Nelumbo nucifera

12 Amat victoria curam


Notas iniciais
Olá, leitores queridos, tudo bem? Primeiro, desculpem a demora. Estou cheia de trabalho, a vida profissional anda bem agitada e ainda me envolvi em outros projetos literários, o que tem tirado bastante do meu tempo para as amadas e livres fanfictions. Lua também anda muito ocupada, o que acaba atrasando tudo, mas é a vida, infelizmente fanfiction ainda não é emprego - ah que emprego doce seria! :3! Peço desculpas também por algumas reviews que ainda não foram respondidas. Tenham certeza que é importante demais cada comentário deixado por vocês e se ainda não respondi foi por total falta de tempo mesmo. Prometo que responderei assim que possível cada uma delas. Obrigada a todos que estão acompanhando, deixando comentário ou recomendação. Beijos no core de vocês e boa leitura! Sion Neblina

Amat victoria curam

Chapter XII

A área externa era enorme e possuía jardins ornamentados e uma piscina gigantesca logo depois desse. Inicialmente, o advogado tirou sapatos e meias, querendo sentir a grama úmida do final da tarde em seus pés. Fechou os olhos, suspirando prazerosamente, andar descalço na grama era uma das coisas que mais gostava de fazer. Fitou os próprios pés, os unindo para formar a flor de lótus dourada envolta numa áurea azul, ficando um longo tempo mirando aquela imagem. Quando deu por si, o sol já tinha quase se posto e uma linha alaranjada se exibia no horizonte, mas ainda estava claro. Shaka tirou a camisa, as calças e soltou os cabelos, mergulhando na piscina apenas de cueca, não se importando com isso. Bem diferente de como tudo era em sua vida, simplesmente teve vontade e fez. Sentia-se renovado, suas forças estavam renovadas enquanto ele dava braçadas na água. Talvez não estivesse em seu melhor estado físico, mas se sentia bem, seu espírito começava a voltar à força de antes e aquela água fria o animava, relaxava, causava bem-estar.

Após dar as ordens que liberavam Shaka de seu cativeiro — ao menos, parte dele — Ikki pensou em ir para sua biblioteca. Entretanto, sentiu-se curioso por saber o que aquele loiro faria com a liberdade parcial recém-adquirida. Então, pouco depois de o advogado passar pela grande porta que dava para e área externa, Ikki colocou-se em seu encalço. Indagou o segurança sobre a direção tomada pelo seu prisioneiro e assim conseguiu encontrar sem dificuldades o paradeiro do outro. Chegou a tempo de ver o loiro se jogando na piscina, o que o surpreendeu um pouco. Pelos relatórios, Shaka não parecia ser o tipo de pessoa que tomava atitudes assim, impulsivas, impensadas. De todo modo, a cena chamou-lhe a atenção também pela expressão de alívio que conseguiu enxergar no semblante do advogado. Pelo visto, o problema que Shaka alegara de não conseguir se alimentar era verdade. Ele deveria estar mesmo passando por um período bem estressante...

Ora, mas não era esse o objetivo? Ikki sacudiu a cabeça. Não era hora de fraquejar, não agora! O loiro ainda teria de ser levado ao seu limite e Ikki precisava ser tão terrível quanto pudesse para alcançar essa meta. Sim, era desprezível agir assim. Porém, questionava-se se ainda se preocupava com isso.

De repente, percebeu que sim. Ainda se preocupava. Que droga... ainda não havia conseguido se tornar tão inescrupuloso quanto deveria, quanto precisava ser. Maldito resquício de humanidade que insistia em residir ali! Entretanto, pensando bem, em todos os outros casos, talvez fosse esse resíduo de bondade que tivesse feito com que alcançasse o sucesso das outras vezes. De alguma forma, conseguia equilibrar todo esse horrível teatro que encenava com algum lado verdadeiro e até bom que possuía...

Contudo, da última vez, esse lado bom foi o que fez tudo ir por água abaixo e quase colocou todo o projeto a se perder. Fez Ikki perceber que deveria ter abraçado o projeto por inteiro e esse teatro não deveria ser mera encenação. Ele tinha que ter se transformado mesmo nessa pessoa sem escrúpulos, para fazer as coisas que fazia. A Sociedade o enxergava assim. Eles realmente acreditavam que ele era essa pessoa. Ikki nunca preocupou antes em mostrar a verdade a eles, em dizer que o que fazia era mais encenação que qualquer outra coisa... Mas agora as coisas eram bem distintas.

