Neon Lights

21 Capítulo 21 - O inicio do fim


Notas iniciais
É o último, oficialmente. Só não respondi os comentários do passado, porque tudo será esclarecido nesse. Só tenho a agradecer a todos pela paciência, carinho e atenção. Os favoritos, comentários, acompanhamentos, recomendações. E quem diria que um casal tão depreciado me sairia tão bem na fita, né. Chega a ser emocionante. Eu amo vocês, sinceramente.

Na manhã seguinte ...



–Eu não entendo ... — murmurou a rosada, num tom magoado. Suspirei cansado, assentindo.

–Sei como é difícil tudo o que está vivendo, mas eu não sou a pessoa certa para passar isso ao seu lado, Meredy. Eu estou magoando os sentimentos de outras pessoas, e isso ... não é algo que eu goste de fazer. Além disso, tenho que seguir em frente de vez.

–Está me rejeitando ? — ela perguntou, num fio de voz. Enfiei as mãos nos bolsos da jaqueta, olhando-a nos olhos.

–Somente os sentimentos que não posso corresponder — garanti, firme — Mas uma amizade ... eu não pretendo negar.

–Ah, mas é claro que não — Meredy riu seco, afastando-se de mim alguns passos — É a outra, não é ? Juvia.

–É, algo como isso — murmurei, meio desconfortável. Não era meu tópico favorito de conversa, na verdade. Sentimentos para mim, no geral, eram sempre uma batalha naval interior. Principalmente quando se tratava dos amorosos.

–Algo como isso — ela repetiu, rolando os olhos — Lento como sempre, Gray-kun. Mas, quer saber, tanto faz. Só tenho uma coisa pra dizer. Se eu fosse você, ficava de olhos abertos.

–E por quê ? — questionei, erguendo uma sobrancelha. Meredy sorriu, dando de ombros, enquanto observava os carros passarem na rua larga em que nos encontrávamos.

–Porque seu rival do amor pode estar mais perto do que imagina ... — sussurrou, deixando as palavras no ar.

Meu rival do amor ?!

[...]

–Você pode ir embora agora — Juvia murmurou, sem graça, enquanto eu permanecia de braços cruzados, em frente a padaria onde ela trabalhava — Vou ficar umas três horas e meia hoje, então nem adianta esperar.

–Mas eu vou — retruquei, sentando-me no banco de madeira exatamente em frente a vitrine do estabelecimento. Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiada.

–Você estava meio paranoico hoje — comentou, séria. Olhei-a de forma sarcástica, rolando os olhos.

–É claro que não.

–Você nunca me trouxe até aqui — ela disse, também cruzando os braços — Nunca mesmo.

–Porque não estávamos ... "nisso" antes — rebati, sem perder a postura indiferente. Toda vez que eu me referia ao nosso status como "nisso" uma carranca se formava na face da azulada. Não era algo proposital, eu apenas não pretendia assumir qualquer coisa antes do tempo. Seria problemático.

–Então tá — deu de ombros, pondo agora as mãos na cintura — E por quê não vai embora agora, então ?

–Porque eu quero te esperar.

–Ah, claro.

–Yo, Juvia-chan — ergui os olhos para a figura do grisalho que se aproximava, trajando o uniforme do Lamia Scale, e dando um breve beijo na bochecha de Juvia. Quando finalmente me notou, a careta apareceu no rosto de ambos. Senti meus punhos se cerrarem, incondicionalmente.

–Tá fazendo o quê aqui ? — perguntou ele, no tom sádico habitual. Fechei a cara ainda mais.

–A rua é pública.

–Não me diga — Lyon riu seco — Então, Juvia-chan, vamos entrar ?

–É, acho melhor — Juvia sorriu-lhe de forma simpática, fazendo as bochechas do Vastia ruborizarem. Senti meu sangue ferver.

–Me passa uma mensagem quando sair — ordenei, num tom prepotente. Juvia olhou-me por cima do ombro, e a risada debochada do grisalho foi audível mesmo a distância.

–Talvez ela esteja ocupada — ameaçou, jogando com o duplo sentido. Levantei-me no mesmo instante.

–Ela já está ocupada — argumentei no mesmo sentido. Ela parou de andar, virando-se em minha direção.

–Eu estou ? — questionou, na lata. Engoli em seco.

