Necrofilia
7 Igual
Notas iniciais
Igual
Após o sexo, o frentista deu água e um prato de comida à moça, ela comeu vagarosamente, não era um banquete, mas ela desejava saborear cada pedaço, na esperança de se sentir satisfeita. Feito isso ele se despediu gentilmente, ela não esperava que tal grau de gentileza brotasse nele.
— Agora que a senhorita está bem alimentada, já posso deixa-la sozinha.
— Não tem alguma roupa que possa vestir? Estou completamente nua!
— Cada coisa por vez, você teve a comida e a água que desejava, agora deve esperar pelo meu próximo surto de bondade. Apenas saiba que até agora, você é a vítima mais bem tratada que já passou por esse lugar.
Ele estendeu a mão para que ela pudesse se levantar, estava nua e suja. Seus cabelos molhados de suor e havia algumas feridas e hematomas pelo seu corpo, o esperma dele escorria pelas suas pernas. O frentista a beijou na bochecha e deu as costas, bateu a porta... Silêncio.
No quarto não havia muitas coisas, só um colchão imundo, infiltrações e nenhuma abertura na parede além da porta. Era escuro e úmido, tinha marcas de sangue, que Carrie só pudera ver quando adentrou o local. Ela estava começando a sentir calafrios, não tinha roupas para se esquentar e o ambiente não melhorava aquela situação.
O posto estava fechado, era noite e estava chovendo, Jack se exercitava afiando uma adaga, aquela que ele sempre usava para arrancar o coração das suas vítimas.
— O que está fazendo Jack? – Perguntou Leon.
— Minha adaga nunca esteve tão afiada e brilhante!
— Ainda está sedo para matá-la, já disse que ela só morrerá quando eu quiser que ela morra!
— Não me venha com essas meninices! Vai me dizer que a síndrome de Taylor voltou?! – Deu uma gargalhada – Você não muda mesmo!
— Tolice, Taylor era mais um dos nossos brinquedos, a hora dela chegou, não chegou?
— Sim, mas foi preciso que eu a matasse Leon. Admita que você é um fraco e se apaixona por qualquer bocetinha!
— Não adianta cretino! Dessa vez não haverá morte a menos que eu a deseje.
Leon olhou para a espingarda presa à parede do lado do caixa.
— Precisamos de outra vítima. Ela já está aqui há dois dias e desde então paramos o funcionamento. Alguém não gostará disso.
— Ele que espere. Amanhã é um novo dia irmão.
Os dois estavam parados na frente da porta de vidro que dava acesso à loja de conveniência, relampejou e o reflexo dos dois se fez visível no vidro, um perfeitamente igual ao outro.
Carrie estava sonolenta, deitada no canto mais seco que pode encontrar. Não parava de pensar no cristo retalhado que viu no outro cômodo, nem na silhueta misteriosa que vira mais cedo. Será que o que ela deduzira estava correto e ela se encontrava realmente morta? Poderia estar em uma dimensão estranha que não fosse nem o céu, nem o inferno? Àquela altura não sabia mais o que pensar, o que cogitar, ou até mesmo o que era real, então dormiu.
O dia amanheceu rapidamente, alguns carros passavam pela estrada que ia até a cidade de Scurry. Sempre às 6 da manhã e às 8 da noite a estrada tinha uma movimentação maior, pois os habitantes da região que trabalhavam em Dallas, saiam muito cedo com seus carros para ir trabalhar ou já estavam voltando para casa.
Um camaro ano 1967 riscava o asfalto, um belo rapaz com seus 26 anos de idade dirigia ao som de Heat of the moment da banda dos anos 80 Asia. Seus cabelos pretos ondulados voavam com o vento daquela manhã ensolarada. O tanque estava esvaziando e havia um posto de combustível a menos de um quilômetro. A rádio de rock dos anos 80 estava animada naquela manhã de sexta. E o rapaz alto de olhos azuis estacionou o carro no posto de aparência abandonada quando a música Going Underground da banda The Jam estava prestes a acabar.
Desligou a rádio e desceu do carro. Foi até a loja de conveniência para procurar alguém que pudesse atende-lo. Que silêncio! — pensou.
— Tem alguém aí que possa encher o tanque do meu carro?
Esperou alguns segundos e repetiu a pergunta, não teve resposta. Virou-se e foi em direção à porta de saída, e percebeu que o frentista estava lá fora verificando o motor do seu carro.
— Não há nada com o motor, só quero mesmo a gasolina! – Disse saindo da loja.
— Não é o que parece, tem um vazamento de óleo aqui.
— Isso não estava aí hoje cedo. Está querendo ganhar uns trocados a mais? Não acredito que...
— Senhor, acalme-se. – disse Leon o interrompendo – Só estou tentando te ajudar.
— Está certo, faça logo o que tem para fazer, ou sairei muito atrasado daqui. Onde eu acho um banheiro?
— Lá dentro!