Quando Shaka finalmente lhe foi trazido, sentia-se mudado. O último caso fizera com que mudara. Tinha até mesmo achado que havia matado de vez os resquícios de bondade dentro de si. Pensava que isso seria bom, afinal, esse seria o caso mais importante de todos. Era bom que estivesse sendo mesmo o homem inescrupuloso que todos esperavam e não apenas encenando...

Todavia, percebia que ainda não tinha chegado lá. Agora mesmo, escondia-se por detrás das árvores, como se não quisesse interromper o momento de Shaka. Como se quisesse respeitar a privacidade dele, para assim prolongar aquele sorriso suave no rosto do loiro por mais tempo...

Bufou. Não. Não era assim que sairia vencedor dessa maldita situação. Era um jogo. Precisava jogar. Se não havia incorporado o papel inteiramente, iria se esforçar para enganar bem, então. Até o momento em que, quem sabe, conseguisse enganar a si mesmo...

Saiu de trás das árvores, de modo que se fizesse notar. Parou à beirada da piscina e cruzou os braços atrás. Pigarreou de forma suficientemente audível e lançou o olhar mais indiscreto possível na direção do outro. Sim, o objetivo era deixá-lo desconfortável. Shaka tinha de se sentir extremamente desconfortável em sua presença. O advogado precisava desprezá-lo, odiá-lo.

Era o jogo.

Era a primeira parte do jogo.

Nem minimamente ciente dos pensamentos do moreno, Shaka virou-se e o encarou, parando de nadar, batendo apenas os pés para não afundar, enquanto franzia a testa, curioso com a presença do outro ali. Passou a mão nos cabelos, molhados, afastando a franja dos olhos e se apoiou na borda da piscina, nem um pouco preocupado com a presença do outro, embora aquele olhar lhe levasse uma estranha sensação. Nem um pouco? Não era bem assim, precisava reconhecer. Ikki era estranho. Tentava desvendá-lo, mas ele estava sempre mudando de comportamento, o que dificultava as coisas. Talvez isso fosse parte do plano de confundi-lo, e ele tentava não cair nele. Precisava jogar, deixar de ser o homem transparente que seus inimigos pensavam. Equilibrado, metódico e até frio, isso era o que os outros viam, poucos viam o lado mais profundo. Como um iceberg, pouco chegava à superfície. Seus sentimentos e pensamentos mais profundos estavam guardados e não apareciam no dia a dia. Apenas os mais próximos conseguiam perceber o homem doce e generoso que ele era, a pessoa altruísta e na verdade, ele preferia assim. Esse seu lado era íntimo demais, não era para qualquer um ver.

Esperou por um tempo para saber o que ele lhe diria, piscando os cílios algumas vezes para espantar a água, e quando percebeu que o moreno continuava parado, apenas o observando — admirando seria o mais correto afirmar, embora não quisesse pensar naquilo -, tomou a iniciativa de falar.

— Eu estava proibido de cair na água? – indagou, pensando que, além de infernizá-lo, aquele poderia ser o motivo mais provável para o moreno estar ali, tão bem vestido como estava.

Como resposta, Ikki soltou um irritante sorriso de lado. Ainda sem dizer palavra, sentou-se em uma espreguiçadeira que estava ali perto. Como se não tivesse pressa alguma, ajeitou-se sobre o assento, fingindo ignorar o olhar demandante de Shaka, que lhe exigia uma resposta. Enfim, depois de parecer bastante confortável, Ikki alargou o sorriso, que continuava propositalmente irritante, e disse:

