Neo Daemon
5 Sede de sangue
Notas iniciais
Andri
Pessoas doentes iam e vinham pelos corredores. O ar de infelicidade pairava sobre a sala de espera. Ver todas aquelas pessoas doentes com olhares cansados e sem esperanças embrulhavam o estomago de Andri, que esperava por sua mãe, enquanto ela era cuidada em uma sala especial.
–A mãe vai ficar bem, ela é forte. –Disse Diana com os olhos vermelhos de tanto chorar, tentando tanto animar seu irmão, quanto a si própria.
–Sim, ela é forte. –Respondeu Andri, enquanto lutava contra o cansaço para se manter consciente.
Fazia-se duas horas desde que Misandra entrou desmaiada em uma maca para a sala de emergência. Andri já havia desistido de tentar se manter acordado, e se rendeu ao seu sono. Sua irmã Diana, mesmo sonolenta por ainda não ter dormido desde a noite passada, não conseguia fechar os olhos. Quando tentava dormir, o homem que invadiu sua casa invadia seus sonhos e a matava, com o sangue de sua mãe em suas mãos.
–Aonde estou? Isso é um sonho? –Disse Andri, baixo o suficiente para que apenas ele ouvisse. Era um lugar totalmente escuro, nem o chão em seus pés podia-se ver, a única coisa visível era uma luz distante, porém devido ao sonho passado, seu medo o impedia de ir até ela.
Depois de alguns minutos andando vagarosamente para todos os lados exceto em direção à luz, criou coragem dentro de si e, hesitante, começou a andar em direção à luz, um passo de cada vez, tão lento quanto poderia ser. É só um sonho, não tem do que temer. Era esse pensamento que o motivava, e reunia forças em seu interior.
Ao chegar suficientemente perto para conseguir ver na luz uma imagem, ele decide-se por fim que aquele sonho não seria igual ao outro em que uma sombra o perseguia. Na imagem, conseguiu ver dois homens embaixo de um viaduto. Um deles, jazia no chão, enquanto o outro estava sentado ao seu lado, com suas pernas cruzadas, com algo em cima dela.
Quando por fim o homem inconsciente começa a se levantar, a imagem se aproxima deles, se tornando mais nítida, e se focando no homem que se levantava.
–O que significa isso!? –Gritou Andri, ao ver o homem que horas antes o tentou matar. –Como o braço dele já está assim!? –Continuou, quando viu metade de um braço, aonde não deveria haver nada.
A imagem se aproximou ainda mais, o suficiente para Andri ver que não havia mais nenhuma ferida no homem, e seu braço já estava sendo regenerado, de alguma forma. Quando a imagem ia se aproximar mais, Andri acordou.
–Diana, vou dar uma volta, fique aqui até eu voltar. –Disse Andri, enquanto se levantava para sair.
–Como assim!? Você vai abandonar a mãe agora!? –Diana entrou na frente de Andri, exigindo uma resposta.
–Não vou abandona-las, só irei tomar um ar fresco, eu já volto.
–Eu sei que não é só isso! Você anda muito estranho ultimamente! Será que você não pensa em mim e na mãe!? –Seus olhos ameaçaram chorar, quando seu irmão a segurou pelos ombros e ficando centímetros de distância de seu rosto.
–É por pensar em vocês, que estou saindo agora! Fique aqui, eu prometo voltar logo. –Sussurrou Andri, enquanto forçava sua irmã a sentar, segurando-a pelos ombros. Antes que Diana pudesse falar algo, ele se dirigiu rapidamente em direção à saída, sem olhar para trás.
George
Sua visão estava embaçada, sua tentativa de se levantar foi em vão.
–O que tá acontecendo com seu braço, mano!? –Disse Freed, que se encontrava de pé, assustado, afastado de George.
Logo George redobrou a consciência, pouco a pouco sua visão estava voltando, junto com suas forças. Quando seu amigo perguntou sobre o braço, rapidamente dirigiu sua mão direita à ele, em busca de uma resposta a si mesmo, com a esperança de que tudo que havia ocorrido naquela noite fosse meramente um sonho.
Em seu braço esquerdo, havia apenas um pequeno membro, de forma que parecia que seu braço tinha sido cortado ao meio, e não sido mutilado completamente. Está regenerando. Tal teoria enchia suas esperanças.
–Quem fez isso com você, responda, cara! –Continuou Freed, perguntando pela segunda vez seguida, agora zangado pois a primeira não havia sido respondida. Antes que George pudesse responder, ele continuou:
–Parece até que um monstro devorou seu braço, amigo!
–Não foi um monstro. Foi um dragão. –Disse George, com a felicidade que havia conquistado agora pouco esvaecendo-se com a imagem do homem cuspindo fogo.
–Um dragão!? Eu sabia que eles existiam cara! Vamos lá, mostre aonde ele está, eu vou doma-lo! –Gritou Freed, gesticulando de felicidade.
–Não quero chegar perto dele novamente. Você não viu o que eu vi. Seus olhos... a sede de sangue transbordava pelos olhos dele. A vontade de me matar era mais forte que as chamas que me roubou o braço. –George desatou a chorar, com os olhos arregalados de medo, e com todo seu corpo tremendo e arrepiado. –Nunca mais quero vê-lo novamente, não, eu não posso! –Desta vez gritava, enquanto seu punho direito socava o chão em que se deitava.
–Então regeneração acelerada faz parte do seu pacote de habilidades especiais!? –Gritou uma terceira voz distante
–O que você quer aqui moleque!? Volte já pro seu bairro, playboyzinho de merda. Hoje estamos fechado! –Gritou Freed, apontando o dedo em direção à voz.
–Não vim por drogas. Vim para terminar algo que seu amigo começou. Acho melhor você sair daqui, você não irá gostar do que irá acontecer aqui! –Exclamou Andri, com toda sua força possível.
Como ele me achou!? O que eu faço!? Merda! Merda! Merda! George estava aterrorizado. Rapidamente se pôs em pé, e recuou a passos curtos.
–Me desculpe, me desculpe! –Gritou George em resposta à Andri, chorando e tremendo. –Eu prometo... faço tudo o que você quiser, mas por favor, me desculpe!
–Você faz tudo o que eu quiser? Pois bem... então comece morrendo. –Disse Andri, agora com uma voz calma e fria, com o mesmo olhar esbanjando sede de morte.
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