–Não ... sei — respondi, fitando o chão em seguida. Ah, não. Se ela estava pensando que ia me fazer admitir qualquer coisa em voz alta, estava muito enganada.

–Você tem medo — Juvia afirmou. Esse tom havia sido diferente. Acusatório. Ergui os olhos, confuso, encontrando-a com uma expressão magoada.

–Quem tem medo é você — murmurei de volta. Ela sacudiu a cabeça em negativa, aproximando-se o suficiente para que seu olhar parecesse assustador.

Estávamos cara a cara.

–E do que eu teria medo, Gray Fullbuster ? — questionou-me, os olhos azuis escuros brilhando.

Não hesitei em respondê-la.

–De que eu não te dê uma resposta concreta logo — ergui uma sobrancelha, sugestivamente — Sua vez. Do que eu teria medo, Juvia Lockser ?

–De assumir o que significa estarmos "nisso".

–Pessoal, eu realmente não quero interromper — Lyon coçou a nuca, sem graça — Mas o nosso turno já começou, Juvia. E Gray ... foi mal, cara. Se ... vocês estão discutindo por minha causa, realmente não esquenta. Eu desisti dela.

–Ao que parece, não foi o único — a Lockser alfinetou, virando a cara. Senti meu rosto esquentar, devido a raiva.

–Você está jogando com meu psicológico — afirmei, exasperado, jogando os braços acima da cabeça. Juvia deu de ombros — Isso é ridículo. Eu não tenho que admitir que estamos namorando em voz alta, pra que as pessoas saibam disso. Não sou o tipo de babaca que faz isso.

Lyon e Juvia se entreolharam, e a garota riu baixinho, vindo em minha direção com os braços estendidos, prontos para um abraço. Ergui uma sobrancelha, sentindo-a me envolver.

–É, babaca, parece que você é exatamente o tipo que faz isso — Lyon sorriu de lado, observando-nos. Senti minhas bochechas esquentarem ainda mais. Dessa vez, de vergonha.

–Você é manipuladora — sussurrei, enquanto ela envolvia meu pescoço com seus braços.

–E você ingênuo — provocou, encostando nossos lábios — Mas eu acho fofo.

–Ah, claro que acha.

Já ia reclamar mais um pouco, quando ela iniciou o beijo, no ritmo voraz rotineiro. E novamente, todas as insatisfações não tinham mais importância alguma.

[..]

Juvia P.O.V

[...]

–Página trezentos e cinquenta e — o sinal da escola ecoou pelas salas de aula, fazendo os alunos vibrarem devido ao tão esperado intervalo.

Levantei-me num salto, ao mesmo tempo em que uma bolinha de papel voava pelos ares, atingindo minha cabeça em cheio. Engoli em seco, virando o rosto a tempo de ver Laxus rir histericamente, ao lado da tão adorável Evergreen.

–Tô morrendo de rir — murmurei, rolando os olhos. Segui pelo corredor entre as carteiras, e quando estava prestes a passar pela mesa de Laxus, tropecei em alguma coisa, indo diretamente ao chão, de bunda.

As gargalhadas foram sonoras em todos os corredores. Observei o casal sacana, e percebi que o pé de Evergreen estava propositalmente no meio do caminho. E, obviamente, não estava ali antes de eu decidir passar.

–Vocês estão achando isso engraçado ? — perguntou Gray, surgindo do nada. Olhei-o assustada, enquanto o moreno puxava Laxus pela gola da camisa, obrigando-o a ficar de pé. Evergreen levantou-se também, tocando o ombro do Fullbuster.

–Hey, Gray, qual o seu problema ?! Só estamos curtindo com ela um pouco ! — garantiu ela, indignada. O moreno olhou-me por cima do ombro.

–Não me interessa o que estavam fazendo ou não, não vai acontecer de novo, ouviu bem ?! — forçou o outro mais para o alto. O loiro ergueu uma sobrancelha, e tive certeza de que estava prestes a revidar quando Natsu subitamente apareceu atrás do moreno, de braços cruzados. Num visível gesto de "eu te acerto a cara junto com ele". O Dreyar pareceu encurralado, e suspirou, dando de ombros. O Fullbuster o colocou no chão em seguida, virando-se para mim, que já estava de pé de novo — Você está bem ?

–Aham ... — sorri fraco, e ele retribuiu o gesto — Obrigada.