— Você pode fazer o que quiser. Eu lhe disse que é um hóspede nessa casa e que, se colaborar, será muito bem tratado. — falou com a voz pausada — Entretanto, você trouxe vários problemas muito rápido e por isso não pôde experimentar da minha boa hospitalidade. De todo modo, embora tenhamos começado com o pé esquerdo, espero que fique tudo bem agora e que você possa aproveitar sua estadia em minha casa. — Ikki falava com cinismo e não parecia se importar com isso — Contudo, como você bem sabe, há um objetivo maior nisso tudo. E, por conta de suas atitudes, perdemos tempo precioso para alcançar essa... meta. Enfim, tenho interesse em recuperar o tempo perdido e esta será a solução: Estaremos juntos por todo o dia. — atestou o moreno, como se falasse de um assunto corriqueiro — Você está livre para ir a qualquer lugar da casa. E eu irei atrás. Não se preocupe, você nem irá notar minha presença, sei me fazer discreto. — mentiu. Iria fazer justamente o contrário. Sua presença seria pesada e espaçosa.

Shaka riu de leve, um risinho tão irritante quanto o do moreno. – Sério? Será minha sombra agora? – Riu novamente. – Sugiro que coloque uma sunga, senhor Ikki, a água está uma delícia! – Provocou e mergulhou novamente. Não tinha nenhuma intenção que o moreno lhe fizesse companhia naquela piscina, mas também não quis demonstrar o mal-estar que aquelas palavras lhe causaram. Ficaria muito mais difícil descobrir uma forma de sair dali com Ikki grudado em si o tempo todo. O cenário não poderia ficar pior, mas precisava manter a calma, mostrar-se seguro, ou talvez... Talvez não. Poderia simplesmente jogar o jogo dele quando lhe fosse conveniente, enquanto lhe fosse conveniente. Até conseguir um aliado ali, quem sabe? Precisava conhecer todas as pessoas daquela casa.

Em um primeiro momento, Ikki quase respondeu de imediato, como era de seu costume. Diria que não pensava em entrar na água, que poderia perfeitamente acompanhá-lo dali, de fora da piscina. Contudo, não demorou a notar que a frase proferida por Shaka não era, de fato, um convite. Era uma provocação. De algum modo, Ikki havia conseguido atingir o loiro. O moreno já tinha entendido um pouco do "modus operandi" de Shaka. O advogado, quando acuado, dizia sempre algo que atestasse o contrário do que estava pensando. Era quase como se ele propusesse um desafio, que, no fundo, não queria que fosse levado a cabo. Era um blefe. E, no início, Ikki tinha caído nesses blefes, mas começava a compreender como se deveria jogar com o seu prisioneiro.

Então, se Shaka o convidava a entrar na piscina, como se não se importasse minimamente com sua presença ou com seu decreto de segui-lo para todo lado... a verdade era que ele se importava e que não o queria, definitivamente, consigo dentro da água.

Por tudo isso, Ikki levantou-se da espreguiçadeira calmamente. Olhou para os lados, como se apreciasse a paisagem com tranquilidade. Começou a retirar o blazer que vestia, sem dar grande importância para o ato. Fazia-o como se estivesse em seu quarto, gozando da privacidade de poder se ver livre de suas vestes depois de um dia de longos trabalhos. Não tirou a roupa no intuito de seduzir, como se fizesse um striptease. Agiu como se buscasse demonstrar uma irritante e imponente naturalidade. Assim, logo se viu apenas com sua cueca boxer preta. Alongou os braços, ainda com os olhos na paisagem do bonito jardim, como se ignorasse inteiramente a presença de Shaka ali. Finalmente, depois de retirar vagarosamente suas roupas e espreguiçar-se sem pressa, Ikki mergulhou em um pulo olímpico dentro da grande piscina.

Shaka já havia mergulhado e emergido quando percebeu o que o moreno fazia e, embora aquilo o deixasse tenso, resolveu não demonstrar. Continuou nadando, mergulhando muitas vezes por longo tempo para depois voltar à superfície e, numa dessas voltas, acabou por interceptar o moreno bem no momento em que ele parecia se alongar para o mergulho. Riu, incrédulo daquilo, deixando transparecer certo nervosismo em seu rosto, talvez, por mais que não quisesse, e parou o que fazia, apoiando-se na borda da piscina e respirando fundo, perdendo momentaneamente o prazer que estava sentindo com aquela liberdade. A verdade era que a presença de Ikki o incomodava porque o moreno sempre estava disposto a acuá-lo, a demonstrar quem era que mandava ali, a fazer-se presente, indispensável, já que ninguém mais podia falar com Shaka. Ele sabia que o plano era mesmo esse, mexer com sua estrutura psicológica, e que precisava ter cuidado, mas, algumas vezes, seu gênio demandante falava mais alto que sua razão e controle emocional.

