Notas iniciais
Capitulo do romance Mey/Lee/Tohka pra fechar a noite do segundo dia de trabalho, okay? Posto o próximo amanhã >u<

POV Mey

Reiko-san disse o que eu devia fazer e eu já estava saindo daquele café. Ver a Tohka com Lee foi uma das piores coisas que me aconteceram. Eu realmente não esperava coisa pior! A Tohka é minha melhor amiga, ela devia seguir meu exemplo e só olhar de longe, sem conversa, sem piadas, sem papo, sem toques, sem nada do que estava fazendo. Qual é a dificuldade de ficar longe dele?

Eu coloquei meu casaco e nem sequer tirei o uniforme de neko antes de sair, só coloquei meu sobretudo, peguei minha bolsa e saí pela porta. Estava um frio congelante e o vento batia no meu rosto e parecia cortá-lo. Eu podia jurar que minha lágrima estava congelando, mas se fosse assim eu não a veria cair.

Fui para minha casa e, sem falar com ninguém, me tranquei no quarto. Minha mãe bateu na porta para perguntar o que tinha acontecido e eu não respondi, só disse que não estava me sentindo bem. Ninguém veio me perturbar mais e depois de uns minutinhos chorando levemente, eu dormi.

[...]

– Mey! — alguém gritou do lado de fora. Eu acordei num pulo ao reconhecer a voz da pessoa: Tohka. Ela batia na porta e parecia estar prestes a arrancá-la. — Mey, por favor, abre!

– Querida, a Tohka veio te ver, por que trancou a porta, amor? — disse minha mãe.

– Eu estou... — comecei, pensando em uma ótima desculpa para estar demorando. — Trocando de roupa!

– Anda logo, Mey! — gritou Tohka, ainda batendo na porta. Eu não queria abri-la, deixar a Tohka entrar seria a pior coisa que eu poderia fazer, mas minha mãe iria me obrigar a abrir.

Olhei-me na penteadeira, estava com os olhos fundos de ter dormido chorando, minha mãe iria perceber. Eu nem sequer tirei meu uniforme! Coloquei meu pijama, arrumei meu cabelo e fui abrir a porta.

– Graças a Deus! Achei que não iria abrir! — disse Tohka, como se fosse óbvio que eu abriria a porta depois do que ela fez.

Minha mãe me olhou preocupada, ela sabia que eu andei chorando (e dormindo), mas não disse nada. Eu olhei para ela de cara emburrada e ela entendeu bem que devia nos deixar à sós. Quando minha mãe saiu Tohka passou por mim e entrou no quarto.

– Você não precisa se acomodar, já vai sair — falei, ao ver que Tohka colocava sua mochila na minha cama.

– Me escuta, okay? — ela pediu. Eu fechei a porta atrás de mim, devia estar com uma cara de ignorante, mas era essa a cara que eu devia estar, talvez estar com essa cara e jogando a Tohka pela janela, aquele era o meu melhor.

– Qual é o seu problema?!

– Me escuta!

– Você só tinha que ficar longe dele! Difícil?!

– Mey, não é isso!

– Não é o que? — estava tentando conter a vontade imensa de chorar. — Não é você e o Lee? Não é você e todas as suas notas boas, você e todos os seus amigos, você e tudo?!

– Mey... Eu não...

– Você só tinha que ficar longe, Tohka! — cortei-a com um grito. — É muito difícil? É muito difícil ficar longe de garotos? Você nunca, nunca precisou deles! Por que logo o Lee?

– Se você me deixar te contar, eu falo! — pediu Tohka.

Eu devia estar vermelha de raiva, gritando como um favelada com quatro filhos pra cuidar e um marido nojento. Tohka sabia muito bem que eu não era de chorar, nunca fui de ficar vermelha ou gritar com alguém, mas eu estava prestes a dar uma voadora nela.

– Não tem o que falar! — gritei. As lágrimas começaram a sair e eu fiz um esforço para não perder a voz naquela situação, não podia mostrar fraqueza agora que eu estava ganhando a discussão. Não consegui aumentar o tom de voz de novo. — Quer ir embora? Por favor!

– Deixa eu falar — ela pediu mais baixo, vendo meu estado.

– Não precisa falar mais nada.

Ela veio na minha direção. Segurei o ar para não correr o risco de perder a força nos joelhos. Eu não conseguia ver nada com as lágrimas nos meus olhos e eu piscava sem parar. Tohka colocou a mão no meu rosto e eu não consegui conter um tapa no pulso dela e um empurrão, era só para ter afastado ela, não sei o que eu tinha na cabeça. Sabia que ela era frágil e não devia ter batido nela daquele jeito. Foi tão de repente que segundos depois eu me arrependi de ter feito aquilo, mas Tohka tinha ido embora, chorando também.