Neon Lights

20 Capítulo 20 - Algo como apaixonado


Notas iniciais
Eu já disse que amo vocês, e amo essa fanfic ? Bem, se não disse ainda, está mais do que na hora de dizer. Chegamos a um ponto onde 20 recomendações, + 130 acompanhamentos, 83 favoritos ... e eu sinceramente nem sei o que dizer *0* É tão emocionante chegar próxima ao final do desafio, e ver que ele obteve êxito, sabe. Aqui estamos, com uma Gruvia tão valorizada quanto uma NaLu. E ... isso não soa muito bem ? É chegada a hora, meus amores. Boa leitura !

–O que, exatamente, estou fazendo no mercado, com você? — perguntou Jellal, suspirando cansado, enquanto permanecia empurrando o carrinho.

–Obaasan e Ayane-chan vão cozinhar o jantar, mas a sobremesa ficou por minha conta — expliquei, enquanto olhava a validade do engradado de leite condensado. Depositei-o no carrinho em seguida, com mais duas latas.

–Não sabia que estava aberta a novos relacionamentos — comentou o azulado, sarcástico. Fuzilei-o pelo canto dos olhos, puxando a frente do carrinho para que prosseguíssemos com o trajeto. Peguei uma embalagem apenas de leite integral, e um saco de açúcar, já que o de casa estava no finalzinho.

–Ovos ... — resmunguei, enquanto procurava-os com os olhos pelo corredor — Acho que é no de trás.

–Não respondeu minha pergunta.

Virei o carrinho para a direita, e Jellal o manobrou, para que pegássemos o outro corredor. Coloquei a caixa de ovos no carrinho, e encarei-o com seriedade.

–Eu gosto de Lyon, e gosto da forma como ele me faz bem. É um grande amigo.

–Ele não te vê como amiga, Juvia. Se toca — rolou os olhos.

–Mas eu pretendo mudar isso — afirmei, deixando-o ali ao ir em busca da essência de baunilha. Achei-a dois corredores dali, e avistei Jellal na fila do caixa — Enfim, eu não pretendo dar nenhum sinal de que sejamos mais do que isso, Jelly.

–Não me chame dessa forma nunca mais — deu-me um cascudo no topo da cabeça — Me lembra a louca da sua avó. Você é idiota?!

–Ela não ia gostar de você se descobrisse que era ... hétero.

–Ah, e você acha que eu me importo com se ela gosta ou não de mim?!

–Ok, ok. Vamos pular essa parte, por favor.

–Por enquanto... — garantiu ameaçadoramente, colocando as compras em cima da esteira do caixa — Ah ... eu não sei se já contei mas ... hoje vou a um encontro com a Erza.

–Sério? — sorri de orelha a orelha, orgulhosa — Você que a convidou?

–Acha que tenho cara de viado? — bufou, dando-me outro cascudo — Obvio que eu a convidei. Vou pedi-la em namoro, finalmente.

–Jellal, isso é incrível! Já estava demorando!

–Tinha que me criticar ... — riu seco — Mas tem razão. O problema é que nem vou poder economizar ...

–Você é tosco.

–Já sabia disso. Agora, não quero nem saber de você me ligando bem no meio do meu encontro para contar o que houve na sua casa, certo?! Nem você, nem seus familiares, nem ninguém!

–Hai, Hai. Nem se -

–Não!

[...]

Lancei a toalha em qualquer canto do quarto, correndo até o armário com os gritos da obaasan ao fundo, vindos do andar de baixo da casa.

–Já estou descendo ! — respondi, enquanto abria a primeira gaveta, pegando um conjunto de roupas íntimas, e vestindo-o entre saltos e tropeços. Encarei as prateleiras de roupas, optando por um short branco rendado, e uma camiseta sem mangas de botão, num tom meio azul jeans.

Abri a porta do quarto, escorregando pelo corrimão da escada até o andar inferior, caindo cronometradamente no chão, no exato momento em que a campainha tocou. Corri até a porta, ouvindo o chamado de Ayane-chan.

–Juvia, espera ai !

Ignorei-a, girando a chave na fechadura, e abrindo a porta com um sorriso simpático direcionado a Lyon.

E, deuses, como o grisalho estava bonito. Trajava uma calça jeans escura, um sobretudo azul, com uma camiseta preta básica por baixo. Os fios brancos espetados em todas as direções, e um all star básico também negro nos pés.

–Yo — ele riu seco, olhando-me de cima a baixo — Está linda.

–Arigatou ... — sorri sem graça, vendo-o erguer uma sobrancelha, ainda rindo — O quê ...

–A toalha faz parte do visual ? — perguntou, sugestivamente.

