inspirada ... foi simplesmente demais ! Tudo bem que agora todo mundo sabe que você gosta dele ... mas ainda assim, foi incrível.

–Eu não escondo isso de ninguém — garanti sem humor algum. Não era algo que me incomodasse realmente — Eu gosto dele mesmo, e quero que ele saiba disso.

–Sim, concordo que isso seja ... — ponderou um pouco — Inusitado. Mas toma cuidado. Ele é meio lerdo, e ... -

–Gosta da Lucy — completei. Ela assentiu.

–Não que ele AME ela — tentou melhorar — Ele só a acha bem bonita.

–Isso não me afeta tanto — disse somente — Você vai por esse caminho também ?

–Aham.

Sorri, e continuamos andando juntas até a casa dela. Não muito longe. Lisanna até que era muito, muito, legal mesmo.

Oo0

–Juvia, vai ficar bem mesmo ? — perguntou minha avó, pegando as chaves em cima do balcão da cozinha. Assenti, fazendo um sinal de descaso com a mão — Já sabe das recomendações, não é ? Nada de dormir tarde, nem de gastar muita luz ! Depois vem a conta e sou eu que banco seu desperdício !

–Hai, Hai — revirei os olhos — Onde você vai, obaasan ?

–Ayane e eu vamos ao karaokê e depois a um barzinho qualquer — colocou o chaveiro na bolsa, olhando-me de relance enquanto ia em direção a porta — Por que não veste uma roupa casual e dá uma volta ? Talvez ache algo interessante.

–Eu não tenho com quem sair.

–Não quer dizer nada.

Fechou a porta em seguida, deixando-me deitada no sofá, entediada ao extremo.

O que eu faria sozinha, de noite, na rua ? Todas as opções me parecem altamente profanas.

Sem nada específico útil em mente, subi as escadas, ligando a banheira e o rádio no máximo. Tocava uma música com uma batida incrível, do Fall Out Boys. My Songs Know What You Did In The Dark. E enquanto a cantava e balançava as pernas dentro d'água, tentei imaginar o que faria dali pra frente.

Depois de hoje mais cedo, acho que evolui como pessoa. Não necessariamente no caráter, mas me senti mais determinada. De agora em diante, eu não me deixaria abalar por esse tipo de situação. Gray Fullbuster é o amor da minha vida, e nada nem ninguém vai me impedir de provar isso.

Foi com isso em mente que sai da banheira, depois de enxaguar bem o cabelo, e tirei a tampa, deixando que a água fosse embora enquanto saia — pelada mesmo — em direção ao meu quarto.

Abri o armário, vestindo um look bem casual, composto de um short jeans razoavelmente curto, e uma camiseta regata branca com uma coruja estampada na frente. Botas de couro e cadarços , como sempre, e um guarda chuva.

Não sei porque , amo sair de guarda-chuva. As vezes o uso pra saltar hidrantes e outros obstáculos da calçada como se estivesse praticando salto com vara. É altamente divertido, apesar de me acharem sem noção. Ou "Muito velha pra isso ! ".

E a essa altura, já estava trancando a porta de casa e caminhando em direção a bicicleta quando vi aquele enorme transporte maravilhosamente raro. Corri na mesma hora, enfiando as chaves no bolso enquanto fazia sinal sacudindo os braços desesperadamente.

Um ônibus é quase tão raro nesse lugar quanto ver uma águia no seu telhado. É algo simplesmente milagroso. Pegá-los na direção contrária é fácil, porém ir neles até a cidade chega a ser incrível.

E felizmente, ele parou, cedendo lugar a uma desesperada de guarda-chuva na noite estrelada sem uma nuvem se quer.

Sentei-me no final, trançando alguns pedaços do meu próprio cabelo para me distrair durante o percurso. Talvez eu nem se quer saísse do ônibus. Podia passar horas nele, vendo a vida passar, enquanto não chegava ao ponto final.

Quando chegamos a verdadeira cidade de Fiore, as luzes me fizeram voltar atenção ao exterior do local. Tudo extremamente belo, e principalmente iluminado. Eram letreiros, propagandas, adolescentes, músicas altas vindas de boates. Tudo o que se pudesse imaginar.

Um sorriso de canto automaticamente se formou, e se desfez na mesma hora em que algum maldito fez sinal para o ônibus, impedindo-me de continuar o trajeto urbano noturno.

Não olhei para o passageiro, pois meus olhos estavam pregados nas figuras que caminhavam pela noite, abraçados um ao ombro do outro, de uma maneira peculiarmente familiar. Riam, mas não pareciam bêbados. Gritavam, mas não pareciam discutir.

Só podia ser o grupo do Gray-sama.

–Hey, olhos pontudos !

Automaticamente, um cachorro-quente voou pelos céus, tomando a calçada de batata palha e mostarda.

–Eca, nem botou ketchup !

–Esse é o seu comentário ?! Não tinha nada melhor pra dizer não, baixinha ?!

–Você é tão idiota, Gajeel !

Sorri internamente. Sorte , ou azar ?

–Com licença — ouvi me chamarem. Não importava, empurrei levemente quem quer que fosse, ficando em pé e avisando ao motorista que desceria ali. No ponto a poucos metros ele parou, abrindo as portas de saída.

Desci lentamente, respirando fundo enquanto refletia sobre o que faria a seguir.

–Juvia ! — ouvi a voz de Lisanna. Virei-me no mesmo instante. Havia soltado do lado oposto da calçada onde o grupo estava, mas ela, estranhamente, estava sozinha em frente a uma lanchonete.

–Achei que estivesse com eles — olhei na direção do grupo, que permanecia unido e rindo loucamente — O que está fazendo aqui ?

–Tentando me matar — murmurou irritada — Já chega de bancar a namorada apaixonada que não se importa com o fato dos outros a detestarem.

–Eu — engoli em seco, dando uma última olhada na direção do grupo. Até que meus olhos encontram-no, no meio deles, ao lado do rosado altamente chamativo. Vestia coturnos negros, calças jeans escuras, e um sobretudo branco e estiloso. Estava lindo. Como sempre, na verdade.

–Não esquenta, Juvia — ela sorriu gentilmente — Pode ir falar com ele.

–Não tenho que falar com ele ainda — afirmei, olhando-a com compreensão. Ela precisava de uma amiga. E pensando bem, nunca vi Lisanna com ninguém que não fosse o grupo de Natsu. E agora ela me diz ... que não gosta de verdade deles ?

Exatamente como Jellal.

–Sabe, Jellal me disse a mesma coisa — contei a ela, sorrindo torto — Quer conversar enquanto andamos ?

–Aham.

E assim fizemos, exatamente como na volta pra casa mais cedo. Conversamos, rimos, quase choramos, e comemos muitos doces. Acho que oficialmente podia declarar Lisanna Strauss como minha amiga.



Notas finais
Mereço comentários ? >.< Saudades de vcs !