Neo Daemon
4 George
–Andri, o que você está fazendo, venha, me ajude! –Gritava Diana, enquanto tentava tirar sua mãe do quarto e conter o sangramento em seu braço ao mesmo tempo.
O homem, que antes se afastava de Andri, se empurrando sua costa contra a parede, agora estava inconsciente, com seu braço esquerdo, e metade de seu peito extinguidos pelas chamas.
–Andri, vamos logo! –Gritou Diana, agora com uma voz mais alta e severa.
Andri a princípio não havia notado a irmã, estava em estado de choque, com o que acabou de fazer, porém, com o segundo grito, redobrou a sanidade, e ajudou sua irmã. Enquanto ele a carregava nas costas, sua irmã com um pano, estocava o máximo possível o sangramento.
Após Misandra ser deixada na sala, Diana continuou com ela, impedindo o sangramento, até a chegada da ambulância que chamou mais cedo. Andri por sua vez, começou a encher um balde de água, e tentou desesperadamente conter o incêndio. Depois de quinze baldes, e nenhuma atenção ao homem inconsciente, finalmente conseguiu. Os primeiros socorros chegaram logo depois dele ter terminado, e correram ajudar Misandra.
Só depois que sua mãe foi levada em uma maca para o veículo, que ele se lembrou do homem, e pediu ajuda aos médicos. E se eles verem? Pensava Andri, ao lembrar que o homem, no lugar de sangue, havia espumas e tufas de algodões jorrando do ferimento. Mas era tarde demais, enquanto guiava os homens ao indigente que se encontrava inconsciente no quarto de sua mãe, tentava bolar alguma ideia, que explicasse aquela situação.
–Garoto, não temos tempo para brincadeiras! –Disse o paramédico, enquanto praguejava num tom irritado e alto. A princípio, Andri não tinha entendido o tom bravo do homem, então entrou no quarto, para mostrar aos paramédicos o indigente sem seu braço esquerdo, e com metade de seu peito incinerado.
–Aonde ele foi!? –disse Andri a si mesmo, ao perceber que o homem não estava mais ali. Isso é impossível! Não tem como ele ter fugido! Queria gritar Andri, mas não saberia explicar aos homens o motivo do grito. Então, se limitou a um pedido de desculpas.
–Garoto, estamos levando sua mãe conosco, para o hospital. Trate-se de se recompor, e ajude sua irmã, ela não está bem. Pegue-a, e venha conosco na ambulância.
–Tudo bem. –Disse Andri, mesmo seu coração não concordando. Eu tenho que fugir. Se eu ficar, aquele homem voltará. Mas e se eu fugir, e ele vir atrás de vingança!? Enquanto sua mente tentava resolver esse dilema, ele e sua irmã adentravam à ambulância.
George
Sua visão estava embaçada. Lentamente, ia se movendo esgueirando na parede com seu braço direito. Em sua cabeça, repetia continuamente a mesma coisa, maldito seja!
A luz do poste tremeluzia. Sozinho na esquina, suas únicas companhias eram o frio a dor, e um lençol que levara consigo da casa, para esconder o ferimento. O medo de morrer, de encontrar novamente com o monstro que dizimara seu braço a cinza não o deixava dormir, e a extrema dor em dor aonde deveria ser seu braço esquerdo o impedia de reunir forças para prosseguir. Uma voz o chamou à sua direita.
–George! –Disse um homem, que vinha em sua direção, com seu corpo todo coberto por um cobertor de lã branca, acinzentada pela sujeira e acompanhada pelo mau odor. Quase não se via pele em seu rosto, a parte de baixo coberto por uma densa barba grisalha, longa e desorganizada, e com uma touca que cobria-lhe toda a testa.
–Freed, é você? –George, com sua visão embaçada pela dor, tentou com toda a sua força reconhecer o homem. –Me ajude.
–Sim, sou eu! Dormindo na rua de novo!? Vim procurar você, queria um daquele negócio, mas quando cheguei na sua luxuosa ponte, não te vi. Então decidi sair para procurar. Espertalhão em, fugiu de mim para brincar sozinho, hein!? Espero que não tenha usado todas! –O homem então se aproximou. Afim de revista-lo, jogou o lençol que cobria George. –O que diabos aconteceu com você!? –Praguejou Freed, enquanto cambaleava para trás. –Quando perdeu seu braço!? E que cicatriz louca é essa!? Parece que você perdeu seu braço faz dez anos, mas ontem eu o derrubei num braço de ferro, como isso é possível cara!?
Cicatriz!? George não havia se dado conta que o seu ferimento já havia cicatrizado. Sua visão embaçada não o permitia ver o estado do machucado. Ele desmaiou, antes que pudesse explicar algo para seu amigo, ou ao menos tentar explicar.
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