Arregalei os olhos, levando as mãos a minha cabeça, sentindo o tecido molhado ao redor dela.

–Maldição ! — bufei, arrancando-a dali com rapidez. Ouvi a gargalhada de Ayane-chan, mais atrás, enquanto ela se aproximava, abrindo a porta ao máximo.

–Seja bem-vindo, Lyon — ela cumprimentou-o, e o grisalho curvou-se levemente, sorrindo simpático — Primeira vez que o vejo sem o avental cor de rosa.

–Fico feliz com isso — garantiu sarcástico. Ele retirou os sapatos, para que pudesse entrar, e saímos da porta, dando-o passagem. Assim que ele entrou, Ayane-chan fechou a porta novamente, enquanto eu ficava encarregada de apresentá-lo o resto do casa.

–Ali é a cozinha — apontei em direção ao cômodo, e a obaasan acenou de lá de dentro, de forma — milagrosamente — amistosa.

–Assim que terminar de preparar tudo, falo com você, moleque.

–Obaasan ! — dei um tapa em minha própria testa, e Lyon apenas riu, tocando-me no ombro.

–Só tem cozinha na sua casa ?

–Não — neguei com a cabeça, puxando-o pelo braço na direção da sala — No andar de baixo só tem quatro cômodos mesmo, contando com o banheiro. A casa é maior por fora ... mas, enfim, é aqui que passo meus finais de semana animados.

–Então temos algo em comum — murmurou, andando pela sala, e explorando-a com os olhos. Parou em frente a coleção de DVD'S, ajoelhando-se em frente as duas estantes medianas — Nossa, que arsenal vocês tem aqui. "Sociedade dos Poetas Mortos", "Orgulho e Preconceito", "Massacre da Serra Elétrica". Ah, não !

–O quê ? — eu ri, aproximando-me dele.

–"Anaconda" ?! — ele me mostrou os 4 DVD's da série — Tem potencial pra ser o pior filme de terror da história do cinema.

–Também o mais épico — argumentei, ajoelhando a poucos centímetros dele — Te faz rir, e levar ...

–Não vai dizer que se assusta com isso, vai ?

–Eu ia, mas já que debochou, prefiro omitir essa parte.

–Tarde demais — dançou as sobrancelhas, e fui obrigada a rir, sacudindo a cabeça em negativa.

–Idiota — rolei os olhos, me levantando, e sentando no sofá, na famosa posição de meditação.

–A maioria é de terror ... ou temática gay .... — comentou, enquanto observava os títulos.

–Terror é meu gênero favorito — expliquei, casualmente — Mas, como deve ter notado, obaasan gosta de temática gay, inclusive aplicada na vida real. Ela sempre me incentivou a ser lésbica. Sempre não, desde que começamos a morar juntas. Ou ao menos ser bissexual.

–O que não parece ter interferido na sua vida — observou, olhando-me de esgueira. Concordei com a cabeça, sorrindo de lado.

–É, nem um pouco — apoiei o queixo no punho, observando-o — Lyon ?

–Hm ? — virou o rosto levemente, mostrando que estava me ouvindo.

–Você já foi do Fairy Tail, não é ?

–Sim, no Fundamental.

–E ... por que saiu ?

–Depois que meu pai foi preso, Ur me pediu pra morar com ela, mas eu não quis. Resolvi ficar na casa de Deliora, que era mais perto da Lamia Scale. E como era uma mensalidade bem mais barata, que a minha poupança cobriria, resolvi estudar lá, e arranjar alguns empregos pra cobrir o resto dos gastos. Não queria nada que viesse dos Fullbuster.

–Mas ... Ur era uma pessoa ruim ? — questionei-o, cuidadosamente. Estava ciente de que poderia estar pisando em ovos.

–Não. Meu pai que era um merda com ela mesmo. Eles se casaram quando eu e Gray tínhamos sete anos, e foi ódio a primeira vista. Eu me sentia meio ... deslocado, e culpado, sabe. Deliora fazia questão de ser um babaca com Ur, por isso ele e Gray se odiavam. Era um inferno, no geral. Exceto pela parte da Ur. Mas como meu pai a tratava mal ... quando ele foi preso, achei que não seria certo ficar ali. De intruso. E culpei Gray, de alguma forma. Talvez porque soubesse que ele odiava Deliora... e também porque queria culpar alguém. Pra poder me sentir injustiçado.

Ele levantou-se, sentando ao meu lado no sofá, fitado o janelão de vidro distraidamente.

–E ... a filha mais velha de Ur ?

Lyon dedilhou a mesa de centro, com curiosidade.

