Neon Lights

5 Capítulo 5 - Ficha de Inscrição


Notas iniciais
Olá, Meus Amores *---* Senti falta de vocês ! Estava no fim do mundo, sem net, com a parentada, e o sol rachando nas costas. Ok, agora vamos ao que interessa ... Tópicos de importância MÁXIMA sobre o capítulo 5 : 1- O que acharam da capa nova ?! *--* Fiquei tão feliz de ver o resultado ! Achei , particularmente, melhor que a anterior, e vocês ? 2- Mil agradecimentos a Divônica leitora LifeCrazy, que me deu uma recomendação maravilhosamente linda, que me fez sorrir feito uma monga por , no mínimo, sete horas seguidas. Pra terem uma noção, ela não era nem fã de Gruvia, nem da Juvia, em si. E aqui está ela, numa fanfic dessas KKK' Quem diria, não ? Aproveito para agradecer também a Llif/Hey, que também recomendou a fanfic, me deixando boquiaberta. Amo vocês demais! 3-Creditando a leitora Karollin, que me deu uma ótima ideia, de autoria dela ~ que na verdade ela não me deu, e sim, possivelmente, emprestou, e vou enfatizar + uma vez que seja dela ~ de um apelido "carinhoso" para o Gelo Seco Fernandes. Achei super criativo e meigo ! Meus parabéns a genialidade U.U Agora, vamos ao que todos estavam esperando ... Boa leitura !



Enquanto dava o primeiro passo para fora do vagão — a propósito, lotado — refleti se tinha sido uma boa escolha mesmo ir a aula hoje. Tudo bem que a obaasan certamente tagarelaria sobre :

"Faltando por motivo algum ?! Está achando que é quem, a namorada do Príncipe Harry ?! Deixa eu te dizer uma coisa, menina, quando eu tinha a sua idade, faltar era sinônimo de trabalhar no dia seguinte ! "

Mas ainda assim, enfrentar a 1-B — enfatizando Laxus e Evergreen — comentando sobre a "pateticidade" do meu semi-diálogo imbecil com Gray-sama, certamente seria terrível.

Primeiro, porque Gray seria "convidado" a participar da zoação, e talvez até me detestasse por tê-lo colocado no meio disso. Segundo, porque Laxus estaria com a corda toda. Agora, no mínimo, inventaria outro apelido ainda mais deprimente, e me faria me arrepender de ter nascido, como de costume.

Não que no momento isso fosse realmente importante.

Revirei os olhos, parando na porta de uma loja na estação de trem. Os aparelhos eletrônicos recentes estavam colocados em fileiras organizadas, e um deles em especial chamou minha atenção. Um celular. IPhone, nesse caso.

"Fala sério, você não tem nem celular ?! " fora o que Jellal me perguntara.

Admito que é um tanto vergonhoso. Até tinha um bem barato, antes de jogar a bolsa no pessoal da Phantom, que passou mais ou menos uma semana mandando trote pra minha avó e etc. Mas agora, com Jellal e Lisanna conversando comigo com maior frequência, talvez fosse bom ter um modo de me comunicar com eles.

Enrolei uma mexa do meu cabelo como disfarce, levando meus olhos casualmente até o preço. Em seguida, eles se arregalaram. Tudo isso por um trequinho desses ?! Só pode estar brincando !

Se bem que tenho algumas economias dos Natais dos anos passados. Minha mãe sempre mandava um dinheiro ou outro, e minha avó também preferia me pagar ao envés de comprar algo. Exceto algumas camisetas e botas, que ela sabia que me agradariam.

Mas tirando isso, todos os meus presentes iam para o cofre, e como nunca fui tão vaidosa ao ponto de gastar tudo com roupas ou qualquer outra futilidade, provavelmente poderia gastá-los com algo útil. Como um celular novo.

Suspirei cansada. Era uma pena.

–Detesto tudo que é eletrônico — murmurou uma voz familiar ao meu lado. Engoli em seco, virando o rosto a tempo de ver um enfezado Natsu encarando um Tablet com puro nojo — Me deixam tonto, e me fazem de burro.

–Bem-vindo a minha realidade — sorri fraco. Ele retribuiu o sorriso mais abertamente.

–Luce diz que eu tenho que ser paciente, mas não consigo ! — cruzou os braços — Por que usamos uma coisa dessas pra falar uns com os outros ?! Eu seria mais feliz gritando na porta da casa deles o que quisesse dizer.

–Acredito nisso — admiti, rindo em seguida — Mas ... acho que se morarmos longe, ou algo assim, facilita ter um desses. Minha mãe ... está longe, e se eu tivesse um celular, poderíamos nos falar com maior frequência.

