Notas iniciais
Boa leitura!

Fiat Lux

Capítulo II

Quando a porta finalmente se abriu, a figura do mordomo novamente apareceu. Atrás dele, um criado surgiu apressado e foi até a mesa, colocar mais um lugar para haver agora dois lugares à mesa. O criado apenas executou sua tarefa com presteza e depois, tão rápido como entrou, deixou o aposento. O mordomo ficou parado ao lado da entrada, ignorando solenemente a figura de Shaka quando finalmente a presença aguardada se mostrou. Era visível que aquele era o homem aguardado, porque a forma imponente como ele entrou no aposento demonstrou que aquele homem não esperava que lhe dessem licença; ele abria caminho. Possuía cabelos negros e revoltos, em um desalinho que parecia até mesmo proposital. Tez amorenada e olhos de um azul profundo. Vestia um blazer azul escuro; camisa social e calças pretas. Trazia consigo um celular, no qual vinha falando em tom hostil:

– Não me interessa! Eu já disse que não me importa o preço! Sim, pode dobrar o valor! Ele precisa entender que, quando eu quero algo, eu consigo.E diga que, se insistirem em não me compreender, eu darei um jeito para que me entendam da pior forma possível. Não sou de ameaçar duas vezes! Entendeu? – o moreno finalizou a ligação violentamente. Olhou para o mordomo, que parecia ausente, como se não ouvisse nem visse nada – Avise o Carlo que ele deverá vir aqui amanhã! Eu vou precisar dos serviços dele! E chame também os outros imprestáveis! Alguém fez algo que não devia e isso está me custando muito caro! Eu nem mesmo consigo cogitar a possibilidade de... – Somente nesse instante, parado próximo à mesa de jantar, o moreno pareceu se dar conta da presença de Shaka ali. Os olhos azuis escuros pararam na figura do loiro e o rosto, muito sério, pareceu congelar-se numa expressão enigmática. Os olhos eram penetrantes e densos e o silêncio pesou no ambiente. Depois de um tempo considerável, o moreno fez um sinal para o mordomo, que rapidamente se aproximou. Sem retirar os olhos do loiro nem por um segundo, o homem entregou o celular para o mordomo: – Ele ainda não se alimentou? – perguntou para o homem grisalho, ainda encarando Shaka.

– Não, senhor. Eu ainda estava apresentando a mansão a ele. – respondeu o homem.

– Explicou a ele? – questionou, sem se mover, sem sair do lugar,mas com olhos intensos sobre Shaka.

– Não tive tempo, senhor. Falei apenas o básico. – o mordomo respondeu, e ambos falavam de Shaka como se ele sequer estivesse lá.

O loiro permaneceu imóvel desde que a presença marcante daquele desconhecido adentrou a imensa sala de jantar. Por ser um cômodo grande, eles estavam à distância considerável, mas não era uma distância suficiente para que Shaka não sentisse aqueles olhos profundos e misteriosos sobre si. Contudo, sustentou o olhar dele com seu olhar indiferente tão típico. Se o que ele, ou quem quer que o houvesse mandado, queria era impressioná-lo, estava perdendo tempo. Shaka Phalke simplesmente não se impressionava nem com nada e nem com ninguém e por maior que fosse a imponência, agressividade ou beleza daquele homem que entrava ali como se fosse o dono de tudo, e com certeza ele o era, dele não conseguiria arrancar nada. Sim, Shaka já havia mudado sua teoria, sabia agora que não foi uma brincadeira de Kanon, que realmente aquilo era um sequestro, só faltava saber para que fim e a qual caso estava ligado. Com certeza estava ali para ser intimidado por algum motivo que precisava descobrir.

Ficou parado no mesmo lugar com o queixo erguido, o que tornava seu nariz naturalmente arrebitado ainda mais petulante. Era uma pessoa obstinada e paciente, se estava ali por algum motivo, aquele homem que lhe dissesse logo, mas não se adiantaria a perguntar como alguém que estivesse nervoso e amedrontado, Phalke era um estrategista e sabia que a melhor maneira de intimidar alguém era justamente não se mostrar intimidado por esse alguém.