–Não foi nada — murmurou ele, aproximando-se. O moreno parou a poucos centímetros de mim, e estendeu a mão até meu rosto, pondo uma das mechas do meu cabelo atrás da orelha. Senti minhas bochechas esquentarem, e assim que ele notou o que estava fazendo, afastou-se, igualmente ruborizado.

–F-Foi mal — virou o rosto, sem graça. Ri baixinho, negando com a cabeça.

–Eu realmente não me importo que faça isso em público — garanti, tranquilamente, fazendo-o erguer os olhos — Mas sei que não gosta.

–Só não estou acostumado ainda — corrigiu-me, coçando a nuca.

–Juvia, vem logo ! — Lisanna me chamou, puxando-me pelo braço — Jellal ia finalmente nos contar o plano dele para sobreviver ao Apocalipse Fernandes !

–Oh, é verdade — rolei os olhos, olhando de relance para Gray — Nos vemos depois ... ?

–É, sim. Podemos ... voltar juntos — admitiu, em voz alta. As bochechas pálidas assumindo uma coloração diferente. Sorri a ele, assentindo.

[...]

–Eu pedi ela em namoro, e depois de levar um soco no braço, levei um "sim" de brinde — contou o azulado, dando de ombros, como se aquilo não tivesse importância alguma. Lisanna já estava na milésima lágrima, e eu me contentava em encarar o cookie caseiro, desconfiada — Juvia, você ouviu a droga da minha história, ou só está preocupada com esse bolo duro ai ?

–O "Bolo duro ai" é um biscoito — rebati, impaciente, analisando o alimento na mão — Cookie, mais especificamente. Só não saiu no formato que deveria.

–Pra mim parece um coco — garantiu o Fernandes. Lisanna prendeu o riso, inflando as bochechas.

–Vocês são decadentes, espero que saibam disso — bufei irritada, recebendo um empurrão nas costas, vindo de Jellal. A forma dele — nada carinhosa — de demonstrar afeto. Exceto com Erza, é claro. Provavelmente a demonstração devia ser muito mais intensa entre os dois — E quanto ao novo emprego, Lisanna ?

–Vai bem — a albina sorriu animada — Apesar de ter de trabalhar com Sting, a coisa está sendo mais calma do que imaginei.

–Interessada no foguetinho ? — perguntou Jellal, com um sorriso sádico de canto — Ou só curiosa para saber a potência ?

–Jellal ! — o repreendemos ao mesmo tempo.

–Puritanas ...

–Lisanna ! — a voz de Natsu Dragneel fez-se presente. Nós três levantamos o olhar, surpresos.

–Dragneel — a recepção sarcástica de Jellal habitual — A que nos deve a honra da sua visita ?!

–O quê ? — a cara de inocente do rosado era impagável.

–Honra, aquele prato típico de indígenas — o Fernandes sorriu maroto — Já provou ?

–Ahn, honra ... ainda não ! Onde vende ?

–Na esquina da rua Otário, transversal da Dá o Fora ! — ralhou, bufando alto. Natsu finalmente pareceu entender, cerrando os punhos com força, e cerrando o olhar.

–Não tenho tempo para as suas ironias, Jellal — o rosado corou de raiva — Quero falar com a Lisanna.

–Sobre ? — perguntei, cruzando os braços rente ao peito.

A albina olhava-o atentamente. A postura de Natsu endureceu, e os lábios abriram-se, sem pronunciar nada. Não sabia ao certo o que dizer, visivelmente.

–É ... só ... importante — disse por fim, encarando-a de frente — Podemos conversar ?

–Eu não vejo porque não — ela levantou-se, sem demonstrar nada em especial.

–Obrigado — ouvi o rosado sussurrar, antes de sumirem em meio ao pátio. Eu e Jellal nos entreolhamos, de forma cúmplice.

–Tá afim de ouvir a conversa, ou sacanear o Laxus ?

–As duas coisas são tentadoras — admiti, mordendo o lábio inferior — Mas acho que prefiro ouvir a conversa.

–Ah, graças aos deuses — ele riu, levantando-se e me estendendo a mão — Achei que ia ter que bancar o herói de novo por sua causa ...

–Jellal !

No dia seguinte, Lisanna e Natsu apareceram de mãos dadas. Ele havia pedido desculpas, e enfrentado Igneel finalmente, o que lhe rendera a marca roxa no olho. Lisanna não resistira.

[...]

