Need You Now

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Atenção, este capítulo pode conter triggers. Se você é sensível à menções, ainda que sutis, de violência e abuso, pode sentir certo desconforto.

Em outro dia Elisabeta provavelmente passaria o dia refletindo sobre as palavras de Darcy. Perguntaria a si mesma se havia algum fundo de legitimidade nas palavras dele e de Ludmila. Mas naquele dia, tudo saiu do controle rapidamente, minutos após Darcy sair de seu escritório. West entrou afobado, com os olhos arregalados. Estava inspecionando os tecidos, ele disse, e a matéria prima era de qualidade péssima.

O que era para ser uma inspeção de trabalho levou a uma reunião geral em sua casa, com os maiores sócios das empresas Green. O assunto era grave, o prejuízo incalculável, e havia um risco de demissão em massa. E, mais do que isso, era algo deliberado. Não um erro qualquer, não um fornecedor errado. Alguém desviava o dinheiro da matéria prima, comprava produtos de qualidade pior. Era impossível saber há quanto tempo aquilo ocorria.

A reunião entrou pela noite, a cabeça de Elisabeta latejava, e a decisão final era sempre sua. Elisabeta nunca gostou dessa parte do trabalho. De tomar decisões que mudariam a vida das pessoas, que nem sempre eram justas. Mas era necessário, era sobre lealdade, sobre o legado de seu pai. Era sobre manter viva a qualidade que ele prezava em todos os negócios da família.

Naquela noite, Elisabeta precisou esquecer a vida pessoal dos membros da diretoria da fábrica. Fingir que não conhecia seus filhos, que não sabia sobre seus sonhos. Era um erro que passara por todos eles. Provavelmente nem todos eram coniventes, nem todos tinham dinheiro sujo em mãos. Mas a decisão precisava ser tomada, e naquele dia, a alta cúpula da fábrica foi cortada.

Era o maior revés desde o início de sua administração. E, como era de se esperar, os sócios não estavam felizes. Ela sabia que não poderia errar, que apesar do respeito que aqueles homens demonstravam, havia dúvidas sobre sua competência. E naqueles momentos, ainda que o erro não fosse dela, que nada pudesse ter feito, era a ela que culpavam.

A produção de semanas estava comprometida. Ainda que começassem a produzir naquela mesma noite, não seriam capazes de cumprir os prazos de entrega. E ainda precisavam de matéria prima, e de pessoas de confiança para os cargos desocupados. Era tanto a se pensar, tanto a ser feito, e Elisabeta sentia-se exausta. Sua cabeça doía como nunca.

— Não é culpa sua, você sabe disso. – West disse, sério.

— Eu não estou... – Elisa tentou responder.

— Está na sua cara. – West sorriu. – E tudo vai dar certo, você é maravilhosa no seu trabalho.

Elisabeta bufou, afundando-se ainda mais na cadeira. Ela o viu levantar e se aproximar do bar. Logo havia um copo em sua frente, e West tocou seu ombro.

— Lizzie, foi apenas um dia difícil. – a voz dele era calma. – Beba, esqueça um pouco. Amanhã é um novo dia.

Ele apertou um pouco mais seu ombro e correu a mão pelo braço dela. Elisabeta suspirou. Era tudo o que não precisava lidar. Não com West, e certamente não com investidas que não traziam qualquer conforto.

— Obrigada, West. – Elisabeta forçou-se a sorrir.

Mas levantou-se assim mesmo, saindo de perto de West. O vento batia nas janelas e em algum momento daquela noite um temporal havia começado.

— Olha, Lizzie, eu sei que você deu a entender que não havia um “nós”. – West aproximou-se novamente dela. – Mas eu sinto que temos uma conexão.

— West, este não é o melhor dia, o melhor momento. – ela suspirou.

Estava cansada, sua cabeça doía, sentia-se frustrada e prestes a ter uma crise de choro.

— Talvez este seja o melhor momento, Lizzie. – ele deu um passo à frente. – Eu posso fazer companhia à você, podemos beber um pouco. Eu poderia fazê-la esquecer um pouco dos problemas.