Se ela me atendesse.

Ele olhou-me pelo canto dos olhos, assentindo silenciosamente.

–Pais separados ? — perguntou de modo casual. Neguei com a cabeça.

–Desconheço meu pai — respondi, dando de ombros.

–E eu minha mãe, mas até que o Igneel dá conta — sorriu sincero. Franzi o cenho. Isso o deixou feliz ?! — Então temos algo em comum, garota do corredor.

–Juvia , lembra ? — apertei a alça da mochila em meu ombro — Juvia Lockser. Somos da mesma sala, Natsu.

–Da ... 1-B ?! — ele arregalou os olhos — Então por que nunca te vejo ?!

–Porque — engoli em seco — Bem, eu não sei. Mas não sentamos muito longe um do outro.

–Poxa, que esquisito — coçou a nuca, dando de ombros em seguida — Estava indo pro Colégio, não ?

–Aham.

–Então vamos juntos. Luce vai faltar hoje, eu acho, e Lisanna sumiu do mapa. Deve ter ido mais cedo por causa da Mira.

–Bem, não tenho nada contra — sorri de lado.

Enquanto andávamos, Natsu não calava a boca um segundo se quer. Ele não só era o tipo de garoto entusiasmado, como também o tipo que berrava quando ficava indignado. Fazia caras e bocas, saltava, chutava o ar, e até dava foras em outros pedrestres inocentes, por estarem encarando-o com horror. Apesar do desnível visível entre as quantidades de palavras de cada um por minuto — onde as minhas , ás vezes , chegavam a ser nulas — , a conversa fluía bem. Ele era realmente legal, e talvez por isso fosse considerado o primeiro lugar de popularidade masculina.

Sua presença era em parte agradável. Não tanto a alguém como eu, cujos diálogos são menos agitados e com menor volume no tom de voz. Apesar da alegria contagiante do rosado, andar com ele não me faria me sentir tão a vontade quanto com Jellal, por exemplo.

Ainda assim, o passeio foi realmente engraçado.

Quando chegamos ao Fairy Tail, Natsu acenou e subitamente desapareceu. Sem ter muito o que fazer antes que a aula começasse, andei pelo pátio na direção dos bancos mais arborizados, próximos a quadra de futebol, e retirei meu livro de romance da bolsa.

–Orgulho e Preconceito ?

–Uhum.

Senti que ele se sentara ao meu lado.

–Romance de ... Jane Austen — lia da capa, visivelmente debochado — Minha mãe é vidrada nessas porcarias. Escritora inglesa inútil, que gerou filmes ingleses inúteis.

–Opinião realmente instigante, Representante da 2-A — rebati com ironia — Não tinham ninguém menos pé frio para indicar na sua sala não ?

–Os incomodados que se mudem — cruzou os braços, bufando em seguida — Erza é um pé no saco.

Arregalei os olhos, engolindo em seco. Fechei o livro lentamente. Ele ... iria me contar sobre isso ?!

Kami-sama ! Ele nunca fala dela pra mim! Isso é tão ... excitante. Calma Juvia, calma. Se você perder o auto-controle, ele vai desistir de reclamar da Titânia pra você. Ai , vai perder o primeiro voto de confiança dele.

Respirei fundo algumas vezes, voltando a atenção ao livro novamente. Assim, talvez ele se sentisse menos desconfortável em falar.

–Por que ? — perguntei, forçando o tom desinteressado. Outra bufada foi audível ao meu lado.

–Liguei pra ela ontem, pra cancelar o passeio, ou encontro, sei lá, que agente tinha marcado — resmungou, visivelmente irritado — Não foi culpa minha, meu pai é um porre, e a Ultear... eu tô tão confuso !

–Ultear ? — repeti, levantando os olhos do livro por alguns instantes. Ele fitava as árvores.

–Uma ... espécie de ... ficante cúmplice, sabe ? — suspirou cansado, colocando a mão por cima dos olhos, tapando a luz — Ultear é uma amiga do meu antigo Colégio. Agente fica vez ou outra, só por ficar. Eu tenho sede de mulher, sabe ? E a Erza nunca assume que estamos ou não juntos, nem pra mim nem pra ninguém. Tava tão puto com isso que decidi pegar a Ultear de novo. E agora, a Ultear se declarou. E eu gosto muito dela pra dar um fora, entende ? Além disso, a Meredy, também do Grimoire Heart, disse que ela nunca se declarou pra ninguém antes. É uma merda quando agente tem que rejeitar alguém que gosta como amigo.

