Necrofilia
8 A Fuga
Notas iniciais
A Fuga
— Vocês são a mesma coisa, duas pestes sem coração, igualzinho ao papai aqui. – Gargalhou. – Mas vamos ao que interessa, onde estão os carros?
Leon olhou para uma grande garagem ao lado do posto, onde estavam os dois carros das suas vítimas recentes.
— Sempre estão ali, não sei por que pergunta.
— Gosto de puxar papo com os membros da família. – Disse Jacob caminhando até a porta da garagem. – São bons?
— Faturaremos bastante essa semana. Um camaro 67 todo reformado e o outro é um Ford 5 Passenger. Está bem conservado. – Ele se agachou para puxar a porta da garagem para cima.
— Vamos ter que parar um pouco com nossos trabalhos, tem novos policiais na área Leon e eles não são do tipo que ficam calados.
— Até quando temos que parar?
— Até que eu diga que podemos retornar a ativa. Mas mudando de assunto, onde está o Jack?
— Provavelmente comendo um dos nossos queridos “convidados”.
— Já disse que esses costumes de deixar os “bichos” vivos pode ser perigoso. E ainda não entendo esse gosto erótico exótico de vocês dois.
— Não diga nada senhor Jacob, você nos apresentou a necrofilia, quando decidiu transar com a mamãe depois de matá-la!
— Era nossa última foda Leon, me dê um desconto. E no caso de vocês não existe distinção, vocês são monstros! Fodem homens, mulheres, crianças, animais, ou qualquer coisa que tenha sangue nas veias.
— O grau de desejo não difere nossa insanidade. – Leon sorriu descontraído.
Enquanto isso Jack escutava a conversa próximo aos dois, sem deixar que o pai e o irmão o visse.
— Há muito tempo que não vivemos pai. Por sua culpa, por culpa desse negócio sujo. – Disse Jack surgindo de repente. – A única coisa que nos contenta é o prazer, estranho, mas mesmo assim, prazer.
— A vida é um prazer. – Disse encarando o filho. – Me idolatrem! Ou vocês acham que o mundo iria querer dois loucos, com gosto sexual exótico, obsessivo e violento? Eu cuidei de vocês esse tempo todo e vocês tinham que retribuir por isso. Por isso vivem aqui, longe de qualquer suspeita e eu cuido para que nunca sejam pegos! Se não fosse por mim, vocês não estariam vivos.
Os dois fecharam os punhos e se encararam, dava para sentir a raiva em seus olhos, uma raiva que eles não sabiam ao certo de onde surgia, mas algo os dizia que aquele sentimento estava fragmentado e seus pedaços escondidos em diversas partes de seu consciente.
— Bem, já disse e repito, pararemos com as nossas atividades por enquanto. Mais tarde mandarei dois homens para pegar os carros. Ok?
— Tanto faz. – Responderam.
— Ah, por favor, não devore os pobres coitados! Tudo bem enquanto for apenas sexo, canibalismo já é loucura demais, filhos! – Brincou.
Logo depois caminhou até a viatura, olhou mais uma vez para os filhos, sorriu e arrastou o carro furiosamente, riscando o asfalto até a cidade.
Os irmãos entraram no posto novamente, sem dar uma palavra, estavam sérios e com raiva, precisavam extravasar o corpo e a alma e para eles o melhor jeito de fazer isso era brincando com as suas vítimas.
— Preciso fazer uma visita ao nosso novo hospede. – Disse Jack.
— À vontade. Preciso dormir um pouco, pensar, descansar.
— A frutinha como sempre, cheia de frescuras, não topa um sexo a quatro? Deixe o cara novo te dominar! – Gargalhou intensamente, porém Leon não lhe deu atenção e continuou a caminho do seu quarto.
No andar inferior, Carrie e Benjamin estavam apreensivos. Não tinham ideia de quando alguém apareceria de novo lá em baixo – mas seria melhor para os dois que o frentista não aparecesse. Naquela escuridão o tempo era a coisa mais incerta, não se podia saber se era noite, ou dia, ou tarde, ou qualquer que fosse a hora.
— Nós ainda podemos sair daqui, temos que planejar alguma coisa para parar esse frentista miserável! – Dizia Carrie, enquanto encarava Benjamin sentado à sua frente.
— Quando ele aparecer aqui novamente nós o pegamos.
— Não é fácil como parece, ele é muito forte, mas juntos temos uma chance.