4 meses depois ...

[...]

–Maldito seja ! — gritei, enquanto apertava os botões freneticamente — Por que sempre tem um idiota na janela atirando ?!

Gray revirou os olhos pela quinta vez aquela noite, entretido ao dedilhar meu ombro enquanto eu rosnava xingamentos. Call of Duty sempre era o passa tempo favorito aos sábados de noite. Até porque, mesmo que o grupo decidisse sair, antes das nove e meia já estaríamos sendo expulsos de algum lugar.

Estávamos ambos deitados na cama do quarto dele, jogando, com pacotes de salgadinhos espalhados pelo chão. Levamos cerca de meia hora no mercadinho no centro comercial escolhendo os de melhor qualidade. O pior mesmo foram os doces. Gray não era o maior fã deles, e tive de lutar com seu lado pão duro para fazê-lo comprar dois pacotes de bolinhas de chocolate crocantes.

Refrigerantes não podiam faltar. As latas ao lado da cama comprovavam isso. No caminho, havíamos encontrando Erza e Jellal, agarrando-se loucamente na fila da farmácia. Já sabíamos o que estavam fazendo ali, e principalmente o que fariam ao sair dali. E eu sinceramente não queria se quer imaginar.

Atirei num dos jogadores rivais, e comemorei com um uivo baixo, que fizera o moreno rir baixinho, contra minha pele. Senti um arrepio quando ele passou a mordiscar o local.

–Gray, vai tirar minha concentração — resmunguei, fazendo-o morder meu ombro com uma força moderada. Engoli em seco, parando de jogar durante alguns instantes. As mordidas foram subindo em direção ao meu pescoço, até se tornarem beijos. Puxei o cabelo para o lado oposto do qual ele beijava, dando mais passagem para sua boca, que causava sensações diversas — e novas — em minha pele.

Sem paciência, virei o corpo, girando-o na cama e montando em cima do moreno, as mãos pressionando seus ombros contra o colchão.

A reação fora cômica. Sua face estampando um vermelho meigo, e os olhos arregalados devido ao susto do movimento repentino.

–Desculpa — pedi, sem graça, e ele apenas sacudiu a cabeça, sem tirar os olhos de mim — Não quis parecer tão ...

–Sexy ? — deduziu, fazendo-me ruborizar.

–Eu ia dizer desesperada — garanti, constrangida. O moreno rolou os olhos. Sexta vez, naquela mesma noite, e puxou-me para si, encontrando meus lábios. O beijo começou lento, com Gray apenas sugando meu lábio inferior, e mordiscando. Até que aquilo tornou-se pouco, e sua língua invadiu minha boca com voracidade. Girava e sugava, explorando cada local — já bem conhecido — como se fosse a primeira vez ali. Acariciava minha bochecha, enquanto eu segurava sua nuca, afoita.

Parei de correspondê-lo quando senti suas mãos apalparem meus seios por cima da camiseta justa que eu usava naquela noite. Não era a primeira vez que acontecia. A terceira, na verdade. Mas sempre me deixava do mesmo jeito. Estática. Ele apertou levemente um de meus seios com sua mão, enquanto a outra deixava minha bochecha, e ia em direção ao meu bumbum.

Aquilo sim era a primeira vez. Parei o beijo de repente, assustada com os dois movimentos ousados ao mesmo tempo. Gray olhou-me de cenho franzido, confuso.

–Eu estou indo rápido demais ? — perguntou, com preocupação no tom de voz. Neguei com a cabeça, dando-lhe um selinho, e depois mordiscando seu queixo. Sabia que os instintos do moreno normalmente falavam mais alto. No final do terceiro mês de namoro, ele já estava pra lá de impaciente.

E eu não estava diferente. Éramos do tipo que vivia tudo intensamente, na realidade.

–Não ... — garanti, contra sua pele, mordiscando de novo — É só ... diferente.

–Isso é um "pode continuar" ?

–É, eu acho que sim.

O moreno sorriu, e, estranhamente, assim que pisquei, já estava por baixo dele na cama. Suas mãos seguraram meus pulsos acima de minha cabeça, enquanto ele beijava meu pescoço, dando chupões fortes. Outra novidade. Normalmente, Gray não me "marcava" com chupões, porque nossa relação era altamente discreta.

