Notas iniciais
Olá, leitores, Mais uma fanfiction em parceria agora com a Lua Prateada. Esperamos que gostem e se for possível, nos presenteiem com seus comentários, críticas, elogios e afins. Fanfiction yaoi. Casal: Ikki x Shaka Fanfiction feita através de um jogo de RPG em que a Lua interpretava o Ikki e Sion o Shaka. Caso goste, adoraremos ter você aqui conosco. Agradecemos desde já toda manifestação de carinho. Beijos e boa leitura Sion e Lua

Alea jacta est

Capítulo I

Acordou sentindo a garganta seca e tossiu um pouco. O pescoço doeu e isso o fez perceber rapidamente que estava numa cama macia demais. Não era sua cama. Ainda assim, permaneceu imóvel por um tempo. Os olhos de lince tentavam descobrir onde estava, mas não reconhecia aquele quarto. A mente ainda confusa procurava se recordar dos últimos acontecimentos registrados por sua consciência.

Estava saindo do cinema com o namorado quando alguém o abordou. Mas foi tudo tão rápido, tão estranho... Havia sido empurrado para dentro de um carro e um lenço foi posto em seu nariz. Sequestro?

Observou ao redor. Era um quarto amplo e bonito em que a luz do sol entrava pela porta de vidro da imensa sacada. Sua cabeça doía um pouco e ele se ergueu lentamente da cama, com cuidado e atenção. Aproximou-se da porta de vidro e olhou para o lado de fora, tendo uma visão do belo exterior do local, mas percebendo também que estava provavelmente no terceiro ou quarto andar e não poderia sair por ali.

“Onde estou?” Indagou-se e caminhou para o centro do quarto, observando a enorme porta dupla de madeira trabalhada. Com certeza ela daria para o resto daquele lugar que parecia uma mansão muito bem cuidada. Sondou com os olhos novamente, observando a porta de frente à cama. Deveria ser o banheiro ali, mas seu interesse não era esse naquele momento, precisava saber onde estava e o que estava acontecendo naquele lugar.

Shaka observou que estava com a mesma roupa da noite anterior, uma calça jeans, camiseta e jaqueta, mas que estava sem os sapatos. Caminhando devagar, ele parou de frente a grande porta dupla e lentamente puxou a maçaneta, ouvindo-a gemer, se abrindo. Quando a porta se abriu, um homem de meia idade, altura mediana, cabelos grisalhos assim como o bigode finamente trabalhado apareceu prontamente, quase como se estivesse ali, a postos, apenas esperando que a porta se abrisse, como se aquele fosse o sinal para que ele fizesse o que lhe fora ordenado.

– Boa tarde, senhor. Dormiu bem? – o homem, que parecia uma espécie de mordomo, curvou-se diante do loiro.

Shaka estancou o passo. Observou o homem com olhos frios, tentando esconder a confusão em que estava. Pensou que talvez aquilo fosse uma brincadeira do namorado, algum presente. Aquilo era a cara daquele anormal, fazer esses tipos de brincadeiras, então tentou se manter calmo e sondar o ambiente. Pela pergunta que aquele homem lhe fazia, com certeza aquilo não era um sequestro e sim uma brincadeira de mau gosto.

– Onde eu estou? – indagou sério, olhando o local com curiosidade, percebendo o refinamento do ambiente e a postura distinta do mordomo.

– No seu novo lar, senhor Phalke. – o homem voltou à postura normal e mantinha um semblante que não deixava transparecer qualquer tipo de sentimento. Ao mesmo tempo em que ele parecia afável, com palavras cordiais, ele era distante – Esperamos que esteja tudo a seu gosto. Este é seu quarto; não sei se já o analisou devidamente... – o mordomo lançou um olhar analítico de cima a baixo na figura do loiro – Aparentemente, não. Bem, no seu quarto, há um enorme closet com as roupas que o senhor deverá usar. Nosso senhor não irá gostar, certamente, de vê-lo em trajes tão... – o mordomo pareceu hesitar, procurando pela palavra certa – simplórios. – Finalizou e ofereceu um sorrisinho indecifrável – Seria melhor que se vestisse agora... A não ser que esteja com fome. Nesse caso, tenho ordens para, apenas dessa vez, permitir que circule pela mansão como está, para que possa vir comigo. Há uma boa refeição à sua espera, senhor Phalke. – novamente, o homem curvou-se.

Shaka riu de leve e mirou as próprias roupas despojadas e um tanto amarrotadas pela noite de sono.

– Você poderia dizer ao seu senhor que ontem fomos ao cinema e que eu não poderia ir de smoking a um lugar desses. – Respondeu, mas no fundo estava um tanto apreensivo. O namorado o conhecia bem e sabia que ele poderia ter uma péssima reação a uma brincadeira como aquela e realmente começava a se irritar com aquilo, embora o ambiente sofisticado o agradasse a ponto de ele não terminar com a brincadeira naquele momento.