–Ultear — resmungou, visivelmente a contragosto — Ela e meu pai viraram meio que ... cúmplices. Quando passamos a morar com os Fullbuster, ela começou a fazer parte ... dos trambiques que meu pai organizava. Dai, quando Deliora foi preso, ela fugiu. Deixou a mãe doente e o irmão semi órfão pra trás. Era uma vagabunda, no geral.

–Entendi ... — fiz um bico pensativo, ajeitando meus cabelos úmidos — Não acredito que atendi a porta de toalha, sinceramente. Acho que foi uma das piores vergonhas que já passei.

Ele sorriu de lado, debochado.

–Duvido muito disso.

–Crianças, o jantar está servido ! — afirmou obaasan, aproximando-se da sala. Lyon levantou-se para cumprimentá-la, e ela estudou-o com os olhos, de forma perigosa — Então você é Lyon Vastia. Sinta-se grato por eu não detestá-lo tanto quanto o normal, moleque. Detesto homens, principalmente os que mechem com minha Juvia. Mas, já que ainda não tentou nenhuma gracinha, seja bem-vindo a residência Lockser. Eu sou Porlyusica, mas pode me chamar apenas de Grandine.

–Hai, Grandine — o grisalho engoliu em seco — Sou apenas -

–Moleque — garantiu ela, encarando-o de frente — Moleque e Juvia, podem sentar-se na mesa de jantar. Eu e Ayane vamos servir os pratos, sim ?

–Obaasan ... — cerrei os punhos irritada, puxando/arrastando Lyon em direção a sala de jantar, que era, bem, no mesmo lugar que a cozinha.

A mesa de apenas seis lugares estava posta, com uma toalha branca com bordados verde oliva, e a louça perfeitamente organizada pelos quatro lugares que seriam ocupados. Até mesmo um jarro de flores havia sido providenciado no centro da mesa.

–Tudo isso pra mim ? — perguntou ele, de forma audaciosa. Ri baixo, rolando os olhos.

–Ayane-chan gosta de impressionar. Pela obaasan, você comeria ração.

–Eu notei ... — engoliu em seco de novo, parecendo levemente traumatizado — Ela me odeia menos que os outros ? Porque me soou bem assustadora.

–Relaxa, não é nada pessoal. Tinha que ver quando ela descobriu que meu amigo Jellal era hétero.

–Você ... disse pra sua avó que JELLAL FERNANDES é gay ?!

–Conhece o Jellal ?

–Quem não conhece ele ?! Nem sabia que ele socializava !

–Ele ... é importante ?

–Ele é da Overstreet Boys. O conjunto de cover mais famoso de Magnólia. Ele dança MUITO. Eles tem fã Clubes e tudo, que pagam pra eles se apresentarem em festas. As vezes rola batalha de cover. Backstreet vs NSync. Eles sempre vencem.

–Eu preciso ir numa dessas batalhas — afirmei, incrédula — Ele nunca me contou dessa vida artística. Só disse que já tinha sido cover.

–Ah, é que eles meio que estão dando um tempo da carreira. Mas duvido que ele tenha parado de vez. Ele era muito bom.

–Quem está com fome ? — Ayane-chan repousou o pote de wasabi em cima da mesa, e soube naquele exato momento que Lyon descobriria um dos meus piores lados. O lado dragão.

[...]

Gray P.O.V

[...]

Na vigésima ligação de Meredy, o discurso de Natsu começou a retornar em minha cabeça. Talvez ... ele tivesse razão. Ele, Erza, e até mesmo Lucy. Toda vez que me olhava no espelho, sentia como se estivesse de volta aos piores dias da minha vida. Quando só o que importava era morrer o quanto antes, pra me juntar a única pessoa que um dia me compreendeu.

Mas agora tudo era diferente. Eu tinha amigos. Eu tinha uma vida. Toda uma vida que demorei a reconstruir, passando por cima da tristeza da perda de Ur, da fuga de Ultear. Da solidão, acima de tudo.

E agora, tudo retornava como num furacão. As paredes sólidas estavam cedendo, que demorei cerca de dois anos para construir. Eu nunca deveria ter deixado esses sentimentos retornarem. E agora nada está a salvo, porque estou, mais uma vez, no olho da tempestade.

A música de rock alternativo ecoou pelo comodo escuro, e suspirei cansado, atendendo finalmente a ligação.

–Hm.

–Gray ?! — a rosada suspirou aliviada, do outro lado da linha — Estava preocupada com você ! Estou na Estação de trem ... queria saber se podia vir aqui. Estou me sentindo tão sozinha ... hoje a escola foi horrível. Não consigo de jeito algum me adaptar a aquelas pessoas, sabe. Eu sei que você é o único que me entende -

–Gray ? — Natsu bateu na porta, pela terceira vez — Eu sei que está ai. Eu e Igneel viemos ver como você está ... já que não atende meus telefonemas.