–Faço ideia de que seja díficil ... — disse, sem saber realmente do que estava falando — Mas ... quanto a Erza. É só esse o problema ? Tinha dito que seu pai era um porre...

–É que ... — engoliu em seco — Meu pai, ele não é uma pessoa boa, sabe ? Ele se mete muito onde não deve, e a Erza ... seria bom pra ela ficar longe. Ele não gosta dela. Uma vez, quando éramos crianças, ela meio que me fez desafiá-lo. Zeref acha que ela me comanda. E sempre que agente se aproxima muito, eu fico ... -

–Desafiador ? — deduzi, fazendo-o rir fraco.

–É, algo assim. Zeref detesta isso. Mas não só desafiador ... eu fico ... meio ... contraído.Ninguém consegue me deter, em nada. Mas a Erza consegue. Ela me conheceu antes de eu me tornar o que sou agora.

–Eu não acho ruim ... o que você é agora, Jellal — afirmei, fazendo-o revirar os olhos — Já sei, fui melodramática.

–Aham, mas não esquenta — deu de ombros — Eu não vendo a imagem que vendo aos outros pra você, Juvia. Porque não preciso de intimidar. Não preciso, e não quero. Por que acha que os boatos sobre o veterano da cicatriz são tão frequentes ? As histórias onde eu assassino um calouro. As em que meu irmão , que nunca nem soube ter, queima meu olho com a espátula de fritar hambúrguer bem no Halloween. Esse tipo de história que eu sei que você já ouviu.

–Mas .... antes de te conhecer, você parecia realmente isso ... parecia solitário, assustador — dedilhei a barra da minha saia, desatenta — Mas quando te conheci, me perguntei porque todas aquelas mentiras. É só uma tatuagem.

–É a imagem que eu quis vender de mim mesmo — afirmou, olhando-me nos olhos — Mas ... pessoas como você e Erza me fazem ver que não preciso ser a minha imagem com todo mundo.

Sorri incondicionalmente.

–Fico feliz em ouvir isso — comentei, guardando o livro na bolsa — Ser você mesmo é o mais importante, Jellal. Deveria pedir desculpas a ela, e ser sincero com a Ultear. Diga a ela que gosta da Erza, e diga isso a Erza também.

–Você fala como se fosse fácil se declarar assim — resmungou, impaciente — É porque você é louca. Gente louca diz o que pensa com facilidade.

–Elogio ?

–Não.

–Então vá a merda.

Nós dois rimos, e ele retribuiu o xingamento.

o0O

Achei que Gray-sama tivesse faltado aula. Mas seria muito suspeito ele, Lucy Heartfilia e Freed Justine terem faltado, ambos, na mesma data. Ainda mais eles, cuja presença era impecável ao longo dos semestres.

E enquanto refletia sobre isso, e rabiscava o caderno de química com o nome "Gray Fullbuster" entre flores e coraçõezinhos inúteis, ouvi a porta ser aberta abruptamente. Todos os alunos levantaram o olhar, e os três alunos , mais a estudante da classe 1-A, Kana Alberona, entraram lentamente, assumindo um lugar na frente da turma.

Gray ergueu a mão, e o professor Macao o autorizou a falar.

–Ohayo, pessoal — todos o responderam, fazendo-o sorrir de lado. Natsu gritou algo como "gostoso" e Macao-sensei automaticamente ameaçou tirá-lo de sala — Como sabem, eu sou o Capitão do Time de Natação do Fairy Tail esse ano, e estou aqui, junto com outros membros da Equipe, pra anunciar que estamos recrutando novos alunos pra participarem do Clube. A Equipe Feminina do Fairy Tail foi finalmente aberta, ainda ontem, e tivemos duas inscritas. Kana Alberona, e Lucy Hearfilia.

Assovios foram audíveis mesmo do outro corredor.

–Os testes serão realizados amanhã, na piscina aberta, depois do horário de aulas — alertou Freed, mexendo em seus fios verdes compulsivamente — E somente membros da Equipe tem autorização de assisti-los, quero que fique claro ! Apenas Competições são abertas ao público.

"Ahhhh" a reclamação foi geral, da parte masculina.

–As garotas interessadas e os garotos interessados, devem pegar a ficha de inscrição na sala de administração de Esportes, no terceiro andar, próxima a biblioteca.

–Tem isso aqui ? — perguntou Laxus Dreyar.

Grande parte da turma gargalhou.

–Como eu estava dizendo — Freed revirou os olhos, impaciente — As fichas deverão ser entregues ao Gray, ou a Kana, que são os membros mais antigos e responsáveis pela organização de tudo.