O moreno pareceu descontente com as respostas obtidas do mordomo. Com um gesto, indicou que o homem grisalho saísse do aposento, no que foi prontamente atendido. Ficaram apenas os dois na sala, um em cada canto, ambos calados. Após analisar por mais algum tempo a figura do loiro, o moreno abriu um sorriso de canto. Meteu as mãos nos bolsos do blazer e a postura que antes parecia tensa, tornou-se algo relaxada agora. Começou a andar na direção do outro, que permaneceu parado onde estava. Ele não parecia intimidado e isso agradou ao moreno consideravelmente. À medida que se aproximava, o sorriso se ampliava mais. Quando se viu a escassos centímetros do loiro, o moreno pareceu olhar ainda mais desafiador, embora não estivesse claro qual seria o desafio. Nesse instante, quebrando abruptamente o silêncio da sala, entraram alguns criados trazendo as travessas com os pratos para o jantar. Em silêncio, colocaram as travessas sobre a mesa e, como se soubessem que não deveriam continuar ali, saíram logo. O moreno, que se mantivera observando a fundo a figura do outro até aquele momento, ao ouvir a porta se fechando, pareceu transformar-se. Puxou a cadeira da cabeceira e se sentou, começando a se servir. Estava quase terminando de preparar o próprio prato, quando notou que o loiro continuava em pé:

– Sente-se. Você vai jantar comigo agora. – o moreno disse, em um tom bastante autoritário, enquanto enchia uma taça de vinho para si, com os olhos agora presos ao líquido que escorria da garrafa.

Shaka curvou os lábios pequenos e levemente carnudos num meio sorriso irônico e se moveu, sentindo os músculos do pescoço responderem doloridos pelo tempo que ficou parado até então. Cruzou os braços e andou a passos lentos e curtos pela sala de jantar. Fez a volta na mesa, parando no lado oposto ao do moreno e depois apoiou as duas mãos numa atitude desafiadora e agressiva sobre a toalha fina e impecável, enquanto procurava os olhos do homem que continuava sentado tranquilamente.

– Obrigado, mas eu não estou com fome. – Disse suavemente, como alguém que faz uma observação cortês e banal, embora sua postura fosse bem agressiva. – Mas eu espero que enquanto você mata sua fome e degusta esse vinho maravilhoso, me faça a gentileza de dizer o porquê de me ter sequestrado.

O moreno ergueu apenas os olhos em um primeiro momento. Acompanhou a movimentação do loiro pela sala, até que o viu parar do outro lado. Ao ouvir as palavras desaforadas, depositou a taça sobre a mesa e estreitou os olhos na direção do loiro:

– Eu acho que você não me ouviu. É para você se sentar. Aqui. – apontou para o lugar posto à sua direita – Agora. Eu não vou pedir duas vezes. Se você se mostrar obediente, talvez eu lhe conceda algumas palavras. – o homem falou, com a voz imponente e o olhar duro sobre Shaka.

Shaka deixou ecoar na sala silenciosa uma risada sarcástica. Aquilo só podia ser uma piada de muito mau gosto mesmo ou um sonho louco e sem sentido.Pacientemente ele caminhou na direção do outro homem e com um sorriso irônico e uma mesura forçada, afastou a cadeira e se sentou ao lado dele. Cruzando as mãos sobre a mesa e esperando com toda a paciência que sua filosofia de vida budista lhe deu ao longo dos anos.

O moreno observou cinicamente a forma como Shaka se comportou, mas nada disse. Quando enfim viu que o loiro se colocava à mesa, abriu um sorriso de escárnio:

– Aceita? – perguntou, indagando com a garrafa de vinho nas mãos – Ah, é verdade. Você não bebe. – alcançou então a jarra com água e duas rodelas de limão dentro. Encheu um copo e colocou à frente do loiro – Imagino que esteja com sede. O clorofórmio não lhe deixou com a garganta em estado de ardência? – o homem perguntou, como se falasse sobre o assunto mais rotineiro – Curioso. Não houve quantidade o bastante para lhe fazer mal, mas alguns sintomas eram esperados...