A criança não o respondeu, permanecendo deitada agarrada a jaqueta branca da mãe, enrolado feito um caracol junto ao tecido no carpete. Os olhos marejados e inchados.

–Gray, abra essa porta, por favor — pediu Igneel, com a voz grossa e ativa — Queremos te ajudar.

–Eu não quero ajuda de ninguém! — gritou o moreno, fechando os olhos com força — Eu quero a minha mãe de volta!

Engoli em seco, com a memória.

"–Você não está sozinho, certo ? Você vai morar comigo e com Natsu até se sentir menos sozinho. Quando quiser, pode voltar pra casa. Todo mundo compreende você, Gray. É você quem não compreende a si mesmo. O tempo cura todas as feridas. E estando com outras pessoas, cura ainda mais rápido. Mas isso é uma escolha sua. Se adaptar, ou se renegar a viver. E então, o que você escolhe ?"

–Eu não posso mais te ajudar, Meredy ... — murmurei, distante. Cerrando os punhos com força. Doía , e muito, dizer aquelas palavras. E sabia que teria de dizê-las oficialmente cara a cara, em breve — Conversamos amanhã de manhã. Eu ... te encontro -

–Gray, o que você está dizendo ?! — o tom de voz já estava choroso — Está ... me abandonando ?!

–Não ! — neguei, apertando o celular — Eu só não posso mais ... te ver todo o tempo.

–Por que não pode ?! Eu preciso de você. Meu pai -

–Eu já sei, Meredy. Já sei do seu pai, e eu realmente te entendo. Mas não é ... dessa forma que vai conseguir superar tudo. Precisamos conversar, mas não hoje.

–Gray, aqui está tão frio. Me lembra tanto o enterro ... e meus tios não vão querer me buscar -

–Meredy, não. Eu não posso mais.

–O que aquela Juvia Lockser disse pra você, afinal ? Não importa, Gray. Eu nem se quer a conhecia! Ela que começou a dizer um bando de coisas naquela maldita padaria, e eu só a ouvi -

–Espera, do que está falando ? — franzi o cenho, levantando-me da cama. Juvia ?! O que Juvia tinha a ver com aquilo ?!

–Ahn, não estamos falando da .... Nada ! Gray, eu podia ir até ai, então -

–Não, Meredy. Chega. Amanhã nos falamos.

Desliguei o celular, lançando-o na parede oposta, com força. Só ouvir a voz dela estava causando-me surtos de lembranças. Cada estágio depressivo pelo qual havia passado. Eu devia ter escutado todos eles. Antes que saísse do meu controle.

"– Ela só te faz mal, e mesmo que você faça bem a ela, é com você que eu me importo, Ok ?"

Engoli em seco, passando a mão pelos meus fios negros, confuso. Eu estava sendo um babaca com Juvia. Um completo babaca.

"–Ah, eu sei de muitas coisas. Principalmente do quão babaca meu melhor amigo está sendo com ele mesmo, e com a garota que ele gosta."

"–Não me olhe assim, Gray. Juvia é a menina certa ... e você está deixando ela ir. Porque é um babaca, tanto quanto eu. Não faça isso. Algum dia, ela ... alguém vai encontrar nela o que você não está querendo ver, e ai, cara, você vai ter que ralar."

As frases de Natsu rolavam em minha mente, com intensidade. Talvez, finalmente, o rosado tivesse razão. Porque , no fundo, quando estava com Juvia, os problemas do meu passado, e até os do dela, não tinham a mínima importância. Nunca conversávamos sobre isso. E, mesmo durante poucos minutos, eu me esquecia das memórias ruins. Me sentia completo, como quando estava com o próprio Dragneel e Erza. Pessoas que eu conhecia desde minha infância. Mesmo conhecendo-a a pouco tempo, Juvia ocupava o tipo do lugar em mim que jamais alguém havia ocupado.

E talvez eu não estivesse nem um pouco pronto para admitir isso. Tanto para ela, quanto para mim mesmo.

O celular vibrou no chão da sala, e bufei irritado. Será que Meredy não desistia ?!

Caminhei até o aparelho, realmente tentando a chutá-lo com força total, para destruí-lo de vez, quando li "Jellal" na tela.

Franzi o cenho, desbloqueando o visor.

"Eu não suporto você nem de longe, Fullbuster ¬¬ E eu preferia ver você no inferno, do que com a Juvia _l_ Mas como ela não pensa desse jeito, é melhor botar esse seu traseiro inútil e gordo pra fora do sofá e ir até a casa dela, onde Lyon Vastia está jantando hoje .-. Antes que leve um chute oficial _l_ "

"P.S : _l_ = dedo obsceno e ofensivo "

Cerrei os punhos, só de lembrar da cara de idiota de Lyon Vastia, com aquele sorriso pretensioso e escroto, envolvendo ela pela cintura ... Argh ! Nem por cima do meu cadáver !

