Need You Now
13 Capítulo 13
Ludmila tagarelava sobre qualquer assunto que Elisabeta mal conseguia prestar atenção. Sua amiga estava focada no trabalho, e ainda assim inseria comentários sobre Januário em um intervalo regular de tempo. Em qualquer outro momento de sua vida, Elisabeta participaria da conversa, daria conselhos, reclamaria sobre o trabalho. Mas naquele momento de sua vida, ela não queria nada disso.
Estava ali por um único motivo, e era para contar à Ludmila sobre Darcy. Mas conhecia sua amiga bem demais para saber que não deveria introduzir o assunto abruptamente, a menos que quisesse ouvir sobre ele pelo resto de sua vida. Ludmila jamais deixaria passar o fato de Elisa estar omitindo informações tão picantes por semanas. E tivera trabalho o suficiente para esconder todas as aproximações de Darcy.
Por isso não podia simplesmente dizer “Lud, você lembra-se todas as vezes em que disse que não havia nada entre eu e Darcy? Bem, era mentira, e há dois dias transamos como dois irresponsáveis em cima do meu carro.” Não poderia dizer algo assim – ou poderia, mas não deveria. Então esperava que Ludmila simplesmente fizesse comentários sobre Darcy, como fizera todos os dias em que se encontraram, desde que Darcy se tornara seu motorista.
Mas naquele dia Ludmila não parecia dispostas. Estava brigada com Januário, lotada de trabalho, e tão focada em seu desconforto que mal notava que Elisabeta não prestava atenção. E em outro dia Elisabeta deixaria passar tudo aquilo, conversaria em um momento oportuno. Mas, assim como optou por não contar à Ludmila sobre as últimas semanas por não querer ouvir suas opiniões, agora precisava de suas opiniões.
Ludmila era o gênio do crime perfeito, a manipuladora preferida dessas situações. E Elisabeta precisava urgentemente saber como criar uma nova situação sem que parecesse uma oferecida. Porque seu corpo agora parecia protestar por tanta abstinência nos últimos anos e pedir por um pouco mais de Darcy, suas mãos, seus movimentos perfeitos.
Sua amiga, porém, poderia estar falando com as paredes, e Elisabeta mal conseguia conter a ansiedade. Se Ludmila pelo menos olhasse para ela, poderia notar que Elisa parecia prestes a explodir com o que tinha para contar. Mas estava distraída assinando documentos.
— E você acredita que ele disse isso? – Ludmila resmungou.
— Eu e Darcy transamos. – Elisabeta cuspiu, contrariando suas próprias regras.
Ludmila ergueu os olhos, incrédula.
— O que? – perguntou, em tom calmo.
— Você ouviu.
— Eu não ouvi direito. – Ludmila levantou-se.
— Eu e Darcy. – Elisabeta suspirou.
— E você me conta assim? – Ludmila praticamente gritou. – Eu estou aqui inundada em trabalho e em problemas, e você sequer para compartilhar comigo uma informação dessas?
— Você não parava de falar. – Elisabeta apontou o óbvio. – E pare de gritar, pelo amor de Deus.
— Eu não estou gritando. – mas ela estava. – Como foi que isso aconteceu?
— Bem, você lembra-se quando nas últimas semanas eu disse que nada havia acontecido? – Elisabeta fez uma careta angelical.
— Você estava mentindo na minha cara? Você é rasteira! – Ludmila sorriu. – Me conte logo.
— Estávamos flertando com a ideia. – Elisabeta deu de ombros. – Um toque aqui, outro ali.
— Detalhes! – Ludmila bradou. – Essa é a primeira vez em anos que você tem uma história para contar.
— Você já sabe sobre o episódio do morcego. – Elisabeta sorriu. – E então tivemos o baile de Briana e Darcy gentilmente me ajudou a tirar o vestido.
— Darcy o que? – Ludmila gritou ainda mais.
— Não foi assim, não totalmente. – Elisabeta gargalhou. – Mas ele efetivamente abriu todos os botões e eu posso ou não ter feito ele me ver em roupas de baixo.
— Como você não me contou nada disso? E o que mais?