Os olhos claros de Shaka observaram todo o movimento da mão do moreno até o copo e quando ele o colocou à sua frente. Ele então segurou o fino cristal com cuidado e levou aos lábios lentamente, os olhos agora diretamente dentro do olhar índigo do desconhecido. Sim, sua garganta ardia, mas ele estava mais preocupado em saber o porquê de estar ali do que com isso.

– O que quer de mim? E como sabe tanto a meu respeito? Andou vasculhando minha lata de lixo? – indagou calmamente, ainda o encarando, ao por o copo de volta à mesa.

– Por que tanta desconfiança? – o moreno se recostou mais à sua cadeira – Só porque eu sei algumas coisas sobre você, Shaka Phalke? Não, eu não precisei vasculhar sua lata de lixo para isso. Sua vida é muito transparente; é fácil demais ter conhecimento de algumas coisas. Por exemplo... Você está interessado em se tornar o mais novo promotor público, estou correto? É, isso dá muito que falar. Você tem qualidades para alcançar o posto. Está de parabéns. Mas vamos à parte prática. Não me interessa nem um pouco que você esteja lá. Bem, não do modo como você é hoje. – o sorriso cínico novamente se desenhou no rosto moreno – Entretanto, não precisa se preocupar. Tudo vai dar certo. Depois que você se tornar quem eu espero que seja, então estará liberado. – dito isso, o moreno alcançou um generoso pedaço de carne para o seu prato.

– Você só pode estar brincando comigo! – riu incrédulo. – Você me sequestra, me dopa com clorofórmio, me deixa dormindo por quase um dia inteiro e ainda quer saber o motivo da minha desconfiança? Quem você é? É psicótico por acaso? – irritou-se. – Vamos acabar com isso agora. Ou você me diz o que quer de mim, ou eu vou sair por aquela porta, não me importa se você vá mandar alguém atirar em mim, entendeu bem?

Respirou fundo para não perder a calma de todo. Com certeza era isso que aquele louco queria. Ainda era difícil acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo.

– Eu não "sequestrei" você. Eu o trouxe para passar uma temporada aqui, nada mais. Essa temporada pode ser agradável ou não; dependerá da sua cooperação. – levou uma garfada à boca, tranquilamente. Mas ao perceber a ameaça do loiro em sair, o tom de voz ficou muito sério – Não ouse sair, ainda mais quando estiver na MINHA presença. Você só sai SE e QUANDO eu deixar. E eu definitivamente não estou permitindo que saia agora. Então, sente-se. Ou vai se arrepender amargamente. – finalizou com um tom de alerta.

Shaka entreabriu os lábios surpreso com aquela ameaça final,pois pensava que se aquele homem quisesse torturá-lo ou matá-lo já teria feito. Ficou sentado tentando analisar a situação.

– Não fui sequestrado, mas se sair vou me arrepender amargamente – disse sarcástico. – Como consegue ser tão contraditório em uma frase tão curta? O que serei seu, um escravo? Ou um cão adestrado para servi-lo? – Respirou fundo. – Escuta – voltou a olhar o moreno. — , vamos negociar, certo? Você me diz o que quer, e eu vejo quais são as possibilidades de cooperar para que você me deixe ir embora, já que, obviamente, sua intenção não é me matar,pelo que estou notando.