[...]

Juvia P.O.V

[...]

Já estava no segundo prato de sobremesa quando notei que todos já não aguentavam mais comer, e ficariam apenas no primeiro. O que era realmente uma pena, já que, tratando-se de pudim, eu poderia repetir até cinco vezes antes de notar que "talvez" estivesse próxima de ficar cheia.

–A comida estava muito boa — afirmou Lyon, de forma educada — Inclusive o pudim, Juvia. Só não como mais, porque realmente não aguento.

–Digo o mesmo — afirmaram obaasan e Ayane-chan, em uníssono, entrelaçando suas mãos carinhosamente em seguida — Já está tarde, Lyon — obaasan afirmou, erguendo uma sobrancelha para o grisalho -Demoramos com a conversa, e já são dez e meia. Eu até ofereceria uma carona, mas como é sexta feira, e os ônibus estão a todo vapor, creio que seja menos trabalhoso enfiá-lo num transporte público.

O grisalho riu, concordando com a cabeça, e levantando-se após pedir licença. Perguntou se podia ajudar a tirar a mesa, mas Ayane-chan e eu negamos de imediato, antes que a vovó decidisse escravizá-lo.

–Venha mais vezes, Lyon — pediu Ayane, sorrindo a ele. O Vastia sorriu de lado, assentindo.

–Se a Juvia me convidar, com certeza vou aparecer.

–Não seja intrometido — obaasan o interrompeu, rolando os olhos de forma entediada — Não estamos num comercial de manteiga. Dê o fora, e é bom que não tire nenhuma casquinha da minha neta no portão, ouviu bem ?!

–Obaasan ! — tapei a boca, corando violentamente, enquanto Ayane-chan e ela gargalhavam, devido ao consumo acima da média do vinho barato.

–Bye bye, Lyon — acrescentou ela, e o grisalho relaxou os músculos, despedindo-se também.

Guiei-o até a porta, lentamente, abrindo-a e caminhando em direção ao portão, sem pressa.

–Não sabia que cozinhava bem — ele sorriu maroto, de forma divertida. Dei de ombros.

–Gosto de fazer sobremesas, mas paro por ai.

–Acho que queimo até água, se duvidar — comentou, com ironia. Ri baixinho, abrindo o portão, e parando ao lado do mesmo. Estávamos frente a frente, e o grisalho permaneceu ali, sem vontade de ir embora.

–Ferver água ? — ergui uma sobrancelha — Tem que ser profissional.

Nós dois rimos, e ele assentiu, enfiando as mãos nos próprios bolsos.

–Então ... quer ir domingo na praia ? Eu vou surfar com a galera, e ... eu sei que não gosta muito da Sherry, mas ela não vai encarnar em você não, eu juro.

–Domingo ... — repeti, revendo os compromissos mentalmente — Posso te responder por mensagem ? Porque vou ter que ralar muito pra conseguir convencer a obaasan.

–Ela é duro na queda — comentou, rindo seco — Mas a sua tia meio que dá um jeito nela.

–É, depois da Ayane-chan, ela tornou-se bem mais compreensiva. O que foi ótimo pra mim, atualmente. No passado nem fazia diferença. Eu era o tipo da excluída social que não conseguia nem ser uma pessoa legal na internet, pra compensar.

–Mas as coisas mudaram né — Lyon sorriu de canto, observando-me com atenção — As coisas sempre mudam.

–É, felizmente.

O grisalho aproximou-se, e compreendi onde aquilo iria parar. Seus lábios a centímetros dos meus quando subitamente virei o rosto, fazendo-o beijar minha bochecha.

–Amigos, Lyon — reafirmei, olhando-o nos olhos — Não quero te iludir, Ok ? Desde o inicio deixei isso claro.

–Eu sei, eu sei — o Vastia rolou os olhos, suspirando — É que você é ... realmente incrível, Juvia.

–Não pensa em ... gostar da Sherry, por exemplo ? — sugeri, abraçando meu próprio corpo, analisando-o. Lyon negou com a cabeça.

–Não daria. Além disso, a prima dela é louca por mim. Realmente louca. É o tipo de garota stalker que chega a assustar ... — disse ele, entortando a boca em reprovação — Ela fica me olhando o dia todo, e até entrou pro Time de Natação. É um ano mais nova.

–A história me soa bem familiar — murmurei, sorrindo distraída — Devia dar uma chance a ela.