“Meu novo lar!” Revirou os olhos e deu as costas para o homem voltando em direção ao quarto.

– Diga ao “seu senhor” – falou com ironia – que vou tomar um banho antes de qualquer coisa e só depois vou até ele. Diga-lhe também que estou furioso com a brincadeirinha de mau gosto.

Dizendo isso, voltou ao quarto e abriu a porta indicada pelo mordomo. Era realmente um closet digno – no menor dos eufemismos que achou –, mas não ficou muito tempo o examinando, entrou no banheiro que era exageradamente luxuoso. Quando o namorado lhe dissera que os pais possuíam uma casa de campo, há algumas semanas, não imaginava que fosse uma “casinha” como aquela e nem muito menos que ele fosse fazer aquilo, literalmente o sequestrar para passar o final de semana, já que havia insistido tanto e ele não concordara, dizendo ter várias coisas para fazer. Precisava mostrar serviço, pois logo chegaria o momento da escolha de mais um promotor público, e Shaka queria se candidatar.

Tomou seu banho tranquilamente e depois que saiu do chuveiro abriu as portas dos armários à procura de algo para vestir. Incrivelmente todas as roupas eram do seu gosto e... seu tamanho.

“Ele nunca prestou atenção a essas coisas...” Estranhou. Estranhou também os armários estarem apinhados de roupas, sapatos e toda espécie de acessórios que por ventura fosse precisar. De repente, as palavras do tal mordomo começavam a deixá-lo apreensivo.

Ainda assim, vestiu-se com calma, numa calça social bege e uma camisa azul clara, usou sapatos sociais marrons e prendeu os cabelos num rabo de cavalo baixo como de costume. Verificou que seu perfume, a marca que sempre usava, estava ali também e usou um pouco da fragrância discreta e elegante. Quando estava saindo do quarto, percebeu que seu relógio havia sumido, passou a mão no pulso e sorriu mais aliviado. Aquilo era a cara do namorado. Ele sempre reclamava da obsessão do loiro por horários. Parecia que daquela vez, ele estava disposto a deixá-lo completamente no escuro. Saiu do quarto, procurando o mordomo novamente.

– Espero estar mais apresentável ao seu senhor, onde ele está? Podemos parar com a brincadeira agora? – disse com um meio sorriso.

– O meu senhor não irá vê-lo agora. Ele deverá chegar em breve. Apenas nos deu ordens para que o deixássemos pronto para quando ele regressasse. – o mordomo mantinha uma expressão inabalável – De todo modo, senhor Phalke, agora está sim de acordo com o devido. – Respondeu o mordomo, enquanto fazia um gesto para que Shaka o seguisse – No entanto, devo alertá-lo. Não use a palavra "brincadeira" quando estiver na presença do nosso senhor. Ele não gosta. Ele leva tudo isso muito a sério. –O mordomo falava calma e pausadamente, como quem fala sobre o tempo. Caminhavam por um longo corredor, que tinha, de um lado, uma parede que seguia por muitos metros, bastante ornamentada por quadros. Os quadros eram de arte abstrata, paisagens... Nada de retratos humanos. Do outro lado do corredor, havia um corrimão de madeira que se desenrolava em uma longa escadaria em espiral, que cortava os quatro andares da mansão. De onde estavam, no corredor, era possível ver criados arrumando o ambiente na sala do térreo, que ficavam muito abaixo de onde se encontravam.

Shaka riu com sua insolência característica.

– O ‘seu senhor’ sabe que ainda vai nascer quem me diga o que devo ou não falar, senhor... Como é seu nome? Ah, não me interessa, o que importa é que tenho coisas a fazer do meu dia e Kanon sabe disso. Onde encontro o telefone? Preciso ao menos desmarcar meus compromissos – olhou o homem de lado. – Eu sei que é sábado, mas eu trabalho ainda assim! – continuou a andar ao lado do homem que parecia mais frio e controlado que ele próprio. Enquanto andava observava os quadros, a decoração e o movimento dos empregados. Não havia ninguém conhecido ali. – Como assim, eu não o verei agora? Então ele arma esse circo e desaparece? – Shaka começava a ficar irritado. Kanon sabia que ele odiava situações em que não estava absolutamente no controle.