O moreno riu gostosamente – Meu escravo? Servo? Não, nada disso... – ele riu mais um pouco, e então olhou para Shaka, com os olhos escuros muito densos – Você vai ser uma peça interessante de um jogo que estou engendrando. Nada mais. – encheu a taça com mais um pouco de vinho – Saiba apenas que, nesse jogo, eu mando. Você não negocia comigo, porque eu não tenho interesse em negociar com você.Eu já sei o que esperar de você, sei quem é. Como eu disse, transparente. Você, Shaka Phalke, é transparente demais. Podemos até dizer que esse seria o meu primeiro problema com você. Não me interessa que haja um promotor desse tipo. Isso me atrapalharia muito. Enfim, sei quem você é e quem eu quero que seja. Quando eu acreditar que você atingiu o ponto que eu desejo, então o deixo partir. Não vou tratá-lo mal nem feri-lo. – bebeu um largo gole de vinho, pôs a taça de vinho sobre a mesa e fitou intensamente o outro – Quero dizer... a não ser que você me obrigue. Não quero que sua estadia aqui seja ruim. Contudo, vai depender de você. Essa mansão será sua casa. Aqui, você terá acesso a tudo. Não encontrará, por motivos óbvios, qualquer ligação ao mundo externo... Mas não se preocupe; cuidarei para que o seu mundo continue seguindo enquanto você estiver aqui. Os criados receberam ordens de não falar com você, mas poderá conversar com meu mordomo, Khan, sempre que quiser. A mansão é o seu limite. Há uma grande área verde lá fora, mas... – o moreno hesitou – Como você não me pareceu muito confiável, seu espaço será apenas o interno, inicialmente. SE você se comportar, posso permitir que, mais à frente, possa circular pela área fora da mansão também. – voltou a cortar um pedaço de carne, tranquilamente – É isso. Não temos mais sobre o que falar. Agora, que tal comer?

Shaka ouviu tudo com atenção, mesmo que não conseguisse assimilar tudo, todavia, entendia que estava nas mãos de um louco,pois se não havia um motivo real, aquilo só podia ser por loucura. Aquele homem era um psicopata, só podia ser isso.

– Por que eu?... – indagou. A pergunta tinha a clara intenção de ganhar tempo para analisar com frieza o que tudo aquilo significava. Não importava os motivos de um maníaco, ele precisava apenas encontrar uma forma de escapar dele.

– Porque você é... – o moreno ponderou algumas palavras. Permaneceu olhando para o loiro, perdido em devaneios. – Porque você é irritantemente perfeito. E eu não gosto disso; tampouco desejo ver o novo promotor sendo alguém assim. Não, Shaka Phalke... Você vai cair. Vai cair desse seu pedestal e rastejar na lama, como a maioria dos mortais. Somente quando isso acontecer eu vou estar satisfeito. – o moreno falava, mas havia muito mais naquelas palavras tortuosas. Uma raiva latente parecia mover aquele homem que, por um momento, pareceu mergulhar nos olhos claros do outro, que eram tão interrogativos – Eu quero destruir você. Eu quero acabar com a limpidez e pureza desse olhar. Eu quero acabar com tudo o que você é. Olhar para você me faz lembrar de tudo o que eu não... – o moreno não terminou a frase. Deixou-a suspensa – Agora chega. Eu disse que não vou mais discutir. Eu quero que coma. Então, coma! Pode tirar esse ar arrogante de si. Comece a me obedecer ou haverá consequências. Estamos entendidos?

Shaka encarou o homem totalmente bestificado e depois, sem que conseguisse se controlar, começou a rir, rir gostosamente e sem parar.

– Você quer me destruir porque eu sou honesto é isso? – perguntou. Não entendia muito bem aquela conversa sobre pureza e perfeição. O loiro sabia que era bom no que fazia e que era extremamente metódico e perfeccionista, mas quanto a merecer ser sequestrado e punido por isso, isso já era loucura. – Você é louco, sabia? – deu voz aos próprios pensamentos e mirou o prato a sua frente. – E eu não vou comer! Não vou comer até que me deixe ir embora desse circo ridículo que armou aqui ou que me mate de uma vez.Quem você pensa que é, seu arrogante? Acha que pode dispor da vida das pessoas, acha que sou um idiota que se acovardará diante de sua carinha de mau? – riu novamente e se inclinou sobre a mesa para que seu rosto ficasse mais próximo ao do homem, olhando bem fundo nos olhos dele, e então sussurrou: – Fo-da-se. – E sorriu com ironia novamente, passando a língua nos lábios que estavam secos, embora ele não deixasse em nenhum momento transparecer que estivesse assustado com tudo aquilo.