–O quê ? Não, ela -

–Pode ser bem mais que uma esquisita — garanti, encarando-o com seriedade — É sério, eu sei porque também sou desse tipo de garota. E você me acha incrível, não é ? Juro que se detestar ela, faço seu serviço na padaria por duas semanas ! Só precisa chamá-la pra sair.

–Nani ?! Eu não vou chamá-la pra -

–Três semanas — recorri. O grisalho riu, puxando minha cabeça por trás e dando-me um breve beijo na testa.

–Se cuida, Juvia. Não deixa aquele imbecil te fazer de idiota. Se não vou ficar muito puto.

–Hai — sorri, aguardando-o caminhar em direção ao ponto de ônibus. Assim que Lyon afastou-se pela estrada, fechei o portãozinho, suspirando aliviada. Talvez essa prima da Sherry fosse realmente a pessoa certa para ele.

Uma Stalker.

Era engraçado o que o tempo não fazia a todos. Principalmente a mim.

Atravessei o quintal rapidamente, temendo a escuridão em que ele se encontrava, quando ouvi o barulho de galhos se partindo, vindo do alto. Fitei a árvore próxima da casa, erguendo uma sobrancelha.

–Jurava que obaasan tinha dito que as corujas haviam ido embora ... — sussurrei, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Sacudi a cabeça, ignorando a informação. Depois falaria com ela.

Estava prestes a subir o primeiro degrau, quando subitamente algo despencou do alto da árvore, caindo num baque alto em meio as folhas, no chão. Arregalei os olhos, tapando a boca para não gritar apavorada.

Já ia chamar minha avó quando ouvi os palavrões altos, e deduzi se tratar de um corpo. Um corpo de voz bem conhecida. Me aproximei do local da queda da "coisa", quando reconheci ninguém menos que Gray Fullbuster, deitado de barriga pra cima, com braços e pernas abertos, no quintal da minha casa.

–Oh, meu Deus! — engoli em seco, agachando ao lado do moreno, e tocando-lhe o braço — Gray, você ... -

–Shh! — pediu levando a própria mão para a nuca, onde passou a massagear — Mas que merda de árvore.

–Que merda você estava fazendo no meu quintal, quase onze da noite?! — o questionei baixo, olhando em direção a entrada da casa. Felizmente, obaasan e Ayane-chan não haviam escutado a queda do moreno, e já deviam estar ocupadas no andar de cima. Com algo de ... suma importância. O moreno apoiou os cotovelos na grama, erguendo o corpo até sentar-se. O olhar gélido e irritado.

–Que merda você estava fazendo jantando, NA SUA CASA, — sacudi os braços furiosa, assim que ele elevou a voz.

–Fale mais baixo, seu idiota! — dei um tapa em minha própria testa, encarando-o com impaciência.

–Tá, tá. Que merda você estava fazendo aqui com Lyon Vastia?! Na sua casa?!

–Estava dando a merda de um jantar, onde ele era meu convidado — respondi, áspera. O moreno ergueu uma sobrancelha, desafiador — Já você, resolveu passar a noite na árvore da casa dos outros? Estava me espionando, Gray?!

–É claro que não ! — virou a cara, ofendido — Por que eu faria isso?!

–Você é .... imbecil? — perguntei , bufando irritada — Quer saber, só saia daqui, Gray. Não quero discutir com você, principalmente quando fica se fazendo de sonso.

–Não é como se eu me importasse de sair daqui — afirmou, dando de ombros de forma rude, virando o corpo em minha direção, cruzando os braços — Mas quem é que vai me tirar ? — sorriu de lado, sarcástico.

–Eu vou ligar pra polícia, ou então chamar a minha avó pra te tirar daqui com vassouradas — ameacei, levantando-me e sacudindo os matinhos do short — É melhor dar o fora logo!

–Eu já devia ter feito isso- levantou-se também, forçando a cara de poucos amigos. Olhei-o incrédula.

–Você é tão ... — cerrei os punhos — É tão difícil admitir que veio aqui me espionar?! E que está com ciúmes?!

O moreno arregalou os olhos, corando levemente.

–Eu não sinto ciúmes de ninguém.

–Então por que estava me espionando?!

–Porque estava confraternizando com o inimigo, se não notou.

–Ah, claro que foi por isso! — rolei os olhos de novo — Você é um covarde, Fullbuster. Um perfeito maricas!

Subi os degraus, ignorando qualquer coisa que ele estava dizendo, e fechei a porta com força, fazendo questão de batê-la alto o bastante para ele entender que eu o odiava. O que, naquele momento, era parcialmente verdade.

A vontade de ligar para Jellal me fez ir até o telefone, mas me contive no último momento, suspirando cansada. Só porque estava numa noite confusa, não precisava ligar para ele, e atrapalhar o possível pedido de namoro. Qualquer hora podia ser a pior, e eu não correria esse risco.