–Ah — o gemido saiu incondicionalmente, instigando-o ainda mais. Senti sua língua brincar com o lóbulo de minha orelha, e, sem aguentar, envolvi sua cintura com minhas pernas, colando nossos quadris. Ambos arfamos com o contato mais íntimo. Gray tocou meus seios mais uma vez, e senti meus mamilos enrijecerem. Aquilo era constrangedor. Virei o rosto levemente, sem jeito.

Suas mãos adentraram minha blusa, e passaram a puxá-la para cima. Ergui o corpo, apoiada em meus cotovelos, ajudando-o a retirar a camiseta, revelando meu sutiã com estampa de pimenta.

Gray analisou a peça, sorrindo de lado, maroto.

–Estava planejando alguma coisa pra hoje, Juvia ? — perguntou-me, forçando o tom casual. Dei de ombros, fazendo-o rir — Pervertida.

–Ah, e você não é ? — cruzei os braços na frente do busto, tapando sua visão.

–Golpe baixo, Lockser — repreendeu-me, puxando meus pulsos mais uma vez para cima de minha cabeça, tendo visão ampla do sutiã "peculiar". Voltamos a nos beijar, as línguas na dança habitual, e passei a sentir sua ereção contra minha barriga.

O moreno levou seus dedos até o fecho do meu sutiã, abrindo-o, e afastou nossos corpos, retirando a peça lentamente. Meu rosto já estava vermelho feito um tomate, e virei a cara, constrangida, antes que pudesse sentir seus olhos em meus seios. Gray pareceu notar o movimento, puxando meu queixo em sua direção.

Ele entendia o momento de insegurança. Ainda assim, achava inútil. Pude ver em seus olhos que ele me queria tanto quanto eu o queria, e foi o bastante para me fazer relaxar o corpo, envolvendo seu pescoço.

Mais beijos em meu pescoço, e já estava ficando impaciente. Girei nossos corpos de novo, montando em cima dele, mais uma vez. Sabia que não ia durar. Gray detestava a sensação de ser passivo em qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Por isso ele e Natsu discutiam tanto, e por coisas tão inúteis.

No entanto, ele apenas cruzou os braços atrás da nuca, apreciando a visão. Engoli em seco.

–Vá em frente — disse, rolando os olhos. Sétima vez, naquela noite.

Assenti, descendo minhas mãos por seu peitoral descoberto, até o zíper de sua calça, que abri com agilidade. Não sabia ao certo o que fazer, mas minhas mãos davam conta do trabalho. Sai de cima dele rapidamente, puxando sua calça para baixo, e retirando-a por inteiro, exibindo sua cueca box preta.

A visão do paraíso.

Montei em cima dele mais uma vez, colando nossos quadris, e fazendo com que sua ereção encostasse em minha virilha, causando sensação incríveis. Uma ideia passou por minha cabeça, e quase a ignorei, temendo que fosse mais constrangedor do que eu poderia suportar. Quase ignorei. Respirei fundo, rebolando em seu colo, na intenção de causar mais atrito. O moreno grunhiu, e deixei um gemido escapar, segurando seus ombros enquanto repetia o movimento. As mãos do Fullbuster seguraram minha cintura, ditando a intensidade que eu deveria usar.

Gray ergueu o corpo novamente, depois de alguns instantes, me puxando para si, e encontrando nossas bocas, iniciando mais um dos beijos molhados habituais. Senti suas mãos acariciarem meus seios, e, sem aguentar mais, levei minha mão até sua cueca, pressionando seu membro por sobre o tecido.

–Porra, Juvia ! — grunhiu, jogando a cabeça para trás. Continuei o movimento, dessa vez, levando minha mão pelo caminho até dentro de sua cueca, tocando seu membro rijo com firmeza. Mais uma vez, o moreno gemeu, erguendo o quadril, na intenção de obter mais contato. Ia continuar o movimento, quando ele deteve meu pulso, segurando com força, e retirando minha mão do local — Depois.

Deitou-me na cama, guiando suas mãos até as laterais da minha calcinha, envolvendo o elástico das laterais, e o puxando. Ele retirou a peça num único puxão, jogando sua cueca em qualquer canto do quarto em seguida.

Seus olhos azuis escuros diziam tudo. Não havia tempo a perder. Gray olhou-me rapidamente, em questionamento, e apenas assenti, sorrindo animada. Ele riu baixinho, erguendo minhas pernas até que eu envolvesse sua cintura.