West tomou o silêncio dela como um encorajamento, aproximando-se um pouco mais. Elisabeta sentiu a mão dele acariciar seu rosto, mas havia algo de surreal ali. Era como se nada daquilo estivesse acontecendo de verdade. Quando West deu um passo a frente, Elisabeta afastou-se o quanto conseguiu, batendo na estante.

— Você é maravilhosa, Lizzie. – West sorria, estava próximo dela. – Eu a quero tanto.

Ela sentiu o hálito dele bater em seu rosto, o cheiro de sua loção. E foi o suficiente para acordá-la daquela situação, entender o que estava acontecendo. West estava tentando seduzi-la, de uma maneira completamente inadequada. Ele estava ali, sua boca quase encostando na dela, e Elisabeta sentiu-se subitamente alerta, e não de uma forma boa.

Elisabeta o empurrou levemente, e West ofereceu alguma resistência, seu sorriso diminuindo. Houve um breve momento onde ela acreditou que ele a beijaria assim mesmo. Então ele recuou, um sorriso tranquilo voltando à seu rosto. Elisabeta sentiu um pequeno arrepio.

— Me desculpe, acho que confundi a situação. – West manteve-se tranquilo.

— Achei que já havia deixado claro, West. – ela suspirou. – Somos amigos. Apenas amigos.

— É porque a acho tão fascinante, Lizzie. – os olhos dele brilhavam. – Eu adoraria uma chance de estar com você.

Ela não soube se nunca havia reparado, ou se havia algo diferente em West. Nunca havia sentido qualquer dúvida em relação à ele. Mas, naquele momento, estar sozinha com ele a fazia ficar alerta, temerosa. Não era uma reação que deveria ter com um amigo. Mas havia algo na forma como ele olhava para ela.

— Não vai acontecer. – Elisabeta disse, categórica.

— Mas poderia acontecer. – West sorriu e Elisabeta achou que parecia um pouco sinistro. – Se eu quisesse, se nós quiséssemos.

Havia algo diferente, definitivamente. Elisabeta era boa com pessoas, estava acostumada à observá-las. Estivera sozinha com West outras vezes, mas era confortável, ele comportava-se como um perfeito cavalheiro. Nunca teve a sensação de que precisava se defender de West. Não até aquele momento.

— Está tarde, não é? – ela disse, e andou em passos rápidos até a porta.

Suspirou de alívio quando avistou Archie parado próximo à porta, à postos para qualquer pedido que Elisabeta pudesse fazer.

— Archie. – disse, e soou estridente. – Chame Darcy, por favor.

— Não é necessário, Lizzie. – West sorriu.

— Eu faço questão. – Elisabeta tentou sorrir.

Archibald assentiu, a observando por alguns segundos. Elisabeta manteve-se próxima à porta, West mantinha sua postura impecável, como se nada tivesse acontecido. Talvez fosse apenas sua imaginação. Era um momento inoportuno, em um dia ruim. Poderia estar descontando em West. Mas aquele olhar...

Darcy surgiu ao lado de Archibald, e os dois tinham expressões idênticas. Darcy invadiu o escritório, sua presença rapidamente tranquilizando Elisabeta. Ele olhou para West por alguns segundos, e então olhou para Elisabeta. West ainda segurava seu copo, o de Elisabeta estava na escrivaninha. Elisabeta notou quando Darcy observou todos os detalhes. E então olhou novamente para ela, estudando sua expressão.

— Me chamou? – a voz dele foi controlada.

— Você pode levar West para casa, por favor? – perguntou, e Elisabeta notou sua voz tremer um pouco.

Darcy desviou seus olhos para West.

— Não é necessário. – West sorriu, olhando para Elisabeta. – Seu motorista deve estar cansado, Lizzie.

— Já lhe disse, eu faço questão. – Elisabeta disse, decidida, e então voltou-se para Darcy. – Você me faria a gentileza?

— É claro. – Darcy ergueu a sobrancelha quase que imperceptivelmente.

— Bem, boa noite então, Lizzie.

West aproximou-se dela, e Elisabeta tentou manter a naturalidade, mas uma das mãos dele tocou sua cintura, e era impossível evitar a sensação de que havia algo errado. Havia algo errado nele. West deu um beijo em sua bochecha e passou pela porta. Os dois Williamson olharam para ela, e Elisabeta soube na mesma hora que sabiam que havia algo errado.

