Neko Café - Interativa
11 Planejando
Notas iniciais
POV Tohka
Eu engoli em seco assim que vi a cara de ódio e decepsão da Mey olhando para mim. Eu tinha realmente pisado na bola.
A algum tempo eu e Lee começamos a nos falar mais que o normal, nos tornamos amigos. Eu prometi ensinar a ele um pouco de biologia se ele me ensinasse a cozinhar e nós estamos nos encontrando desde então. Eu nunca contei para Mey, tinha medo que ela ficasse chateada por ela não conseguir falar com ele quando sua melhor amiga se encontra com ele toda noite de quarta para estudar biologia.
Eu precisava da aula de culinária, com as coisas na prefeitura ficando apertadas para as próximas eleições, meu pai teve que trabalhar mais que o necessário, me fazendo ficar sozinha em casa quase todas as noites. Quando eu descobri que Lee sabia cozinhar como ninguém e que precisava muito de pontos em biologia fiz a proposta. Sabia que Mey iria ficar chateada, mas eu realmente precisava comer alguma coisa que não fosse Miojo.
Meu plano era não deixar Lee falar com ela sobre as visitas ou deixar ela ir na minha casa durante elas, assim ela nunca iria descobrir nada, e não seria difícil, já que eles nunca se falam direito, mas com o tempo Lee começou a falar comigo na escola, na rua, no mercado, falava comigo sempre que me encontrava e com a Mey perto, começou a ficar difícil esconder a amizade. Não podia deixar Mey perceber, e eu estava conseguindo, bem, estava.
POV Reiko
O café iria fechar em quinze minutos e Mushi tinha acabado de atender o último cliente. Chamei todas na cozinha para conversar sobre o café e como todo mundo poderia ficar feliz de algum jeito.
Quando eu entrei na cozinha, Tohka e Lysander estavam perto um do outro com um saco de glacê nas mãos e um bolo gigante atrás deles. Mey também estava lá, ela olhou para mim forçando muito visivelmente um sorriso e se virou para o armário de guardar coisas.
– Que bom que vocês estão aqui, queria falar uma coisa — falei, sentando encima do balcão de mármore. — As outras meninas já estão chegando.
– Hm, Rei-san — começou Tohka -, eu preciso ter um turno certo, de tarde é melhor, é que eu tenho várias coisas pra fazer.
Mey tossiu sem vontade e olhou para Tohka com raiva.
– Cheguei! — exclamou Junko dando um empurrão na porta, feliz, eu acho. — Diga, Rei.
Mushi vinha logo atrás, junto com Maya.
– Ótimo! Vamos falar sobre os turnos e horários de cada um, vamos tratar das tarefas, do salário e da publicidade, além de coisas aleatórias que vão surgir no meio de tudo, com certeza — falei. Junko se sentou do meu lado, Maya se encostou no móvel à minha frente e Mushi ficou encostada na porta, que ela tinha acabado de fechar. Mey se encostou no móvel de frente para Tohka e Lee, que tinham se distânciado um pouco, talvez tentando passarem despercebidos pelo resto das pessoas que entraram.
– Reiko-chan... — disse Mushi baixinho.
– Oi — continuei.
– Bem, eu tenho uma amiga... Uma pessoa... Ela quer uma vaga no café, sabe, se ainda tiver alguma... Eu não acredito que estou pedindo isso... — ela sorriu sem graça, um sorriso fofo.
– Bem, traga ela aqui amanhã quando você vier e nós vamos ver — falei sorrindo.
– Se tem problemas com vagas pode deixar ela com a minha — disse Maya. Ela olhou para mim com cara de quem esperava que eu entendesse. Eu estava meio decepsionada, mas no fundo eu sabia que ela não iria aguentar... Falar com as pessoas a deixa agitada e ela não precisa disso. Vi como ela foi hoje, quase um desastre, mesmo querendo muito que ela ficasse, eu não podia a obrigar a isso. Eu sorri.
– Se você quer assim, traga ela amanhã para um teste — falei à Mushi. Ela pareceu aliviada por eu não estar dando uma voadora nela nesse momento.
Junko coçou o olho, irritada.
– E quanto à garota de hoje?
– Ela também, falei com ela para vir aqui amanhã de manhã, fazer um teste também, qualquer coisa.
Junko não pareceu satisfeita, mas concordou. Eu queria muito perguntar à ela o que ela sabia sobre aquela garota. Eu me ajeitei no balcão prevendo uma longa noite de discussões e contas chatas na minha mente.
– Legal, vamos continuar... — suspirei. O inícil de uma interminável conversa.
[...]
No final, ficou decidido que as meninas Mey e Mushi iriam chegar de manhã (8hras) e sairiam às 2hras. A menina nova iria chegar de manhã para o teste e iria trabalhar de manhã também, talvez. Tohka e a amiga da Mushi iriam vir à tarde (2:hrs) e sairiam na hora de fechar. Tohka disse que ela teria alguns compromissos na semana, então ela poderia sair se precisasse, mas estaria sempre ajudando. Eu e Junko estariamos o tempo todo no café, podendo tirar um ou dois dias de folga no mês. Lee faria o trabalho todos os dias, em todos os turnos, ele reclamou, mas no final aceitou (mentira, mas eu convenço ele).
Mey ficaria no balcão podendo passar pelas mesas, assim como Mushi, mas a Mushi atenderia os clientes, Mey serviria. Junko e eu cuidaríamos do caixa e ajudaríamos a atender e servir as pessoas. Isso na parte da manhã.
De tarde seria a mesma coisa, Tohka atende os clientes e a amiga da Mushi, Kitt, serviria. Eu e Junko ajudaríamos. Os cargos poderiam mudar, oa horários também, com certeza depois da segunda semana ninguém mais lembraria de nada, mas pra começar é assim, só pra não ser tudo de qualquer jeito.
Também ficou decidido que familiares teriam desconto e que o gato da Tohka não poderia entrar no café, assim como todos os animais que não estivessem devidamente encoleirados, para evitar desastres. Por supertição da minha avó, pessoas sem camisa não podem comer, por isso vão ter camisas reservas escrito "não esqueça sua camisa", que eu já povidenciei.
Mey saiu apressada no meio da conversa assim que foi decido o turno dela e foi embora, sem nem ouvir sobre animais e familiares. Tohka tentou ir atrás, mas não tínhamos decidido nada dela ainda. Tentei ir embora com a Junko, mas ela foi para casa com a Mushi e eu decidi fazer companhia à Mey, que com certeza encheria meu saco dizendo que não serve para nada a noite toda. Lee foi para minha casa e ficou lá até tarde, indo para casa depois. Grande noite, nenhum sono, e no outro dia, eu teria que estar acordada bem cedo.
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