— Então ele deu banho em Jamie e Olive em uma camisa branca, e eu talvez tenha ajudado a tirá-la. E então tivemos um momento no galpão e outro no escritório. – Elisabeta suspirou.
— Momento? – Ludmila disse, maliciosa.
— Onde ele beijou meu pescoço e disse tudo o que queria fazer comigo, e me fez admitir o que queria fazer com ele. – Elisabeta manteve o sorriso angelical.
— Mas você não estava iludindo o pobre West alguns dias atrás? – Ludmila sorriu, sabendo a resposta.
— Eu queria provocar Darcy, você sabe disso. – Elisabeta revirou os olhos.
— E pelo visto deu certo.
— Não. Pelo contrário. Darcy afastou-se completamente de mim, e então há dois dias eu fui provocá-lo. – Elisa suspirou.
— Você não pode dizer que não sabia o que estava fazendo. E como foi que tudo aconteceu?
— Em um momento ele estava sendo frio comigo e no outro estava me tocando de um jeito que nenhum homem fez antes. – Elisabeta deu de ombros, um sorriso pequeno em seus lábios.
— E onde foi isso?
— No galpão, em plena luz do dia. – Elisabeta abriu um sorriso maior. – Foi completamente irresponsável.
— E delicioso, imagino. – Ludmila bateu palmas. – E como ele é?
— Darcy é maravilhoso. É feito para o pecado e se quisesse poderia morar dentro de mim. – Elisabeta afundou-se na cadeira.
— É tão grande quanto todo o resto? – a amiga riu.
— É. – Elisabeta escondeu o rosto com as mãos. – Ele é perfeito, fantástico. É por isso que ele age assim. Ele sabe disso.
— Você não pode julgá-lo, Elisa. – Ludmila gargalhou. – E o resto? Ele beija bem?
— Nós não nos beijamos. – Elisabeta olhou para Ludmila, parecendo dar-se conta daquilo naquele minuto.
— O que? – Ludmila riu mais alto. – Você transou com ele no galpão e não o beijou? Você sabe que é o que as prostitutas fazem, não sabe? Cobram mais caro para beijar.
— Eu não sei. Parece muito íntimo, eu acho. – Elisabeta deu de ombros.
— Muito íntimo? – Ludmila perguntou irônica.
— Apenas nunca aconteceu, não é nada demais. – Elisa revirou os olhos.
— Como vocês podem ser tão parecidos? É óbvio que você está usando isso para não criar envolvimento. – Ludmila disse, séria.
— Pare de me analisar. – Elisabeta reclamou. – Eu só preciso de ajuda para chamar a atenção dele, não sei.
— Me desculpe. – Ludmila revirou os olhos também. – Como ele agiu depois de tudo?
— Foi irônico sobre eu encontrar West, invadiu meu quarto e deixou o perfume dele espalhado com um bilhete. Mas ontem eu sequer o vi, e hoje parecia que nada tinha acontecido.
— Ele está provocando você. – Ludmila disse, simplesmente.
— Por que? – Elisa perguntou a si mesma.
— Eu já lhe disse que ser sonsa não lhe cai bem. – Ludmila riu. – Faça um exercício comigo, sim? Você me disse que esse joguinho entre vocês nunca parou, não é mesmo?
— Sim...
— O que quer dizer que enquanto o seu motorista dizia tudo o que queria fazer com você, você optou por sair com o herdeiro americano. – Ludmila disse, como se fosse óbvio. – E não bastando, saiu com West após transar com Darcy.
— Parece horrível quando você coloca assim. – Elisabeta disse, pensativa.
— É por isso que você deveria falar com sua melhor amiga antes de tomar esse tipo de decisão horrível. – Ludmila a acusou. – Eu não sei que tipo de poder você acha que Darcy tem, mas ele é apenas um homem.
Elisabeta a encarou, confusa.
— Darcy gosta de se gabar, Elisa, mas é um homem em uma posição social muito inferior à sua. – Ludmila deu de ombros. – E tudo o que você está fazendo é mandar sinais de que isso é importante pra você.
— Você sabe que não é, nunca foi. Mas Darcy não é o tipo de homem que eu deveria me envolver.