— Você... – Darcy disse, baixo.

— O leve para casa, por favor. – Elisabeta tentou sorrir. – E depois precisamos conversar sobre nossa combinação.

Darcy assentiu, contrariado. Elisabeta suspirou ao vê-lo se afastar ao lado de West. Queria que Darcy o levasse até em casa, que garantisse que ele estava lá. Archie a observou, a sobrancelha arqueada como Darcy costumava fazer.

— Está tudo bem. – ela disse. – De verdade. Apenas por um momento West pareceu não ser quem ele diz.

Archibald a observou, atento.

— Você deveria saber, Lizzie, que ele é um homem bastante diferente quando lida apenas conosco. – Archibald disse. – Boa noite, minha querida.

Elisabeta observou Archibald se afastar. Seria possível? Talvez West fosse apenas arrogante com os outros. Ainda assim Elisabeta não gostava de ignorar seus instintos. E por algum motivo havia entrado em alerta ao vê-lo se aproximar. A verdade é que não sabia tanto assim sobre Weston Mitchel. Sabia que era um primo de Brianna, estava na Inglaterra para aperfeiçoar os negócios da família.

Ele parecia perfeitamente inofensivo. A tratava bem, era educado, respeitoso. Ao mesmo tempo sabia que ele havia compreendido suas palavras do final de semana. Havia sido clara o suficiente sobre não estar interessada em um relacionamento. E ainda assim, ele tentara se aproximar.

Elisabeta ficou perdida em pensamentos por algum tempo. E então sentou-se para ler suas anotações da reunião. Aquele dia parecia interminável, e agora havia mais um problema em sua lista. Precisava estar alerta com West. Ele estava acompanhando seu trabalho de perto, tinha acesso à todas as informações. Elisabeta suspirou e levou as mãos à cabeça, fechando os olhos.

Quando os abriu Darcy estava parado em sua frente, os cabelos levemente molhados, a camisa também. Elisabeta não o ouviu entrando, e deu um sobressalto na cadeira. Darcy deu um sorriso pequeno.

— Ele está em casa. – disse, voltando à seriedade.

— Ótimo. – Elisabeta suspirou, mais aliviada.

— Você vai me dizer o que aconteceu ou eu vou precisar continuar imaginando? – Darcy cruzou os braços.

— O que acha dele, Darcy? – ela perguntou, cansada.

— Você já sabe disso. – ele respondeu.

— Além do que me envolve. – Elisabeta sorriu.

— West é rico. – Darcy disse, simplesmente. – E como quase todos, fornece tratamento diferente aos poderosos e aos subalternos.

— Entendo. – Elisabeta assentiu.

— E agora vai me dizer o que aconteceu?

— Nada aconteceu. – ela suspirou. – Ele tentou se aproximar, e quando o lembrei de nossa conversa de alguns dias atrás, por alguns segundos pareceu que ele não respeitaria minha decisão.

— Ele tocou em você? – Darcy deu um passo à frente.

— Nada aconteceu, Darcy. – Elisabeta fechou os olhos. – Deve ser coisa da minha cabeça.

Ela o ouviu fechar a porta, e então trancar a porta.

— Você quer a minha opinião? – ela o ouviu dizer, e então sentiu as mãos dele nas dela. – Sem dizer que eu estou com ciúmes?

Darcy a puxou com delicadeza, e quando Elisabeta levantou-se já estava com o corpo colado ao dele, enquanto ele estava apoiado na escrivaninha. Elisabeta abriu os olhos, encontrando um sorriso irônico.

— Você pode tentar. – ela respondeu, passando os braços pelo pescoço de Darcy.

— Você é uma mulher com mais poder e dinheiro do que a maior parte dos homens pode sonhar. – Darcy acariciou a coluna dela. – Tem o rosto de um anjo e o corpo do pecado.

— Eu gosto dessa linha de pensamento. – ela murmurou, aproximando-se do pescoço dele.

Darcy a puxou mais contra seu corpo, as mãos procurando os laços do vestido que ela usava. Puxou com delicadeza, fazendo o vestido afrouxar no corpo dela. Então explorou os pequenos botões. Elisabeta fez o mesmo com a camisa dele, depositando pequenos beijos no pescoço de Darcy. Ele desceu o vestido pelos braços dela, fazendo o tecido cair em camadas no chão.