Novamente, ele estava por cima.

Seu membro tocou minha entrada superficialmente, e gemi, imaginando como aquilo — daquele tamanho — conseguiria entrar ali.

Voltamos a nos beijar, e puxei seus fios negros levemente, segurando-os por entre os dedos. Gray me deu diversas mordidas, até que concentrou-se no que viria a seguir. Depois de tatear a gaveta do criado-mudo com as mãos trêmulas, ele pôs a camisinha que mantinha guardada, encarando-me profundamente de novo. Beijei seus lábios, recostando o corpo totalmente no colchão.

O Fullbuster beijou meus seios, enquanto penetrava seu membro na minha vagina, lentamente. Gemi alto, segurando seus cabelos com mais força.

–Mais rápido ! — gritei, um pouco alto demais. Gray mordeu de leve um dos meus mamilos, fazendo-me gemer mais uma vez, enquanto enterrava seu pênis em mim de uma vez só. Gritei alto, arranhando suas costas. O moreno emitiu algum som alto, e pôs as mãos no colchão, uma de cada lado do meu corpo — Por favor, Gray — choraminguei, erguendo meu quadril. Nós dois gememos, devido ao contato — Rápido ...

–Eu vou te foder toda — ele disse, maliciosamente, no seu tom mais alfa. Senti meu corpo estremecer, segurando seus ombros. Dentro de instantes, ele já se movia com velocidade, fazendo-me gemer loucamente, e alto.

As estocadas iam ficando cada vez mais rápidas e fortes, e sentia minha cabeça dar voltas. Definitivamente, Gray era um deus do sexo. E era quase irônico pensar que eu tive de sustentar o drama de puritana durante meses até deixar que a situação finalmente evoluísse até isso.

Se soubesse antes que era tão bom, certamente não teria bancado a difícil.

–Ahh — outro gemido descontrolado. Erguia meu quadril, rebolando contra seu membro, na intenção de aumentar o prazer. O moreno continuava estocando com força, beijando-me vez ou outra. Infelizmente, o fôlego não nos permitira grudar nossas bocas por tempo suficiente.

O Fullbuster brincava com meus mamilos, usando sua língua quente e úmida, fazendo-me jogar a cabeça para trás, enlouquecida.

–Gray ! — envolvi sua cintura mais firme, rebolando mais uma vez. Ele grunhiu de novo, chupando um dos meus mamilos, e raspando os dentes ali em seguida. Já estava bem próxima de ter um orgasmo.

Sem saber ao certo o que estava fazendo, girei nossos corpos na cama, mais uma vez, deixando o moreno por baixo, e passei a ditar os movimentos, cavalgando com velocidade. Gray gemeu, ainda com as mãos em minha cintura, segurando com firmeza.

–Porra, caralho ! — mordeu seu lábio inferior, tocando meus seios em seguida. Fechei os olhos em deleite, continuando os movimentos com o quadril. Numa última rebolada forte — e com vontade — senti o pênis de Gray ficar ainda mais rígido, liberando-se dentro de mim.

Segurei seus ombros com firmeza, sentindo o orgasmo me atingir, e só o que me restou, foi gritar alto, extasiada. Era a melhor sensação do mundo.

Alguns segundos depois, o moreno me puxou para si, tombando-me na cama. Acabei deitada ao seu lado, com seus braços envolvendo-me contra si. Respirava com dificuldade, assim como eu.

Ficamos assim durante minutos, que pareceram levar horas. Já sentia meus olhos pesarem, quando o ouvi sussurrar contra meu ouvido :

–Você é incrível.

Naquela mesma noite, descobri que para fazer Gray Fullbuster confessar coisas embaraçosas, ou ceder nas piores situações, era só necessário seduzi-lo. No entanto, a informação era recíproca.

[...]

2 meses depois ...

[...]

Permaneci apática a tudo e todos. Cumprimentei a meia dúzia de familiares com a cordialidade que minha educação exigia, e permaneci sentada na cadeira cinza, na primeira fileira. Podia ver perfeitamente desse ângulo os jardins verdes paradoxais atrás do caixão de madeira escura. Um Padre permanecia de pé, à nossa frente, proferindo um discurso bonito, enquanto os convidados — bem poucos — atiravam flores e palavras falsas.

Era tudo a mais pura falsidade.