— Seria mesmo horrível você se envolver com um homem que a faz ficar assim, descontrolada. – Ludmila sorriu.
— Lud, Darcy é um jogador, um homem que se envolve com qualquer mulher. Ele flerta até com você na minha frente. – Elisabeta reclamou.
— E você não flerta com West na frente dele? – Ludmila cruzou os braços. – Você tem medo de se envolver com Darcy porque sabe que pode se apaixonar por ele.
— O que nós conversamos sobre você não me analisar?
— E você vai me dizer que é mentira? Eu a conheço desde criança. – Ludmila suspirou. – E honestamente não posso julgá-la. Se eu passasse por tudo o que você passou também morreria de medo de qualquer relação.
— Lud, foi apenas uma tarde, foi só isso. – Elisabeta suspirou.
— Eu não vou insistir, nós teremos essa conversa vezes o suficiente pra você admitir. – Ludmila colocou as mãos para o alto. – O que você quer é transar com Darcy?
— Sim, apenas isso. Sem besteiras sentimentais. – disse, decidida.
Ludmila deu um sorriso compreensivo, que Elisabeta sabia ser completamente falso.
— Ele tentou se fazer presente depois do seu encontro, e você não teve qualquer reação. – Ludmila revirou os olhos. – A começar, sem mais encontros com West. Você sabe que não vai levar adiante nada com ele.
— Mas eu não quero deixar de fazer as coisas por Darcy. Ele certamente não vai deixar de fazer nada por mim. – Elisabeta cruzou os braços.
— Eu estou muito perto de jogar qualquer coisa em você e expulsá-la da minha sala. – Ludmila bufou. – Você não está competindo com Darcy e precisa baixar a guarda.
— E então ele vai ter certeza de que pode fazer o que quiser comigo. – Elisabeta cruzou os braços.
— Não é justamente o que você quer? Que ele entre no seu quarto no meio da noite sabendo que você não vai dizer não? – Ludmila bateu na própria cabeça. – Me ajuda a ajudar você, garota.
Elisabeta resmungou, mas ouviu Ludmila até o fim. E quando finalmente saiu da sede da empresa e viu Darcy encostado no carro, soube que ela estava certa. Darcy a encarou com os olhos escurecidos, mas não disse nada. Os dois então entraram no carro e Elisabeta suspirou.
— Esse carro tem o seu cheiro. – ela disse, de repente.
Darcy a encarou pelo retrovisor, sem dizer uma palavra.
— Você faz de propósito para que eu não consiga me concentrar no trabalho? – perguntou, inocente.
— Seu nariz deve estar sensível. – Darcy respondeu com um sorriso pequeno.
— Não, não está.
Elisabeta mudou de posição, sentando-se mais para o meio do banco de trás, quase na ponta. Uma de suas mãos correu do ombro de Darcy até os cabelos dele, descendo até a camisa, abrindo um dos botões. Darcy colocou a mão para trás, segurando uma das pernas dela brevemente, antes de voltar a dirigir.
— Você deveria vir na frente. – ele disse, sério. – Seria mais fácil tocar você.
— Achei que você não queria mais me tocar. – ela provocou, abrindo outro botão.
— Como foi seu encontro com o americano? – Darcy perguntou, irônico.
Elisabeta pensou em alguma resposta provocativa, mas lembrou-se das palavras de Ludmila.
— Eu não ouvi uma palavra do que West disse. – ela respondeu, sem qualquer traço de mentira na frase. – Passei o tempo todo pensando em você e estive muito perto de invadir seu quarto quando cheguei.
— Não estava trancado. – ele arriscou um olhar significativo para ela. – Quando você vai vê-lo de novo?
— Tecnicamente é meu próximo compromisso. – Elisabeta acariciou os cabelos dele novamente.
West a aguardava em outra de suas empresas. Iriam inspecionar a produção de tecidos juntos. Darcy apenas assentiu, sério. Segurou seu braço, deu uma mordida de leve em seu pulso e não a reposicionou novamente dele. Elisabeta conteve um suspiro de frustração. Deveria imaginar que afetaria o ego de Darcy. Se fosse sincera provavelmente agiria de forma ainda pior do que ele.