– Kanon? – o homem perguntou, em tom distante. Então parou e fez uma expressão de que se recordava – Ah, o namorado. Ah, sim. – Ele abriu um sorriso gentil para Shaka – Não, senhor Phalke. Não está aqui por causa do seu namorado. Na verdade, ele sequer sabe que está aqui. – O mordomo começou a guiar Shaka para descer o longo lance de escadas – Nosso senhor cuidou para que tudo fosse feito da melhor forma. Ninguém sabe que está aqui e continuará assim. Então, é melhor que relaxe; não haverá nada que possa fazer enquanto estiver por aqui. Portanto, busque desfrutar do seu novo lar enquanto isso. Posso garantir que, se cooperar, não será de todo ruim – o mordomo notou a agitação do loiro, que parecia buscar com o olhar por algum telefone ou relógio e usou um tom mais incisivo e de alerta – Não encontrará telefones ou relógios por aqui. Qualquer comunicação com o mundo externo lhe foi cortada. Não reclame disso para o nosso senhor. Escute meu conselho, rapaz, ele não gosta disso. – ao terminar essa frase, chegavam ao término das escadas. Os criados que circulavam pela enorme sala pararam a fim de observar os dois. O mordomo então bateu palmas e falou, vigoroso: – Andem, vão cuidar dos seus afazeres! Ninguém aqui é pago para ficar observando! – dizendo isso, afugentou os empregados que rapidamente se puseram a caminhar e, como num passe de mágica, sumiram do local. – Não converse com ninguém, senhor Phalke. Tem permissão de falar apenas comigo, por enquanto. São as regras. – dito isso, o mordomo abriu uma enorme porta, que dava para a sala de jantar.

Shaka parou e deixou escapar um risinho nervoso.

– Se Kanon mandou você fazer isso não... Não vai conseguir me assustar – riu novamente. – Isso só pode ser uma piada e está ficando de muito mau gosto. Eu quero um telefone agora? Onde está meu celular e meu relógio? –Shaka inquietou-se, mas respirou fundo e, mordendo os lábios, se calou. Talvez fosse apenas mais um dos jogos sádicos dos gêmeos. Quando ele se encontrava com Saga, irmão do seu namorado, sempre ouvia dos dois que um dia eles aprontariam algo que o faria perder a calma. Devia ser isso, apenas isso.

– Saga? Foi Saga quem fez isso não foi? Eu sei que aqui é a casa de campo dos Váskalias, onde é que eles estão? Essa piada não tem mais graça! Eu quero vê-los agora – falou ríspido e depois anuiu com a voz mais suave, mas “cortantemente” irônica:– Por favor!

O mordomo iria responder algo, mas, nesse instante, outro empregado adentrou o recinto e sussurrou algo nos ouvidos do homem grisalho. O mordomo fez uma expressão de surpresa, diante de algo que parecia fora do esperado. Como ele aparentava seguir sempre um roteiro, por um segundo, o homem pareceu desnorteado. Disse umas duas palavras em voz baixa para o empregado, que saiu logo, e voltou-se para Shaka – Muito bem, não tivemos tanto tempo como deveríamos. Senhor Phalke, meu rapaz... O nosso senhor chegou. A reunião de que ele participava terminou muito antes do esperado e, quando isso ocorre, ou algo deu muito certo ou muito errado. Dependendo do que foi, o humor dele poderá ser excelente ou o pior possível. Por favor; não houve tempo de lhe passar todas as instruções, então apenas siga de acordo com isso: Não o contrarie agora. Apenas aceite o que quer que seja. E sente-se; vá se alimentar. É provável que ele venha comer também. Mas não lhe dirija a palavra agora. – o mordomo, levemente agitado, finalizou isso e dirigiu-se para a porta. Antes de sair, porém, lançou um último olhar para Shaka – Lembre-se: Não o contrarie. Pelo seu próprio bem. – ele disse com firmeza e seriedade, para depois sair e fechar a porta, deixando Shaka sozinho em uma enorme sala de jantar, na qual havia uma longa mesa posta para apenas uma pessoa.

Até então estava com fome, porque não comia nada desde a noite anterior e pela posição do sol já deveria ser tarde. Mas as palavras do homem fizeram qualquer vontade de se alimentar fugir dele. Olhou ao redor ainda mais confuso e desolado, um pressentimento estranho se insinuando em seu coração. Pensou nos casos em que estava trabalhando. Era um criminalista, será que alguém poderia ter se incomodado com seu trabalho a ponto de sequestrá-lo?

“Não, isso não tem nenhuma lógica, Shaka Phalke? Quem sequestraria alguém para trancá-lo numa mansão maravilhosa como essa?” Tentou direcionar os pensamentos e controlar as emoções.Sentia os minutos passarem e apenas esperava, pacientemente. Às vezes batia o pé, às vezes andava de um lado a outro, mas não se sentou em nenhum momento, queria encontrar logo os gêmeos e saber o motivo daquele circo. Embora algo dentro de si lhe dissesse que estava enganado, que Kanon não tinha nada a ver com isso, outra dizia que era impossível ser sequestrado e tratado daquela forma. Se houvesse alguém infeliz com seu trabalho, ele já estaria numa cova rasa e não numa mansão.

“Vamos, entra logo, quem quer que seja...” Resmungou, mas não tencionou abrir a porta e sair. Talvez fosse isso que “alguém” quisesse. Esperaria calmo e absoluto como sempre.

Título: Os dados foram lançados.

Notas finais
OBRIGADA! Lua e Sion