Exceto pela mão firme de vovó em meu braço, e o olhar pesado de Gray sobre mim. Ele estava preocupado, eu sabia. Mas pouco importava agora. Levantei-me ao sentir o toque de minha obaasan em minhas costas, orientando-me na direção do caixão, que estava prestes a ser descido. Engoli em seco.

As lágrimas não caiam, por mais que meu interior se encontrasse num dilúvio sem escapatória. Segurava uma pulseira na mão direita. A mesma pulseira que havia comprado no dia da competição na Phantom Lord. Na noite em que recebi a notícia do falecimento de Aquarius, havia contado a história a Gray, e ele me dissera que talvez tivesse algum significado. No mesmo segundo, o telefone tocou. O doutor não tinha boas notícias.

–Eu sinto muito — foram as palavras de minha avó, ao meu lado. Suspirei, atirando a pulseira e uma rosa branca em cima do corpo desabitado e pálido. Os cabelos azuis de aparência morta.

Não sabia o que dizer. Não podia agradecê-la. Nem me desculpar. Não tinha motivos para ambas as coisas. Mas, uma única palavra eu devia dizer. Era uma despedida, afinal.

–Eu te amo, mãe — sussurrei, cerrando os punhos — Adeus.

Vovó me puxou até as cadeiras, mas não me sentei. Virei o rosto no momento em que dois dos primos de minha mãe ajudaram um dos funcionários do cemitério a descer o caixão. Os braços de Gray me envolveram, com a firmeza habitual, e respirei aliviada. Queria me sentir segura.

–Quer sair daqui ? — ele perguntou, num tom doce. Assenti, escondendo o rosto na curvatura de seu pescoço. As primeiras lágrimas caiam, e segurei sua camisa social preta com firmeza.

–Por favor — consegui dizer, em meio aos soluços. E, felizmente, ele não tardou a me guiar em meio as cadeiras, para longe dali.

Um último olhar, e estava acabado. Eu jamais a veria de novo. Mais tarde, Gray me dissera que se sentira assim com a partida de Ur. Vazio. No entanto, para superar, ele admitiu para si mesmo que todas as coisas boas tinham fim. Sua mãe era uma delas. E a minha. Mesmo que não fosse a melhor mãe do mundo.

[...]

–Porlyusica Lockser, filha das águas, esposa do fogo, nora da mãe natureza — o "religioso" enrolou-se nas próprias palavras, completamente bêbado. Eu e Jellal nos entreolhamos, sem conter o riso pela milésima vez, enquanto vovó xingava o homem pela demora.

Mesmo que, tecnicamente, a bebida alcoólica só devesse ser liberada após a cerimônia, o homem que proferia as "palavras sagradas" parecia pra lá de bêbado. Perguntara cerca de três vezes qual das duas mulheres era o noivo, e a explicação do casal homossexual não fora nada educada. Ambas as noivas estavam impacientes.

Como neta de uma delas, eu estava no "altar" improvisado, feito na areia da praia próxima da nossa casa, como madrinha de honra. Um vestido curto e azul claro. Do outro lado do palanque, Jellal havia sido escolhido como padrinho. Vivíamos na casa um do outro, então ele havia se tornado bem mais que da família. Mesmo que vovó ainda não confiasse sem por cento nele.

–Aceita esse ... homem ? Não me parece um homem ! Dá pra alguém me dizer quem é o noivo disso aqui ?!

–Se não nos casar logo, eu vou te mostrar o punho do noivo, seu pateta imbecil ! — a ameaça soara realmente assustadora. Olhei na direção dos convidados, sentados nas fileiras de cadeiras brancas, encontrando Lyon e Gray rindo loucamente. Inflei as bochechas, na intenção de conter o riso, e voltei os olhos a decoração, como distração.

Os arranjos de flores eram a melhor parte. Amarelos e azuis. Todo o resto, branco. Um estilo "luau" perfeitamente organizado, apesar de simples. A banda que tocaria na festa já se preparava, tocando uma música agradável e romântica de fundo para o casamento. Os violinistas extremamente concentrados nas notas.

–Então, com os poderes concebidos a mim, pelo poderoso deus Thor, e o poderoso deus Goku, eu vos declaro, marido e — ah é ! Marida ... e mulher, eu acho — decretou, por fim. Vovó atirou seu buquê contra a cara do religioso com tanta força, que o homem caiu para trás, semi morto no altar. As duas se beijaram, e Jellal gritou um "vai pro motel" desnecessário, que fizera as fileiras da frente caírem na risada.