Quando chegaram à empresa, West os aguardava na porta. Mesmo com as palavras de Elisabeta no último encontro, ele não parecia querer ceder. A cumprimentou com um beijo no rosto quando ela desceu do carro. Elisabeta não arriscou um olhar para Darcy para ver sua reação. Ele geralmente estacionava o carro e a aguardava ou do lado de fora, ou na parte térrea da empresa.
— Como vai, West? – ela perguntou, educada.
— Melhor agora, Lizzie. – o homem sorriu. – Darcy, como vai?
— Muito bem, e você? – Darcy disse, sem forçar qualquer sorriso.
— West, você pode ir na frente, por favor? – Elisabeta sorriu. – Preciso que Darcy leve alguns documentos para Ludmila.
— É claro, a encontro no subsolo? – perguntou, e Elisabeta assentiu.
— Vamos? – perguntou à Darcy, que ergueu a sobrancelha.
— Você acabou de encontrar Ludmila. – ele disse, sério, mas desceu do carro assim mesmo.
— É por isso que preciso que entregue os documentos para ela. – Elisabeta sorriu.
Darcy deu de ombros, e os dois subiram as escadas. Elisabeta mantinha uma sala em cada empresa, mesmo sabendo que geralmente eram desnecessárias. A da Fábrica de Tecidos, por exemplo, era minúscula. Mas era perfeita para o que ela precisava. Os dois entraram na sala e Elisabeta fechou a porta.
— Eu não achei que você era tão difícil quando o conheci. – Elisabeta suspirou, parando atrás dele.
Darcy não disse nada, e Elisabeta foi para a frente dele. Darcy havia abotoado os botões abertos por ela, e os dedos de Elisabeta foram para eles novamente.
— Eu não gosto de implorar, mas você não me deixa alternativa. – disse, em voz baixa.
Darcy segurou as mãos de Elisabeta com firmeza, passando as duas por trás do corpo dela. A empurrou até a mesa do escritório, pressionando-se contra ela.
— Você acha que é assim? – ele disse, sério. – Que eu estou à sua disposição?
— É pra isso que eu pago o seu salário, não é? – Elisabeta ergueu a sobrancelha, divertida.
— Você me paga para dirigir seu carro. – Darcy irritou-se. – E não é um salário bom o suficiente pra me fazer aguentar você e seu namoradinho juntos.
— West não é meu namorado, Darcy. – Elisabeta disse, séria.
— Ele não parece saber disso. – Darcy pressionou o corpo ainda mais contra o dela.
— Eu disse à ele que não estou disponível para homem nenhum. – ela soltou uma das mãos, levando-as ao cabelo de Darcy. – Só não disse que havia uma exceção.
Darcy fechou os olhos, uma das mãos puxando a perna dela, fazendo encaixar-se nele.
— Eu não sou um homem das cavernas. – Darcy suspirou. – Eu fico duro apenas por pensar em você e não consigo olhar para aquele carro sem pensar em você em volta de mim. Mas eu não sou esse homem.
— Que homem? – Elisabeta respirou fundo com as palavras dele.
— O que dá prazer a uma mulher enquanto outro a ostenta pendurada pelo braço. – Darcy abriu os olhos, encarando-a. – Não me leve a mal.
— Você precisa controlar esse ciúme. – ela riu.
— Eu já lhe disse que não sou um otário, e também não sou um gigolô. – ele a apertou contra seu corpo. – Eu não quero seu dinheiro, eu não quero seu amor, eu só quero gozar em você enquanto você grita meu nome.
— Parece de acordo com o que eu espero disso tudo. – Elisabeta ergueu a sobrancelha.
— Mas você não vai esfregar seu namorado na minha cara. – Darcy sorriu. – É uma questão de respeito, princesa.
— E eu posso esperar o mesmo tipo de respeito? – ela sorriu.
— Depende de você. – Darcy piscou e afastou-se dela. – E agora que deixamos isso claro, West está a sua espera.
Darcy abriu a porta do escritório, deixando Elisabeta ainda sentada na escrivaninha.
— Talvez seja melhor deixar a porta do seu quarto destrancada hoje. – ele disse, com um sorriso de lado, e então sumiu de vista.
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