O rapaz caminhou novamente até a loja e seguiu ao banheiro, estava muito apertado e precisava urinar. Quando ia lavar as mãos após urinar, o homem notou que tinha uma pessoa atrás dele. Era o mesmo frentista.
— Já terminou com o carro? – Disse secando as mãos em um pano na pia.
— Que carro? – Perguntou Jack com um risinho malicioso.
Depois disso ele agarrou o homem e pressionou seu braço contra o pescoço do rapaz, apertou o mais rápido que pôde, em segundos o homem desmaiou.
Jack pôs o rapaz no ombro e caminhou até a sala onde Carrie dormia.
— Ei espere! – disse Leon.
Jack se virou dando um sorriso de canto de boca.
— O que foi? Apaixonou-se pelo cara também? – Ele disse zombando.
— Claro que não seu imbecil, me dê a chave do carro! – Respondeu em tom ríspido.
— Não fique brava maninha! – Jack soltou o rapaz, que caiu desajeitado no chão, depois mexeu nos seus bolsos e encontrou as chaves do carro, pegou também sua carteira, onde estavam seus documentos. – Benjamim Mark? Que nome estranho, mas fazer o que, o seu nome é Leon não é mesmo?
Leon rosnou uns palavrões e agarrou a chave que Jack jogara um segundo antes. Enquanto o irmão tratava de jogar o senhor Mark no quarto, Leon foi até o carro e fez uma vistoria, recolhendo os pertences do rapaz.
Carrie continuava dormindo, quando Jack entrara no quarto com um homem nos braços. Ele o jogou no chão novamente, próximo a Carrie e enquanto fechava a porta devagar, ia admirando o corpo nu da garota.
Ela despertou de repente e ficou assustada ao perceber um rapaz ao seu lado. Tentou acorda-lo, mas não foi bem sucedida.
Outro para a coleção – pensou e foi então que notou uma fresta de luz na parede. A porta está aberta! Correu até a porta na esperança de fugir daquele lugar horrendo e lúgubre, abriu e tentou sair, mas Jack estava do lado de fora e a empurrou de volta ao cômodo.
— Vadia!
Ela caiu no quarto, por cima do novo companheiro.
O frentista fechou a porta calmamente e voltou ao posto.
No quarto Benjamim abria os olhos assustado com o ambiente, estava confuso e sua visão turva, aos poucos foi recobrando os sentidos.
— Quem é você? – Perguntou Carrie.
Ele virou sua cabeça rapidamente, encarando a mulher sentada no canto do quarto. Ao vê-la, se afastou pondo as mãos para trás, contra o chão e se arrastando depressa.
— O que é você?- Pelada e suja pensou.
— Sou uma mulher não está vendo? Não acredito que um rapaz tão forte se deixou enganar por um débil mental ninfomaníaco.
— Se afaste de mim!
A expressão de Carrie era de raiva, ela se levantou e caminhou em direção a Benjamim, ele ficou ainda mais apavorado.
— Saia de perto de mim!
— Você terá que ser bem mais forte para aguentar o que está por vir.
— Do que você está falando?
— Primeiro eles vão arrancar os seus olhos para que você não veja o que eles farão com você, — ela começou a gritar – depois vão comer suas vísceras e beber todo o seu sangue e por último comerão o seu rabo enquanto sua vida padece e deixa o seu corpo podre e imundo! – ela caiu de repente, desapagada.
Sua mente já não era a mesma.
Benjamim continuava apavorado no outro canto do quarto, tentando entender o que estava acontecendo.
— Isso não pode ser real.
Estou em um pesadelo e quero acordar agora!
Carrie levantou o corpo subitamente, respirando fundo, encarando Benjamim nos olhos.
— Desculpe por falar todas aquelas coisas, não estou bem, não faço ideia de há quanto tempo estou aqui!
— Qual é o seu nome?
— Carrie. Carrie Hudson.
— O meu nome é Benjamim Mark, onde a gente está?
— Em algum lugar dentro deste posto maldito!
— Ah! Agora faz sentido. A última lembrança que tenho é de quando estava no banheiro lavando as mãos e vi o frentista atrás de mim pelo espelho. Achei estranho, pois um minuto antes ele estava concertando o motor do meu carro e sem mais nem menos, me atacou no banheiro sem eu nem ter ouvido os seus passos. Foi como se existissem dois frentistas!
— Aconteceu algo parecido comigo, corri pela mata ao redor e ele sumiu atrás de mim – fez uma pausa -, de repente surgiu na minha frente como se ele pudesse se teletransportar.
— O que ele é afinal?
— Um monstro! Essa é a única certeza que posso ter. Nós temos que nos ajudar...
Um carro de polícia tinha acabado de estacionar no posto de combustível, o delegado Jacob Lamper desceu da viatura, com a mão em sua pistola calibre 38, caminhou até a loja impondo sua postura rígida. Leon estava parado em frente à porta de entrada, esperando para ver o que o delegado de Scurry queria.
— Então Jack. – Disse o delegado.
— Quantas vezes eu já disse que sou o Leon... Pai?
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