Em um gesto rápido, o moreno levantou-se de uma vez, puxou o corpo do loiro e o deitou parcialmente sobre a mesa. Imobilizou-o segurando-o pelo pescoço e colocou-se por cima dele, para imobilizá-lo por inteiro. Colocou o rosto muito próximo do loiro, em uma atitude de intimidação:

– Não brinque comigo. É pior que brincar com fogo. – a voz rouca, devido à proximidade, tornava-se ainda mais áspera. Estavam tão próximos que sentiam a respiração um do outro. E, quanto mais próximo, maior a intimidação. O moreno se pôs tão perto, a fim de que o loiro pudesse sentir cada centímetro de seu corpo viril contra o dele, de modo que Shaka conseguisse sentir seu calor vibrando por cada pedaço daquele corpo. Os lábios roçavam nos do loiro e as palavras deixaram a boca do moreno bastante afiadas: – Não... Eu vou foder você se não se comportar direitinho. E você não vai gostar. Eu garanto. – os olhos escuros flamejavam.

O advogado não esperava aquela reação intempestiva. Os segundos que isso tudo levou para acontecer foram o suficiente para que todas as estratégias armadas desaparecessem de sua mente. Seus olhos se prenderam ao do moreno em desafio, mesmo que por dentro estivesse completamente trêmulo. Ele estava preso, imobilizado completamente contra aquele corpo que mais parecia uma rocha ao sol de tão rígido e quente. Abriu os lábios quando a mão forte apertou seu pescoço, mas não permitiu que nenhum som escapasse da sua garganta. Quando os lábios do moreno roçaram os seus, ele estremeceu inconscientemente e não soube qual o motivo, medo talvez. Tentava entender como ele conseguiu capturá-lo daquela forma, tão rápido, mas não teve tempo para pensar, pois depois de dizer seu recado, afastou-se tão bruscamente como tinha sido o agarre.

– LEVEM-NO! – bradou o moreno e, em dois segundos, apareceram alguns homens, diferentes dos criados, vestidos de ternos pretos e óculos escuros. Eram muito fortes e logo haviam envolvido o loiro em seus braços – Tranquem-no no quarto. Não quer comer? Ótimo. Vai ficar de jejum então. Vamos ver quanto tempo aguenta.

Shaka achou impossível que o moreno não houvesse notado o estado alterado que até então não tinha sido demonstrado por ele. Quando os homens o puxaram da mesa, prendendo seus braços, o loiro encarou o seu desconhecido e sem nome sequestrador e cuspiu com toda sua raiva:

– É você quem vai se arrepender amargamente por isso! – disse, os olhos flamejando de fúria. – Você não sabe quem eu sou! Eu vou acabar com você! Acabar! – Bradava enquanto era arrastado para fora da sala de jantar.

Foi levado ao quarto que estivera antes e ao que parecia trancado. Esmurrou a porta com raiva e apoiou a testa nela, tentando reassumir o controle de suas emoções. Precisava pensar. Estava preso, era um fato. Dificilmente conseguiria ajuda, outro fato. Seu sequestrador era um psicopata que não tinha motivo real para fazer o que fazia. Precisava ser paciente se quisesse sair dali. Precisava pensar e descobrir os pontos fracos daquele homem. Era certo que no momento, ele estava com todo o controle da situação, mas ele deveria ter um ponto fraco, sim, deveria ter algum, e Shaka precisava descobrir duas coisas: primeiro, suas intenções reais, segundo, onde poderia atingi-lo. Só em posse dessas duas informações, ele traçaria um plano para escapar dali.

Livrou-se da camisa, da calça, das meias e sapato. Pegou um short de pijama de seda dentro do armário e abriu a porta da varanda que era bastante ampla e tinha uma decoração de bom gosto. Sentou-se no piso de mármore em posição de lótus e prendeu os cabelos num nó desleixado. Fechou os olhos. Tentaria meditar. Sabia que ficaria muito tempo sem comer e tentaria entrar em transe meditativo, isso o ajudaria a suportar qualquer privação física enquanto seu corpo suportasse.

Título: Faça-se luz

Notas finais
Obrigada a todos que leram. Merecemos reviews? Beijos e até a próxima postagem! Lua e Sion