— Mas como posso confiar que você não me deixara aqui sozinho com aquele maníaco?
— Eu sei mais do que ninguém como é sofrer neste lugar, não desejo isso pra ninguém. Você se relaciona com homens?
— Não! Claro que não, aliás, você pelada assim até me excita. – Riu descontraidamente.
— Estou falando sério, se nós ficarmos aqui você terá que aprender a ser mulher, você terá que fazer coisas que nunca pensou que tivesse que fazer! – Ela fez um movimento com a língua, como se simulasse um sexo oral.
— Não vou chupar o pau de um homem! – Benjamin se inflou.
— Você não terá que querer! Será obrigado.
As situações em que Carrie tinha sido envolvida estavam mexendo com seu psicológico, ao ponto de fazê-la parecer uma lunática falando, mas ela só dizia a verdade absoluta, a qual ela já conhecia.
— Só sei que não sei em quem devo acreditar, você coloca muito medo sobre mim.
— Você não tem saída, confie em mim, ou morra sem tentar.
Benjamin olhou para a tatuagem que tinha na parte inferior do pulso esquerdo, onde estava escrito “ame, confie, conquiste”, os lemas que ele tentava seguir e alcançar um dia e algo o dizia que já era hora de coloca-los a prova.
— O que vamos fazer? – Perguntou ele.
— Quando o frentista entrar pela aquela porta, ele obviamente vai escolher um de nós dois para satisfazê-lo e nesse momento nós o agarraremos e o abateremos, depois poderemos fugir e o deixar aqui.
— Se este plano der certo e nós conseguirmos sair daqui eu te pago um drink no melhor restaurante de Dallas, mas sinceramente, não acho que dará certo.
— Confiança! Não vamos saber se dará certo se não tentarmos.
— Tentarei, mas isso não muda o fato de que tenho medo de você.
Repentinamente os dois ouviram passos vindos do corredor e a maçaneta da porta girou lentamente, foi quando Benjamin e Carrie se entreolharam e a porta abriu.
— Benjamin, está na hora de brincarmos um pouquinho. – Riu bem alto, o mais alto que pode.
— Eu sempre gostei de caras sujos de graxa. – Mentiu.
— Você gosta de ser dominado?
— Eu amo ser dominado, por homens másculos e fortes como você. Sou uma vadia!
— Você está sendo muito exagerado, finja melhor da próxima vez. Perdi a vontade, deixarei o seu corpo livre por enquanto. – Jack dizia com desprezo, enquanto se virava para sair do quarto.
Nessa hora, Carrie e Benjamin se jogaram sobre ele, tentando derruba-lo. Benjamim socou as suas costas com força e o rapaz se virou em fúria, dando uma incrível cabeçada no pescoço da moça, que soltou um arquejo agudo. Em seguida Benjamin e Jack travaram uma pequena luta, se jogando nas paredes, rolando pelo chão, enquanto socos corriam para lá e para cá, freneticamente. Carrie correu até a porta, de onde viu a pilha de corpos que tinham caído do armário, todos espalhados pelo corredor, a moça avistou um fêmur no meio dos corpos e o pegou rapidamente, ainda havia pedaços de carne apodrecida grudada ao osso, mas ela o pegou mesmo assim e o levou para dentro do cômodo, atirando-o com toda força contra a cabeça do frentista, que gritou de dor.
— Leon! – Gritou enquanto colocava a mão sobre a cabeça.
Logo depois, os dois prisioneiros pegaram as chaves e correram para fora do cômodo, na esperança de terem a chance de sair daquele lugar lúgubre. Trancaram a porta e passaram pela porta 1, que dava acesso a um novo corredor, que possuía uma nova porta e uma abertura na parede, de onde saia um forte cheiro de gasolina impregnado por outra fragrância de odor putrefato.
— Nenhuma dessas chaves abre a porta. – Concluiu Carrie.
— Não podemos voltar lá. Vamos ter que seguir por está abertura e ver onde ela vai dar.
Enquanto isso, Jack continuava gritando loucamente e batendo na porta, quase a arrombando.
— Vamos por aqui então. – Disse relutante, apontando a abertura. – Mas eu não quero entrar aí!
— Você tem que entrar. – Disse empurrando-a no lugar escuro e pulando logo em seguida.
Carrie sentiu algo muito mole e pegajoso escorrer por entre seus dedos. O cenário era realmente aterrorizante, os corpos dos dois gelaram e foi como se eles vissem o inferno.
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