Neo Daemon
2 O que há comigo?
De seu quarto, ainda deitado na cama, o cheiro de panqueca desperta sua fome. Lentamente se levanta de sua cama, e se dirige para o banheiro. Enquanto escova os dentes, ele percebe um leve inchaço, e um pequeno círculo vermelho no centro do inchaço, na parte lateral do pescoço. Ao tocar na extremidade avermelhada, sente uma forte dor, como se ele tivesse acabado de enfiar uma agulha no pescoço, quando volta a olhar para o espelho, se depara com seu nariz escorrendo sangue, e uma forte dor de cabeça o faz perder o equilibro, consequentemente caindo ao chão.
Alguns segundos depois, ainda redobrando sua consciência, se coloca em pé, e olha novamente para o espelho, desta vez estocando o sangramento nasal com um pedaço de papel higiênico. A dúvida tormenta sua cabeça, não entendendo a situação, as lembranças que foram consideradas apenas sonhos ainda tormenta seu pensamento. O que está acontecendo comigo? Essa era a única coisa que o preocupava.
–Bom dia filho, tudo bem? Uma senhora considerada baixa em comparação a Andri, levemente corcunda de cabelos grisalhos e peles enrugadas, o recebe, com um prato coberto de panquecas ao molho.
–Bom dia mãe, estou bem sim, e você? Andri não gostava de preocupar sua mãe com pequenos problemas, então, apesar do ocorrido no banheiro, do sonho estranho e das dores pelo corpo, ele preferiu dizer apenas um sim.
–Estou bem. Que horas você chegou ontem?
–Hm, eu não me lembro, me desculpe, era para eu ter te avisado quando cheguei.
–Era mesmo! Não faça isso de novo, e como assim, você não lembra de ter chegado? Enfim, é melhor comer sua panqueca, ou vai se atrasar para a aula de reforço.
–É melhor eu esperar um pouco para come-las então -brincou Andri.
–Preguiçoso, é por isso que você está no reforço e eu não -disse em tom irônico uma voz vinda do final do corredor em que Andri veio.
–Eu estou de reforço para recuperar matéria, afinal fiquei três meses em casa, por causa da perna quebrada. Você deveria estar no reforço junto comigo, se pelo menos tivesse puxado a inteligência do irmão gêmeo.
–Você acha que quebrar a perna por tropeçar em uma pedra ao correr para tentar pegar o ônibus é inteligente, irmãozinho? –relembrou à Andri, do vergonhoso acidente que resultou na quebra de sua perna.
–Você não tem direito de tirar sarro, Diana, afinal não fui eu quem quebrou o braço ao escorregar da cadeira tentando pegar os biscoitos em cima do armário- retrucou o irmão esboçando uma risada desenfreada.
–Parem vocês dois! –Gritou Misandra, apartando a briga dos filhos.
–Desculpe, mãe -repetiu ambos ao mesmo tempo, enquanto se dirigiam à mesa, para tomar o café da manhã.
No centro da mesa redonda, se encontrava as panquecas cobertas ao molho vermelho, tendo a sua direita um jarro de leite achocolatado. A refeição durou por volta de 30 minutos, todo café da manhã era demorado, pois passavam mais tempo conversando e rindo do que comendo. Por fim, quando acabou, Andri foi o primeiro a se retirar, saindo correndo pela posse do banheiro, disputando com sua irmã, que vinha logo atrás.
A aula parecia não ter fim. Apesar de estar no reforço, Andri era extremamente inteligente, tendo ganhado vários prêmios em competições de matemática. Para ele, aquelas aulas extras eram totalmente desnecessárias, e ficavam ainda mais entediantes sem seus amigos Henri e Daniel, que concluíram o reforço semana passada. Depois de duas horas batalhando contra o sono para não dormir, por fim a aula acaba.