–Eu serei o avaliador dos testes, e somente os estudantes com notas superiores a cinco nas modalidades terão a chance de participarem. Caso contrário, estarão desclassificados — ditou o Fullbuster, num tom rude e rouco que me fizera estremecer.

–Se os testes são amanhã, por que elas entraram ? — perguntou Evergreen. Por um momento, concordei com algo que ela disse. Mesmo que fosse uma pergunta.

–Porque a ideia foi delas, e foram avaliadas ontem — explicou Freed — Por toda a Equipe. Além do mais, só poderíamos iniciar o projeto de Equipe Feminina, se tivéssemos ao menos duas voluntárias.

–Só não estamos deixando que todas as interessadas entrem, pelo fato de que as competições já estão acontecendo, e precisamos de boas nadadoras, já que não há tempo suficiente de treino para preparar a todas, entendem ?

A classe permaneceu em silêncio.

–Sendo assim, o recado está dado.

Os quatro deixaram a sala, e minha cabeça passou a guerrear consigo mesma. Parte dos meus neurônios, gritava que a única chance que eu teria era fazendo o teste. E a outra parte dizia que era uma péssima ideia. Eu pareceria desesperada.

Se bem que, se eu salvei Gray aquele dia, eu sei nadar. Não pareceria tão sem nexo dar as caras nos testes, só por curiosidade.

Não é ?

o0O

–Eu já tomei a liberdade de pedir uma ficha lá na salinha, e invadi sua sala ainda a pouco. Só falta você preencher os dados, e entregar pro Fullbuster — garantiu Jellal, com as mãos atrás da nuca e o corpo todo deitado a grama. Arregalei os olhos , tossindo um "NANI?" engasgado. Ele só podia estar de sacanagem!

–P-Por que você fez isso ?! Ainda íamos debater sobre essa possibilidade -

–Não íamos debater droga nenhuma — cortou-me, bufando em seguida — Você é corajosa em algumas coisas, e completamente idiota em outras. Acha que tem melhor chance que essa, Juvia ? Sabe quem foram as namoradas de Gray Fullbuster ?

–Sei ?

–Sabe sim — ergueu uma sobrancelha -Diga a ficha.

–Ayane, da Phantom Lord, Arino , Blue Pegasus , Ichiko , Oracion Seis , Hikari , Sabertooth, e a ex mais recente e duradoura , Sherry Blendy, da Lamia Scale — respondi, contando cada uma nos dedos, pra ver se tinha acertado — É, só essas.

–Certo — engoliu em seco, um tanto assustado — Nem sabia da Ayane, mas enfim ... O que todas elas tem em comum ?

–Cabelos longos ?

–É, isso também. Mas além disso.

–Sei lá, seios médios, presunção ? Sorte ?

–Puta que — bateu na própria testa — Elas são da Equipe Feminina , Juvia. São as nadadoras "rank-S" de cada Colégio. A Sherry Blendy, é recordista da Lamia Scale. Nadadora número 1, tira de letra cada modalidade. É chamada de Sereia Mortífera.

–Então, Gray-sama tem uma queda pelas nadadoras boas — resumi, sentindo uma lampada se acender — Se eu me tornar uma, talvez ... Jelly, você é genial !

–Oi ? — engasgou, olhando-me incrédulo — O que acabou de dizer ?!

Sorri torto, mexendo num fio fora do lugar.

–Érr ... estava pensando em apelidos pra Jellal... Achei Jelly bem fofo.

–Não use esse nome fétido na minha presença, certo ? — ameaçou, num tom altamente assustador. Engoli em seco, assentindo em seguida — Ótimo. Agora prepare-se pra amanhã, nº 1 do Fairy Tail.

–Pode deixar — sorri determinada — Nadar é algo que eu nasci sabendo fazer.

–Veremos. Vou dar um jeito de assistir, e te passar instruções. Fique de olhos abertos.

–O.K. — me afastei um pouco, por precaução — Jelly.

–REPETE PRA VOCÊ VER !

Sai correndo enquanto gargalhava.

–Jeeeeeelly !

A última coisa que vi, foi um Jellal furioso correndo em minha direção, quando subitamente, esbarrou em algum inútil que o fez voar na grama.

E esse inútil, era Natsu.

Agora a coisa ficou preta.

–Jellaal !! — o rosado arregalou os olhos, se aproximando ao mesmo tempo que eu — Você caiu ?!

–Não ! Eu me joguei ! — o azulado revirou os olhos, cerrando os punhos enquanto levantava — Mas é um toupeira mesmo, hein ?! Vê se olha por onde anda !

–Ora, seu !