Lisanna também não era uma opção. Ela disse que estaria numa maratona de Harry Potter, então, certamente eu não seria bem-vinda. Afinal, reunir os três irmãos Strauss era realmente trabalhoso para a albina, e quando ela o conseguia, nada poderia interrompê-los.

Conclusão, optei por apenas colocar metade do pudim que havia restado num pote "Pra viagem", e subi em direção ao meu quarto, trancando a porta para evitar ouvir qualquer tipo de som "estranho" vindo do quarto da vovó.

Coloquei o pote em cima da cômoda, jogando-me atravessada na cama. Girei o corpo para ficar com a parte de cima pra fora do colchão, aproveitando a posição para tatear o chão embaixo da cama, em busca do controle remoto.

Ouvi duas batidas na janela, e ergui o corpo na mesma hora, encarando o vidro onde o bendito Gray Fullbuster encontrava-se agachado em frente. Olhei-o incrédula, piscando os olhos algumas vezes até ter certeza de que aquilo era verdade.

–Você enlouqueceu ?! — levantei-me, indo em direção a janela, e hesitando antes de abri-la — Vai cair dai, seu idiota.

–Eu estava te espionando — afirmou ele. Engoli em seco, sacudindo a cabeça em negativa e puxando a janela para cima, permitindo que o moreno entrasse. E assim ele fez, quase caindo duas vezes antes de passar as duas pernas pelo buraco, espremendo-se para pôr-se para dentro do quarto — E eu não vim aqui por acaso. Precisava ... te dizer duas coisas.

–Ah, não me diga — rolei os olhos, encarando-o de braços cruzados — Então fala logo, e depois pode ir dando o fora.

–Eu ... Você estava certa — fitou os próprios pés, arregaçando as mangas do sobretudo branco, visivelmente sem jeito — Eu estou com ciúmes de você. E é difícil de admitir porque ... eu não costumo aceitar esse tipo de coisa. Além disso, você conseguiu escolher a pior pessoa de Fiore para ... Argh !

Olhei-o impaciente.

–Só isso ?

–Não. Obrigado mesmo por não ter deixado ele te beijar.

–Ah, não se preocupe ! — garanti, com pura ironia — Da próxima vez, eu vou deixar. Na verdade, eu mesma vou sugerir isso.

–Não vai haver próxima vez — rebateu o moreno, com autoridade. Ergui as sobrancelhas, em questionamento.

–Quem foi que disse ?!

–Eu estou dizendo.

–Grande por -

O Fullbuster não me deixou terminar a frase, segurando minha cintura com firmeza.

–Eu esqueci a terceira coisa — afirmou ele, de forma seca — Ninguém me chama de covarde.

–Ou o quê ? — desafiei-o, quase me divertindo com sua expressão assassina. Levei minhas mãos até seus braços, no intuito de tirá-los de mim, quando fui subitamente empurrada até a parede mais próxima, tendo as costas prensadas na superfície sólida. Seus olhos negros estavam tão próximos dos meus, que me senti hipnotizada, deixando minhas pálpebras fecharem-se aos poucos.

E ele cobriu a distância, selando nossos lábios de forma delicada. No inicio, é claro. Alguns segundos depois, o moreno já sugava meu lábio inferior, dando leves mordiscadas. Segurei seus ombros, devido a êxtase do momento que chegou a deixar-me bamba. Aquilo era tão surreal, tão ... impossível, que chegava a doer pensar na possibilidade de ser apenas um sonho.

Dedilhou minha cintura sorrateiramente, enfiando os dedos por debaixo do tecido da blusa, e tocando aquela região diretamente em minha pele, o que causara-me arrepios. Ele pediu passagem com a língua, e a cedi de prontidão, sentindo-o invadir minha boca com voracidade, querendo explorar todos os locais de uma vez só.

E eram tantos desejos reprimidos, e dias de sonhos e admiração, que não me atrevi a impedi-lo de descer as mãos até minhas coxas, onde ele acariciou com ternura, subindo as mãos um pouco mais, onde encontrava-se a barra do short, atrapalhando-o. Com uma das mãos, ele puxou minha coxa um pouco mais para cima, e, surpreendentemente, envolvi sua cintura com minhas pernas, enlaçando-o, e sendo erguida no ar. Meu peso sendo sustentado somente pelo Fullbuster.

Em consequência, Gray me segurou com mais firmeza, e envolvi seu pescoço, tocando seus fios negros durante o beijo sedento, que dentro de alguns instantes, teve de ser interrompido, na busca pelo oxigênio. Nos separamos apenas alguns centímetros, pelo que pareceu levar horas, até que avancei meus lábios sobre os dele de novo, sem resistir.