Passou as mãos nos cabelos, afastando alguns fios molhados do rosto, jogando-o por cima de um dos ombros para torcê-los e ergueu-se, apoiando-se nos braços, sentando-se na borda da piscina com os pés dentro da água. Agora era ele quem ficaria na função de observar o outro nadar. Sorriu com ironia, com o canto dos lábios, o olhar oscilando entre o moreno e as tatuagens nos próprios pés. Ikki nadava bem, tinha toda uma graça felina nas braçadas e Shaka chegou à conclusão de que ele tivera aulas daquilo, assim como o próprio Shaka tivera na infância; havia alguma coisa na posição de braços e pés que demonstrava quem tinha nadado de forma mais “profissional”, em contraponto àqueles que nadavam apenas na piscina de casa.

— Onde teve aulas de natação? — indagou depois de um tempo, como quem não queria nada, continuando a analisar o outro com a mesma falta de pudor que ele geralmente fazia consigo.

— Eu não tive aulas de natação. Quero dizer... — Ikki começou a responder, enquanto agitava os cabelos negros com uma mão, dando à sua aparência um ar mais jovial, com os fios molhados desalinhados — Eu não tive aulas... Não da maneira convencional. — respondeu de forma mais enigmática. Como praticamente tudo em sua vida, toda forma de aprendizado que vivenciara não tinha ocorrido da maneira convencional. E não era do tipo que se lamentava. Não fazia esses julgamentos, buscava não pensar demais nisso. Teria sido melhor, teria sido uma pessoa diferente se sua vida houvesse sido um pouco mais... convencional? Não saberia dizer. E era melhor não ficar pensando sobre algo cuja resposta nunca encontraria de fato.

Lançou então um olhar mais demorado para o loiro, que o observava com alguma curiosidade. Sorriu um pouco e disse, em tom explicitamente provocativo: — Tem tanto medo assim de mim, a ponto de precisar sair da piscina no momento em que entro nela? — riu mais, em uma expressão desafiadora — A questão é que não sei se tem medo de mim... Ou do fato de que esta é a primeira vez em que podemos medir forças em algo. É a primeira vez em que você e eu executaríamos uma mesma atividade e, pelo que sei, você tem essa mania de ser o melhor em tudo. Deve mexer bastante com seu ego ver-se em uma situação em que a pessoa que você mais detesta no momento seja tão melhor que você em alguma coisa, não é? — sem esperar resposta, mergulhou na água e só voltou a aparecer quando estava na outra extremidade da piscina. Lá de longe, bradou — Se eu estiver enganado, você pode me provar! Que tal uma corrida? — e deu uma piscadela algo charmosa e cheia de provocação.

Shaka riu de leve, um riso que morreu no meio da boca, enquanto ele encarava o outro de forma analítica, estreitando os olhos em um desafio irônico.

— Eu não tenho medo de você. Acho que é inteligente o suficiente para perceber isso. Aliás, acho que deve perceber que eu não tenho medo de nada. Medo não é algo que faça parte de mim. E você sabe. — disse as últimas palavras com convicção, os olhos ainda avaliando o outro inteiro, de cima a baixo, sem nenhum pudor. Chegou ao ponto de perguntar-se o que tanto olhava e sentir-se desconfortável consigo mesmo por isso, então resolveu afastar os olhos do moreno e voltar para dentro da piscina, nadando com tranquilidade até o outro, emergindo de frente a ele, mais próximo do que queria na verdade.

Seus olhos se encontraram e Shaka sorriu — você sabe muito bem que não me intimida — disse. — Mas, se está entediado, podemos sim apostar uma corrida, deixe-me ver... três voltas. Melhor de três?

“Shaka, não força”, pensou. Ele perderia aquela corrida, sabia. Estava fisicamente debilitado e a piscina era enorme, mas desde sempre adorou desafios. Talvez não para provar que fosse melhor, mas para desafiar seus próprios limites, testar-se. Era isso, adorava testar-se. A derrota poderia ser mesmo até uma forma de provar a si mesmo que era humano.