Foi assim que, graças ao meu apelido carinhoso, Jellal e Natsu foram advertidos, e destruíram a estátua da ex-Diretora Mavis, atual professora de História , o que os rendeu três semanas de serviços comunitários ao Colégio. Mesmo nos finais de semana.

oO0

Enquanto eu entrava na padaria, passei a ouvir uma música latina daquele tipo bem Ricky Martin. Essa era a desvantagem de trabalhar de meio período para a namorada da vovó. Seu gosto musical era unicamente exótico.

–Juv-chan ! — ela sorriu abertamente ao me ver. Seus cabelos estilo camaleão, que cada semana tinham uma coloração nova , agora mantinham o tom ruivo abóbora. Que certamente combinavam com os olhos verdes — Que bom que chegou ! Tenho ótimas novidades !

–Diga — sorri, enquanto caminhava em direção a cozinha. Ela me seguiu, e enquanto eu vestia o avental e o lenço azul na cabeça, disse :

–Será promovida — afirmou, altamente entusiasmada — Passará do deposito, ao caixa. Sei que é boa com contas, e achei que seria um bom exercício até mesmo para a Escola. Além disso, li numa revista recentemente, que apostar em jovens, é apostar no futuro. Contratei outro adolescente, dessa vez com algo entre as pernas, para nos ajudar.

Franzi o cenho, desconfiada.

–Não tinha dito que era uma padaria feminista ?

–Assim só atraímos homens, já percebeu ? — suspirou cansada — Ideologia batida. Agora viveremos em função da igualdade humana.

–Hai — ri baixo — Será divertido ter gente nova, eu acho. Ele já assinou o contrato e essas coisas ?

–Aham — ela estendeu as bandejas de cookies, enquanto eu as organizava no balcão — Tem um nome forte, que não me recordo agora. Mas estuda não muito longe. Ao que parece, ele precisava mesmo de dinheiro. Acho que a mãe está com dificuldades, ou algo assim.

–Uma pena — afirmei, fazendo um rabo de cavalo baixo — Sei bem como é isso.

–Se bem que ele é bem esnobezinho — resmungou, rindo em seguida. O jeito bem-humorado da oba-san' — Cheio de não-me-toques, pelo que entendi. Ele olhou cada canto, e avaliou bem, antes de dar de ombros e me implorar. Já vi que terá que botá-lo nos trilhos.

–Terá ? — repeti, erguendo uma sobrancelha — Está se referindo a quem ?

–Ora, Juv-chan, você agora é uma espécie de "veterana", e terá que ensiná-lo — garantiu, sorrindo convicta — Afinal, não estou aqui o tempo todo, e de tarde, preciso muito da sua ajuda. Não posso perder a paciência com um pirralho tão facilmente.

Olhei-a incrédula. E eu, a criatura mais não-facilmente-sociável, teria que dar conta do esnobe novato ?! É o tipo de paradoxo infeliz que só acontece comigo.

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Ao entrar no meu quarto, já de pijamas e dentes escovados, joguei-me automaticamente no colchão, agarrando a bolsa do colégio e revirando-a até encontrar a bendita ficha de inscrição do Clube de Natação.

E ali estava ela, entre o livro paradidático e o caderno de filosofia.

–Ficha de Inscrição — murmurei, deitando ao contrário da direção da cabeceira e dedilhando a folha de ofício reciclável. O que eu faço ?!

–Juvia — ouvi vovó me chamar a porta, abrindo-a lentamente — Konbanwa, meu amor.

–Konbanwa — acenei pra ela — Hey, obaa-san, posso te perguntar uma coisa ?

–Fale — apoiou-se na lateral da porta — É sobre a Mai ?

–Não, não — garanti — A oba-san está bem. Vi ela hoje no trabalho .... mas, não é sobre ela. Se você tivesse feito algo muito , muito ,vergonhoso, na frente de alguém importante, e depois tivesse de falar com essa pessoa .... você falaria ?

–Claro que sim — afirmou, sorrindo fraternalmente — Aproveite e use a situação a seu favor, Juvia. Que tal comentar sobre a coisa vergonhosa com um pouco de humor? Faça piada de si mesma antes que os outros tenham essa oportunidade.

–Hai — assenti, entendendo a intenção — Arigatou, obaa-san.

–Konbanwa, pirralha.

Ela fechou a porta, e focalizei minha visão no papel a minha frente.

"Você deve usar todas as oportunidades que tiver, meu anjo. " fora uma das únicas coisas decentes que minha mãe me dissera, antes de nos separarmos.

Notas finais
Eu realmente estou esperando vários comentários e criticas a esse capítulo, ok ? Em nome da minha sanidade mental U.U P.S : Obaa-san --> Vovó Oba-san --> Tia