Entre um beijo e outro, o moreno me guiou até a cama, onde caímos, com ele por cima de mim, os joelhos um em cada lateral minha, mantendo-me presa abaixo de si. Segurei seu pescoço com firmeza, erguendo meu próprio corpo ao me segurar no moreno, e consequentemente fazendo-o cair deitado por cima de mim. Rimos entre os movimentos, e ele virou meu rosto de lado, para ter acesso ao meu pescoço, onde começou com um beijo demorado.

Arfei alto, segurando sua nuca enquanto sentia o Fullbuster descer os beijos até a altura da clavícula, subindo novamente, dessa vez com mordidas breves. Até que, na metade do pescoço, deu-me o tipo de chupão de tirar o fôlego, que certamente deixaria marca. Contive o gemido mordendo meus próprios lábios, fechando os olhos em deleite.

Ele prosseguiu os beijos, até que puxei-o pelo cabelo, forçando-o a dar atenção a minha boca. E continuaríamos naquele ritmo, se eu não tivesse sentido suas mãos adentrarem minha blusa, subindo-a até deixar meu sutiã — que no caso, era bege — a amostra. Em pânico, coloquei o pé — sabe-se lá como — no meio de sua testa, empurrando-o para longe de mim, e descendo a blusa antes que ele visse minha roupa íntima vergonhosa.

–Mas o qu-

–Longe demais — murmurei, me afastando até recostar na cabeceira da cama — Não ... quero esse tipo de coisa.

–Ahn, — ele coçou a própria nuca, massageando o nariz em seguida — Podia ter dito, e não me dado um chute na cara.

–Quer pudim ? — perguntei, nervosa, levantando-me num salto. Movimento que não foi ignorado pelo Fullbuster. Senti seus olhos pesados sobre mim, enquanto caminhava até a cômoda, pegando o pote, e sentando na cama de novo.

Gray se aproximou, sentando ao meu lado, e retirou o pote da minha mão, abrindo-o com brilho nos olhos. Agradeci aos deuses por ele não ter insistido.

–Vou pegar outra colher ... — murmurei, mas ele segurou meu braço antes que eu levantasse de novo.

–Está com nojo da minha boca ? — perguntou, sugestivamente. Ri baixinho, corando violentamente.

–Acho meio improvável.

–Foi o que pensei. Se dermos sorte, talvez esteja passando Velozes e Furiosos 6.

–Nem pensar. Daqui a cinco minutos, é a reprise de Game of Thrones, legendado. Não perco isso pelo dublê do Vin Diesel dirigindo suado.

–Não era um dublê — resmungou ele, a contragosto. Sorri de lado, dando de ombros — Esqueci de ... te falar uma coisa.

Olhei-o assustada, ciente de que aquele era o momento em que meus sonhos seriam novamente destruídos, e , dessa vez, poderia me sentir uma idiota como qualquer outra, que é usada por homens, e tem expectativas patéticas sobre tudo.

–Eu disse a Meredy que não podia mais ... ficar naquela situação. E amanhã de manhã vou providenciar uma conversa definitiva, sabe.

Engoli em seco, observando-o atentamente.

–O que não quer dizer nada ... — deduzi, erguendo uma sobrancelha. O moreno deu de ombros.

–Ou , futuramente, pode querer dizer alguma coisa — acrescentou, casualmente.

Dessa vez, arregalei os olhos. Aquilo não podia estar acontecendo.

–Você não ... me prometeu nada — murmurei, incrédula. Gray suspirou cansado.

–Nem você, pelo que me lembro. Mas ... isso já é prometer alguma coisa, não é ? O que eu quero dizer, é que ... Eu também estou ... algo como apaixonado por você, Juvia. E eu não faço ideia de como reagir a isso, então, só peço pra irmos com calma.

Abri um sorriso de orelha e orelha, roubando-lhe um beijo estalado, como ele havia feito comigo, no hotel, fazendo o moreno ruborizar, de forma meiga.

–Juvia, você — a porta do quarto se abriu, e eu e Gray saltamos da cama, com a visão da obaasan de camisola, com pantufas de coelho. Ela arregalou os olhos ao nos ver, cerrando os punhos furiosa.

–AYANE, TRÁS A VASSOURA, E A ESPINGARDA, DE PREFERÊNCIA, NESSE SEGUNDO ! E NEM PENSE EM FUGIR PELA JANELA, HOMEM INFELIZ ! VAI SAIR DAQUI SEM ESSE SEU PRECIOSO ÓRGÃO ENTRE AS PERNAS ! PRA NUNCA MAIS VOLTAR !

Notas finais
É ... eu já disse que esse é tipo, o penúltimo capítulo ? o.0 ~ leva pedradas.