Ele a afastou um pouco, descendo o olhar pelo corpo dela, fazendo Elisabeta esquentar rapidamente. Ela terminou de abrir a camisa dele, a umidade da chuva lembrando a primeira vez que fizera a mesma coisa. Darcy puxou os cabelos dela, expondo seu pescoço, e abocanhou a pele, fazendo-a suspirar. A distraiu com sua língua enquanto suas mãos continuavam arrancando todos os resquícios de qualquer tecido.

Elisabeta arranhou o peito dele, descendo até a calça. A abriu sem qualquer cuidado, querendo senti-lo mais próximo, mais perto. Ela já estava completamente nua quando Darcy finalmente retirou o resto de suas roupas. A puxou contra ele, as mãos descendo pelo corpo de Elisabeta, apertando tudo o que podia. Elisabeta mordeu a orelha de Darcy, fazendo-o suspirar pesadamente, e se afastar para olhar nos olhos dela.

— Você, senhora Green, é o pacote perfeito. Um bilhete premiado.

— Você me faz parecer um objeto. – ela resmungou.

Darcy a ergueu sem dificuldades, trocando suas posições. A segurou pelas coxas, fazendo com que ela enrolasse as pernas na cintura dele. O contato da ereção dele com sua intimidade fez Elisabeta vibrar e gemer o nome dele em voz baixa.

— E é como a maioria dos homens vai tratar você. – Darcy sentou-se na cadeira dela, erguendo o corpo de Elisabeta apenas levemente para encaixarem seus corpos.

Darcy baixou o corpo dela, e Elisabeta sentiu-o deslizar para dentro de seu corpo. Era um encaixe perfeito, e ela não sabia como passara tanto tempo sem aquela experiência.

— Alguns homens, Elisa, não sabem receber um não. – ele disse, usando o apelido brasileiro dela.

— Como você? – Elisabeta ergueu a sobrancelha, sugestiva, erguendo-se levemente apenas para provocá-lo.

— Eu não quero um não, é diferente. – Darcy deslizou a mão pela coluna dela, segurando sua bunda, deslizando mais profundamente. – A minha opinião é que West está se fazendo de príncipe para saquear seu reino, princesa.

Elisabeta segurou os cabelos de Darcy, e ele a ergueu novamente, começando um movimento rítmico. Era uma posição nova para ela, e parecia intensificar tudo. Parecia que era capaz de senti-lo em todos os lados. Uma onda de prazer a invadiu, mas Elisabeta tentou focar-se na conversa. Como ele poderia falar coisas tão sérias fazendo aquilo?

— Eu tenho uma dúvida, Darcy. – ela suspirou, agarrando-se a ele, sentindo Darcy aumentar o ritmo. – Nessa história toda, qual é o seu papel?

Darcy deu aquele sorriso de lado que fazia Elisabeta derreter. A segurou com uma das mãos, enquanto a outra foi para os cabelos dela. Darcy olhou nos olhos dela, e seus dedos acariciaram seu rosto. Ele desceu a mão pelo corpo dela, brincando com um mamilo, passando por seu ventre, chegando à seu local mais sensível.

— Eu sou o filho da puta sortudo que achou o mapa do tesouro. – ele disse, fazendo Elisabeta gargalhar, e então afundou-se mais nela, fazendo-a gemer. – Agora chega de conversa, princesinha.

Darcy abocanhou um dos seios dela sem aviso prévio, aumentando o ritmo de suas estocadas. Elisabeta o sentia invadir seu corpo, estimular sua intimidade, morder seu mamilo. E foi tudo intenso demais para que ela não explodisse em um orgasmo, mordendo o ombro dele para que não gritasse alto demais. Darcy a segurou contra ele, e com mais alguns movimentos ela o ouviu suspirar alto, derramando-se nela.

Eles ficaram ali por pouco tempo, antes de se afastarem. Vestiram suas roupas em silêncio e subiram as escadas da casa adormecida.

— Boa noite. – ela disse, antes de entrar em seu quarto.

Quando finalmente deitou-se, parecia não haver mais nenhum problema em sua mente. Mas eles voltariam no dia seguinte. Ela só esperava que Darcy também estivesse lá.