Devido ao pesadelo da noite passada, preferiu desta vez voltar à casa de ônibus, mesmo que isso custasse 30 minutos a mais de seu precioso dia. Naturalmente, Andri ia dormindo na viagem de ônibus, porém, daquela vez, passou o caminho pensando sobre o sonho, o questionando se realmente teria sido um sonho. Seus pensamentos não conseguiam chegar em nenhuma conclusão, ele estava prestes a esquecer o assunto, quando se ouve uma explosão. O pneu esquerdo da traseira do ônibus havia estourado, o que o fez perder o controle, e capotar. Com o ônibus de cabeça para baixo, fumaças saíam do motor do veículo, os passageiros estavam inconscientes, e o motorista havia sido arremessado para fora, com a veracidade do acidente, foi quando houve um segunda explosão. Desta vez com um barulho muito maior do que simplesmente a explosão de um pneu. O tanque de gasolina havia explodido, o ônibus estava agora coberto por densas chamas e uma cortina de fumaça cortava o céu azul. Uma multidão havia se tornado em volta do veículos, pessoas com jatos de água tentavam conter as chamas, quando uma sombra sai em meio às chamas, correndo, com o rosto coberto pelas mãos. A pessoa que havia saído do ônibus cortou a multidão, com sua roupa queimada, não parou por nada, e continuou correndo.
Quando finalmente descobriu seu rosto, Andri já estava longe do campo de visão de qualquer pessoa foi quando ele finalmente parou, ofegante, e tirou sua camiseta, que foi parcialmente incinerada pelo fogo. Em seu corpo, não havia absolutamente nenhum ferimento, nenhuma queimadura, nada. O que diabos está acontecendo comigo ?! Pensou, enquanto continuava correndo, desesperado, por não entender absolutamente nada do que havia acontecido.
Ao chegar em casa, não encontrou ninguém, sua mãe estava trabalhando, e sua irmã tinha saído com as amigas. Correu para o banheiro, tirou o resto de sua calça que não havia sido incinerada pelas chamas e entrou no chuveiro. Enquanto a água escorria pelo seu corpo, sentou-se no chão do banheiro, e começou a chorar.
Eu sou um monstro? Uma aberração? Se perguntava se o ocorrido teria alguma relação com o sonho, e com a experiência que teve no banheiro de manhã.
Deitou-se no sofá, e ficou assistindo televisão até pegar no sono. Ao abrir os olhos, ele se encontra em um lugar escuro e frio, assumindo que é outro pesadelo, ele se levante, e começa a correr em direção a única luz que vê por toda sua volta, uma pequena esfera luminosa, que se destaca em meio à escuridão. Enquanto corria, ofegante para a luz, começa a ouvir um barulho ensurdecedor, que o faz ajoelhar. Quando arruma forças para se levantar e continuar, avista à sua frente a imagem de um homem igual ao que havia sonhado na noite anterior, entre ele e a luz, desta vez com o braço erguido, e com uma seringa em sua mão.
Sem pensar duas vezes, se vira e começa a correr em direção oposta à luz, e um riso amedrontador preenche o silêncio na escuridão, quando uma palavra se destaca em meio aos risos, “acorde, acorde, acorde!”.
Quando finalmente, acordou, se deparou gritando assustado, com sua mãe o balançando e gritando para acordar.
–O que aconteceu filho, você está bem ?!- Perguntou Misandra, com uma expressão de alívio e preocupação ao mesmo tempo.
–Foi apenas um pesadelo. Não se preocupe, mãe.
Não foi só um pesadelo, tem algo de errado acontecendo comigo! Mais tarde, quando o clima havia se acalmado na casa, ambos sentaram no sofá e começaram a assistir televisão.