— Perfeito. — disse Ikki, como sua única resposta. Estavam já bastante próximos, e o movimento da água jogou seu corpo levemente para frente, de modo que sentiu sua pele roçar na do loiro. Foi um movimento breve, quase imperceptível, embora aquele mero toque tenha lhe causado um arrepio que percorreu todo o seu corpo. E, embora tenha se afastado em uma reação rápida, uma parte sua acreditou que tivesse se demorado um pouco demais antes de finalmente se distanciar fisicamente do loiro. Normalmente, isso não seria um problema. Normalmente, estaria preparado para isso. Normalmente, até mesmo estaria buscando por situações desse tipo — fazia parte do jogo. Porém, Ikki não se sentiu à vontade com esse contato imprevisto. Pelo visto, ainda não estava preparado para aquilo.

Shaka sentiu aquele contato breve de uma forma tão intensa que parecia que tinha sido picado por um escorpião. Lutou para não recuar como um bicho assustado, coisa que o próprio Ikki fez, ele percebeu, mas foi impossível não demonstrar no rosto sua inquietação. Foi tão breve, ainda assim seus olhos se abriram mais e piscaram, sua pele sofreu um leve arrepio. Por sorte estava na água e isso poderia ser compreendido como efeito do frio. Afastou-se e se posicionou como Ikki fazia, meio perturbado.

— Três voltas então. Melhor de três. — Ikki apenas repetiu as palavras do advogado. Racionalmente, sabia que não deveria ter aceitado. Tinha desafiado o outro, mas era para ser mero jogo de provocações. Não deveria levar àquilo às últimas consequências. Ora, Shaka mal tinha se recuperado, seu corpo estava ainda debilitado... O que queria provar com isso? Aonde queria chegar? Agia por impulso e, muito embora essa fosse sua natureza, os anos tinham conseguido fazer com que se tornasse mais frio, sensato. Estava agora pondo a perder tudo o que tinha sido nos últimos tempos? Por que Shaka fazia isso consigo?

Essas perguntas atravessaram sua mente todas de uma só vez, de modo que nem prestou muita atenção nelas. Ignorando seu instinto que dizia que aquilo não era boa ideia, posicionou-se: — Ao meu sinal. Pronto? Já! — e disparou a nadar.

Shaka apoiou-se na borda da piscina e ao sinal do moreno disparou dentro da água. Nas primeiras braçadas, eles estavam emparelhados, e estavam também quando deram a primeira volta. Contudo, faltando alguns metros para terminarem a segunda volta, como já era de se esperar, Shaka foi perdendo velocidade, ficando para trás. Estava sem fôlego e fez a volta no mínimo um metro atrás do moreno. Sabia; perderia aquela corrida, mas iria até o final.

A piscina era enorme, a maior que já tinha visto e agora, cansado como estava, ao exigir muito mais do seu corpo do que ele tinha condições, suas braçadas se tornaram lentas. Ainda estava na metade da piscina quando viu Ikki chegar ao outro lado e virar-se para olhá-lo com uma expressão vitoriosa. A expressão debochada do moreno, no entanto, era o menor dos seus problemas; começou a sentir câimbras, começaram no pé, mas subiram por sua panturrilha direita e, quando atingiu o pé esquerdo também, ele afundou.

Shaka batia os braços desesperado para tentar emergir, mas parecia que a piscina o sugava para o fundo, mas ela era tão funda que ele desceu muito até seu pé raspar as pedras azuis no fundo. Continuou lutando, precisava respirar, mas quando tentava, só sentia a água invadindo sua boca e narinas. Morreria, morreria daquela maneira estúpida. Mas ele não se entregava, continuava lutando para emergir, sentindo agora as pernas dormentes e o peito ardendo. Estava desesperado por ar e o ar não aparecia, então... Tudo escureceu.

Título: A vitória ama a cautela.

Notas finais
É o Shaka não cansa de vacilar, só que agora o Ikki ajudou também, né? Vamos ver como o loiro sai dessa! Beijos, queridos, muito obrigada sempre pelo carinho! Sion