A festa finalmente fora liberada, e juntei-me a Lisanna, Gray, e Lyon. Jellal envolveu os ombros da albina, sorrindo sarcástico.

–Olha, se eu não tivesse ido a competição de soletrar com o Natsu, diria que esse foi o evento mais engraçado do ano — o azulado afirmou, fazendo o grupo rir. Lyon concordou com a cabeça.

–Tinham que ver dia de promoção na padaria, e só eu e Juvia trabalhando — ele contou, entretido. Jellal mantinha toda a sua atenção voltada para a história, provavelmente planejando me chantagear depois — Sentei na cadeira e cruzei os braços. Ela simplesmente queimou o fogão e todos os bolos !

–Eram cookies ! — gemi frustrada, assoprando a franja — Por que vocês vivem dizendo que meus cookies são bolos ?!

–Porque aquilo não é cookie nem no inferno — Jellal respondeu, curto e grosso. Cerrei os punhos, mas o fato de Lisanna ter gargalhado me desbancou totalmente — Não esquenta não, o Gray gosta.

Ele sorriu debochado, e olhei na direção do moreno, que apenas rolou os olhos.

–Não é a pior das comidas.

–Gray !

–Só estou sendo sincero. É uma droga, mas é comestível.

–Quanta consideração.

–Ihhh, greve de sexo ! — Jellal uivou.

–Jellal ! — eu e Lisanna o repreendemos em uníssono.

Velhos hábitos nunca morriam, afinal.

[...]

–Gray ... — choraminguei, abraçada ao seu corpo. O moreno arfava, e levantou o olhar, desconfiado — Vamos fazer de novo ! Por favor ...

Gray arregalou os olhos, incrédulo. Um de seus braços permanecia atrás de sua nuca, enquanto o outro me envolvia. Fiz o bico mais convincente possível, levando minha boca até sua orelha, depositando uma mordida ali. Ele resmungou qualquer xingamento, remexendo-se na cama.

–T-Tá ... — conseguiu dizer, entre ofegos, e comemorei, retirando o lençol de nós — Só me dê ... uns minutos ... — bufou, rolando os olhos.

–Vai acabar ficando vesgo — avisei, sentando na cama, e abraçando meus próprios joelhos. O moreno riu seco.

–Ou viciado em sexo — rebateu, agora cruzando os dois braços atrás da cabeça. Sorri de lado, dando de ombros.

–Eu não me incomodaria com isso... — sussurrei, alto o bastante para que ele ouvisse. O moreno me puxou, envolvendo meu corpo com seus braços.

–Não duvido disso — mordeu minha bochecha, divertindo-se — Pervertida.

Senti minhas bochechas corarem, acariciando seus braços que permaneciam ao meu redor.

–Eu algo como te amo — disse apenas, fechando os olhos com força. Mas, diferente do esperado, dessa vez, obtive resposta.

–Eu algo como também — declarou, rindo contra meu pescoço. Sorri, interna e externamente — Ainda quer um segundo round ?

–Claro que sim, Gray-sama.

Ele ergueu as sobrancelhas, sugestivamente, e iniciamos a mesma rotina de sempre. Até que, num baque alto, a porta do quarto abriu-se, chocando-se com a parede num estrondo forte. Saltamos da cama, e Gray cambaleou para fora do colchão, desnorteado.

Na porta, vovó e sua inseparável vassoura de piaçava dupla, preparada para o ataque.

–GRAY FULLBUSTER, VOCÊ É UM HOMEM CASTRADO A PARTIR DE HOJE ! E VOU MATAR VOCÊ DE BRINDE, JUVIA ! QUANTAS VEZES VOU TER QUE DIZER QUE NÃO QUERO HOMENS PELADOS NA MINHA CASA ?!

Fim.

Notas finais
Desculpem os erros de gramática. O capítulo era grande, e estava afobada pra postar logo ^^ Não haverá continuação. NO ENTANTO, um projeto Gruvia meu já está em andamento no PC. Eu vou continuar escrevendo, escrevendo Gruvia, e espero realmente que, futuramente, vocês me deem o prazer de lerem minhas outras fanfics *---* Com amor, ClaraKeynes. Muito obrigada a cada um de vocês !
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!