Andri não disse o que tinha acontecido com ele no ônibus, preferia esquecer aquela cena, e tratar como milagre, quando uma notícia atraí a atenção de ambos:
(Repórter da televisão)
–Interrompemos o noticiário para uma notícia urgente! Uma forte explosão destruiu grande parte de Jeollanam-do, Coréia do Sul. A hipótese é que a Usina Nuclear Yonggwang seja a causadora dessa explosão, porém, há hipóteses de um atentado terrorista, ou de um ataque dos Esta...- Um forte chiado corta a transmissão, e, a imagem de um homem mascarado assume o lugar da repórter na televisão. Usando uma máscara totalmente negra, com um sorriso com dentes parcialmente quebrados desenhado na região onde normalmente estaria uma boca, e dois olhos arregalados, também desenhados aonde seria os olhos de uma pessoa. Acompanhado de um chiado, o homem mascarado, com uma voz rouca e irônica, -começa a falar:
–Receio que já souberam da maior, sim, a explosão na queridíssima Jeollanam-do -o homem desata um sorriso alto e maligno-ah sim, só gostaria de esclarecer uma pequena coisinha nisso tudo, huuuuuuuuuuum, não foi a senhora usina nuclear que provocou a explosão, foi eu! –Novamente o homem começa a rir, desta vez de forma espalhafatosa, até ficar quieto, rapidamente, mudando seu humor de alegre para sério –vocês devem estar se perguntando, como um idiota como eu foi capaz disso? Bem, a resposta é simples. EU NÃO SOU IDIOTA! Bem, vamos logo ao que interessa. Essa explosão que houve na Coreia... Bem, pense em mais dez dessas, só que com um poder destrutivo ainda maior! Sim, é isso que acontecerá. Daqui a um ano, outras dez superbombinhas irão explodir. Só gostaria de avisar que, se isso acontecer mesmo, o planeta já era! –novamente, o homem desata uma risada grotesca, e depois continua sua fala, sério –bem, eu amo esse planetinha chamado Terra, então deixei uma opção, para que ele não acabe. Nesse exato momentos, cem pessoas do mundo inteiro devem estar tendo um dia estranho, onde sonharam com coisas muito sinistras, e coisas paranormais estão acontecendo. Bem, resumindo, o planeta está nas mãos dessas cem pessoas!
Andri, ao ouvir o que o homem disse, logo começou a soar frio, e seu coração a bater mais rápido, ele com certeza era uma dentre essas cem pessoas. Então, o homem prosseguiu:
–Vou explicar como será. Nessas cem pessoas, foi aplicado um soro, que deu a elas superpoderes. Você com certeza está me achando louco, afinal, superpoderes? Isso não existe! Para você que disse isso, veja as imagens a seguir.
Cenas de pessoas fazendo coisas totalmente impossíveis em público começaram a serem transmitidas, dentre as cenas, Andri se identificou com uma, um garoto saindo de um ônibus em chamas, correndo, sem nenhum ferimento, com o rosto coberto pelos seus braços. Quando as cenas terminaram de serem passadas, o homem prosseguiu:
–Se você ainda não acredita em mim, bem, então vá se ferrar. Agora para os meus queridos escolhidos. Vocês têm apenas um ano para se matarem! Sim, é assim que vai funcionar. Quando sobrar apenas uma única pessoa dentre as cem escolhidas, eu aparecerei, e concederei a ela a oportunidade de me enfrentar, e me matar, para que eu não detona as super bombas! Só gostaria de deixar claro uma coisinha, à vocês, pessoas miseráveis e normalmente insignificantes, continuem suas vidinhas de merda, e rezem para que os meus escolhidos se matem antes de um ano, porque, se isso não acontecer, bem, é kabum para vocês! Aos governos mundiais, se vocês tentarem achar as bombas, ou interferirem na carnificina dos meus anjinhos, eu explodirei uma das dez super bombas! Agora, a você, que não tem certeza se é ou não um dos cem escolhidos, ou melhor, um Neo Daemon, você terá a oportunidade de tirar suas dúvidas. Aqueles que sentirem uma enorme dor de cabeça em dez segundos, bem, então é melhor você já ir planejando como matar noventa e nove pessoas!
Então, a televisão desligou, e ligou novamente, desta vez passando o conteúdo normal da televisão. Misandra, assustada com a notícia, antes que pudesse comentar sobre a mesma com seu filho, é surpreendida pelo grito de Andri, que estava sentindo a tal dor de cabeça que o homem mascarado disse.
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